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	<title>Dicionário de Favelas Marielle Franco - Contribuições do usuário [pt-br]</title>
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	<subtitle>Contribuições do usuário</subtitle>
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		<title>Policiamento</title>
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		<summary type="html">&lt;p&gt;Jacqueline muniz: Criou página com &amp;#039;&amp;lt;p class=&amp;quot;ColorfulList-Accent11&amp;quot; style=&amp;quot;margin-top:6.0pt;  margin-right:0cm;  margin-bottom:6.0pt;  margin-left:0cm;  text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;text-justify:inter-ideog...&amp;#039;&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;p class=&amp;quot;ColorfulList-Accent11&amp;quot; style=&amp;quot;margin-top:6.0pt;  margin-right:0cm;  margin-bottom:6.0pt;  margin-left:0cm;  text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;text-justify:inter-ideograph&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:10.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot; calibri&amp;quot;,sans-serif&amp;quot;=&amp;quot;&amp;quot;&amp;gt;O fenômeno do policiamento articula-se à noção de controle social e suas dinâmicas na vida social. Consiste em um expediente singular de controle pela ênfase no seu caráter instrumental, isto é, na sua capacidade de produzir efeito inibitório e o mais imediato possível sobre os acontecimentos, as atitudes de indivíduos e grupos. Constitui-se como um variado repertório de &#039;&#039;&#039;meios&#039;&#039;&#039; (vigiar, regular, impor, fiscalizar, patrulhar, guardar, conter, etc.) para determinados &#039;&#039;&#039;fins&#039;&#039;&#039;: a sustentação de um certo &#039;&#039;status quo,&#039;&#039; de uma determinada visão e expectativa de ordem que se deseja obedecida e, em alguma medida, consentida pelos indivíduos ou grupos policiados. A natureza política do policiamento se expressa como um agenciamento de &#039;&#039;&#039;meios coercitivos &#039;&#039;&#039;que visam sustentar o exercício de tipos de poder e de autoridade, legais ou ilegais, legítimas ou ilegítimas, que podem ir do extremo da sujeição à obediência negociada. O policiamento caracteriza-se como uma expressão pragmática, funcional, utilitária e invasiva do “como” sustentar a submissão sob algum consentimento às regras do jogo, inclusivas ou excludentes, ou a uma determinada ordem pactuada ou não, com o recurso à coerção respaldada pela força. As práticas de policiamento ultrapassam a administração do Estado, sendo-lhes anteriores historicamente. Pode-se identificar práticas de policiamento que não são administradas por agências estatais, mas por arranjos privados lícitos ou ilícitos, formais e informais, nos quais se incluem os &#039;&#039;&#039;domínios armados&#039;&#039;&#039; que exercem controle territorial ilegal em espaços populares. Tem-se que as práticas de policiamento correspondem às formas concretas de se governar, mais ou menos democráticas, conforme a concepção de cidadania acionada e, por sua vez, o acesso e a extensão dos direitos civis, políticos e sociais. A anterioridade das práticas de policiamento à emergência de burocracias especializadas e estatais na sua administração, põe em relevo duas questões caras à compreensão deste conjunto de práticas sociais de controle e regulação. A primeira é a de que o policiamento não constitui um lugar hegemônico do Estado. Sobretudo quando se considera que a ambição do Estado seja o monopólio legal e legitimo da força e, por sua vez, das práticas de policiamento que expressam e sustentam sua soberania sobre um determinado território e população, assim como os seus dispositivos de governo. A segunda, como decorrência, é que as agências especializadas estatais, as polícias, também não possuem, ainda que isto não seja abertamente assumido em função de uma estratégia de legitimação e ampliação de poder, o monopólio das práticas de policiamento.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p class=&amp;quot;ColorfulList-Accent11&amp;quot; style=&amp;quot;margin-top:6.0pt;  margin-right:0cm;  margin-bottom:6.0pt;  margin-left:0cm;  text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&#039;Autores(as): Jacqueline Muniz, Eduardo Paes-Machado&#039;&#039;&#039;&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Jacqueline muniz</name></author>
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		<summary type="html">&lt;p&gt;Jacqueline muniz: &lt;/p&gt;
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Envolvido. Envolvimento. Envolvido-com. A categoria envolvido-com apresenta-se como uma nova forma de rotulação criminal. Essa acusacao ocorre&amp;amp;nbsp;através da fabricação de nexos causais, descritos como suspeitos ou criminosos, entre as pessoas e suas interações. O termo cobre uma ampla área de classificação, indo do mundo da política ao chamado submundo do crime; mundos que produziriam respectivamente “bandidos” de colarinho-branco e comum. A bifurcação entre os mundos, entretanto, reitera uma visão repressiva sobre os jovens de favela ou de periferias. Estes, uma vez reconhecidos como envolvidos-com a criminalidade seriam os proprietários de vidas desqualificadas que dispensariam qualquer reabilitação. No universo das camadas populares, a engenhosidade da categoria envolvido-com parece encontrar um solo fértil para mobilizar vigilâncias difusas e controles ampliados sobre e entre os grupos sociais. Ela encerra regimes regulatórios que alimentam uma microeconomia para lidar com a acusação perene do envolvimento. Transparece nas narrativas dos rapazes e moças de favela como um anátema da condição territorial: “Na favela todo mundo é visto como envolvido”. O peso do estigma sócio-espacial é experimentado como uma dimensão chave em suas interações, afetando desde os deslocamentos pela cidade, o ir e vir de seus locais de moradia até os encontros com a polícia, a milícia e o crime. O “envolvido” distingue-se da categoria classe perigosa. Sua modernidade está na manifestação gerencial de um individualismo de mercado.Através dela se consegue o que nem Cesare Lombroso imaginava em sua ambição de classificar o tipo criminoso: por no banco dos réus a própria interação social. Se, por um lado, envolvido-com aparece como novidade na narrativa contemporânea de controle do crime, por outro lado, não há nada de novo na associação histórica de discursos criminológicos entre juventudes pobres e crime. Tem-se uma associação perversa, instantânea, há muito internalizada, entre jovem de favela e “crime organizado”. Narrativas a serviço do controle. Insinua-se uma moralidade específica que busca dar conta da trajetória desviante, suas causas e efeitos. O que serve para justificar distintas formas de intervenção corretiva, seja pela inclusão tutelada de alguns, seja pela exclusão deliberada de outros matáveis, seja pela indiferença diante dos muitos que não “fizeram por merecer” o projeto social salvador ou a morte redentora.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Autores(as):&amp;amp;nbsp;&#039;&#039;&#039;[https://wikifavelas.com.br/index.php?title=Usuário:Fatima_Cecchetto Fatima Cecchetto], Rodrigo Monteiro e Jacqueline Muniz.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Jacqueline muniz</name></author>
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&lt;div&gt;&lt;br /&gt;
Jacqueline Muniz - Antropóloga, professora do Departamento de Segurança Pública (DSP), INEAC, UFF.&lt;/div&gt;</summary>
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