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	<title>Dicionário de Favelas Marielle Franco - Contribuições do usuário [pt-br]</title>
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		<summary type="html">&lt;p&gt;Elen Ferreira: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;p style=&amp;quot;margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Autor: [https://wikifavelas.com.br/index.php?title=Usuário:Caiqueazael &#039;&#039;&#039;Caíque Azael&#039;&#039;&#039;]&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
= Introdução =&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;margin-bottom:.0001pt; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;O grupo &#039;&#039;Pretinhas Leitoras&#039;&#039; é um projeto criado pelas gêmeas Helena e Eduarda Ferreira, nascidas em 2008, na primeira favela do Brasil: o Morro da Providência, no Rio de Janeiro. O Projeto Literario&amp;amp;nbsp;é supervisionado pela Pedagoga Elen&amp;amp;nbsp;Ferreira, mãe das apresentadoras.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-bottom:.0001pt; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;Em 2015, aos 7 anos, a dupla criou o projeto, que busca incentivar o diálogo&amp;amp;nbsp;entre pares através da literatura negra&amp;amp;nbsp;e suas vivências no Território qual moravam.. Os livros são uma alternativa à realidade de violência e exclusão das pessoas nas periferias e favelas do Rio de Janeiro.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-bottom:.0001pt; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;Em 12 de Outubro de&amp;amp;nbsp;2018, através do Coletivo Entre o Céu e a Favela - Idealizado por Cintia Sant’Anna é existente no Morro da Providência,&amp;amp;nbsp;lançaram oficialmente seu&amp;amp;nbsp;canal nas&amp;amp;nbsp;redes&amp;amp;nbsp;sociais&amp;amp;nbsp;Youtube, Facebook e Instagram por onde compartilham o prazer da leitura como promotora dos encontros com outras crianças. No canal, elas têm debatido temas atuais da realidade do RJ, como a crise da água e violência nas cidades. Além disso, mensalmente, elas realizam encontros mensais onde se debatem as angustias do dia a dia, como o racismo nas escolas. Em janeiro de 2020, venceram o Prêmio Ubuntu de Cultura Negra 2019, em reconhecimento pelo incentivo à literatura infantil e infanto-juvenil ao projeto Pretinhas Leitoras.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-bottom:.0001pt; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;Foram premiadas em 2019 com o troféu Canal WEB - Categoria 1º ao 5º ano, pela MultiRio - Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-bottom:.0001pt; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;Atualmente, as apresentadoras realizam interações diretas com seus seguidores através de encontros ao vivo no qual recebem convidados e contam com a apresentação também de Elisa Ferreira, sua irmã mais nova.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-bottom:.0001pt; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;Para entrar em contato com as pretinhas leitoras, envie um email para: &amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:10.5pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;background:#fafafa&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:107%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:#262626&amp;quot;&amp;gt;[mailto:pretinhasleitoras@gmail.com pretinhasleitoras@gmail.com]&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-bottom:.0001pt; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:10.5pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;background:#fafafa&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:107%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:#262626&amp;quot;&amp;gt;Facebook/YouTube/Instagram: @PretinhasLeitoras&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-bottom:.0001pt; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;font color=&amp;quot;#262626&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;caret-color: rgb(38, 38, 38); font-size: 14px; background-color: rgb(250, 250, 250);&amp;quot;&amp;gt;Twitter: PretasLeitoras&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/font&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-bottom:.0001pt; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-bottom:.0001pt; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;[[File:Pretinhas Leitoras.jpg|thumb|center|600px|Logotipo do projeto Pretinhas Leitoras]]&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
= Canal das Pretinhas Leitoras no Youtube =&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Vídeo de apresentação do projeto&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{#evu:https://www.youtube.com/watch?v=o8aouuCrU1o}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;margin-bottom:.0001pt; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;Vídeo sobre crise da água no RJ&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-bottom:.0001pt; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;{{#evu:https://www.youtube.com/watch?v=4A1Z5lWYCyg}}&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
= Fontes: =&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
*Blog Razões Para Acreditar: [https://razoesparaacreditar.com/gemeas-criam-projeto-leitura-favela-rj/?fbclid=IwAR2bEHJveF9J0zKbUSdke4Jm6D0dWuFhbSeOJ97-1LC6VTPnJrnsbjhCqPg Gêmeas criam projeto de leitura para combater violência em favela] &lt;br /&gt;
*Instagram – [https://www.instagram.com/pretinhasleitoras/?hl=pt-br Pretinhas Leitoras] &lt;br /&gt;
*Facebook – [https://www.facebook.com/pretinhasleitoras/ Pretinhas Leitoras] &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Category:Educação]][[Category:Livro]][[Category:Movimentos sociais]][[Category:Negritude]][[Category:Providencia]][[Category:Temática - Cultura]][[Category:Temática - Gênero e Sexualidade]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Elen Ferreira</name></author>
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		<title>Dona Valquíria Maria de Jesus</title>
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		<updated>2019-10-16T03:15:01Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Elen Ferreira: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&lt;br /&gt;
Dona Valquíria&amp;amp;nbsp; Valquiria Maria de Jesus&amp;amp;nbsp; [[[[[tel:01/11/1960_-_2019|01/11/1960|-|2019|[1]]]]]] &amp;amp;nbsp; &amp;amp;nbsp; Ainda menina, Valquíria fora criada no espaço rudimentar chamado de casa, sem asfalto, eletricidade e água potável&amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp;em meio às vielas do Morro da Providência, no Rio de Janeiro- RJ. Crescida em uma das áreas de maior dificuldade em &amp;amp;nbsp;acessar na primeira favela brasileira, à Rua da Grota, presenciou muitas das negligências do Estado para com a população qual integrava. Na humilde casa onde residia com sua mãe, D. Vitória, &amp;amp;nbsp;aprendeu a cuidar de um bem natural, ali em seu pequeno quintal aberto. Fincado antes delas chegarem, forjado pela própria natureza, o poço natural que recebia água através das pedras do entorno, desde os anos 60.&amp;lt;br/&amp;gt; Por décadas, criou seus filhos ali, mãe solo como foi (Alexandre, Alex, Valdelice, Júlio, Vanessa, Alan&amp;amp;nbsp;e o pequeno Adriano). O beco estreito &amp;amp;nbsp;atravessava o sulco de uma pedreira na qual residiam dezenas de famílias, numa &amp;amp;nbsp;região de risco iminente. Valquíria criava seus filhos naquela região, sem água encanada, já nos anos 90/2000, atravessado por&amp;amp;nbsp; gambiarras elétricas nas quais algumas poucas lâmpadas iluminavam o caminho. Após D. Vitória deixar a casa para que a filha cuidasse de si e de seus filhos, Valquíria tornou-se a pessoa mais conhecida pelas crianças da região, que tinham muita vontade de mergulhar como numa piscina dentro do poço que aquela&amp;amp;nbsp;senhora tão bem cuidava. Ríspida, Valquíria dizia um “não” estridente, mas que orientava à todos de maneira tal que, mesmo em uma casa sem portão, só desconhecidos se atreveriam a mexer nas águas do lugar sem sua permissão.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;br/&amp;gt; Ela era quem organizava as filas de crianças que iam buscar água a mando de suas mães para beber, cozinhar, tomar banho. A matriarca também orientava a fervura da água antes de sua utilização e foi uma das ensinadoras comunitárias que através do cotidiano emergente, ensinava a transgredir a morte e &amp;amp;nbsp;compartillhava a água, fonte do&amp;amp;nbsp;viver. Organizada, sempre esteve atenta aos filhos e se debruçava com cuidados sobre os mesmos, que cresceram queridos por toda a vizinhança.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No ano 1999, Valquíria enfrenta um duro golpe ao&amp;amp;nbsp;perder&amp;amp;nbsp;sua mãe, D. Vitória, grande referência na localidade. Um ano após&amp;amp;nbsp;início dos anos &amp;amp;nbsp;2000, seu filho Adriano à época com quatro anos de idade é atingido por um deslizamento de terras, que nunca foram cuidadas pelo poder público e estavam no alto da pedreira sob a qual moravam. Mesmo com os próprios moradores tirando o aterro sobre o corpo da criança, o pequeno não resiste aos ferimentos. Aquela foi a única vez na qual a pedra foi limpa pro poder público, tardiamente. Até hoje acumula o excesso de lixo, mato e terra que pode desmoronar a qualquer momento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Poucos anos depois, perde seu filho Júlio, adolescente ainda,&amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp;vitimado por arma de fogo. Os anos se passaram e a tristeza modificou a face da mulher, mãe e humana pessoa que era. A dureza da vida encontrava uma brecha para os sentimentos outros do cotidiano quando era preciso atender as crianças em mais um episódio de falta&amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp;d&#039;água&amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp;na região.&amp;amp;nbsp; Valquiria organizava à todos e se mostrava&amp;amp;nbsp;por vezes ser a maior ensinadora social da qual se ouviu falar na localidade, dada sua habilidade em lidar com os pequenos. Seus conselhos sobre ferver a água para fazer uso, foram as primeiras aulas de ciências que muitas das crianças puderam ter através da prática, da escola mundo. &amp;amp;nbsp; Valquiria Maria faleceu em 2019, aos 58 anos, vítima de um câncer.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;É com muita alegria e respeito à memória de quem oportunizou água, vida, que construímos este texto. &amp;amp;nbsp; Agradecimentos: Vanessa Silva - Filha Priscila Souza&amp;amp;nbsp;- Conhecida e amiga da Família. Todas mulheres moradoras do Morro da Providência e, assim como eu, tiveram suas sedes saciadas pelas águas doces de Valquíria.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Elen Ferreira</name></author>
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		<updated>2019-10-16T03:14:34Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Elen Ferreira: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Compartilhadora de águas doces e naturais através do pocinho. Histórias de dentro: Morro da Providência&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Elen Ferreira</name></author>
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		<title>Dona Valquíria Maria de Jesus</title>
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		<updated>2019-10-16T03:02:06Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Elen Ferreira: Conheça a história de Dona Valquíria Maria da Silva, que compartilhava a água doce natural de seu terreno com toda uma comunidade que sofria com a falta de água e descaso do poder público. Ela era organizadora do Pocinho. Conhece? Então chega mais!&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&lt;br /&gt;
Dona Valquíria&amp;amp;nbsp; Valquiria Maria de Jesus&amp;amp;nbsp; [[[[tel:01/11/1960_-_2019|01/11/1960|-|2019]]]] &amp;amp;nbsp; &amp;amp;nbsp; Ainda menina, Valquíria fora criada no espaço rudimentar chamado de casa, sem asfalto, eletricidade e água potável&amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp;em meio às vielas do Morro da Providência, no Rio de Janeiro- RJ. Crescida em uma das áreas de maior dificuldade em &amp;amp;nbsp;acessar na primeira favela brasileira, à Rua da Grota, presenciou muitas das negligências do Estado para com a população qual integrava. Na humilde casa onde residia com sua mãe, D. Vitória, &amp;amp;nbsp;aprendeu a cuidar de um bem natural, ali em seu pequeno quintal aberto. Fincado antes delas chegarem, forjado pela própria natureza, o poço natural que recebia água através das pedras do entorno, desde os anos 60.&amp;lt;br/&amp;gt; Por décadas, criou seus filhos ali, mãe solo como foi (Alexandre, Alex, Valdelice, Júlio, Vanessa, Alan&amp;amp;nbsp;e o pequeno Adriano). O beco estreito &amp;amp;nbsp;atravessava o sulco de uma pedreira na qual residiam dezenas de famílias, numa &amp;amp;nbsp;região de risco iminente. Valquíria criava seus filhos naquela região, sem água encanada, já nos anos 90/2000, atravessado por&amp;amp;nbsp; gambiarras elétricas nas quais algumas poucas lâmpadas iluminavam o caminho. Após D. Vitória deixar a casa para que a filha cuidasse de si e de seus filhos, Valquíria tornou-se a pessoa mais conhecida pelas crianças da região, que tinham muita vontade de mergulhar como numa piscina dentro do poço que aquela&amp;amp;nbsp;senhora tão bem cuidava. Ríspida, Valquíria dizia um “não” estridente, mas que orientava à todos de maneira tal que, mesmo em uma casa sem portão, só desconhecidos se atreveriam a mexer nas águas do lugar sem sua permissão.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;br/&amp;gt; Ela era quem organizava as filas de crianças que iam buscar água a mando de suas mães para beber, cozinhar, tomar banho. A matriarca também orientava a fervura da água antes de sua utilização e foi uma das ensinadoras comunitárias que através do cotidiano emergente, ensinava a transgredir a morte e &amp;amp;nbsp;compartillhava a água, fonte do&amp;amp;nbsp;viver. Organizada, sempre esteve atenta aos filhos e se debruçava com cuidados sobre os mesmos, que cresceram queridos por toda a vizinhança.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No ano 1999, Valquíria enfrenta um duro golpe ao&amp;amp;nbsp;perder&amp;amp;nbsp;sua mãe, D. Vitória, grande referência na localidade. Um ano após&amp;amp;nbsp;início dos anos &amp;amp;nbsp;2000, seu filho Adriano à época com quatro anos de idade é atingido por um deslizamento de terras, que nunca foram cuidadas pelo poder público e estavam no alto da pedreira sob a qual moravam. Mesmo com os próprios moradores tirando o aterro sobre o corpo da criança, o pequeno não resiste aos ferimentos. Aquela foi a única vez na qual a pedra foi limpa pro poder público, tardiamente. Até hoje acumula o excesso de lixo, mato e terra que pode desmoronar a qualquer momento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Poucos anos depois, perde seu filho Júlio, adolescente ainda,&amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp;vitimado por arma de fogo. Os anos se passaram e a tristeza modificou a face da mulher, mãe e humana pessoa que era. A dureza da vida encontrava uma brecha para os sentimentos outros do cotidiano quando era preciso atender as crianças em mais um episódio de falta&amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp;d&#039;água&amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp;na região.&amp;amp;nbsp; Valquiria organizava à todos e se mostrava&amp;amp;nbsp;por vezes ser a maior ensinadora social da qual se ouviu falar na localidade, dada sua habilidade em lidar com os pequenos. Seus conselhos sobre ferver a água para fazer uso, foram as primeiras aulas de ciências que muitas das crianças puderam ter através da prática, da escola mundo. &amp;amp;nbsp; Valquiria Maria faleceu em 2019, aos 58 anos, vítima de um câncer.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;É com muita alegria e respeito à memória de quem oportunizou água, vida, que construímos este texto. &amp;amp;nbsp; Agradecimentos: Vanessa Silva - Filha Priscila Souza&amp;amp;nbsp;- Conhecida e amiga da Família. Todas mulheres moradoras do Morro da Providência e, assim como eu, tiveram suas sedes saciadas pelas águas doces de Valquíria.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Elen Ferreira</name></author>
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		<updated>2019-10-16T02:22:39Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Elen Ferreira: Dona Valquíria Maria de Jesus - Doadora de água doce no Pocinho - Rio de Janeiro - RJ&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&lt;br /&gt;
Dona Valquíria&amp;amp;nbsp; Valquiria Maria de Jesus&amp;amp;nbsp; [[[tel:01/11/1960_-_2019|01/11/1960|- 2019]]] &amp;amp;nbsp; &amp;amp;nbsp; Ainda menina, Valquíria fora criada no espaço rudimentar chamado de casa, sem asfalto, eletricidade e água potável&amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp;em meio às vielas do Morro da Providência, no Rio de Janeiro- RJ. Crescida em uma das áreas de maior dificuldade em &amp;amp;nbsp;acessar na primeira favela brasileira, à Rua da Grota, presenciou muitas das negligências do Estado para com a população qual integrava. Na humilde casa onde residia com sua mãe, D. Vitória, &amp;amp;nbsp;aprendeu a cuidar de um bem natural, ali em seu pequeno quintal aberto. Fincado antes delas chegarem, forjado pela própria natureza, o poço natural que recebia água através das pedras do entorno, desde os anos 60.&amp;lt;br/&amp;gt; Por décadas, criou seus filhos ali, mãe solo como foi (Alexandre, Alex, Valdelice, Júlio, Vanessa, Alan&amp;amp;nbsp;e o pequeno Adriano). O beco estreito &amp;amp;nbsp;atravessava o sulco de uma pedreira na qual residiam dezenas de famílias, numa &amp;amp;nbsp;região de risco iminente. Valquíria criava seus filhos naquela região, sem água encanada, já nos anos 90/2000, atravessado por&amp;amp;nbsp; gambiarras elétricas nas quais algumas poucas lâmpadas iluminavam o caminho. Após D. Vitória deixar a casa para que a filha cuidasse de si e de seus filhos, Valquíria tornou-se a pessoa mais conhecida pelas crianças da região, que tinham muita vontade de mergulhar como numa piscina dentro do poço que aquela&amp;amp;nbsp;senhora tão bem cuidava. Ríspida, Valquíria dizia um “não” estridente, mas que orientava à todos de maneira tal que, mesmo em uma casa sem portão, só desconhecidos se atreveriam a mexer nas águas do lugar sem sua permissão.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;br/&amp;gt; Ela era quem organizava as filas de crianças que iam buscar água a mando de suas mães para beber, cozinhar, tomar banho. A matriarca também orientava a fervura da água antes de sua utilização e foi uma das ensinadoras comunitárias que através do cotidiano emergente, ensina a transgredir a morte e viver. Organizada, sempre esteve atenta aos filhos e se debruçava com cuidados sobre os mesmos. No ano 1999 perde sua mãe, D. Vitória, grande referência na localidade. Em 2000, seu filho Adriano à época com quatro anos de idade é atingido por um deslizamento de terras, que nunca foram cuidadas pelo poder público e estavam no alto da pedreira sob a qual moravam. O pequeno não resiste aos ferimentos. Poucos anos depois, perde seu filho Júlio, vitimado por arma de fogo. Os anos se passaram e a tristeza modificou sua face. A dureza da vida encontrava uma brecha quando era preciso atender as crianças em mais um episódio de faltando água da região.&amp;amp;nbsp; Valquiria organizava à todos e se mostrou por vezes ser a maior ensinadora social qual se ouviu falar na região, dada sua habilidade em lidar com os carentes. Seus conselhos sobre ferver a água para fazer uso, foram as primeiras aulas de ciências que muitas das crianças puderam ter através da prática, da escola mundo. &amp;amp;nbsp; Valquiria Maria faleceu em 2019, aos 58 anos, vítima de um câncer. Sua casa fora vendida e seu poço cimentado. É com muita alegria e respeito à memória de quem oportunizou água, vida, que construímos este texto. &amp;amp;nbsp; Agradecimentos: Vanessa Silva - Filha Priscila Souza&amp;amp;nbsp;- Conhecida e amiga da Família.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Elen Ferreira</name></author>
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		<updated>2019-10-16T02:21:39Z</updated>

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&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&lt;br /&gt;
Dona Valquíria&amp;amp;nbsp; Valquiria Maria de Jesus&amp;amp;nbsp; [[tel:01/11/1960_-_2019|01/11/1960 - 2019]] &amp;amp;nbsp; &amp;amp;nbsp; Ainda menina, Valquíria fora criada no espaço rudimentar chamado de casa, sem asfalto, eletricidade e água potável&amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp;em meio às vielas do Morro da Providência, no Rio de Janeiro- RJ. Crescida em uma das áreas de maior dificuldade em &amp;amp;nbsp;acessar na primeira favela brasileira, à Rua da Grota, presenciou muitas das negligências do Estado para com a população qual integrava. Na humilde casa onde residia com sua mãe, D. Vitória, &amp;amp;nbsp;aprendeu a cuidar de um bem natural, ali em seu pequeno quintal aberto. Fincado antes delas chegarem, forjado pela própria natureza, o poço natural que recebia água através das pedras do entorno, desde os anos 60.&amp;lt;br/&amp;gt; Por décadas, criou seus filhos ali, mãe solo como foi (Alexandre, Alex, Valdelice, Júlio, Vanessa, Alan&amp;amp;nbsp;e o pequeno Adriano). O beco estreito &amp;amp;nbsp;atravessava o sulco de uma pedreira na qual residiam dezenas de famílias, numa &amp;amp;nbsp;região de risco iminente. Valquíria criava seus filhos naquela região, sem água encanada, já nos anos 90/2000, atravessado por&amp;amp;nbsp; gambiarras elétricas nas quais algumas poucas lâmpadas iluminavam o caminho. Após D. Vitória deixar a casa para que a filha cuidasse de si e de seus filhos, Valquíria tornou-se a pessoa mais conhecida pelas crianças da região, que tinham muita vontade de mergulhar como numa piscina dentro do poço que aquela&amp;amp;nbsp;senhora tão bem cuidava. Ríspida, Valquíria dizia um “não” estridente, mas que orientava à todos de maneira tal que, mesmo em uma casa sem portão, só desconhecidos se atreveriam a mexer nas águas do lugar sem sua permissão.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;br/&amp;gt; Ela era quem organizava as filas de crianças que iam buscar água a mando de suas mães para beber, cozinhar, tomar banho. A matriarca também orientava a fervura da água antes de sua utilização e foi uma das ensinadoras comunitárias que através do cotidiano emergente, ensina a transgredir a morte e viver. Organizada, sempre esteve atenta aos filhos e se debruçava com cuidados sobre os mesmos. No ano 1999 perde sua mãe, D. Vitória, grande referência na localidade. Em 2000, seu filho Adriano à época com quatro anos de idade é atingido por um deslizamento de terras, que nunca foram cuidadas pelo poder público e estavam no alto da pedreira sob a qual moravam. O pequeno não resiste aos ferimentos. Poucos anos depois, perde seu filho Júlio, vitimado por arma de fogo. Os anos se passaram e a tristeza modificou sua face. A dureza da vida encontrava uma brecha quando era preciso atender as crianças em mais um episódio de faltando água da região.&amp;amp;nbsp; Valquiria organizava à todos e se mostrou por vezes ser a maior ensinadora social qual se ouviu falar na região, dada sua habilidade em lidar com os carentes. Seus conselhos sobre ferver a água para fazer uso, foram as primeiras aulas de ciências que muitas das crianças puderam ter através da prática, da escola mundo. &amp;amp;nbsp; Valquiria Maria faleceu em 2019, aos 58 anos, vítima de um câncer. Sua casa fora vendida e seu poço cimentado. É com muita alegria e respeito à memória de quem oportunizou água, vida, que construímos este texto. &amp;amp;nbsp; Agradecimentos: Vanessa Silva - Filha Priscila Souza&amp;amp;nbsp;- Conhecida e amiga da Família.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Elen Ferreira</name></author>
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		<title>Dona Valquíria Maria de Jesus</title>
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		<updated>2019-10-16T02:20:25Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Elen Ferreira: Valquiria Maria da Silva - a doadora de água doce do Pocinho - Morro da Providência - Rio de Janeiro&lt;/p&gt;
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&lt;div&gt;Dona Valquíria&amp;amp;nbsp; Valquiria Maria de Jesus&amp;amp;nbsp; 01/11/1960 - 2019 &amp;amp;nbsp; &amp;amp;nbsp; Ainda menina, Valquíria fora criada no espaço rudimentar chamado de casa, sem asfalto, eletricidade e água potável&amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp;em meio às vielas do Morro da Providência, no Rio de Janeiro- RJ. Crescida em uma das áreas de maior dificuldade em &amp;amp;nbsp;acessar na primeira favela brasileira, à Rua da Grota, presenciou muitas das negligências do Estado para com a população qual integrava. Na humilde casa onde residia com sua mãe, D. Vitória, &amp;amp;nbsp;aprendeu a cuidar de um bem natural, ali em seu pequeno quintal aberto. Fincado antes delas chegarem, forjado pela própria natureza, o poço natural que recebia água através das pedras do entorno, desde os anos 60.&amp;lt;br/&amp;gt; Por décadas, criou seus filhos ali, mãe solo como foi (Alexandre, Alex, Valdelice, Júlio, Vanessa, Alan&amp;amp;nbsp;e o pequeno Adriano). O beco estreito &amp;amp;nbsp;atravessava o sulco de uma pedreira na qual residiam dezenas de famílias, numa &amp;amp;nbsp;região de risco iminente. Valquíria criava seus filhos naquela região, sem água encanada, já nos anos 90/2000, atravessado por&amp;amp;nbsp; gambiarras elétricas nas quais algumas poucas lâmpadas iluminavam o caminho. Após D. Vitória deixar a casa para que a filha cuidasse de si e de seus filhos, Valquíria tornou-se a pessoa mais conhecida pelas crianças da região, que tinham muita vontade de mergulhar como numa piscina dentro do poço que aquela&amp;amp;nbsp;senhora tão bem cuidava. Ríspida, Valquíria dizia um “não” estridente, mas que orientava à todos de maneira tal que, mesmo em uma casa sem portão, só desconhecidos se atreveriam a mexer nas águas do lugar sem sua permissão.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;br/&amp;gt; Ela era quem organizava as filas de crianças que iam buscar água a mando de suas mães para beber, cozinhar, tomar banho. A matriarca também orientava a fervura da água antes de sua utilização e foi uma das ensinadoras comunitárias que através do cotidiano emergente, ensina a transgredir a morte e viver. Organizada, sempre esteve atenta aos filhos e se debruçava com cuidados sobre os mesmos. No ano 1999 perde sua mãe, D. Vitória, grande referência na localidade. Em 2000, seu filho Adriano à época com quatro anos de idade é atingido por um deslizamento de terras, que nunca foram cuidadas pelo poder público e estavam no alto da pedreira sob a qual moravam. O pequeno não resiste aos ferimentos. Poucos anos depois, perde seu filho Júlio, vitimado por arma de fogo. Os anos se passaram e a tristeza modificou sua face. A dureza da vida encontrava uma brecha quando era preciso atender as crianças em mais um episódio de faltando água da região.&amp;amp;nbsp; Valquiria organizava à todos e se mostrou por vezes ser a maior ensinadora social qual se ouviu falar na região, dada sua habilidade em lidar com os carentes. Seus conselhos sobre ferver a água para fazer uso, foram as primeiras aulas de ciências que muitas das crianças puderam ter através da prática, da escola mundo. &amp;amp;nbsp; Valquiria Maria faleceu em 2019, aos 58 anos, vítima de um câncer. Sua casa fora vendida e seu poço cimentado. É com muita alegria e respeito à memória de quem oportunizou água, vida, que construímos este texto. &amp;amp;nbsp; Agradecimentos: Vanessa Silva - Filha Priscila Silva - Conhecida e amiga da Família.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Elen Ferreira</name></author>
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		<title>Pocinho - Morro da Providência</title>
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		<updated>2019-10-15T23:21:01Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Elen Ferreira: Pocinho - Morro da Providência - Rio de Janeiro&lt;/p&gt;
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&lt;div&gt;Pocinho - Morro da Providência - Rio de Janeiro / RJ &amp;amp;nbsp; No alto da primeira favela do Brasil em meados dos anos 90,&amp;amp;nbsp;a população favelada local sofria com a falta estrutural de saneamento básico que lhes poderia conferir água limpa em suas casas. Por vezes a falta deste bem era generalizada e obrigava dezenas de pessoas, moradoras das partes mais altas da comunidade a procurar maneiras de sobreviver em meio à secura da vida, locomovendo-se por grandes distâncias em busca de uma garrafa pet de dois litros cheia de água. E&amp;amp;nbsp;Justamente na Rua da Grota, uma das regiões de mais difícil acesso da Providência,&amp;amp;nbsp;se via crianças, mulheres e homens de todas as idades subindo com latas d’água na cabeça, nos braços,&amp;amp;nbsp;em recipientes de diferentes formas. Neste contexto, vem à memória social local a importância de um poço natural, localizado na Rua da Grota próximo ao número 60. Era o quintal de uma família que há muito morava na favela e gentilmente cedia aos demais o acesso ordenado ao poço forjado pela natureza no local. Ali, a água escoava naturalmente das pedras rochosas que sustentavam as grossas paredes que o envolviam. Em tempo de secura, o poço que contava com cerca de 50 cm de profundidade, naturalmente construído pelo tempo e em meio às rochas, era preenchido por água limpa, enfeitado por vezes - em razão dos pequeninos matos&amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp;que se assemelhavam aos trevos de quatro folhas. Sorte. Não havia outra palavra melhor para descrever a importância de encontrar água em meio às pedras. Durante mais de duas décadas o pocinho,&amp;amp;nbsp;como era afetuosamente conhecido, saciou a sede de moradores locais em semanas de falta d’água, nos dias de verão. Nos demais dias, o local apenas recebia a água natural e não podia ser utilizado para nenhum outro fim, pois era um bem compartilhado por todos. O espaço tornara-se acolhedor às crianças que em meio à realidade tão dura, se surpreendiam com aquela demonstração de cuidado natural e sentiam-se importantes quando uma por vez, deslizava seus dedos e enchia seus potes com água, levando-a&amp;amp;nbsp;até suas casas. Após grande contribuição para a existência dos moradores da região, o local foi cimentado e não há hoje, ainda, nenhuma menção à memória coletiva do espaço.&amp;amp;nbsp;&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Elen Ferreira</name></author>
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