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	<title>Dicionário de Favelas Marielle Franco - Contribuições do usuário [pt-br]</title>
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	<updated>2026-05-07T08:36:25Z</updated>
	<subtitle>Contribuições do usuário</subtitle>
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		<id>https://homologacao2.wikifavelas.com.br/index.php?title=Mariluce_Mari%C3%A1_de_Souza:_artivismo_no_Complexo_do_Alem%C3%A3o&amp;diff=6271</id>
		<title>Mariluce Mariá de Souza: artivismo no Complexo do Alemão</title>
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		<updated>2020-04-24T05:00:01Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;LuisaSantiago: Criou página com &amp;#039; Por Tatiana Lima - Núcleo Piratininga de Comunicação&amp;amp;nbsp;  Mariluce Mariá de Souza tinha tudo para “dar errado”. Essa é a opinião de quase todas as pessoas que con...&amp;#039;&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&lt;br /&gt;
Por Tatiana Lima - Núcleo Piratininga de Comunicação&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mariluce Mariá de Souza tinha tudo para “dar errado”. Essa é a opinião de quase todas as pessoas que convivem ao seu lado. Mas, contrariando as estatísticas, a perda da memória e as dificuldades de sobrevivência e existência, ela se tornou uma liderança comunitária do [[Complexo_do_Alemão]] ao longo dos últimos dez anos. Atuando no campo da comunicação popular e comunitária de forma intuitiva, ela ergueu a voz usando as mídias sociais para defender a justiça social, desafiando o discurso da pacificação de favelas no Rio de Janeiro dentro e fora dos muros visíveis e invisíveis do Complexo do Alemão. Autodidata, tornou-se artista plástica e passou a pintar nas telas sua própria interpretação da comunidade onde nasceu e foi criada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas, para compreender como uma moradora do Complexo do Alemão que era só uma “estatística” se tornou sujeito e ergueu sua voz no mundo, sendo convidada a ministrar palestra na Universidade de Stanford (EUA) - com tela exposta permanente na universidade – e uma das lideranças locais mais procuradas por jornalistas e pesquisadores no mundo, é preciso mergulhar na sua trajetória pessoal e familiar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Origem e família&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A família de Mariluce Mariá tem fortes laços históricos com o território. Ela nasceu e foi criada no Complexo do Alemão por sua avó, Alexandrina Maria de Souza, a segunda moradora do Alemão e uma missionária cuja vida foi dedicada a ajudar e abrigar moradores de favelas. Oficialmente, ela tem 38 anos, porém, o que consta nos seus documentos é apenas parte de um quebra cabeça complexo. Mari, como é conhecida por todos, nasceu em 26 de outubro de 1979, mas foi registrada pela avó somente dois anos depois, em 1981. Como ela nasceu com um problema de arritmia cardíaca aguda e a mãe biológica era adolescente (16 anos) e tinha diversos problemas de vulnerabilidade social, sua avó além de decidir criá-la, também registrou a neta como se fosse sua filha.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;“Na época que eu nasci você não tinha como registrar uma criança na idade que ela tinha, quase 80 anos. Ela teve que esperar uma oportunidade de um amigo no cartório para poder me registrar. Daí resolveu mentir o ano”, conta Mariluce, hoje com 40 anos. No registro de nascimento também consta que ela nasceu no hospital, mas ela nasceu em casa, no Morro da Alvorada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mari é mulher baixa com um tom de pele bem moreno avermelhado, que mostra suas raízes indígenas. Sua avó era de uma tribo da Confederação de Tamoios da região do Espírito Santo, em Guarapari. Ela veio para o Rio de Janeiro com 12 anos, trazida por um comerciante português para “cuidar” dela. “Na verdade, meu avô se aproveitou dela. Ele apostava minha avó no cassino e, inclusive, até os filhos”, conta Mari. O próprio registro de nascimento da avó de Mariluce, assim como o dela, também contém erros.&amp;amp;nbsp; Alexandrina Maria de Souza nasceu em 1910, mas só vou registrada quando chegou ao Rio de Janeiro, em 1922, ano que se tornou a data de seu nascimento. Quando decidiu cuidar de Mariluce como filha já tinha quase 80 anos, mas oficialmente para o governo brasileiro, sua idade era 68.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Filha de um homem com envolvimento com o tráfico de drogas de uma facção criminosa oposta a do Complexo do Alemão. Por causa disso, sua avó decidiu que ela não frequentaria a escola. “Ela tinha medo que o meu pai me sequestrasse e me levasse embora”, explica. Por isso, ela foi alfabetizada pela avó em casa com jornais, revistas e a Constituição Brasileira de 1988. Só entrou para a escola aos 10 anos, por muita insistência dela, quando conseguiu convencer a avó.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“Eu via todas as filhas da patroa da minha avó indo pra escola e as poucas crianças da favela que estudavam indo, mas eu ficava em casa. Para mim, a escola era um lugar divertido, que a gente jogava, aprendida e brincava. Eu queria ir”. O problema é que Mari nunca havia frequentado a escola. O ensino público não tinha à época um lugar para casos como o de Mariluce. Foi quando a patroa da avó resolveu pagar uma escola particular para ela receber alfabetização formal até poder entrar na escola pública. Ela ingressa no 3º do ensino fundamental e cursa até a 6ª série.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Vida Adulta&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com 15 anos, ela abandona a escola, sai da casa da avó, e casa com o primeiro marido. Ela tem o primeiro filho com 16 anos. Ela engravida de novo de gêmeas, mas as crianças nascem com problemas de saúde. Uma das gêmeas morre uma hora depois do nascimento, e a outra, três meses depois. Com o trauma da morte das filhas, Mariluce perde a memória. “Quando a gente perde a memória, a gente perde a noção de tempo. Você não sabe quem é e não consegue imaginar quem pode ser”, explica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por mais de um ano, Mari ficou sem memória e perdeu o rumo: ela caiu na farra dos bailes funk e arrumou um namorado que a espancava. “Minha avó me explicava todo dia quem eu era, mas eu ficava confusa. Mas, foi perdendo a memória e a noção de tempo que eu depois me encontrei”, lembra. Suas experiências e o conhecimento do território a levaram a começar a ver a favela com outros olhos, principalmente no diz respeito ao futuro daquele lugar. Surgiu a vontade de trabalhar para e com a comunidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ela nesta época já trabalhava como faxineira e manicure. Ela abre um pequeno salão de beleza que passa a servir suporte a jovens vítimas de abuso por parte dos traficantes de drogas. Mariluce passa a “resgatava” mulheres que iam para os bailes e não tinham como voltar para casa, abrigando elas no salão de beleza. Ela volta a morar com a avó e já em contato com a mãe, missionária evangélica, aceita o convite dela para trabalhar no centro de recuperação da igreja para usuários de drogas e também mulheres vítimas de violência doméstica. Ela também passa depois de um tempo a promover oportunidades de vida para mulheres no Alemão (Núcleo de Mulheres Brasileiras em Ação).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;A virada comunitária&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com a chegada do teleférico no Complexo do Alemão, ela e o marido Cleber Araújo, começaram um negócio defavela tour, chamado Turismo no Alemão, com o intuito de mostrar sua comunidade aos turistas. A intenção do casal era trazer estrangeiros interessados em conhecer as favelas cariocas para dentro do Alemão para estimular a economia da comunidade e promover o intercâmbio cultural. A ideia de proporcionar turismo no Alemão deles era uma oposição à chegada de agências de turismo que apenas levavam os turistas para fazer uma espécie de “safari aéreo”. Isto é: os turistas apenas andavam no teleférico, chegavam à última estação, tiravam foto no mirante e iam embora, sem consumir dentro da favela e pior: vendo apenas a favela de cima.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na atividade de turismo deles, a intenção era fazer o visitante andar por dentro das favelas a pé. No auge, cada passeio, que incluía até pequenas reformas em casas no roteiro e atividades como futebol, movimentava até R$ 10 mil na comunidade. Foi aí que teve o insight de criar um souvenir com a cara do Alemão. Ela nunca tinha pegado antes em um pincel. “Eu não sabia fazer nem um coração, mas resolvi tentar a aprender a desenha”, conta.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não apenas aprendeu como criou uma forma própria de se expressar e interpretar a favela, que conquistou turistas de mais de 30 países. Ao pintar a favela, Mari, não consegui enxergar as casas marrons, cor de tijolo. Para ela, casa expressava uma pessoa, uma vida. Por isso, ela só conseguia enxergar e pintar as casas, a favela, colorida. “Cada cor expressava um sentimento. Eu imaginava como seria se os turistas viessem aqui e pudessem conhecer essa favela: a favela de verdade, feita de pessoas. Então, eu desenhava isso para eles levarem para casa essa favela feita de gente colorida”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;A Comunicação Popular&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Paralelamente, Mariluce, e o marido, Cleber Araújo, também passaram a ser responsáveis por um conglomerado de páginas nas mídias sociais:Alemão Morroe Complexo Alemão, abrigadas no Facebook; @novoalemão, Twitter; e @complexoalemão, no Instagram, e posteriormente, @favelaart e @marilucemaria, no Facebook e Instagram. Na maior parte do tempo, os canais lembram uma versão mais tecnológica de um meio de comunicação comunitário, como um jornal mural ou uma rádio poste: anúncios de pessoas desaparecidas e campanhas de vacinação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma das táticas da comunicadora era usar o Google tradutor para traduzir suas mensagens de denúncias da violência da pacificação em várias línguas. Em 2014, na Copa do Mundo, por exemplo, a programação de otimismo foi interrompida quando a página Complexo Alemão postou: “O maior símbolo do PAC foi parado na bala”, em referência ao tiroteio que interrompeu o serviço do teleférico. Na sequência, a ocupação policial e a troca de tiros com traficantes motivaram uma nova publicação no mesmo tom: “Estamos sitiados. Há muito tempo não via nossa favela assim. ESTAMOS PEDINDO SOCORROOOO.” As postagens seguintes culminavam com a frase “A pacificação da mentira”, publicada em várias línguas, com a ajuda da ferramenta de tradução do Google e marcava com o símbolo hastag vários veículos de jornais internacionais e brasileiros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com o agravamento do quadro de violência direta no Complexo do Alemão, as páginas passaram a trata de uma notícia de maior gravidade, cumprindo uma função de uma agência de notícias direta do front, pautando os grandes meios de comunicação comercial dentro e fora do Brasil. As cores da pintura da artista plástica também começaram a mudar. “Com a violência não dava mais pra pensar nas casas coloridas, no lado bom da coisa. Foi quando comecei a pintar as casas mais escuras, aí sim, marrom”. Produtora de uma arte ativismo enquanto meio de comunicação comunitária radical, Mariluce Mariá afirma que o objetivo de suas publicações é, sobretudo, alertar a população local dos lugares de perigo, avisar sobre os tiroteios em andamento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;A ação radical de comunicação comunitária dela chamou atenção do pesquisador em Linguística Aplicada pela Unicamp Junot Maia. Em sua tese de doutorado, ele defende a ação de comunicação popular de Mariluce como um letramento de sobrevivência. Nomeia o ato comunicativo produzido por ela para avisar os moradores sobre os tiroteios de &amp;quot;fogos digitais&amp;quot;. Uma metáfora relacionada ao ato dos traficantes de drogas de soltar fogos de artifícios para informar ao tráfico local e também aos moradores da entrada da polícia nas favelas&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Algumas das iniciativas nas quais ela esteve envolvida ao longo dos anos incluem também a liderança nas reivindicações residenciais dos moradores após a pacificação, e por fim, Mariluce Mariá passou a desenvolver um trabalho conjunto de educação popular pela arte, comunicação e liderança comunitária com o projeto Favela Art.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Favela Art&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No dia a dia de visitas ao teleférico a partir de 2011, umas grandes quantidades de crianças passaram a pedir dinheiro aos turistas ou vendiam água e picolés na região da estação Palmeiras do Teleférico. A falta de um real desenvolvimento de políticas públicas sociais na comunidade agravou ainda mais a situação e cotidianamente mostrava a desigualdade social. Para piorar, o retorno da rotina de violência passou afetava principalmente as crianças mais pobres do conjunto de favelas expandindo ainda mais a situação de vulnerabilidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Favela Art, passou a integrar as crianças na faixa etária de 2 a 11 anos. Todas as telas produzidas nas oficinas com as crianças são vendidas para turistas quando possível: 50% do valor é investido em materiais para o projeto, e 50% é dado ao autor da tela, demostrando aos jovens que o fruto do seu trabalho é valioso. Ao longo dos anos, as crianças e Mariluce também passaram a pintar as telas em muros e paredes de casas no Complexo do Alemão para colorir a favela e também apagar as marcas da violência do confronto entre o tráfico e policiais das Unidades de Polícia Pacificadoras. No total, o projeto atende e acompanha atualmente 300 crianças. Ela acompanha o desenvolvimento das crianças, inclusive, em parceria com a escola. &amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mari não tem ONG, nem ligação com partidos político. Também não atua em coletivos. Mas, é uma das vozes mais ativas do lugar. Em 2015, foi convidada para falar na conferência da Universidade de Stanford “[https://youtu.be/zi9xZ9v2wnc Iniciativas Educacionais e Empreendedoras para Apoiar Jovens em Áreas de Violência]”. Denunciou o abandono do Complexo do Alemão e a violência. Mas, mostrou que os moradores vivem da esperança. Uma de suas telas foi adquirida por Stanford e faz parte do acervo exposto na universidade. Mari conheceu a equipe da universidade durante um estudo sobre segurança no Rio de Janeiro. Sem papas na língua, Mari faz uma série de queixas: dos serviços da Comlurb aos prejuízos da violência. Em debates e palestras, é comum ela tirar da bolsa a Constituição Brasileira de 1988 e o Estatuto da Criança e Adolescente como argumento e armas para conscientização sobre como os direitos humanos e constitucionais na favela são desrespeitados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Erguendo a Voz&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mariluce é atualmente responsável por gerenciar duas páginas do Facebook dedicadas ao complexo, com um público combinado de quase 100 mil seguidores. Ela transformou as ferramentas de mídia social em plataformas importantes para denunciar violações dos direitos humanos de parte da polícia, compartilhar notícias e atualizações de interesse comum à comunidade e abrir um espaço para que os moradores possam ouvir suas vozes. As páginas têm sido particularmente importantes em termos de servir como instrumentos de &amp;quot;alerta&amp;quot; para os moradores do Alemão, já que quase diariamente ocorrem guerras e tiroteios entre criminosos e a polícia na comunidade, colocando em risco a população e reivindicando vidas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Seu artivismo (arte + ativismo) e atuação como liderança comunitária e sua trajetória de vida levou ela ser convidada a participar do TED Talks Somos Humanidade, em 2014. Na palestra “O que eu aprendi quando eu esqueci quem eu era”, ela conta como a perda da memória a levou a perder o rumo e, com o passar do tempo, ela conseguiu resgatar a si própria quando se voltou a ajudar a comunidade. A palestra tem mais de 250 mil acessos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“A essência do que eu aprendi veio da minha avó que me ensinou a viver, além do amor do meu marido e meu filho. Se não fosse eles três, ninguém teria me conhecido. Minha cabeça era muito louca. Eu fui salva diversas vezes, porque pessoas não desistiram de mim. Então, eu não desisto de ninguém. Eu podia ter morrido quando criança, mas não morri. Depois eu podia ter morrido porque me coloquei em risco diversas vezes e não morri. Veio à granada do beco e também me salvei. Depois o atentado da polícia. Então, eu tenho que fazer a pena vale a existir. Não vou ficar fazendo peso na terra”, conta Mariluce Mariá de Souza.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Devido ao seu trabalho de ativismo e denúncias de violências dentro do Complexo do Alemão, ela e o marido sofreram um atentado em 2016. De lá pra cá, ela diminuiu o ritmo e buscou outras formas de atuar no território. Segue trabalhando como comunicadora popular, mas seu principal canal hoje de informações é um grupo de whatsapp de moradores do Complexo do Alemão. A página no Facebook @ComplexoAlemão e Mariluce Mariá seguem sendo alimentadas, mas as informações postadas agora são sobre o trabalho de artivismo de Mariluce e do projeto Favela Art, além de informações que podem ser úteis para os moradores do Complexo do Alemão.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>LuisaSantiago</name></author>
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		<title>Jorge Santos: uma ligação com a terra, moradia e pertencimento</title>
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		<updated>2020-04-01T01:12:33Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;LuisaSantiago: Criou página com &amp;#039;&amp;lt;p style=&amp;quot;margin-bottom:.0001pt; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;Por Euro Mascarenhas - Núcleo Piratininga de Comunicação&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-bottom:.0001pt; text-align:justify&amp;quot;...&amp;#039;&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;p style=&amp;quot;margin-bottom:.0001pt; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;Por Euro Mascarenhas - Núcleo Piratininga de Comunicação&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-bottom:.0001pt; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:115%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:115%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot;&amp;gt;Nascido em uma família de 7 irmãos, o capixaba Jorge Santos, natural da pequena cidade de São José do Calçado – ES, fez do contato com a roça uma fonte de inspiração para as lutas que enfrentaria na cidade grande. Durante sua infância, ele afirma que nunca passou fome, a principal dificuldade era a escassez de recurso financeiro.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-bottom:.0001pt; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:115%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:115%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot;&amp;gt;Ao longo de 6 meses do ano, junto com o pai e os irmãos, Jorge plantava o que seria de consumo da própria família, no outro ciclo de 6 meses, plantava-se o que seria vendido com o objetivo de ajudar a economia da casa. Na roça do pai tudo se cultivava: arroz, feijão, café, banana. Cada irmão recebia dez sacos de algo produzido pela família para que eles pudessem vender nas feiras da região.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-bottom:.0001pt; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:115%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:115%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot;&amp;gt;Com muito esforço Jorge conseguiu se formar na escola, entre muitas idas e vindas. O pai e a mãe não podiam levar ele e os irmãos para a escola, quando chegava o período de chuva era muito difícil para uma criança conseguir se deslocar, sendo assim, ele acabava por abandonar os estudos, mas sempre que possível retornava. Foi assim até completar tudo com 18 anos.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-bottom:.0001pt; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:115%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:115%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot;&amp;gt;Jorge chegou a se formar em contabilidade, mas foi uma aventura que durou pouco, pois a sua vocação era mesmo cuidar da terra, precisava estar com as mãos nela. A formação em contabilidade o fez ir para o Rio de Janeiro. A convite da irmã, Jorge vai para a capital fluminense, isso depois dela muito insistir. Ainda que tudo o que precisava estava na vida de agricultor em sua cidade, Jorge mudou-se junto com a mulher e filha.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-bottom:.0001pt; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:115%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:115%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot;&amp;gt;No Rio, ele chegou a trabalhar numa rede de lojas como contador, o patrão era um português. Definitivamente não era o que queria. Ouviu muito do chefe que a vida da roça havia ficado para trás, e que ali as coisas eram diferentes. Voltou para o trabalho na terra, mas descobrindo uma nova forma de lidar com ela, a jardinagem.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-bottom:.0001pt; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:115%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:115%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot;&amp;gt;Com o dinheiro que conseguiu obter no trabalho anterior, Jorge construiu sua própria casa na região oeste da cidade do Rio, Vargem Grande. Até se fixar ali, passou por outras favelas da mesma localidade. Jorge levou 16 anos para erguer seu teto.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-bottom:.0001pt; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:115%&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:115%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot;&amp;gt;O choque de realidade: “eu achava que era dono de alguma coisa”&amp;amp;nbsp; &amp;amp;nbsp;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-bottom:.0001pt; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:115%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:115%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot;&amp;gt;No local em que Jorge fixou moradia formou-se a Vila Recreio II, ali ele acreditava que viveria uma rotina de ir para o trabalho, chegar em casa, tomar um banho, assistir o Jornal Nacional, depois dormir e no dia seguinte levantar e começar tudo de novo. Jorge descobriu que além de tudo isso ele precisaria brigar para provar que tudo aquilo era dele. “Eu achava que era dono de alguma coisa. E fui descobrir que não era dono quando chegou um cara, na época o Cesar Maia, com máquinas, arrancando tudo. Aquilo me deu um choque de realidade” (Jorge Santos).&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-bottom:.0001pt; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:115%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:115%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot;&amp;gt;Foi neste momento que Jorge e os demais moradores de comunidades que vinham sofrendo com ameaças de remoção, na região de Jacarepaguá, se uniram e criaram o MUP – Movimento de União Popular. O objetivo do movimento era resistir às investidas da Prefeitura em remover os moradores, além de exigir políticas públicas pautadas nas exigências da população local.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-bottom:.0001pt; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:115%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:115%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot;&amp;gt;O envolvimento com a luta por moradia abriu para Jorge um caminho de conscientização e formação política, além de abrir portas em outras organizações importantes, como a Defensoria Pública. Outro desdobramento importante foi a aproximação de Jorge com a comunicação popular, algo que se deu através do Núcleo Piratininga de Comunicação, grupo que busca ajudar movimentos sociais e sindicais a exporem suas ideias, realidades tendo a comunicação como principal estratégia.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-bottom:.0001pt; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:115%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:115%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot;&amp;gt;Muitas coisas se conectaram para Jorge a partir de todo esse engajamento que passou a ter, por exemplo, a ida dele para Vargem Grande. Por se tratar de uma região rural do Rio, ele acabou tendo uma identificação muito grande. Jorge também entendeu por que abandonou o trabalho com contabilidade e preferiu dedicar-se à jardinagem, isso era uma forma dele manter uma maneira de viver que lhe era intrínseca. Era a possibilidade de falar com pessoas que tinham a mesma linguagem e vivência, que também eram da terra.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-bottom:.0001pt; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:115%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:115%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot;&amp;gt;Para coroar toda a mobilização do Movimento de União Popular, em 2002 os moradores conseguiram incluir no plano diretor da cidade, as favelas de Jacarepaguá. Inicialmente a prefeitura não havia posto, visando uma brecha para removê-las mais facilmente.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-bottom:.0001pt; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:115%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:115%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot;&amp;gt;Devido a ameaças, o MUP se enfraqueceu. Um a um, os moradores que estavam envolvidos de forma ativa se viram perseguidos e desprotegidos. Mesmo assim o enfrentamento entre a população e prefeitura foi grande. Um embate que chegou até a gestão Eduardo Paes.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-bottom:.0001pt; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:115%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:115%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot;&amp;gt;A Vila Recreio II foi alvo de remoções devido às obras de instalação do BRT, projeto de corredor de ônibus do município do Rio. Por fim, o local em que a pista foi construída ficou longe de onde eram as casas, ainda assim, os escombros das residências ficaram jogados ao redor da estrada. Jorge Santos foi um dos moradores que resistiram até o fim. Ele não aceitou a proposta da prefeitura de receber uma nova casa, muitos moradores da Vila Recreio II, que acolheram a ideia, foram morar a 40 km de onde estava a comunidade.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-bottom:.0001pt; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:115%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:115%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot;&amp;gt;Jorge preferiu ir para a Vila Taboinha, que fica a poucos metros de onde era a Vila Recreio II. “Quando o poder público tira a casa da pessoa, isso é o menor que ele tira. Ele tira a sua raiz, o seu trabalho, a sua convivência. Ele tira as suas amizades, o posto de saúde, a igreja que você frequenta. O seu pertencimento” (Jorge Santos). &amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-bottom:.0001pt; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:115%&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:115%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot;&amp;gt;Novas raízes e a retomada do MUP&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-bottom:.0001pt; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:115%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:115%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot;&amp;gt;Em Vila Taboinha Jorge reconstrói sua casa, paralelamente o Movimento de União Popular volta a tomar forma, não dava mais para ficar no lamento. O grupo retoma as discussões sobre plano diretor da cidade, a necessidade de formar políticas públicas que interessem à população local com a participação dos moradores.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-bottom:.0001pt; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:115%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:115%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot;&amp;gt;Um exemplo da reorganização dessa luta é a tentativa de impedir a construção de prédios acima de 20 andares em Vargem Grande, a ideia é valorizar a vocação rural da região e fortalecer o modo de vida da sua população.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-bottom:.0001pt; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:115%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:115%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot;&amp;gt;Ao mesmo tempo, Jorge Santos começou a trabalhar com a criação de hortas urbanas, uma atividade que tem como um dos objetivos principais facilitar a distribuição dos alimentos nas cidades, diminuindo o consumo de agrotóxicos e contribuindo para o meio ambiente.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>LuisaSantiago</name></author>
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		<title>Prazer, eu sou da Formiga! Meu nome é André!</title>
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		<updated>2020-04-01T00:25:08Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;LuisaSantiago: Criou página com &amp;#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:medium;&amp;quot;&amp;gt;&amp;#039;&amp;#039;&amp;#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Times New Roman,Times,serif;&amp;quot;&amp;gt;Por Euro Mascarenhas - Núcleo Piratininga de Comunicação&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;#039;&amp;#039;&amp;#039;&amp;lt;/span&amp;gt; &amp;amp;n...&amp;#039;&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:medium;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Times New Roman,Times,serif;&amp;quot;&amp;gt;Por Euro Mascarenhas - Núcleo Piratininga de Comunicação&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt; &amp;amp;nbsp; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-bottom:.0001pt; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:115%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:115%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot; times=&amp;quot;&amp;quot; new=&amp;quot;&amp;quot; roman&amp;quot;&amp;quot;=&amp;quot;&amp;quot;&amp;gt;O Morro da Formiga está localizado na Tijuca, Zona Norte do Rio de Janeiro. Uma favela com uma grande vitalidade cultural. Lar da escola de samba Império da Tijuca, também conserva como uma de suas mais fortes tradições, a Folia de Reis. É com muito orgulho que André Leonardo Silva de Carvalho, o André da Formiga, fala da comunidade onde nasceu e ainda vive. Um lugar em que ele aprendeu os princípios de cooperação e coletividade. &amp;amp;nbsp;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-bottom:.0001pt; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:115%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:115%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot; times=&amp;quot;&amp;quot; new=&amp;quot;&amp;quot; roman&amp;quot;&amp;quot;=&amp;quot;&amp;quot;&amp;gt;Para André a experiência dos mais velhos sempre chamou a sua atenção, fosse através da postura ou uma palavra amiga vinda deles. Mas foi a figura da mãe que foi central para a formação de André da Formiga. Maria Aparecida da Silva veio de Minas Gerais para o Rio de Janeiro com 14 anos, deixou toda a sua família para trás em busca de uma vida melhor. No Rio, Maria trabalhou nas casas das madames ricas, e posteriormente como merendeira.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-bottom:.0001pt; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:115%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:115%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot; times=&amp;quot;&amp;quot; new=&amp;quot;&amp;quot; roman&amp;quot;&amp;quot;=&amp;quot;&amp;quot;&amp;gt;Acabou indo morar no Morro da Formiga, onde conheceu Francisco Borges de Carvalho, com quem casou-se e teve 3 filhos, um deles era André. Ele relata que mesmo com muitas dificuldades, recebeu um bom exemplo da matriarca. André nunca chegou a passar fome, ainda que a situação fosse apertada, a mãe fazia das tripas o coração para dar aos filhos a educação que necessitavam.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-bottom:.0001pt; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:115%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:115%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot; times=&amp;quot;&amp;quot; new=&amp;quot;&amp;quot; roman&amp;quot;&amp;quot;=&amp;quot;&amp;quot;&amp;gt;A casa de pau a pique onde André nasceu se transformou em uma construção de alvenaria, com a ajuda dos vizinhos, a residência foi toda remodelada. Para ele, a casa é um símbolo da união e ajuda mútua que existe na favela, quando mutirões são organizados para erguer ou reformar o lar de um morador e quase todos os demais estão envolvidos.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-bottom:.0001pt; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:115%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:115%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot; times=&amp;quot;&amp;quot; new=&amp;quot;&amp;quot; roman&amp;quot;&amp;quot;=&amp;quot;&amp;quot;&amp;gt;Ainda assim, André sente falta de algumas coisas que parecem ter desaparecido um pouco do morro, como as velhas brincadeiras de girar peão, bola de gude e pique pega. Além disso a própria geografia do lugar mudou, alguns campos de futebol deixaram de existir, como o campo do Mato, onde André mais jogou bola na infância, e o campo da Rocinha. Ambos foram tomados pelo matagal. O único campo remanescente é o da Raia. Um dos sonhos de André é restaurar o campo do Mato.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-bottom:.0001pt; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:115%&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:115%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot; times=&amp;quot;&amp;quot; new=&amp;quot;&amp;quot; roman&amp;quot;&amp;quot;=&amp;quot;&amp;quot;&amp;gt;A influência das jornadas de junho de 2013&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-bottom:.0001pt; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:115%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:115%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot; times=&amp;quot;&amp;quot; new=&amp;quot;&amp;quot; roman&amp;quot;&amp;quot;=&amp;quot;&amp;quot;&amp;gt;André da Formiga sempre foi uma pessoa muito ligada ao seu lugar de origem, mas como muita gente pensa, acreditava que a única forma de mudança social seria pela via partidária. Durante as jornadas de junho de 2013, passou a ter contato com pessoas do asfalto e demais coletivos de luta do Rio de Janeiro. Essa troca o fez mudar de ideia, André passou a entender a necessidade dele também por a mão na massa e ser mais proativo em relação às melhorias que gostaria de ver para a sua comunidade e as demais.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-bottom:.0001pt; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:115%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:115%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot; times=&amp;quot;&amp;quot; new=&amp;quot;&amp;quot; roman&amp;quot;&amp;quot;=&amp;quot;&amp;quot;&amp;gt;Outra coisa que foi fundamental para que tivesse uma mudança de paradigmas foram as leituras que André realizou sobre pan-africanismo e questões raciais. O fruto disso foi a realização de projetos com cunho racializado, buscando conversar principalmente com as crianças do Morro da Formiga, a quem ele chama carinhosamente de “molecadinha”. Para André é muito importante que as crianças da favela já cresçam tendo consciência de outros valores, que não sejam da civilização branca cuja lógica é baseada em competitividade. Ele passa a entender que todo esse espírito solidário que existe entre moradores das favelas é uma herança africana.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-bottom:.0001pt; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:115%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:115%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot; times=&amp;quot;&amp;quot; new=&amp;quot;&amp;quot; roman&amp;quot;&amp;quot;=&amp;quot;&amp;quot;&amp;gt;Através da Folia de Reis, uma das manifestações culturais mais tradicionais da Formiga, André procura disseminar valores coletivos com as crianças que participam, sempre tentando trazer uma discussão interessante em meio a brincadeira. Outro projeto que ele está desenvolvendo é um espaço de contraturno. Um lugar para exibição de filmes, lanches, cursos e brincadeiras com a “molecadinha”. Algumas organizações como o Sindiscope (Sindicato de Servidores do Pedro II) e Sindipetro (Sindicato dos Petroleiros) já tem somado forças para esta ação, além de outros coletivos (Ocupa Alemão, Favela Quilombo Rua).&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-bottom:.0001pt; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:115%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:115%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot; times=&amp;quot;&amp;quot; new=&amp;quot;&amp;quot; roman&amp;quot;&amp;quot;=&amp;quot;&amp;quot;&amp;gt;Uma frente de trabalho que André também busca abrir é o plantio e cuidado com a terra. Por ser uma área verde, o Morro da Formiga o inspirou a pensar em uma ação ambiental. O projeto teria como eixo proporcionar às crianças da favela um alimento saudável, que não tivesse o uso de agrotóxicos, incluindo o cuidado com a terra, o ar, o respeito à natureza. O trabalho já tem um nome: Formiga Verde.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-bottom:.0001pt; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:115%&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:115%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot; times=&amp;quot;&amp;quot; new=&amp;quot;&amp;quot; roman&amp;quot;&amp;quot;=&amp;quot;&amp;quot;&amp;gt;A formação em história &amp;amp;nbsp;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-bottom:.0001pt; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:115%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:115%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot; times=&amp;quot;&amp;quot; new=&amp;quot;&amp;quot; roman&amp;quot;&amp;quot;=&amp;quot;&amp;quot;&amp;gt;André da Formiga já foi porteiro, entregador de jornal e tudo o que se possa pensar em termos de trabalho braçal. Mas aquilo que ele realmente almeja ser é historiador. Ele tornou-se aluno da UERJ (Universidade Estadual do Rio de Janeiro). Para conseguir passar na prova contou com a ajuda de um pré-vestibular universitário, uma iniciativa que une moradores do próprio Morro da Formiga, Borel e Salgueiro, capitaneada pelo coletivo Brota na Laje. O curso também é uma parceria com o colégio particular Oga Mitá, vizinho das favelas, que cede a estrutura para a realização do pré-vestibular.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-bottom:.0001pt; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:115%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:115%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot; times=&amp;quot;&amp;quot; new=&amp;quot;&amp;quot; roman&amp;quot;&amp;quot;=&amp;quot;&amp;quot;&amp;gt;Além de história, André sempre foi bem durante o período de escola nas disciplinas de geografia e português. Ele não sabe dizer se isto foi por causa dos bons professores que teve na rede pública, ou se as matérias de exatas sempre lhe pareceram distantes. Fato é que a história, mais do que todas, causava um grande interesse. “Em outro momento da vida, a gente sabe que muito do que a gente aprende na escola foi algo construído segundo determinados interesses. Há muitas mentiras dentro dessa história que sempre entendemos como fatos. E é por isso que eu me interesso por história, para que eu possa esmiuçar aquilo que já estudamos e trabalhar esse conteúdo com a molecada, passar para uma geração futura” (André da Formiga).&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-bottom:.0001pt; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:115%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:115%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot; times=&amp;quot;&amp;quot; new=&amp;quot;&amp;quot; roman&amp;quot;&amp;quot;=&amp;quot;&amp;quot;&amp;gt;André vê a história como uma chance de ao menos não repetir os erros que já cometemos como humanidade, uma oportunidade de expansão das possibilidades. Ele quer devotar à comunidade da Formiga o conhecimento e formação que adquirir. “A história é fundamental, no sentido de podermos fazer a devida leitura de tudo o que nos diz respeito” (André da Formiga).&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>LuisaSantiago</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://homologacao2.wikifavelas.com.br/index.php?title=Maria_Dalva_da_Silva,_uma_m%C3%A3e_do_Borel_em_busca_por_justi%C3%A7a&amp;diff=4551</id>
		<title>Maria Dalva da Silva, uma mãe do Borel em busca por justiça</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://homologacao2.wikifavelas.com.br/index.php?title=Maria_Dalva_da_Silva,_uma_m%C3%A3e_do_Borel_em_busca_por_justi%C3%A7a&amp;diff=4551"/>
		<updated>2020-03-11T15:08:22Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;LuisaSantiago: &lt;/p&gt;
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&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:10.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:#1c1e21&amp;quot;&amp;gt;Maria Dalva da Costa Correia da Silva tem 66 anos. É um exemplo de como transformar o luto em luta por justiça e pela memória das vítimas do Estado brasileiro. Moradora do [[Favela_do_Borel|Borel]], seu filho foi assassinado na chacina ocorrida em 2003.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:normal&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:10.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:#1c1e21&amp;quot;&amp;gt;A história de Dalva&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:10.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:#1c1e21&amp;quot;&amp;gt;Nascida em Coqueiral, sul de Minas Gerais, Dalva veio para o Rio de Janeiro aos 16 anos para morar com uma tia, na Rua do Matoso, Praça da Bandeira. A vinda se deu por uma tragédia: quando Dalva tinha 14 anos, sua mãe morreu eletrocutada, estando grávida de oito meses.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:10.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:#1c1e21&amp;quot;&amp;gt;Já no Rio, aos 18 anos, Dalva começou a trabalhar na fábrica da Souza Cruz, de 1975 a 1993. Operadora de máquina, ali aprendeu a lutar por maiores salários e melhores condições de trabalho. Ela e os demais operários participaram de greves devido à diferença de salário com relação aos funcionários da companhia de São Paulo, que exerciam a mesma função, mas ganhavam mais. Foi na fábrica que começou sua militância, e foi lá também que conheceu o marido. Em 1982 se casaram. Dessa união, veio o Thiago, o primeiro filho, nascido em 1983.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
[[Chacina_do_Borel|&#039;&#039;&#039;Chacina do Borel&#039;&#039;&#039;]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:10.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:#1c1e21&amp;quot;&amp;gt;Quando o primogênito Thiago completou 16 anos, a Souza Cruz, que naquele momento já se localizava em Caxias, ofereceu bolsa para filhos de funcionários fazerem um curso técnico, em um programa de “jovem aprendiz”. Foi a chance de ele começar a perseguir o sonho de ser engenheiro mecânico, fazendo cursos no Senai de Caxias, onde estudou por dois anos e meio. Concluído o curso de mecânico, já saiu com carta de recomendação para poder trabalhar.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:10.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:#1c1e21&amp;quot;&amp;gt;Thiago casou e teve uma filha, Gabriela, hoje com 18 anos. No dia 16 de abril de 2003, com 19 anos, enquanto jogava videogame com o irmão, resolveu ir à barbearia cortar o cabelo, pois viajaria no dia seguinte para aproveitar o feriado da Semana Santa. Saiu às seis e meia da tarde, mas não voltou mais. Em casa, Dalva ouviu os tiros e teve uma certeza: Thiago estava morto. Ele e mais três jovens naquele dia foram executados pela polícia.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:10.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:#1c1e21&amp;quot;&amp;gt;Além de Thiago da Costa Correia da Silva, as outras vítimas da Chacina do Borel são Carlos Alberto da Silva Ferreira, Carlos Magno de Oliveira Nascimento e Everson Silote. Foram executados com tiros à queima-roupa por policiais do 6º Batalhão de Polícia. Os assassinatos inicialmente foram registrados como “autos de resistência”, o que é comum nesses casos para “justificar” o ocorrido, tentando transformar as vítimas em possíveis criminosos. A versão inicial era a de que havia tido uma troca de tiros no local. Depois, graças à perícia e ao relato de testemunhas, concluiu-se que os quatro rapazes foram vítimas de uma execução sumária. Apesar disso, dos 16 policiais envolvidos, apenas cinco foram julgados. Hoje estão soltos. Para Dalva, o Judiciário não condena policiais. &amp;quot;Quando os réus são policiais, a demora do julgamento muitas das vezes faz com que os processos sejam arquivados, pois já prescreveram&amp;quot;, denuncia.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Rede_contra_Violência|&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:normal&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:10.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:#1c1e21&amp;quot;&amp;gt;Rede contra a violência&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:10.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:#1c1e21&amp;quot;&amp;gt;“Quem matou o meu filho foi o Estado brasileiro. A polícia só apertou o gatilho”, avalia Dalva. Depois de uma semana de luto intenso, ela resolveu ir à luta para provar a inocência do filho e para que casos como esse não continuem ocorrendo. Foi então que se juntou à Associação de Moradores do Borel e a movimentos de familiares de outras vítimas, como as das Chacinas de Acari (1990) e da Candelária (1993).&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:10.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:#1c1e21&amp;quot;&amp;gt;Ali começava sua incansável trajetória para denunciar o que a polícia fazia – e ainda faz – nas favelas do Rio de Janeiro. No ano seguinte, em 2004, esse movimento popular deu origem à Rede de Comunidades e Moradores Contra a Violência. Do grupo participam familiares de vítimas da violência policial, advogados, psicólogos, pesquisadores e demais defensores dos direitos humanos. Dalva atua na Rede até hoje, já que casos como o que vitimou seu filho continuam acontecendo. Hoje, a Rede de Comunidades integra a coordenação do Comitê Estadual para Prevenção e Combate à Tortura, da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). Também conta com o apoio da Anistia Internacional e faz denúncias do Brasil na Organização dos Estados Americanos (OEA).&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:normal&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:10.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:#1c1e21&amp;quot;&amp;gt;A luta permanece&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:10.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:#1c1e21&amp;quot;&amp;gt;Dalva é protagonista de diversas lutas. Em 2016, ela e outros integrantes da Rede organizaram a manifestação “Acorda, MP”. O objetivo era cobrar do Ministério Público do Rio de Janeiro a apuração de casos de assassinatos cometidos por policiais em favelas. Os manifestantes também cobraram autonomia e mais agilidade e transparência das ações do Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (GAESP), do MP-RJ.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:10.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:#1c1e21&amp;quot;&amp;gt;Dalva também lembra a convivência com [[Marielle_Franco]], quando esteve à frente da Comissão de Direitos Humanos da Alerj, na época presidida por Marcelo Freixo. “A luta da Marielle foi muito importante em defesa dos direitos dos LGBTs, dos negros, das vítimas de remoções. Também foi ela que nos chamou a atenção para casos como os dos quilombolas e dos indígenas, que têm suas terras invadidas, mas precisam ter seus direitos respeitados como todos nós”, conta.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:10.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:#1c1e21&amp;quot;&amp;gt;Outra vitória lembrada por Dalva foi a Lei que garantiu a criação da Semana Estadual das Vítimas de Violências no Estado do Rio. Desde 2017 ela vem sendo realizada de 12 a 19 de maio, inspirada na mobilização das Mães de Maio de São Paulo, que também garantiram uma semana no calendário oficial do Estado.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:10.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:#1c1e21&amp;quot;&amp;gt;Apesar das conquistas, Dalva lamenta a falta de atendimento psicossocial por parte do Estado brasileiro aos parentes das vítimas da violência. Muitos acabam perdendo a vida por conta da depressão ou problemas físicos e psicológicos decorrentes do trauma pelo qual passaram, um número que não entra nas estatísticas.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;span style=&amp;quot;background:white&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:10.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:#1c1e21&amp;quot;&amp;gt;Dalva, por sua vez, conseguiu transformar sua dor em luta. É presença marcante em manifestações, atos e na organização de eventos em defesa dos direitos humanos e contra a injustiça e a impunidade tão comuns nos casos de violência policial ocorridos em favelas do Rio de Janeiro. Quando questionada se não tem medo, ela logo lembra a música &amp;quot;Maria, Maria&amp;quot;, de Milton Nascimento: &amp;quot;É preciso ter força, é preciso ter raça, é preciso ter gana sempre. Meu filho foi fuzilado. Se eu parar de lutar, sinto que estarei mais morta do que ele&amp;quot;.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>LuisaSantiago</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://homologacao2.wikifavelas.com.br/index.php?title=Jane_Nascimento:_Antigamente,_era_tudo_mato&amp;diff=4550</id>
		<title>Jane Nascimento: Antigamente, era tudo mato</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://homologacao2.wikifavelas.com.br/index.php?title=Jane_Nascimento:_Antigamente,_era_tudo_mato&amp;diff=4550"/>
		<updated>2020-03-11T15:06:38Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;LuisaSantiago: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&lt;br /&gt;
[[File:Jane.jpeg|right|upright|Jane.jpeg]]&#039;&#039;&#039;Por Núcleo Piratininga de Comunicação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O ano era 1966 quando os pais de Jane Nascimento decidiram se mudar com a família para uma localidade conhecida à época como Vila Cinco, em Jaquarepagá, no Rio de Janeiro. Ela e os irmãos viviam em uma região até então sem muitos vizinhos, onde as pessoas viviam da pesca, agricultura e da caça. Eram tempos mais simples, no limiar de um momento definidor para o destino econômico da Zona Oeste.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Jane tinha então 10 anos, e se lembra da inauguração do primeiro Autódromo de Jacarepaguá, sede de grandes competições: “ Nessa época quem corria lá eram os irmãos Emerson Fittipaldi e Wilson Fittipaldi. Depois houve outras reinaugurações - nessa época ele vivia sendo reformado…”, relembra com precisão. De fato, o antigo autódromo - que não existe mais - foi uma das muitas mudanças estruturais que afetariam drasticamente sua vida e a de toda a população tradicional da região e definiriam a trajetória de Jane.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A mãe trabalhava em casa. Ela e os irmãos mais velhos ajudavam o pai na pesca. Era uma vida toda natural, luz de lampião e fogão a querosene. Para chegar à propriedade da família, só por uma estradinha de chão. Mas isso faz muito tempo. O último vestígio da antiga comunidade de pescadores que se formou ali - uma casinha de palafita onde se guardavam redes, anzóis, puçás -, foi derrubada nas obras para as Olimpíadas Rio 2016. Com ela, se foi todo um modo de vida em nome de um progresso que mal se vê ali. “Era a única lembrança que a gente tinha de lá, do início de tudo”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Estudar foi um desafio. Não tinha ônibus à época, e uma a uma as irmãs de Jane foram desistindo de ir para a escola com medo de cobras (tinham muitas naquela época), assédio ou coisa pior. Minha irmã já foi seguida por um cara que correu atrás dela, mas eu insisti.” O pai, passou a mandar os irmãos de Jane buscarem ela. Não foi fácil mas deu certo. “Eles ficavam danados por causa disso. No fim, todo mundo voltou pra escola - eles começaram a me ver animada, e começaram a ir.” Ela se lembra de uma série de situações que hoje rendem boas risadas:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Havia caminhões de peão que passavam para ir trabalhar, e quando eles viam mulher jovem caminhando ali, eles faziam barulho, provocavam… gostavam de tocar o terror. Aí eu passei a botar calça jeans, vestir casaco de homem e a botar um facão embainhado”. A, Segundo ela, era se disfarçar e, se preciso, ter com o que se defender. Mas nunca foi necessário uma atitude drástica - sinal de que o disfarce funcionou. “As vezes - quando não conseguia esconder o facão no ponto de ônibus - eu levava ele pra escola. Dizia pras pessoas “não briga comigo, não, hein” e mostrava o facão. Me divertia muito com isso.”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A vida profissional da jovem moradora de uma Zona Oeste tradicionalmente rural começou com a descoberta do gosto pela pintura. Pensava em estudar, em comprar material, mas a família era humilde e não podia investir. Até que um dia, o acaso deu uma ajudinha: “Um dia”, relembra, “eu encontrei na rua um dinheirinho - nem era muita coisa, não. Cheguei em casa e perguntei para minha mãe se podia ficar com esse dinheiro para comprar material para pintar”. Dona Josepha concordou, e Jane pode comprar seus primeiros pincéis, tintas e tela e começou a desenvolver pintura em tecido nas sobras dos tecidos que a mãe cozia em casa. “Sempre que eu encontrava um pedacinho de tecido dando sopa, eu gostava de ficar ali desenvolvendo.”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Trabalho e coletividade&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Daí, vieram os primeiros trabalhos. E a partir deles, veio despertar nela uma consciência diante de diversos problemas que dificultavam a vida - a dela e a de outros que só queriam trabalhar. Com 28 anos, indo trabalhar em Nova Iguaçu, viu um grupo de jovens, como ela, que andavam desocupados na praça, e decidiu dividir o que sabia de estamparia com eles. Deu certo. “Começou a formar fila pra comprar a camisa. Pessoal ficava “essa é a minha! Essa é a minha!”. “Eu ainda não era de movimento social, mas eu acho que eu já tinha um instinto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;No mesmo período, foi arrumar serviço para um pessoal que rondava os portões do Rio Centro em busca de bicos, e quase se queimou. O patrão não quis pagar o combinado a ela. “Eu pensei: Como eu vou sair dessa, agora?”. Ficou sem alternativa que não fazer um escândalo. Juntou todos os colegas para quem ela tinha conseguido trabalho, esperaram a feira começar, e quando o pavilhão lotou, começaram a manifestação.&amp;amp;nbsp; “Eu cheguei na entrada principal e falei “estou procurando o japonês!”, e o pessoal repetindo! “Ele precisa pagar esse pessoal!” - e o pessoal repetindo tudo o que eu falava”. Também acabou dando certo, e no fim, todos receberam.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;“A gente é egoísta, né? A gente pensa muito na gente: a gente quer crescer; quer vencer… Eu reconheço que a gente precisa pensar na gente, também. Mas dividir um pouquinho, né? Se cada um achasse uma forma de ocupar as outras pessoas que estão sem nada na vida pra desenrolar, acho que o mundo estaria um pouco melhor, entendeu?”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Nesse momento, entra Sheila no NPC, exibindo a barriga de cinco, quase seis meses de gravidez. Jane não pode evitar de interromper a conversa quando a vê:&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
*Tá bonita! Tá de quantos meses? &lt;br /&gt;
*Tô de cinco, vou entrar no sexto. &lt;br /&gt;
*A família crescendo, né, Claudinha? &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“A Sheila foi muito importante na luta, pra gente [Vila Autódromo]. Ela acompanhou as principais reuniões nossas na prefeitura. Quando a gente [associação de moradores] ia, eu vinha na Claudia e pedia socorro, e a Claudinha mandava Sheila.” Ela se lembra dos anos de embate com a prefeitura pelo direito de morar onde sempre morou, na Vila Autódromo, em vista das remoções que o governo estava realizando para efetuar obras relativas aos Jogos Olímpicos de 2016 que aconteceriam na cidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Vila Autódromo&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo o site Museu das Remoções e a própria Jane, a &amp;lt;span style=&amp;quot;color:#222222&amp;quot;&amp;gt;Vila Autódromo teve sua origem nos anos 1960, como colônia de pescadores estabelecida às margens da Lagoa de Jacarepaguá. Na década seguinte, a população cresceu em vista das oportunidades de trabalho na construção das grandes obras na região, como o Riocentro e o Autódromo de Jacarepaguá – que inspirou o nome da comunidade.&amp;lt;/span&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;margin-bottom:27.0pt; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;background:white&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:#222222&amp;quot;&amp;gt;A própria prefeitura foi responsável por levar mais gente à comunidade. Houve dois reassentamentos no local - de moradores de comunidades que também sofreram remoções -, feitos pela Secretaria de Habitação: um de moradores da favela Cardoso Fontes, e outro de alguns moradores da Cidade de Deus.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-bottom:27.0pt; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;Nos anos 1980, os moradores construíram uma associação, e fez um esforço para regularizar serviços fundamentais que até então eram negados aquelas pessoas: água e esgoto, luz elétrica, gás, telefone. O governo de Leonel Brizola (PDT 1991-1994) iniciou um programa de regularização fundiária na região.&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
Nos anos 1990, Eduardo Paes começava a integrar o dia a dia daquela população quando foi subprefeito da Barra da Tijuca durante a gestão Cesar Maia. O plano de governo para a região consistia em expulsar os moradores das proximidades do autódromo para explorar o terreno em empreendimentos privados, por sua localização interessante. Ele nunca mais daria sossego.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;span style=&amp;quot;background:white&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:#222222&amp;quot;&amp;gt;Em sua gestão como prefeito na cidade (2009-2016), os grandes eventos esportivos da década estiveram no centro de atenção da gestão. A remoção de comunidades de baixa renda foi uma marca do governo de Paes. Vila Autódromo, onde Jane morava, era uma das quase 120 comunidades a serem reassentadas pelo Município. Mais de 20 mil famílias foram removidas em função da Copa do Mundo 2014 e dos Jogos Olímpicos.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“Eu acho até que ele fez muita coisa - mas fez muita mímica também. Olha só a hora que eu cheguei aqui!” - se referindo ao tempo que levou de sua casa, na Zona Oeste da cidade, até o Núcleo Piratininga, que fica no Centro. “Eu saí de casa quinze para meio dia e cheguei aqui três e pouca. Porque os BRTs que o Eduardo Paes construiu tiraram os ônibus - não só da Colônia, onde eu moro, mas da maioria dos lugares”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;span style=&amp;quot;background:white&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:#222222&amp;quot;&amp;gt;A luta da associação de moradores de Vila Autódromo obteve sucessos, mas ainda assim, mais de 500 famílias foram removidas sob a justificativa da construção do Parque Olímpico, do Centro de Mídia e das reformas de mobilidade urbana. Jane relata como eram os encontros com o governo:&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“O Eduardo Paes nunca gostou que registrasse (as reuniões), então nós de propósito levávamos ela e outros apoiadores nossos, e eles ficavam ali filmando, registrando. Ele (Paes) chegou a mandar parar, mas nós não paramos, não.” Foi onde Sheila e o NPC entraram,&amp;amp;nbsp; cobrindo as reuniões e orientando lideranças sobre como agir nesses espaços intimidatórios.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Jane conheceu o NPC por intermédio de um amigo e também líder comunitário da Vila Autódromo. Ela diz que passou a entender que sua indignação com as injustiça pelas quais passava não eram apenas dela. Eram coletivas, e vinham de muito tempo. “Tudo o que havia dentro que mim mas que eu achava que eu era rebelde, que a minha forma de pensar era ignorante… aí eu comecei a conhecer a luta.”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para ela, a comunicação foi fundamental para dialogar com outros setores da sociedade e buscar apoio - tanto entre outras comunidades atingidas pelo mesmo problema que a Vila, quanto jornais, instituições que pudessem contribuir. “comecei a entender certas coisas e isso foi me dando coragem. Coragem de chegar no morro do Bumba… coragem de pegar um microfone… como chegar até um reunião, como se colocar… isso tudo eu aprendi com o NPC”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ela reclama que a qualidade de vida de quem dependia da pesca e outras atividades que garantiam o sustento &amp;amp;nbsp;caiu muito com a condição imposta pelo Minha Casa Minha Vida. “A Vila Autódromo, como outras comunidades, era agrícola, pesqueira… e as pessoas foram removidas pra dentro de apartamento”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Movimento Social&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“Movimento Social pra mim é a melhor religião do mundo. Por que ele luta por um mundo melhor”. Ela não se lembra de quantos movimentos já participou, mas sua trajetória é longa. Desde quando as filhas entraram para a escola, e ela passou a se envolver no Conselho Escola Comunidade. Até chegar no MUP, já em Vila Autódromo, a história é longa. “São tantos, que não vou lembrar o nome, não. Eu não tenho partido nenhum, eu vou apoiar aquele candidato - por exemplo - que eu sentir que quer o bem”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Atualmente, ela escreve no jornal [[Jornal_Abaixo-assinado_de_Jacarepaguá|&#039;&#039;Abaixo Assinado&#039;&#039;,]] de Jacarepaguá, a convite do editor da folha, feita por moradores da região. Em sua primeira coluna, ela trata da condição de vida que moradores retirados de seus locais de origem. “A gente vai atrás de onde estão os problemas pra divulgar”. Ela, mesma, diz ter diversos problemas de saúde em decorrência do estresse acumulado e do atual endereço, onde relata se sentir uma estranha. “O mundo foi tomado por um sentimento de medo e ódio. E isso tudo vai me adoecendo. Tem hora que eu entro em parafuso dentro do apartamento. Eu me sinto deslocada.”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Amizades&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apesar de tantos problemas, Jane se sente feliz ao encontrar parceiros que lutam pelas mesmas causas que ela, e são verdadeiras na luta. Ela sabe diferenciar quem é quem. “Tirando aqueles oportunistas que acham brechas pra tirar proveito, o resto se salva.” Ela fica emocionada ao relembrar da trajetória de pessoas próximas a ela, que antes sentiam medo e hoje, são verdadeiros líderes, como o ex-presidente da associação de moradores de Vila Autódromo, graças ao encorajamento dela própria. “Eu me lembro que eu chegava nas mesas, pegava o microfone e dava pra ele: “Levanta, vai representar o seu papel! Você tem força e não vai usar?”. E ele passou a falar.”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essas sementes que ela plantou no caminho e que geraram afetos são os frutos que ela carrega pela vida. “Interessante que amizade a gente vai construindo um monte e parece um bonde que vai passando. Elas ficam, mas vão se renovando. Aí a gente volta lá atrás e reencontra as amizades lá de trás”.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>LuisaSantiago</name></author>
	</entry>
	<entry>
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		<title>Emerson Claudio Nascimento dos Santos, o Repper Fiell</title>
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		<updated>2020-03-11T15:05:14Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;LuisaSantiago: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;Por Núcleo Piratininga de Comunicação&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&#039;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:115%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;[[File:Fiell.jpeg|right|upright|Fiell.jpeg]]Às vésperas de completar a maioridade, Repper Fiell, como o paraibano Emerson Claudio Nascimento dos Santos é conhecido no movimento Hip-Hop, nasceu no bairro de Monte Castelo, na zona Leste de Campina Grande, na Paraíba. De uma família de quatro irmãos – ele é o caçula dos filhos homens, Emerson assumiu o nome artístico Fiell aos 18 anos&amp;amp;nbsp; &amp;amp;nbsp;antes de lançar seu primeiro CD: “Mundo Cão”.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:115%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;Depois da estreia em 2003 vieram “Árbitro da Própria Vida”, em 2006, “Pedagogia da Dominação”, em 2013, e “Precisamos nos armar de Informação”, em 2015. Repper Fiell prepara seu quinto CD, que está previsto para ser lançado em 2020. Sua carreira artística inclui ainda o curta metragem “788” – filme premiado nos festivais “Favela É Isso Aí”, de Belo Horizonte (MG), e “Câmara Mundo”, da Holanda --, clips de sucesso, como “Chamada a cobrar”, e o livro “[[Da_favela_para_as_favelas_(livro)|Da&amp;amp;nbsp;Favela&amp;amp;nbsp;para as Favelas]]&amp;quot;.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:115%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;Nascido em 29 de maio de 1979, a transformação de Emerson em Fiell ocorreu lentamente. Tudo começou depois de um programa de TV. Era fim dos anos 1980, o menino tinha uns 10 anos e o movimento Hip-Hop acabara de desembarcar no Brasil. À época, os jovens da periferia de São Paulo se reuniam na Galeria 24 de Maio e na estação São Bento do metrô para ouvir o som que ecoava do Bronx – o bairro novaiorquino que virou o berço do Hip-Hop nos anos 1970, nos Estados Unidos.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:115%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;Aquela mistura de ritmo e poesia com crítica social mudou a vida de Emerson. O RAP virou sua escola, se transformou em religião e passou a ser sua filosofia de vida. Foi amor à primeira vista. Aos 18 anos, já vivendo com uma tia (Dona Luzia), na favela Cidade de Deus, em Jacarepaguá, na zona Oeste do Rio de Janeiro, Emerson ouviu, pela primeira vez, uma fita cassete dos Racionais MCs nos anos 90.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:115%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;O grupo paulista acabara de lançar o CD “Sobrevivendo no Inferno”, que falava de violência policial, da vida nas prisões, do tráfico, do racismo.&amp;amp;nbsp; Inspirado naquele som, que parecia a revanche dos excluídos, Emerson não parou mais de criar rimas feitas através do seu olhar de jovem negro, nordestino e imigrante.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:115%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;Depois de trabalhar como entregador de farmácia e ajudante de cozinha, virou lavador de carro. O dono da concessionária onde trabalhava cedeu uma casa para Fielll morar em Jacarepaguá – não demorou muito para o endereço virar o ponto de encontro dos rappers da cidade. Emerson foi submergindo à medida que Fiell crescia como artista, músico e articulador do movimento Hip-Hop carioca.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:115%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;A guinada final ocorreu em 2006, quando Fiell mudou-se para o Morro [[Favela_Santa_Marta|Santa Marta]], em Botafogo, na zona Sul carioca. O braço esquerdo ganhou uma tatuagem gigante com o rosto de Malcolm X – um dos maiores defensores do nacionalismo negro nos Estados Unidos. Profissionalmente, Emerson virou Repper, ao invés de Rapper, como se autodenominam os americanos – ele decidiu abrasileirar o nome valorizando o Repente, o improviso cantado, alternado por dois cantores, que passou a infância ouvindo. Seu avô era repentista. O jovem negro, nordestino e imigrante ganhava um novo predicado: Fiell, o repper militante.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:115%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;Em 2007, Fiell lançou o projeto cultural Hip-Hop Santa Marta – evento que junta artistas da própria favela, de diferentes bairros da cidade e até de outros estados. Desde então, o encontro vem sendo produzido pelo coletivo de Hip-Hop, Cinema, Comunicação Popular e Direitos Humanos Visão da Favela Brasil, coordenado pelo repper militante.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:115%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;No ano seguinte, com a entrada em operação da primeira Polícia Pacificadora (UPP) no morro Santa Marta, teve início uma sucessão de violações de direitos humanos na favela. Fiell escreveu “[[Cartilha_de_abordagem_policial_no_Santa_Marta|Cartilha de Abordagem Policial]]” – um livreto que ganhou versão em inglês e foi fundamental para garantir os direitos dos moradores e reduzir os abusos contra a população local perpetrada pela equipe da UPP.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:115%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;Em 2010, Fiell lançou a [[Rádio_Comunitária_do_Morro_Santa_Marta|Rádio Comunitária Santa Marta]]. No ano seguinte, a rádio saiu do ar, quando Fiell e o amigo Peixe foram detidos pela polícia federal porque a rádio não tinha outorga, ou seja, autorização para funcionar.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:115%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;Repper Fiell é casado com a pedagoga Márcia Aguiar e pai de Sofia Aguiar Nascimento, de 5 anos de idade.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>LuisaSantiago</name></author>
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		<title>Emerson Claudio Nascimento dos Santos, o Repper Fiell</title>
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		<updated>2020-03-11T15:04:15Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;LuisaSantiago: Criou página com &amp;#039;&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;#039;&amp;#039;&amp;#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;Por Núcleo Piratininga de Comunicação&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;#039;&amp;#039;&amp;#039;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-si...&amp;#039;&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;Por Núcleo Piratininga de Comunicação&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&#039;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:115%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;[[File:Fiell.jpeg|right|upright]]Às vésperas de completar a maioridade, Repper Fiell, como o paraibano Emerson Claudio Nascimento dos Santos é conhecido no movimento Hip-Hop, nasceu no bairro de Monte Castelo, na zona Leste de Campina Grande, na Paraíba. De uma família de quatro irmãos – ele é o caçula dos filhos homens, Emerson assumiu o nome artístico Fiell aos 18 anos&amp;amp;nbsp; &amp;amp;nbsp;antes de lançar seu primeiro CD: “Mundo Cão”.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:115%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;Depois da estreia em 2003 vieram “Árbitro da Própria Vida”, em 2006, “Pedagogia da Dominação”, em 2013, e “Precisamos nos armar de Informação”, em 2015. Repper Fiell prepara seu quinto CD, que está previsto para ser lançado em 2020. Sua carreira artística inclui ainda o curta metragem “788” – filme premiado nos festivais “Favela É Isso Aí”, de Belo Horizonte (MG), e “Câmara Mundo”, da Holanda --, clips de sucesso, como “Chamada a cobrar”, e o livro “[[Media:Da_favela_para_as_favelas_(livro)|Da&amp;amp;nbsp;Favela&amp;amp;nbsp;para as Favelas]]&amp;quot;.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:115%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;Nascido em 29 de maio de 1979, a transformação de Emerson em Fiell ocorreu lentamente. Tudo começou depois de um programa de TV. Era fim dos anos 1980, o menino tinha uns 10 anos e o movimento Hip-Hop acabara de desembarcar no Brasil. À época, os jovens da periferia de São Paulo se reuniam na Galeria 24 de Maio e na estação São Bento do metrô para ouvir o som que ecoava do Bronx – o bairro novaiorquino que virou o berço do Hip-Hop nos anos 1970, nos Estados Unidos.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:115%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;Aquela mistura de ritmo e poesia com crítica social mudou a vida de Emerson. O RAP virou sua escola, se transformou em religião e passou a ser sua filosofia de vida. Foi amor à primeira vista. Aos 18 anos, já vivendo com uma tia (Dona Luzia), na favela Cidade de Deus, em Jacarepaguá, na zona Oeste do Rio de Janeiro, Emerson ouviu, pela primeira vez, uma fita cassete dos Racionais MCs nos anos 90.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:115%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;O grupo paulista acabara de lançar o CD “Sobrevivendo no Inferno”, que falava de violência policial, da vida nas prisões, do tráfico, do racismo.&amp;amp;nbsp; Inspirado naquele som, que parecia a revanche dos excluídos, Emerson não parou mais de criar rimas feitas através do seu olhar de jovem negro, nordestino e imigrante.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:115%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;Depois de trabalhar como entregador de farmácia e ajudante de cozinha, virou lavador de carro. O dono da concessionária onde trabalhava cedeu uma casa para Fielll morar em Jacarepaguá – não demorou muito para o endereço virar o ponto de encontro dos rappers da cidade. Emerson foi submergindo à medida que Fiell crescia como artista, músico e articulador do movimento Hip-Hop carioca.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:115%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;A guinada final ocorreu em 2006, quando Fiell mudou-se para o Morro [[Favela_Santa_Marta|Santa Marta]], em Botafogo, na zona Sul carioca. O braço esquerdo ganhou uma tatuagem gigante com o rosto de Malcolm X – um dos maiores defensores do nacionalismo negro nos Estados Unidos. Profissionalmente, Emerson virou Repper, ao invés de Rapper, como se autodenominam os americanos – ele decidiu abrasileirar o nome valorizando o Repente, o improviso cantado, alternado por dois cantores, que passou a infância ouvindo. Seu avô era repentista. O jovem negro, nordestino e imigrante ganhava um novo predicado: Fiell, o repper militante.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:115%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;Em 2007, Fiell lançou o projeto cultural Hip-Hop Santa Marta – evento que junta artistas da própria favela, de diferentes bairros da cidade e até de outros estados. Desde então, o encontro vem sendo produzido pelo coletivo de Hip-Hop, Cinema, Comunicação Popular e Direitos Humanos Visão da Favela Brasil, coordenado pelo repper militante.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:115%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;No ano seguinte, com a entrada em operação da primeira Polícia Pacificadora (UPP) no morro Santa Marta, teve início uma sucessão de violações de direitos humanos na favela. Fiell escreveu “[[Media:Cartilha_de_abordagem_policial_no_Santa_Marta|Cartilha de Abordagem Policial]]” – um livreto que ganhou versão em inglês e foi fundamental para garantir os direitos dos moradores e reduzir os abusos contra a população local perpetrada pela equipe da UPP.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:115%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;Em 2010, Fiell lançou a [[Rádio_Comunitária_do_Morro_Santa_Marta|Rádio Comunitária Santa Marta]]. No ano seguinte, a rádio saiu do ar, quando Fiell e o amigo Peixe foram detidos pela polícia federal porque a rádio não tinha outorga, ou seja, autorização para funcionar.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:115%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;Repper Fiell é casado com a pedagoga Márcia Aguiar e pai de Sofia Aguiar Nascimento, de 5 anos de idade.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>LuisaSantiago</name></author>
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		<title>Arquivo:Fiell.jpeg</title>
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		<updated>2020-03-11T15:02:53Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;LuisaSantiago: Repper Fiell&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;== Descrição do arquivo ==&lt;br /&gt;
Repper Fiell&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>LuisaSantiago</name></author>
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		<title>Gizele Martins, uma comunicadora mareense</title>
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		<updated>2020-03-11T14:55:09Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;LuisaSantiago: Criou página com &amp;#039; &amp;lt;span style=&amp;quot;background:white&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:#222222&amp;quot;&amp;gt;upright&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;#039;&amp;#039;&amp;#039;Por Núcleo Pirati...&amp;#039;&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;span style=&amp;quot;background:white&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:#222222&amp;quot;&amp;gt;[[File:Gizelemartins.jpeg|right|upright]]&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&#039;Por Núcleo Piratininga de Comunicação&#039;&#039;&#039;&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;span style=&amp;quot;background:white&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:#222222&amp;quot;&amp;gt;A história da família de Gizele Martins é semelhante à de muitos brasileiros que saíram do Nordeste em busca de melhores condições de vida nas cidades grandes do Sul/Sudeste. Seus bisavós, paraibanos, vieram para o Rio de Janeiro movidos pelo sonho e pela necessidade de achar um emprego. Acabaram chegando ao local em que hoje fica a Baixa do Sapateiro, no conjunto de favelas da Maré, no tempo de construção da Avenida Brasil. Seu avô, empregado em uma fábrica, morreu atropelado na grande via, quando ainda não tinha passarela.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;br/&amp;gt; &amp;lt;br/&amp;gt; &amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:#222222&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;background:white&amp;quot;&amp;gt;Hoje já são cerca de cem parentes espalhados pelas 16 favelas mareenses. “Fico imaginando o que significa para essa gente ver esse local crescendo tanto, lotado de casas e de pessoas. Foram eles que construíram os primeiros barracos, viram a favela ser aterrada e ganhar um nome. Hoje a Maré é gigantesca, cheia de problemas, mas também repleta de coisas boas e de melhorias. Isso é resultado de muita mobilização desses moradores, que lutavam por caixa d’água, postes de luz, meios de transporte”, avalia Gizele. Ela conta que inclusive tem um tio artista, Dito Félix, muito conhecido na história da Maré. Ele foi radialista e responsável por manter o vínculo com a música e a cultura nordestina.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;br/&amp;gt; &amp;lt;br/&amp;gt; &amp;lt;span style=&amp;quot;background:white&amp;quot;&amp;gt;Em 22 de julho de 1985 nasceu Gizele, no Hospital Geral de Bonsucesso. Sua mãe tinha apenas 16 anos. Estava sozinha em casa, resolveu soltar pipa, levou um tombo e entrou em trabalho de parto prematuro, o que resultou nos problemas respiratórios que carrega até hoje. Como a mãe era muito nova, a menina acabou sendo criada pela avó, que trabalhava como diarista. Na verdade, acabou sendo criada por um grupo de pessoas. “Muitas vezes era minha tia quem cuidava de mim. Tinha ainda um revezamento entre as vizinhas e as próprias professoras, até o horário de minha avó chegar do trabalho. Posso dizer que foi uma criação coletiva, de comunidade, e que pude contar com a proteção e o cuidado da favela”.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;br/&amp;gt; &amp;lt;br/&amp;gt; &#039;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:13.5pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;background:white&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:115%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:#222222&amp;quot;&amp;gt;‘A melhor escola da vida’&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&#039;&amp;lt;br/&amp;gt; &amp;lt;br/&amp;gt; &amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:#222222&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;background:white&amp;quot;&amp;gt;Gizele lembra com carinho do tempo em que fez o antigo C.A. (Classe de Alfabetização, atual 1º ano do ensino fundamental) no CIEP Elis Regina. Lá o ensino era não apenas de tempo integral, mas também, na sua opinião, completo. Isso porque, além dos conteúdos que precisava adquirir, ela se alimentava, frequentava a biblioteca infantil e a cinemateca, além de participar das brincadeiras e dos debates em sala. Havia ainda o cuidado com a sala de aula, que ficava sob a responsabilidade das crianças. Também cuidavam uns dos outros, compartilhando materiais quando algo faltava e aprendendo a conservar bem os livros, pois sabiam que no ano seguinte eles seriam passados a outros estudantes. “Foi a escola que me ensinou a coletividade”, afirma.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;br/&amp;gt; &amp;lt;br/&amp;gt; &amp;lt;span style=&amp;quot;background:white&amp;quot;&amp;gt;Quando Gizele tinha 14 anos e cursava a sexta série, a mãe faleceu. Teve que cuidar dos irmãos e ajudar a avó financeiramente. Além de estudar e ajudar em casa, passou a trabalhar com telemarketing à noite. &amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;br/&amp;gt; &amp;lt;br/&amp;gt; &amp;lt;span style=&amp;quot;background:white&amp;quot;&amp;gt;Já no antigo segundo grau, foi para a escola estadual Olga Benário Prestes, onde sentiu o impacto da ausência do Estado brasileiro na garantia de direitos básicos, como o da educação. Além dos problemas na estrutura das escolas, passou meses sem aula devido à greve dos professores da rede pública, com baixos salários e péssimas condições de trabalho. Foi então que conheceu, a convite de uma amiga, o curso de pré-vestibular comunitário do Centro de Estudos e Ações Solidárias da Maré (CEASM). Descobriu que, ao contrário do que diziam para ela até então, pobre também podia fazer faculdade.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;br/&amp;gt; &amp;lt;br/&amp;gt; &#039;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:13.5pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;background:white&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:115%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:#222222&amp;quot;&amp;gt;O encontro com o jornal ‘O Cidadão’&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&#039;&amp;lt;br/&amp;gt; &amp;lt;br/&amp;gt; &amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:#222222&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;background:white&amp;quot;&amp;gt;Tentou diversas vezes o vestibular, mas precisava lutar contra a insegurança e a baixa auto-estima. Foi no CEASM, que frequentava de domingo a domingo, que conheceu o jornal comunitário “O cidadão”, da Maré. Logo entrou para a equipe, entendendo que todo mundo pode ser comunicador comunitário, sem precisar de formação para isso. Foi quando começou a desenvolver a habilidade e a afinidade com o texto escrito.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;br/&amp;gt; &amp;lt;br/&amp;gt; &amp;lt;span style=&amp;quot;background:white&amp;quot;&amp;gt;Sua primeira tarefa no jornal foi a seção “Boca no trombone”, uma editoria dedicada às denúncias dos moradores. Precisava, então, rodar a Maré toda, conversar com todo mundo, ouvir suas reclamações e publicá-las, sempre chamando a responsabilidade da Associação de Moradores, CEDAE, Light, Prefeitura... “Foi aí que surgiu a paixão pelo jornalismo. Foi aí também que pude circular pelos becos e vielas da Maré, conhecer melhor o lugar onde sempre morei e a riqueza das histórias daquelas pessoas. Era tudo muito bem diferente do que ouvia pela mídia”, lembra. Ficou evidente, para ela, a importância da comunicação comunitária como uma forma de, além das denúncias, valorizar essas localidades.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;br/&amp;gt; &amp;lt;br/&amp;gt; &amp;lt;span style=&amp;quot;background:white&amp;quot;&amp;gt;Foi nessa época que conheceu o Núcleo Piratininga de Comunicação (NPC), por meio do Leon Diniz, professor de geografia do CEAT e do pré-vestibular popular do CEASM. Fez o curso de comunicação popular do NPC, e aí começou o contato com os movimentos sociais e com livros de esquerda. Durante as aulas, conversava e via a importância de pautas pela educação e saúde públicas, violência policial, sindicatos, ocupações urbanas, direito à moradia e, claro, a favela para além dos estereótipos.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;br/&amp;gt; &amp;lt;br/&amp;gt; &#039;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:13.5pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;background:white&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:115%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:#222222&amp;quot;&amp;gt;Experiência universitária: episódios de preconceito&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&#039;&amp;lt;br/&amp;gt; &amp;lt;br/&amp;gt; &amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:#222222&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;background:white&amp;quot;&amp;gt;Depois de três anos e meio de pré-vestibular, foi aprovada para jornalismo na PUC e Letras na UERJ. Como o curso da estadual era o dia inteiro, e Gizele ainda precisava ajudar em casa, acabou optando por comunicação social na PUC, cujo horário era diurno (7h às 13h). A primeira dificuldade: a matrícula, que custava o valor da mensalidade – na época mais de mil reais. Depois de uma série de dificuldades, conseguiu apoio do vice-reitor de assuntos comunitários para cobrir esse gasto. &amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;br/&amp;gt; &amp;lt;br/&amp;gt; &amp;lt;span style=&amp;quot;background:white&amp;quot;&amp;gt;Na PUC, a convivência com os outros alunos e os professores não foi fácil. A desigualdade de renda e a diferença de oportunidades resultavam em obstáculos durante o curso. Tinha professor, por exemplo, que só passava textos e filmes em inglês. Já outros, em reuniões de pauta, sempre incluíam a favela na editoria da segurança pública, ao que Gizele sempre questionava. “Favela é perfil, é música, é cultura, educação, transporte, cidade, memória... É muita coisa. O que vocês estão fazendo é racismo”, costumava responder.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;br/&amp;gt; &amp;lt;br/&amp;gt; &amp;lt;span style=&amp;quot;background:white&amp;quot;&amp;gt;Dos episódios de preconceito vividos ali, um, que ocorreu perto de se formar, ficaria marcado em sua memória e na história da universidade. Na disciplina “Laboratório de jornalismo impresso”, o trabalho final era uma grande reportagem sobre temas que sensibilizavam os alunos. A cada aula a pauta era debatida em conjunto, e Gizele decidiu tratar do direito à moradia e das remoções que estavam ocorrendo na cidade. Além das vítimas, pesquisadores e representantes da Prefeitura foram entrevistados.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;br/&amp;gt; &amp;lt;br/&amp;gt; &amp;lt;span style=&amp;quot;background:white&amp;quot;&amp;gt;O trabalho foi entregue no dia marcado. Dias depois, como retorno, um balde de água fria. A professora, Marília Martins, disse que Gizele não merecia se formar com um diploma da PUC-Rio, porque defendia invasores e criminosos. O máximo que merecia era uma “cadeia de luxo”. Esse acontecimento teve grande repercussão:&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;background:white&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:#1155cc&amp;quot;&amp;gt;notas de repúdio na época circularam&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;background:white&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:#222222&amp;quot;&amp;gt;, inclusive pela chamada “grande mídia”.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;br/&amp;gt; &amp;lt;br/&amp;gt; &amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:#222222&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;background:white&amp;quot;&amp;gt;Os alunos da disciplina se mostraram solidários. Uma rede de apoio logo foi formada, para divulgar o caso, prestar solidariedade a Gizele e incentivá-la a não desistir de concluir o curso. “Nesses últimos seis meses, não fiquei um momento sequer sozinha na PUC”, lembra. Com seis meses de atraso, foi aprovada com um trabalho de conclusão sobre a cobertura dos casos de assassinato de Matheus Rodrigues Carvalho, de 8 anos, e Felipe Correia de Lima, 17 anos, na Maré. Na monografia, ela analisou a cobertura do jornal comunitário “O cidadão” em contraponto à criminalização das vítimas lida em jornais de grande circulação, como o “Extra”.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;br/&amp;gt; &amp;lt;br/&amp;gt; &#039;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:13.5pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;background:white&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:115%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:#222222&amp;quot;&amp;gt;Entre as violações, o sindicato e a militância&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&#039;&amp;lt;br/&amp;gt; &amp;lt;br/&amp;gt; &amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:#222222&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;background:white&amp;quot;&amp;gt;Hoje Gizele trabalha na Comissão de Direitos Humanos da Alerj, fazendo atendimento a quem sofre violação de direitos. Sempre procura transmitir sensibilidade, acolhimento e confiança, pois acaba se identificando com muitas das histórias que chegam até ela. Também, por ter contato com movimentos sociais de favelas, acaba fazendo uma ponte entre as vítimas e grupos de defesa dos direitos humanos.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;br/&amp;gt; &amp;lt;br/&amp;gt; &amp;lt;span style=&amp;quot;background:white&amp;quot;&amp;gt;Além da atuação em defesa dos direitos humanos, Gizele trabalha como jornalista no Sindicato dos Trabalhadores do Instituto Federal do Rio de Janeiro (Sintifrj), onde exerce sua profissão. Possui, ainda, coluna fixa no jornal “Brasil de Fato”, onde pode abordar os temas de seu interesse. &amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;br/&amp;gt; &amp;lt;br/&amp;gt; &amp;lt;span style=&amp;quot;background:white&amp;quot;&amp;gt;Na Faculdade de Educação da Baixada Fluminense (FEBF), em Duque de Caxias, cursou e concluiu o mestrado pelo Programa de Pós-Graduação em Educação, Cultura e Comunicação em Periferias Urbanas. Finalmente, pôde sentir afinidade com o tema, com os professores e demais alunos. Na dissertação, apresentada em 2018, abordou a censura que a ocupação do Exército impôs aos comunicadores da Maré em 2014, ano de Copa do Mundo. Aprovada com nota máxima, a dissertação foi publicada em livro, intitulado “&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;background:white&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:#1155cc&amp;quot;&amp;gt;Militarização e censura: a luta por liberdade de expressão na favela da Maré&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;background:white&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:#222222&amp;quot;&amp;gt;” (Ed. NPC, 2019).&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;br/&amp;gt; &amp;lt;br/&amp;gt; &amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:#222222&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;background:white&amp;quot;&amp;gt;Debates, palestras, cursos e uma intensa militância em prol da comunicação comunitária. Tudo isso leva Gizele a rodar o Brasil e diversos outros países para falar de temas como favela, luta contra o apartheid, militarização, racismo, mulheres, comunicação, direitos humanos... “Nessas viagens, vi que os problemas não estão só nas favelas do Rio, no Brasil ou na América Latina. Os ataques e violações são mundiais, assim como existe resistência em tudo que é canto. Estar em contato com outros movimentos me traz um alívio imenso porque a gente vê que as lutas são muitas. É preciso internacionalizá-las e divulgá-las”.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;br/&amp;gt; &amp;lt;br/&amp;gt; &amp;lt;span style=&amp;quot;background:white&amp;quot;&amp;gt;E é para isso que Gizele tem dedicado sua vida.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>LuisaSantiago</name></author>
	</entry>
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		<id>https://homologacao2.wikifavelas.com.br/index.php?title=Arquivo:Gizelemartins.jpeg&amp;diff=4545</id>
		<title>Arquivo:Gizelemartins.jpeg</title>
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		<updated>2020-03-11T14:53:32Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;LuisaSantiago: Gizele Martins&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;== Descrição do arquivo ==&lt;br /&gt;
Gizele Martins&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>LuisaSantiago</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://homologacao2.wikifavelas.com.br/index.php?title=Jane_Nascimento:_Antigamente,_era_tudo_mato&amp;diff=4544</id>
		<title>Jane Nascimento: Antigamente, era tudo mato</title>
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		<updated>2020-03-11T14:50:32Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;LuisaSantiago: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&lt;br /&gt;
[[File:Jane.jpeg|right|upright|Jane.jpeg]]&#039;&#039;&#039;Por Núcleo Piratininga de Comunicação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O ano era 1966 quando os pais de Jane Nascimento decidiram se mudar com a família para uma localidade conhecida à época como Vila Cinco, em Jaquarepagá, no Rio de Janeiro. Ela e os irmãos viviam em uma região até então sem muitos vizinhos, onde as pessoas viviam da pesca, agricultura e da caça. Eram tempos mais simples, no limiar de um momento definidor para o destino econômico da Zona Oeste.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Jane tinha então 10 anos, e se lembra da inauguração do primeiro Autódromo de Jacarepaguá, sede de grandes competições: “ Nessa época quem corria lá eram os irmãos Emerson Fittipaldi e Wilson Fittipaldi. Depois houve outras reinaugurações - nessa época ele vivia sendo reformado…”, relembra com precisão. De fato, o antigo autódromo - que não existe mais - foi uma das muitas mudanças estruturais que afetariam drasticamente sua vida e a de toda a população tradicional da região e definiriam a trajetória de Jane.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A mãe trabalhava em casa. Ela e os irmãos mais velhos ajudavam o pai na pesca. Era uma vida toda natural, luz de lampião e fogão a querosene. Para chegar à propriedade da família, só por uma estradinha de chão. Mas isso faz muito tempo. O último vestígio da antiga comunidade de pescadores que se formou ali - uma casinha de palafita onde se guardavam redes, anzóis, puçás -, foi derrubada nas obras para as Olimpíadas Rio 2016. Com ela, se foi todo um modo de vida em nome de um progresso que mal se vê ali. “Era a única lembrança que a gente tinha de lá, do início de tudo”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Estudar foi um desafio. Não tinha ônibus à época, e uma a uma as irmãs de Jane foram desistindo de ir para a escola com medo de cobras (tinham muitas naquela época), assédio ou coisa pior. Minha irmã já foi seguida por um cara que correu atrás dela, mas eu insisti.” O pai, passou a mandar os irmãos de Jane buscarem ela. Não foi fácil mas deu certo. “Eles ficavam danados por causa disso. No fim, todo mundo voltou pra escola - eles começaram a me ver animada, e começaram a ir.” Ela se lembra de uma série de situações que hoje rendem boas risadas:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Havia caminhões de peão que passavam para ir trabalhar, e quando eles viam mulher jovem caminhando ali, eles faziam barulho, provocavam… gostavam de tocar o terror. Aí eu passei a botar calça jeans, vestir casaco de homem e a botar um facão embainhado”. A, Segundo ela, era se disfarçar e, se preciso, ter com o que se defender. Mas nunca foi necessário uma atitude drástica - sinal de que o disfarce funcionou. “As vezes - quando não conseguia esconder o facão no ponto de ônibus - eu levava ele pra escola. Dizia pras pessoas “não briga comigo, não, hein” e mostrava o facão. Me divertia muito com isso.”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A vida profissional da jovem moradora de uma Zona Oeste tradicionalmente rural começou com a descoberta do gosto pela pintura. Pensava em estudar, em comprar material, mas a família era humilde e não podia investir. Até que um dia, o acaso deu uma ajudinha: “Um dia”, relembra, “eu encontrei na rua um dinheirinho - nem era muita coisa, não. Cheguei em casa e perguntei para minha mãe se podia ficar com esse dinheiro para comprar material para pintar”. Dona Josepha concordou, e Jane pode comprar seus primeiros pincéis, tintas e tela e começou a desenvolver pintura em tecido nas sobras dos tecidos que a mãe cozia em casa. “Sempre que eu encontrava um pedacinho de tecido dando sopa, eu gostava de ficar ali desenvolvendo.”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Trabalho e coletividade&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Daí, vieram os primeiros trabalhos. E a partir deles, veio despertar nela uma consciência diante de diversos problemas que dificultavam a vida - a dela e a de outros que só queriam trabalhar. Com 28 anos, indo trabalhar em Nova Iguaçu, viu um grupo de jovens, como ela, que andavam desocupados na praça, e decidiu dividir o que sabia de estamparia com eles. Deu certo. “Começou a formar fila pra comprar a camisa. Pessoal ficava “essa é a minha! Essa é a minha!”. “Eu ainda não era de movimento social, mas eu acho que eu já tinha um instinto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;No mesmo período, foi arrumar serviço para um pessoal que rondava os portões do Rio Centro em busca de bicos, e quase se queimou. O patrão não quis pagar o combinado a ela. “Eu pensei: Como eu vou sair dessa, agora?”. Ficou sem alternativa que não fazer um escândalo. Juntou todos os colegas para quem ela tinha conseguido trabalho, esperaram a feira começar, e quando o pavilhão lotou, começaram a manifestação.&amp;amp;nbsp; “Eu cheguei na entrada principal e falei “estou procurando o japonês!”, e o pessoal repetindo! “Ele precisa pagar esse pessoal!” - e o pessoal repetindo tudo o que eu falava”. Também acabou dando certo, e no fim, todos receberam.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;“A gente é egoísta, né? A gente pensa muito na gente: a gente quer crescer; quer vencer… Eu reconheço que a gente precisa pensar na gente, também. Mas dividir um pouquinho, né? Se cada um achasse uma forma de ocupar as outras pessoas que estão sem nada na vida pra desenrolar, acho que o mundo estaria um pouco melhor, entendeu?”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Nesse momento, entra Sheila no NPC, exibindo a barriga de cinco, quase seis meses de gravidez. Jane não pode evitar de interromper a conversa quando a vê:&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
*Tá bonita! Tá de quantos meses? &lt;br /&gt;
*Tô de cinco, vou entrar no sexto. &lt;br /&gt;
*A família crescendo, né, Claudinha? &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“A Sheila foi muito importante na luta, pra gente [Vila Autódromo]. Ela acompanhou as principais reuniões nossas na prefeitura. Quando a gente [associação de moradores] ia, eu vinha na Claudia e pedia socorro, e a Claudinha mandava Sheila.” Ela se lembra dos anos de embate com a prefeitura pelo direito de morar onde sempre morou, na Vila Autódromo, em vista das remoções que o governo estava realizando para efetuar obras relativas aos Jogos Olímpicos de 2016 que aconteceriam na cidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Vila Autódromo&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo o site Museu das Remoções e a própria Jane, a &amp;lt;span style=&amp;quot;color:#222222&amp;quot;&amp;gt;Vila Autódromo teve sua origem nos anos 1960, como colônia de pescadores estabelecida às margens da Lagoa de Jacarepaguá. Na década seguinte, a população cresceu em vista das oportunidades de trabalho na construção das grandes obras na região, como o Riocentro e o Autódromo de Jacarepaguá – que inspirou o nome da comunidade.&amp;lt;/span&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;margin-bottom:27.0pt; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;background:white&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:#222222&amp;quot;&amp;gt;A própria prefeitura foi responsável por levar mais gente à comunidade. Houve dois reassentamentos no local - de moradores de comunidades que também sofreram remoções -, feitos pela Secretaria de Habitação: um de moradores da favela Cardoso Fontes, e outro de alguns moradores da Cidade de Deus.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-bottom:27.0pt; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;Nos anos 1980, os moradores construíram uma associação, e fez um esforço para regularizar serviços fundamentais que até então eram negados aquelas pessoas: água e esgoto, luz elétrica, gás, telefone. O governo de Leonel Brizola (PDT 1991-1994) iniciou um programa de regularização fundiária na região.&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
Nos anos 1990, Eduardo Paes começava a integrar o dia a dia daquela população quando foi subprefeito da Barra da Tijuca durante a gestão Cesar Maia. O plano de governo para a região consistia em expulsar os moradores das proximidades do autódromo para explorar o terreno em empreendimentos privados, por sua localização interessante. Ele nunca mais daria sossego.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;span style=&amp;quot;background:white&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:#222222&amp;quot;&amp;gt;Em sua gestão como prefeito na cidade (2009-2016), os grandes eventos esportivos da década estiveram no centro de atenção da gestão. A remoção de comunidades de baixa renda foi uma marca do governo de Paes. Vila Autódromo, onde Jane morava, era uma das quase 120 comunidades a serem reassentadas pelo Município. Mais de 20 mil famílias foram removidas em função da Copa do Mundo 2014 e dos Jogos Olímpicos.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“Eu acho até que ele fez muita coisa - mas fez muita mímica também. Olha só a hora que eu cheguei aqui!” - se referindo ao tempo que levou de sua casa, na Zona Oeste da cidade, até o Núcleo Piratininga, que fica no Centro. “Eu saí de casa quinze para meio dia e cheguei aqui três e pouca. Porque os BRTs que o Eduardo Paes construiu tiraram os ônibus - não só da Colônia, onde eu moro, mas da maioria dos lugares”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;span style=&amp;quot;background:white&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:#222222&amp;quot;&amp;gt;A luta da associação de moradores de Vila Autódromo obteve sucessos, mas ainda assim, mais de 500 famílias foram removidas sob a justificativa da construção do Parque Olímpico, do Centro de Mídia e das reformas de mobilidade urbana. Jane relata como eram os encontros com o governo:&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“O Eduardo Paes nunca gostou que registrasse (as reuniões), então nós de propósito levávamos ela e outros apoiadores nossos, e eles ficavam ali filmando, registrando. Ele (Paes) chegou a mandar parar, mas nós não paramos, não.” Foi onde Sheila e o NPC entraram,&amp;amp;nbsp; cobrindo as reuniões e orientando lideranças sobre como agir nesses espaços intimidatórios.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Jane conheceu o NPC por intermédio de um amigo e também líder comunitário da Vila Autódromo. Ela diz que passou a entender que sua indignação com as injustiça pelas quais passava não eram apenas dela. Eram coletivas, e vinham de muito tempo. “Tudo o que havia dentro que mim mas que eu achava que eu era rebelde, que a minha forma de pensar era ignorante… aí eu comecei a conhecer a luta.”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para ela, a comunicação foi fundamental para dialogar com outros setores da sociedade e buscar apoio - tanto entre outras comunidades atingidas pelo mesmo problema que a Vila, quanto jornais, instituições que pudessem contribuir. “comecei a entender certas coisas e isso foi me dando coragem. Coragem de chegar no morro do Bumba… coragem de pegar um microfone… como chegar até um reunião, como se colocar… isso tudo eu aprendi com o NPC”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ela reclama que a qualidade de vida de quem dependia da pesca e outras atividades que garantiam o sustento &amp;amp;nbsp;caiu muito com a condição imposta pelo Minha Casa Minha Vida. “A Vila Autódromo, como outras comunidades, era agrícola, pesqueira… e as pessoas foram removidas pra dentro de apartamento”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Movimento Social&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“Movimento Social pra mim é a melhor religião do mundo. Por que ele luta por um mundo melhor”. Ela não se lembra de quantos movimentos já participou, mas sua trajetória é longa. Desde quando as filhas entraram para a escola, e ela passou a se envolver no Conselho Escola Comunidade. Até chegar no MUP, já em Vila Autódromo, a história é longa. “São tantos, que não vou lembrar o nome, não. Eu não tenho partido nenhum, eu vou apoiar aquele candidato - por exemplo - que eu sentir que quer o bem”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Atualmente, ela escreve no jornal [[Media:Jornal_Abaixo-assinado_de_Jacarepaguá|&#039;&#039;Abaixo Assinado&#039;&#039;,]] de Jacarepaguá, a convite do editor da folha, feita por moradores da região. Em sua primeira coluna, ela trata da condição de vida que moradores retirados de seus locais de origem. “A gente vai atrás de onde estão os problemas pra divulgar”. Ela, mesma, diz ter diversos problemas de saúde em decorrência do estresse acumulado e do atual endereço, onde relata se sentir uma estranha. “O mundo foi tomado por um sentimento de medo e ódio. E isso tudo vai me adoecendo. Tem hora que eu entro em parafuso dentro do apartamento. Eu me sinto deslocada.”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Amizades&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apesar de tantos problemas, Jane se sente feliz ao encontrar parceiros que lutam pelas mesmas causas que ela, e são verdadeiras na luta. Ela sabe diferenciar quem é quem. “Tirando aqueles oportunistas que acham brechas pra tirar proveito, o resto se salva.” Ela fica emocionada ao relembrar da trajetória de pessoas próximas a ela, que antes sentiam medo e hoje, são verdadeiros líderes, como o ex-presidente da associação de moradores de Vila Autódromo, graças ao encorajamento dela própria. “Eu me lembro que eu chegava nas mesas, pegava o microfone e dava pra ele: “Levanta, vai representar o seu papel! Você tem força e não vai usar?”. E ele passou a falar.”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essas sementes que ela plantou no caminho e que geraram afetos são os frutos que ela carrega pela vida. “Interessante que amizade a gente vai construindo um monte e parece um bonde que vai passando. Elas ficam, mas vão se renovando. Aí a gente volta lá atrás e reencontra as amizades lá de trás”.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>LuisaSantiago</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://homologacao2.wikifavelas.com.br/index.php?title=Jane_Nascimento:_Antigamente,_era_tudo_mato&amp;diff=4543</id>
		<title>Jane Nascimento: Antigamente, era tudo mato</title>
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		<updated>2020-03-11T14:48:23Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;LuisaSantiago: Criou página com &amp;#039; upright&amp;#039;&amp;#039;&amp;#039;Por Núcleo Piratininga de Comunicação&amp;#039;&amp;#039;&amp;#039;  O ano era 1966 quando os pais de Jane Nascimento decidiram se mudar com a família para uma lo...&amp;#039;&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&lt;br /&gt;
[[File:Jane.jpeg|right|upright]]&#039;&#039;&#039;Por Núcleo Piratininga de Comunicação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O ano era 1966 quando os pais de Jane Nascimento decidiram se mudar com a família para uma localidade conhecida à época como Vila Cinco, em Jaquarepagá, no Rio de Janeiro. Ela e os irmãos viviam em uma região até então sem muitos vizinhos, onde as pessoas viviam da pesca, agricultura e da caça. Eram tempos mais simples, no limiar de um momento definidor para o destino econômico da Zona Oeste.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Jane tinha então 10 anos, e se lembra da inauguração do primeiro Autódromo de Jacarepaguá, sede de grandes competições: “ Nessa época quem corria lá eram os irmãos Emerson Fittipaldi e Wilson Fittipaldi. Depois houve outras reinaugurações - nessa época ele vivia sendo reformado…”, relembra com precisão. De fato, o antigo autódromo - que não existe mais - foi uma das muitas mudanças estruturais que afetariam drasticamente sua vida e a de toda a população tradicional da região e definiriam a trajetória de Jane.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A mãe trabalhava em casa. Ela e os irmãos mais velhos ajudavam o pai na pesca. Era uma vida toda natural, luz de lampião e fogão a querosene. Para chegar à propriedade da família, só por uma estradinha de chão. Mas isso faz muito tempo. O último vestígio da antiga comunidade de pescadores que se formou ali - uma casinha de palafita onde se guardavam redes, anzóis, puçás -, foi derrubada nas obras para as Olimpíadas Rio 2016. Com ela, se foi todo um modo de vida em nome de um progresso que mal se vê ali. “Era a única lembrança que a gente tinha de lá, do início de tudo”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Estudar foi um desafio. Não tinha ônibus à época, e uma a uma as irmãs de Jane foram desistindo de ir para a escola com medo de cobras (tinham muitas naquela época), assédio ou coisa pior. Minha irmã já foi seguida por um cara que correu atrás dela, mas eu insisti.” O pai, passou a mandar os irmãos de Jane buscarem ela. Não foi fácil mas deu certo. “Eles ficavam danados por causa disso. No fim, todo mundo voltou pra escola - eles começaram a me ver animada, e começaram a ir.” Ela se lembra de uma série de situações que hoje rendem boas risadas:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Havia caminhões de peão que passavam para ir trabalhar, e quando eles viam mulher jovem caminhando ali, eles faziam barulho, provocavam… gostavam de tocar o terror. Aí eu passei a botar calça jeans, vestir casaco de homem e a botar um facão embainhado”. A, Segundo ela, era se disfarçar e, se preciso, ter com o que se defender. Mas nunca foi necessário uma atitude drástica - sinal de que o disfarce funcionou. “As vezes - quando não conseguia esconder o facão no ponto de ônibus - eu levava ele pra escola. Dizia pras pessoas “não briga comigo, não, hein” e mostrava o facão. Me divertia muito com isso.”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A vida profissional da jovem moradora de uma Zona Oeste tradicionalmente rural começou com a descoberta do gosto pela pintura. Pensava em estudar, em comprar material, mas a família era humilde e não podia investir. Até que um dia, o acaso deu uma ajudinha: “Um dia”, relembra, “eu encontrei na rua um dinheirinho - nem era muita coisa, não. Cheguei em casa e perguntei para minha mãe se podia ficar com esse dinheiro para comprar material para pintar”. Dona Josepha concordou, e Jane pode comprar seus primeiros pincéis, tintas e tela e começou a desenvolver pintura em tecido nas sobras dos tecidos que a mãe cozia em casa. “Sempre que eu encontrava um pedacinho de tecido dando sopa, eu gostava de ficar ali desenvolvendo.”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Trabalho e coletividade&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Daí, vieram os primeiros trabalhos. E a partir deles, veio despertar nela uma consciência diante de diversos problemas que dificultavam a vida - a dela e a de outros que só queriam trabalhar. Com 28 anos, indo trabalhar em Nova Iguaçu, viu um grupo de jovens, como ela, que andavam desocupados na praça, e decidiu dividir o que sabia de estamparia com eles. Deu certo. “Começou a formar fila pra comprar a camisa. Pessoal ficava “essa é a minha! Essa é a minha!”. “Eu ainda não era de movimento social, mas eu acho que eu já tinha um instinto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;No mesmo período, foi arrumar serviço para um pessoal que rondava os portões do Rio Centro em busca de bicos, e quase se queimou. O patrão não quis pagar o combinado a ela. “Eu pensei: Como eu vou sair dessa, agora?”. Ficou sem alternativa que não fazer um escândalo. Juntou todos os colegas para quem ela tinha conseguido trabalho, esperaram a feira começar, e quando o pavilhão lotou, começaram a manifestação.&amp;amp;nbsp; “Eu cheguei na entrada principal e falei “estou procurando o japonês!”, e o pessoal repetindo! “Ele precisa pagar esse pessoal!” - e o pessoal repetindo tudo o que eu falava”. Também acabou dando certo, e no fim, todos receberam.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;“A gente é egoísta, né? A gente pensa muito na gente: a gente quer crescer; quer vencer… Eu reconheço que a gente precisa pensar na gente, também. Mas dividir um pouquinho, né? Se cada um achasse uma forma de ocupar as outras pessoas que estão sem nada na vida pra desenrolar, acho que o mundo estaria um pouco melhor, entendeu?”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Nesse momento, entra Sheila no NPC, exibindo a barriga de cinco, quase seis meses de gravidez. Jane não pode evitar de interromper a conversa quando a vê:&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
*Tá bonita! Tá de quantos meses? &lt;br /&gt;
*Tô de cinco, vou entrar no sexto. &lt;br /&gt;
*A família crescendo, né, Claudinha? &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“A Sheila foi muito importante na luta, pra gente [Vila Autódromo]. Ela acompanhou as principais reuniões nossas na prefeitura. Quando a gente [associação de moradores] ia, eu vinha na Claudia e pedia socorro, e a Claudinha mandava Sheila.” Ela se lembra dos anos de embate com a prefeitura pelo direito de morar onde sempre morou, na Vila Autódromo, em vista das remoções que o governo estava realizando para efetuar obras relativas aos Jogos Olímpicos de 2016 que aconteceriam na cidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Vila Autódromo&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo o site Museu das Remoções e a própria Jane, a &amp;lt;span style=&amp;quot;color:#222222&amp;quot;&amp;gt;Vila Autódromo teve sua origem nos anos 1960, como colônia de pescadores estabelecida às margens da Lagoa de Jacarepaguá. Na década seguinte, a população cresceu em vista das oportunidades de trabalho na construção das grandes obras na região, como o Riocentro e o Autódromo de Jacarepaguá – que inspirou o nome da comunidade.&amp;lt;/span&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;margin-bottom:27.0pt; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;background:white&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:#222222&amp;quot;&amp;gt;A própria prefeitura foi responsável por levar mais gente à comunidade. Houve dois reassentamentos no local - de moradores de comunidades que também sofreram remoções -, feitos pela Secretaria de Habitação: um de moradores da favela Cardoso Fontes, e outro de alguns moradores da Cidade de Deus.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-bottom:27.0pt; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;Nos anos 1980, os moradores construíram uma associação, e fez um esforço para regularizar serviços fundamentais que até então eram negados aquelas pessoas: água e esgoto, luz elétrica, gás, telefone. O governo de Leonel Brizola (PDT 1991-1994) iniciou um programa de regularização fundiária na região.&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
Nos anos 1990, Eduardo Paes começava a integrar o dia a dia daquela população quando foi subprefeito da Barra da Tijuca durante a gestão Cesar Maia. O plano de governo para a região consistia em expulsar os moradores das proximidades do autódromo para explorar o terreno em empreendimentos privados, por sua localização interessante. Ele nunca mais daria sossego.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;span style=&amp;quot;background:white&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:#222222&amp;quot;&amp;gt;Em sua gestão como prefeito na cidade (2009-2016), os grandes eventos esportivos da década estiveram no centro de atenção da gestão. A remoção de comunidades de baixa renda foi uma marca do governo de Paes. Vila Autódromo, onde Jane morava, era uma das quase 120 comunidades a serem reassentadas pelo Município. Mais de 20 mil famílias foram removidas em função da Copa do Mundo 2014 e dos Jogos Olímpicos.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“Eu acho até que ele fez muita coisa - mas fez muita mímica também. Olha só a hora que eu cheguei aqui!” - se referindo ao tempo que levou de sua casa, na Zona Oeste da cidade, até o Núcleo Piratininga, que fica no Centro. “Eu saí de casa quinze para meio dia e cheguei aqui três e pouca. Porque os BRTs que o Eduardo Paes construiu tiraram os ônibus - não só da Colônia, onde eu moro, mas da maioria dos lugares”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;span style=&amp;quot;background:white&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:#222222&amp;quot;&amp;gt;A luta da associação de moradores de Vila Autódromo obteve sucessos, mas ainda assim, mais de 500 famílias foram removidas sob a justificativa da construção do Parque Olímpico, do Centro de Mídia e das reformas de mobilidade urbana. Jane relata como eram os encontros com o governo:&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“O Eduardo Paes nunca gostou que registrasse (as reuniões), então nós de propósito levávamos ela e outros apoiadores nossos, e eles ficavam ali filmando, registrando. Ele (Paes) chegou a mandar parar, mas nós não paramos, não.” Foi onde Sheila e o NPC entraram,&amp;amp;nbsp; cobrindo as reuniões e orientando lideranças sobre como agir nesses espaços intimidatórios.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Jane conheceu o NPC por intermédio de um amigo e também líder comunitário da Vila Autódromo. Ela diz que passou a entender que sua indignação com as injustiça pelas quais passava não eram apenas dela. Eram coletivas, e vinham de muito tempo. “Tudo o que havia dentro que mim mas que eu achava que eu era rebelde, que a minha forma de pensar era ignorante… aí eu comecei a conhecer a luta.”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para ela, a comunicação foi fundamental para dialogar com outros setores da sociedade e buscar apoio - tanto entre outras comunidades atingidas pelo mesmo problema que a Vila, quanto jornais, instituições que pudessem contribuir. “comecei a entender certas coisas e isso foi me dando coragem. Coragem de chegar no morro do Bumba… coragem de pegar um microfone… como chegar até um reunião, como se colocar… isso tudo eu aprendi com o NPC”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ela reclama que a qualidade de vida de quem dependia da pesca e outras atividades que garantiam o sustento &amp;amp;nbsp;caiu muito com a condição imposta pelo Minha Casa Minha Vida. “A Vila Autódromo, como outras comunidades, era agrícola, pesqueira… e as pessoas foram removidas pra dentro de apartamento”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Movimento Social&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“Movimento Social pra mim é a melhor religião do mundo. Por que ele luta por um mundo melhor”. Ela não se lembra de quantos movimentos já participou, mas sua trajetória é longa. Desde quando as filhas entraram para a escola, e ela passou a se envolver no Conselho Escola Comunidade. Até chegar no MUP, já em Vila Autódromo, a história é longa. “São tantos, que não vou lembrar o nome, não. Eu não tenho partido nenhum, eu vou apoiar aquele candidato - por exemplo - que eu sentir que quer o bem”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Atualmente, ela escreve no jornal &#039;&#039;Abaixo Assinado&#039;&#039;, de Jacarepaguá, a convite do editor da folha, feita por moradores da região. Em sua primeira coluna, ela trata da condição de vida que moradores retirados de seus locais de origem. “A gente vai atrás de onde estão os problemas pra divulgar”. Ela, mesma, diz ter diversos problemas de saúde em decorrência do estresse acumulado e do atual endereço, onde relata se sentir uma estranha. “O mundo foi tomado por um sentimento de medo e ódio. E isso tudo vai me adoecendo. Tem hora que eu entro em parafuso dentro do apartamento. Eu me sinto deslocada.”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Amizades&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apesar de tantos problemas, Jane se sente feliz ao encontrar parceiros que lutam pelas mesmas causas que ela, e são verdadeiras na luta. Ela sabe diferenciar quem é quem. “Tirando aqueles oportunistas que acham brechas pra tirar proveito, o resto se salva.” Ela fica emocionada ao relembrar da trajetória de pessoas próximas a ela, que antes sentiam medo e hoje, são verdadeiros líderes, como o ex-presidente da associação de moradores de Vila Autódromo, graças ao encorajamento dela própria. “Eu me lembro que eu chegava nas mesas, pegava o microfone e dava pra ele: “Levanta, vai representar o seu papel! Você tem força e não vai usar?”. E ele passou a falar.”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essas sementes que ela plantou no caminho e que geraram afetos são os frutos que ela carrega pela vida. “Interessante que amizade a gente vai construindo um monte e parece um bonde que vai passando. Elas ficam, mas vão se renovando. Aí a gente volta lá atrás e reencontra as amizades lá de trás”.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>LuisaSantiago</name></author>
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		<title>Arquivo:Jane.jpeg</title>
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		<updated>2020-03-11T14:47:29Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;LuisaSantiago: Jane Nascimento&lt;/p&gt;
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&lt;div&gt;== Descrição do arquivo ==&lt;br /&gt;
Jane Nascimento&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>LuisaSantiago</name></author>
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		<id>https://homologacao2.wikifavelas.com.br/index.php?title=Maria_Dalva_da_Silva,_uma_m%C3%A3e_do_Borel_em_busca_por_justi%C3%A7a&amp;diff=4541</id>
		<title>Maria Dalva da Silva, uma mãe do Borel em busca por justiça</title>
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		<updated>2020-03-11T14:42:42Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;LuisaSantiago: &lt;/p&gt;
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[[Media:Chacina_do_Borel|&#039;&#039;&#039;Chacina do Borel&#039;&#039;&#039;]]&lt;br /&gt;
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[[Rede_contra_Violência|&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:normal&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:10.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:#1c1e21&amp;quot;&amp;gt;Rede contra a violência&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;]]&lt;br /&gt;
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		<author><name>LuisaSantiago</name></author>
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		<id>https://homologacao2.wikifavelas.com.br/index.php?title=Maria_Dalva_da_Silva,_uma_m%C3%A3e_do_Borel_em_busca_por_justi%C3%A7a&amp;diff=4540</id>
		<title>Maria Dalva da Silva, uma mãe do Borel em busca por justiça</title>
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		<updated>2020-03-11T14:41:27Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;LuisaSantiago: Criou página com &amp;#039; &amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:10.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot; inherit&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;&amp;quot;=&amp;quot;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:#1c1e21&amp;quot;&amp;gt;upright&amp;lt;...&amp;#039;&lt;/p&gt;
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[[Chacina_do_Borel]]&lt;br /&gt;
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&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:10.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot; inherit&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;&amp;quot;=&amp;quot;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:#1c1e21&amp;quot;&amp;gt;Quando o primogênito Thiago completou 16 anos, a Souza Cruz, que naquele momento já se localizava em Caxias, ofereceu bolsa para filhos de funcionários fazerem um curso técnico, em um programa de “jovem aprendiz”. Foi a chance de ele começar a perseguir o sonho de ser engenheiro mecânico, fazendo cursos no Senai de Caxias, onde estudou por dois anos e meio. Concluído o curso de mecânico, já saiu com carta de recomendação para poder trabalhar.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:10.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot; inherit&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;&amp;quot;=&amp;quot;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:#1c1e21&amp;quot;&amp;gt;Thiago casou e teve uma filha, Gabriela, hoje com 18 anos. No dia 16 de abril de 2003, com 19 anos, enquanto jogava videogame com o irmão, resolveu ir à barbearia cortar o cabelo, pois viajaria no dia seguinte para aproveitar o feriado da Semana Santa. Saiu às seis e meia da tarde, mas não voltou mais. Em casa, Dalva ouviu os tiros e teve uma certeza: Thiago estava morto. Ele e mais três jovens naquele dia foram executados pela polícia.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:10.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot; inherit&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;&amp;quot;=&amp;quot;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:#1c1e21&amp;quot;&amp;gt;Além de Thiago da Costa Correia da Silva, as outras vítimas da Chacina do Borel são Carlos Alberto da Silva Ferreira, Carlos Magno de Oliveira Nascimento e Everson Silote. Foram executados com tiros à queima-roupa por policiais do 6º Batalhão de Polícia. Os assassinatos inicialmente foram registrados como “autos de resistência”, o que é comum nesses casos para “justificar” o ocorrido, tentando transformar as vítimas em possíveis criminosos. A versão inicial era a de que havia tido uma troca de tiros no local. Depois, graças à perícia e ao relato de testemunhas, concluiu-se que os quatro rapazes foram vítimas de uma execução sumária. Apesar disso, dos 16 policiais envolvidos, apenas cinco foram julgados. Hoje estão soltos. Para Dalva, o Judiciário não condena policiais. &amp;quot;Quando os réus são policiais, a demora do julgamento muitas das vezes faz com que os processos sejam arquivados, pois já prescreveram&amp;quot;, denuncia.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&lt;br /&gt;
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[[Rede_contra_Violência|&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:normal&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:10.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot; inherit&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;&amp;quot;=&amp;quot;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:#1c1e21&amp;quot;&amp;gt;Rede contra a violência&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:10.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot; inherit&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;&amp;quot;=&amp;quot;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:#1c1e21&amp;quot;&amp;gt;“Quem matou o meu filho foi o Estado brasileiro. A polícia só apertou o gatilho”, avalia Dalva. Depois de uma semana de luto intenso, ela resolveu ir à luta para provar a inocência do filho e para que casos como esse não continuem ocorrendo. Foi então que se juntou à Associação de Moradores do Borel e a movimentos de familiares de outras vítimas, como as das Chacinas de Acari (1990) e da Candelária (1993).&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:10.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot; inherit&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;&amp;quot;=&amp;quot;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:#1c1e21&amp;quot;&amp;gt;Ali começava sua incansável trajetória para denunciar o que a polícia fazia – e ainda faz – nas favelas do Rio de Janeiro. No ano seguinte, em 2004, esse movimento popular deu origem à Rede de Comunidades e Moradores Contra a Violência. Do grupo participam familiares de vítimas da violência policial, advogados, psicólogos, pesquisadores e demais defensores dos direitos humanos. Dalva atua na Rede até hoje, já que casos como o que vitimou seu filho continuam acontecendo. Hoje, a Rede de Comunidades integra a coordenação do Comitê Estadual para Prevenção e Combate à Tortura, da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). Também conta com o apoio da Anistia Internacional e faz denúncias do Brasil na Organização dos Estados Americanos (OEA).&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:10.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot; inherit&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;&amp;quot;=&amp;quot;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:#1c1e21&amp;quot;&amp;gt;Dalva também lembra a convivência com Marielle Franco, quando esteve à frente da Comissão de Direitos Humanos da Alerj, na época presidida por Marcelo Freixo. “A luta da Marielle foi muito importante em defesa dos direitos dos LGBTs, dos negros, das vítimas de remoções. Também foi ela que nos chamou a atenção para casos como os dos quilombolas e dos indígenas, que têm suas terras invadidas, mas precisam ter seus direitos respeitados como todos nós”, conta.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;span style=&amp;quot;background:white&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:10.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot; inherit&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;&amp;quot;=&amp;quot;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:#1c1e21&amp;quot;&amp;gt;Dalva, por sua vez, conseguiu transformar sua dor em luta. É presença marcante em manifestações, atos e na organização de eventos em defesa dos direitos humanos e contra a injustiça e a impunidade tão comuns nos casos de violência policial ocorridos em favelas do Rio de Janeiro. Quando questionada se não tem medo, ela logo lembra a música &amp;quot;Maria, Maria&amp;quot;, de Milton Nascimento: &amp;quot;É preciso ter força, é preciso ter raça, é preciso ter gana sempre. Meu filho foi fuzilado. Se eu parar de lutar, sinto que estarei mais morta do que ele&amp;quot;.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>LuisaSantiago</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://homologacao2.wikifavelas.com.br/index.php?title=Arquivo:Dalva.jpeg&amp;diff=4539</id>
		<title>Arquivo:Dalva.jpeg</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://homologacao2.wikifavelas.com.br/index.php?title=Arquivo:Dalva.jpeg&amp;diff=4539"/>
		<updated>2020-03-11T14:37:11Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;LuisaSantiago: Maria Dalva da Silva&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;== Descrição do arquivo ==&lt;br /&gt;
Maria Dalva da Silva&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>LuisaSantiago</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://homologacao2.wikifavelas.com.br/index.php?title=Curso_de_Comunica%C3%A7%C3%A3o_Popular_do_NPC&amp;diff=4538</id>
		<title>Curso de Comunicação Popular do NPC</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://homologacao2.wikifavelas.com.br/index.php?title=Curso_de_Comunica%C3%A7%C3%A3o_Popular_do_NPC&amp;diff=4538"/>
		<updated>2020-03-11T14:27:27Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;LuisaSantiago: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Autor: Núcleo Piratininga de Comunicação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Curso de Comunicação Popular do Núcleo Piratininga de Comunicação promove, anualmente, a integração de cerca de 40 jovens, entre 17 e 30 anos. São moradores de bairros da periferia e das favelas da região do Grande Rio e de municípios vizinhos, estudantes de comunicação, jornalistas recém-formados, participantes de movimentos sociais e de coletivos de comunicação popular.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ele foi criado em 2015, depois da aproximação do NPC com as mães dos jovens assassinados na Chacina do Borel em 2003.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[File:Cursoavançado.jpg|RTENOTITLE]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 2019, o curso chegou à sua 14ª edição.&amp;amp;nbsp;Nesse ano recebemos mais de 200 fichas de inscrição. Numa conjuntura difícil como a que todos nós estamos inseridos, optamos por misturar no cotidiano das aulas lições práticas sobre o uso da comunicação com a formação política. Consideramos essa junção fundamental para avançar na formação de cada um, qualificar suas atividades junto aos seus coletivos e estimular uma maior articulação entre esses militantes. Abrimos as atividades com aulas sobre História da Imprensa no Brasil, com Claudia Santiago, e Comunicação Popular por Quem Faz, com comunicadores populares do Complexo do Alemão, Cidade de Deus e da Rocinha.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Trabalhamos valores como a solidariedade, a conquista de direitos sociais, o respeito ao meio ambiente, a ideia de igualdade entre mulheres e homens, o combate ao racismo, o respeito às culturas tradicionais e a denúncia da violência do Estado nas favelas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O fortalecimento da Comunicação Popular se mostra cada vez mais importante. É através dela que é possível o amadurecimento dos laços comunitários e o desenvolvimento de uma consciência coletiva a partir da emergência de temas comuns, da representatividade e da construção de um projeto coletivo para gestão do espaço público e dos bens comuns.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além de produtores de conteúdo, os comunicadores populares são multiplicadores tanto daquilo que produzem – para dentro e para fora do local onde atuam –, quanto dos saberes adquiridos ao longo do processo de formação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sua dinâmica é composta por aulas, atividades de campo, reuniões, pesquisas, publicações impressas e virtuais. Para as turmas novas, o conteúdo programático apresentado ao longo dos meses é definido pela equipe do NPC em conjunto com a rede de professores/monitores que trabalham de forma conjunta. São mais de 120 horas de aula ao longo dos meses.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No caso de turmas avançadas, compostas por ex-alunos, o conteúdo é definido junto aos participantes, em reuniões que acontecem nos meses que antecedem o início das aulas. No total, são 50 horas-aulas realizadas em espaços articulados pelos alunos ou pela equipe do NPC.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[File:Cursovozes.jpg|upright|Cursovozes.jpg]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ao final das aulas, os alunos produzem o jornal impresso Vozes das Comunidades. Eles decidem a pauta, escrevem, revisam as matérias e fazem a diagramação. Tudo a partir do que acumularam ao longo do curso. A distribuição do jornal é feita no ato “Grito dos Excluídos”, que acontece anualmente em 7 de setembro, como uma manifestação dos movimentos sociais paralela ao desfile militar oficial.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma das principais marcas da relação entre aulas e turma é a curiosidade. Em praticamente todos os encontros, depois do fim da aula os professores são abordados por alunos em busca de mais informações ou ajuda para suas próprias atividades.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cada aluno chega&amp;amp;nbsp;ao curso com uma trajetória e uma experiência, mas é a sistematização e a ampliação dos saberes num ambiente compartilhado que propicia uma troca enriquecedora.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ao longo dos anos os alunos mantém ativo&amp;amp;nbsp;o &#039;&#039;&#039;Blog Vozes das Comunidades &#039;&#039;&#039;(atualmente em manutenção), onde podem publicar seus textos e também textos que considerem relevante para o coletivo.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há também um grupo de Whatsapp&amp;amp;nbsp;através do qual acompanhamos nossas atividades, planejamos ações conjuntas e debetemos&amp;amp;nbsp;os acontecimentos no Rio e no Brasil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Category:Movimentos sociais]] [[Category:Comunicação Popular]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>LuisaSantiago</name></author>
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