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	<title>Dicionário de Favelas Marielle Franco - Contribuições do usuário [pt-br]</title>
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	<subtitle>Contribuições do usuário</subtitle>
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		<title>As lutas do povo do Borel</title>
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		<updated>2020-06-01T21:08:50Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Mauro Amoroso: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&#039;Autor: Mauro Amoroso&#039;&#039;&#039;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot;&amp;gt;Em maio de 1981, foi enviada uma denúncia anônima, através de uma carta, ao delegado do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS). O conteúdo da correspondência tinha como foco alertar “diversas irregularidades que vêm acontecendo na União dos Moradores do Morro do Borel”. O estopim que motivou a denúncia teria sido o lançamento do livro “As lutas do povo do Borel”, de autoria de Manoel Gomes, um ex-morador do local, “militar reformado e de tendências vermelhas”, conforme descrito no documento.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot;&amp;gt;Assim, nosso objetivo é apresentar este importante, porém pouco conhecido livro. A obra, de 73 páginas e editada pela livraria e editora Muro, ligada ao Partido Comunista Brasileiro (PCB), relata as atividades da União dos Trabalhadores Favelados (UTF), entidade à qual o autor pertenceu. Lançada em 1980, possui prefácio de Luiz Carlos Prestes. A UTF foi uma das primeiras entidades representativas de moradores de favelas a apresentar uma proposta de articulação de associações de moradores desses espaços. Influenciada pelo Partido Comunista, surgiu em 1954, como resultado de uma ação de despejo movida contra os moradores do Borel. O objetivo da União foi a mobilização pela permanência e reivindicação por melhores condições de moradia, através da unificação de questões relativas a habitação e emprego.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot;&amp;gt;O livro de Manoel Gomes não é apenas um relato sobre uma instituição representativa de moradores de favelas ou sobre a resistência dos habitantes do Borel à ameaça de despejo, mas um discurso sobre o passado feito pelo representante de um grupo de lideranças dessa favela narrando a mobilização dos moradores na luta por direitos. Surge em um contexto, presente desde meados dos anos 1970, no qual a literatura se revela uma importante arma contra o autoritarismo da ditadura militar, denunciando seus abusos, torturas e assassinatos.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot;&amp;gt;Como dito, seu prefaciador foi o célebre líder comunista Luiz Carlos Prestes. Surgido na vida política brasileira com a Revolta dos 18 do Forte, em 1922, Prestes liderou a famosa coluna que levou seu nome, percorrendo mais de 25 mil quilômetros e grande parte do território brasileiro. Passando a ser conhecido como “cavaleiro da esperança”, foi líder do PCB por várias décadas. Em seu prefácio, escreve sobre a relevância da obra: “Mas o aspecto mais estimulante desta história do morro do Borel está no ensinamento que nos transmite a respeito da força que alcançam os explorados quando se unem e se organizam. A história do surgimento da União dos Trabalhadores Favelados – hoje, União dos Moradores do Morro do Borel – revela a força que pode alcançar a democracia quando posta em prática pelas próprias massas trabalhadoras. (...) Que este livro chegue às mãos do povo é pois o que desejo.”&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot;&amp;gt;Ou seja, na própria apresentação de “As lutas do povo do Borel” já podemos perceber três fatores. O primeiro é que se trata de uma história da UTF, objeto central do relato de Gomes. O segundo é que essa história é vista como um exemplo da “força que alcançam os explorados” quando, mobilizados e organizados, constituem um coletivo de reivindicação. O terceiro diz respeito à vontade e interesse de que essa história chegue “às mãos do povo”, ou seja, alcance um considerável grau de veiculação e se torne conhecida. Sua circulação, assim, possibilitaria o uso de um fato histórico, a criação e atuação da UTF, e suas interpretações como um exemplo de modelo a ser seguido, por significar “a força que pode alcançar a democracia quando posta em prática pelas próprias massas trabalhadoras”.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot;&amp;gt;Sobre as lutas&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot;&amp;gt;O livro de Manoel Gomes conta a história do Morro do Borel através da mobilização de seus moradores pelo direito à moradia. Porém, é possível observar uma interpretação própria sobre o passado e a história das favelas do Rio de Janeiro no âmbito geral, como sobre a maneira em que elas surgiram: “Estamos agora em setembro de 1921, vésperas do ano de 1922, ano em que seria realizada a exposição do Centenário da Independência do Brasil. Havia no Centro da Cidade um reboliço de trabalhos, coincidente com a demolição do morro do Castelo, para a ampliação da área onde seriam realizados os festejos da data magnânima de 7 de Setembro. O afluxo de trabalhadores era enorme, vindo de todo o território nacional, era incontrolável. Da Europa chegavam levas e mais levas de imigrantes, principalmente de Portugal, Espanha e Itália. O mercado de trabalho aqui na Carioca tornava-se cada dia mais abundante. Houvesse disposição, que trabalho não faltava. O Rio de Janeiro, como o nosso leitor deve saber, era uma cidade despreparada para acolher afluente massa humana que a ela chegava. Sua estrutura era colonial. À moda D. João VI, havia pouquíssimos hotéis e pensões. As hospedarias eram insuficientes para acomodar tantos chegantes. Só havia mesmo uma saída, espalhar esta população pelos morros acima, pois as encostas já estavam comprometidas”.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot;&amp;gt;Como vemos, o autor explica a causa do início da favelização dos morros por trabalhadores em uma cidade sem estrutura para abrigá-los, já que a ida para esse espaço urbano teria sido motivada pela busca por empregos, cuja oferta estaria em um patamar significativo. Porém, ao chegar, passariam a sofrer com a exploração feita em cima de sua força de trabalho, recebendo um salário que não seria suficiente para arcar com os custos de vida.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot;&amp;gt;Com isso, adentramos em uma concepção da sociedade, no caso, concebida a partir do debate sobre a questão habitacional dos trabalhadores, na qual a luta de classes possui um papel fundamental para seu entendimento, o que fica mais claro nesta passagem: “Esses beneplácitos senhores acham que só temos o dever de trabalhar, quanto ao direito de receber o valor real da venda do nosso produto que é força, isso não, os patrões não toleram tamanha aberração dos seus “sagrados” direitos de determinação do valor da mão de obra”. &amp;amp;nbsp;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot;&amp;gt;Ainda sob o panorama da luta de classes, é possível tecer considerações sobre a própria figura de Manoel Gomes, sob a qual se possui pouquíssimas informações. O autor de “As lutas do povo do Borel” foi um operário com papel de destaque na UTF, e sua figura pode adotar, de acordo com algumas perspectivas, uma certa aura mítica, como um trabalhador cuja ausência de oportunidades na vida foi convertida em uma profunda consciência crítica. Gomes possui todos os elementos para se constituir em um sujeito marcante para o imaginário tanto dos envolvidos na reorganização do movimento associativo do Borel, quanto pelos opositores à ditadura militar, por encarnar os símbolos de uma ideologia de superação desse regime e do que era considerado como as estruturas geradoras das desigualdades sociais. Mais do que isso, ele representava uma realidade concreta, resultante das engrenagens e contradições do tão criticado sistema capitalista.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot;&amp;gt;A função de registro do livro em questão é perceptível em diversos momentos, como no caso do tratamento dos nomes dos moradores. Ao longo de suas páginas, são encontradas menções a 85 nomes de residentes do Borel, em diferentes situações. Como exemplo, temos a relação de nomes dos que seriam os mais antigos habitantes da favela: “Entre os muitos moradores já radicados, vamos mencionar alguns deles, cujos nomes nos ocorreram à memória, como Leitão do Borel Velho, Ozório, Epaminondas, Chico Bigode, Bolinha (na gruta do mesmo nome), Seu Joaquim Carneiro da Chácara, Antônio Vizeu, Dona Luduvina, Leandro Chagas, Nelson de Moraes e Alcides Tatão da Ladeira do Leandro, Quintela, Lameira, Joaquim Quebe-quebe, Zé Turquinho, Zé Magro, João de Brito, Brandão do Borel Central, Chico Careca, Ferro-Velho, Tomás C. Barroso e seus irmãos Zequinha, Joaquim Casemiro e seu filho Zé Pereira, Antônio Mariniano, Dona Laura, José Rosa e muitos outros (...)”&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot;&amp;gt;A menção a esses “muitos moradores já radicados” é feita quando se explicita a ameaça de despejo dos moradores do Borel, fator que impulsionou a criação da UTF. O relato expõe a existência de um grupo de moradores no local, que seriam afetados pelo despejo cuja consequência seria a perda de seus lares. Porém, Manoel Gomes&amp;amp;nbsp; afirma em seu relato que os mesmos não aceitaram de forma passiva essa ameaça: “Foi quando os moradores receberam uma nova advertência para se mudarem dentro do prazo de 90 dias, pois, do contrário, os “donos” do morro recorreriam ao Judiciário e os despejariam. (...)Foi daí que os moradores mais radicais resolveram tomar uma posição correta para reprimir esses abusos que já estavam enchendo o saco”.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot;&amp;gt;Logo após essa colocação, são nomeados os que “resolveram tomar uma posição correta”. Reparem que alguns dos indivíduos citados se encontram na primeira relação de nomes acima: “Entre os inconformados com esses subterfúgios destaca-se a atuação do cozinheiro da Marinha Mercante Izequiel Manoel do Nascimento, do português Casemiro Pereira – ali residente desde 1921 – da família de João de Brito, Francisco Antunes (o Chico Ferro-Velho), Francisco Martins e sua filha Célia, Chico da Luz, Zé Magro, João da Foice, José Pereira do Açougue, os Barroso (Joaquim e Zequinha), D. Lurdes e seu filho Jorge Neto, Leandro, Tatão, Nelson de Moraes, João Siqueira, e outros (...)”&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot;&amp;gt;Essas menções são feitas antes que tivesse sido criada a UTF. Ou seja, esse fato atestaria a existência, segundo a fala de Gomes, de um grupo de moradores responsáveis por ações prévias de resistência aos interesses que queriam o fim da favela, o que colocaria o ato de buscar a permanência do Borel como interesse inicial de um grupo de moradores, e não como sugestão de agentes externos.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot;&amp;gt;A criação da UTF, segundo a memória de Gomes, seria uma sugestão do advogado Antoine de Magarinos Torres, procurado para defender os interesses dos moradores do Borel em um futuro processo judicial, como forma de reunir condições para se precaver com os custos do embate jurídico que se anunciava:&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot;&amp;gt;“Dr. Magarinos dirigiu do alpendre a palavra aos favelados explicando a todos os presentes que, em vista deles não terem dinheiro para meterem demanda com a Borel Meuron Ltda., precisavam se organizar em uma associação onde todos colaborassem com uma pequena quantia como pagamento de suas mensalidades; fazendo assim, conseguiriam meios necessários para qualquer eventualidade que viesse a surgir”.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot;&amp;gt;A partir dessa sugestão, os moradores se organizaram com o objetivo de recolher a primeira soma de dinheiro para utilizá-lo, ainda segundo o relato do livro, em uma futura contenda legal: “Enquanto um colhia assinaturas, outro fazia uma vaquinha para tomar as primeiras providências contra a inominável violência dos grileiros”. Logo após o recolhimento dessa verba inicial, há o registro daquela que teria sido a primeira diretoria da União, ainda em caráter provisório: “Após terminada a coleta de assinatura e apuração da renda da vaquinha, foi também tirada uma diretoria provisória para a devida organização social, sendo esta composta por Izequiel, Casemiro, Zé Pereira, Ferro-Velho, Zé Magro,&amp;amp;nbsp; José Rosa, Chico da Luz, Tomaz Valdemar Delfino e outros”.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot;&amp;gt;Para além do caráter inicial da organização do movimento, é igualmente abordada sua renovação através da participação de novos moradores que resolveram se agregar à causa: “Nesse vai-e-vem da luta, acercou-se de Magarinos um numeroso grupo (...) que reforçados por um certo número de moradores recém-chegados ao Borel, constituíram um grupo de lutadores dispostos a ir até o final dessa árdua batalha (...) Entre os novos moradores, queremos destacar aqui a atuação de: Joaquim Silva de Pinheiros, que substituíra José de Oliveira na secretaria da UTF (entregando-a depois ao Manduca), dos irmãos Lira, Bonifácio e Zé Bento, Raimundo, Severino Juvêncio da Costa, Antônio Elniro, Zé Boneco, Joãozinho, os irmãos Dutra, Zé Baiano, os irmãos Felipe e mais outros (...)”&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot;&amp;gt;Também foram registradas as mulheres moradoras do Borel em atividades referentes à UTF&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot;&amp;gt;: “(sobre duas comissões de recepção, uma formada por homens e outra por mulheres, feita a Magarinos Torres em uma de suas idas ao Borel) Além de uma comissão feminina composta de D. Neusa dos Santos, a senhora do Tomaz, Dona Dora do Leandro, Alzira do Siqueira e Célia Martins, com um bonito ramalhete de flores protegido por uma capa de papel celofane, com dedicatória à distinta D. Dora, senhora de Magarinos Torres, que em dado momento chegava com seu esposo”.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-bottom:10.0pt; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot;&amp;gt;Há, igualmente, casos de envolvimento feminino que vão além da participação de uma comissão de recepção. Em meados dos anos &amp;lt;st1:metricconverter productid=&amp;quot;1950, a&amp;quot; w:st=&amp;quot;on&amp;quot;&amp;gt;1950, a&amp;lt;/st1:metricconverter&amp;gt; imobiliária responsável pela ação de despejo contra os moradores do Borel construía uma estrada que iria até a parte mais alta do morro. Em um dado momento, a obra foi interrompida devido a ações oriundas da mobilização dos moradores, quando ocorreu a curiosa situação: “(...) uma visita de um dos engenheiros da obra da estrada, a fim de reorganizar os trabalhadores para seu prosseguimento. Porém, ele acabou hostilizado pelo piquete antiestrada feito pelas mulheres que lhe tiraram as calças, fazendo-o descer o morro de cuecas debaixo de uma tremenda vaia e de impropérios de baixo calão, causando-lhe um vexame sem precedente”.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot;&amp;gt;Com isso, temos passagens que revelam o registro de nomes de moradores associados a atuações específicas de um grupo político, como a resistência às ações de despejo, a organização da UTF e a renovação de seus militantes, além de outros aspectos que serão aprofundados posteriormente. A menção a nomes que formariam pequenos coletivos que se responsabilizariam por esses atos pode ser interpretada como uma estratégia discursiva para valorização da coletividade local, o que revelaria uma união entre os moradores em prol de sua organização associativa e da mobilização por suas reivindicações. A história do livro termina em 1964, com o golpe militar e as perseguições que tentaram interromper este movimento de mobilização popular.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot;&amp;gt;Como foi feito o livro “As lutas do povo do Borel”&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot;&amp;gt;O livro “As lutas do povo do Borel” foi editado pela livraria e editora Muro. Segundo a memória de um ex-militante do PCB, a livraria Muro teria sido fundada a partir de um grupo, ligado ao Partido, que atuava na área cultural no bairro da Tijuca desde meados dos anos 1970. Esse foi um período de reorganização da atuação de base dos movimentos de oposição à ditadura, após o desmantelamento dos grupos que optaram pela luta armada e o exílio de diversas lideranças de relevância nesse cenário.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot;&amp;gt;A matriz da livraria e editora surgiu em 1975 no bairro de Ipanema, criada pelo empresário e atual dono da rede de livrarias Travessa, Rui Campos. A filial tijucana é criada posteriormente. Sua localização se dá ao lado do tradicional Café Palheta, no coração da praça Sáenz Peña, um dos principais pontos do bairro e possuidora de uma aura de efervescência cultural, devido aos inúmeros cinemas que lá existiram, e que lhe fizeram valer o apelido de “a Cinelândia da Tijuca”, a partir da década de 1940.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot;&amp;gt;O processo de elaboração da obra envolveu diversos personagens, como Fernanda Carneiro, militante da Ação Popular (AP) e principal responsável pela preparação dos originais. A AP foi um dos principais grupos de resistência armada ao regime militar, mas que nos anos 1970 e 1980 concentrou suas ações em iniciativas culturais junto às classes populares, incluindo moradores de favelas. Manoel Gomes foi um operário com papel de destaque na UTF, sendo uma figura simbólica no morro do Borel. Contudo, Manoel Gomes já não residia no Borel na época em que redigiu a obra, embora continuasse frequentando a favela. Sua residência era em São Gonçalo, para onde Fernanda se deslocava com frequência para datilografar a obra.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot;&amp;gt;Outra passagem importante diz respeito à escolha de Prestes como prefaciador do livro. No início dos anos 1980, o Cavaleiro da Esperança encontrava-se com as relações estremecidas com o próprio PCB, o que culminaria em sua saída definitiva em janeiro 1984. No entanto, sua escolha foi simbólica pelo peso de sua figura histórica e pela mítica que exercia entre os militantes, principalmente os novos. Sendo assim, podemos ver que o lançamento do livro foi possível graças à atuação de dois grupos de esquerda que atuavam no Borel do período, ligados ao PCB e à AP.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot;&amp;gt;A livraria e editora Muro encerra suas atividades em meados dos anos &amp;lt;st1:metricconverter productid=&amp;quot;1980. A&amp;quot; w:st=&amp;quot;on&amp;quot;&amp;gt;1980. A&amp;lt;/st1:metricconverter&amp;gt; filial do Catete, última a ser aberta, foi a primeira a fechar as portas. Logo depois, a filial tijucana segue o mesmo caminho. A principal causa do fim da atividade das duas sedes seriam problemas financeiros.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot;&amp;gt;Apesar de não ser muito conhecida, a obra de Manoel Gomes é de suma importância. Lançada em um período de abertura política, reorganização de movimentos sociais e mobilização da sociedade contra o autoritarismo, revela a visão de uma geração de moradores favelados sobre seu poder de união como forma de alcançar seus direitos. Por mais que estes pareçam cada vez mais distantes, a memória dessa geração é de grande relevância para se entender a junção de forças dos moradores de favelas como um fator histórico definidor desse próprio grupo social.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot;&amp;gt;Referências bibliográficas:&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot;&amp;gt;AMOROSO, Mauro.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;Caminhos do lembrar: a construção e os usos políticos da memória no morro do Borel.&#039;&#039; Rio de Janeiro: Ponteio, 2015.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot;&amp;gt;GOMES, Manoel.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;As lutas do povo do Borel.&#039;&#039; Rio de Janeiro: Muro, 1980.&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Mauro Amoroso</name></author>
	</entry>
	<entry>
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		<title>Condutores de Memória</title>
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		<updated>2020-06-01T21:07:58Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Mauro Amoroso: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&lt;br /&gt;
O projeto Condutores de Memória foi realizado entre os anos de 1999 e 2006 no Morro do Borel, e algumas favelas da Grande Tijuca, no Rio de Janeiro. Através do resgate da memória a iniciativa visava construir representações positivas sobre o morador desses espaços, como contraponto às imagens correntes ligadas ao tráfico de drogas e violência urbana.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== &#039;&#039;&#039;Betinho e a Agenda Social Rio&#039;&#039;&#039; ===&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;Em 1996, por iniciativa do sociólogo Herbet de Souza, o Betinho, por ocasião da candidatura da cidade do Rio de Janeiro como sede das Olimpíadas de 2004. Foi criada a Agenda Social Rio. Originalmente idealizada como um amplo movimento social, a proposta da Agenda Social visava o estabelecimento de um compromisso entre diversos setores da sociedade civil e do estado do Rio de Janeiro na construção de uma cidade mais solidária e democrática, para, desse modo, melhorar a qualidade de vida.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;A partir dessa iniciativa, a ideia ganhou força própria e, embora a candidatura do Rio de Janeiro tenha sido eliminada, a articulação em torno das metas iniciais definidas pela Agenda Social se consolidou. Para sua realização, era preciso escolher uma área da cidade onde algumas ações pudessem ser desenvolvidas inicialmente.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;Por concentrar um grande número de favelas, além da marcada identidade que a caracteriza no espaço urbano do Rio de Janeiro, a área escolhida foi a região da Grande Tijuca, na Zona Norte da cidade, que reunia os bairros do Alto da Boa Vista, Andaraí, Vila Isabel, Grajaú, Maracanã, Praça da Bandeira e Tijuca. Esse conjunto de bairros corresponde às VIII e IX Regiões Administrativas do Rio de Janeiro, totalizando 366.567 mil habitantes. Naquela época, desse total, aproximadamente 13% moravam nas 29 favelas existentes na região.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;Atuando por meio da mobilização da população local, a Agenda Social Rio acabou por reunir representantes dos bairros e das comunidades da região, grupos culturais e de jovens, representantes de religiões, escolas públicas e privadas, empresas e diversas instituições governamentais, todos e todas empenhados na proposição e implementação de políticas públicas mais inclusivas, que reduzissem as desigualdades sociais. Tal objetivo passava necessariamente pela questão da urbanização das favelas e sua integração ao espaço da cidade, que se tornou, então, o foco principal das ações implementadas pela Agenda Social Rio.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;Nesse contexto de ação política, surgiu o projeto Condutores(as) de Memória. Inicialmente um projeto da Agenda Social Rio, acabou por constituir-se numa das bases da proposta de criação de um centro de memória da Grande Tijuca. No caso do Condutores(as) de Memória, a ideia concebida em 1999 por três educadoras comunitárias, moradoras do Borel e da Casa Branca, ganhou corpo e se expandiu para além dos limites de suas próprias comunidades e da Grande Tijuca, contribuindo para a reconstrução das representações sobre as favelas e da identidade de sua população por meio do resgate da memória coletiva desses espaços urbanos.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;O projeto foi fruto de uma parceria de moradores locais com Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase), no âmbito da Agenda Social Rio. Pretendeu usar a memória local, tanto sua tomada através de depoimentos e de documentos pessoais quanto sua transmissão e preservação de seus itens materiais, como um instrumento de problematizar e propor alternativas às representações das favelas e de seus moradores como agentes da violência.&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
== &#039;&#039;&#039;As idealizadoras&#039;&#039;&#039; ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== &#039;&#039;&#039;Maria Aparecida Coutinho&#039;&#039;&#039; ===&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;[[File:CIDA.png|left|CIDA.png]]Nasceu na Chácara do Céu, no dia 19 de novembro de 1968. Aos 5 anos de idade, mudou-se com a família para o Borel, onde mora até hoje. Sua formação escolar foi feita nas escolas da região da Grande Tijuca. Cursou o primário na Escola Municipal Barão de Itacuruçá, na rua Andrade Neves, e em seguida foi para o Ginásio Orsina da Fonseca, na rua São Francisco Xavier.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;Mais tarde, concluiu o Telecurso Segundo Grau. Com 14 anos, começou a trabalhar no comércio da região, em vários estabelecimentos comerciais. Fez curso de Produção Pessoal (cabeleireiro e maquiagem) no Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) e atua profissionalmente nessa área. No início da década de 1990, começou a frequentar as reuniões realizadas pelas educadoras de saúde da ONG Gestão Comunitária e a colaborar com o trabalho social dentro da comunidade do Borel.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;Atualmente, trabalha como agente de saúde no Programa Saúde da Família, cujo objetivo é a promoção da saúde e a prevenção das doenças, coordenado pela Secretaria Municipal de Saúde, com financiamento do Ministério da Saúde do governo federal. É casada, mãe de dois filhos.&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== &#039;&#039;&#039;Mauriléa Januário Ribeiro&#039;&#039;&#039; ===&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;Nasceu no Morro do Andaraí, em 28 de novembro de 1951. Aos 10 anos de idade, mudou-se com os pais e os cinco irmãos mais novos para o Morro da Casa Branca, [[File:MAURILEA.png|right|MAURILEA.png]]onde morou durante 40 anos. Estudou nas escolas da região da Grande Tijuca: cursou o primário na Escola Panamá, na rua Duquesa de Bragança, no Grajaú; o ginásio no Colégio Barão de Lucena, no Andaraí; e o científico no Colégio ADN, na Tijuca.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;É graduada em Letras pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com licenciatura em Português e Literatura. Foi diretora social da Associação de Moradores da Casa Branca e uma das fundadoras de sua primeira creche comunitária, atuando posteriormente como educadora e diretora local. Trabalhou na Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social (SMDS) durante sete anos. Em seguida, atuou na recém-criada Secretaria Extraordinária da Habitação – hoje Secretaria Municipal de Habitação (SMH) –, onde, na ocasião, ocupou o cargo de técnica da equipe de agentes comunitárias do Programa Favela-Bairro, vinculada à Coordenação de Educação Sanitária e, posteriormente, à de Participação Comunitária.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;Nessa ocasião, atuou nas comunidades do Borel, Salgueiro, Morro do Andaraí, Casa Branca, Chácara do Céu, Formiga, Complexo da Mangueira, Complexo do Caricó, Morro dos Macacos, Parque Vila Isabel, Mata Machado, entre outras. Atualmente, trabalha na SMH, na gerência do Programa de Favelas, atuando nas comunidades de Rio das Pedras e Vila Pereira da Silva, além de coordenar o trabalho social da Igreja Assembleia de Deus da Tijuca, na comunidade do Salgueiro. Recebeu homenagem da Prefeitura do Rio de Janeiro pela dedicação, espírito de cidadania e profissionalismo que vem mostrando todos esses anos na administração pública. Casada e mãe de dois filhos, mora no bairro da Gamboa.&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
=== &#039;&#039;&#039;Ruth Pereira de Barros&#039;&#039;&#039; ===&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;Nasceu no Borel, no dia 11 de julho de 1951. Cursou o primário na Escola Municipal Araújo Porto Alegre, o ginásio no antigo Instituto Santa Rita, na Tijuca, e cursou o Telecurso Segundo Grau. Aos 15 anos começou a participar, como voluntária, do trabalho social desenvolvido na Capela Nossa Senhora das Graças, no Borel, organizando e participando de vários eventos comunitários. Em 1983, começou a trabalhar na Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social, atuando como educadora durante dez anos na Creche Comunitária Santa Mônica, no Borel.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;[[File:RUTH.png|left|RUTH.png]]Em 1994, começou a trabalhar na Secretaria Municipal de Habitação (SMH) como supervisora da equipe de agentes comunitárias do Programa Favela-Bairro, vinculada à Coordenação de Educação Sanitária, atuando em favelas da Grande Tijuca, Penha e Jacarepaguá. Em 1994, começou a trabalhar como educadora na área de saúde para a ONG Gestão Comunitária, acumulando experiência na área de promoção da saúde da mulher e prevenção de DST/Aids, por meio de palestras e participação em diversos eventos da comunidade.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;De 1995 a 2004, participou de diversos treinamentos na área de saúde da mulher, organizados pela ONG Gestão Comunitária e pela Sociedade Beneficente São Camilo. Nesse mesmo período, foi conselheira distrital de saúde da AP 2.2 e participou de várias conferências sobre a mulher. Em 1999, recebeu da Câmara Municipal do Rio de Janeiro moção de louvor e reconhecimento pelo trabalho social voluntário realizado nas comunidades da Grande Tijuca. Trabalhou na SMH, atuando na favela do Jacarezinho, por onde se aposentou. Participa como leiga cabriniana da Congregação das Irmãs Missionárias do Sagrado Coração de Jesus Madre Cabrini. Atua como voluntária em um grupo de terceira idade e colabora com o trabalho social desenvolvido pelo Colégio Regina Coeli e pela Capela Nossa Senhora das Graças, no Borel. Divorciada, tem três filhos e 3 netas.&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
== &#039;&#039;&#039;Condutores/as de Memórias&#039;&#039;&#039; ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;Uma das propostas da Agenda Social Rio era exatamente a formação de lideranças comunitárias como forma de estimular a participação das comunidades de favelas nas decisões e ações sociais. Com esse objetivo, realizou-se, em novembro de 1999, um curso intitulado Organização Local e Ação Democrática.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;O curso abordou, entre outros, diversos temas de interesse das comunidades locais: formação do espaço urbano e exclusão social, direitos coletivos e organização local, elaboração e gestão de projetos, educação e meio ambiente, segurança pública, saúde coletiva, relações de gênero e saúde comunitária. Ministrado aos sábados, teve duração de dois meses e contou com a participação de 40 pessoas em sua primeira turma. No fim do curso, as educadoras Mauriléa Januário Ribeiro, então residente na Casa Branca, Ruth Pereira Barros e Maria Aparecida Coutinho, ambas moradoras do Borel, apresentaram um projeto que tinha como objetivo resgatar, registrar e sistematizar a memória das comunidades da Grande Tijuca, permitindo que moradores e moradoras dessa região conhecessem a história da ocupação e luta que garantiu o direito à moradia nessas áreas.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;Nesse período, estavam sendo desenvolvidos em várias favelas da região projetos sociais e de intervenção urbana, capitaneados tanto por órgãos do estado como por organizações da sociedade civil, que desempenharam importante papel na mobilização da população local. Dentre eles, destaca-se o Programa Favela-Bairro, que despertou particularmente o interesse de moradores e moradoras para a reconstituição da história local.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;Esse foi o impulso inicial do projeto. A partir daí, as três educadoras partiram em busca de uma metodologia que desse conta da recuperação desse acervo de histórias. Confrontadas com esse desafio pensaram em realizar encontros que funcionassem como “oficinas de memória” em cada uma das localidades previstas pelo projeto, nos quais as lembranças da comunidade pudessem ser levantadas e discutidas.&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
== &#039;&#039;&#039;As Oficinas&#039;&#039;&#039; ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;Começaram pelo Borel, onde foi realizada a primeira oficina, intitulada “Recordando a História”. Esse encontro, que teve um ótimo resultado, reuniu “velhos(as) moradores(as)” da comunidade e portadores(as) da memória viva local. Muitos depoimentos foram registrados, fotos e documentos foram resgatados, e esse material acabou servindo de referência para o próprio desenvolvimento do projeto.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;Organizaram, então, uma segunda oficina, “Buscando a História”, reunindo, dessa vez, jovens da comunidade. Para despertar-lhes o interesse pela história local, recorreram a diferentes linguagens e fontes, introduzindo-os inicialmente à história do desenvolvimento urbano da cidade como um todo, até chegarem às suas próprias comunidades. Assim, além dos depoimentos orais, também utilizaram músicas, jornais e fotografias.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;O resultado dessa oficina foi a elaboração conjunta de um roteiro de entrevistas que seriam realizadas por tais jovens com moradores(as) mais antigos(as), a fim de permitir uma importante troca e interação social envolvendo jovens e pessoas idosas e reforçar a sociabilidade local. Realizaram, ainda, uma terceira oficina, “Vivências Passadas”, na qual foram recuperadas, pelas lembranças dos(as) próprios(as) moradores(as), as condições socioeconômicas da época de ocupação da favela, com destaque para a questão ambiental e a produção de lixo domiciliar.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;No encontro, por meio da equipe, a memória local foi articulada ao desenvolvimento do meio ambiente. Isso possibilitou que essas comunidades repensassem sua relação com o espaço habitado e estimulou o reaproveitamento de material reciclável. Finalmente, executaram um quarto e último encontro, “Construindo a História”, com a participação de jovens com moradores(as) mais antigos(as), particularmente aqueles(as) interessados(as) em dar continuidade ao trabalho conjunto.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;Desse trabalho em grupo surgiu a ideia de organizar um pequeno jornal, um informativo que relatasse a experiência do projeto e os resultados das oficinas realizadas em cada comunidade, reunindo histórias, eventos e datas marcantes para a história local, por iniciativa dos(as) próprios(as) moradores(as).&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;Os assuntos foram selecionados coletivamente, e o trabalho começou a ser elaborado ainda nas oficinas, contando até com a participação de moradores(as) na redação de algumas matérias. Um dos principais objetivos desse informativo era oferecer aos(às) moradores(as) que haviam participado das oficinas o resultado do trabalho.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;Depois de finalizado, esse informativo passou a ser distribuído em todas as comunidades, transformando-se em importante instrumento de divulgação e contribuindo para dar visibilidade à iniciativa do Condutores(as) de Memória, envolvendo um número cada vez maior de pessoas. Ao longo do desenvolvimento do projeto, foram produzidos cinco informativos (Borel, Chácara do Céu, Morro do Andaraí, Salgueiro e Formiga) e distribuídos um total de 6 mil exemplares em eventos comunitários das favelas onde foram realizadas as oficinas e em palestras dadas em escolas, ONGs e universidades.&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
== &#039;&#039;&#039;As histórias das favelas da Grande Tijuca&#039;&#039;&#039; ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;A primeira comunidade trabalhada pelo projeto Condutores(as) de Memória foi o Borel, entre dezembro de 2000 a fevereiro de 2001. É uma das favelas mais antigas da região da Grande Tijuca e começou a ser habitada ainda em 1921, ocupando um lugar particularmente importante na história das favelas do Rio de Janeiro.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;A origem do nome da comunidade vem da marca de cigarro da antiga Fábrica de Fumos e Rapé de Borel &amp;amp; Cia, que funcionava no sopé do morro onde hoje existe a favela. Essa marca de cigarro trazia um pavão-real azul e amarelo-ouro estampado no maço, que acabou virando o símbolo de uma das mais tradicionais escolas de samba da região, a Unidos da Tijuca, fundada na rua São Miguel, em 31 de dezembro de 1931.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;Segundo algumas pessoas, ela teria surgido inicialmente na Formiga, passando depois pela Casa Branca para, finalmente, se instalar no Borel. Segundo uma outra versão, ela teria surgido exatamente da “união” de três blocos que, naquela época, existiam nos morros da Formiga e da Casa Branca. Parte importante dessa história foi descrita em livro, As lutas do povo do Borel, escrito por um morador da comunidade, Manoel Gomes, que desempenhou papel ativo na luta contra as remoções e pela posse da terra, e conta com prefácio de Luiz Carlos Prestes, na época senador pelo Partido Comunista. Relatando a história da comunidade desde 1922, o livro foi publicado em 1980 e é um instrumento fundamental para se conhecer um pouco da memória da comunidade e acompanhar as mudanças e transformações vividas por ela.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;A segunda comunidade a ser trabalhada foi a Chácara do Céu, dando sequência ao plano de atividades previsto pelo projeto para o primeiro semestre de 2001. Os caminhos da Chácara do Céu estiveram, durante muitos anos, entrelaçados às histórias do Borel. Localizada no alto do morro onde está situada essa comunidade e sua ocupação cresceu principalmente a partir da década de 1970. Moradoras e moradores mais antigos contam que a comunidade, que é cercada por vários morros, possuía uma das vistas mais bonitas da cidade e sempre foi alvo de especuladores imobiliários, que queriam o espaço para a construção de um hotel.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;O Morro do Andaraí foi a terceira comunidade a ser trabalhada, em janeiro de 2002. Localizado no bairro de mesmo nome e sua ocupação teve origem ainda no início da década de 1930. Sua denominação é de origem tupi, sendo uma corruptela de andirá-y, que significa “rio dos morcegos” ou “rio que não nasce da queda”. Esse rio descia as encostas da Serra do Andaraí e se estendia pelos seus dois vales, Andaraí Grande e Andaraí Pequeno, onde abundavam frutas silvestres que atraíam os morcegos para suas margens. Posteriormente, o nome do principal rio da região mudou, mas as referências que deram origem ao nome do local permaneceram vivas na memória.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;Depois, o projeto chegou ao Salgueiro.&amp;amp;nbsp;A favela do Salgueiro teve seu início antes mesmo do fim da escravidão, quando ainda havia muita plantação de café, segundo pessoas mais antigas. Inicialmente denominado Morro dos Trapicheiros, sua ocupação começou por volta de 1885, e as primeiras pessoas que o habitaram foram escravas e escravos fugidos de propriedades existentes no Alto da Boa Vista, formando pequenos núcleos de população negra. Depois, foi a vez de migrantes vindos lá do interior do estado e do Nordeste. No entanto, somente a partir de 1901, essa ocupação se consolidou.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;O projeto chegou também ao Morro da Formiga. As oficinas, como sempre, mobilizaram a população local, que partiu em busca de sua própria história, buscando reconstruí-la em detalhes, com precisão de datas e acontecimentos marcantes para a comunidade. O morro foi inicialmente ocupado por imigrantes de Portugal e da Alemanha em 1911, mas essa ocupação foi intensificada a partir de um loteamento que se estendeu pelas encostas, principalmente entre as décadas de 1940 e 1960. Moradoras e moradores mais antigos do morro contam que, com o loteamento, a área começou a ser urbanizada. Mas os trabalhadores contratados para fazer o calçamento acabaram se encantando pelo lugar e lá decidiram construir suas próprias casas.&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
== &#039;&#039;&#039;A memória das favelas da Tijuca nas escolas&#039;&#039;&#039; ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;Após consolidar o trabalho das oficinas de memória nas favelas, o projeto Condutores(as) de Memória partiu para a rede pública de ensino. O objetivo desse trabalho nas escolas públicas e comunitárias da região era levar a discussão sobre a memória das favelas da Grande Tijuca para o espaço de construção do saber formal, buscando estabelecer uma relação entre o trabalho realizado nas comunidades por meio das oficinas e aquele desenvolvido por professores e professoras com crianças e adolescentes no espaço escolar. O trabalho foi realizado, inicialmente, na Escola Municipal Barão de Itacuruçá, na Escola Municipal Araújo Porto Alegre e no curso noturno da Escola Municipal Soares Pereira. Posteriormente, o projeto foi levado às escolas municipais Afonso Pena, Marcelo Cândia e Almirante Barroso, ao Ciep Antoine Magarino Torres Filho e à escola particular Oga Mitá. Além disso, o projeto foi proposto nas escolas municipais Laudímia Trota, Brito Broca e Geraldo Bombeiro Dias.&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
== &#039;&#039;&#039;As &amp;quot;Condutoras&amp;quot; de Memória contam sua história&#039;&#039;&#039; ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&#039;Ruth Pereira de Barros&#039;&#039;&#039;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;“Eu fui criada ouvindo da minha mãe e do meu pai, principalmente da minha mãe, essa história que guardo comigo. Ela contava como foi toda aquela luta e aquela conquista. Nada ali foi por acaso. Lutou-se para ter tudo. Como disse um participante das oficinas: “para se ter água, teve luta; para se ter luz, teve luta; para se ter casa melhor, teve luta”. Houve muita luta aqui. O morador teve que se organizar. O morador apanhou, brigou para poder ficar naquele espaço, mas as pessoas não conhecem essa história, e a gente queria, com o projeto, reviver, retratar essa história que é bonita. É como digo: a memória é a pessoa. Quem tem a memória sou eu porque ela está aqui dentro da cabeça. Sei dessa história e ela precisa ser contada para outras pessoas.” (Instituto de Estudos da Religião, 2004, n.59, p.22)&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&#039;Mauriléa Januário Ribeiro&#039;&#039;&#039;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;˜ Como já foi dito, a favela é vista sempre sob o aspecto negativo. O próprio falar em favela já tomou a conotação de coisa que não serve: “Isso é favela... Isso aqui está parecendo uma favela”. Se a gente também não se policia, acaba repetindo. Mas a gente sabe que favela não é isso. Ela tem os seus valores. Uma coisa importante no projeto Condutores de Memória é procurar mudar a imagem da favela. Tem um morador no Borel, o sr. José Calegare, que chama muito a atenção porque, quando chegou na comunidade, só havia três barracos. Esse senhor tem uma história dentro do Borel. Ele se emociona quando conta essa história [...]. Outra coisa importante que se percebe é quando o morador da comunidade carente passa a conhecer a sua história. Com certeza ele vai lutar para melhorar mais e mais a sua qualidade de vida. Essa é a nossa visão com esse projeto. A luta não foi apenas pela ocupação. A luta continua. A luta se perpetua. E essa luta é contra tudo que está aí. É contra a discriminação social. É contra essa quebra de valores. É contra esses conceitos, esses preconceitos.” (Instituto de Estudos da Religião, 2004, n. 59, p.20).&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Maria Aparecida Coutinho&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“Gostaria de ressaltar o que achei de suma importância na primeira oficina realizada no Borel. Nós não esperávamos que os moradores recebessem tão bem, que tivessem a reação que tiveram. Para nós foi uma vitória ver no morador, logo na primeira oficina, a felicidade estampada nos olhos e nas palavras dele, de se sentir realizado porque alguém lembrou de abrir um espaço para ele passar tudo aquilo que estava armazenado na memória [...]. Então, quando a gente organizou a primeira oficina e eles perceberam que era para eles serem ‘as estrelas’ das oficinas, nossa, um deles falou: “Vocês estão de parabéns. Eu nunca imaginei que fosse viver para ver alguém me chamar para um trabalho como esse. Estou me sentindo muito importante. Quero que vocês expandam esse trabalho para todas as comunidades. Quero que todos os jovens conheçam um pouco da história de suas comunidades porque é uma história muito rica”. (Instituto de Estudos da Religião, 2004, n. 59, p.24)&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;O projeto Condutores de Memória produziu dois filmes com depoimentos de moradores e dois livros, em parceria com o Ibase e apoio da ONG Oxfam-Novib. É possível localizar os livros online, em pdf, no site do Ibase e os vídeos apenas em acervo com as organizadoras.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;Um dos projetos de continuidade do Condutores era a construção do Centro de Memória da Grande Tijuca. Um espaço que poderia ajudar no processo de construção de um novo olhar sobre a história das favelas, levando em consideração a experiência de vida e o ponto de vista das moradoras e dos moradores dessas comunidades como atores sociais. Um local para guardar e conservar o acervo reunido pelo Condutores de Memória, além de servir como espaço para a realização de atividades culturais e educativas.&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
== &#039;&#039;&#039;Referências Bibliográficas&#039;&#039;&#039; ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
INSTITUTO DE ESTUDOS DA RELIGIÃO. Memória das favelas. Rio de Janeiro: Iser, 2004. (Comunicações do Iser, n. 59).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
INSTITUTO DE ANÁLISES SOCIAIS E ECONÔMICAS. Histórias de favelas da Grande Tijuca contadas por quem faz parte delas / Projeto Condutores(as)de Memória. Rio de Janeiro&amp;amp;nbsp;: IBASE&amp;amp;nbsp;: Agenda Social Rio, 2006.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;span style=&amp;quot;background:white&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:black&amp;quot;&amp;gt;AMOROSO, Mauro. Caminhos do lembrar: a construção e os usos políticos da memória no Morro do Borel. Rio de Janeiro: Ponteio, 2015.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Category:Borel]] [[Category:Temática - Cultura]] [[Category:Projeto]] [[Category:Memória]] [[Category:Temática - Associativismo e Movimentos Sociais]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Mauro Amoroso</name></author>
	</entry>
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		<id>https://homologacao2.wikifavelas.com.br/index.php?title=As_lutas_do_povo_do_Borel&amp;diff=7491</id>
		<title>As lutas do povo do Borel</title>
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		<updated>2020-06-01T21:01:35Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Mauro Amoroso: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot;&amp;gt;Em maio de 1981, foi enviada uma denúncia anônima, através de uma carta, ao delegado do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS). O conteúdo da correspondência tinha como foco alertar “diversas irregularidades que vêm acontecendo na União dos Moradores do Morro do Borel”. O estopim que motivou a denúncia teria sido o lançamento do livro “As lutas do povo do Borel”, de autoria de Manoel Gomes, um ex-morador do local, “militar reformado e de tendências vermelhas”, conforme descrito no documento.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot;&amp;gt;Assim, nosso objetivo é apresentar este importante, porém pouco conhecido livro. A obra, de 73 páginas e editada pela livraria e editora Muro, ligada ao Partido Comunista Brasileiro (PCB), relata as atividades da União dos Trabalhadores Favelados (UTF), entidade à qual o autor pertenceu. Lançada em 1980, possui prefácio de Luiz Carlos Prestes. A UTF foi uma das primeiras entidades representativas de moradores de favelas a apresentar uma proposta de articulação de associações de moradores desses espaços. Influenciada pelo Partido Comunista, surgiu em 1954, como resultado de uma ação de despejo movida contra os moradores do Borel. O objetivo da União foi a mobilização pela permanência e reivindicação por melhores condições de moradia, através da unificação de questões relativas a habitação e emprego.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot;&amp;gt;O livro de Manoel Gomes não é apenas um relato sobre uma instituição representativa de moradores de favelas ou sobre a resistência dos habitantes do Borel à ameaça de despejo, mas um discurso sobre o passado feito pelo representante de um grupo de lideranças dessa favela narrando a mobilização dos moradores na luta por direitos. Surge em um contexto, presente desde meados dos anos 1970, no qual a literatura se revela uma importante arma contra o autoritarismo da ditadura militar, denunciando seus abusos, torturas e assassinatos.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot;&amp;gt;Como dito, seu prefaciador foi o célebre líder comunista Luiz Carlos Prestes. Surgido na vida política brasileira com a Revolta dos 18 do Forte, em 1922, Prestes liderou a famosa coluna que levou seu nome, percorrendo mais de 25 mil quilômetros e grande parte do território brasileiro. Passando a ser conhecido como “cavaleiro da esperança”, foi líder do PCB por várias décadas. Em seu prefácio, escreve sobre a relevância da obra: “Mas o aspecto mais estimulante desta história do morro do Borel está no ensinamento que nos transmite a respeito da força que alcançam os explorados quando se unem e se organizam. A história do surgimento da União dos Trabalhadores Favelados – hoje, União dos Moradores do Morro do Borel – revela a força que pode alcançar a democracia quando posta em prática pelas próprias massas trabalhadoras. (...) Que este livro chegue às mãos do povo é pois o que desejo.”&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot;&amp;gt;Ou seja, na própria apresentação de “As lutas do povo do Borel” já podemos perceber três fatores. O primeiro é que se trata de uma história da UTF, objeto central do relato de Gomes. O segundo é que essa história é vista como um exemplo da “força que alcançam os explorados” quando, mobilizados e organizados, constituem um coletivo de reivindicação. O terceiro diz respeito à vontade e interesse de que essa história chegue “às mãos do povo”, ou seja, alcance um considerável grau de veiculação e se torne conhecida. Sua circulação, assim, possibilitaria o uso de um fato histórico, a criação e atuação da UTF, e suas interpretações como um exemplo de modelo a ser seguido, por significar “a força que pode alcançar a democracia quando posta em prática pelas próprias massas trabalhadoras”.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot;&amp;gt;Sobre as lutas&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot;&amp;gt;O livro de Manoel Gomes conta a história do Morro do Borel através da mobilização de seus moradores pelo direito à moradia. Porém, é possível observar uma interpretação própria sobre o passado e a história das favelas do Rio de Janeiro no âmbito geral, como sobre a maneira em que elas surgiram: “Estamos agora em setembro de 1921, vésperas do ano de 1922, ano em que seria realizada a exposição do Centenário da Independência do Brasil. Havia no Centro da Cidade um reboliço de trabalhos, coincidente com a demolição do morro do Castelo, para a ampliação da área onde seriam realizados os festejos da data magnânima de 7 de Setembro. O afluxo de trabalhadores era enorme, vindo de todo o território nacional, era incontrolável. Da Europa chegavam levas e mais levas de imigrantes, principalmente de Portugal, Espanha e Itália. O mercado de trabalho aqui na Carioca tornava-se cada dia mais abundante. Houvesse disposição, que trabalho não faltava. O Rio de Janeiro, como o nosso leitor deve saber, era uma cidade despreparada para acolher afluente massa humana que a ela chegava. Sua estrutura era colonial. À moda D. João VI, havia pouquíssimos hotéis e pensões. As hospedarias eram insuficientes para acomodar tantos chegantes. Só havia mesmo uma saída, espalhar esta população pelos morros acima, pois as encostas já estavam comprometidas”.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot;&amp;gt;Como vemos, o autor explica a causa do início da favelização dos morros por trabalhadores em uma cidade sem estrutura para abrigá-los, já que a ida para esse espaço urbano teria sido motivada pela busca por empregos, cuja oferta estaria em um patamar significativo. Porém, ao chegar, passariam a sofrer com a exploração feita em cima de sua força de trabalho, recebendo um salário que não seria suficiente para arcar com os custos de vida.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot;&amp;gt;Com isso, adentramos em uma concepção da sociedade, no caso, concebida a partir do debate sobre a questão habitacional dos trabalhadores, na qual a luta de classes possui um papel fundamental para seu entendimento, o que fica mais claro nesta passagem: “Esses beneplácitos senhores acham que só temos o dever de trabalhar, quanto ao direito de receber o valor real da venda do nosso produto que é força, isso não, os patrões não toleram tamanha aberração dos seus “sagrados” direitos de determinação do valor da mão de obra”. &amp;amp;nbsp;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot;&amp;gt;Ainda sob o panorama da luta de classes, é possível tecer considerações sobre a própria figura de Manoel Gomes, sob a qual se possui pouquíssimas informações. O autor de “As lutas do povo do Borel” foi um operário com papel de destaque na UTF, e sua figura pode adotar, de acordo com algumas perspectivas, uma certa aura mítica, como um trabalhador cuja ausência de oportunidades na vida foi convertida em uma profunda consciência crítica. Gomes possui todos os elementos para se constituir em um sujeito marcante para o imaginário tanto dos envolvidos na reorganização do movimento associativo do Borel, quanto pelos opositores à ditadura militar, por encarnar os símbolos de uma ideologia de superação desse regime e do que era considerado como as estruturas geradoras das desigualdades sociais. Mais do que isso, ele representava uma realidade concreta, resultante das engrenagens e contradições do tão criticado sistema capitalista.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot;&amp;gt;A função de registro do livro em questão é perceptível em diversos momentos, como no caso do tratamento dos nomes dos moradores. Ao longo de suas páginas, são encontradas menções a 85 nomes de residentes do Borel, em diferentes situações. Como exemplo, temos a relação de nomes dos que seriam os mais antigos habitantes da favela: “Entre os muitos moradores já radicados, vamos mencionar alguns deles, cujos nomes nos ocorreram à memória, como Leitão do Borel Velho, Ozório, Epaminondas, Chico Bigode, Bolinha (na gruta do mesmo nome), Seu Joaquim Carneiro da Chácara, Antônio Vizeu, Dona Luduvina, Leandro Chagas, Nelson de Moraes e Alcides Tatão da Ladeira do Leandro, Quintela, Lameira, Joaquim Quebe-quebe, Zé Turquinho, Zé Magro, João de Brito, Brandão do Borel Central, Chico Careca, Ferro-Velho, Tomás C. Barroso e seus irmãos Zequinha, Joaquim Casemiro e seu filho Zé Pereira, Antônio Mariniano, Dona Laura, José Rosa e muitos outros (...)”&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot;&amp;gt;A menção a esses “muitos moradores já radicados” é feita quando se explicita a ameaça de despejo dos moradores do Borel, fator que impulsionou a criação da UTF. O relato expõe a existência de um grupo de moradores no local, que seriam afetados pelo despejo cuja consequência seria a perda de seus lares. Porém, Manoel Gomes&amp;amp;nbsp; afirma em seu relato que os mesmos não aceitaram de forma passiva essa ameaça: “Foi quando os moradores receberam uma nova advertência para se mudarem dentro do prazo de 90 dias, pois, do contrário, os “donos” do morro recorreriam ao Judiciário e os despejariam. (...)Foi daí que os moradores mais radicais resolveram tomar uma posição correta para reprimir esses abusos que já estavam enchendo o saco”.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot;&amp;gt;Logo após essa colocação, são nomeados os que “resolveram tomar uma posição correta”. Reparem que alguns dos indivíduos citados se encontram na primeira relação de nomes acima: “Entre os inconformados com esses subterfúgios destaca-se a atuação do cozinheiro da Marinha Mercante Izequiel Manoel do Nascimento, do português Casemiro Pereira – ali residente desde 1921 – da família de João de Brito, Francisco Antunes (o Chico Ferro-Velho), Francisco Martins e sua filha Célia, Chico da Luz, Zé Magro, João da Foice, José Pereira do Açougue, os Barroso (Joaquim e Zequinha), D. Lurdes e seu filho Jorge Neto, Leandro, Tatão, Nelson de Moraes, João Siqueira, e outros (...)”&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot;&amp;gt;Essas menções são feitas antes que tivesse sido criada a UTF. Ou seja, esse fato atestaria a existência, segundo a fala de Gomes, de um grupo de moradores responsáveis por ações prévias de resistência aos interesses que queriam o fim da favela, o que colocaria o ato de buscar a permanência do Borel como interesse inicial de um grupo de moradores, e não como sugestão de agentes externos.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot;&amp;gt;A criação da UTF, segundo a memória de Gomes, seria uma sugestão do advogado Antoine de Magarinos Torres, procurado para defender os interesses dos moradores do Borel em um futuro processo judicial, como forma de reunir condições para se precaver com os custos do embate jurídico que se anunciava:&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot;&amp;gt;“Dr. Magarinos dirigiu do alpendre a palavra aos favelados explicando a todos os presentes que, em vista deles não terem dinheiro para meterem demanda com a Borel Meuron Ltda., precisavam se organizar em uma associação onde todos colaborassem com uma pequena quantia como pagamento de suas mensalidades; fazendo assim, conseguiriam meios necessários para qualquer eventualidade que viesse a surgir”.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot;&amp;gt;A partir dessa sugestão, os moradores se organizaram com o objetivo de recolher a primeira soma de dinheiro para utilizá-lo, ainda segundo o relato do livro, em uma futura contenda legal: “Enquanto um colhia assinaturas, outro fazia uma vaquinha para tomar as primeiras providências contra a inominável violência dos grileiros”. Logo após o recolhimento dessa verba inicial, há o registro daquela que teria sido a primeira diretoria da União, ainda em caráter provisório: “Após terminada a coleta de assinatura e apuração da renda da vaquinha, foi também tirada uma diretoria provisória para a devida organização social, sendo esta composta por Izequiel, Casemiro, Zé Pereira, Ferro-Velho, Zé Magro,&amp;amp;nbsp; José Rosa, Chico da Luz, Tomaz Valdemar Delfino e outros”.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot;&amp;gt;Para além do caráter inicial da organização do movimento, é igualmente abordada sua renovação através da participação de novos moradores que resolveram se agregar à causa: “Nesse vai-e-vem da luta, acercou-se de Magarinos um numeroso grupo (...) que reforçados por um certo número de moradores recém-chegados ao Borel, constituíram um grupo de lutadores dispostos a ir até o final dessa árdua batalha (...) Entre os novos moradores, queremos destacar aqui a atuação de: Joaquim Silva de Pinheiros, que substituíra José de Oliveira na secretaria da UTF (entregando-a depois ao Manduca), dos irmãos Lira, Bonifácio e Zé Bento, Raimundo, Severino Juvêncio da Costa, Antônio Elniro, Zé Boneco, Joãozinho, os irmãos Dutra, Zé Baiano, os irmãos Felipe e mais outros (...)”&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot;&amp;gt;Também foram registradas as mulheres moradoras do Borel em atividades referentes à UTF&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot;&amp;gt;: “(sobre duas comissões de recepção, uma formada por homens e outra por mulheres, feita a Magarinos Torres em uma de suas idas ao Borel) Além de uma comissão feminina composta de D. Neusa dos Santos, a senhora do Tomaz, Dona Dora do Leandro, Alzira do Siqueira e Célia Martins, com um bonito ramalhete de flores protegido por uma capa de papel celofane, com dedicatória à distinta D. Dora, senhora de Magarinos Torres, que em dado momento chegava com seu esposo”.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-bottom:10.0pt; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot;&amp;gt;Há, igualmente, casos de envolvimento feminino que vão além da participação de uma comissão de recepção. Em meados dos anos &amp;lt;st1:metricconverter productid=&amp;quot;1950, a&amp;quot; w:st=&amp;quot;on&amp;quot;&amp;gt;1950, a&amp;lt;/st1:metricconverter&amp;gt; imobiliária responsável pela ação de despejo contra os moradores do Borel construía uma estrada que iria até a parte mais alta do morro. Em um dado momento, a obra foi interrompida devido a ações oriundas da mobilização dos moradores, quando ocorreu a curiosa situação: “(...) uma visita de um dos engenheiros da obra da estrada, a fim de reorganizar os trabalhadores para seu prosseguimento. Porém, ele acabou hostilizado pelo piquete antiestrada feito pelas mulheres que lhe tiraram as calças, fazendo-o descer o morro de cuecas debaixo de uma tremenda vaia e de impropérios de baixo calão, causando-lhe um vexame sem precedente”.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot;&amp;gt;Com isso, temos passagens que revelam o registro de nomes de moradores associados a atuações específicas de um grupo político, como a resistência às ações de despejo, a organização da UTF e a renovação de seus militantes, além de outros aspectos que serão aprofundados posteriormente. A menção a nomes que formariam pequenos coletivos que se responsabilizariam por esses atos pode ser interpretada como uma estratégia discursiva para valorização da coletividade local, o que revelaria uma união entre os moradores em prol de sua organização associativa e da mobilização por suas reivindicações. A história do livro termina em 1964, com o golpe militar e as perseguições que tentaram interromper este movimento de mobilização popular.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot;&amp;gt;Como foi feito o livro “As lutas do povo do Borel”&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot;&amp;gt;O livro “As lutas do povo do Borel” foi editado pela livraria e editora Muro. Segundo a memória de um ex-militante do PCB, a livraria Muro teria sido fundada a partir de um grupo, ligado ao Partido, que atuava na área cultural no bairro da Tijuca desde meados dos anos 1970. Esse foi um período de reorganização da atuação de base dos movimentos de oposição à ditadura, após o desmantelamento dos grupos que optaram pela luta armada e o exílio de diversas lideranças de relevância nesse cenário.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot;&amp;gt;A matriz da livraria e editora surgiu em 1975 no bairro de Ipanema, criada pelo empresário e atual dono da rede de livrarias Travessa, Rui Campos. A filial tijucana é criada posteriormente. Sua localização se dá ao lado do tradicional Café Palheta, no coração da praça Sáenz Peña, um dos principais pontos do bairro e possuidora de uma aura de efervescência cultural, devido aos inúmeros cinemas que lá existiram, e que lhe fizeram valer o apelido de “a Cinelândia da Tijuca”, a partir da década de 1940.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot;&amp;gt;O processo de elaboração da obra envolveu diversos personagens, como Fernanda Carneiro, militante da Ação Popular (AP) e principal responsável pela preparação dos originais. A AP foi um dos principais grupos de resistência armada ao regime militar, mas que nos anos 1970 e 1980 concentrou suas ações em iniciativas culturais junto às classes populares, incluindo moradores de favelas. Manoel Gomes foi um operário com papel de destaque na UTF, sendo uma figura simbólica no morro do Borel. Contudo, Manoel Gomes já não residia no Borel na época em que redigiu a obra, embora continuasse frequentando a favela. Sua residência era em São Gonçalo, para onde Fernanda se deslocava com frequência para datilografar a obra.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot;&amp;gt;Outra passagem importante diz respeito à escolha de Prestes como prefaciador do livro. No início dos anos 1980, o Cavaleiro da Esperança encontrava-se com as relações estremecidas com o próprio PCB, o que culminaria em sua saída definitiva em janeiro 1984. No entanto, sua escolha foi simbólica pelo peso de sua figura histórica e pela mítica que exercia entre os militantes, principalmente os novos. Sendo assim, podemos ver que o lançamento do livro foi possível graças à atuação de dois grupos de esquerda que atuavam no Borel do período, ligados ao PCB e à AP.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot;&amp;gt;A livraria e editora Muro encerra suas atividades em meados dos anos &amp;lt;st1:metricconverter productid=&amp;quot;1980. A&amp;quot; w:st=&amp;quot;on&amp;quot;&amp;gt;1980. A&amp;lt;/st1:metricconverter&amp;gt; filial do Catete, última a ser aberta, foi a primeira a fechar as portas. Logo depois, a filial tijucana segue o mesmo caminho. A principal causa do fim da atividade das duas sedes seriam problemas financeiros.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot;&amp;gt;Apesar de não ser muito conhecida, a obra de Manoel Gomes é de suma importância. Lançada em um período de abertura política, reorganização de movimentos sociais e mobilização da sociedade contra o autoritarismo, revela a visão de uma geração de moradores favelados sobre seu poder de união como forma de alcançar seus direitos. Por mais que estes pareçam cada vez mais distantes, a memória dessa geração é de grande relevância para se entender a junção de forças dos moradores de favelas como um fator histórico definidor desse próprio grupo social.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot;&amp;gt;Referências bibliográficas:&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot;&amp;gt;AMOROSO, Mauro.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;Caminhos do lembrar: a construção e os usos políticos da memória no morro do Borel.&#039;&#039; Rio de Janeiro: Ponteio, 2015.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot;&amp;gt;GOMES, Manoel.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;As lutas do povo do Borel.&#039;&#039; Rio de Janeiro: Muro, 1980.&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Mauro Amoroso</name></author>
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		<title>As lutas do povo do Borel</title>
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		<updated>2020-06-01T20:58:54Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Mauro Amoroso: Criou página com &amp;#039;&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span new=&amp;quot;&amp;quot; roman=&amp;quot;&amp;quot; style=&amp;quot;font-family:&amp;quot; times=&amp;quot;&amp;quot;&amp;gt;...&amp;#039;&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span new=&amp;quot;&amp;quot; roman=&amp;quot;&amp;quot; style=&amp;quot;font-family:&amp;quot; times=&amp;quot;&amp;quot;&amp;gt;Em maio de 1981, foi enviada uma denúncia anônima, através de uma carta, ao delegado do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS). O conteúdo da correspondência tinha como foco alertar “diversas irregularidades que vêm acontecendo na União dos Moradores do Morro do Borel”. O estopim que motivou a denúncia teria sido o lançamento do livro “As lutas do povo do Borel”, de autoria de Manoel Gomes, um ex-morador do local, “militar reformado e de tendências vermelhas”, conforme descrito no documento.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span new=&amp;quot;&amp;quot; roman=&amp;quot;&amp;quot; style=&amp;quot;font-family:&amp;quot; times=&amp;quot;&amp;quot;&amp;gt;Assim, nosso objetivo é apresentar este importante, porém pouco conhecido livro. A obra, de 73 páginas e editada pela livraria e editora Muro, ligada ao Partido Comunista Brasileiro (PCB), relata as atividades da União dos Trabalhadores Favelados (UTF), entidade à qual o autor pertenceu. Lançada em 1980, possui prefácio de Luiz Carlos Prestes. A UTF foi uma das primeiras entidades representativas de moradores de favelas a apresentar uma proposta de articulação de associações de moradores desses espaços. Influenciada pelo Partido Comunista, surgiu em 1954, como resultado de uma ação de despejo movida contra os moradores do Borel. O objetivo da União foi a mobilização pela permanência e reivindicação por melhores condições de moradia, através da unificação de questões relativas a habitação e emprego.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span new=&amp;quot;&amp;quot; roman=&amp;quot;&amp;quot; style=&amp;quot;font-family:&amp;quot; times=&amp;quot;&amp;quot;&amp;gt;O livro de Manoel Gomes não é apenas um relato sobre uma instituição representativa de moradores de favelas ou sobre a resistência dos habitantes do Borel à ameaça de despejo, mas um discurso sobre o passado feito pelo representante de um grupo de lideranças dessa favela narrando a mobilização dos moradores na luta por direitos. Surge em um contexto, presente desde meados dos anos 1970, no qual a literatura se revela uma importante arma contra o autoritarismo da ditadura militar, denunciando seus abusos, torturas e assassinatos.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span new=&amp;quot;&amp;quot; roman=&amp;quot;&amp;quot; style=&amp;quot;font-family:&amp;quot; times=&amp;quot;&amp;quot;&amp;gt;Como dito, seu prefaciador foi o célebre líder comunista Luiz Carlos Prestes. Surgido na vida política brasileira com a Revolta dos 18 do Forte, em 1922, Prestes liderou a famosa coluna que levou seu nome, percorrendo mais de 25 mil quilômetros e grande parte do território brasileiro. Passando a ser conhecido como “cavaleiro da esperança”, foi líder do PCB por várias décadas. Em seu prefácio, escreve sobre a relevância da obra: “Mas o aspecto mais estimulante desta história do morro do Borel está no ensinamento que nos transmite a respeito da força que alcançam os explorados quando se unem e se organizam. A história do surgimento da União dos Trabalhadores Favelados – hoje, União dos Moradores do Morro do Borel – revela a força que pode alcançar a democracia quando posta em prática pelas próprias massas trabalhadoras. (...) Que este livro chegue às mãos do povo é pois o que desejo.”&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span new=&amp;quot;&amp;quot; roman=&amp;quot;&amp;quot; style=&amp;quot;font-family:&amp;quot; times=&amp;quot;&amp;quot;&amp;gt;Ou seja, na própria apresentação de “As lutas do povo do Borel” já podemos perceber três fatores. O primeiro é que se trata de uma história da UTF, objeto central do relato de Gomes. O segundo é que essa história é vista como um exemplo da “força que alcançam os explorados” quando, mobilizados e organizados, constituem um coletivo de reivindicação. O terceiro diz respeito à vontade e interesse de que essa história chegue “às mãos do povo”, ou seja, alcance um considerável grau de veiculação e se torne conhecida. Sua circulação, assim, possibilitaria o uso de um fato histórico, a criação e atuação da UTF, e suas interpretações como um exemplo de modelo a ser seguido, por significar “a força que pode alcançar a democracia quando posta em prática pelas próprias massas trabalhadoras”.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span new=&amp;quot;&amp;quot; roman=&amp;quot;&amp;quot; style=&amp;quot;font-family:&amp;quot; times=&amp;quot;&amp;quot;&amp;gt;Sobre as lutas&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span new=&amp;quot;&amp;quot; roman=&amp;quot;&amp;quot; style=&amp;quot;font-family:&amp;quot; times=&amp;quot;&amp;quot;&amp;gt;O livro de Manoel Gomes conta a história do Morro do Borel através da mobilização de seus moradores pelo direito à moradia. Porém, é possível observar uma interpretação própria sobre o passado e a história das favelas do Rio de Janeiro no âmbito geral, como sobre a maneira em que elas surgiram: “Estamos agora em setembro de 1921, vésperas do ano de 1922, ano em que seria realizada a exposição do Centenário da Independência do Brasil. Havia no Centro da Cidade um reboliço de trabalhos, coincidente com a demolição do morro do Castelo, para a ampliação da área onde seriam realizados os festejos da data magnânima de 7 de Setembro. O afluxo de trabalhadores era enorme, vindo de todo o território nacional, era incontrolável. Da Europa chegavam levas e mais levas de imigrantes, principalmente de Portugal, Espanha e Itália. O mercado de trabalho aqui na Carioca tornava-se cada dia mais abundante. Houvesse disposição, que trabalho não faltava. O Rio de Janeiro, como o nosso leitor deve saber, era uma cidade despreparada para acolher afluente massa humana que a ela chegava. Sua estrutura era colonial. À moda D. João VI, havia pouquíssimos hotéis e pensões. As hospedarias eram insuficientes para acomodar tantos chegantes. Só havia mesmo uma saída, espalhar esta população pelos morros acima, pois as encostas já estavam comprometidas”.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span new=&amp;quot;&amp;quot; roman=&amp;quot;&amp;quot; style=&amp;quot;font-family:&amp;quot; times=&amp;quot;&amp;quot;&amp;gt;Como vemos, o autor explica a causa do início da favelização dos morros por trabalhadores em uma cidade sem estrutura para abrigá-los, já que a ida para esse espaço urbano teria sido motivada pela busca por empregos, cuja oferta estaria em um patamar significativo. Porém, ao chegar, passariam a sofrer com a exploração feita em cima de sua força de trabalho, recebendo um salário que não seria suficiente para arcar com os custos de vida.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span new=&amp;quot;&amp;quot; roman=&amp;quot;&amp;quot; style=&amp;quot;font-family:&amp;quot; times=&amp;quot;&amp;quot;&amp;gt;Com isso, adentramos em uma concepção da sociedade, no caso, concebida a partir do debate sobre a questão habitacional dos trabalhadores, na qual a luta de classes possui um papel fundamental para seu entendimento, o que fica mais claro nesta passagem: “Esses beneplácitos senhores acham que só temos o dever de trabalhar, quanto ao direito de receber o valor real da venda do nosso produto que é força, isso não, os patrões não toleram tamanha aberração dos seus “sagrados” direitos de determinação do valor da mão de obra”. &amp;amp;nbsp;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span new=&amp;quot;&amp;quot; roman=&amp;quot;&amp;quot; style=&amp;quot;font-family:&amp;quot; times=&amp;quot;&amp;quot;&amp;gt;Ainda sob o panorama da luta de classes, é possível tecer considerações sobre a própria figura de Manoel Gomes, sob a qual se possui pouquíssimas informações. O autor de “As lutas do povo do Borel” foi um operário com papel de destaque na UTF, e sua figura pode adotar, de acordo com algumas perspectivas, uma certa aura mítica, como um trabalhador cuja ausência de oportunidades na vida foi convertida em uma profunda consciência crítica. Gomes possui todos os elementos para se constituir em um sujeito marcante para o imaginário tanto dos envolvidos na reorganização do movimento associativo do Borel, quanto pelos opositores à ditadura militar, por encarnar os símbolos de uma ideologia de superação desse regime e do que era considerado como as estruturas geradoras das desigualdades sociais. Mais do que isso, ele representava uma realidade concreta, resultante das engrenagens e contradições do tão criticado sistema capitalista.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span new=&amp;quot;&amp;quot; roman=&amp;quot;&amp;quot; style=&amp;quot;font-family:&amp;quot; times=&amp;quot;&amp;quot;&amp;gt;A função de registro do livro em questão é perceptível em diversos momentos, como no caso do tratamento dos nomes dos moradores. Ao longo de suas páginas, são encontradas menções a 85 nomes de residentes do Borel, em diferentes situações. Como exemplo, temos a relação de nomes dos que seriam os mais antigos habitantes da favela: “Entre os muitos moradores já radicados, vamos mencionar alguns deles, cujos nomes nos ocorreram à memória, como Leitão do Borel Velho, Ozório, Epaminondas, Chico Bigode, Bolinha (na gruta do mesmo nome), Seu Joaquim Carneiro da Chácara, Antônio Vizeu, Dona Luduvina, Leandro Chagas, Nelson de Moraes e Alcides Tatão da Ladeira do Leandro, Quintela, Lameira, Joaquim Quebe-quebe, Zé Turquinho, Zé Magro, João de Brito, Brandão do Borel Central, Chico Careca, Ferro-Velho, Tomás C. Barroso e seus irmãos Zequinha, Joaquim Casemiro e seu filho Zé Pereira, Antônio Mariniano, Dona Laura, José Rosa e muitos outros (...)”&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span new=&amp;quot;&amp;quot; roman=&amp;quot;&amp;quot; style=&amp;quot;font-family:&amp;quot; times=&amp;quot;&amp;quot;&amp;gt;A menção a esses “muitos moradores já radicados” é feita quando se explicita a ameaça de despejo dos moradores do Borel, fator que impulsionou a criação da UTF. O relato expõe a existência de um grupo de moradores no local, que seriam afetados pelo despejo cuja consequência seria a perda de seus lares. Porém, Manoel Gomes&amp;amp;nbsp; afirma em seu relato que os mesmos não aceitaram de forma passiva essa ameaça: “Foi quando os moradores receberam uma nova advertência para se mudarem dentro do prazo de 90 dias, pois, do contrário, os “donos” do morro recorreriam ao Judiciário e os despejariam. (...)&#039;&#039;Foi daí que os moradores mais radicais resolveram tomar uma posição correta para reprimir esses abusos que já estavam enchendo o saco”.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span new=&amp;quot;&amp;quot; roman=&amp;quot;&amp;quot; style=&amp;quot;font-family:&amp;quot; times=&amp;quot;&amp;quot;&amp;gt;Logo após essa colocação, são nomeados os que “resolveram tomar uma posição correta”. Reparem que alguns dos indivíduos citados se encontram na primeira relação de nomes acima: “Entre os inconformados com esses subterfúgios destaca-se a atuação do cozinheiro da Marinha Mercante Izequiel Manoel do Nascimento, do português Casemiro Pereira – ali residente desde 1921 – da família de João de Brito, Francisco Antunes (o Chico Ferro-Velho), Francisco Martins e sua filha Célia, Chico da Luz, Zé Magro, João da Foice, José Pereira do Açougue, os Barroso (Joaquim e Zequinha), D. Lurdes e seu filho Jorge Neto, Leandro, Tatão, Nelson de Moraes, João Siqueira, e outros (...)”&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span new=&amp;quot;&amp;quot; roman=&amp;quot;&amp;quot; style=&amp;quot;font-family:&amp;quot; times=&amp;quot;&amp;quot;&amp;gt;Essas menções são feitas antes que tivesse sido criada a UTF. Ou seja, esse fato atestaria a existência, segundo a fala de Gomes, de um grupo de moradores responsáveis por ações prévias de resistência aos interesses que queriam o fim da favela, o que colocaria o ato de buscar a permanência do Borel como interesse inicial de um grupo de moradores, e não como sugestão de agentes externos.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span new=&amp;quot;&amp;quot; roman=&amp;quot;&amp;quot; style=&amp;quot;font-family:&amp;quot; times=&amp;quot;&amp;quot;&amp;gt;A criação da UTF, segundo a memória de Gomes, seria uma sugestão do advogado Antoine de Magarinos Torres, procurado para defender os interesses dos moradores do Borel em um futuro processo judicial, como forma de reunir condições para se precaver com os custos do embate jurídico que se anunciava:&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span new=&amp;quot;&amp;quot; roman=&amp;quot;&amp;quot; style=&amp;quot;font-family:&amp;quot; times=&amp;quot;&amp;quot;&amp;gt;“Dr. Magarinos dirigiu do alpendre a palavra aos favelados explicando a todos os presentes que, em vista deles não terem dinheiro para meterem demanda com a Borel Meuron Ltda., precisavam se organizar em uma associação onde todos colaborassem com uma pequena quantia como pagamento de suas mensalidades; fazendo assim, conseguiriam meios necessários para qualquer eventualidade que viesse a surgir”.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span new=&amp;quot;&amp;quot; roman=&amp;quot;&amp;quot; style=&amp;quot;font-family:&amp;quot; times=&amp;quot;&amp;quot;&amp;gt;A partir dessa sugestão, os moradores se organizaram com o objetivo de recolher a primeira soma de dinheiro para utilizá-lo, ainda segundo o relato do livro, em uma futura contenda legal: “Enquanto um colhia assinaturas, outro fazia uma vaquinha para tomar as primeiras providências contra a inominável violência dos grileiros”. Logo após o recolhimento dessa verba inicial, há o registro daquela que teria sido a primeira diretoria da União, ainda em caráter provisório: “Após terminada a coleta de assinatura e apuração da renda da vaquinha, foi também tirada uma diretoria provisória para a devida organização social, sendo esta composta por Izequiel, Casemiro, Zé Pereira, Ferro-Velho, Zé Magro,&amp;amp;nbsp; José Rosa, Chico da Luz, Tomaz Valdemar Delfino e outros”.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span new=&amp;quot;&amp;quot; roman=&amp;quot;&amp;quot; style=&amp;quot;font-family:&amp;quot; times=&amp;quot;&amp;quot;&amp;gt;Para além do caráter inicial da organização do movimento, é igualmente abordada sua renovação através da participação de novos moradores que resolveram se agregar à causa: “Nesse vai-e-vem da luta, acercou-se de Magarinos um numeroso grupo (...) que reforçados por um certo número de moradores recém-chegados ao Borel, constituíram um grupo de lutadores dispostos a ir até o final dessa árdua batalha (...) Entre os novos moradores, queremos destacar aqui a atuação de: Joaquim Silva de Pinheiros, que substituíra José de Oliveira na secretaria da UTF (entregando-a depois ao Manduca), dos irmãos Lira, Bonifácio e Zé Bento, Raimundo, Severino Juvêncio da Costa, Antônio Elniro, Zé Boneco, Joãozinho, os irmãos Dutra, Zé Baiano, os irmãos Felipe e mais outros (...)”&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span new=&amp;quot;&amp;quot; roman=&amp;quot;&amp;quot; style=&amp;quot;font-family:&amp;quot; times=&amp;quot;&amp;quot;&amp;gt;Também foram registradas as mulheres moradoras do Borel em atividades referentes à UTF&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span new=&amp;quot;&amp;quot; roman=&amp;quot;&amp;quot; style=&amp;quot;font-family:&amp;quot; times=&amp;quot;&amp;quot;&amp;gt;: “(sobre duas comissões de recepção, uma formada por homens e outra por mulheres, feita a Magarinos Torres em uma de suas idas ao Borel) Além de uma comissão feminina composta de D. Neusa dos Santos, a senhora do Tomaz, Dona Dora do Leandro, Alzira do Siqueira e Célia Martins, com um bonito ramalhete de flores protegido por uma capa de papel celofane, com dedicatória à distinta D. Dora, senhora de Magarinos Torres, que em dado momento chegava com seu esposo”.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-bottom:10.0pt; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span new=&amp;quot;&amp;quot; roman=&amp;quot;&amp;quot; style=&amp;quot;font-family:&amp;quot; times=&amp;quot;&amp;quot;&amp;gt;Há, igualmente, casos de envolvimento feminino que vão além da participação de uma comissão de recepção. Em meados dos anos &amp;lt;st1:metricconverter productid=&amp;quot;1950, a&amp;quot; w:st=&amp;quot;on&amp;quot;&amp;gt;1950, a&amp;lt;/st1:metricconverter&amp;gt; imobiliária responsável pela ação de despejo contra os moradores do Borel construía uma estrada que iria até a parte mais alta do morro. Em um dado momento, a obra foi interrompida devido a ações oriundas da mobilização dos moradores, quando ocorreu a curiosa situação: “(...) uma visita de um dos engenheiros da obra da estrada, a fim de reorganizar os trabalhadores para seu prosseguimento. Porém, ele acabou hostilizado pelo piquete antiestrada feito pelas mulheres que lhe tiraram as calças, fazendo-o descer o morro de cuecas debaixo de uma tremenda vaia e de impropérios de baixo calão, causando-lhe um vexame sem precedente”.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span new=&amp;quot;&amp;quot; roman=&amp;quot;&amp;quot; style=&amp;quot;font-family:&amp;quot; times=&amp;quot;&amp;quot;&amp;gt;Com isso, temos passagens que revelam o registro de nomes de moradores associados a atuações específicas de um grupo político, como a resistência às ações de despejo, a organização da UTF e a renovação de seus militantes, além de outros aspectos que serão aprofundados posteriormente. A menção a nomes que formariam pequenos coletivos que se responsabilizariam por esses atos pode ser interpretada como uma estratégia discursiva para valorização da coletividade local, o que revelaria uma união entre os moradores em prol de sua organização associativa e da mobilização por suas reivindicações. A história do livro termina em 1964, com o golpe militar e as perseguições que tentaram interromper este movimento de mobilização popular.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span new=&amp;quot;&amp;quot; roman=&amp;quot;&amp;quot; style=&amp;quot;font-family:&amp;quot; times=&amp;quot;&amp;quot;&amp;gt;Como foi feito o livro “As lutas do povo do Borel”&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span new=&amp;quot;&amp;quot; roman=&amp;quot;&amp;quot; style=&amp;quot;font-family:&amp;quot; times=&amp;quot;&amp;quot;&amp;gt;O livro “As lutas do povo do Borel” foi editado pela livraria e editora Muro. Segundo a memória de um ex-militante do PCB, a livraria Muro teria sido fundada a partir de um grupo, ligado ao Partido, que atuava na área cultural no bairro da Tijuca desde meados dos anos 1970. Esse foi um período de reorganização da atuação de base dos movimentos de oposição à ditadura, após o desmantelamento dos grupos que optaram pela luta armada e o exílio de diversas lideranças de relevância nesse cenário.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span new=&amp;quot;&amp;quot; roman=&amp;quot;&amp;quot; style=&amp;quot;font-family:&amp;quot; times=&amp;quot;&amp;quot;&amp;gt;A matriz da livraria e editora surgiu em 1975 no bairro de Ipanema, criada pelo empresário e atual dono da rede de livrarias Travessa, Rui Campos. A filial tijucana é criada posteriormente. Sua localização se dá ao lado do tradicional Café Palheta, no coração da praça Sáenz Peña, um dos principais pontos do bairro e possuidora de uma aura de efervescência cultural, devido aos inúmeros cinemas que lá existiram, e que lhe fizeram valer o apelido de “a Cinelândia da Tijuca”, a partir da década de 1940.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span new=&amp;quot;&amp;quot; roman=&amp;quot;&amp;quot; style=&amp;quot;font-family:&amp;quot; times=&amp;quot;&amp;quot;&amp;gt;O processo de elaboração da obra envolveu diversos personagens, como Fernanda Carneiro, militante da Ação Popular (AP) e principal responsável pela preparação dos originais. A AP foi um dos principais grupos de resistência armada ao regime militar, mas que nos anos 1970 e 1980 concentrou suas ações em iniciativas culturais junto às classes populares, incluindo moradores de favelas. Manoel Gomes foi um operário com papel de destaque na UTF, sendo uma figura simbólica no morro do Borel. Contudo, Manoel Gomes já não residia no Borel na época em que redigiu a obra, embora continuasse frequentando a favela. Sua residência era em São Gonçalo, para onde Fernanda se deslocava com frequência para datilografar a obra.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span new=&amp;quot;&amp;quot; roman=&amp;quot;&amp;quot; style=&amp;quot;font-family:&amp;quot; times=&amp;quot;&amp;quot;&amp;gt;Outra passagem importante diz respeito à escolha de Prestes como prefaciador do livro. No início dos anos 1980, o Cavaleiro da Esperança encontrava-se com as relações estremecidas com o próprio PCB, o que culminaria em sua saída definitiva em janeiro 1984. No entanto, sua escolha foi simbólica pelo peso de sua figura histórica e pela mítica que exercia entre os militantes, principalmente os novos. Sendo assim, podemos ver que o lançamento do livro foi possível graças à atuação de dois grupos de esquerda que atuavam no Borel do período, ligados ao PCB e à AP.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span new=&amp;quot;&amp;quot; roman=&amp;quot;&amp;quot; style=&amp;quot;font-family:&amp;quot; times=&amp;quot;&amp;quot;&amp;gt;A livraria e editora Muro encerra suas atividades em meados dos anos &amp;lt;st1:metricconverter productid=&amp;quot;1980. A&amp;quot; w:st=&amp;quot;on&amp;quot;&amp;gt;1980. A&amp;lt;/st1:metricconverter&amp;gt; filial do Catete, última a ser aberta, foi a primeira a fechar as portas. Logo depois, a filial tijucana segue o mesmo caminho. A principal causa do fim da atividade das duas sedes seriam problemas financeiros.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span new=&amp;quot;&amp;quot; roman=&amp;quot;&amp;quot; style=&amp;quot;font-family:&amp;quot; times=&amp;quot;&amp;quot;&amp;gt;Apesar de não ser muito conhecida, a obra de Manoel Gomes é de suma importância. Lançada em um período de abertura política, reorganização de movimentos sociais e mobilização da sociedade contra o autoritarismo, revela a visão de uma geração de moradores favelados sobre seu poder de união como forma de alcançar seus direitos. Por mais que estes pareçam cada vez mais distantes, a memória dessa geração é de grande relevância para se entender a junção de forças dos moradores de favelas como um fator histórico definidor desse próprio grupo social.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span new=&amp;quot;&amp;quot; roman=&amp;quot;&amp;quot; style=&amp;quot;font-family:&amp;quot; times=&amp;quot;&amp;quot;&amp;gt;Referências bibliográficas:&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span new=&amp;quot;&amp;quot; roman=&amp;quot;&amp;quot; style=&amp;quot;font-family:&amp;quot; times=&amp;quot;&amp;quot;&amp;gt;AMOROSO, Mauro. &#039;&#039;Caminhos do lembrar: a construção e os usos políticos da memória no morro do Borel&#039;&#039;. Rio de Janeiro: Ponteio, 2015.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span new=&amp;quot;&amp;quot; roman=&amp;quot;&amp;quot; style=&amp;quot;font-family:&amp;quot; times=&amp;quot;&amp;quot;&amp;gt;GOMES, Manoel. &#039;&#039;As lutas do povo do Borel&#039;&#039;. Rio de Janeiro: Muro, 1980.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Mauro Amoroso</name></author>
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