<?xml version="1.0"?>
<feed xmlns="http://www.w3.org/2005/Atom" xml:lang="pt-BR">
	<id>https://homologacao2.wikifavelas.com.br/api.php?action=feedcontributions&amp;feedformat=atom&amp;user=Alexandre</id>
	<title>Dicionário de Favelas Marielle Franco - Contribuições do usuário [pt-br]</title>
	<link rel="self" type="application/atom+xml" href="https://homologacao2.wikifavelas.com.br/api.php?action=feedcontributions&amp;feedformat=atom&amp;user=Alexandre"/>
	<link rel="alternate" type="text/html" href="https://homologacao2.wikifavelas.com.br/index.php/Especial:Contribui%C3%A7%C3%B5es/Alexandre"/>
	<updated>2026-05-06T21:36:02Z</updated>
	<subtitle>Contribuições do usuário</subtitle>
	<generator>MediaWiki 1.43.0</generator>
	<entry>
		<id>https://homologacao2.wikifavelas.com.br/index.php?title=Transforma%C3%A7%C3%B5es_Urbanas_e_Remo%C3%A7%C3%B5es_de_Favelas&amp;diff=1656</id>
		<title>Transformações Urbanas e Remoções de Favelas</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://homologacao2.wikifavelas.com.br/index.php?title=Transforma%C3%A7%C3%B5es_Urbanas_e_Remo%C3%A7%C3%B5es_de_Favelas&amp;diff=1656"/>
		<updated>2019-08-07T22:22:56Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Alexandre: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;p style=&amp;quot;margin:0cm;  margin-bottom:.0001pt;  text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:medium&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Verdana,Geneva,sans-serif&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:black&amp;quot;&amp;gt;Transformações urbanas recentes e retomada das remoções de favelas&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin:0cm;  margin-bottom:.0001pt;  text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin:0cm;  margin-bottom:.0001pt;  text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:medium&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Verdana,Geneva,sans-serif&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:black&amp;quot;&amp;gt;A cidade do Rio de Janeiro passou por mudanças consideráveis nos últimos anos. Tais “transformações”, assim como definido pelo discurso oficial, produziram alterações significativas nos usos e fluxos dos espaços e lugares da cidade. Há muitas décadas não se observavam intervenções de tal magnitude. Seria possível afirmar que, na dimensão em que ocorreram, apenas são comparáveis às reformas urbanas empreendidas pelo prefeito Pereira Passos no inicio do século XX.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin:0cm;  margin-bottom:.0001pt;  text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin:0cm;  margin-bottom:.0001pt;  text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:medium&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Verdana,Geneva,sans-serif&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:black&amp;quot;&amp;gt;Estas localidades, desde o seu surgimento no início do século XX, foram definidas como um “problema” em relação ao qual um conjunto de interpretações e propostas de intervenção foram pensadas e efetivamente implementadas. Falar sobre a favela era falar sobre a cidade como um todo e, além disso, propor alguma intervenção para corrigir os seus problemas. As favelas e seus moradores que, desde o seu surgimento, foram identificados pela imagem dominante como aqueles responsáveis pelos problemas que as cidades enfrentavam, seriam os objetos principais das propostas de correção urbana que foram sendo elaboradas ao longo do tempo no Rio de Janeiro. Tais propostas variaram desde intervenções de caráter “civilizatório”, haja vista o fato de os moradores destes territórios serem considerados moralmente inadaptados à vida urbana, passando por propostas de controle negociado, como afirma Machado da Silva (2002), até as de controle social mais violento, o que passou a ocorrer com as políticas de segurança pública mais recentes.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin:0cm;  margin-bottom:.0001pt;  text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin:0cm;  margin-bottom:.0001pt;  text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:medium&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Verdana,Geneva,sans-serif&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:black&amp;quot;&amp;gt;É possível afirmar que até a década de 1970 as propostas de intervenção se concentravam na remoção como forma principal de ação estatal sobre as favelas. O que se seguiu, a partir deste período, seria algo completamente diferente. A urbanização se tornou uma ação importante e até certo ponto central no que se refere à forma como se lidava com o “problema favela”. Simultaneamente, outro fenômeno surge e provoca uma mudança profunda no modo como se vê estes territórios: a chamada “violência urbana”. A violência se transformou no principal problema do Rio de Janeiro, alterando tanto os comportamentos quanto as práticas dos diversos grupos e classes sociais. Os moradores e as favelas continuariam sendo tratados como o “&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:red&amp;quot;&amp;gt;outro&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:black&amp;quot;&amp;gt;” da cidade, mas desta vez num registro&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:black&amp;quot;&amp;gt;marcado pelo medo, caracterizado pelo entendimento do morador de favela (lido também como “bandido” pelas classes médias e altas) como ameaçando constantemente a ordem social.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin:0cm;  margin-bottom:.0001pt;  text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin:0cm;  margin-bottom:.0001pt;  text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:medium&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Verdana,Geneva,sans-serif&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:black&amp;quot;&amp;gt;Neste contexto, uma nova configuração se formou, especialmente a partir de meados dos anos 2000, o que favoreceu as tentativas (depois consolidadas nos anos seguintes) de retomada da remoção como forma de ação do Estado nas favelas. &amp;lt;/span&amp;gt;Isto se deu no contexto da realização dos Jogos Panamericanos de 2007 e da campanha do Jornal O Globo intitulada “Ilegal. E daí”, onde, entre outras “ilegalidades”, destacou-se a “ocupação irregular” do território, identificada preferencialmente com as favelas. &amp;lt;span style=&amp;quot;color:black&amp;quot;&amp;gt;É importante lembrar que, no interior do que se passou a chamar de “violência urbana”, a todo acontecimento que lhe era associado - principalmente os confrontos entre bandos de traficantes e entre estes e a polícia - surgiam propostas de remoção que se justificavam ao associarem o crescimento das favelas na cidade e o crescimento da violência. Essa associação reforçava a identificação destas localidades como o suposto lugar principal da violência e como fonte de todos os perigos que se espalhavam pela cidade. A partir dessa associação entre aumento do território das favelas e aumento da violência na cidade reforçava-se, portanto, as possibilidades de erradicação. Entretanto, tal proposta ainda não apresentava as condições políticas necessárias para se efetivar e permaneceu em estado de hibernação.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin:0cm;  margin-bottom:.0001pt;  text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin:0cm;  margin-bottom:.0001pt;  text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:medium&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Verdana,Geneva,sans-serif&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:black&amp;quot;&amp;gt;O que mudou este cenário de maneira decisiva foi a eleição do prefeito Eduardo Paes, cujo primeiro governo se iniciou em 2009. A partir daquele período, houve um redirecionamento das ações das instituições municipais em direção ao que havia sido discutido e formulado alguns poucos anos antes, fazendo com que as condições que seriam necessárias para que a intervenção sobre as favelas na forma da remoção se formassem.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin:0cm;  margin-bottom:.0001pt;  text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin:0cm;  margin-bottom:.0001pt;  text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:medium&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Verdana,Geneva,sans-serif&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:black&amp;quot;&amp;gt;É possível apontar três momentos diferentes que contribuíram para a formação deste enquadramento que permitiu a retomada das remoções no início da década de 2010: o primeiro se caracteriza por um intenso esforço em trazer para o debate público a palavra “remoção”; o segundo pela consolidação da crítica aos críticos da remoção como política, utilizando-se e apoiando-se nos desdobramentos das “chuvas de abril” de 2010 (quando mais de 200 pessoas morreram); por fim, os deslocamentos populacionais passam a ser tratados, logo após, como um “legado” da organização e realização dos Jogos Olímpicos de 2016 e da Copa do Mundo de 2014. &amp;lt;/span&amp;gt;A conjuntura formada naquele período - principalmente a partir dos megaeventos esportivos - favoreceu a retomada da via da erradicação como maneira do Estado lidar com as favelas, ressignificando o termo “remoção” e situando-o como uma dimensão importante das práticas de governo.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin:0cm;  margin-bottom:.0001pt;  text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin:0cm;  margin-bottom:.0001pt;  text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:medium&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Verdana,Geneva,sans-serif&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:black&amp;quot;&amp;gt;A efetivação da política recente de remoções&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin:0cm;  margin-bottom:.0001pt;  text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin:0cm;  margin-bottom:.0001pt;  text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:medium&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Verdana,Geneva,sans-serif&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:black&amp;quot;&amp;gt;Esta conjuntura favorável às remoções contou com a contribuição material e política do programa federal de habitação “Minha Casa Minha Vida”, que &amp;lt;/span&amp;gt;foi largamente utilizado pela prefeitura para realizar as remoções. Em função disso, a administração municipal aumentou o tamanho e alterou consideravelmente a natureza das intervenções de seu programa de urbanização - o Morar Carioca - que definiu um conjunto de 123 favelas (aproximadamente 13 mil famílias) que deveriam ser completamente removidas até o final de 2012, embora este número tenha se alterado com o levantamento feito após as “chuvas de abril”, que apontou um número perto de 18 mil famílias a serem realocadas.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin:0cm;  margin-bottom:.0001pt;  text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p class=&amp;quot;MsoFootnoteText&amp;quot; style=&amp;quot;margin-bottom:.0001pt;  text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:medium&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Verdana,Geneva,sans-serif&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:black&amp;quot;&amp;gt;Ocorreram remoções em todas as regiões da cidade. Contudo, o fluxo de pessoas provocado por elas seguiu, quase sempre, a seguinte direção: os moradores de favelas das Zonas Sul, Norte/Subúrbio, Jacarepaguá/Recreio dos Bandeirantes foram levados para a Zona Oeste, especificamente para áreas dos bairros de Campo Grande, Cosmos e Santa Cruz. Muitos destes deslocamentos implicaram uma mudança de até 40 quilômetros de distância do local original de moradia. &amp;lt;/span&amp;gt;Entre as favelas totalmente removidas, destacam-se os casos conhecidos publicamente da Vila Harmonia, Vila Recreio II, Notre Dame (todas no Recreio dos Bandeirantes - Zona Oeste), Vila União (Barra da Tijuca), Largo do Tanque (Jacarepaguá – Zona Oeste), Favela da Guaratiba (Guaratiba – Zona Oeste), Largo do Campinho, Vila Quaximã e Vila das Torres (Madureira - Zona Norte), Terra Nostra (Parque Colúmbia/Pavuna - Zona Norte) e Favela do Sambódromo (Centro). Entre as parcialmente removidas ou cujo processo de remoção continua até hoje estão a Restinga (Recreio dos Bandeirantes), Estradinha-Tabajaras (Botafogo - Zona Sul), Laboriaux (Rocinha – Zona Sul), Torre Branca (Morro dos Prazeres), Favela Metrô-Mangueira (Maracanã - Zona Norte), Morro do Urubu (Zona Norte); Indiana (Tijuca); Morro da Providência (Centro); Vila Autódromo (Jacarepaguá/Barra da Tijuca - Zona Oeste), Arroio Pavuna (Jacarepaguá/Barra da Tijuca - Zona Oeste). Ainda que o acesso aos números oficiais seja dificultado pelas autoridades públicas, a estimativa da própria prefeitura é de que, aproximadamente, 22 mil famílias (quase 90 mil pessoas) foram retiradas de seus locais de moradia e parte considerável delas forçada a ir para regiões nas periferias da cidade. &amp;lt;span style=&amp;quot;color:black&amp;quot;&amp;gt;Se visualizarmos as consequências do Minha Casa Minha Vida, no contexto das remoções promovidas pela prefeitura, tal política ajudou a produzir outra cidade e, ao mesmo tempo, atualizou formas perversas de segregação, isolando as pessoas em áreas distantes, sem infraestrutura e com acesso precário serviços públicos.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin:0cm;  margin-bottom:.0001pt;  text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin:0cm;  margin-bottom:.0001pt;  text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:medium&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Verdana,Geneva,sans-serif&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:black&amp;quot;&amp;gt;É possível situar as remoções de favelas no contexto da proliferação de inúmeras ações do Estado para governar as populações consideradas indesejáveis. No caso do Rio de Janeiro (mas é possível afirmar, sem incorrer em erro, no Brasil como um todo), simultaneamente às remoções, atualizaram-se outros tantos mecanismos de controle, como foi o caso das Unidades de Polícia Pacificadora e a internação compulsória de usuários de drogas em situação de rua. Além disso, assim como se verificou em outras regiões do país, os grandes empreendimentos econômicos - tratados como fundamentais ao que se chamou à época de “neodesenvolvimentismo” - ocorreram produzindo profundas violações de direitos humanos, levando a deslocamentos de milhares de pessoas país afora. Basta ver os casos das hidrelétricas e seus impactos sobre as populações ribeirinhas e as indígenas. Observem-se também os empreendimentos ligados a indústria química, petroquímica e de minério (entre outras) que, além de provocarem consideráveis impactos (todos negativos) ao meio-ambiente, têm levado à expulsão de populações locais e/ou originárias.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin:0cm;  margin-bottom:.0001pt;  text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin:0cm;  margin-bottom:.0001pt;  text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin:0cm;  margin-bottom:.0001pt;  text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:medium&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Verdana,Geneva,sans-serif&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:black&amp;quot;&amp;gt;Estratégias governamentais para fazer remover&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin:0cm;  margin-bottom:.0001pt;  text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin:0cm;  margin-bottom:.0001pt;  text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:medium&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Verdana,Geneva,sans-serif&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:black&amp;quot;&amp;gt;No caso das remoções realizadas no Rio de Janeiro, muitas formas foram mobilizadas pelos agentes públicos para lidar com as pessoas nestas situações de erradicação. Destacam-se as práticas de pressões diárias, tais como aquelas feitas por estes agentes quando dizem aos moradores: &amp;amp;nbsp;“ou você aceita a ´proposta`ou vai ficar sem nada”, “se não aceitar, vai para a rua”, “não adianta chamar ninguém para ajudar, a gente virá derrubar de qualquer maneira”; o imenso e intenso esforço de fazer com que os próprios moradores entrassem em conflito entre si, através da manipulação da informação sobre a situação local (informações conflitantes são repassadas a cada um), limitando, em alguns casos, sua articulação contra o despejo; a emissão de autos de interdição (alegando risco) sem especificação e exigindo saída imediata, sem alternativa; a falta de identificação, por parte dos moradores, dos agentes com os quais são obrigados a lidar nestas situações; espalhar, a partir de contatos individualizados, que a prefeitura conseguiu liminares e que a qualquer momento poderia ocorrer o despejo, o que levava a um estado de constante ansiedade; para evitar resistências, agentes do Estado afirmavam que iriam resolver a situação particular de cada um, solução esta que nunca chegava, postergando o resolução ao máximo, levando ao extremo a agonia dos moradores; falta de acesso aos projetos a partir dos quais as remoções são justificadas; demolições sem compensação financeira; destruição de casas geminadas como forma de pressão (já que o morador ao lado fica apreensivo quanto ao que pode lhe acontecer com a desestabilização da casa vizinha); cortar ou limitar o acesso à serviços públicos, como água e eletricidade (compreendidas pelos moradores como uma forma de pressão); &amp;lt;/span&amp;gt;a prática comum de “deixar/fazer morrer” ao tornar a vida local inviável através das demolições e suas sobras que, ao permanecerem no terreno, tornam-se inúmeros obstáculos que levam ao limite as forças destes indivíduos. Um cenário de extremo sufocamento e asfixia; &amp;lt;span style=&amp;quot;color:black&amp;quot;&amp;gt;desqualificação moral de quem criticava a situação.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin:0cm;  margin-bottom:.0001pt;  text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin:0cm;  margin-bottom:.0001pt;  text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:medium&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Verdana,Geneva,sans-serif&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:black&amp;quot;&amp;gt;Resistências&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin:0cm;  margin-bottom:.0001pt;  text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin:0cm;  margin-bottom:.0001pt;  text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:medium&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Verdana,Geneva,sans-serif&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:black&amp;quot;&amp;gt;Os exemplos destas práticas foram muitos. Elas se renovavam e se atualizavam a partir de cada nova situação de remoção. E&amp;lt;/span&amp;gt;stas práticas estavam a serviço da consolidação do controle estatal sobre estas populações e, no caso do Rio de Janeiro, alterando não somente a circulação e localização destas no espaço da cidade, mas também aumentando a reprodução de capital imobiliário. Se estas situações, por um lado, podem nos esclarecer os pontos de incidência dos mecanismos de poder, sua construção e reconstrução cotidiana, por outro, também nos apresentam a possibilidade de verificar como se elaboram diversificadas estratégias de resistência à sua efetivação e de afirmação de modos diferentes de viver na cidade.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin:0cm;  margin-bottom:.0001pt;  text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin:0cm;  margin-bottom:.0001pt;  text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:medium&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Verdana,Geneva,sans-serif&amp;quot;&amp;gt;Os moradores constituíram diferentes maneiras de se manifestar diante das violações de direitos que significaram/significam estes processos. Fizeram protestos públicos, elaboraram dossiês denunciando as violações de direitos humanos, articularam-se a diferentes movimentos sociais, como o Conselho Popular, com instituições ligadas à Igreja Católica, como a Pastoral de Favelas, instituições públicas como a Defensoria Pública e universidades públicas. Realizaram denúncias internacionais, conseguiram chamar a atenção do mundo para o que ocorria. Foram estas mobilizações que ou impediram a remoção, como no caso do Morro dos Prazeres e Arroio Pavuna, ou as interromperam, como na Providência, Estradinha-Tabajaras e outras.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin:0cm;  margin-bottom:.0001pt;  text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin:0cm;  margin-bottom:.0001pt;  text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:medium&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Verdana,Geneva,sans-serif&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&#039;Bibliografia&#039;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin:0cm;  margin-bottom:.0001pt;  text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin:0cm;  margin-bottom:.0001pt;  text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:medium&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Verdana,Geneva,sans-serif&amp;quot;&amp;gt;AZEVEDO, L., FAULHABER, L. SMH 2016: remoção no Rio Olímpico, Mórula Editorial, Rio de Janeiro, 124p, 2015.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin:0cm;  margin-bottom:.0001pt;  text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin:0cm;  margin-bottom:.0001pt;  text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:medium&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Verdana,Geneva,sans-serif&amp;quot;&amp;gt;CARDOSO, Adauto Lúcio; MELLO, Irene de Queiroz; e JAENISCH, Samuel Thomas. “A implementação do Programa Minha Casa Minha Vida na Região Metropolitana do Rio de Janeiro: agentes, processos e contradições”. In: Minha casa... e a cidade? avaliação do programa minha casa minha vida em seis estados brasileiros / organização Caio Santo Amore, Lúcia Zanin Shimbo, Maria Beatriz Cruz Rufino. Rio de Janeiro, Letra Capital, 2015.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin:0cm;  margin-bottom:.0001pt;  text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin:0cm;  margin-bottom:.0001pt;  text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:medium&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Verdana,Geneva,sans-serif&amp;quot;&amp;gt;GONÇALVES, Rafael Soares. Políticas públicas e o retorno das remoções de favelas por ocasião das chuvas de abril de 2010 no Rio de Janeiro. In: Kant de Lima, Roberto; Mello, Marco Antonio da Silva; Freire, Letícia de Luna (orgs.). Pensando o Rio: políticas públicas, conflitos urbanos e modos de habitar. Niteroi, Intertexto, 2015&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin:0cm;  margin-bottom:.0001pt;  text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin:0cm;  margin-bottom:.0001pt;  text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:medium&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Verdana,Geneva,sans-serif&amp;quot;&amp;gt;GUTTERRES, Anelise dos Santos. A resiliência enquanto experiência de dignidade: antropologia das práticas políticas em um cotidiano de lutas e contestações junto a moradoras ameaçadas de remoção nas cidades sede da Copa do Mundo 2014. Tese de Doutorado, Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2014.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin:0cm;  margin-bottom:.0001pt;  text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin:0cm;  margin-bottom:.0001pt;  text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:medium&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Verdana,Geneva,sans-serif&amp;quot;&amp;gt;MACHADO DA SILVA, Luiz Antônio. A continuidade do problema da favela. In: Oliveira, Lúcia Lippi (org.), Cidade: História e Desafios. Rio de Janeiro: FGV, 2002.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin:0cm;  margin-bottom:.0001pt;  text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin:0cm;  margin-bottom:.0001pt;  text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:medium&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Verdana,Geneva,sans-serif&amp;quot;&amp;gt;MAGALHÃES, Alexandre. O “legado” dos megaeventos esportivos: a reatualização da remoção de favelas no Rio de Janeiro. Revista Horizontes Antropológicos, n. 40, p. 89-118, jul./dez, 2013.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin:0cm;  margin-bottom:.0001pt;  text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin:0cm;  margin-bottom:.0001pt;  text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:medium&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Verdana,Geneva,sans-serif&amp;quot;&amp;gt;MAGALHÃES, Alexandre. Transformações no “problema favela” e a reatualização da “remoção” no Rio de Janeiro. Tese de Doutorado. Instituto de Estudos Sociais e Políticos, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, 2013.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin:0cm;  margin-bottom:.0001pt;  text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin:0cm;  margin-bottom:.0001pt;  text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:medium&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Verdana,Geneva,sans-serif&amp;quot;&amp;gt;MENDES, Alexandre; COCCO, Giuseppe (orgs.). A resistência à remoção de favelas no Rio de Janeiro: instituições do comum e resistências urbanas: a história do Núcleo de Terras e Habitação (2007 – 2011). Rio de Janeiro: Editora Revan, 2016.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin:0cm;  margin-bottom:.0001pt;  text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin:0cm;  margin-bottom:.0001pt;  text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:medium&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Verdana,Geneva,sans-serif&amp;quot;&amp;gt;NABACK, Clarissa Pires. Remoções biopolíticas: o habitar e a resistência da Vila Autódromo. Dissertação de Mestrado (Direito). PUC-Rio, 2015.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin:0cm;  margin-bottom:.0001pt;  text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin:0cm;  margin-bottom:.0001pt;  text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:medium&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Verdana,Geneva,sans-serif&amp;quot;&amp;gt;PETTI, Daniela. “Não tem preço, ninguém esquece sua vida assim”: uma etnografia sobre a “luta” contra as remoções de favelas no Rio de Janeiro. Trabalho de Conclusão de Curso. Escola de Ciências Sociais, Fundação Getúlio Vargas, 2016.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:medium&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Verdana,Geneva,sans-serif&amp;quot;&amp;gt;Autor: Alexandre Magalhães&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Alexandre</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://homologacao2.wikifavelas.com.br/index.php?title=Transforma%C3%A7%C3%B5es_Urbanas_e_Remo%C3%A7%C3%B5es_de_Favelas&amp;diff=1655</id>
		<title>Transformações Urbanas e Remoções de Favelas</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://homologacao2.wikifavelas.com.br/index.php?title=Transforma%C3%A7%C3%B5es_Urbanas_e_Remo%C3%A7%C3%B5es_de_Favelas&amp;diff=1655"/>
		<updated>2019-08-07T22:19:21Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Alexandre: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;p style=&amp;quot;margin:0cm;  margin-bottom:.0001pt;  text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:black&amp;quot;&amp;gt;Transformações urbanas recentes e retomada das remoções de favelas&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&#039;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin:0cm;  margin-bottom:.0001pt;  text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin:0cm;  margin-bottom:.0001pt;  text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:black&amp;quot;&amp;gt;A cidade do Rio de Janeiro passou por mudanças consideráveis nos últimos anos. Tais “transformações”, assim como definido pelo discurso oficial, produziram alterações significativas nos usos e fluxos dos espaços e lugares da cidade. Há muitas décadas não se observavam intervenções de tal magnitude. Seria possível afirmar que, na dimensão em que ocorreram, apenas são comparáveis às reformas urbanas empreendidas pelo prefeito Pereira Passos no inicio do século XX.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin:0cm;  margin-bottom:.0001pt;  text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin:0cm;  margin-bottom:.0001pt;  text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:black&amp;quot;&amp;gt;Estas localidades, desde o seu surgimento no início do século XX, foram definidas como um “problema” em relação ao qual um conjunto de interpretações e propostas de intervenção foram pensadas e efetivamente implementadas. Falar sobre a favela era falar sobre a cidade como um todo e, além disso, propor alguma intervenção para corrigir os seus problemas. As favelas e seus moradores que, desde o seu surgimento, foram identificados pela imagem dominante como aqueles responsáveis pelos problemas que as cidades enfrentavam, seriam os objetos principais das propostas de correção urbana que foram sendo elaboradas ao longo do tempo no Rio de Janeiro. Tais propostas variaram desde intervenções de caráter “civilizatório”, haja vista o fato de os moradores destes territórios serem considerados moralmente inadaptados à vida urbana, passando por propostas de controle negociado, como afirma Machado da Silva (2002), até as de controle social mais violento, o que passou a ocorrer com as políticas de segurança pública mais recentes.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin:0cm;  margin-bottom:.0001pt;  text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin:0cm;  margin-bottom:.0001pt;  text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:black&amp;quot;&amp;gt;É possível afirmar que até a década de 1970 as propostas de intervenção se concentravam na remoção como forma principal de ação estatal sobre as favelas. O que se seguiu, a partir deste período, seria algo completamente diferente. A urbanização se tornou uma ação importante e até certo ponto central no que se refere à forma como se lidava com o “problema favela”. Simultaneamente, outro fenômeno surge e provoca uma mudança profunda no modo como se vê estes territórios: a chamada “violência urbana”. A violência se transformou no principal problema do Rio de Janeiro, alterando tanto os comportamentos quanto as práticas dos diversos grupos e classes sociais. Os moradores e as favelas continuariam sendo tratados como o “&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:red&amp;quot;&amp;gt;outro&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:black&amp;quot;&amp;gt;” da cidade, mas desta vez num &amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:red&amp;quot;&amp;gt;registro&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:black&amp;quot;&amp;gt;marcado pelo medo, caracterizado pelo entendimento do morador de favela (lido também como “bandido” pelas classes médias e altas) como ameaçando constantemente a ordem social.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin:0cm;  margin-bottom:.0001pt;  text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin:0cm;  margin-bottom:.0001pt;  text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:black&amp;quot;&amp;gt;Neste contexto, uma nova configuração se formou, especialmente a partir de meados dos anos 2000, o que favoreceu as tentativas (depois consolidadas nos anos seguintes) de retomada da remoção como forma de ação do Estado nas favelas. &amp;lt;/span&amp;gt;Isto se deu no contexto da realização dos Jogos Panamericanos de 2007 e da campanha do Jornal O Globo intitulada “Ilegal. E daí”, onde, entre outras “ilegalidades”, destacou-se a “ocupação irregular” do território, identificada preferencialmente com as favelas. &amp;lt;span style=&amp;quot;color:black&amp;quot;&amp;gt;É importante lembrar que, no interior do que se passou a chamar de “violência urbana”, a todo acontecimento que lhe era associado - principalmente os confrontos entre bandos de traficantes e entre estes e a polícia - surgiam propostas de remoção que se justificavam ao associarem o crescimento das favelas na cidade e o crescimento da violência. Essa associação reforçava a identificação destas localidades como o suposto lugar principal da violência e como fonte de todos os perigos que se espalhavam pela cidade. A partir dessa associação entre aumento do território das favelas e aumento da violência na cidade reforçava-se, portanto, as possibilidades de erradicação. Entretanto, tal proposta ainda não apresentava as condições políticas necessárias para se efetivar e permaneceu em estado de hibernação.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin:0cm;  margin-bottom:.0001pt;  text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin:0cm;  margin-bottom:.0001pt;  text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:black&amp;quot;&amp;gt;O que mudou este cenário de maneira decisiva foi a eleição do prefeito Eduardo Paes, cujo primeiro governo se iniciou em 2009. A partir daquele período, houve um redirecionamento das ações das instituições municipais em direção ao que havia sido discutido e formulado alguns poucos anos antes, fazendo com que as condições que seriam necessárias para que a intervenção sobre as favelas na forma da remoção se formassem.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin:0cm;  margin-bottom:.0001pt;  text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin:0cm;  margin-bottom:.0001pt;  text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:black&amp;quot;&amp;gt;É possível apontar três momentos diferentes que contribuíram para a formação deste enquadramento que permitiu a retomada das remoções no início da década de 2010: o primeiro se caracteriza por um intenso esforço em trazer para o debate público a palavra “remoção”; o segundo pela consolidação da crítica aos críticos da remoção como política, utilizando-se e apoiando-se nos desdobramentos das “chuvas de abril” de 2010; por fim, os deslocamentos populacionais passam a ser tratados, logo após, como um “legado” da organização e realização dos Jogos Olímpicos de 2016 e da Copa do Mundo de 2014. &amp;lt;/span&amp;gt;A conjuntura formada naquele período - principalmente a partir dos megaeventos esportivos - favoreceu a retomada da via da erradicação como maneira do Estado lidar com as favelas, ressignificando o termo “remoção” e situando-o como uma dimensão importante das práticas de governo.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin:0cm;  margin-bottom:.0001pt;  text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin:0cm;  margin-bottom:.0001pt;  text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:black&amp;quot;&amp;gt;A efetivação da política recente de remoções&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&#039;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin:0cm;  margin-bottom:.0001pt;  text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin:0cm;  margin-bottom:.0001pt;  text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:black&amp;quot;&amp;gt;Esta conjuntura favorável às remoções contou com a contribuição material e política do programa federal de habitação “Minha Casa Minha Vida”, que &amp;lt;/span&amp;gt;foi largamente utilizado pela prefeitura para realizar as remoções. Em função disso, a administração municipal aumentou o &amp;lt;span style=&amp;quot;color:red&amp;quot;&amp;gt;tamanho&amp;lt;/span&amp;gt; e alterou consideravelmente a natureza das intervenções de seu programa de urbanização - o Morar Carioca - que definiu um conjunto de 123 favelas (aproximadamente 13 mil famílias) que deveriam ser completamente removidas até o final de 2012, embora este número tenha se alterado com o levantamento feito após as “chuvas de abril”, que apontou um número perto de 18 mil famílias a serem realocadas.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin:0cm;  margin-bottom:.0001pt;  text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p class=&amp;quot;MsoFootnoteText&amp;quot; style=&amp;quot;margin-bottom:.0001pt;  text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot; times=&amp;quot;&amp;quot; new=&amp;quot;&amp;quot; roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;&amp;quot;=&amp;quot;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:black&amp;quot;&amp;gt;Ocorreram remoções em todas as regiões da cidade. Contudo, o fluxo de pessoas provocado por elas seguiu, quase sempre, a seguinte direção: os moradores de favelas das Zonas Sul, Norte/Subúrbio, Jacarepaguá/Recreio dos Bandeirantes foram levados para a Zona Oeste, especificamente para áreas dos bairros de Campo Grande, Cosmos e Santa Cruz. Muitos destes deslocamentos implicaram uma mudança de até 40 quilômetros de distância do local original de moradia.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot; times=&amp;quot;&amp;quot; new=&amp;quot;&amp;quot; roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;&amp;quot;=&amp;quot;&amp;quot;&amp;gt;Entre as favelas totalmente removidas, destacam-se os casos conhecidos publicamente da Vila Harmonia, Vila Recreio II, Notre Dame (todas no Recreio dos Bandeirantes - Zona Oeste), Vila União (Barra da Tijuca), Largo do Tanque (Jacarepaguá – Zona Oeste), Favela da Guaratiba (Guaratiba – Zona Oeste), Largo do Campinho, Vila Quaximã e Vila das Torres (Madureira - Zona Norte), Terra Nostra (Parque Colúmbia/Pavuna - Zona Norte) e Favela do Sambódromo (Centro). Entre as parcialmente removidas ou cujo processo de remoção continua até hoje estão a Restinga (Recreio dos Bandeirantes), Estradinha-Tabajaras (Botafogo - Zona Sul), Laboriaux (Rocinha – Zona Sul), Torre Branca (Morro dos Prazeres), Favela Metrô-Mangueira (Maracanã - Zona Norte), Morro do Urubu (Zona Norte); Indiana (Tijuca); Morro da Providência (Centro); Vila Autódromo (Jacarepaguá/Barra da Tijuca - Zona Oeste), Arroio Pavuna (Jacarepaguá/Barra da Tijuca - Zona Oeste). Ainda que o acesso aos números oficiais seja dificultado pelas autoridades públicas, a estimativa da própria prefeitura é de que, aproximadamente, 22 mil famílias (quase 90 mil pessoas) foram retiradas de seus locais de moradia e parte considerável delas forçada a ir para regiões nas periferias da cidade. &amp;lt;span style=&amp;quot;color:black&amp;quot;&amp;gt;Se visualizarmos as consequências do Minha Casa Minha Vida, no contexto das remoções promovidas pela prefeitura, tal política ajudou a produzir outra cidade e, ao mesmo tempo, atualizou formas perversas de segregação, isolando as pessoas em áreas distantes, sem infraestrutura e com acesso precário serviços públicos.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin:0cm;  margin-bottom:.0001pt;  text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin:0cm;  margin-bottom:.0001pt;  text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:black&amp;quot;&amp;gt;É possível situar as remoções de favelas no contexto da proliferação de inúmeras ações do Estado para governar as populações consideradas indesejáveis. No caso do Rio de Janeiro (mas é possível afirmar, sem incorrer em erro, no Brasil como um todo), simultaneamente às remoções, atualizaram-se outros tantos mecanismos de controle, como foi o caso das Unidades de Polícia Pacificadora e a internação compulsória de usuários de drogas em situação de rua. Além disso, assim como se verificou em outras regiões do país, os grandes empreendimentos econômicos - tratados como fundamentais ao que se chamou à época de “neodesenvolvimentismo” - ocorreram produzindo profundas violações de direitos humanos, levando a deslocamentos de milhares de pessoas país afora. Basta ver os casos das hidrelétricas e seus impactos sobre as populações ribeirinhas e as indígenas. Observem-se também os empreendimentos ligados a indústria química, petroquímica e de minério (entre outras) que, além de provocarem consideráveis impactos (todos negativos) ao meio-ambiente, têm levado à expulsão de populações locais e/ou originárias.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin:0cm;  margin-bottom:.0001pt;  text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin:0cm;  margin-bottom:.0001pt;  text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin:0cm;  margin-bottom:.0001pt;  text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:black&amp;quot;&amp;gt;Estratégias governamentais para fazer remover&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&#039;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin:0cm;  margin-bottom:.0001pt;  text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin:0cm;  margin-bottom:.0001pt;  text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:black&amp;quot;&amp;gt;No caso das remoções realizadas no Rio de Janeiro, muitas formas foram mobilizadas pelos agentes públicos para lidar com as pessoas nestas situações de erradicação. Destacam-se as práticas de pressões diárias, tais como aquelas feitas por estes agentes quando dizem aos moradores: &amp;amp;nbsp;“ou você aceita a ´proposta`ou vai ficar sem nada”, “se não aceitar, vai para a rua”, “não adianta chamar ninguém para ajudar, a gente virá derrubar de qualquer maneira”; o imenso e intenso esforço de fazer com que os próprios moradores entrassem em conflito entre si, através da manipulação da informação sobre a situação local (informações conflitantes são repassadas a cada um), limitando, em alguns casos, sua articulação contra o despejo; a emissão de autos de interdição (alegando risco) sem especificação e exigindo saída imediata, sem alternativa; a falta de identificação, por parte dos moradores, dos agentes com os quais são obrigados a lidar nestas situações; espalhar, a partir de contatos individualizados, que a prefeitura conseguiu liminares e que a qualquer momento poderia ocorrer o despejo, o que levava a um estado de constante ansiedade; para evitar resistências, agentes do Estado afirmavam que iriam resolver a situação particular de cada um, solução esta que nunca chegava, postergando o resolução ao máximo, levando ao extremo a agonia dos moradores; falta de acesso aos projetos a partir dos quais as remoções são justificadas; demolições sem compensação financeira; destruição de casas geminadas como forma de pressão (já que o morador ao lado fica apreensivo quanto ao que pode lhe acontecer com a desestabilização da casa vizinha); cortar ou limitar o acesso à serviços públicos, como água e eletricidade (compreendidas pelos moradores como uma forma de pressão); &amp;lt;/span&amp;gt;a prática comum de “deixar/fazer morrer” ao tornar a vida local inviável através das demolições e suas sobras que, ao permanecerem no terreno, tornam-se inúmeros obstáculos que levam ao limite as forças destes indivíduos. Um cenário de extremo sufocamento e asfixia; &amp;lt;span style=&amp;quot;color:black&amp;quot;&amp;gt;desqualificação moral de quem criticava a situação.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin:0cm;  margin-bottom:.0001pt;  text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin:0cm;  margin-bottom:.0001pt;  text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:black&amp;quot;&amp;gt;Resistências&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&#039;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin:0cm;  margin-bottom:.0001pt;  text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin:0cm;  margin-bottom:.0001pt;  text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:black&amp;quot;&amp;gt;Os exemplos destas práticas foram muitos. Elas se renovavam e se atualizavam a partir de cada nova situação de remoção. E&amp;lt;/span&amp;gt;stas práticas estavam a serviço da consolidação do controle estatal sobre estas populações e, no caso do Rio de Janeiro, alterando não somente a circulação e localização destas no espaço da cidade, mas também aumentando a reprodução de capital imobiliário. Se estas situações, por um lado, podem nos esclarecer os pontos de incidência dos mecanismos de poder, sua construção e reconstrução cotidiana, por outro, também nos apresentam a possibilidade de verificar como se elaboram diversificadas estratégias de resistência à sua efetivação e de afirmação de modos diferentes de viver na cidade.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin:0cm;  margin-bottom:.0001pt;  text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin:0cm;  margin-bottom:.0001pt;  text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;Os moradores constituíram diferentes maneiras de se manifestar diante das violações de direitos que significaram/significam estes processos. Fizeram protestos públicos, elaboraram dossiês denunciando as violações de direitos humanos, articularam-se a diferentes movimentos sociais, como o Conselho Popular, com instituições ligadas à Igreja Católica, como a Pastoral de Favelas, instituições públicas como a Defensoria Pública e universidades públicas. Realizaram denúncias internacionais, conseguiram chamar a atenção do mundo para o que ocorria. Foram estas mobilizações que ou impediram a remoção, como no caso do Morro dos Prazeres e Arroio Pavuna, ou as interromperam, como na Providência, Estradinha-Tabajaras e outras.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin:0cm;  margin-bottom:.0001pt;  text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin:0cm;  margin-bottom:.0001pt;  text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&#039;Bibliografia&#039;&#039;&#039;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin:0cm;  margin-bottom:.0001pt;  text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin:0cm;  margin-bottom:.0001pt;  text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;AZEVEDO, L., FAULHABER, L. SMH 2016: remoção no Rio Olímpico, Mórula Editorial, Rio de Janeiro, 124p, 2015.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin:0cm;  margin-bottom:.0001pt;  text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin:0cm;  margin-bottom:.0001pt;  text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;CARDOSO, Adauto Lúcio; MELLO, Irene de Queiroz; e JAENISCH, Samuel Thomas. “A implementação do Programa Minha Casa Minha Vida na Região Metropolitana do Rio de Janeiro: agentes, processos e contradições”. In: Minha casa... e a cidade? avaliação do programa minha casa minha vida em seis estados brasileiros / organização Caio Santo Amore, Lúcia Zanin Shimbo, Maria Beatriz Cruz Rufino. Rio de Janeiro, Letra Capital, 2015.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin:0cm;  margin-bottom:.0001pt;  text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin:0cm;  margin-bottom:.0001pt;  text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;GONÇALVES, Rafael Soares. Políticas públicas e o retorno das remoções de favelas por ocasião das chuvas de abril de 2010 no Rio de Janeiro. In: Kant de Lima, Roberto; Mello, Marco Antonio da Silva; Freire, Letícia de Luna (orgs.). Pensando o Rio: políticas públicas, conflitos urbanos e modos de habitar. Niteroi, Intertexto, 2015&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin:0cm;  margin-bottom:.0001pt;  text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin:0cm;  margin-bottom:.0001pt;  text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;GUTTERRES, Anelise dos Santos. A resiliência enquanto experiência de dignidade: antropologia das práticas políticas em um cotidiano de lutas e contestações junto a moradoras ameaçadas de remoção nas cidades sede da Copa do Mundo 2014. Tese de Doutorado, Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2014.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin:0cm;  margin-bottom:.0001pt;  text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin:0cm;  margin-bottom:.0001pt;  text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;MACHADO DA SILVA, Luiz Antônio. A continuidade do problema da favela. In: Oliveira, Lúcia Lippi (org.), Cidade: História e Desafios. Rio de Janeiro: FGV, 2002.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin:0cm;  margin-bottom:.0001pt;  text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin:0cm;  margin-bottom:.0001pt;  text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;MAGALHÃES, Alexandre. O “legado” dos megaeventos esportivos: a reatualização da remoção de favelas no Rio de Janeiro. Revista Horizontes Antropológicos, n. 40, p. 89-118, jul./dez, 2013.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin:0cm;  margin-bottom:.0001pt;  text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin:0cm;  margin-bottom:.0001pt;  text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;MAGALHÃES, Alexandre. Transformações no “problema favela” e a reatualização da “remoção” no Rio de Janeiro. Tese de Doutorado. Instituto de Estudos Sociais e Políticos, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, 2013.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin:0cm;  margin-bottom:.0001pt;  text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin:0cm;  margin-bottom:.0001pt;  text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;MENDES, Alexandre; COCCO, Giuseppe (orgs.). A resistência à remoção de favelas no Rio de Janeiro: instituições do comum e resistências urbanas: a história do Núcleo de Terras e Habitação (2007 – 2011). Rio de Janeiro: Editora Revan, 2016.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin:0cm;  margin-bottom:.0001pt;  text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin:0cm;  margin-bottom:.0001pt;  text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;NABACK, Clarissa Pires. Remoções biopolíticas: o habitar e a resistência da Vila Autódromo. Dissertação de Mestrado (Direito). PUC-Rio, 2015.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin:0cm;  margin-bottom:.0001pt;  text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin:0cm;  margin-bottom:.0001pt;  text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;PETTI, Daniela. “Não tem preço, ninguém esquece sua vida assim”: uma etnografia sobre a “luta” contra as remoções de favelas no Rio de Janeiro. Trabalho de Conclusão de Curso. Escola de Ciências Sociais, Fundação Getúlio Vargas, 2016.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;div&amp;gt;&amp;amp;nbsp; &lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&amp;lt;div id=&amp;quot;ftn1&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;p class=&amp;quot;MsoFootnoteText&amp;quot; style=&amp;quot;margin-bottom:.0001pt;  text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:normal&amp;quot;&amp;gt;[[#_ftnref1|&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot; times=&amp;quot;&amp;quot; new=&amp;quot;&amp;quot; roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;&amp;quot;=&amp;quot;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:10.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:115%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot; times=&amp;quot;&amp;quot; new=&amp;quot;&amp;quot; roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;&amp;quot;=&amp;quot;&amp;quot;&amp;gt;[1]&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;]]&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot; times=&amp;quot;&amp;quot; new=&amp;quot;&amp;quot; roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;&amp;quot;=&amp;quot;&amp;quot;&amp;gt;Em abril de 2010, um evento climático de grandes proporções causou mais de 200 mortos em diversas favelas do estado do Rio de Janeiro e também da capital. Todas as mortes ocorreram em favelas. Após esse acontecimento, intensificou-se o debate em torno da remoção, numa conjuntura que era favorável e que configurou a intervenção estatal neste sentido a partir daquele momento.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;/div&amp;gt; &amp;lt;/div&amp;gt; &lt;br /&gt;
Autor: Alexandre Magalhães&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Alexandre</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://homologacao2.wikifavelas.com.br/index.php?title=Da_favela_para_as_favelas_(livro)&amp;diff=1225</id>
		<title>Da favela para as favelas (livro)</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://homologacao2.wikifavelas.com.br/index.php?title=Da_favela_para_as_favelas_(livro)&amp;diff=1225"/>
		<updated>2019-04-27T21:02:34Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Alexandre: Foram revertidas as edições de Clara (disc) para a última versão por Sheila Jacob&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;O livro&amp;amp;nbsp;&#039;&#039;Da favela para as favelas&#039;&#039;, lançado em 2011, conta a história e as experiências do repper Fiell, morador do morro Santa Marta, localizado em Botafogo, zona sul do Rio.&amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp;Além de falar sobre sua trajetória e seus aprendizados dentro e fora do mundo do hip-hop, Fiell pretende que as ideias ali reunidas sirvam de contribuição para todos aqueles que estão comprometidos com a mudança do mundo. Este livro fala sobre favela, direitos humanos, propaganda capitalista, função transformadora da arte, comunicação comunitária, Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), dentre outros assuntos. “Tenho consciência de que ainda não temos o hábito de leitura diária e que a TV prende a nossa atenção mais do que os livros depois de um massacrante dia de trabalho. Mas nesse momento que estamos vivendo no Brasil, de repressão e opressão aos mais de 70% da população urbana do nosso país, a leitura para formar mentes críticas é fundamental”, diz o autor na introdução do livro, que é dedicado a&amp;amp;nbsp;todos os trabalhadores, jovens, moradores de favelas e periferias do Brasil.&amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp; &amp;amp;nbsp;&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Alexandre</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://homologacao2.wikifavelas.com.br/index.php?title=Centro_de_Estudos_e_A%C3%A7%C3%B5es_Solid%C3%A1rias_da_Mar%C3%A9&amp;diff=403</id>
		<title>Centro de Estudos e Ações Solidárias da Maré</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://homologacao2.wikifavelas.com.br/index.php?title=Centro_de_Estudos_e_A%C3%A7%C3%B5es_Solid%C3%A1rias_da_Mar%C3%A9&amp;diff=403"/>
		<updated>2019-02-06T18:14:00Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Alexandre: Alexandre moveu O CENTRO DE ESTUDOS E AÇÕES SOLIDÁRIAS DA MARÉ para O Centro de Estudos e Ações Solidárias da Maré sem deixar um redirecionamento&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;A criação de diversas ONGs na Maré não representou um fato isolado no processo de surgimento e proliferação, no Brasil, de organizações do mesmo tipo, genericamente chamadas de organizações não governamentais. O que diferencia o CEASM de grande parte de outras ONGs locais é o fato de ter sido criado por moradores da Maré que se reuniram para desenvolver um trabalho sistemático de intervenção na realidade local, a partir de projetos relacionados à educação e à cultura. O CEASM foi criado em agosto de 1987, com a missão de promover ações qualitativas, integradas e de longo prazo no espaço local, visando melhorar a qualidade de vida dos moradores da Maré e contribuir para a superação das representações estereotipadas da favela que orientam a opinião pública em geral e, em particular, a opinião pública carioca. O primeiro projeto desenvolvido pela instituição foi o Curso Pré-Vestibular Comunitário, com o objetivo de ampliar as possibilidades de moradores da favela ingressarem em universidades, principalmente públicas. Outros dois projetos realizados desde o início do CEASM foram o jornal O Cidadão - que possuía tiragem de 20 mil exemplares – e a Rede Memória da Maré, projeto que deu origem ao Museu da Maré, em 2006.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Autores: Antônio Carlos Pinto Vieira, Cláudia Rose Ribeiro da Silva, Lourenço Cézar da Silva e Luiz Antonio de Oliveira.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Alexandre</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://homologacao2.wikifavelas.com.br/index.php?title=Educa%C3%A7%C3%A3o_na_Cidade_de_Deus&amp;diff=390</id>
		<title>Educação na Cidade de Deus</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://homologacao2.wikifavelas.com.br/index.php?title=Educa%C3%A7%C3%A3o_na_Cidade_de_Deus&amp;diff=390"/>
		<updated>2019-02-06T18:07:54Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Alexandre: Alexandre moveu EDUCAÇÃO NA CIDADE DE DEUS para Educação na Cidade de Deus sem deixar um redirecionamento&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Com a chegada dos seus primeiros moradores em 1966, as primeiras escolas também vão ser inauguradas neste mesmo ano.&lt;br /&gt;
Embora houvesse escolas, o número de vagas era menor que o necessário e não atendiam a todas as séries. Como em outros temas a luta pela educação inicialmente se da pela ampliação das vagas e para todas as séries.&lt;br /&gt;
Como muito dos jovens e adultos que vieram para a Cidade de Deus tinham baixa escolarização e/ou eram analfabetos a Educação de Jovens e Adultos – EJA, nessa época era fruto do esforço de pessoas e umas poucas instituições. O Movimento Brasileiro de Alfabetização – MOBRAL, embora formalmente criado em 1968, efetivamente implementado a partir de 1971, só chegou a CDD mais tarde.&lt;br /&gt;
No final da década de 70, início dos anos 80, começam a ser entregues novas escolas. No final da década de 80, início dos anos 90 são entregues 02 CIEPs.&lt;br /&gt;
Em 1997 é inaugurado o Pré vestibular para Negros e Carentes da CDD. &lt;br /&gt;
Em 1998 tem início o projeto Alfazendo – projeto de Educação de Jovens e Adultos, nas dependências da Igreja Anglicana Cristo Rei.&lt;br /&gt;
No final dos anos 90 ganha corpo a luta pelo colégio de ensino médio, unanimidade entre os moradores.&lt;br /&gt;
Em 2006, foi realizado pelo Comitê Comunitário da Cidade de Deus/Agência Cidade de Deus de Desenvolvimento Local em parceria com o MEC, o I Fórum de Qualidade da Educação da Cidade de Deus, e em seguida o Ciclo de Formação para Educadores da Cidade de Deus.  &lt;br /&gt;
Atualmente o bairro conta com 23 creches e escolas servindo as crianças e jovens, da educação infantil ao 9º ano. Atendendo ao ensino médio funciona um colégio estadual somente no horário noturno. Há uma obra do estado parada a mais de três anos, onde deverá ser o futuro colégio de ensino médio do bairro.&lt;br /&gt;
E continuamos a lutar por ampliação de vagas nas creches, pelo colégio de ensino médio e pela qualidade da educação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Autor: Carlos Alberto  Oliveira(ALFAZENDO).&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Alexandre</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://homologacao2.wikifavelas.com.br/index.php?title=Ethos_militarizado&amp;diff=385</id>
		<title>Ethos militarizado</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://homologacao2.wikifavelas.com.br/index.php?title=Ethos_militarizado&amp;diff=385"/>
		<updated>2019-02-06T18:07:06Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Alexandre: Alexandre moveu ETHOS MILITARIZADO para Ethos militarizado sem deixar um redirecionamento&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;ETHOS MILITARIZADO foi o conceito cunhado, em 2017, durante a elaboração da tese de doutorado “O Comum e a Rua: Resistência da Juventude Frente à Militarização da Vida na Maré” de autoria da mareense Renata Souza.  O conceito significa a sujeição do cotidiano da favela à lógica militar. Nesse sentido, o ethos, palavra grega que qualifica sociologicamente os costumes, hábitos, valores e ética de um povo, é contaminado por uma lógica belicista, militar e letal. E isso se expressa na opção política por um modus operandi de segurança pública militarizada, seja por meio das generalizadas operações policiais ou mesmo pela naturalização da utilização das Forças Armadas do Brasil em favelas. A Maré, por exemplo, esteve sob o regime de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), medida constitucional que permitiu aos militares atuarem como força de Segurança Pública, de abril de 2014 ao final de junho de 2015. Uma ocupação que deveria ser apenas de três meses, como estratégia de segurança para a Copa do Mundo, durou mais de 1 ano. À época, a prisão de civis por crime militar na Maré tomou como base o artigo 9º (que trata de crimes militares em tempo de paz) do decreto-lei 1.001 de 21 de outubro de 1969, assinado pelo general Artur Costa e Silva, considerado o presidente da fase mais dura do regime militar, sucedido pelo general Emílio Garrastazu Médici. No período em que as forças armadas estiveram na Maré, toda e qualquer atividade cultural e comunitária, principalmente aquelas que ocupavam as praças e ruas da favela, deveriam ser precedidas de pedido de autorização ao Comando Militar da Força de Pacificação.  Essa ação demonstra a aposta no controle e vigilância militar sobre a dinâmica e o cotidiano comunitário evidenciando esse ethos militarizado. Outro exemplo de como a lógica bélica e letal se impõe na vida concreta dos moradores de favela ocorreu no dia 19 de junho de 2017, durante um incêndio na sala de informática do Ciep Samora Machel na Maré. Para a surpresa de todos, o Corpo de Bombeiros chegou acompanhado por quatro caveirões da Polícia Militar. Iniciou-se uma intensa troca de tiros entre policiais e traficantes. Nesse ethos militarizado, a estrutura física da escola se transformou em trincheira e as pessoas da comunidade escolar tornam-se escudos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Autora: Renata Souza&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Alexandre</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://homologacao2.wikifavelas.com.br/index.php?title=Complexos_de_Favelas&amp;diff=199</id>
		<title>Complexos de Favelas</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://homologacao2.wikifavelas.com.br/index.php?title=Complexos_de_Favelas&amp;diff=199"/>
		<updated>2018-11-04T14:40:22Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Alexandre: Criou página com &amp;#039;A emergência da noção de complexo de favelas remete a um período muito importante da história do problema das favelas na cidade do Rio de Janeiro, qual seja, o início do...&amp;#039;&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;A emergência da noção de complexo de favelas remete a um período muito importante da história do problema das favelas na cidade do Rio de Janeiro, qual seja, o início dos anos 1980, reconhecido como período no qual há uma reorientação na diretriz de atuação do poder público para lidar com as favelas. A remoção deixa de ser a solução, sendo substituída pela urbanização. O que faz emergir a questão sobre “como urbanizar” esses espaços?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A resposta a esta pergunta desencadeou uma abundante produção de informações sobre as favelas por parte das instâncias governamentais, sobretudo, pelo poder municipal. Este seria mais um capítulo da história das favelas como um problema administrativo, retomando a cronologia proposta por Valladares (2005). E é nele que está inscrito o surgimento dos complexos de favelas como uma escala intermediária produzida para elaboração dos projetos de urbanização, para dar conta de espaços com alguma homogeneidade geológica e topográfica, mas com uma diversa e heterogênea trajetória política e histórica. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para além de uma simples constatação de pesquisa, é preciso entender os efeitos de poder dessa nova escala urbana produzida. Para tanto, dois exemplos podem ser dados. O primeiro dele é o fato de que, quando o prefeito Saturnino Braga (1985-88) propõe a criação das primeiras regiões administrativas, para as quatro maiores favelas da cidade, os atuais bairros do Complexo do Alemão e da Maré foram identificados como duas delas por serem pensadas a partir do conjunto das favelas que os compunham, e não como como favelas isoladas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Algo parecido se aplica na seleção das áreas a serem contempladas com ações do programa Favela-Bairro. Neste momento, algumas pequenas favelas, que não receberiam intervenções, por não cumprirem um requisito de favelas médias (critério de seleção estabelecido pelo programa), ao serem pensadas com complexos de favelas, passam mudar sua posição nessa hierarquia urbana; ao mesmo tempo em que, favelas que atenderiam os parâmetros de médias favela, ao serem pensadas como unidade territorial nomeada como complexo da favelas, ficaram e fora da seleção. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, ainda que seus usos tenham sido ressignificados e mesmo apropriados por uma ótica militarizada e de ação da polícia, sua emergência remete a um capítulo das favelas cariocas como problema administrativo, aquele no qual uma nova escala urbana de elaboração de política públicas e de pertencimento é produzida. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Palavras-chave: complexos de favela; o problema da favela; urbanização; escalas urbanas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
REFERÊNCIAS&lt;br /&gt;
MATIOLLI, Thiago Oliveira Lima. O que o Complexo do Alemão nos conta sobre a cidade: poder e conhecimento no Rio de Janeiro no início dos anos 1980. 231p. Tese (Doutorado em Sociologia). São Paulo, Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, 2016. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
VALLADARES, Lícia. A invenção da favela: do mito de origem a favela.com. Rio de Janeiro: FGV Editora, 2005.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por Thiago Matiolli&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Alexandre</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://homologacao2.wikifavelas.com.br/index.php?title=Laje_e_Turismo&amp;diff=198</id>
		<title>Laje e Turismo</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://homologacao2.wikifavelas.com.br/index.php?title=Laje_e_Turismo&amp;diff=198"/>
		<updated>2018-11-04T14:20:42Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Alexandre: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Segundo o Novo Dicionário Aurélio, a palavra “laje” tem sua origem desconhecida, e significa “obra contínua de concreto armado, a qual constitui sobrado, teto de um compartimento, ou piso”. Se a definição dá conta dos aspectos técnicos, nem de longe consegue abarcar a pluralidade de usos que a laje permite e a diversidade de valores nela investidos no contexto da favela. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como a arquiteta Danielle Klintowitz (2007) ressalta em sua dissertação sobre os usos e apropriações de diferentes espaços na Rocinha, as lajes apresentam grande diversidade morfológica dependendo da área onde se encontra a edificação e de sua tipologia: nas áreas mais precárias, elas são menores, em geral com cinco metros quadrados; nas áreas mais consolidadas, podem chegar a 10 metros de comprimento por oito de largura. A despeito de seu tamanho, as lajes não raro são tomadas como espaços provisórios, sempre em mutação – vergalhões expostos, às vezes sinalizados e protegidos por garrafas pet, acenam que outras edificações ainda estão por vir. Muitas vezes a intenção é que sirvam como base para se construir uma nova residência a ser ocupada por outros membros da família ou para uso no mercado imobiliário: na maior parte das favelas, lajes são vendidas e alugadas como se fossem um lote residencial regular. Em ambos os casos, como bem observam Jailson de Sousa e Jorge Barbosa (2005:65), elas representam um valioso patrimônio familiar, a maior herança que os pais podem prover a seus filhos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No espectro quase infinito de papéis que a laje performa, alguns são mais recorrentes. Às lajes correspondem, sobretudo, ideais de lazer e interação social: são espaços de congregação, socialização e de usufruto do tempo do não-trabalho. Nas lajes as crianças brincam, as famílias fazem churrasco e comemoram as grandes datas, moças e rapazes relaxam e tomam sol -- não por acaso há tantas piscininhas de plástico e chuveiros instalados ali. De tão popular, a prática levou à criação do concurso “gata da laje” cujo objetivo é identificar e premiar, a cada verão, aquela que seria a mais bela da favela. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As lajes cumprem, igualmente, funções mais pragmáticas: abrigam as caixas d’água que tingem de azul a visão aérea da favela, costuram-se em intermináveis varais, funcionam como jardins suspensos e espaço para criação de pequenos animais – passarinhos, cachorros, coelhos, patos. Servem ainda para guardar tudo que não é imediatamente útil, mas que não se quer jogar fora, tudo que não cabe dentro de casa. Eventualmente, podem funcionar como palcos para músicos e artistas amadores, assim como suas paredes podem se transmutar em superfície para projeção de filmes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nas favelas verticalizadas, com altíssima densidade, algumas ruas não têm mais de 50 centímetros de largura. Além de estreitas, as ruas possuem trechos muito escorregadios e íngremes; em outros, seu fluxo é interrompido por escadarias. Torna-se inviável, portanto, transportar objetos de maior volume – uma geladeira ou um sofá, por exemplo. Para contornar esse sério e cotidiano problema de mobilidade, os moradores criam caminhos alternativos por cima das casas. Seu caminhar por lajes adjacentes possibilita a criação de verdadeiras ‘ruas suspensas’, as quais prescindem, obviamente, de um traçado prévio. As lajes transformam-se, ainda com maior frequência, nos extremos de pontes invisíveis e precárias quando as crianças perseguem suas pipas pulando com rapidez entre lajes não necessariamente contíguas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Desde o início dos anos 90, por conta da popularidade da favela no mercado turístico internacional, lajes em diferentes favelas da Zona Sul carioca passaram funcionar como mirantes informais. Durante o “momento laje”, guias reproduzem seu texto explicativo sobre a favela e a sociedade brasileira em termos mais gerais, respondem eventuais perguntas e incentivam os turistas a tirar o maior número possível de fotografias. Comum a todas as promotoras de turismo, o “momento laje” é sem dúvida, um dos mais apreciados pelos milhares de turistas das mais variadas partes do globo: com o mar de casas a seus pés, eles podem confrontar a favela com seu entorno, as casas mal alinhadas com os edifícios luxuosos à beira do mar. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se potencialmente as lajes poderiam funcionar como palco de encontros face a face entre turistas e moradores, na prática elas funcionam como palco de encontros entre turistas e imagens genéricas, previamente acumuladas e muitas vezes descontextualizadas, que eles trazem em suas bagagens. Não por acaso, as fotografias que tiram desde a laje em muito reproduzem aquelas disponibilizadas virtualmente – nos sites das agências de turismo ou nos blogs de viagem --, os mesmos temas e mesmos ângulos, com pouquíssimas variações. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por Bianca Freire-Medeiros&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Alexandre</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://homologacao2.wikifavelas.com.br/index.php?title=Laje_e_Turismo&amp;diff=197</id>
		<title>Laje e Turismo</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://homologacao2.wikifavelas.com.br/index.php?title=Laje_e_Turismo&amp;diff=197"/>
		<updated>2018-11-04T14:20:11Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Alexandre: Criou página com &amp;#039;Segundo o Novo Dicionário Aurélio, a palavra “laje” tem sua origem desconhecida, e significa “obra contínua de concreto armado, a qual constitui sobrado, teto de um c...&amp;#039;&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Segundo o Novo Dicionário Aurélio, a palavra “laje” tem sua origem desconhecida, e significa “obra contínua de concreto armado, a qual constitui sobrado, teto de um compartimento, ou piso”. Se a definição dá conta dos aspectos técnicos, nem de longe consegue abarcar a pluralidade de usos que a laje permite e a diversidade de valores nela investidos no contexto da favela. &lt;br /&gt;
Como a arquiteta Danielle Klintowitz (2007) ressalta em sua dissertação sobre os usos e apropriações de diferentes espaços na Rocinha, as lajes apresentam grande diversidade morfológica dependendo da área onde se encontra a edificação e de sua tipologia: nas áreas mais precárias, elas são menores, em geral com cinco metros quadrados; nas áreas mais consolidadas, podem chegar a 10 metros de comprimento por oito de largura. A despeito de seu tamanho, as lajes não raro são tomadas como espaços provisórios, sempre em mutação – vergalhões expostos, às vezes sinalizados e protegidos por garrafas pet, acenam que outras edificações ainda estão por vir. Muitas vezes a intenção é que sirvam como base para se construir uma nova residência a ser ocupada por outros membros da família ou para uso no mercado imobiliário: na maior parte das favelas, lajes são vendidas e alugadas como se fossem um lote residencial regular. Em ambos os casos, como bem observam Jailson de Sousa e Jorge Barbosa (2005:65), elas representam um valioso patrimônio familiar, a maior herança que os pais podem prover a seus filhos.&lt;br /&gt;
No espectro quase infinito de papéis que a laje performa, alguns são mais recorrentes. Às lajes correspondem, sobretudo, ideais de lazer e interação social: são espaços de congregação, socialização e de usufruto do tempo do não-trabalho. Nas lajes as crianças brincam, as famílias fazem churrasco e comemoram as grandes datas, moças e rapazes relaxam e tomam sol -- não por acaso há tantas piscininhas de plástico e chuveiros instalados ali. De tão popular, a prática levou à criação do concurso “gata da laje” cujo objetivo é identificar e premiar, a cada verão, aquela que seria a mais bela da favela. &lt;br /&gt;
As lajes cumprem, igualmente, funções mais pragmáticas: abrigam as caixas d’água que tingem de azul a visão aérea da favela, costuram-se em intermináveis varais, funcionam como jardins suspensos e espaço para criação de pequenos animais – passarinhos, cachorros, coelhos, patos. Servem ainda para guardar tudo que não é imediatamente útil, mas que não se quer jogar fora, tudo que não cabe dentro de casa. Eventualmente, podem funcionar como palcos para músicos e artistas amadores, assim como suas paredes podem se transmutar em superfície para projeção de filmes.&lt;br /&gt;
Nas favelas verticalizadas, com altíssima densidade, algumas ruas não têm mais de 50 centímetros de largura. Além de estreitas, as ruas possuem trechos muito escorregadios e íngremes; em outros, seu fluxo é interrompido por escadarias. Torna-se inviável, portanto, transportar objetos de maior volume – uma geladeira ou um sofá, por exemplo. Para contornar esse sério e cotidiano problema de mobilidade, os moradores criam caminhos alternativos por cima das casas. Seu caminhar por lajes adjacentes possibilita a criação de verdadeiras ‘ruas suspensas’, as quais prescindem, obviamente, de um traçado prévio. As lajes transformam-se, ainda com maior freqüência, nos extremos de pontes invisíveis e precárias quando as crianças perseguem suas pipas pulando com rapidez entre lajes não necessariamente contíguas. &lt;br /&gt;
Desde o início dos anos 90, por conta da popularidade da favela no mercado turístico internacional, lajes em diferentes favelas da Zona Sul carioca passaram funcionar como mirantes informais. Durante o “momento laje”, guias reproduzem seu texto explicativo sobre a favela e a sociedade brasileira em termos mais gerais, respondem eventuais perguntas e incentivam os turistas a tirar o maior número possível de fotografias. Comum a todas as promotoras de turismo, o “momento laje” é sem dúvida, um dos mais apreciados pelos milhares de turistas das mais variadas partes do globo: com o mar de casas a seus pés, eles podem confrontar a favela com seu entorno, as casas mal alinhadas com os edifícios luxuosos à beira do mar. &lt;br /&gt;
Se potencialmente as lajes poderiam funcionar como palco de encontros face a face entre turistas e moradores, na prática elas funcionam como palco de encontros entre turistas e imagens genéricas, previamente acumuladas e muitas vezes descontextualizadas, que eles trazem em suas bagagens. Não por acaso, as fotografias que tiram desde a laje em muito reproduzem aquelas disponibilizadas virtualmente – nos sites das agências de turismo ou nos blogs de viagem --, os mesmos temas e mesmos ângulos, com pouquíssimas variações. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por Bianca Freire-Medeiros&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Alexandre</name></author>
	</entry>
</feed>