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	<title>Dicionário de Favelas Marielle Franco - Contribuições do usuário [pt-br]</title>
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		<title>Artes urbanas e favelas</title>
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		<updated>2020-03-03T00:30:19Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Thiago Matiolli: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Por&amp;amp;nbsp;[https://wikifavelas.com.br/index.php?title=Usuária_Discussão:Priscila_Telles Priscila Telles] e&amp;amp;nbsp;[https://wikifavelas.com.br/index.php?title=Usuário:Thiago_Matiolli Thiago Matiolli]&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
== Introdução ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No dia 05 de novembro de 2016, um sábado chuvoso, o Instituto Raízes em Movimento&amp;lt;ref&amp;gt;Para maiores informações sobre a organização, ver o verbete “Instituto Raízes em Movimento”, neste dicionário. &amp;lt;/ref&amp;gt; realizou o 3º encontro do Vamos Desenrolar - Oficina de Produção de Memórias e Conhecimento&amp;lt;ref&amp;gt; Para saber mais sobre o evento, ver o Verbete “Vamos Desenrolar”, neste dicionário. &amp;lt;/ref&amp;gt;, que abordava as artes urbanas. As discussões trataram do campo das expressões culturais na cidade em espaços abertos, favelas, praças públicas, ruas… A proposta foi refletir sobre as resistências e criatividade na construção desses espaços que geralmente são construídos no vácuo de políticas públicas culturais e na busca de expressões libertárias. O encontro trouxe à superfície experiências musicais, grafite, teatro, saraus, rodas culturais, enfim, caminhos alternativos de apropriação e combate à indústria cultural de massa. Os Dinamizadores foram: Adriana Lopes: pesquisadora e professora da UFRRJ; Carlos Meijueiro: pesquisador e ativista cultural; Cláudio Vaz: professor de artes e ativista cultural; Gustavo Coelho: pesquisador sobre pichação e outras culturas de rua (diretor do documentário “Luz Câmera, Pichação”); e Rico Neurótico: MC&amp;lt;ref&amp;gt;O termo MC é uma adaptação do inglês master of cerimony, que significa Mestre de Cerimônia. É aquele (a) que, enquanto a é tocada, elabora, recita e canta suas rimas e poesias. &lt;br /&gt;
&amp;lt;/ref&amp;gt; e produtor cultural da Roda Cultural de Olaria. Este último, personagem que fica no entrecruzamento dos assuntos abordados neste verbete, bem como nos exemplos tomados para ilustração do argumento: a Roda Cultural de Olaria e o Circulando - Diálogo e Comunicação na Favela.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;O tema das “artes urbanas” não é de conceituação simples e, muito menos, taxativa. Porém, quando retomamos o debate promovido pela edição do Vamos Desenrolar citado acima, é possível encontrar algumas pistas. Por exemplo, Adriana Lopes iniciou a conversa falando sobre a importância do funk e a presença potente das mulheres nesse ambiente produtivo, destacando que &amp;amp;nbsp;“a arte urbana é mais que o grafismo, a gente escreve com nossos corpos, com nossas roupas...”; Cláudio Vaz disse que não se importava de ter seus projetos copiados por outros produtores e com humor afirmou “Se fizer bem feito é bom, se não fizer bem eu vou lá e reclamo!”; Gustavo Coelho lembrou dos movimentos “xarpi” - que será retomado mais a frente -, bate bola e baile funk “A pixação não é feia, pelo contrário, tem muita delicadeza no traço”; e, por fim, mas não menos importante, MC Rico Neurótico lembrou que “A rua não é só a ferramenta, é o nosso campo de atuação..”&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;No intuito de se aproximar de uma caracterização das artes urbanas que norteie este verbete, exploraremos melhor estas pistas na próxima seção.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
== Artes Urbanas ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As falas destacadas acima nos trazem várias características das artes artes urbanas: a importância dos corpos; o apreço pela questão estética e a qualidade da obra; as possibilidades de sua prática enquanto resistência; a diversidades das linguagens que a compõem: a música, as artes plásticas (como o grafite e a pichação), as representações teatrais (como os bate-bolas citados) - aos quais podemos somar a literatura, a dança, e o audiovisual; e, ainda, a rua, ou o espaço público como lugar predominante de sua manifestação. Aqui, não abordaremos todas essas dimensões, focaremos em duas delas (sem, contudo, deixar totalmente de lado, as demais): sua pluralidade e o espaço público como seu palco principal.&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;A cidade está longe de ser um lugar que possa ser compreendido em sua totalidade. Seus habitantes cultivam estilos particulares de entretenimento, mantém vínculos de sociabilidade e relacionamento, criam modos e padrões culturais diferenciados. Marcada, então, pela sua diversidade e heterogeneidade, a cidade se encontra como lugar privilegiado para análise de uma multiplicidade de atividades e formas de participação. Dentre essas formas de participação, as expressões artísticas, em suas diversas dimensões – sonoras, visuais e performativas –, têm se mostrado um objeto relevante para se pensar essa urbe. Como veremos na realização dos festivais circulando.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;A rua, cada vez mais, tem se tornado palco de diferentes tipos de manifestações artísticas e culturais. Em uma caminhada vespertina pelo centro da cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, é possível ver músicos de rua, artistas circenses, entre outros que, encontram nesses espaços, lócus para suas atividades. Afastando-se um pouco da região central carioca, nota-se que em diversos bairros das Zonas Norte, Sul e Oeste, as praças também têm sido logradouro de manifestações deste cunho. As Rodas Culturais e, mais especificamente, a Roda de Olaria é um importante exemplo disso.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Artes urbanas e periferia&amp;amp;nbsp; ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;As relações entre cidade e favela, ou outras formas espaciais periféricas, podem ser pensadas, em suas diversas dimensões, sob a chave de uma dualidade: a importância dos corpos e energias de moradoras/es desses espaços são indispensáveis para o funcionamento da cidade como um todo; ao mesmo tempo em que há uma profunda necessidade de controle social destas populações, tendo em vista o tensionamento que sua circulação pelo espaço urbano causa. Sob este pano de fundo que devemos refletir sobre as artes urbanas produzidas e vivenciadas nas favelas.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;O caráter indispensável de moradoras/es da periferia para o funcionamento da vida citadina foi ressaltado na realização da edição de 2017 do Circulando, com o lema: “o rolé das favelas produz cidade&amp;lt;ref&amp;gt;A cada ano, o Circulando tem um mote diferente e, em alguns deles, uma camisa com seu lema é vendida no evento. Em 2017 foi rolébilidade; em 2015, com o mote da memória, a camisa trazia o lema: “Meu nome é favela, minha história também”; e, em 2018, abordando a diversidade, o slogan foi “somos juntxs”. &amp;lt;/ref&amp;gt;” - em termos concretos e simbólicos. O mote daquele ano era mobilidade urbana, ou melhor, “rolébilidade” - entendida como a forma de mobilidade periférica, com todas suas dificuldades e estratégias, desde a debilidade do transporte público até às&amp;amp;nbsp; circulações internas à favelas, pelos seus becos&amp;lt;ref&amp;gt;Ver o verbete “mobilidades”, neste dicionário.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ref&amp;gt;; um circuito que tenta, com maior ou menor sucesso, controlar o rolé de faveladas/os na cidade, permitindo a circulação precária para o trabalho, mas restringindo-a com relação ao lazer. De todo modo, a “rolébilidade” também nos permite questionar se a arte periférica também não é fundamental para a vida urbana, cimentada pela força e criatividade favelada..&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;O circulando deu o papo reto: as favelas contribuem, literalmente, para a construção das cidades, com sua mão de obra e suor, todavia, pouco conseguem gozar da urbanidade que ela proporciona, sobretudo em termos de direitos, inclusive os culturais. Estes são limitados de, ao menos, duas maneiras: invisibilizando e criminalizando suas manifestações artísticas ou negando-lhes contato com outras produções, mesmo as mais mainstream. Por exemplo, o afastamento do cinema ou de teatros.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Com relação à criminalização da produção artística, é preciso ressaltar que as populações periféricas, em geral, também são construídas como “classes perigosas”. Um fenômeno histórico que remete ao processo de urbanização na Europa do século XIX, quando há uma intensa concentração demográfica nas cidades e, consequentemente, o desencadeamento de uma série de problemas ligados à vida nestes espaços. O que teria levado ao surgimento de uma “questão urbana” como objeto de reflexão das elites políticas e intelectuais. Neste processo, a miséria e o controle social de um contingente populacional tão grande se tornou um desafio quase intransponível. Uma das tentativas de solucioná-lo passou pela divisão das pessoas entre uma “classe operária respeitável”, que querem emprego, mas não o encontram e se comportam de modo disciplinado e moralmente aceito em sociedade; das massas empobrecidas, ou “classes perigosas”, incorrigíveis e incontroláveis, fonte de três perigos para as elites urbanas: o sanitário, o da criminalidade e da sublevação política (Topalov, 2015; Foucault, 2005).&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Este último risco talvez seja a preocupação mais efetiva dessas elites urbanas, ainda que nem tanto das classes médias, capturadas pelo discurso do medo e da segurança pública. A predominância de um discurso que ressalta, cotidiana e midiaticamente, os perigos de uma “violência urbana” acaba compondo um dispositivo que justifica ações de controle dos riscos reais da transformação política desencadeada pelas classes ditas “perigosas”. Como, por exemplo, na criminalização de práticas artísticas faveladas ao longo da história do Rio de Janeiro que tinha como alvo o samba, no início do século XX, e passa a ter como inimigo no fim deste século e início do XXI, o funk. Ambas formas culturais que descrevem e, em alguma medida, denunciam as condições de vida de seus compositores.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Mas, essa criminalização não é um processo contra o qual não se poder resistir. A relação das elites urbanas com as populações periféricas é muito mais sutil e complexa, do que a de uma mera subordinação.&amp;amp;nbsp; E uma chave para entendermos isso é dada, novamente, por Christian Topalov (2015), historiador francês. Essa interação tomaria forma num jogo de apropriações e ressignificações de práticas realizado pelas elites urbanas e as populações mais pobres. Nas quais práticas populares de resistência são apreendidas por tais elites, que as reconfiguram de modo a esvaziá-las de seu teor político; ao mesmo tempo em que, ainda que em menor grau, práticas de controle social podem ser repensadas e reconstruídas de modo que possam também se tornar veículos de contestação social e políticas (Topalov, 2015).&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Neste sentido, e voltando à questão do samba e do funk, vemos a complexidade de um dispositivo de controle social que é econômico e repressivo. Com o passar do tempo, esses ritmos foram depurados e aceitos em outros espaços da cidade. Assim, por exemplo, seguem as repressões às festas e eventos nas favelas, ao som de funk, principalmente, mas ainda do samba também, ao mesmo tempo em que essas músicas bombam em eventos caros das zonas mais abastadas da cidade, ou ao som do cantor Thiaguinho em sua “tardezinha” no estádio do Maracanã. Quer dizer, as práticas culturas periféricas são aceitas quando estão desassociadas de seus lugares de origem e entram em circuitos lucrativos da indústria cultural, mas seguem sendo marginalizadas quando são indóceis demais para serem controladas e entrarem no jogo econômico.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Por outro lado, há ressignificações também em sentido contrário, produzindo resistências. Isso podemos ver em eventos como a Roda de Olaria e o Circulando, onde práticas culturais de elites não são negadas, pelo contrário, são apropriadas e recebem um sentido político novo, de contestação e reinvenção de significados. Deste modo, por exemplo, o Circulando conta em muitas de suas edições com apresentações teatrais, levadas a cabo, pelo grupo Teatro da Laje, coordenado pelo professor Veríssimo Júnior; ou através da poesia, cujos limites são totalmente ampliados e transformados, sem perder seu lirismo, na Roda de Olaria.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Assim, tal como propomos aqui, pensar a relação entre as artes urbanas e a periferia é reconhecer que sua riqueza, diversidade e capacidade de ocupar o espaço público estão envolvidas numa complexa prática de criminalização que envolve uma seleção e depuração de práticas que podem atender a certos circuitos lucrativos (e que passam a ser legítimas e aceitas na sociedade) de outras que seguiram como ferramentas de controle social. Ao mesmo tempo em que, esse controle não é fácil e confortável, mas que é constantemente tensionado pela reinventidade (mote do Circulando de 2016) favelada e periférica, que produz ou ressignifica artes mais consagradas.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
== A Roda de Olaria ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;As rodas culturais também nos permitem perceber como a arte urbana e periférica, em suas múltiplas dimensões, é capaz de cimentar a vida na cidade ressignificando o espaço público. É possível contabilizar mais de cem rodas culturais que ocorrem diariamente, em diversos lugares da cidade, com a participação aberta a todo e qualquer artista e de forma gratuita (Alves, 2016). Em grande medida, elas se configuram como eventos independentes, sem aportes financeiros ou institucionais de prefeituras e secretarias de cultura, cuja finalidade é ocupar o espaço público para incentivar, valorizar e promover arte, cultura e entretenimento gratuito para os mais diversos habitantes citadinos.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;As Rodas Culturais são uma teia de artistas e trabalhadores independentes, como poetas, fotógrafos, Mcs, músicos, grafiteiros, artistas plásticos, artistas circenses, atores, profissionais do audiovisual, esportistas urbanos etc. Essa rede unifica, intensifica e expande a sustentabilidade da cultura de rua dos bairros cariocas&amp;lt;ref&amp;gt;Disponível em: &amp;lt;https://www.facebook.com/pg/circuitocariocaderitmoepoesia/about/?ref=page_internal&amp;gt;. Acesso em: 29/02/2020.&amp;lt;/ref&amp;gt;.&#039;&#039;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Foi na 3ª edição do Vamos Desenrolar sobre Arte Urbana que Rico, MC e produtor cultural da Roda de Olaria&amp;lt;ref&amp;gt;A Roda de Olaria possuía até o ano de 2018 três produtores culturais: Laércio Soares Corrêa, Bruno Teixeira e Felippe Massal. Eles são conhecidos por seus amigos mais próximos como Rico, Bruno Xédom ou “Xerélos” e Massal. Rico é MC e lutador de Jiu-Jtsu, Bruno é tatuador e grafiteiro, e Felippe Massal faz graduação em Direito é responsável por fazer as filmagens das batalhas e fotografias do evento. &amp;lt;/ref&amp;gt; falou sobre a importância deste tipo de evento na construção dos espaços que geralmente são reconhecidos como vazios ou ausentes de políticas públicas culturais. Em contrapartida, o MC ressaltou uma série de dificuldades que a Roda de Olaria&amp;lt;ref&amp;gt;Bem como outras Rodas Culturais cariocas.&amp;lt;/ref&amp;gt; sempre enfrentou desde que começou a ocupar as Quadras Gêmeas em 2012.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Segundo Rico, no início era apenas um encontro despretencioso de amigos MCs que, nas noites de quintas-feiras, levavam violões e cajóns para a praça, e se sentavam em roda para conversar e improvisar algumas rimas sob uma tenda branca. Com o passar do tempo o público foi ficando cada vez maior e as Quadras Gêmeas passaram a se tornar palco de um encontro protagonizado por pessoas de diferentes faixas etárias, moradores do bairro de Olaria e adjacências.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;No entanto, Rico afirmou que a história da Roda de Olaria é de uma luta constante por conta de uma série de problemáticas que os produtores precisavam administrar: desde a falta de dinheiro para alugar os equipamentos, negociações para conseguir o Nada Opor&amp;lt;ref&amp;gt;Alvará de Autorização Transitória para eventos em geral: culturais, sociais, desportivos, religiosos e quaisquer outros que promovam concentrações de pessoas. No caso das rodas culturais, este alvará precisava ser emitido pelo Batalhão da Polícia Militar do bairro.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ref&amp;gt; às repressões policiais durante o evento. No encontro, o MC enfatizou: “a única forma que a gente tem de diálogo com o poder público é de forma ‘truculenta’, que é com a polícia. A polícia não entende quando você chega num espaço e quer ocupar para mudança; é revitalização do espaço a princípio de tudo. Tivemos essa truculência com a polícia, mas mesmo assim a gente continuou fazendo.”&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Um dos primeiros impactos foi uma multa. Em uma das quintas-feiras do ano de 2015 enquanto Rico, Felippe, Bruno e outros amigos começavam a montar o som, chegou, nas palavras de Rico, “um cidadão” da IRLF (Inspetorias Regionais de Licenciamento e Fiscalização) e disse que não poderiam realizar o evento. Por conta de todo esse transtorno em relação à multa, a Roda ficou temporariamente parada, mas depois de um curto período de tempo, as atividades foram retomadas. No entanto, duas semanas depois, dois policiais militares do 16º Batalhão de Olaria interromperam o evento e exigiram a retirada das caixas de som e esvaziamento do local.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Semanalmente o alvará que permitiria o funcionamento da Roda precisava ser negociado e renegociado com o batalhão do bairro. Isto significou, durante todo o ano de 2016, que a Roda legalmente estava proibida de acontecer. Frente a isso, os produtores criaram um movimento que denominaram “Resistência Cultural”. No total, foram quatorze encontros de “resistência” com atividades diversas: desde campeonatos de basquete e skate a batalhas de rimas, exposições de telas e debates. Após o último encontro, a Roda de Olaria conseguiu novamente o alvará e retomou as atividades Porém, vale notar que, múltiplas formas de silenciamentos, repressões e denúncias continuaram a ocorrer.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Assim sendo, os produtores culturais da Roda de Olaria encontram, em meio às dificuldades de realizar a Roda, suas próprias formas de uso da praça; suas próprias maneiras de fazer (Certeau, 1994). É neste contexto que o trio de produtores vêm desde 2012 “resistindo” e fazendo da rua, nas palavras de Rico, seu “campo de atuação”.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;No dia 9 de janeiro de 2018 houve a promulgação da Lei Estadual nº 7837 que declara Patrimônio Cultural Imaterial do estado do Rio de Janeiro a cultura hip-hop e todas as suas manifestações artísticas. Deste modo, as rodas culturais finalmente estariam dispensadas da prévia autorização da Polícia Militar. Ainda assim, é válido salientar que a dificuldade de manter o evento continua grande. Mesmo amparada pela lei, os produtores não possuem qualquer aporte financeiro ou institucional. Consequentemente, não conseguem arcar com todos os custos para sua realização. Hoje, as reuniões da Roda de Olaria ocorrem com pouquíssima frenquência.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
== Circulando ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;O Circulando -&amp;amp;nbsp; Diálogo e Comunicação na favela é um evento realizado pelo Instituto Raízes em Movimento desde 2007. Atualmente, ele tem uma regularidade anual, mas já foi realizado mais de uma vez por ano, quando necessário, até o ano de 2010. Ele, começa a ser gerido em 2006, em parceria com o Observatório de Favelas e a Escola Popular de Comunicação Crítica (ESPOCC), tendo sua primeira edição realizada no ano seguinte. Trata-se de um evento de artes, cultura e comunicação. A propósito, o nome do evento surge já nas primeiras reuniões de produção da primeira edição. E, em ata de 2006, assim ficou registrado a importância de comunicação e direito de expressão e manifestação de modo ativo.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;A importância e o direito de todos se expressarem, se manifestarem de forma ativa e por meios ativos, de ganharem visibilidade e partilharem idéias e visões diferentes de mundo. Ainda, a importância de se chamar a atenção para o potencial expressivo e “comunicador” de cada indivíduo e meios que, às vezes, muita gente não vê como meios de transmissão de mensagens. E a importância de se chamar a atenção para a forma estereotipada como os chamados meios de comunicação de massa retratam as comunidades populares e de se indicar, quando não viabilizar, possibilidades de abordagens diferenciadas sobre essas comunidades, por essas comunidades (INSTITUTO RAÍZES EM MOVIMENTO, 2017, p. 139).&#039;&#039;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;É importante começar destacando o aspecto de comunicação que caracteriza o evento. Trata-se de uma dimensão de dupla direção. Quer dizer, por um lado, o Circulando tem uma preocupação inicial de dialogar com as/os moradoras/es do Complexo do Alemão; inicialmente, trazendo informações e conteúdos produzidos por atores não locais e difundindo-os favela adentro, mas também, e sobretudo, nos anos mais recentes, têm sido uma maneira do Instituto Raízes em Movimento, apresentar sua produção anual para a localidade. Neste, sentido é (se) comunicar de modo crítico e dialogado com o local que dá sentido à existência da organização, e cuja relação de pertencimento muitas vezes é construída pela mídia tradicional, com seus sangrentos telejornais, entretenimentos baratos e programas evangélicos pentecostais. É nessa seara de luta e produção de narrativas, que o Circulando se insere primeiramente.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Por outro lado, é falar para fora também, tensionar as representações sobre o Complexo do Alemão, que produzem efeitos concretos muito nocivos para o bairro. Por exemplo, no ano de 2010, duas semanas após a megaoperação de ocupação militarizada do Complexo do Alemão, foi realizado uma edição “extra” do Circulando, montado com urgência, mas sem perder a eficiência, para refletir sobre tudo o que estava acontecendo. Para tanto, foi fundamental a ocupação do espaço público, para levar à cidade novos sentido sobre a vida no bairro, com suas dificuldades e diversidades. Uma ferramenta de comunicação de base, interna e externa, através da ocupação do espaço público local, produzindo afetos e solidariedade, este é, o primeiro objetivo do Circulando.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Nisto temos o comum que se transmuta na multiplicidade, como diversidade, reconhecimento de uma nova configuração dos processos de organização de sujeitos democráticos capazes de expressar potência política (filosófica, estética), que atua de modo horizontal e, portanto, num espaço que lhe permita criar modos de vida, de sentir, ver, agir, ouvir de maneiras diferentes a partir das múltiplas experiências, inclusive do modo de ocupação do espaço – as ruas, becos e vielas, ligam-se e interligam-se, conectam-se e desconectam-se com aquilo que de mais potente tem do que nomeamos cidade: a vida. Compreendendo isso, o Circulando - Diálogo e comunicação na favela propõe alargar, circular, comunicar sob as mais diversas formas de expressão artísticas que compõem a favela. Isso implicar dizer que a favela além de produzir arte, ela produz vida como forma de existência.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Aqui nos reconectamos com o objetivo central do verbete e podemos mesmo afirmar que, falar da produção das artes urbanas é falar da produção da vida na cidade. O que nos remete aos já citados, direitos culturais, como um bem social e o exercício da liberdade de expressão e pensamento. E aqui, sua dimensão principal é a diversidade dos gêneros artísticos que compõem o evento, ressignificando, como apresentado na seção dois deste texto: as formas hegemônicas de produção artística e cultural.&amp;amp;nbsp; São diversas linguagens que se apresentam no Circulando: grafite, poesia, cinema, teatro, música, fotografia e dança. Às quais se somam outras atividades, voltadas para brincadeira de criança, informativos para serviço públicos e outras organizações locais, e ações de cunho mais acadêmico, como lançamento de livros ou rodas de debates/conversa.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Essa dimensão artística do Circulando também é uma via de mão dupla interna e externa ao Complexo do Alemão, na chave da arte e cultura como um direito. Por um lado, visa dar espaço e apresentar a produção local às/aos moradoras/es do bairro, mas também aos visitantes que vêm de outros lugares para participar do evento. Desta forma,são convidadas bandas - como o Bloco de samba da Grota - ou ainda cantoras/es, poetas, fotógrafas/os ou grafiteiras/os locais; ou abre-se espaço para o já citado Teatro da Laje ou ao bloco das águas, do bairro vizinho da Penha.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Por outro lado, há convidados, “de fora”, que compartilham produções pouco acessíveis ao Complexo do Alemão, seja pela falta de apoio para garantir sua difusão em comparação às produções mais lucrativas, seja porque certas produções de organizações parceiras, dificilmente seriam conhecidas localmente, sem a mediação do Instituto Raízes em Movimento, através do Circulando. Podemos citar, a título de ilustração, as participações de fora até do estado do Rio de Janeiro, como a Orquestra Afrobeat Anjos e Querubins e de Juninho, Iracema, Lemuel diretamente da aldeia Tupinambá de Itapoã, em Ilhéus na Bahia.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Neste sentido, poderíamos também, definir o Circulando como um festival de artes urbanas, com diversas linguagens sendo apresentadas no espaço público periférico. Mantendo seus compromissos com a comunicação e produção de narrativas críticas sobre as favelas, voltado para dialogar com a cidade do Rio de Janeiro como um todo, mas também para dentro do espaço onde é realizado e o ponto de partida para toda sua formulação, o Complexo do Alemão.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
== Considerações finais ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Os exemplos da Roda de Olaria e do Circulando ilustram bem a ideia de falar em “artes urbanas” para tratar da produção cultural oriunda das populações faveladas, por conta de duas de suas características: a primeira é a diversidade de manifestações (por isso, o plural) e a fuga de um concepção de arte pensada a partir de um parâmetro estético mais estático, que considera apenas as formas mais hegemônicas e legitimadas, muitas vezes condensadas no que se costuma chamar de cultura erudita; a segunda, que diz mais respeito ao adjetivo “urbano”, aponta para o espaço por excelência de dessa produção cultural, que é o espaço público, da cidade.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Todavia, retomando as pistas oferecidas pelo debate promovido no encontro sobre “artes urbanas” do Vamos Desenrolar citado lá no começo do texto, vemos que também estão envolvidas as questões do corpo, da resistência e do apuro estético. Esse conjunto de elementos nos abre um mar de possibilidades de reflexão em torno do triângulo: arte, favelas e cidades.&amp;amp;nbsp; &amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
== Referências bibliográficas ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;ALVES, Rôssi. Resistência e empoderamento na literatura urbana carioca. Estudos de literatura brasileira contemporânea, n. 49, p. 183-202, set./dez. 2016.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;CERTEAU, Michel de. A invenção do cotidiano: 1. artes de fazer. Petrópolis, RJ: Vozes, 1994.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;FOUCAULT, Michel.&amp;amp;nbsp; O Nascimento da Medicina Social. In.: FOUCAULT, Michel. Microfísica do Poder. 20ª edição. Rio de Janeiro, Graal, 2005, pp.79-98.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;INSTITUTO RAÍZES EM MOVIMENTO. Instituto Raízes em Movimento: um canto à experiência. In.: SANTOS JÚNIOR, Orlando Alves do; NOVAES, Patrícia Ramos; LACERDA, Larissa; WERNECK, Mariana (Orgs.). Caderno Didático “Políticas Públicas e Direito à Cidade: Programa Interdisciplinar de Formação de Agentes Sociais”, Observatório das Metrópoles, 2017, 135-142)&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;OLIVEIRA, Priscila Telles de. Roda Cultural de Olaria: &amp;quot;resistência&amp;quot; e formas de atuação. 2018, 149f. Dissertação (Mestrado em Antropologia) ,Universidade Federal Fluminense (UFF). Niterói, 2018.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;TOPALOV, Christian. Da questão social aos problemas urbanos: os reformadores e a população das metrópoles em princípios do século XX. In.: RIBEIRO, Luiz Cesar Queiroz; PECHMAN, Robert Moses (Org.). Cidade, povo e nação: gênese do urbanismo moderno. Rio de Janeiro, Letra Capital, Observatório das Metrópoles, INCT, 2015, pp. 23 – 52. Disponível em: [http://web.observatoriodasmetropoles.net/images/abook_file/cidade_povo_nacao2ed.pdf http://web.observatoriodasmetropoles.net/images/abook_file/cidade_povo_nacao2ed.pdf].&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt;  &lt;br /&gt;
[[Category:Arte Urbana]] [[Category:Grafite]] [[Category:Arte]] [[Category:Cultura]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Thiago Matiolli</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://homologacao2.wikifavelas.com.br/index.php?title=Associa%C3%A7%C3%B5es_de_Moradores_do_Complexo_do_Alem%C3%A3o&amp;diff=4365</id>
		<title>Associações de Moradores do Complexo do Alemão</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://homologacao2.wikifavelas.com.br/index.php?title=Associa%C3%A7%C3%B5es_de_Moradores_do_Complexo_do_Alem%C3%A3o&amp;diff=4365"/>
		<updated>2020-03-02T01:49:38Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Thiago Matiolli: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-top: 0.15pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Por&amp;amp;nbsp;[https://wikifavelas.com.br/index.php?title=Usuário:Thiago_Matiolli Thiago Matiolli]&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-top: 0.15pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
== Introdução ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-top: 0.15pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;O Complexo do Alemão é um bairro da cidade do Rio de Janeiro onde se localizam diversas favelas, que se subdividem em várias localidades, mas se congregam em apenas doze Associações de Moradores: Baiana, Casinhas, Esperança (Pedra do Sapo), Fazendinha, Grota (Joaquim de Queirós), Itararé (Alvorada), Mineiros/Matinha, Morro do Adeus, Morro do Alemão, Nova Brasília, Palmeiras e Reservatório de Ramos. Ainda que, as áreas de atuação de cada uma delas não seja algo muito definido.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Alan Brum, fundador do Instituto Raízes em Movimento, conta a história de uma reunião realizada durante a execução das obras do PAC, cujo objetivo era entender os limites de ação de cada uma das Associações de Moradores do bairro. Estavam presentes todos os presidentes. Durante a conversa, segundo Alan, descobriu-se que determinadas localidades estavam nos limites de atuação de mais de uma das Associações, enquanto outras áreas não estavam sob responsabilidade de nenhuma delas.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Esse relato é interessante para dar o tom deste verbete. Seu intuito não é demarcar, de modo inquestionável o número de associações existentes, que localidades cada uma delas abarca, as histórias (datas, nomes etc.) de cada uma ou seus engajamentos políticos; todos aspectos cuja riqueza está nas múltiplas interpretações dos atores envolvidos, não nas definições eruditas. O que se busca é, com fins didáticos e introdutórios, sistematizar os dados disponíveis sobre tais organizações de modo a gerar informações básicas sobre a história política do Complexo do Alemão, antes mesmo ele ser nomeado desta maneira. Assim, moradoras/es e estudiosas/es possam se informar e desdobrar cada elemento pontuado através de suas memórias e trabalhos.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;O trabalho fundamental por trás deste verbete é o de Rodrigues (2015), no qual, ao traçar a história da ocupação do território hoje conhecido como Complexo do Alemão, a autora oferece dados preciosos sobre as Associações de Moradores do bairro. Com este pano de fundo, busca-se, também, articular essa trajetória local com a história do Rio de Janeiro, seguindo um dos motes das ações de produção de conhecimento do Instituto Raízes em Movimento que é: o que o Complexo do Alemão nos conta sobre a cidade?&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;O verbete está organizado em três momentos, ou fases: a inicial, que abrange as década de 1950 e 1960, com o surgimento das três primeiras Associações de Moradores do bairro: Joaquim de Queirós (Grota), Morro do Alemão e Nova Brasília; o segundo, compreendido entre as décadas de 1970 e 1980, que trazem o surgimento das demais Associações; e, por fim, as décadas de 1990 à 2010, com a chegada de novos atores sociais e formas de organização política.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
== Primeiro momento (Décadas de 1950 e 1960) ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;As primeiras Associações de Moradores a serem criadas na área hoje conhecida como Complexo do Alemão surgem na década de 1950, se formalizam nos anos 1960 e representam as seguintes localidades: Nova Brasília, Morro do Alemão e Grota. Isso reflete os movimentos mais gerais de controle social e político sobre a organização de moradoras/es de favelas no estado da Guanabara, desenvolvidos ao longo da década de 1950. Destaca-se, neste contexto, a criação da Coordenação de Serviços Sociais (CSS) no Governo de Carlos Lacerda e sob a gestão de Arthur Rios, cujos objetivos eram criar um órgão para lidar especificamente com a questão habitacional, até então responsabilidade de vários organismos distintos, e enfrentá-la de modo mais eficiente; mas, também, romper com as práticas clientelistas na relação entre Associações de Moradores e determinados políticos (GONÇALVES, 2013).&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;O atual bairro do Complexo do Alemão tem sua ocupação inicial datada no início do século XX e um forte incremento populacional na década de 1950&amp;lt;ref&amp;gt;Para uma descrição mais aprofundada dessa história, ver o verbete “Histórico Fundiário do Complexo do Alemão”, neste dicionário. &amp;lt;/ref&amp;gt;. Segundo Rodrigues (2015), esse segundo movimento vai, por um lado, consolidar as favelas na região - em particular a Nova Brasília, Morro do Alemão e Grota (com relatos de que o Morro do Adeus também refletia essa expansão demográfica) - e, por outro, fazer surgir lideranças políticas na defesa dos interesses e garantia das demandas de moradoras/es.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-left:113.38582677165351pt; margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;No Morro do Alemão, o principal líder da ocupação da época afirmou ser filiado ao Partido Comunista (PCB) e frequentador do Morro do Borel, onde surgiu a União dos Trabalhadores Favelados (UTF), em 1952. Em 1956, os líderes da invasão já haviam criado a União para Defesa e Assistência dos Moradores do Morro do Alemão (UDAMA) (RODRIGUES, 2015, p. 46).&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;A União dos Trabalhadores Favelados surge sob a atuação e princípios ideológicos do PCB. O partido emerge, na segunda metade de 1940 como grande catalisador das demandas populares no país com o fim da Era Vargas até sua cassação em 1947 e de seus mandatos políticos em 1948. Em que pese a suspensão da legenda, seus membros se distribuíram por outros partidos políticos, dando continuidade a sua atuação. O que contribuiu para a criação da UTF, cujos objetivos eram o de desenvolver a solidariedade entre trabalhadores (com a presença expressiva de líderes sindicatos) e sua respectiva consciência de classe, em uma escala intrafavelas, articulando as demandas locais em torno de questões sociais mais amplas (GONÇALVES, 2013).&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;De acordo com Gonçalves (2013), a influência comunista teria se reduzido consideravelmente fim da década de 1950 em decorrência da, entre outras coisas, interdição da UTF em 1957. O que teria aberto um vazio político na cidade que viria a se preenchido pela Coalizão dos trabalhadores Favelados da Cidade do Rio de Janeiro (CTFRJ), em 1959, com vínculos muito mais sólidos com os poderes públicos do que a UTF. A CTFRJ viria a ser extinta na década de 1960, sendo, por sua vez, substituída pela Federação das Associações de Favelas do Estado da Guanabara (FAFEG). Já indicando uma nova diretriz de atuação do governo da Guanabara para as favelas da cidade&amp;lt;ref&amp;gt;Para um conhecimento maior da história das lutas políticas favelas no Rio de Janeiro, ver os verbetes “Associações de Moradores/Movimentos Sociais” e “Federação das Associações de Favelas do Estado da Guanabara (FAFEG)“ neste dicionário.&amp;lt;/ref&amp;gt;.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Outra manifestação da reorientação do enfrentamento do problema da favela pelo Governo Lacerda foi a criação da, já citada, Coordenação de Serviços sociais. Uma de suas ações foi a implantação de uma forma de urbanização das favelas que tinha como pilares os mutirões e a autoconstrução, com suporte técnico e material provido pela governo. Outra ação foi a institucionalização e estímulo a criação das Associações de Moradores. O que vai conferir a estas organizações um papel fundamental na consolidação e ordenamento do espaço das favelas. Não seria diferente no Complexo do Alemão.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;As favelas do Morro do Alemão e da Nova Brasília já tinham suas organizações locais para defesa de suas demandas, as quais vão, no início dos anos 1960, se transformar em Associações de Moradores. Neste momento, a favela Joaquim de Queirós (ou Grota)&amp;lt;ref&amp;gt;Em seu trabalho, a autora afirma que ter evidências da existência e funcionamento do Centro Social Joaquim de Queirós na favela da Grota, mas que não tem dados suficientes para definir o momento da sua criação (RODRIGUES, 2015). &amp;lt;/ref&amp;gt;, também terá sua própria Associação. Conformando, as três organizações pioneiras, no bairro.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-left:113.38582677165351pt; margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;As lideranças do movimento de invasão do Morro do Alemão, Grota e Nova Brasília começaram a formalizar suas respectivas associações de moradores, isto é, redigiram estatutos e elegeram diretorias, no início da década de 1960. A formalização das associações se deu à medida que estas se articulavam com as agências do governo do estado da Guanabara, responsáveis por lidar com as favelas (RODRIGUES, 2015, p. 48).&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
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&amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;A formalização das Associações de Moradores lhes conferia um suporte técnico, e mesmo financeiro, para sua atuação e a responsabilidade de realizar, em parceria com o governo, obras de melhoria e o controle do processo de ocupação do território, impedindo a construção de novos barracos. O que, para Rodrigues (2015), determina o papel das Associações de Moradores na consolidação das favelas no estado da Guanabara. Ela cita uma passagem do estatuto da Associação de Moradores da Nova Brasília como “órgão de utilidade pública (...) dando à associação as prerrogativas de órgão único e ‘controlador’ do referido bairro” (RODRIGUES, 2015, p. 49).&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Essas três Associações de Moradores pioneiras, diz a autora, só viriam a ser registradas em cartório entre 1963 e 1965, período de início da instalação das bicas d’águas e rede elétrica. A chegada desses serviços essenciais teria sido crucial para a consolidação da ocupação territorial desses espaços, por meio das Associações de Moradores com apoio do governo. Esse intervalo de tempo também vê nascer um mercado imobiliário nas favelas, gerido pelas Associações, que passavam, então, a assumir também uma função cartorial.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;O início da década de 1970 vê um novo momento de expansão territorial do atual bairro do Complexo do Alemão, em que se destaca o surgimento da favela do Itararé onde, em vez da criação de Associação de Moradores, teve constituída uma empresa privada para gerir um reservatório de água que atendia a localidade (RODRIGUES, 2015). Este exemplo é interessante como registro de uma época. O fim da década de 1960 e a de 1970 são marcados por uma forte ação de remoção de favelas e do recrudescimento do controle político sobre esses espaços e suas organizações, com um ataque direto, por exemplo, à atuação da Fafeg; uma ingerência contundente na gestão das Associações de Moradores; ou ainda uma reorganização da dinâmica local com a criação de uma empresa no lugar de uma Associação de Moradores, como no caso do itararé.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Aqui, encerramos a análise dessa primeira fase da trajetória das Associações de Moradores no Complexo do Alemão, a qual se entrelaça com a história da ocupação territorial do bairro e mesmo das favelas da cidade.O que cria um intervalo na cronologia construída neste verbete, a qual será retomada no fim da década de 1970 e durante a década de 1980, marcada pelo “fenômeno de multiplicação das Associações de Moradores”, assim denominada Rodrigues (2015).&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
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== Segundo momento (Décadas de 1970 e 1980) ==&lt;br /&gt;
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A associação do Morro do Itararé, ela foi criada em?&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-left:113.38582677165351pt; margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Diquinho: 70 e poucos, 77, 78 eu acho. Por aí, eu num me lembro o ano certo não... Foi 77, 78. Que a daqui da Baiana, foi 80! 1980! Na vinda do Papa! Também deu um problema pra gente ocupar!&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-left:113.38582677165351pt; margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;(...)&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-left:113.38582677165351pt; margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Patrícia: Vamo voltar lá pra associação, pra fundação da associação do Itararé. Você tava?&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-left:113.38582677165351pt; margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Diquinho: Tava! Na fundação, tava! Fui eu que fiz o estatuto da associação. Eu que fiz, eu era diretor da FAFERJ na época, já.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-left:113.38582677165351pt; margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Patrícia: Como é que foi essa história, porque você tem muita história pra contar pelo visto!&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-left:113.38582677165351pt; margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Diquinho: Eu criei da Baiana, o estatuto daqui tem meu nome. Eu que fiz, eu que trouxe o modelo.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-left:113.38582677165351pt; margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Patrícia: Ah é!? Você criou da Baiana, do Itararé...&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-left:113.38582677165351pt; margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Diquinho: Itararé, Morro da Esperança, a do Morro dos Mineiro, só as mais velhas que não, não participei. A do Adeus, da Grota e do Alemão eu não participei. (DIQUINHO, 2013)&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
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Nele, Nilton Gomes Pereira, também conhecido como Diquinho, destaca sua atuação no Complexo do Alemão neste novo momento da história política do país. É significativo para o argumento deste verbete ver como ele se posiciona com relação à Associação de Moradores do Itararé, quase dez anos depois do surgimento da favela; mas também a sua presença na chapa para eleição da FAFERJ (Federação das Associações de Favelas do Estado do Rio de Janeiro), já no lugar da FAFEG.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;A figura de Diquinho é central na articulação da trajetória política do Complexo do Alemão com a da cidade do Rio de Janeiro. Sua presença na FAFERJ é fruto de sua atuação no bairro. O que pode ser visto, segundo ele, em sua importância na constituição de, pelo menos, quatro novas Associações de Moradores do bairro. Diquinho cita a do Morro do Adeus também, como uma das mais antigas, mas não temos dados sobre sua fundação efetiva para incluir neste verbete.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;A passagem da década de 1970 para 1980 é marcada pela reorientação da ação do poder público na resolução do problema da favela, passando a predominar as propostas de urbanização desses espaços no lugar da sua remoção. Várias são as razões por trás dessa mudança: o processo de redemocratização do país, a atuação da Igreja Católica, a mudança no perfil de financiamento de políticas públicas pelos organismos internacionais e a retomada do processo associativo nas favelas do país.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Quando retomamos a trajetória do Diquinho,notamos também um novo momento de influência dos ideais comunistas nas organização das favelas. O que vai impactar na dinâmica associativa local com a criação de novas Associações de Moradores. Como pode ser visto na própria trajetória de Diquinho&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
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&amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-left:113.38582677165351pt; margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;P: Aí, você começou por influência do seu irmão.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-left:113.38582677165351pt; margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;D: É, depois militei em organização de esquerda. Mas eu entrei em 76.. no MR8, eu fui no MR8.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-left:113.38582677165351pt; margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;P: E o MR8 circulava por aqui também?&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-left:113.38582677165351pt; margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;D: Vieram os professores que eram militantes, conheceram a gente e daí que eu me politizei, fui politicamente mais ao socialismo. Aí que eu fui ler Lênin, Marx, tá?&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-left:113.38582677165351pt; margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;(...)&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-left:113.38582677165351pt; margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;P: Tinha mais gente da militância aqui?&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-left:113.38582677165351pt; margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;D: Tinha mas com o fim do MR8 e que a gente também divergiu do MR8, saímos do MR8 por causa de divergências, porque nós defendíamos a revolução socialista por causa da classe operária. Eles puxaram o saquinho da revolução burguesa, primeiro, no meio, aí nós divergimos, saímos fora. 5 anos atrás, eles acabaram também... MR8 acabou.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-left:113.38582677165351pt; margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;(...)&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-left:113.38582677165351pt; margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Mas eu vou apoiar ninguém por causa de dinheiro não. Vou apoiar por causa do programa e da ideologia. Tanto que, logo depois, a gente apoio Délio dos Santos que é do PCB. Aí, do MR8, o Tunico veio depois vereador do MR8, Tunico você deve ter visto falar. Aí, foi o primeiro candidato que eu apoiei foi o Tunico, pra vereador. 76! (Diquinho, 2013)&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:10.25pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Essa influência política se refletiu na disputa pelos sentido em torno da luta favelas em suas reivindicações. O que vai afetar, inclusive, a FAFERJ que estava, segundo Brum (2006), muito próxima ao governador Carlos Chagas e sua máquina política - que era outra pontente força a impactar a dinâmica política das favelas da cidade - com destaque para a atuação da Fundação Leão XIII. Em 1979, um grupo de oposição foi formado e uma nova eleição foi realizada. A disputa em torno da diretoria entre 1979 e 1981 teria levado a uma duplicidade na diretoria da FAFERJ, situação que se arrastaria até 1982. Nas palavras de Brum, sobre esta situação:&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-left:113.38582677165351pt; margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:10.25pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Não à toa, o advogado da FAFERJ 1, Walter Guimarães, seria ele mesmo advogado da Fundação Leão XIII (enquanto o da FAFERJ presidida por Irineu Guimarães, à qual chamaremos de FAFERJ 2, era o advogado Bento Rubião). Da mesma forma, o jornal O Dia, então pertencente ao governador Chagas Freitas, dava ampla cobertura a FAFERJ presidida por Jonas Rodrigues sem fazer referências à cisão, salvo quando este era o assunto da reportagem, no caso, noticiando alguma providência que estava sendo tomada por Jonas Rodrigues ou o advogado Walter Guimarães à respeito da “diretoria paralela”. O termo, utilizado pelos dois, era a única forma em que a FAFERJ 2 era citada nas matérias” (BRUM, 2006, p. 98).&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:10.25pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Há uma nítida disputa política entre o chaguismo e um movimento que visava mais autonomia para organização política favelada e suas Associações de Moradores. Outra passagem do texto de Brum deixa nítida a posição de Diquinho (que era Secretário-Geral da “diretoria paralela”), neste embate:&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-left:113.38582677165351pt; margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:10.25pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;O texto de Nilton Gomes (um editorial no jornal o Favelão), o Diquinho, presidente da Associação do Itararé, candidato a secretário-geral é o que faz a defesa mais clara de um papel transformador da FAFERJ. Em seu texto, ele se refere ao movimento favelado como um “setor do movimento operário”. Para ele, a principal tarefa da FAFERJ seria: “realizar um trabalho de esclarecimento político, exclusivamente voltado para a defesa da classe operária, dos seus interesses, objetivando a conquista de uma sociedade justa, uma sociedade socialista (BRUM, 2006, p. 136).&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
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&amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;A trajetória política de Diquinho coloca o Complexo do Alemão no centro da história política da cidade do Rio de Janeiro e, a partir dela, podemos entender o contexto no qual se dá a criação das novas Associações de Moradores no Complexo do Alemão nas décadas de 1970 e 1980: marcado por uma forte tensão entre uma forma de organização popular mais autônoma e um conjunto de práticas políticas locais mais afinadas com os interesses eleitorais, sobretudo, do governo estadual.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Voltando para as Associações de Moradores das favelas do Complexo do Alemão, Rodrigues (2015) aponta a existência desde 1971 de uma nomeada Parque Alvorada e Cruzeiro, mas que representaria a comunidade da Fazendinha; e a da Palmeiras. Além destas duas, a autora ainda registra a criação das seguintes novas Associações de Moradores: Baiana, Itararé, Mineiros/Matinha, Esperança/Pedra do Sapo (citadas na fala de Diquinho)&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Sobre doze Associações de Moradores do Complexo do Alemão listadas no início do texto, é possível um esforço de sistematização das informações sobre suas origens da seguinte maneira:&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&#039;Tabela 1 - Associações de Moradores do Complexo do Alemão e os períodos aproximados de sua constituição&amp;lt;ref&amp;gt;Trata-se de aproximações grosseiras sobre a origem de cada uma das associações, a partir das referência citadas como fontes da tabela, que requer, sem sombra de dúvidas, maior precisão cronológica.&amp;lt;/ref&amp;gt;&#039;&#039;&#039;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
{| border=&amp;quot;1&amp;quot; cellpadding=&amp;quot;1&amp;quot; cellspacing=&amp;quot;1&amp;quot; style=&amp;quot;width: 500px;&amp;quot;&lt;br /&gt;
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| style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot; | Décadas de 1950/60&amp;lt;ref&amp;gt;No caso da Grota, Morro do Alemão e Nova Brasília, trata-se de 1950 criação das organizações locais e 1960, da formalização em Associações de Moradores.&amp;lt;/ref&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;Fonte: Couto e Rodrigues (2013), Diquinho (2013) e Rodrigues (2015)&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Essa segunda fase da criação das Associações de Moradores do Complexo do Alemão, assim como a primeira, dão importantes pistas para compreender não só a história local, mas a dinâmica política carioca do período. Em particular, uma nova influência comunista na organização favelada, por um lado, e o fortalecimento da relação de algumas com o governo (bem com a responsabilidade de prestação de serviço e ordenamento territorial das favelas) por outro. Foi, neste contexto, que se deu o que Rodrigues (2015) chamou de “fenômeno da multiplicação das associações de moradores”.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
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== Terceira fase (Décadas de 2000 a 2010) ==&lt;br /&gt;
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&amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Essa terceira fase é bem menos explorada nas pesquisas realizadas até agora, de modo que, em vez de uma exposição substancial como feita nas seções anteriores, essa parte do texto caracteriza mais linhas gerais para a reflexão sobre o período do que uma análise em si.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;De modo geral, este momento é marcado pela transformação nos sentidos da atuação das Associações de Moradores e não pela criação de novas entidades. Dois novos atores políticos que surgem nas favelas na década de 1990 contribuem diretamente para isso: as Organizações Não-Governamentais (ONG’s) e os agentes locais do comércio ilegal de entorpecentes. Ambos, em alguma medida relativizam o papel de representação das demandas faveladas das Associações, ainda que, sem retirar a sua importância na realização de determinadas funções ligadas a ação governamental local.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Elas ainda são responsáveis pela gestão de algumas creches municipais, distribuição de cartas no interior das favelas e mesmo o exercício da função cartorial. Em algumas vezes, cedem suas sedes para realização de determinadas atividades de órgãos públicos ou ainda realizam seus próprios projetos sociais. Suas áreas de atuação ainda são limitadas às favelas que representam, no caso do Complexo do Alemão (mesmo que essa divisão não seja tão bem definida, como vimos no início do texto).&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Ao contrário das ONGs que surgem no bairro no fim da década de 1990 e passam a ter como referência territorial de atuação, o Complexo do Alemão, e não suas localidades (da Nova Brasília, Morro do Alemão, Grota, Baiana etc.). Isso cria uma cartografia política multiescalar no bairro e alimenta um sistema de alianças diverso e multifacetado; que potencializa sua mobilização em situações de emergência como no caso da tragédia que gerou a mobilização do “Juntos pelo Complexo do Alemão”&amp;lt;ref&amp;gt;Para melhor compreensão desses processos, ver, neste dicionário, os verbetes: “Coletivo Juntos pelo Complexo do Alemão: vou te exigir o meu lugar”, “Complexo do Alemão e os movimentos coletivos locais: Para além das associações de moradores” e “Pertencimento ao Complexo do Alemão”.&amp;lt;/ref&amp;gt;.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Outro elemento que torna essa cartografia da dinâmica mais complexa são as Associações que surgem no âmbito dos condomínios construídos pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) nas obras executadas no bairro. Elas mantém sua autonomia, mas certo isolamento com o restante do território do Complexo do Alemão. Seja no sentido de um pertencimento, seja no dos papéis que cumprem na ordenação territorial e prestação de serviços, uma vez que estão voltadas para resolução de problemas condominiais. Ainda que, não consigam se apartar totalmente da vida social do bairro.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
== Considerações finais ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:10.25pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;A trajetória das Associações de Moradores do Complexo do Alemão está em íntima continuidade com a história do município do Rio de Janeiro e do estado da Guanabara. Não se trata apenas de definir a constituição dessas entidades como meros reflexos da vida política carioca, mas sim de delinear um processo de interação no qual a dinâmica local e do restante da cidade se impactam mutuamente. O que acontecia no bairro era efeito das, mas também contribuia para, a consolidação ou crítica das políticas para as favelas; e se personificou, de modo mais acabado, na trajetória de Nilton Gomes Pereira, o Diquinho.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:10.25pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Não foi possível, neste trabalho, mapear as datas de surgimento de todas as Associações de Moradores, bem como uma série de informações não foram trazidas ao texto. Contudo, essa falta de evidências não indica uma falha do verbete devem ser vistas com provocações ou pistas para serem seguidas por cada um(a) dos(as) leitores(as), em suas próprias reflexões pessoais, trabalhos escolares ou acadêmicos.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:10.25pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Já as lacunas sobre a história política do Rio de Janeiro se devem, de fato, a limitações de espaço, tempo e dos conhecimentos do autor. Todavia, elas podem ser, em sua maioria, preenchidas com a pesquisa nas referência aqui utilizadas, em outros verbetes deste dicionário e ainda por toda uma literatura que não coube aqui.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;text-align:justify; margin-top:8.3pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
== Referências Bibliográficas ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;text-align:justify; margin-top:8.3pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;BRUM, Mário Sérgio Ignácio. “O povo acredita na gente”: rupturas e continuidades no movimento comunitário das favelas cariocas nas décadas de 1980 e 1990. Dissertação apresentada para a obtenção do grau de Mestre em História pelo Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Ferderal Fluminense, Niterói, 2006.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;text-align:justify; margin-top:8.3pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;COUTO, Patrícia; RODRIGUES, Rute I. A gramática da moradia no Complexo do Alemão: história, documentos e narrativas (versão preliminar). Rio de Janeiro, IPEA, 2013.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;text-align:justify; margin-top:8.3pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;DIQUINHO. Entrevista a Patrícia Couto, 2013.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;text-align:justify; margin-top:8.3pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;GONÇALVES, Rafael Soares. Favelas do Rio de Janeiro: história e direito. Rio de Janeiro, Pallas, Editora PUC, 2013.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;text-align:justify; margin-top:8.3pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;RODRIGUES, Rute Imanishi. Os “Parques Proletários” e os subúrbios do Rio de Janeiro: aspectos da política governamental para as favelas entre 1930 e 1960 (versão preliminar). Rio de Janeiro, IPEA, 2013.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;text-align:justify; margin-top:8.3pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;RODRIGUES, Rute Imanishi. Uma construção complexa: necessidades básicas, movimentos sociais, governo e mercado. In.: RODRIGUES, Rute Imanishi (Org.). Vida Social e Política nas Favelas: pesquisa de campo no Complexo do Alemão. Rio de Janeiro, IPEA/CEPEDOCA - Instituto Raízes em Movimento, 2016, pp.43 a 70.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;text-align:justify; margin-top:8.3pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Thiago Matiolli</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://homologacao2.wikifavelas.com.br/index.php?title=Associa%C3%A7%C3%B5es_de_Moradores_do_Complexo_do_Alem%C3%A3o&amp;diff=4364</id>
		<title>Associações de Moradores do Complexo do Alemão</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://homologacao2.wikifavelas.com.br/index.php?title=Associa%C3%A7%C3%B5es_de_Moradores_do_Complexo_do_Alem%C3%A3o&amp;diff=4364"/>
		<updated>2020-03-02T01:47:26Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Thiago Matiolli: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-top: 0.15pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Por&amp;amp;nbsp;[https://wikifavelas.com.br/index.php?title=Usuário:Thiago_Matiolli Thiago Matiolli]&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-top: 0.15pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
== Introdução ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-top: 0.15pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;O Complexo do Alemão é um bairro da cidade do Rio de Janeiro onde se localizam diversas favelas, que se subdividem em várias localidades, mas se congregam em apenas doze Associações de Moradores: Baiana, Casinhas, Esperança (Pedra do Sapo), Fazendinha, Grota (Joaquim de Queirós), Itararé (Alvorada), Mineiros/Matinha, Morro do Adeus, Morro do Alemão, Nova Brasília, Palmeiras e Reservatório de Ramos. Ainda que, as áreas de atuação de cada uma delas não seja algo muito definido.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Alan Brum, fundador do Instituto Raízes em Movimento, conta a história de uma reunião realizada durante a execução das obras do PAC, cujo objetivo era entender os limites de ação de cada uma das Associações de Moradores do bairro. Estavam presentes todos os presidentes. Durante a conversa, segundo Alan, descobriu-se que determinadas localidades estavam nos limites de atuação de mais de uma das Associações, enquanto outras áreas não estavam sob responsabilidade de nenhuma delas.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Esse relato é interessante para dar o tom deste verbete. Seu intuito não é demarcar, de modo inquestionável o número de associações existentes, que localidades cada uma delas abarca, as histórias (datas, nomes etc.) de cada uma ou seus engajamentos políticos; todos aspectos cuja riqueza está nas múltiplas interpretações dos atores envolvidos, não nas definições eruditas. O que se busca é, com fins didáticos e introdutórios, sistematizar os dados disponíveis sobre tais organizações de modo a gerar informações básicas sobre a história política do Complexo do Alemão, antes mesmo ele ser nomeado desta maneira. Assim, moradoras/es e estudiosas/es possam se informar e desdobrar cada elemento pontuado através de suas memórias e trabalhos.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;O trabalho fundamental por trás deste verbete é o de Rodrigues (2015), no qual, ao traçar a história da ocupação do território hoje conhecido como Complexo do Alemão, a autora oferece dados preciosos sobre as Associações de Moradores do bairro. Com este pano de fundo, busca-se, também, articular essa trajetória local com a história do Rio de Janeiro, seguindo um dos motes das ações de produção de conhecimento do Instituto Raízes em Movimento que é: o que o Complexo do Alemão nos conta sobre a cidade?&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;O verbete está organizado em três momentos, ou fases: a inicial, que abrange as década de 1950 e 1960, com o surgimento das três primeiras Associações de Moradores do bairro: Joaquim de Queirós (Grota), Morro do Alemão e Nova Brasília; o segundo, compreendido entre as décadas de 1970 e 1980, que trazem o surgimento das demais Associações; e, por fim, as décadas de 1990 à 2010, com a chegada de novos atores sociais e formas de organização política.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
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&amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
== Primeiro momento (Décadas de 1950 e 1960) ==&lt;br /&gt;
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&amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;As primeiras Associações de Moradores a serem criadas na área hoje conhecida como Complexo do Alemão surgem na década de 1950, se formalizam nos anos 1960 e representam as seguintes localidades: Nova Brasília, Morro do Alemão e Grota. Isso reflete os movimentos mais gerais de controle social e político sobre a organização de moradoras/es de favelas no estado da Guanabara, desenvolvidos ao longo da década de 1950. Destaca-se, neste contexto, a criação da Coordenação de Serviços Sociais (CSS) no Governo de Carlos Lacerda e sob a gestão de Arthur Rios, cujos objetivos eram criar um órgão para lidar especificamente com a questão habitacional, até então responsabilidade de vários organismos distintos, e enfrentá-la de modo mais eficiente; mas, também, romper com as práticas clientelistas na relação entre Associações de Moradores e determinados políticos (GONÇALVES, 2013).&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;O atual bairro do Complexo do Alemão tem sua ocupação inicial datada no início do século XX e um forte incremento populacional na década de 1950&amp;lt;ref&amp;gt;Para uma descrição mais aprofundada dessa história, ver o verbete “Histórico Fundiário do Complexo do Alemão”, neste dicionário. &amp;lt;/ref&amp;gt;. Segundo Rodrigues (2015), esse segundo movimento vai, por um lado, consolidar as favelas na região - em particular a Nova Brasília, Morro do Alemão e Grota (com relatos de que o Morro do Adeus também refletia essa expansão demográfica) - e, por outro, fazer surgir lideranças políticas na defesa dos interesses e garantia das demandas de moradoras/es.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-left:113.38582677165351pt; margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;No Morro do Alemão, o principal líder da ocupação da época afirmou ser filiado ao Partido Comunista (PCB) e frequentador do Morro do Borel, onde surgiu a União dos Trabalhadores Favelados (UTF), em 1952. Em 1956, os líderes da invasão já haviam criado a União para Defesa e Assistência dos Moradores do Morro do Alemão (UDAMA) (RODRIGUES, 2015, p. 46).&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
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&amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;A União dos Trabalhadores Favelados surge sob a atuação e princípios ideológicos do PCB. O partido emerge, na segunda metade de 1940 como grande catalisador das demandas populares no país com o fim da Era Vargas até sua cassação em 1947 e de seus mandatos políticos em 1948. Em que pese a suspensão da legenda, seus membros se distribuíram por outros partidos políticos, dando continuidade a sua atuação. O que contribuiu para a criação da UTF, cujos objetivos eram o de desenvolver a solidariedade entre trabalhadores (com a presença expressiva de líderes sindicatos) e sua respectiva consciência de classe, em uma escala intrafavelas, articulando as demandas locais em torno de questões sociais mais amplas (GONÇALVES, 2013).&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;De acordo com Gonçalves (2013), a influência comunista teria se reduzido consideravelmente fim da década de 1950 em decorrência da, entre outras coisas, interdição da UTF em 1957. O que teria aberto um vazio político na cidade que viria a se preenchido pela Coalizão dos trabalhadores Favelados da Cidade do Rio de Janeiro (CTFRJ), em 1959, com vínculos muito mais sólidos com os poderes públicos do que a UTF. A CTFRJ viria a ser extinta na década de 1960, sendo, por sua vez, substituída pela Federação das Associações de Favelas do Estado da Guanabara (FAFEG). Já indicando uma nova diretriz de atuação do governo da Guanabara para as favelas da cidade&amp;lt;ref&amp;gt;Para um conhecimento maior da história das lutas políticas favelas no Rio de Janeiro, ver os verbetes “Associações de Moradores/Movimentos Sociais” e “Federação das Associações de Favelas do Estado da Guanabara (FAFEG)“ neste dicionário.&amp;lt;/ref&amp;gt;.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Outra manifestação da reorientação do enfrentamento do problema da favela pelo Governo Lacerda foi a criação da, já citada, Coordenação de Serviços sociais. Uma de suas ações foi a implantação de uma forma de urbanização das favelas que tinha como pilares os mutirões e a autoconstrução, com suporte técnico e material provido pela governo. Outra ação foi a institucionalização e estímulo a criação das Associações de Moradores. O que vai conferir a estas organizações um papel fundamental na consolidação e ordenamento do espaço das favelas. Não seria diferente no Complexo do Alemão.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;As favelas do Morro do Alemão e da Nova Brasília já tinham suas organizações locais para defesa de suas demandas, as quais vão, no início dos anos 1960, se transformar em Associações de Moradores. Neste momento, a favela Joaquim de Queirós (ou Grota)&amp;lt;ref&amp;gt;Em seu trabalho, a autora afirma que ter evidências da existência e funcionamento do Centro Social Joaquim de Queirós na favela da Grota, mas que não tem dados suficientes para definir o momento da sua criação (RODRIGUES, 2015). &amp;lt;/ref&amp;gt;, também terá sua própria Associação. Conformando, as três organizações pioneiras, no bairro.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-left:113.38582677165351pt; margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;As lideranças do movimento de invasão do Morro do Alemão, Grota e Nova Brasília começaram a formalizar suas respectivas associações de moradores, isto é, redigiram estatutos e elegeram diretorias, no início da década de 1960. A formalização das associações se deu à medida que estas se articulavam com as agências do governo do estado da Guanabara, responsáveis por lidar com as favelas (RODRIGUES, 2015, p. 48).&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
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&amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;A formalização das Associações de Moradores lhes conferia um suporte técnico, e mesmo financeiro, para sua atuação e a responsabilidade de realizar, em parceria com o governo, obras de melhoria e o controle do processo de ocupação do território, impedindo a construção de novos barracos. O que, para Rodrigues (2015), determina o papel das Associações de Moradores na consolidação das favelas no estado da Guanabara. Ela cita uma passagem do estatuto da Associação de Moradores da Nova Brasília como “órgão de utilidade pública (...) dando à associação as prerrogativas de órgão único e ‘controlador’ do referido bairro” (RODRIGUES, 2015, p. 49).&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Essas três Associações de Moradores pioneiras, diz a autora, só viriam a ser registradas em cartório entre 1963 e 1965, período de início da instalação das bicas d’águas e rede elétrica. A chegada desses serviços essenciais teria sido crucial para a consolidação da ocupação territorial desses espaços, por meio das Associações de Moradores com apoio do governo. Esse intervalo de tempo também vê nascer um mercado imobiliário nas favelas, gerido pelas Associações, que passavam, então, a assumir também uma função cartorial.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;O início da década de 1970 vê um novo momento de expansão territorial do atual bairro do Complexo do Alemão, em que se destaca o surgimento da favela do Itararé onde, em vez da criação de Associação de Moradores, teve constituída uma empresa privada para gerir um reservatório de água que atendia a localidade (RODRIGUES, 2015). Este exemplo é interessante como registro de uma época. O fim da década de 1960 e a de 1970 são marcados por uma forte ação de remoção de favelas e do recrudescimento do controle político sobre esses espaços e suas organizações, com um ataque direto, por exemplo, à atuação da Fafeg; uma ingerência contundente na gestão das Associações de Moradores; ou ainda uma reorganização da dinâmica local com a criação de uma empresa no lugar de uma Associação de Moradores, como no caso do itararé.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Aqui, encerramos a análise dessa primeira fase da trajetória das Associações de Moradores no Complexo do Alemão, a qual se entrelaça com a história da ocupação territorial do bairro e mesmo das favelas da cidade.O que cria um intervalo na cronologia construída neste verbete, a qual será retomada no fim da década de 1970 e durante a década de 1980, marcada pelo “fenômeno de multiplicação das Associações de Moradores”, assim denominada Rodrigues (2015).&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
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== Segundo momento (Décadas de 1970 e 1980) ==&lt;br /&gt;
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&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-left:113.38582677165351pt; margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Patrícia: E aí vocês fundaram a associação. A associação do Morro do Itararé, ela foi criada em?&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-left:113.38582677165351pt; margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Diquinho: 70 e poucos, 77, 78 eu acho. Por aí, eu num me lembro o ano certo não... Foi 77, 78. Que a daqui da Baiana, foi 80! 1980! Na vinda do Papa! Também deu um problema pra gente ocupar!&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-left:113.38582677165351pt; margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;(...)&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-left:113.38582677165351pt; margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Patrícia: Vamo voltar lá pra associação, pra fundação da associação do Itararé. Você tava?&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-left:113.38582677165351pt; margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Diquinho: Tava! Na fundação, tava! Fui eu que fiz o estatuto da associação. Eu que fiz, eu era diretor da FAFERJ na época, já.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-left:113.38582677165351pt; margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Patrícia: Como é que foi essa história, porque você tem muita história pra contar pelo visto!&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-left:113.38582677165351pt; margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Diquinho: Eu criei da Baiana, o estatuto daqui tem meu nome. Eu que fiz, eu que trouxe o modelo.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-left:113.38582677165351pt; margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Patrícia: Ah é!? Você criou da Baiana, do Itararé...&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-left:113.38582677165351pt; margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Diquinho: Itararé, Morro da Esperança, a do Morro dos Mineiro, só as mais velhas que não, não participei. A do Adeus, da Grota e do Alemão eu não participei. (DIQUINHO, 2013)&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
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&amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;O relato acima foi conferido à Patrícia Couto, antropóloga responsável pela coleta da memória em pesquisa realizada com Rute Rodrigues (COUTO e RODRIGUES, 2013) sobre a história da ocupação do território hoje conhecido como Complexo do Alemão. Nele, Nilton Gomes Pereira, também conhecido como Diquinho, destaca sua atuação no Complexo do Alemão neste novo momento da história política do país. É significativo para o argumento deste verbete ver como ele se posiciona com relação à Associação de Moradores do Itararé, quase dez anos depois do surgimento da favela; mas também a sua presença na chapa para eleição da FAFERJ (Federação das Associações de Favelas do Estado do Rio de Janeiro), já no lugar da FAFEG.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;A figura de Diquinho é central na articulação da trajetória política do Complexo do Alemão com a da cidade do Rio de Janeiro. Sua presença na FAFERJ é fruto de sua atuação no bairro. O que pode ser visto, segundo ele, em sua importância na constituição de, pelo menos, quatro novas Associações de Moradores do bairro. Diquinho cita a do Morro do Adeus também, como uma das mais antigas, mas não temos dados sobre sua fundação efetiva para incluir neste verbete.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;A passagem da década de 1970 para 1980 é marcada pela reorientação da ação do poder público na resolução do problema da favela, passando a predominar as propostas de urbanização desses espaços no lugar da sua remoção. Várias são as razões por trás dessa mudança: o processo de redemocratização do país, a atuação da Igreja Católica, a mudança no perfil de financiamento de políticas públicas pelos organismos internacionais e a retomada do processo associativo nas favelas do país.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Quando retomamos a trajetória do Diquinho,notamos também um novo momento de influência dos ideais comunistas nas organização das favelas. O que vai impactar na dinâmica associativa local com a criação de novas Associações de Moradores. Como pode ser visto na própria trajetória de Diquinho&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
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Mas eu entrei em 76.. no MR8, eu fui no MR8.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-left:113.38582677165351pt; margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;P: E o MR8 circulava por aqui também?&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-left:113.38582677165351pt; margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;D: Vieram os professores que eram militantes, conheceram a gente e daí que eu me politizei, fui politicamente mais ao socialismo. Aí que eu fui ler Lênin, Marx, tá?&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-left:113.38582677165351pt; margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;(...)&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-left:113.38582677165351pt; margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;P: Tinha mais gente da militância aqui?&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-left:113.38582677165351pt; margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;D: Tinha mas com o fim do MR8 e que a gente também divergiu do MR8, saímos do MR8 por causa de divergências, porque nós defendíamos a revolução socialista por causa da classe operária. Eles puxaram o saquinho da revolução burguesa, primeiro, no meio, aí nós divergimos, saímos fora. 5 anos atrás, eles acabaram também... MR8 acabou.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-left:113.38582677165351pt; margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;(...)&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-left:113.38582677165351pt; margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Mas eu vou apoiar ninguém por causa de dinheiro não. Vou apoiar por causa do programa e da ideologia. Tanto que, logo depois, a gente apoio Délio dos Santos que é do PCB. Aí, do MR8, o Tunico veio depois vereador do MR8, Tunico você deve ter visto falar. Aí, foi o primeiro candidato que eu apoiei foi o Tunico, pra vereador. 76! (Diquinho, 2013)&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:10.25pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Essa influência política se refletiu na disputa pelos sentido em torno da luta favelas em suas reivindicações. O que vai afetar, inclusive, a FAFERJ que estava, segundo Brum (2006), muito próxima ao governador Carlos Chagas e sua máquina política - que era outra pontente força a impactar a dinâmica política das favelas da cidade - com destaque para a atuação da Fundação Leão XIII. Em 1979, um grupo de oposição foi formado e uma nova eleição foi realizada. A disputa em torno da diretoria entre 1979 e 1981 teria levado a uma duplicidade na diretoria da FAFERJ, situação que se arrastaria até 1982. Nas palavras de Brum, sobre esta situação:&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-left:113.38582677165351pt; margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:10.25pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Não à toa, o advogado da FAFERJ 1, Walter Guimarães, seria ele mesmo advogado da Fundação Leão XIII (enquanto o da FAFERJ presidida por Irineu Guimarães, à qual chamaremos de FAFERJ 2, era o advogado Bento Rubião). Da mesma forma, o jornal O Dia, então pertencente ao governador Chagas Freitas, dava ampla cobertura a FAFERJ presidida por Jonas Rodrigues sem fazer referências à cisão, salvo quando este era o assunto da reportagem, no caso, noticiando alguma providência que estava sendo tomada por Jonas Rodrigues ou o advogado Walter Guimarães à respeito da “diretoria paralela”. O termo, utilizado pelos dois, era a única forma em que a FAFERJ 2 era citada nas matérias” (BRUM, 2006, p. 98).&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:10.25pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Há uma nítida disputa política entre o chaguismo e um movimento que visava mais autonomia para organização política favelada e suas Associações de Moradores. Outra passagem do texto de Brum deixa nítida a posição de Diquinho (que era Secretário-Geral da “diretoria paralela”), neste embate:&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-left:113.38582677165351pt; margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:10.25pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;O texto de Nilton Gomes (um editorial no jornal o Favelão), o Diquinho, presidente da Associação do Itararé, candidato a secretário-geral é o que faz a defesa mais clara de um papel transformador da FAFERJ. Em seu texto, ele se refere ao movimento favelado como um “setor do movimento operário”. Para ele, a principal tarefa da FAFERJ seria: “realizar um trabalho de esclarecimento político, exclusivamente voltado para a defesa da classe operária, dos seus interesses, objetivando a conquista de uma sociedade justa, uma sociedade socialista (BRUM, 2006, p. 136).&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
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&amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;A trajetória política de Diquinho coloca o Complexo do Alemão no centro da história política da cidade do Rio de Janeiro e, a partir dela, podemos entender o contexto no qual se dá a criação das novas Associações de Moradores no Complexo do Alemão nas décadas de 1970 e 1980: marcado por uma forte tensão entre uma forma de organização popular mais autônoma e um conjunto de práticas políticas locais mais afinadas com os interesses eleitorais, sobretudo, do governo estadual.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Voltando para as Associações de Moradores das favelas do Complexo do Alemão, Rodrigues (2015) aponta a existência desde 1971 de uma nomeada Parque Alvorada e Cruzeiro, mas que representaria a comunidade da Fazendinha; e a da Palmeiras. Além destas duas, a autora ainda registra a criação das seguintes novas Associações de Moradores: Baiana, Itararé, Mineiros/Matinha, Esperança/Pedra do Sapo (citadas na fala de Diquinho)&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Sobre doze Associações de Moradores do Complexo do Alemão listadas no início do texto, é possível um esforço de sistematização das informações sobre suas origens da seguinte maneira:&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&#039;Tabela 1 - Associações de Moradores do Complexo do Alemão e os períodos aproximados de sua constituição&amp;lt;ref&amp;gt;Trata-se de aproximações grosseiras sobre a origem de cada uma das associações, a partir das referência citadas como fontes da tabela, que requer, sem sombra de dúvidas, maior precisão cronológica.&amp;lt;/ref&amp;gt;&#039;&#039;&#039;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
{| border=&amp;quot;1&amp;quot; cellpadding=&amp;quot;1&amp;quot; cellspacing=&amp;quot;1&amp;quot; style=&amp;quot;width: 500px;&amp;quot;&lt;br /&gt;
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| style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot; | &#039;&#039;&#039;Associação de Moradores&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot; | &#039;&#039;&#039;Criação (aproximadamen&#039;&#039;&#039;te)&lt;br /&gt;
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| Baiana&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot; | 1980&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| Casinhas&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot; | Sem informações&lt;br /&gt;
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| &amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Esperança (Pedra do Sapo)&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot; | Início da década de 1980&lt;br /&gt;
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| &amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Fazendinha&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot; | 1971&lt;br /&gt;
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| style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot; | Décadas de 1950/60&lt;br /&gt;
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| &amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Itararé (Alvorada)&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&lt;br /&gt;
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| &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Morro do Adeus&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot; | &amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Fim da década de 1960&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&lt;br /&gt;
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| style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot; | Décadas de 1950/60&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| &amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Nova Brasília&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot; | Décadas de 1950/60&amp;lt;ref&amp;gt;No caso da Grota, Morro do Alemão e Nova Brasília, trata-se de 1950 criação das organizações locais e 1960, da formalização em Associações de Moradores.&amp;lt;/ref&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| &amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Palmeiras&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot; | Década de 1970&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| &amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Reservatório de Ramos&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot; | Sem informações&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;Fonte: Couto e Rodrigues (2013), Diquinho (2013) e Rodrigues (2015)&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Essa segunda fase da criação das Associações de Moradores do Complexo do Alemão, assim como a primeira, dão importantes pistas para compreender não só a história local, mas a dinâmica política carioca do período. Em particular, uma nova influência comunista na organização favelada, por um lado, e o fortalecimento da relação de algumas com o governo (bem com a responsabilidade de prestação de serviço e ordenamento territorial das favelas) por outro. Foi, neste contexto, que se deu o que Rodrigues (2015) chamou de “fenômeno da multiplicação das associações de moradores”.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
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&amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-weight:700&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
==Terceira fase (Décadas de 2000 a 2010)==&lt;br /&gt;
&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Essa terceira fase é bem menos explorada nas pesquisas realizadas até agora, de modo que, em vez de uma exposição substancial como feita nas seções anteriores, essa parte do texto caracteriza mais linhas gerais para a reflexão sobre o período do que uma análise em si.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;De modo geral, este momento é marcado pela transformação nos sentidos da atuação das Associações de Moradores e não pela criação de novas entidades. Dois novos atores políticos que surgem nas favelas na década de 1990 contribuem diretamente para isso: as Organizações Não-Governamentais (ONG’s) e os agentes locais do comércio ilegal de entorpecentes. Ambos, em alguma medida relativizam o papel de representação das demandas faveladas das Associações, ainda que, sem retirar a sua importância na realização de determinadas funções ligadas a ação governamental local.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Elas ainda são responsáveis pela gestão de algumas creches municipais, distribuição de cartas no interior das favelas e mesmo o exercício da função cartorial. Em algumas vezes, cedem suas sedes para realização de determinadas atividades de órgãos públicos ou ainda realizam seus próprios projetos sociais. Suas áreas de atuação ainda são limitadas às favelas que representam, no caso do Complexo do Alemão (mesmo que essa divisão não seja tão bem definida, como vimos no início do texto).&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Ao contrário das ONGs que surgem no bairro no fim da década de 1990 e passam a ter como referência territorial de atuação, o Complexo do Alemão, e não suas localidades (da Nova Brasília, Morro do Alemão, Grota, Baiana etc.). Isso cria uma cartografia política multiescalar no bairro e alimenta um sistema de alianças diverso e multifacetado; que potencializa sua mobilização em situações de emergência como no caso da tragédia que gerou a mobilização do “Juntos pelo Complexo do Alemão”&amp;lt;ref&amp;gt;Para melhor compreensão desses processos, ver, neste dicionário, os verbetes: “Coletivo Juntos pelo Complexo do Alemão: vou te exigir o meu lugar”, “Complexo do Alemão e os movimentos coletivos locais: Para além das associações de moradores” e “Pertencimento ao Complexo do Alemão”.&amp;lt;/ref&amp;gt;.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Outro elemento que torna essa cartografia da dinâmica mais complexa são as Associações que surgem no âmbito dos condomínios construídos pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) nas obras executadas no bairro. Elas mantém sua autonomia, mas certo isolamento com o restante do território do Complexo do Alemão. Seja no sentido de um pertencimento, seja no dos papéis que cumprem na ordenação territorial e prestação de serviços, uma vez que estão voltadas para resolução de problemas condominiais. Ainda que, não consigam se apartar totalmente da vida social do bairro.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-weight:700&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
==Considerações finais==&lt;br /&gt;
&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:10.25pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;A trajetória das Associações de Moradores do Complexo do Alemão está em íntima continuidade com a história do município do Rio de Janeiro e do estado da Guanabara. Não se trata apenas de definir a constituição dessas entidades como meros reflexos da vida política carioca, mas sim de delinear um processo de interação no qual a dinâmica local e do restante da cidade se impactam mutuamente. O que acontecia no bairro era efeito das, mas também contribuia para, a consolidação ou crítica das políticas para as favelas; e se personificou, de modo mais acabado, na trajetória de Nilton Gomes Pereira, o Diquinho.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:10.25pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Não foi possível, neste trabalho, mapear as datas de surgimento de todas as Associações de Moradores, bem como uma série de informações não foram trazidas ao texto. Contudo, essa falta de evidências não indica uma falha do verbete devem ser vistas com provocações ou pistas para serem seguidas por cada um(a) dos(as) leitores(as), em suas próprias reflexões pessoais, trabalhos escolares ou acadêmicos.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:10.25pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Já as lacunas sobre a história política do Rio de Janeiro se devem, de fato, a limitações de espaço, tempo e dos conhecimentos do autor. Todavia, elas podem ser, em sua maioria, preenchidas com a pesquisa nas referência aqui utilizadas, em outros verbetes deste dicionário e ainda por toda uma literatura que não coube aqui.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;text-align:justify; margin-top:8.3pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-weight:700&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
==Referências Bibliográficas==&lt;br /&gt;
&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;text-align:justify; margin-top:8.3pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;BRUM, Mário Sérgio Ignácio. “O povo acredita na gente”: rupturas e continuidades no movimento comunitário das favelas cariocas nas décadas de 1980 e 1990. Dissertação apresentada para a obtenção do grau de Mestre em História pelo Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Ferderal Fluminense, Niterói, 2006.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;text-align:justify; margin-top:8.3pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;COUTO, Patrícia; RODRIGUES, Rute I. A gramática da moradia no Complexo do Alemão: história, documentos e narrativas (versão preliminar). Rio de Janeiro, IPEA, 2013.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;text-align:justify; margin-top:8.3pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;DIQUINHO. Entrevista a Patrícia Couto, 2013.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;text-align:justify; margin-top:8.3pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;GONÇALVES, Rafael Soares. Favelas do Rio de Janeiro: história e direito. Rio de Janeiro, Pallas, Editora PUC, 2013.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;text-align:justify; margin-top:8.3pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;RODRIGUES, Rute Imanishi. Os “Parques Proletários” e os subúrbios do Rio de Janeiro: aspectos da política governamental para as favelas entre 1930 e 1960 (versão preliminar). Rio de Janeiro, IPEA, 2013.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;text-align:justify; margin-top:8.3pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;RODRIGUES, Rute Imanishi. Uma construção complexa: necessidades básicas, movimentos sociais, governo e mercado. In.: RODRIGUES, Rute Imanishi (Org.). Vida Social e Política nas Favelas: pesquisa de campo no Complexo do Alemão. Rio de Janeiro, IPEA/CEPEDOCA - Instituto Raízes em Movimento, 2016, pp.43 a 70.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;text-align:justify; margin-top:8.3pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Thiago Matiolli</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://homologacao2.wikifavelas.com.br/index.php?title=Associa%C3%A7%C3%B5es_de_Moradores_do_Complexo_do_Alem%C3%A3o&amp;diff=4363</id>
		<title>Associações de Moradores do Complexo do Alemão</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://homologacao2.wikifavelas.com.br/index.php?title=Associa%C3%A7%C3%B5es_de_Moradores_do_Complexo_do_Alem%C3%A3o&amp;diff=4363"/>
		<updated>2020-03-02T01:45:27Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Thiago Matiolli: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-top: 0.15pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Por&amp;amp;nbsp;[https://wikifavelas.com.br/index.php?title=Usuário:Thiago_Matiolli Thiago Matiolli]&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-top: 0.15pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
== Introdução ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-top: 0.15pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;O Complexo do Alemão é um bairro da cidade do Rio de Janeiro onde se localizam diversas favelas, que se subdividem em várias localidades, mas se congregam em apenas doze Associações de Moradores: Baiana, Casinhas, Esperança (Pedra do Sapo), Fazendinha, Grota (Joaquim de Queirós), Itararé (Alvorada), Mineiros/Matinha, Morro do Adeus, Morro do Alemão, Nova Brasília, Palmeiras e Reservatório de Ramos. Ainda que, as áreas de atuação de cada uma delas não seja algo muito definido.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Alan Brum, fundador do Instituto Raízes em Movimento, conta a história de uma reunião realizada durante a execução das obras do PAC, cujo objetivo era entender os limites de ação de cada uma das Associações de Moradores do bairro. Estavam presentes todos os presidentes. Durante a conversa, segundo Alan, descobriu-se que determinadas localidades estavam nos limites de atuação de mais de uma das Associações, enquanto outras áreas não estavam sob responsabilidade de nenhuma delas.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Esse relato é interessante para dar o tom deste verbete. Seu intuito não é demarcar, de modo inquestionável o número de associações existentes, que localidades cada uma delas abarca, as histórias (datas, nomes etc.) de cada uma ou seus engajamentos políticos; todos aspectos cuja riqueza está nas múltiplas interpretações dos atores envolvidos, não nas definições eruditas. O que se busca é, com fins didáticos e introdutórios, sistematizar os dados disponíveis sobre tais organizações de modo a gerar informações básicas sobre a história política do Complexo do Alemão, antes mesmo ele ser nomeado desta maneira. Assim, moradoras/es e estudiosas/es possam se informar e desdobrar cada elemento pontuado através de suas memórias e trabalhos.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;O trabalho fundamental por trás deste verbete é o de Rodrigues (2015), no qual, ao traçar a história da ocupação do território hoje conhecido como Complexo do Alemão, a autora oferece dados preciosos sobre as Associações de Moradores do bairro. Com este pano de fundo, busca-se, também, articular essa trajetória local com a história do Rio de Janeiro, seguindo um dos motes das ações de produção de conhecimento do Instituto Raízes em Movimento que é: o que o Complexo do Alemão nos conta sobre a cidade?&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;O verbete está organizado em três momentos, ou fases: a inicial, que abrange as década de 1950 e 1960, com o surgimento das três primeiras Associações de Moradores do bairro: Joaquim de Queirós (Grota), Morro do Alemão e Nova Brasília; o segundo, compreendido entre as décadas de 1970 e 1980, que trazem o surgimento das demais Associações; e, por fim, as décadas de 1990 à 2010, com a chegada de novos atores sociais e formas de organização política.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
== Primeiro momento (Décadas de 1950 e 1960) ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;As primeiras Associações de Moradores a serem criadas na área hoje conhecida como Complexo do Alemão surgem na década de 1950, se formalizam nos anos 1960 e representam as seguintes localidades: Nova Brasília, Morro do Alemão e Grota. Isso reflete os movimentos mais gerais de controle social e político sobre a organização de moradoras/es de favelas no estado da Guanabara, desenvolvidos ao longo da década de 1950. Destaca-se, neste contexto, a criação da Coordenação de Serviços Sociais (CSS) no Governo de Carlos Lacerda e sob a gestão de Arthur Rios, cujos objetivos eram criar um órgão para lidar especificamente com a questão habitacional, até então responsabilidade de vários organismos distintos, e enfrentá-la de modo mais eficiente; mas, também, romper com as práticas clientelistas na relação entre Associações de Moradores e determinados políticos (GONÇALVES, 2013).&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;O atual bairro do Complexo do Alemão tem sua ocupação inicial datada no início do século XX e um forte incremento populacional na década de 1950&amp;lt;ref&amp;gt;Para uma descrição mais aprofundada dessa história, ver o verbete “Histórico Fundiário do Complexo do Alemão”, neste dicionário. &amp;lt;/ref&amp;gt;. Segundo Rodrigues (2015), esse segundo movimento vai, por um lado, consolidar as favelas na região - em particular a Nova Brasília, Morro do Alemão e Grota (com relatos de que o Morro do Adeus também refletia essa expansão demográfica) - e, por outro, fazer surgir lideranças políticas na defesa dos interesses e garantia das demandas de moradoras/es.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-left:113.38582677165351pt; margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;No Morro do Alemão, o principal líder da ocupação da época afirmou ser filiado ao Partido Comunista (PCB) e frequentador do Morro do Borel, onde surgiu a União dos Trabalhadores Favelados (UTF), em 1952. Em 1956, os líderes da invasão já haviam criado a União para Defesa e Assistência dos Moradores do Morro do Alemão (UDAMA) (RODRIGUES, 2015, p. 46).&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;A União dos Trabalhadores Favelados surge sob a atuação e princípios ideológicos do PCB. O partido emerge, na segunda metade de 1940 como grande catalisador das demandas populares no país com o fim da Era Vargas até sua cassação em 1947 e de seus mandatos políticos em 1948. Em que pese a suspensão da legenda, seus membros se distribuíram por outros partidos políticos, dando continuidade a sua atuação. O que contribuiu para a criação da UTF, cujos objetivos eram o de desenvolver a solidariedade entre trabalhadores (com a presença expressiva de líderes sindicatos) e sua respectiva consciência de classe, em uma escala intrafavelas, articulando as demandas locais em torno de questões sociais mais amplas (GONÇALVES, 2013).&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;De acordo com Gonçalves (2013), a influência comunista teria se reduzido consideravelmente fim da década de 1950 em decorrência da, entre outras coisas, interdição da UTF em 1957. O que teria aberto um vazio político na cidade que viria a se preenchido pela Coalizão dos trabalhadores Favelados da Cidade do Rio de Janeiro (CTFRJ), em 1959, com vínculos muito mais sólidos com os poderes públicos do que a UTF. A CTFRJ viria a ser extinta na década de 1960, sendo, por sua vez, substituída pela Federação das Associações de Favelas do Estado da Guanabara (FAFEG). Já indicando uma nova diretriz de atuação do governo da Guanabara para as favelas da cidade&amp;lt;ref&amp;gt;Para um conhecimento maior da história das lutas políticas favelas no Rio de Janeiro, ver os verbetes “Associações de Moradores/Movimentos Sociais” e “Federação das Associações de Favelas do Estado da Guanabara (FAFEG)“ neste dicionário.&amp;lt;/ref&amp;gt;.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Outra manifestação da reorientação do enfrentamento do problema da favela pelo Governo Lacerda foi a criação da, já citada, Coordenação de Serviços sociais. Uma de suas ações foi a implantação de uma forma de urbanização das favelas que tinha como pilares os mutirões e a autoconstrução, com suporte técnico e material provido pela governo. Outra ação foi a institucionalização e estímulo a criação das Associações de Moradores. O que vai conferir a estas organizações um papel fundamental na consolidação e ordenamento do espaço das favelas. Não seria diferente no Complexo do Alemão.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;As favelas do Morro do Alemão e da Nova Brasília já tinham suas organizações locais para defesa de suas demandas, as quais vão, no início dos anos 1960, se transformar em Associações de Moradores. Neste momento, a favela Joaquim de Queirós (ou Grota)&amp;lt;ref&amp;gt;Em seu trabalho, a autora afirma que ter evidências da existência e funcionamento do Centro Social Joaquim de Queirós na favela da Grota, mas que não tem dados suficientes para definir o momento da sua criação (RODRIGUES, 2015). &amp;lt;/ref&amp;gt;, também terá sua própria Associação. Conformando, as três organizações pioneiras, no bairro.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-left:113.38582677165351pt; margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;As lideranças do movimento de invasão do Morro do Alemão, Grota e Nova Brasília começaram a formalizar suas respectivas associações de moradores, isto é, redigiram estatutos e elegeram diretorias, no início da década de 1960. A formalização das associações se deu à medida que estas se articulavam com as agências do governo do estado da Guanabara, responsáveis por lidar com as favelas (RODRIGUES, 2015, p. 48).&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
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&amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;A formalização das Associações de Moradores lhes conferia um suporte técnico, e mesmo financeiro, para sua atuação e a responsabilidade de realizar, em parceria com o governo, obras de melhoria e o controle do processo de ocupação do território, impedindo a construção de novos barracos. O que, para Rodrigues (2015), determina o papel das Associações de Moradores na consolidação das favelas no estado da Guanabara. Ela cita uma passagem do estatuto da Associação de Moradores da Nova Brasília como “órgão de utilidade pública (...) dando à associação as prerrogativas de órgão único e ‘controlador’ do referido bairro” (RODRIGUES, 2015, p. 49).&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Essas três Associações de Moradores pioneiras, diz a autora, só viriam a ser registradas em cartório entre 1963 e 1965, período de início da instalação das bicas d’águas e rede elétrica. A chegada desses serviços essenciais teria sido crucial para a consolidação da ocupação territorial desses espaços, por meio das Associações de Moradores com apoio do governo. Esse intervalo de tempo também vê nascer um mercado imobiliário nas favelas, gerido pelas Associações, que passavam, então, a assumir também uma função cartorial.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;O início da década de 1970 vê um novo momento de expansão territorial do atual bairro do Complexo do Alemão, em que se destaca o surgimento da favela do Itararé onde, em vez da criação de Associação de Moradores, teve constituída uma empresa privada para gerir um reservatório de água que atendia a localidade (RODRIGUES, 2015). Este exemplo é interessante como registro de uma época. O fim da década de 1960 e a de 1970 são marcados por uma forte ação de remoção de favelas e do recrudescimento do controle político sobre esses espaços e suas organizações, com um ataque direto, por exemplo, à atuação da Fafeg; uma ingerência contundente na gestão das Associações de Moradores; ou ainda uma reorganização da dinâmica local com a criação de uma empresa no lugar de uma Associação de Moradores, como no caso do itararé.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Aqui, encerramos a análise dessa primeira fase da trajetória das Associações de Moradores no Complexo do Alemão, a qual se entrelaça com a história da ocupação territorial do bairro e mesmo das favelas da cidade.O que cria um intervalo na cronologia construída neste verbete, a qual será retomada no fim da década de 1970 e durante a década de 1980, marcada pelo “fenômeno de multiplicação das Associações de Moradores”, assim denominada Rodrigues (2015).&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
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== Segundo momento (Décadas de 1970 e 1980) ==&lt;br /&gt;
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A associação do Morro do Itararé, ela foi criada em?&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-left:113.38582677165351pt; margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Diquinho: 70 e poucos, 77, 78 eu acho. Por aí, eu num me lembro o ano certo não... Foi 77, 78. Que a daqui da Baiana, foi 80! 1980! Na vinda do Papa! Também deu um problema pra gente ocupar!&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-left:113.38582677165351pt; margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;(...)&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-left:113.38582677165351pt; margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Patrícia: Vamo voltar lá pra associação, pra fundação da associação do Itararé. Você tava?&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-left:113.38582677165351pt; margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Diquinho: Tava! Na fundação, tava! Fui eu que fiz o estatuto da associação. Eu que fiz, eu era diretor da FAFERJ na época, já.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-left:113.38582677165351pt; margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Patrícia: Como é que foi essa história, porque você tem muita história pra contar pelo visto!&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-left:113.38582677165351pt; margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Diquinho: Eu criei da Baiana, o estatuto daqui tem meu nome. Eu que fiz, eu que trouxe o modelo.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-left:113.38582677165351pt; margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Patrícia: Ah é!? Você criou da Baiana, do Itararé...&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-left:113.38582677165351pt; margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Diquinho: Itararé, Morro da Esperança, a do Morro dos Mineiro, só as mais velhas que não, não participei. A do Adeus, da Grota e do Alemão eu não participei. (DIQUINHO, 2013)&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
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&amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;O relato acima foi conferido à Patrícia Couto, antropóloga responsável pela coleta da memória em pesquisa realizada com Rute Rodrigues (COUTO e RODRIGUES, 2013) sobre a história da ocupação do território hoje conhecido como Complexo do Alemão. Nele, Nilton Gomes Pereira, também conhecido como Diquinho, destaca sua atuação no Complexo do Alemão neste novo momento da história política do país. É significativo para o argumento deste verbete ver como ele se posiciona com relação à Associação de Moradores do Itararé, quase dez anos depois do surgimento da favela; mas também a sua presença na chapa para eleição da FAFERJ (Federação das Associações de Favelas do Estado do Rio de Janeiro), já no lugar da FAFEG.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;A figura de Diquinho é central na articulação da trajetória política do Complexo do Alemão com a da cidade do Rio de Janeiro. Sua presença na FAFERJ é fruto de sua atuação no bairro. O que pode ser visto, segundo ele, em sua importância na constituição de, pelo menos, quatro novas Associações de Moradores do bairro. Diquinho cita a do Morro do Adeus também, como uma das mais antigas, mas não temos dados sobre sua fundação efetiva para incluir neste verbete.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;A passagem da década de 1970 para 1980 é marcada pela reorientação da ação do poder público na resolução do problema da favela, passando a predominar as propostas de urbanização desses espaços no lugar da sua remoção. Várias são as razões por trás dessa mudança: o processo de redemocratização do país, a atuação da Igreja Católica, a mudança no perfil de financiamento de políticas públicas pelos organismos internacionais e a retomada do processo associativo nas favelas do país.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Quando retomamos a trajetória do Diquinho,notamos também um novo momento de influência dos ideais comunistas nas organização das favelas. O que vai impactar na dinâmica associativa local com a criação de novas Associações de Moradores. Como pode ser visto na própria trajetória de Diquinho&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
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Mas eu entrei em 76.. no MR8, eu fui no MR8.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-left:113.38582677165351pt; margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;P: E o MR8 circulava por aqui também?&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-left:113.38582677165351pt; margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;D: Vieram os professores que eram militantes, conheceram a gente e daí que eu me politizei, fui politicamente mais ao socialismo. Aí que eu fui ler Lênin, Marx, tá?&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-left:113.38582677165351pt; margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;(...)&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-left:113.38582677165351pt; margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;P: Tinha mais gente da militância aqui?&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-left:113.38582677165351pt; margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;D: Tinha mas com o fim do MR8 e que a gente também divergiu do MR8, saímos do MR8 por causa de divergências, porque nós defendíamos a revolução socialista por causa da classe operária. Eles puxaram o saquinho da revolução burguesa, primeiro, no meio, aí nós divergimos, saímos fora. 5 anos atrás, eles acabaram também... MR8 acabou.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-left:113.38582677165351pt; margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;(...)&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-left:113.38582677165351pt; margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Mas eu vou apoiar ninguém por causa de dinheiro não. Vou apoiar por causa do programa e da ideologia. Tanto que, logo depois, a gente apoio Délio dos Santos que é do PCB. Aí, do MR8, o Tunico veio depois vereador do MR8, Tunico você deve ter visto falar. Aí, foi o primeiro candidato que eu apoiei foi o Tunico, pra vereador. 76! (Diquinho, 2013)&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:10.25pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Essa influência política se refletiu na disputa pelos sentido em torno da luta favelas em suas reivindicações. O que vai afetar, inclusive, a FAFERJ que estava, segundo Brum (2006), muito próxima ao governador Carlos Chagas e sua máquina política - que era outra pontente força a impactar a dinâmica política das favelas da cidade - com destaque para a atuação da Fundação Leão XIII. Em 1979, um grupo de oposição foi formado e uma nova eleição foi realizada. A disputa em torno da diretoria entre 1979 e 1981 teria levado a uma duplicidade na diretoria da FAFERJ, situação que se arrastaria até 1982. Nas palavras de Brum, sobre esta situação:&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-left:113.38582677165351pt; margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:10.25pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Não à toa, o advogado da FAFERJ 1, Walter Guimarães, seria ele mesmo advogado da Fundação Leão XIII (enquanto o da FAFERJ presidida por Irineu Guimarães, à qual chamaremos de FAFERJ 2, era o advogado Bento Rubião). Da mesma forma, o jornal O Dia, então pertencente ao governador Chagas Freitas, dava ampla cobertura a FAFERJ presidida por Jonas Rodrigues sem fazer referências à cisão, salvo quando este era o assunto da reportagem, no caso, noticiando alguma providência que estava sendo tomada por Jonas Rodrigues ou o advogado Walter Guimarães à respeito da “diretoria paralela”. O termo, utilizado pelos dois, era a única forma em que a FAFERJ 2 era citada nas matérias” (BRUM, 2006, p. 98).&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:10.25pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Há uma nítida disputa política entre o chaguismo e um movimento que visava mais autonomia para organização política favelada e suas Associações de Moradores. Outra passagem do texto de Brum deixa nítida a posição de Diquinho (que era Secretário-Geral da “diretoria paralela”), neste embate:&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-left:113.38582677165351pt; margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:10.25pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;O texto de Nilton Gomes (um editorial no jornal o Favelão), o Diquinho, presidente da Associação do Itararé, candidato a secretário-geral é o que faz a defesa mais clara de um papel transformador da FAFERJ. Em seu texto, ele se refere ao movimento favelado como um “setor do movimento operário”. Para ele, a principal tarefa da FAFERJ seria: “realizar um trabalho de esclarecimento político, exclusivamente voltado para a defesa da classe operária, dos seus interesses, objetivando a conquista de uma sociedade justa, uma sociedade socialista (BRUM, 2006, p. 136).&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
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| style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot; | Décadas de 1950/60&amp;lt;ref&amp;gt;No caso da Grota, Morro do Alemão e Nova Brasília, trata-se de 1950 criação das organizações locais e 1960, da formalização em Associações de Moradores.&amp;lt;/ref&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;Fonte: Couto e Rodrigues (2013), Diquinho (2013) e Rodrigues (2015)&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Essa segunda fase da criação das Associações de Moradores do Complexo do Alemão, assim como a primeira, dão importantes pistas para compreender não só a história local, mas a dinâmica política carioca do período. Em particular, uma nova influência comunista na organização favelada, por um lado, e o fortalecimento da relação de algumas com o governo (bem com a responsabilidade de prestação de serviço e ordenamento territorial das favelas) por outro. Foi, neste contexto, que se deu o que Rodrigues (2015) chamou de “fenômeno da multiplicação das associações de moradores”.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
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Dois novos atores políticos que surgem nas favelas na década de 1990 contribuem diretamente para isso: as Organizações Não-Governamentais (ONG’s) e os agentes locais do comércio ilegal de entorpecentes. Ambos, em alguma medida relativizam o papel de representação das demandas faveladas das Associações, ainda que, sem retirar a sua importância na realização de determinadas funções ligadas a ação governamental local.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Elas ainda são responsáveis pela gestão de algumas creches municipais, distribuição de cartas no interior das favelas e mesmo o exercício da função cartorial. Em algumas vezes, cedem suas sedes para realização de determinadas atividades de órgãos públicos ou ainda realizam seus próprios projetos sociais. Suas áreas de atuação ainda são limitadas às favelas que representam, no caso do Complexo do Alemão (mesmo que essa divisão não seja tão bem definida, como vimos no início do texto).&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Ao contrário das ONGs que surgem no bairro no fim da década de 1990 e passam a ter como referência territorial de atuação, o Complexo do Alemão, e não suas localidades (da Nova Brasília, Morro do Alemão, Grota, Baiana etc.). Isso cria uma cartografia política multiescalar no bairro e alimenta um sistema de alianças diverso e multifacetado; que potencializa sua mobilização em situações de emergência como no caso da tragédia que gerou a mobilização do “Juntos pelo Complexo do Alemão”&amp;lt;ref&amp;gt;Para melhor compreensão desses processos, ver, neste dicionário, os verbetes: “Coletivo Juntos pelo Complexo do Alemão: vou te exigir o meu lugar”, “Complexo do Alemão e os movimentos coletivos locais: Para além das associações de moradores” e “Pertencimento ao Complexo do Alemão”.&amp;lt;/ref&amp;gt;.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Outro elemento que torna essa cartografia da dinâmica mais complexa são as Associações que surgem no âmbito dos condomínios construídos pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) nas obras executadas no bairro. Elas mantém sua autonomia, mas certo isolamento com o restante do território do Complexo do Alemão. Seja no sentido de um pertencimento, seja no dos papéis que cumprem na ordenação territorial e prestação de serviços, uma vez que estão voltadas para resolução de problemas condominiais. Ainda que, não consigam se apartar totalmente da vida social do bairro.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-weight:700&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Considerações finais&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:10.25pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;A trajetória das Associações de Moradores do Complexo do Alemão está em íntima continuidade com a história do município do Rio de Janeiro e do estado da Guanabara. Não se trata apenas de definir a constituição dessas entidades como meros reflexos da vida política carioca, mas sim de delinear um processo de interação no qual a dinâmica local e do restante da cidade se impactam mutuamente. O que acontecia no bairro era efeito das, mas também contribuia para, a consolidação ou crítica das políticas para as favelas; e se personificou, de modo mais acabado, na trajetória de Nilton Gomes Pereira, o Diquinho.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:10.25pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Não foi possível, neste trabalho, mapear as datas de surgimento de todas as Associações de Moradores, bem como uma série de informações não foram trazidas ao texto. Contudo, essa falta de evidências não indica uma falha do verbete devem ser vistas com provocações ou pistas para serem seguidas por cada um(a) dos(as) leitores(as), em suas próprias reflexões pessoais, trabalhos escolares ou acadêmicos.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:10.25pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Já as lacunas sobre a história política do Rio de Janeiro se devem, de fato, a limitações de espaço, tempo e dos conhecimentos do autor. Todavia, elas podem ser, em sua maioria, preenchidas com a pesquisa nas referência aqui utilizadas, em outros verbetes deste dicionário e ainda por toda uma literatura que não coube aqui.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;text-align:justify; margin-top:8.3pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-weight:700&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Referências&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;text-align:justify; margin-top:8.3pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;BRUM, Mário Sérgio Ignácio. “O povo acredita na gente”: rupturas e continuidades no movimento comunitário das favelas cariocas nas décadas de 1980 e 1990. Dissertação apresentada para a obtenção do grau de Mestre em História pelo Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Ferderal Fluminense, Niterói, 2006.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;text-align:justify; margin-top:8.3pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;COUTO, Patrícia; RODRIGUES, Rute I. A gramática da moradia no Complexo do Alemão: história, documentos e narrativas (versão preliminar). Rio de Janeiro, IPEA, 2013.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;text-align:justify; margin-top:8.3pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;DIQUINHO. Entrevista a Patrícia Couto, 2013.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;text-align:justify; margin-top:8.3pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;GONÇALVES, Rafael Soares. Favelas do Rio de Janeiro: história e direito. Rio de Janeiro, Pallas, Editora PUC, 2013.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;text-align:justify; margin-top:8.3pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;RODRIGUES, Rute Imanishi. Os “Parques Proletários” e os subúrbios do Rio de Janeiro: aspectos da política governamental para as favelas entre 1930 e 1960 (versão preliminar). Rio de Janeiro, IPEA, 2013.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;text-align:justify; margin-top:8.3pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;RODRIGUES, Rute Imanishi. Uma construção complexa: necessidades básicas, movimentos sociais, governo e mercado. In.: RODRIGUES, Rute Imanishi (Org.). Vida Social e Política nas Favelas: pesquisa de campo no Complexo do Alemão. Rio de Janeiro, IPEA/CEPEDOCA - Instituto Raízes em Movimento, 2016, pp.43 a 70.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;text-align:justify; margin-top:8.3pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Thiago Matiolli</name></author>
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		<id>https://homologacao2.wikifavelas.com.br/index.php?title=Associa%C3%A7%C3%B5es_de_Moradores_do_Complexo_do_Alem%C3%A3o&amp;diff=4362</id>
		<title>Associações de Moradores do Complexo do Alemão</title>
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		<updated>2020-03-02T01:43:19Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Thiago Matiolli: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-top: 0.15pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Por&amp;amp;nbsp;[https://wikifavelas.com.br/index.php?title=Usuário:Thiago_Matiolli Thiago Matiolli]&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-top: 0.15pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
&amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-top: 0.15pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Introdução ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-top: 0.15pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;O Complexo do Alemão é um bairro da cidade do Rio de Janeiro onde se localizam diversas favelas, que se subdividem em várias localidades, mas se congregam em apenas doze Associações de Moradores: Baiana, Casinhas, Esperança (Pedra do Sapo), Fazendinha, Grota (Joaquim de Queirós), Itararé (Alvorada), Mineiros/Matinha, Morro do Adeus, Morro do Alemão, Nova Brasília, Palmeiras e Reservatório de Ramos. Ainda que, as áreas de atuação de cada uma delas não seja algo muito definido.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Alan Brum, fundador do Instituto Raízes em Movimento, conta a história de uma reunião realizada durante a execução das obras do PAC, cujo objetivo era entender os limites de ação de cada uma das Associações de Moradores do bairro. Estavam presentes todos os presidentes. Durante a conversa, segundo Alan, descobriu-se que determinadas localidades estavam nos limites de atuação de mais de uma das Associações, enquanto outras áreas não estavam sob responsabilidade de nenhuma delas.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Esse relato é interessante para dar o tom deste verbete. Seu intuito não é demarcar, de modo inquestionável o número de associações existentes, que localidades cada uma delas abarca, as histórias (datas, nomes etc.) de cada uma ou seus engajamentos políticos; todos aspectos cuja riqueza está nas múltiplas interpretações dos atores envolvidos, não nas definições eruditas. O que se busca é, com fins didáticos e introdutórios, sistematizar os dados disponíveis sobre tais organizações de modo a gerar informações básicas sobre a história política do Complexo do Alemão, antes mesmo ele ser nomeado desta maneira. Assim, moradoras/es e estudiosas/es possam se informar e desdobrar cada elemento pontuado através de suas memórias e trabalhos.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;O trabalho fundamental por trás deste verbete é o de Rodrigues (2015), no qual, ao traçar a história da ocupação do território hoje conhecido como Complexo do Alemão, a autora oferece dados preciosos sobre as Associações de Moradores do bairro. Com este pano de fundo, busca-se, também, articular essa trajetória local com a história do Rio de Janeiro, seguindo um dos motes das ações de produção de conhecimento do Instituto Raízes em Movimento que é: o que o Complexo do Alemão nos conta sobre a cidade?&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;O verbete está organizado em três momentos, ou fases: a inicial, que abrange as década de 1950 e 1960, com o surgimento das três primeiras Associações de Moradores do bairro: Joaquim de Queirós (Grota), Morro do Alemão e Nova Brasília; o segundo, compreendido entre as décadas de 1970 e 1980, que trazem o surgimento das demais Associações; e, por fim, as décadas de 1990 à 2010, com a chegada de novos atores sociais e formas de organização política.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
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&amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-weight:700&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Primeiro momento (Décadas de 1950 e 1960)&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;As primeiras Associações de Moradores a serem criadas na área hoje conhecida como Complexo do Alemão surgem na década de 1950, se formalizam nos anos 1960 e representam as seguintes localidades: Nova Brasília, Morro do Alemão e Grota. Isso reflete os movimentos mais gerais de controle social e político sobre a organização de moradoras/es de favelas no estado da Guanabara, desenvolvidos ao longo da década de 1950. Destaca-se, neste contexto, a criação da Coordenação de Serviços Sociais (CSS) no Governo de Carlos Lacerda e sob a gestão de Arthur Rios, cujos objetivos eram criar um órgão para lidar especificamente com a questão habitacional, até então responsabilidade de vários organismos distintos, e enfrentá-la de modo mais eficiente; mas, também, romper com as práticas clientelistas na relação entre Associações de Moradores e determinados políticos (GONÇALVES, 2013).&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;O atual bairro do Complexo do Alemão tem sua ocupação inicial datada no início do século XX e um forte incremento populacional na década de 1950&amp;lt;ref&amp;gt;Para uma descrição mais aprofundada dessa história, ver o verbete “Histórico Fundiário do Complexo do Alemão”, neste dicionário. &amp;lt;/ref&amp;gt;. Segundo Rodrigues (2015), esse segundo movimento vai, por um lado, consolidar as favelas na região - em particular a Nova Brasília, Morro do Alemão e Grota (com relatos de que o Morro do Adeus também refletia essa expansão demográfica) - e, por outro, fazer surgir lideranças políticas na defesa dos interesses e garantia das demandas de moradoras/es.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-left:113.38582677165351pt; margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;No Morro do Alemão, o principal líder da ocupação da época afirmou ser filiado ao Partido Comunista (PCB) e frequentador do Morro do Borel, onde surgiu a União dos Trabalhadores Favelados (UTF), em 1952. Em 1956, os líderes da invasão já haviam criado a União para Defesa e Assistência dos Moradores do Morro do Alemão (UDAMA) (RODRIGUES, 2015, p. 46).&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
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&amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;A União dos Trabalhadores Favelados surge sob a atuação e princípios ideológicos do PCB. O partido emerge, na segunda metade de 1940 como grande catalisador das demandas populares no país com o fim da Era Vargas até sua cassação em 1947 e de seus mandatos políticos em 1948. Em que pese a suspensão da legenda, seus membros se distribuíram por outros partidos políticos, dando continuidade a sua atuação. O que contribuiu para a criação da UTF, cujos objetivos eram o de desenvolver a solidariedade entre trabalhadores (com a presença expressiva de líderes sindicatos) e sua respectiva consciência de classe, em uma escala intrafavelas, articulando as demandas locais em torno de questões sociais mais amplas (GONÇALVES, 2013).&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;De acordo com Gonçalves (2013), a influência comunista teria se reduzido consideravelmente fim da década de 1950 em decorrência da, entre outras coisas, interdição da UTF em 1957. O que teria aberto um vazio político na cidade que viria a se preenchido pela Coalizão dos trabalhadores Favelados da Cidade do Rio de Janeiro (CTFRJ), em 1959, com vínculos muito mais sólidos com os poderes públicos do que a UTF. A CTFRJ viria a ser extinta na década de 1960, sendo, por sua vez, substituída pela Federação das Associações de Favelas do Estado da Guanabara (FAFEG). Já indicando uma nova diretriz de atuação do governo da Guanabara para as favelas da cidade&amp;lt;ref&amp;gt;Para um conhecimento maior da história das lutas políticas favelas no Rio de Janeiro, ver os verbetes “Associações de Moradores/Movimentos Sociais” e “Federação das Associações de Favelas do Estado da Guanabara (FAFEG)“ neste dicionário.&amp;lt;/ref&amp;gt;.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Outra manifestação da reorientação do enfrentamento do problema da favela pelo Governo Lacerda foi a criação da, já citada, Coordenação de Serviços sociais. Uma de suas ações foi a implantação de uma forma de urbanização das favelas que tinha como pilares os mutirões e a autoconstrução, com suporte técnico e material provido pela governo. Outra ação foi a institucionalização e estímulo a criação das Associações de Moradores. O que vai conferir a estas organizações um papel fundamental na consolidação e ordenamento do espaço das favelas. Não seria diferente no Complexo do Alemão.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;As favelas do Morro do Alemão e da Nova Brasília já tinham suas organizações locais para defesa de suas demandas, as quais vão, no início dos anos 1960, se transformar em Associações de Moradores. Neste momento, a favela Joaquim de Queirós (ou Grota)&amp;lt;ref&amp;gt;Em seu trabalho, a autora afirma que ter evidências da existência e funcionamento do Centro Social Joaquim de Queirós na favela da Grota, mas que não tem dados suficientes para definir o momento da sua criação (RODRIGUES, 2015). &amp;lt;/ref&amp;gt;, também terá sua própria Associação. Conformando, as três organizações pioneiras, no bairro.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-left:113.38582677165351pt; margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;As lideranças do movimento de invasão do Morro do Alemão, Grota e Nova Brasília começaram a formalizar suas respectivas associações de moradores, isto é, redigiram estatutos e elegeram diretorias, no início da década de 1960. A formalização das associações se deu à medida que estas se articulavam com as agências do governo do estado da Guanabara, responsáveis por lidar com as favelas (RODRIGUES, 2015, p. 48).&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
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O que, para Rodrigues (2015), determina o papel das Associações de Moradores na consolidação das favelas no estado da Guanabara. Ela cita uma passagem do estatuto da Associação de Moradores da Nova Brasília como “órgão de utilidade pública (...) dando à associação as prerrogativas de órgão único e ‘controlador’ do referido bairro” (RODRIGUES, 2015, p. 49).&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Essas três Associações de Moradores pioneiras, diz a autora, só viriam a ser registradas em cartório entre 1963 e 1965, período de início da instalação das bicas d’águas e rede elétrica. A chegada desses serviços essenciais teria sido crucial para a consolidação da ocupação territorial desses espaços, por meio das Associações de Moradores com apoio do governo. Esse intervalo de tempo também vê nascer um mercado imobiliário nas favelas, gerido pelas Associações, que passavam, então, a assumir também uma função cartorial.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;O início da década de 1970 vê um novo momento de expansão territorial do atual bairro do Complexo do Alemão, em que se destaca o surgimento da favela do Itararé onde, em vez da criação de Associação de Moradores, teve constituída uma empresa privada para gerir um reservatório de água que atendia a localidade (RODRIGUES, 2015). Este exemplo é interessante como registro de uma época. O fim da década de 1960 e a de 1970 são marcados por uma forte ação de remoção de favelas e do recrudescimento do controle político sobre esses espaços e suas organizações, com um ataque direto, por exemplo, à atuação da Fafeg; uma ingerência contundente na gestão das Associações de Moradores; ou ainda uma reorganização da dinâmica local com a criação de uma empresa no lugar de uma Associação de Moradores, como no caso do itararé.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Aqui, encerramos a análise dessa primeira fase da trajetória das Associações de Moradores no Complexo do Alemão, a qual se entrelaça com a história da ocupação territorial do bairro e mesmo das favelas da cidade.O que cria um intervalo na cronologia construída neste verbete, a qual será retomada no fim da década de 1970 e durante a década de 1980, marcada pelo “fenômeno de multiplicação das Associações de Moradores”, assim denominada Rodrigues (2015).&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
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&amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-weight:700&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Segundo momento (Décadas de 1970 e 1980)&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-left:113.38582677165351pt; margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Patrícia: E aí vocês fundaram a associação. A associação do Morro do Itararé, ela foi criada em?&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-left:113.38582677165351pt; margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Diquinho: 70 e poucos, 77, 78 eu acho. Por aí, eu num me lembro o ano certo não... Foi 77, 78. Que a daqui da Baiana, foi 80! 1980! Na vinda do Papa! Também deu um problema pra gente ocupar!&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-left:113.38582677165351pt; margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;(...)&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-left:113.38582677165351pt; margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Patrícia: Vamo voltar lá pra associação, pra fundação da associação do Itararé. Você tava?&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-left:113.38582677165351pt; margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Diquinho: Tava! Na fundação, tava! Fui eu que fiz o estatuto da associação. Eu que fiz, eu era diretor da FAFERJ na época, já.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-left:113.38582677165351pt; margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Patrícia: Como é que foi essa história, porque você tem muita história pra contar pelo visto!&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-left:113.38582677165351pt; margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Diquinho: Eu criei da Baiana, o estatuto daqui tem meu nome. Eu que fiz, eu que trouxe o modelo.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-left:113.38582677165351pt; margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Patrícia: Ah é!? Você criou da Baiana, do Itararé...&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-left:113.38582677165351pt; margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Diquinho: Itararé, Morro da Esperança, a do Morro dos Mineiro, só as mais velhas que não, não participei. A do Adeus, da Grota e do Alemão eu não participei. (DIQUINHO, 2013)&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
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&amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;O relato acima foi conferido à Patrícia Couto, antropóloga responsável pela coleta da memória em pesquisa realizada com Rute Rodrigues (COUTO e RODRIGUES, 2013) sobre a história da ocupação do território hoje conhecido como Complexo do Alemão. Nele, Nilton Gomes Pereira, também conhecido como Diquinho, destaca sua atuação no Complexo do Alemão neste novo momento da história política do país. É significativo para o argumento deste verbete ver como ele se posiciona com relação à Associação de Moradores do Itararé, quase dez anos depois do surgimento da favela; mas também a sua presença na chapa para eleição da FAFERJ (Federação das Associações de Favelas do Estado do Rio de Janeiro), já no lugar da FAFEG.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;A figura de Diquinho é central na articulação da trajetória política do Complexo do Alemão com a da cidade do Rio de Janeiro. Sua presença na FAFERJ é fruto de sua atuação no bairro. O que pode ser visto, segundo ele, em sua importância na constituição de, pelo menos, quatro novas Associações de Moradores do bairro. Diquinho cita a do Morro do Adeus também, como uma das mais antigas, mas não temos dados sobre sua fundação efetiva para incluir neste verbete.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;A passagem da década de 1970 para 1980 é marcada pela reorientação da ação do poder público na resolução do problema da favela, passando a predominar as propostas de urbanização desses espaços no lugar da sua remoção. Várias são as razões por trás dessa mudança: o processo de redemocratização do país, a atuação da Igreja Católica, a mudança no perfil de financiamento de políticas públicas pelos organismos internacionais e a retomada do processo associativo nas favelas do país.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Quando retomamos a trajetória do Diquinho,notamos também um novo momento de influência dos ideais comunistas nas organização das favelas. O que vai impactar na dinâmica associativa local com a criação de novas Associações de Moradores. Como pode ser visto na própria trajetória de Diquinho&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
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&amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-left:113.38582677165351pt; margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;P: Aí, você começou por influência do seu irmão.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-left:113.38582677165351pt; margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;D: É, depois militei em organização de esquerda. Mas eu entrei em 76.. no MR8, eu fui no MR8.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-left:113.38582677165351pt; margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;P: E o MR8 circulava por aqui também?&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-left:113.38582677165351pt; margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;D: Vieram os professores que eram militantes, conheceram a gente e daí que eu me politizei, fui politicamente mais ao socialismo. Aí que eu fui ler Lênin, Marx, tá?&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-left:113.38582677165351pt; margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;(...)&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-left:113.38582677165351pt; margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;P: Tinha mais gente da militância aqui?&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-left:113.38582677165351pt; margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;D: Tinha mas com o fim do MR8 e que a gente também divergiu do MR8, saímos do MR8 por causa de divergências, porque nós defendíamos a revolução socialista por causa da classe operária. Eles puxaram o saquinho da revolução burguesa, primeiro, no meio, aí nós divergimos, saímos fora. 5 anos atrás, eles acabaram também... MR8 acabou.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-left:113.38582677165351pt; margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;(...)&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-left:113.38582677165351pt; margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Mas eu vou apoiar ninguém por causa de dinheiro não. Vou apoiar por causa do programa e da ideologia. Tanto que, logo depois, a gente apoio Délio dos Santos que é do PCB. Aí, do MR8, o Tunico veio depois vereador do MR8, Tunico você deve ter visto falar. Aí, foi o primeiro candidato que eu apoiei foi o Tunico, pra vereador. 76! (Diquinho, 2013)&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:10.25pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Essa influência política se refletiu na disputa pelos sentido em torno da luta favelas em suas reivindicações. O que vai afetar, inclusive, a FAFERJ que estava, segundo Brum (2006), muito próxima ao governador Carlos Chagas e sua máquina política - que era outra pontente força a impactar a dinâmica política das favelas da cidade - com destaque para a atuação da Fundação Leão XIII. Em 1979, um grupo de oposição foi formado e uma nova eleição foi realizada. A disputa em torno da diretoria entre 1979 e 1981 teria levado a uma duplicidade na diretoria da FAFERJ, situação que se arrastaria até 1982. Nas palavras de Brum, sobre esta situação:&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-left:113.38582677165351pt; margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:10.25pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Não à toa, o advogado da FAFERJ 1, Walter Guimarães, seria ele mesmo advogado da Fundação Leão XIII (enquanto o da FAFERJ presidida por Irineu Guimarães, à qual chamaremos de FAFERJ 2, era o advogado Bento Rubião). Da mesma forma, o jornal O Dia, então pertencente ao governador Chagas Freitas, dava ampla cobertura a FAFERJ presidida por Jonas Rodrigues sem fazer referências à cisão, salvo quando este era o assunto da reportagem, no caso, noticiando alguma providência que estava sendo tomada por Jonas Rodrigues ou o advogado Walter Guimarães à respeito da “diretoria paralela”. O termo, utilizado pelos dois, era a única forma em que a FAFERJ 2 era citada nas matérias” (BRUM, 2006, p. 98).&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:10.25pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Há uma nítida disputa política entre o chaguismo e um movimento que visava mais autonomia para organização política favelada e suas Associações de Moradores. Outra passagem do texto de Brum deixa nítida a posição de Diquinho (que era Secretário-Geral da “diretoria paralela”), neste embate:&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-left:113.38582677165351pt; margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:10.25pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;O texto de Nilton Gomes (um editorial no jornal o Favelão), o Diquinho, presidente da Associação do Itararé, candidato a secretário-geral é o que faz a defesa mais clara de um papel transformador da FAFERJ. Em seu texto, ele se refere ao movimento favelado como um “setor do movimento operário”. Para ele, a principal tarefa da FAFERJ seria: “realizar um trabalho de esclarecimento político, exclusivamente voltado para a defesa da classe operária, dos seus interesses, objetivando a conquista de uma sociedade justa, uma sociedade socialista (BRUM, 2006, p. 136).&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;A trajetória política de Diquinho coloca o Complexo do Alemão no centro da história política da cidade do Rio de Janeiro e, a partir dela, podemos entender o contexto no qual se dá a criação das novas Associações de Moradores no Complexo do Alemão nas décadas de 1970 e 1980: marcado por uma forte tensão entre uma forma de organização popular mais autônoma e um conjunto de práticas políticas locais mais afinadas com os interesses eleitorais, sobretudo, do governo estadual.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Voltando para as Associações de Moradores das favelas do Complexo do Alemão, Rodrigues (2015) aponta a existência desde 1971 de uma nomeada Parque Alvorada e Cruzeiro, mas que representaria a comunidade da Fazendinha; e a da Palmeiras. Além destas duas, a autora ainda registra a criação das seguintes novas Associações de Moradores: Baiana, Itararé, Mineiros/Matinha, Esperança/Pedra do Sapo (citadas na fala de Diquinho)&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Sobre doze Associações de Moradores do Complexo do Alemão listadas no início do texto, é possível um esforço de sistematização das informações sobre suas origens da seguinte maneira:&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&#039;Tabela 1 - Associações de Moradores do Complexo do Alemão e os períodos aproximados de sua constituição&amp;lt;ref&amp;gt;Trata-se de aproximações grosseiras sobre a origem de cada uma das associações, a partir das referência citadas como fontes da tabela, que requer, sem sombra de dúvidas, maior precisão cronológica.&amp;lt;/ref&amp;gt;&#039;&#039;&#039;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
{| border=&amp;quot;1&amp;quot; cellpadding=&amp;quot;1&amp;quot; cellspacing=&amp;quot;1&amp;quot; style=&amp;quot;width: 500px;&amp;quot;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot; | &#039;&#039;&#039;Associação de Moradores&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot; | &#039;&#039;&#039;Criação (aproximadamen&#039;&#039;&#039;te)&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| Baiana&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot; | 1980&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| Casinhas&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot; | Sem informações&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| &amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Esperança (Pedra do Sapo)&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot; | Início da década de 1980&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| &amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Fazendinha&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot; | 1971&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| Grota&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot; | Décadas de 1950/60&lt;br /&gt;
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| style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot; | Décadas de 1950/60&amp;lt;ref&amp;gt;No caso da Grota, Morro do Alemão e Nova Brasília, trata-se de 1950 criação das organizações locais e 1960, da formalização em Associações de Moradores.&amp;lt;/ref&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;Fonte: Couto e Rodrigues (2013), Diquinho (2013) e Rodrigues (2015)&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Essa segunda fase da criação das Associações de Moradores do Complexo do Alemão, assim como a primeira, dão importantes pistas para compreender não só a história local, mas a dinâmica política carioca do período. Em particular, uma nova influência comunista na organização favelada, por um lado, e o fortalecimento da relação de algumas com o governo (bem com a responsabilidade de prestação de serviço e ordenamento territorial das favelas) por outro. Foi, neste contexto, que se deu o que Rodrigues (2015) chamou de “fenômeno da multiplicação das associações de moradores”.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
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Dois novos atores políticos que surgem nas favelas na década de 1990 contribuem diretamente para isso: as Organizações Não-Governamentais (ONG’s) e os agentes locais do comércio ilegal de entorpecentes. Ambos, em alguma medida relativizam o papel de representação das demandas faveladas das Associações, ainda que, sem retirar a sua importância na realização de determinadas funções ligadas a ação governamental local.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Elas ainda são responsáveis pela gestão de algumas creches municipais, distribuição de cartas no interior das favelas e mesmo o exercício da função cartorial. Em algumas vezes, cedem suas sedes para realização de determinadas atividades de órgãos públicos ou ainda realizam seus próprios projetos sociais. Suas áreas de atuação ainda são limitadas às favelas que representam, no caso do Complexo do Alemão (mesmo que essa divisão não seja tão bem definida, como vimos no início do texto).&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Ao contrário das ONGs que surgem no bairro no fim da década de 1990 e passam a ter como referência territorial de atuação, o Complexo do Alemão, e não suas localidades (da Nova Brasília, Morro do Alemão, Grota, Baiana etc.). Isso cria uma cartografia política multiescalar no bairro e alimenta um sistema de alianças diverso e multifacetado; que potencializa sua mobilização em situações de emergência como no caso da tragédia que gerou a mobilização do “Juntos pelo Complexo do Alemão”&amp;lt;ref&amp;gt;Para melhor compreensão desses processos, ver, neste dicionário, os verbetes: “Coletivo Juntos pelo Complexo do Alemão: vou te exigir o meu lugar”, “Complexo do Alemão e os movimentos coletivos locais: Para além das associações de moradores” e “Pertencimento ao Complexo do Alemão”.&amp;lt;/ref&amp;gt;.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Outro elemento que torna essa cartografia da dinâmica mais complexa são as Associações que surgem no âmbito dos condomínios construídos pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) nas obras executadas no bairro. Elas mantém sua autonomia, mas certo isolamento com o restante do território do Complexo do Alemão. Seja no sentido de um pertencimento, seja no dos papéis que cumprem na ordenação territorial e prestação de serviços, uma vez que estão voltadas para resolução de problemas condominiais. Ainda que, não consigam se apartar totalmente da vida social do bairro.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-weight:700&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Considerações finais&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:10.25pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;A trajetória das Associações de Moradores do Complexo do Alemão está em íntima continuidade com a história do município do Rio de Janeiro e do estado da Guanabara. Não se trata apenas de definir a constituição dessas entidades como meros reflexos da vida política carioca, mas sim de delinear um processo de interação no qual a dinâmica local e do restante da cidade se impactam mutuamente. O que acontecia no bairro era efeito das, mas também contribuia para, a consolidação ou crítica das políticas para as favelas; e se personificou, de modo mais acabado, na trajetória de Nilton Gomes Pereira, o Diquinho.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:10.25pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Não foi possível, neste trabalho, mapear as datas de surgimento de todas as Associações de Moradores, bem como uma série de informações não foram trazidas ao texto. Contudo, essa falta de evidências não indica uma falha do verbete devem ser vistas com provocações ou pistas para serem seguidas por cada um(a) dos(as) leitores(as), em suas próprias reflexões pessoais, trabalhos escolares ou acadêmicos.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:10.25pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Já as lacunas sobre a história política do Rio de Janeiro se devem, de fato, a limitações de espaço, tempo e dos conhecimentos do autor. Todavia, elas podem ser, em sua maioria, preenchidas com a pesquisa nas referência aqui utilizadas, em outros verbetes deste dicionário e ainda por toda uma literatura que não coube aqui.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;text-align:justify; margin-top:8.3pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-weight:700&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Referências&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;text-align:justify; margin-top:8.3pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;BRUM, Mário Sérgio Ignácio. “O povo acredita na gente”: rupturas e continuidades no movimento comunitário das favelas cariocas nas décadas de 1980 e 1990. Dissertação apresentada para a obtenção do grau de Mestre em História pelo Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Ferderal Fluminense, Niterói, 2006.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;text-align:justify; margin-top:8.3pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;COUTO, Patrícia; RODRIGUES, Rute I. A gramática da moradia no Complexo do Alemão: história, documentos e narrativas (versão preliminar). Rio de Janeiro, IPEA, 2013.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;text-align:justify; margin-top:8.3pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;DIQUINHO. Entrevista a Patrícia Couto, 2013.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;text-align:justify; margin-top:8.3pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;GONÇALVES, Rafael Soares. Favelas do Rio de Janeiro: história e direito. Rio de Janeiro, Pallas, Editora PUC, 2013.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;text-align:justify; margin-top:8.3pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;RODRIGUES, Rute Imanishi. Os “Parques Proletários” e os subúrbios do Rio de Janeiro: aspectos da política governamental para as favelas entre 1930 e 1960 (versão preliminar). Rio de Janeiro, IPEA, 2013.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;text-align:justify; margin-top:8.3pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;RODRIGUES, Rute Imanishi. Uma construção complexa: necessidades básicas, movimentos sociais, governo e mercado. In.: RODRIGUES, Rute Imanishi (Org.). Vida Social e Política nas Favelas: pesquisa de campo no Complexo do Alemão. Rio de Janeiro, IPEA/CEPEDOCA - Instituto Raízes em Movimento, 2016, pp.43 a 70.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;text-align:justify; margin-top:8.3pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Thiago Matiolli</name></author>
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		<id>https://homologacao2.wikifavelas.com.br/index.php?title=Associa%C3%A7%C3%B5es_de_Moradores_do_Complexo_do_Alem%C3%A3o&amp;diff=4361</id>
		<title>Associações de Moradores do Complexo do Alemão</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://homologacao2.wikifavelas.com.br/index.php?title=Associa%C3%A7%C3%B5es_de_Moradores_do_Complexo_do_Alem%C3%A3o&amp;diff=4361"/>
		<updated>2020-03-02T01:42:01Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Thiago Matiolli: Criou página com &amp;#039;&amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-top: 0.15pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Por&amp;amp;nbsp;[https://wikifavelas.com.br/index.php?title=Usuário:Thiago_Matiolli Thiago Matiolli...&amp;#039;&lt;/p&gt;
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&lt;div&gt;&amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-top: 0.15pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Por&amp;amp;nbsp;[https://wikifavelas.com.br/index.php?title=Usuário:Thiago_Matiolli Thiago Matiolli]&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-top: 0.15pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-top: 0.15pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Introdução&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-top: 0.15pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;O Complexo do Alemão é um bairro da cidade do Rio de Janeiro onde se localizam diversas favelas, que se subdividem em várias localidades, mas se congregam em apenas doze Associações de Moradores: Baiana, Casinhas, Esperança (Pedra do Sapo), Fazendinha, Grota (Joaquim de Queirós), Itararé (Alvorada), Mineiros/Matinha, Morro do Adeus, Morro do Alemão, Nova Brasília, Palmeiras e Reservatório de Ramos. Ainda que, as áreas de atuação de cada uma delas não seja algo muito definido.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Alan Brum, fundador do Instituto Raízes em Movimento, conta a história de uma reunião realizada durante a execução das obras do PAC, cujo objetivo era entender os limites de ação de cada uma das Associações de Moradores do bairro. Estavam presentes todos os presidentes. Durante a conversa, segundo Alan, descobriu-se que determinadas localidades estavam nos limites de atuação de mais de uma das Associações, enquanto outras áreas não estavam sob responsabilidade de nenhuma delas.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Esse relato é interessante para dar o tom deste verbete. Seu intuito não é demarcar, de modo inquestionável o número de associações existentes, que localidades cada uma delas abarca, as histórias (datas, nomes etc.) de cada uma ou seus engajamentos políticos; todos aspectos cuja riqueza está nas múltiplas interpretações dos atores envolvidos, não nas definições eruditas. O que se busca é, com fins didáticos e introdutórios, sistematizar os dados disponíveis sobre tais organizações de modo a gerar informações básicas sobre a história política do Complexo do Alemão, antes mesmo ele ser nomeado desta maneira. Assim, moradoras/es e estudiosas/es possam se informar e desdobrar cada elemento pontuado através de suas memórias e trabalhos.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;O trabalho fundamental por trás deste verbete é o de Rodrigues (2015), no qual, ao traçar a história da ocupação do território hoje conhecido como Complexo do Alemão, a autora oferece dados preciosos sobre as Associações de Moradores do bairro. Com este pano de fundo, busca-se, também, articular essa trajetória local com a história do Rio de Janeiro, seguindo um dos motes das ações de produção de conhecimento do Instituto Raízes em Movimento que é: o que o Complexo do Alemão nos conta sobre a cidade?&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;O verbete está organizado em três momentos, ou fases: a inicial, que abrange as década de 1950 e 1960, com o surgimento das três primeiras Associações de Moradores do bairro: Joaquim de Queirós (Grota), Morro do Alemão e Nova Brasília; o segundo, compreendido entre as décadas de 1970 e 1980, que trazem o surgimento das demais Associações; e, por fim, as décadas de 1990 à 2010, com a chegada de novos atores sociais e formas de organização política.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-weight:700&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Primeiro momento (Décadas de 1950 e 1960)&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;As primeiras Associações de Moradores a serem criadas na área hoje conhecida como Complexo do Alemão surgem na década de 1950, se formalizam nos anos 1960 e representam as seguintes localidades: Nova Brasília, Morro do Alemão e Grota. Isso reflete os movimentos mais gerais de controle social e político sobre a organização de moradoras/es de favelas no estado da Guanabara, desenvolvidos ao longo da década de 1950. Destaca-se, neste contexto, a criação da Coordenação de Serviços Sociais (CSS) no Governo de Carlos Lacerda e sob a gestão de Arthur Rios, cujos objetivos eram criar um órgão para lidar especificamente com a questão habitacional, até então responsabilidade de vários organismos distintos, e enfrentá-la de modo mais eficiente; mas, também, romper com as práticas clientelistas na relação entre Associações de Moradores e determinados políticos (GONÇALVES, 2013).&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;O atual bairro do Complexo do Alemão tem sua ocupação inicial datada no início do século XX e um forte incremento populacional na década de 1950&amp;lt;ref&amp;gt;Para uma descrição mais aprofundada dessa história, ver o verbete “Histórico Fundiário do Complexo do Alemão”, neste dicionário. &amp;lt;/ref&amp;gt;. Segundo Rodrigues (2015), esse segundo movimento vai, por um lado, consolidar as favelas na região - em particular a Nova Brasília, Morro do Alemão e Grota (com relatos de que o Morro do Adeus também refletia essa expansão demográfica) - e, por outro, fazer surgir lideranças políticas na defesa dos interesses e garantia das demandas de moradoras/es.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-left:113.38582677165351pt; margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;No Morro do Alemão, o principal líder da ocupação da época afirmou ser filiado ao Partido Comunista (PCB) e frequentador do Morro do Borel, onde surgiu a União dos Trabalhadores Favelados (UTF), em 1952. Em 1956, os líderes da invasão já haviam criado a União para Defesa e Assistência dos Moradores do Morro do Alemão (UDAMA) (RODRIGUES, 2015, p. 46).&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
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Em que pese a suspensão da legenda, seus membros se distribuíram por outros partidos políticos, dando continuidade a sua atuação. O que contribuiu para a criação da UTF, cujos objetivos eram o de desenvolver a solidariedade entre trabalhadores (com a presença expressiva de líderes sindicatos) e sua respectiva consciência de classe, em uma escala intrafavelas, articulando as demandas locais em torno de questões sociais mais amplas (GONÇALVES, 2013).&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;De acordo com Gonçalves (2013), a influência comunista teria se reduzido consideravelmente fim da década de 1950 em decorrência da, entre outras coisas, interdição da UTF em 1957. O que teria aberto um vazio político na cidade que viria a se preenchido pela Coalizão dos trabalhadores Favelados da Cidade do Rio de Janeiro (CTFRJ), em 1959, com vínculos muito mais sólidos com os poderes públicos do que a UTF. A CTFRJ viria a ser extinta na década de 1960, sendo, por sua vez, substituída pela Federação das Associações de Favelas do Estado da Guanabara (FAFEG). Já indicando uma nova diretriz de atuação do governo da Guanabara para as favelas da cidade&amp;lt;ref&amp;gt;Para um conhecimento maior da história das lutas políticas favelas no Rio de Janeiro, ver os verbetes “Associações de Moradores/Movimentos Sociais” e “Federação das Associações de Favelas do Estado da Guanabara (FAFEG)“ neste dicionário.&amp;lt;/ref&amp;gt;.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Outra manifestação da reorientação do enfrentamento do problema da favela pelo Governo Lacerda foi a criação da, já citada, Coordenação de Serviços sociais. Uma de suas ações foi a implantação de uma forma de urbanização das favelas que tinha como pilares os mutirões e a autoconstrução, com suporte técnico e material provido pela governo. Outra ação foi a institucionalização e estímulo a criação das Associações de Moradores. O que vai conferir a estas organizações um papel fundamental na consolidação e ordenamento do espaço das favelas. Não seria diferente no Complexo do Alemão.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;As favelas do Morro do Alemão e da Nova Brasília já tinham suas organizações locais para defesa de suas demandas, as quais vão, no início dos anos 1960, se transformar em Associações de Moradores. Neste momento, a favela Joaquim de Queirós (ou Grota)&amp;lt;ref&amp;gt;Em seu trabalho, a autora afirma que ter evidências da existência e funcionamento do Centro Social Joaquim de Queirós na favela da Grota, mas que não tem dados suficientes para definir o momento da sua criação (RODRIGUES, 2015). &amp;lt;/ref&amp;gt;, também terá sua própria Associação. Conformando, as três organizações pioneiras, no bairro.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-left:113.38582677165351pt; margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;As lideranças do movimento de invasão do Morro do Alemão, Grota e Nova Brasília começaram a formalizar suas respectivas associações de moradores, isto é, redigiram estatutos e elegeram diretorias, no início da década de 1960. A formalização das associações se deu à medida que estas se articulavam com as agências do governo do estado da Guanabara, responsáveis por lidar com as favelas (RODRIGUES, 2015, p. 48).&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
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O que, para Rodrigues (2015), determina o papel das Associações de Moradores na consolidação das favelas no estado da Guanabara. Ela cita uma passagem do estatuto da Associação de Moradores da Nova Brasília como “órgão de utilidade pública (...) dando à associação as prerrogativas de órgão único e ‘controlador’ do referido bairro” (RODRIGUES, 2015, p. 49).&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Essas três Associações de Moradores pioneiras, diz a autora, só viriam a ser registradas em cartório entre 1963 e 1965, período de início da instalação das bicas d’águas e rede elétrica. A chegada desses serviços essenciais teria sido crucial para a consolidação da ocupação territorial desses espaços, por meio das Associações de Moradores com apoio do governo. Esse intervalo de tempo também vê nascer um mercado imobiliário nas favelas, gerido pelas Associações, que passavam, então, a assumir também uma função cartorial.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;O início da década de 1970 vê um novo momento de expansão territorial do atual bairro do Complexo do Alemão, em que se destaca o surgimento da favela do Itararé onde, em vez da criação de Associação de Moradores, teve constituída uma empresa privada para gerir um reservatório de água que atendia a localidade (RODRIGUES, 2015). Este exemplo é interessante como registro de uma época. O fim da década de 1960 e a de 1970 são marcados por uma forte ação de remoção de favelas e do recrudescimento do controle político sobre esses espaços e suas organizações, com um ataque direto, por exemplo, à atuação da Fafeg; uma ingerência contundente na gestão das Associações de Moradores; ou ainda uma reorganização da dinâmica local com a criação de uma empresa no lugar de uma Associação de Moradores, como no caso do itararé.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Aqui, encerramos a análise dessa primeira fase da trajetória das Associações de Moradores no Complexo do Alemão, a qual se entrelaça com a história da ocupação territorial do bairro e mesmo das favelas da cidade.O que cria um intervalo na cronologia construída neste verbete, a qual será retomada no fim da década de 1970 e durante a década de 1980, marcada pelo “fenômeno de multiplicação das Associações de Moradores”, assim denominada Rodrigues (2015).&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
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A associação do Morro do Itararé, ela foi criada em?&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-left:113.38582677165351pt; margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Diquinho: 70 e poucos, 77, 78 eu acho. Por aí, eu num me lembro o ano certo não... Foi 77, 78. Que a daqui da Baiana, foi 80! 1980! Na vinda do Papa! Também deu um problema pra gente ocupar!&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-left:113.38582677165351pt; margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;(...)&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-left:113.38582677165351pt; margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Patrícia: Vamo voltar lá pra associação, pra fundação da associação do Itararé. Você tava?&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-left:113.38582677165351pt; margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Diquinho: Tava! Na fundação, tava! Fui eu que fiz o estatuto da associação. Eu que fiz, eu era diretor da FAFERJ na época, já.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-left:113.38582677165351pt; margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Patrícia: Como é que foi essa história, porque você tem muita história pra contar pelo visto!&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-left:113.38582677165351pt; margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Diquinho: Eu criei da Baiana, o estatuto daqui tem meu nome. Eu que fiz, eu que trouxe o modelo.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-left:113.38582677165351pt; margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Patrícia: Ah é!? Você criou da Baiana, do Itararé...&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-left:113.38582677165351pt; margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Diquinho: Itararé, Morro da Esperança, a do Morro dos Mineiro, só as mais velhas que não, não participei. A do Adeus, da Grota e do Alemão eu não participei. (DIQUINHO, 2013)&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
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&amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;O relato acima foi conferido à Patrícia Couto, antropóloga responsável pela coleta da memória em pesquisa realizada com Rute Rodrigues (COUTO e RODRIGUES, 2013) sobre a história da ocupação do território hoje conhecido como Complexo do Alemão. Nele, Nilton Gomes Pereira, também conhecido como Diquinho, destaca sua atuação no Complexo do Alemão neste novo momento da história política do país. É significativo para o argumento deste verbete ver como ele se posiciona com relação à Associação de Moradores do Itararé, quase dez anos depois do surgimento da favela; mas também a sua presença na chapa para eleição da FAFERJ (Federação das Associações de Favelas do Estado do Rio de Janeiro), já no lugar da FAFEG.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;A figura de Diquinho é central na articulação da trajetória política do Complexo do Alemão com a da cidade do Rio de Janeiro. Sua presença na FAFERJ é fruto de sua atuação no bairro. O que pode ser visto, segundo ele, em sua importância na constituição de, pelo menos, quatro novas Associações de Moradores do bairro. Diquinho cita a do Morro do Adeus também, como uma das mais antigas, mas não temos dados sobre sua fundação efetiva para incluir neste verbete.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;A passagem da década de 1970 para 1980 é marcada pela reorientação da ação do poder público na resolução do problema da favela, passando a predominar as propostas de urbanização desses espaços no lugar da sua remoção. Várias são as razões por trás dessa mudança: o processo de redemocratização do país, a atuação da Igreja Católica, a mudança no perfil de financiamento de políticas públicas pelos organismos internacionais e a retomada do processo associativo nas favelas do país.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Quando retomamos a trajetória do Diquinho,notamos também um novo momento de influência dos ideais comunistas nas organização das favelas. O que vai impactar na dinâmica associativa local com a criação de novas Associações de Moradores. Como pode ser visto na própria trajetória de Diquinho&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
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Mas eu entrei em 76.. no MR8, eu fui no MR8.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-left:113.38582677165351pt; margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;P: E o MR8 circulava por aqui também?&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-left:113.38582677165351pt; margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;D: Vieram os professores que eram militantes, conheceram a gente e daí que eu me politizei, fui politicamente mais ao socialismo. Aí que eu fui ler Lênin, Marx, tá?&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-left:113.38582677165351pt; margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;(...)&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-left:113.38582677165351pt; margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;P: Tinha mais gente da militância aqui?&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-left:113.38582677165351pt; margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;D: Tinha mas com o fim do MR8 e que a gente também divergiu do MR8, saímos do MR8 por causa de divergências, porque nós defendíamos a revolução socialista por causa da classe operária. Eles puxaram o saquinho da revolução burguesa, primeiro, no meio, aí nós divergimos, saímos fora. 5 anos atrás, eles acabaram também... MR8 acabou.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-left:113.38582677165351pt; margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;(...)&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-left:113.38582677165351pt; margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Mas eu vou apoiar ninguém por causa de dinheiro não. Vou apoiar por causa do programa e da ideologia. Tanto que, logo depois, a gente apoio Délio dos Santos que é do PCB. Aí, do MR8, o Tunico veio depois vereador do MR8, Tunico você deve ter visto falar. Aí, foi o primeiro candidato que eu apoiei foi o Tunico, pra vereador. 76! (Diquinho, 2013)&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:10.25pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Essa influência política se refletiu na disputa pelos sentido em torno da luta favelas em suas reivindicações. O que vai afetar, inclusive, a FAFERJ que estava, segundo Brum (2006), muito próxima ao governador Carlos Chagas e sua máquina política - que era outra pontente força a impactar a dinâmica política das favelas da cidade - com destaque para a atuação da Fundação Leão XIII. Em 1979, um grupo de oposição foi formado e uma nova eleição foi realizada. A disputa em torno da diretoria entre 1979 e 1981 teria levado a uma duplicidade na diretoria da FAFERJ, situação que se arrastaria até 1982. Nas palavras de Brum, sobre esta situação:&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-left:113.38582677165351pt; margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:10.25pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Não à toa, o advogado da FAFERJ 1, Walter Guimarães, seria ele mesmo advogado da Fundação Leão XIII (enquanto o da FAFERJ presidida por Irineu Guimarães, à qual chamaremos de FAFERJ 2, era o advogado Bento Rubião). Da mesma forma, o jornal O Dia, então pertencente ao governador Chagas Freitas, dava ampla cobertura a FAFERJ presidida por Jonas Rodrigues sem fazer referências à cisão, salvo quando este era o assunto da reportagem, no caso, noticiando alguma providência que estava sendo tomada por Jonas Rodrigues ou o advogado Walter Guimarães à respeito da “diretoria paralela”. O termo, utilizado pelos dois, era a única forma em que a FAFERJ 2 era citada nas matérias” (BRUM, 2006, p. 98).&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:10.25pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Há uma nítida disputa política entre o chaguismo e um movimento que visava mais autonomia para organização política favelada e suas Associações de Moradores. Outra passagem do texto de Brum deixa nítida a posição de Diquinho (que era Secretário-Geral da “diretoria paralela”), neste embate:&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-left:113.38582677165351pt; margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:10.25pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;O texto de Nilton Gomes (um editorial no jornal o Favelão), o Diquinho, presidente da Associação do Itararé, candidato a secretário-geral é o que faz a defesa mais clara de um papel transformador da FAFERJ. Em seu texto, ele se refere ao movimento favelado como um “setor do movimento operário”. Para ele, a principal tarefa da FAFERJ seria: “realizar um trabalho de esclarecimento político, exclusivamente voltado para a defesa da classe operária, dos seus interesses, objetivando a conquista de uma sociedade justa, uma sociedade socialista (BRUM, 2006, p. 136).&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
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&amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;A trajetória política de Diquinho coloca o Complexo do Alemão no centro da história política da cidade do Rio de Janeiro e, a partir dela, podemos entender o contexto no qual se dá a criação das novas Associações de Moradores no Complexo do Alemão nas décadas de 1970 e 1980: marcado por uma forte tensão entre uma forma de organização popular mais autônoma e um conjunto de práticas políticas locais mais afinadas com os interesses eleitorais, sobretudo, do governo estadual.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Voltando para as Associações de Moradores das favelas do Complexo do Alemão, Rodrigues (2015) aponta a existência desde 1971 de uma nomeada Parque Alvorada e Cruzeiro, mas que representaria a comunidade da Fazendinha; e a da Palmeiras. Além destas duas, a autora ainda registra a criação das seguintes novas Associações de Moradores: Baiana, Itararé, Mineiros/Matinha, Esperança/Pedra do Sapo (citadas na fala de Diquinho)&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Sobre doze Associações de Moradores do Complexo do Alemão listadas no início do texto, é possível um esforço de sistematização das informações sobre suas origens da seguinte maneira:&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&#039;Tabela 1 - Associações de Moradores do Complexo do Alemão e os períodos aproximados de sua constituição&amp;lt;ref&amp;gt;Trata-se de aproximações grosseiras sobre a origem de cada uma das associações, a partir das referência citadas como fontes da tabela, que requer, sem sombra de dúvidas, maior precisão cronológica.&amp;lt;/ref&amp;gt;&#039;&#039;&#039;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
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| style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot; | Décadas de 1950/60&amp;lt;ref&amp;gt;No caso da Grota, Morro do Alemão e Nova Brasília, trata-se de 1950 criação das organizações locais e 1960, da formalização em Associações de Moradores.&amp;lt;/ref&amp;gt;&lt;br /&gt;
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| style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot; | Década de 1970&lt;br /&gt;
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| &amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Reservatório de Ramos&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot; | Sem informações&lt;br /&gt;
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&amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;Fonte: Couto e Rodrigues (2013), Diquinho (2013) e Rodrigues (2015)&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Essa segunda fase da criação das Associações de Moradores do Complexo do Alemão, assim como a primeira, dão importantes pistas para compreender não só a história local, mas a dinâmica política carioca do período. Em particular, uma nova influência comunista na organização favelada, por um lado, e o fortalecimento da relação de algumas com o governo (bem com a responsabilidade de prestação de serviço e ordenamento territorial das favelas) por outro. Foi, neste contexto, que se deu o que Rodrigues (2015) chamou de “fenômeno da multiplicação das associações de moradores”.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
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&amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-weight:700&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Terceira fase (Décadas de 2000 a 2010)&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Essa terceira fase é bem menos explorada nas pesquisas realizadas até agora, de modo que, em vez de uma exposição substancial como feita nas seções anteriores, essa parte do texto caracteriza mais linhas gerais para a reflexão sobre o período do que uma análise em si.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;De modo geral, este momento é marcado pela transformação nos sentidos da atuação das Associações de Moradores e não pela criação de novas entidades. Dois novos atores políticos que surgem nas favelas na década de 1990 contribuem diretamente para isso: as Organizações Não-Governamentais (ONG’s) e os agentes locais do comércio ilegal de entorpecentes. Ambos, em alguma medida relativizam o papel de representação das demandas faveladas das Associações, ainda que, sem retirar a sua importância na realização de determinadas funções ligadas a ação governamental local.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Elas ainda são responsáveis pela gestão de algumas creches municipais, distribuição de cartas no interior das favelas e mesmo o exercício da função cartorial. Em algumas vezes, cedem suas sedes para realização de determinadas atividades de órgãos públicos ou ainda realizam seus próprios projetos sociais. Suas áreas de atuação ainda são limitadas às favelas que representam, no caso do Complexo do Alemão (mesmo que essa divisão não seja tão bem definida, como vimos no início do texto).&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Ao contrário das ONGs que surgem no bairro no fim da década de 1990 e passam a ter como referência territorial de atuação, o Complexo do Alemão, e não suas localidades (da Nova Brasília, Morro do Alemão, Grota, Baiana etc.). Isso cria uma cartografia política multiescalar no bairro e alimenta um sistema de alianças diverso e multifacetado; que potencializa sua mobilização em situações de emergência como no caso da tragédia que gerou a mobilização do “Juntos pelo Complexo do Alemão”&amp;lt;ref&amp;gt;Para melhor compreensão desses processos, ver, neste dicionário, os verbetes: “Coletivo Juntos pelo Complexo do Alemão: vou te exigir o meu lugar”, “Complexo do Alemão e os movimentos coletivos locais: Para além das associações de moradores” e “Pertencimento ao Complexo do Alemão”.&amp;lt;/ref&amp;gt;.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Outro elemento que torna essa cartografia da dinâmica mais complexa são as Associações que surgem no âmbito dos condomínios construídos pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) nas obras executadas no bairro. Elas mantém sua autonomia, mas certo isolamento com o restante do território do Complexo do Alemão. Seja no sentido de um pertencimento, seja no dos papéis que cumprem na ordenação territorial e prestação de serviços, uma vez que estão voltadas para resolução de problemas condominiais. Ainda que, não consigam se apartar totalmente da vida social do bairro.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:0pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-weight:700&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Considerações finais&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:10.25pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;A trajetória das Associações de Moradores do Complexo do Alemão está em íntima continuidade com a história do município do Rio de Janeiro e do estado da Guanabara. Não se trata apenas de definir a constituição dessas entidades como meros reflexos da vida política carioca, mas sim de delinear um processo de interação no qual a dinâmica local e do restante da cidade se impactam mutuamente. O que acontecia no bairro era efeito das, mas também contribuia para, a consolidação ou crítica das políticas para as favelas; e se personificou, de modo mais acabado, na trajetória de Nilton Gomes Pereira, o Diquinho.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:10.25pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Não foi possível, neste trabalho, mapear as datas de surgimento de todas as Associações de Moradores, bem como uma série de informações não foram trazidas ao texto. Contudo, essa falta de evidências não indica uma falha do verbete devem ser vistas com provocações ou pistas para serem seguidas por cada um(a) dos(as) leitores(as), em suas próprias reflexões pessoais, trabalhos escolares ou acadêmicos.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;margin-right:0.3pt; text-align:justify; margin-top:10.25pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Já as lacunas sobre a história política do Rio de Janeiro se devem, de fato, a limitações de espaço, tempo e dos conhecimentos do autor. Todavia, elas podem ser, em sua maioria, preenchidas com a pesquisa nas referência aqui utilizadas, em outros verbetes deste dicionário e ainda por toda uma literatura que não coube aqui.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
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&amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;text-align:justify; margin-top:8.3pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-weight:700&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;Referências&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;text-align:justify; margin-top:8.3pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;BRUM, Mário Sérgio Ignácio. “O povo acredita na gente”: rupturas e continuidades no movimento comunitário das favelas cariocas nas décadas de 1980 e 1990. Dissertação apresentada para a obtenção do grau de Mestre em História pelo Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Ferderal Fluminense, Niterói, 2006.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;text-align:justify; margin-top:8.3pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;COUTO, Patrícia; RODRIGUES, Rute I. A gramática da moradia no Complexo do Alemão: história, documentos e narrativas (versão preliminar). Rio de Janeiro, IPEA, 2013.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;text-align:justify; margin-top:8.3pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;DIQUINHO. Entrevista a Patrícia Couto, 2013.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;text-align:justify; margin-top:8.3pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;GONÇALVES, Rafael Soares. Favelas do Rio de Janeiro: história e direito. Rio de Janeiro, Pallas, Editora PUC, 2013.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;text-align:justify; margin-top:8.3pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;RODRIGUES, Rute Imanishi. Os “Parques Proletários” e os subúrbios do Rio de Janeiro: aspectos da política governamental para as favelas entre 1930 e 1960 (versão preliminar). Rio de Janeiro, IPEA, 2013.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;text-align:justify; margin-top:8.3pt; margin-bottom:0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;RODRIGUES, Rute Imanishi. Uma construção complexa: necessidades básicas, movimentos sociais, governo e mercado. In.: RODRIGUES, Rute Imanishi (Org.). Vida Social e Política nas Favelas: pesquisa de campo no Complexo do Alemão. Rio de Janeiro, IPEA/CEPEDOCA - Instituto Raízes em Movimento, 2016, pp.43 a 70.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Thiago Matiolli</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://homologacao2.wikifavelas.com.br/index.php?title=Complexos_de_Favelas&amp;diff=4360</id>
		<title>Complexos de Favelas</title>
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		<updated>2020-03-01T23:32:32Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Thiago Matiolli: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&lt;br /&gt;
Autor:&amp;amp;nbsp;[[Usuário:Thiago_Matiolli|Thiago Matiolli]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Introdução==&lt;br /&gt;
&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;De uns tempos para cá, o uso da noção de “comple&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;xo” para se tratar de algumas favelas da cidade do Rio de Janeiro - e mesmo de outro municípios próximos, como os da Baixada Fluminense - se tornou comum. Apenas para citar alguns deles: Complexo do Alemão, da Maré, da Penha, de Manguinhos, de Acari, da Pedreira, do Chapadão e por aí vai. Está presente no vocabulário de acadêmicos, agentes públicos, atores políticos, jornalistas e de cariocas em geral. Em alguma medida, ela acabou se somando a certas discussões, mais ou menos formais, sobre a nomeação de certos espaços da cidade: favelas, comunidades ou, de algum tempo pra cá, complexos de favelas (entre outras possibilidades)?&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É neste contexto que este verbete está inserido. Seu objetivo não é apresentar uma explicação última para este termo ou definição correta para se nomear certas favelas da cidade. Quer dizer, não se busca nestas páginas determinar que o termo “complexo” só pode ser usado nas situações específicas que descreveremos ou ainda que tal ou qual favela deva ser vista apenas como um “complexo”, e não de outras formas.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O que esperamos, ao fim do texto, é deixar claro como esta noção surgiu e se desenvolveu ao longo do tempo, especialmente na década de 1980, e destacar o que vemos como suas características mais interessante, ao menos do ponto de vista sociológico: em primeiro lugar, trata-se de uma nova escala espacial na cidade que se soma com aquelas já existentes, sem apagá-las, mas que torna o espaço urbano mais rico e complexo - sem trocadilhos; em segundo lugar, a forma como se nomeia os espaços como “complexos” varia de acordo com os interesses e pertencimentos envolvidos, de modo que, se certa favela é vista como “complexo” ou não por pessoas (ou instituições) diferentes, isso não significa que uma estará mais certa que a outra, mas que os sentidos conferidos à noção e à relação com lugar são diferentes.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Então, o objetivo do texto é contribuir para as discussões citadas acima, sem pretensões de conduzir o debate para um caminho que seria mais “correto”. Porém, se não pretendemos determinar nada, podemos, pelo menos, destacar algumas coisas que devem ser evitadas. E a principal delas é a criação de uma divisão simplista entre um Estado malvado, de um lado, e os moradores de favelas, do outro, na qual o primeiro teria desenvolvido a noção de “complexo” para aprimorar o controle militarizado da vida dessas populações, que não se identificam com este novo lugar. Não se vai negar que o aparelhos de governo aperfeiçoam constantemente tecnologias de controle social sobre as pessoas, o que se quer dizer é que a relação do desenvolvimento de uma nova escala espacial na cidade com essas técnicas de controle pode não ser tão simples e imediata assim.&amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Vejamos, brevemente e a título de ilustração, o trabalho de Marcos Alvito (2003) fruto de sua tese de doutorado defendida no fim da década de 1990, quando, como afirma o autor, o uso do termo “complexo”, já era amplamente utilizado. A partir de sua experiência, ele sugere que o termo seria um desdobramento da ideia de “complexo penitenciário”. O que coloca sua origem no seio do aparelho repressivo-policial do Estado e de uma lógica militarizada, o que permitiria, por exemplo, pensar como território único, um conjunto de favelas interligadas, como no caso do “&#039;Complexo de Acari&#039;, englobando um conjunto de 10 favelas (próximas, mas não contíguas) que estariam sob o controle de um único traficante” (Alvito, 2003, pg. 53). Esta possibilidade de explicação para a emergência da ideia de “complexo”, ainda que tenha se mostrado insatisfatória, em nada desmerece a análise, tendo em vista as informações disponíveis na época. E, diga-se de passagem, essa sugestão vigorou por muitos anos.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Porém, em seguida, ele trata do “famigerado” Complexo de Acari, “conceito vindo de fora e que não serve, de forma alguma, para a construção de uma identidade. Jamais ouvi alguém dizer que morava no Complexo de Acari” (Alvito, 2003, pg. 54). Aqui, nota-se, de modo mais claro, a reprodução da divisão simplista apontada acima e isso o impede de compreender seja os efeitos concretos da ideia de “complexo”, seja os processos de formação de identidade. O fato dele não ter encontrado uma única pessoa que se identificasse com o “Complexo de Acari” não implica que ninguém o fizesse; e, o fato de que lá ninguém se reconhecia como morador do “Complexo de Acari” não significa que, noutros lugares, a mesma coisa acontecesse. Até porque os processos de formação dos “complexos de favela” se territorializam de modo e em temporalidades diferentes&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Isto posto, e evitando fazer denúncia fundadas numa dicotomia imaginária, nas próximas seções, vamos fazer uma análise socio-histórica da noção de “complexo”, não para resolver de vez essa questão, mas para trazer contribuições para o debate.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Como urbanizar?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A virada da década de 1970 para a de 1980 já é reconhecida como período no qual a solução governamental para o problema das favelas no Rio de Janeiro passou a ser sua urbanização, preterindo as remoções. Essa história está muito bem documentada em diversos trabalhos, como pode ser visto, entre outros, em Valla (1986), Burgos (1998), Machado da Silva (2002), Valladares (2005) e Gonçalves (2013). Mas, pouco se estudou um efeito mais sutil dessa mudança de diretriz, qual seja, a questão que se colocou para os órgãos do governo municipal: como urbanizar? Em torno desta pergunta vão se articular três aspectos da política urbana carioca no início dos anos 1980: a formação de um novo quadro técnico e a produção massiva de conhecimento sobre as favelas; o desenvolvimento de uma nova forma de entender esses espaços, como aglomerados (conurbações de favelas); e a incidência da ação das agências multilaterais no surgimento de uma nova etapa do problema da favela. Aqui trataremos apenas do segundo aspecto, pois é desta perspectiva que a noção de “complexo” aplicada a determinadas favelas vai ser desenvolvida.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As intervenções de urbanização, sobretudo as de saneamento, deveriam considerar a homogeneidade territorial de favelas distintas; isto é, as ações em uma localidade teriam impacto sobre outras, por conta de características geográficas em comum entre elas. Isto é, favelas vizinhas umas às outras, que tinham sua história própria, mas compartilhavam as mesmas características geográficas seriam objetos da mesma intervenção de urbanização. Buscando soluções para esta configuração, os técnicos da Prefeitura responsáveis por pensar as intervenções de urbanização, desenvolveram, inicialmente, a concepção de conurbação de favelas, seguida pela de “aglomerados”, de modo a dar conta dessa dupla dimensão socioespacial: heterogeneidade social e homogeneidade topográfica. Com o passar do tempo a ideia vai de “aglomerado” vai sendo intercalada com a de “conjunto de favelas” e, finalmente, substituída pela de “complexo”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Trata-se, efetivamente, da produção de uma nova escala espacial no município do Rio de Janeiro que se soma a outras já existentes como as de bairro ou de favela. E não é uma simples questão conceitual, pois ela terá efeitos práticos na gestão urbana carioca. A principal delas é uma alteração na hierarquia das favelas na cidade, através da produção de novos espaços na cidade como os Complexos do Alemão e da Maré. Como pode ser visto nas tabelas abaixo, apresentadas no documento “Contribuição dos dados de população das favelas do Município do Rio de Janeiro” (1984), produzido pelo IPLANRIO.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Tabela 1 – “10 Favelas mais populosas do Município do Rio De Janeiro – 1980”&#039;&#039;&#039;&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{| border=&amp;quot;1&amp;quot; cellpadding=&amp;quot;1&amp;quot; cellspacing=&amp;quot;1&amp;quot; style=&amp;quot;width: 500px;&amp;quot;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | Ordem&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 295px; text-align: center;&amp;quot; | Nome&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | R.A&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 88px; text-align: center;&amp;quot; | População&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | 1º&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 295px;&amp;quot; | Rocinha&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | VI&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 88px; text-align: right;&amp;quot; | 32.996&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | 2º&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 295px;&amp;quot; | Jacarezinho&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | XII&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 88px; text-align: right;&amp;quot; | 31.405&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | 3º&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 295px;&amp;quot; | Nova Brasília&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | XII&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 88px; text-align: right;&amp;quot; | 19.909&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | 4º&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 295px;&amp;quot; | Vila do Vintém&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | XVII&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 88px; text-align: right;&amp;quot; | 15.877&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | 5º&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 295px;&amp;quot; | Gleba I da antiga Fazenda Botafogo&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | XXII&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 88px; text-align: right;&amp;quot; | 14.721&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | 6º&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 295px;&amp;quot; | Fazenda Coqueiro&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | XVII&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 88px; text-align: right;&amp;quot; | 14.115&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | 7º&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 295px;&amp;quot; | Maré&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | X&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 88px; text-align: right;&amp;quot; | 14.046&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | 8º&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 295px;&amp;quot; | Parque União&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | X&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 88px; text-align: right;&amp;quot; | 13.945&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | 9º&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 295px;&amp;quot; | Vila Proletária da Penha&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | XI&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 88px; text-align: right;&amp;quot; | 13.564&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | 10º&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 295px;&amp;quot; | Nova Holanda&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | X&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 88px; text-align: right;&amp;quot; | 13.115&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:x-small;&amp;quot;&amp;gt;Fonte: IPLANRIO, Contribuição dos dados de população das favelas do Município do Rio de Janeiro (1984) &amp;amp;nbsp;&amp;lt;/span&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E, na página 8, esta outra:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Tabela 2 – “10 Favelas ou Aglomerados de Favelas mais Populosas do Município do Rio de Janeiro – 1980”&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{| border=&amp;quot;1&amp;quot; cellpadding=&amp;quot;1&amp;quot; cellspacing=&amp;quot;1&amp;quot; style=&amp;quot;width: 507px;&amp;quot;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | Ordem&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 301px; text-align: center;&amp;quot; | Nome&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | R.A&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 91px; text-align: center;&amp;quot; | População&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | 1º&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 301px;&amp;quot; | Baixa do Sapateiro, Maré, Nova Holanda, Parque Rubens Vaz, Parque União e Timbau&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | X&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 91px; text-align: right;&amp;quot; | 65.001&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | 2º&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 301px;&amp;quot; | Itararé, Joaquim de Queirós, Morro do Alemão e Nova Brasília&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | X-XII&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 91px; text-align: right;&amp;quot; | 37.040&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | 3º&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 301px;&amp;quot; | Rocinha&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | VI&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 91px; text-align: right;&amp;quot; | 32.996&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | 4º&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 301px;&amp;quot; | Jacarezinho&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | XII&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 91px; text-align: right;&amp;quot; | 31.405&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | 5º&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 301px;&amp;quot; | Morro do Cariri, Vila Cruzeiro e Vila Proletária da Penha&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | X-XI&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 91px; text-align: right;&amp;quot; | 26.879&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | 6º&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 301px;&amp;quot; | Morro Azevedo Lima, Morro São Carlos, Morro do Catumbi, Morro Santos Rodrigues e Rato&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | III&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 91px; text-align: right;&amp;quot; | 20.354&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | 7º&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 301px;&amp;quot; | Parque Jardim Beira Mar, Parque Proletário de Vigário Geral e Te contei&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | XI&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 91px; text-align: right;&amp;quot; | 18.364&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | 8º&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 301px;&amp;quot; | Almirante Tamandaré, Gleba I da antiga Fazenda Botafogo e Parque Bela Vista&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | XXII&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 91px; text-align: right;&amp;quot; | 17.334&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | 9º&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 301px;&amp;quot; | Vila do Vintém&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | XVII&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 91px; text-align: right;&amp;quot; | 15.877&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | 10º&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 301px;&amp;quot; | Parque Acari, Vila Esperança e Vila Rica de Irajá&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | XII&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 91px; text-align: right;&amp;quot; | 15.038&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:x-small;&amp;quot;&amp;gt;Fonte: IPLANRIO, Contribuição dos dados de população das favelas do Município do Rio de Janeiro (1984)&amp;lt;/span&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É possível ver, a partir destas tabelas, uma mudança na hierarquia das maiores favelas da cidade do Rio de Janeiro, com a consideração dos complexos ou “aglomerados de favelas”. Não se trata de mera manipulação de dados, mas sim do efeito de um processo minucioso de análise e produção de informações que subsidiassem as ações de urbanização de favelas na cidade. E, como foi dito, também não se trata de simples questão conceitual, pois isso impacta diretamente a tomada de decisões do governo municipal carioca. Consideradas de modo isoladas, as quatro maiores favelas do Rio de janeiro seriam: Rocinha, Jacarezinho, Nova Brasília e Vila do Vintém (tabela 1); considerando os ”complexos”, esse ranking muda e temos como maiores espaços favelados do município: Complexo da Maré, do Alemão, Rocinha e Jacarezinho. Vejamos como isso impacta o tratamento do problema da favela na cidade do Rio de Janeiro em três momentos.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O primeiro deles está situado nos primeiros anos da década de 1980. Período marcado, no governo municipal, pelo desenvolvimento do Cadastro de Favelas (IPLANRIO, 1983). Publicado em 1983, os trabalhos de pesquisa para sua construção começaram em 1980/81 e as informações produzidas neste processo alimentaram uma séries de ações governamentais dos três níveis de governo: municipal, estadual e federal. É no seio dos estudos para construção do Cadastro de Favelas que a noção de aglomerados e complexos de favelas se consolida.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No período de 1980-1983, uma série de ações de urbanização de favelas, dos diversos níveis de governo, são realizadas, como o processo de eletrificação de favelas pela Light e o Proface/CEDAE, cujo objetivo era levar água de modo sistemático e estruturado para as favelas da cidade. O que esses programas têm em comum é o fato de serem setoriais, isto é, referem-se a um tipo de serviço público específico (luz e água, respectivamente), a ser implantado em um&amp;amp;nbsp; grande número de favelas. Mas, há outro tipo de ações concentrados em uma única favela ou conjunto de favelas, como o projeto Mutirão/UNESCO, o Projeto Rio&amp;lt;ref&amp;gt;Muito já foi produzido sobre o Projeto Rio ao longo dos anos desde sua realização, abordando diversos aspectos, desde a mobilização social desenvolvida no momento de sua implantação até aspectos técnicos do Projeto. A título de aproximação inicial, sugerimos como material de consulta sobre o Projeto Rio, as matérias produzidas pelo Rio on Watch, disponíveis no link: https://rioonwatch.org.br/?p=26789&amp;lt;/ref&amp;gt;&amp;amp;nbsp;e o Projeto de Desenvolvimento Social de Favelas do Rio de Janeiro&amp;lt;ref&amp;gt;Sobre o Projeto de Desenvolvimento Social de Favelas do Rio de Janeiro, ver, neste dicionário, o verbete “Pertencimento ao Complexo do Alemão”. &amp;lt;/ref&amp;gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O projeto Mutirão foi uma ação realizada através de uma parceria entre a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social (SMDS) e a UNESCO, realizada na Rocinha e que visava a realização de ações de urbanização na área em regime de ajuda mútua; o Projeto Rio, foi uma grande intervenção na produção de infraestrutura urbana e moradias, levada a cabo pelo Governo Federal na área atualmente conhecida como Complexo do Maré; já o Projeto de Desenvolvimento Social de Favelas do Rio de Janeiro é um grande diagnóstico elaborado pela SMDS, com financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), sobre as favelas do Jacarezinho e do Complexo do Alemão. É possível ver que a realização das quatro maiores intervenções concentradas em uma favela ou conjunto de favelas na cidade do Rio de Janeiro no início dos anos 1980 se baseou em uma nova hierarquia urbana, impactada pelo desenvolvimento da noção de aglomerado ou complexo de favelas.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O segundo momento inicia-se no ano de 1986, sob a gestão do prefeito Saturnino Braga, com a criação das primeiras Regiões Administrativas sediadas em favelas. Braga foi eleito para um mandato de três anos, compreendido entre 1986 e 1988, na primeira eleição direta para prefeito após duas décadas de ditadura civil militar. Ele inicia sua gestão pelo PDT e a termina, após o rompimento com o partido do governador Leonel Brizola, filiado ao PSB. Umas das principais características do governo de Saturnino foi seu esforço de descentralização administrativa no município, através de seus Conselhos Governo-Comunidade (CGC). Não uma iniciativa simplesmente burocrática, mas um esforço político de fortalecimento das bases, conferindo aos CGC’s alguma autonomia política para se organizarem, mas também para decidir a melhor aplicação dos recursos e serviços públicos em suas localidades. O que, por sua vez vai implicar na criação de uma nova arena local de disputa política e controle social (Burgos, 1992; Braga, 1989).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O objetivo da gestão de Saturnino era transformar as RAs em Conselhos Governo-Comunidade: uma instância local de interlocução entre os órgãos setoriais de governo e representantes comunitários, bem como ser um instrumento de organização e composição de bases partidárias locais. Na concepção do governo municipal, esperava-se que os administradores regionais atuassem coordenando as ações do poder público nas áreas sob sua atuação articulando-as com as demandas populares, agindo como uma espécie de gerente local. Conjugada com essa desconcentração administrativa, a Prefeitura buscava promover uma descentralização orçamentária, a partir da qual certas intervenções fossem decididas, inclusive na dotação de recursos, nas arenas das RAs/Conselhos.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A proposta enfrentou uma série de desafios, de modo que sua implantação foi parcial e alguns desses pressupostos apresentados, sobretudo a descentralização econômica, não foram alcançados. As dificuldades financeiras da Prefeitura se refletiam nas limitações postas à aplicação das decisões tomadas na esfera dos Conselhos, com relação a obras ou prestação de serviços. As resistências políticas também não foram pequenas.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Contudo, em que pese a não realização plena do projeto de Saturnino, nos interessa que nesse processo foram criadas novas Regiões Administrativas, nas quatro maiores favelas do município: Rocinha (XXVII R.A.), Jacarezinho (XXVIII R.A.), Complexo do Alemão (XXIX) e Maré (XXX). Note-se, em primeiro lugar, que a XXIX R.A. tem como jurisdição o Complexo do Alemão, nome oficial do Bairro, com o “complexo” e tudo; em segundo lugar, que os lugares escolhidos só podiam ser pensados como as maiores favelas da cidade, por conta da concepção dos aglomerados de favelas, como visualizado na Tabela 2. Se o parâmetro fosse apenas as favelas “isoladas”, seriam criadas as da Rocinha e Jacarezinho, junto com Nova Brasília e Vila do Vintém (Tabela 1).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O terceiro momento nos remete à década de 1990. Com a transformação dessas áreas compreendidas pelas novas Regiões Administrativas em bairros e com o programa Favela-Bairro. Com relação a criação dos bairros, com relação ao Complexo do Alemão e à Maré, recomendamos a leitura dos verbetes “Pertencimento ao Complexo do Alemão” e o “Bairro da Maré”, neste dicionário. Aqui, trataremos apenas do programa Favela-Bairro.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como foi destacado por Burgos (1998), desde a experiência da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social, ficou evidente, para os órgãos municipais, que ações pontuais não resolveriam os problemas de urbanização de favelas e, por outro lado, ao longo de toda a década de 1980 teria se acumulado, nos quadros da Prefeitura, conhecimentos e experiências que se mostraram fundamentais para a construção&amp;amp;nbsp; do projeto Favela-Bairro. Neste sentido, gostaríamos de destacar dois pontos. Primeiro, a continuidade da percepção de que favelas contíguas entre si deveriam ser pensadas como uma unidade. Na nota 36 do texto de Burgos (1998), o autor reproduz o seguinte texto, fruto de um documento da Prefeitura:&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;Outra advertência a se feita é que as favelas “conurbadas” foram tratadas como um conjunto único e nunca isoladamente, já que se considerou que tais favelas “formam uma única realidade geoambiental, não obstante mantenham identidades socioculturais próprias” (PMRJ, 1995:5 Apud Burgos, idem, pg. 58).&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E o autor segue:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;Em alguns casos, como se pode observar na lista de 16 favelas selecionadas, duas ou mais são consideradas parte de um único complexo. Eis a lista: Parque Royal; Canal das Tachas/Vila Amizade; Grotão; Serrinha; Ladeira dos Funcionário/Parque São Sebastião; Caminho do Job; Escondidinho; Morro da Fé; Vila Cândido/Guararapes/Cerro-Corá; Chácara Del Castilho; Mata Machado; Morro dos Prazeres; morro União; Três Pontes; Fernão Cardim; e Andaraí&amp;quot; (BURGOS, 1998, pg. 58).&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se houve “experiência” acumulada nos quadros técnicos da Prefeitura ao longo da década de 1980, cabe destacar a consolidação de um entendimento das favelas como aglomerados e sua percepção como complexos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O segundo ponto trata dos critérios de seleção das áreas que iriam receber intervenções do Favela-Bairro. O primeiro deles foi de que seriam selecionadas para o Programa apenas aquelas definidas como de porte médio, isto é, compostas por 500 a 2.500 domicílios e habitadas por entrre 2.000 e 10.000 habitantes. Trabalhar com as maiores (que seriam 15) seria muito custoso e a dispersão das pequenas favelas, implicaria em menor otimização dos recursos (Burgos, 1998).&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nesse processo de classificação das favelas, o critério dos aglomerados ou complexos de favelas transformou pequenas favelas em médias ou grandes, incluindo-as no programa ou excluindo-as do critério de porte médio. Como foi o caso do Complexo do Alemão. Não entramos nos dados produzidos para classificação das áreas aptas para receber ou não o Favela-Bairro, mas tendo em vista os números do documento Contribuição dos dados (1984) e a justificativa para criação das quatro novas Regiões Administrativas no governo Saturnino, podemos concluir que o fato de nenhuma das favelas que compunham o Complexo do Alemão receberam intervenções do Favela-Bairro por constituírem uma unidade só, conurbada e considerada de grande porte.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esse três momentos históricos ilustram como foi desenvolvida e consolidada, no seio de um quadro técnico da Prefeitura, a noção de “complexo” de favela. Não explicam, necessariamente, como o seu uso se ampliou e foi apropriado por outros atores políticos urbanos como os jornalistas, outros agentes públicos e mesmo entre as/os cariocas de maneira geral; tampouco, dão conta dos novos sentidos que lhe são atribuídos aos longos dos últimos anos, como uma possível lógica militarizada por trás de sua operação. Mas, não é por isso que esta análise histórica deixa de contribuir para uma compreensão do presente. Como veremos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Novas escalas urbanas==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O resgate histórico feito nas páginas acima, ainda que não avance para além do início da década de 1990, traz contribuições para pensarmos o presente, sobretudo, quando analisamos a mudança na hierarquia urbana que ela produziu e, por consequência, na escolha de áreas que receberão recursos, serviços e programas. Isso mostra que o surgimento dos “complexos” de favelas, no seio da gestão urbana municipal, promoveu a produção de uma nova escala urbana de pertencimento e de realização de políticas públicas (Matiolli, 2016).&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Neste verbete, a dimensão da elaboração de políticas públicas ficou mais evidente, quando vimos os projetos de urbanização do início da década de 1980, a criação das Regiões Administrativas em 1986 e o programa Favela-Bairro. Em todos estes casos, tratou-se de decisões baseadas na produção desses novos espaços na cidade, os complexos ou aglomerados de favelas. Essa percepção não implica no reconhecimento da heterogeneidade interna de uma grande favela, como as diversas áreas que existem no interior da Rocinha ou do Jacarezinho, por exemplo, com suas peculiaridades; mas, em conceber pequenas favelas, com suas trajetórias próprias, como se fossem uma unidade territorial nova. Uma das vantagens de pensar nos complexos como novas escalas de pertencimento e realização de políticas públicas é que nos permite fugir da dicotomia imaginária identificada no início do verbete. De duas maneiras.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Primeiro, enquanto escala de realização de políticas públicas, é possível perceber que o Estado não age de modo unitário, isto é, o fato de um órgão público reconhecer tal área como complexo não significa que outros trabalharão com a mesma definição. Não há uma determinação geral e unificada de que áreas são complexas e quais não são. Como exemplo, basta ver os diferentes mapas de atuação que circulam entre os órgãos de saúde, os de segurança ou ainda os correios, não necessariamente os lugares são nomeados da mesma forma. Há uma infinidade de definições.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bem como são múltiplas as definições do Complexo do Alemão, se você pergunta a uma moradora ou morador onde começa e termina o bairro. Há quem diga , por exemplo, que o Morro do Adeus faz parte e outras que o excluem se sua percepção do Alemão; há quem o associe ao Complexo da Penha; e por aí vai. Assim, enquanto nova escala de pertencimento, as pessoas que ali vivem podem ter mais uma referência de lugar para evocar, se lhe for estratégico; em outras palavras, não é que as/os moradoras/es não se identifiquem com o “complexo”, e sim que vão acionar seu pertencimento a ele de acordo com as circunstâncias.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quando vemos a organização política no Complexo do Alemão nos últimos anos, é possível ver que as associações de moradores criadas na região que veio a ganhar esse nome se referenciam a suas localidades como a Nova Brasília, o Morro do Alemão, a Baiana, Grota entre outras. Diferentemente das novas organizações sociais que vão surgir no fim da década de 1990, com as ONG’s, inicialmente, e, mais recentemente, os coletivos, que vão ter como referência local, o Complexo do Alemão. O que cria uma intricada cartografia política que vai gerar as mais diversas alianças, como, por exemplo, no caso do Juntos pelo Complexo do Alemão&amp;lt;ref&amp;gt;Para versões mais detalhadas desse exemplo, ver, neste dicionário, os verbetes: “pertencimento ao Complexo do Alemão”; “As associações de moradores do Complexo do Alemão” e “Juntos pelo Complexo do Alemão”.&amp;lt;/ref&amp;gt;.&amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para além da dimensão da ação coletiva, do ponto de vista individual, é possível ver como as pessoas também podem acionar positivamente o Complexo do Alemão em suas iniciativas. Ao longo dos anos mais recentes, é possível ver empreendimentos locais que viram, na existência do “Complexo” uma marca que acionaram em seus negócios, como no caso da agência de turismo “Turismo no Alemão”, a marca de roupas “Complexidade urbana” e mesmo a cerveja “Complexo do Alemão”.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A existência do Complexo do Alemão como lugar de moradia na cidade não só não é, necessariamente, negada por seus moradores, como é acionada em diversos momentos, situações, segundo as visões estratégicas de seus moradores e organizações sociais. Evidentemente que, a vivência&amp;amp;nbsp; e pertencimentos aos complexos vão variar de lugar para lugar, e nem todas reproduzirão essa relação existente no Alemão. O que é mais uma vantagem da perspectiva dos “complexos” de favela como escala espacial urbana, pois abre um leque de possibilidades não vislumbradas nesse texto.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como foi dito no início, não foi o objetivo deste texto oferecer uma explicação final e definitiva para a noção de “complexo” de favelas, mas contribuir para o debate a partir de um trabalho de análise e resgate histórico da produção dessa nova escala espacial na cidade. E assim, como esperamos ter ficado claro, não acabamos com a conversa, pelo contrário, apenas abrimos alguns horizontes de reflexão, que consideram desde as diversas vivências, trajetórias e pertencimentos aos complexos de favelas até investigações e críticas sobre os usos dessas escalas por atores políticos como a imprensa e outros órgãos públicos, como os de segurança; mas, sempre, desviando de certas limitações consolidadas no imaginários sobre as favelas do Rio de Janeiro. .&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Referências bibliográficas ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
ALVITO, Marcos . As Cores de Acari. 1. ed. Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas, 2003. v. 1. 300p&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
BRAGA, Roberto Saturnino. Governo Comunidade: Socialismo no Rio. Rio de Janeiro, Ed. Paz e Terra, 1989.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
BURGOS, Marcelo. A falência da Prefeitura do Rio de Janeiro: 1988. Dissertação apresentada para obtenção do grau de Mestre em Planejamento Econômico e Políticas Públicas, Instituto de Economia Industrial da Universidade Federal do Rio de Janeiro, 1992.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
__________. (1998) Dos Parques Proletários ao Favela-Bairro: as políticas públicas nas favelas do Rio de Janeiro. In.: ZALUAR, A. E ALVITO, M. (Org.). Um Século de Favela. Rio de Janeiro, Ed. FGV, pp. 25-58.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
IPLANRIO – Instituto de Planejamento Municipal. Cadastro de Favelas, 2ª edição, Rio de Janeiro, 1983.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
_________. (1983) Projeto de Desenvolvimento Social de Favelas do Rio de Janeiro, Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social, Versão Preliminar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
_________. (1984) Contribuição dos dados de população das favelas do Município do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
MACHADO DA SILVA, Luiz Antonio. A continuidade do “problema da favela”. In: Oliveira, Lúcia Lippi (org). Cidade: Histórias e Desafios. Rio de Janeiro: Ed. Fundação Getúlio Vargas, 2002. p. 220 – 237.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
MATIOLLI, Thiago Oliveira Lima. Matiolli. O que o Complexo do Alemão nos conta sobre a cidade do Rio de Janeiro: poder e conhecimento no Rio de Janeiro no início dos anos 80. 2016. 234f. Tese de Doutorado em Ciências. Programa de Pós-Graduação em Sociologia, Universidade de São Paulo, São Paulo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
_________.Notas sobre o surgimento do bairro do Complexo do Alemão. In.: RODRIGUES, Rute Imanishi. Vida Social e Política nas Favelas: pesquisas de campo no Complexo do Alemão. Brasília: IPEA, 2016.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
VALLA, Victor V. (org). Educação e Favela: políticas para as favelas do Rio de Janeiro, 1940-1985. Rio de Janeiro: Vozes, 1986.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
VALLADARES, Licia do Prado. A invenção da favela: do mito de origem à favela.com. Rio de Janeiro: editora FGV, 2005. na próxima seção.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Thiago Matiolli</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://homologacao2.wikifavelas.com.br/index.php?title=Complexos_de_Favelas&amp;diff=4359</id>
		<title>Complexos de Favelas</title>
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		<updated>2020-03-01T23:32:02Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Thiago Matiolli: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&lt;br /&gt;
Autor:&amp;amp;nbsp;[[Usuário:Thiago_Matiolli|Thiago Matiolli]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Introdução==&lt;br /&gt;
&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;De uns tempos para cá, o uso da noção de “comple&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;xo” para se tratar de algumas favelas da cidade do Rio de Janeiro - e mesmo de outro municípios próximos, como os da Baixada Fluminense - se tornou comum. Apenas para citar alguns deles: Complexo do Alemão, da Maré, da Penha, de Manguinhos, de Acari, da Pedreira, do Chapadão e por aí vai. Está presente no vocabulário de acadêmicos, agentes públicos, atores políticos, jornalistas e de cariocas em geral. Em alguma medida, ela acabou se somando a certas discussões, mais ou menos formais, sobre a nomeação de certos espaços da cidade: favelas, comunidades ou, de algum tempo pra cá, complexos de favelas (entre outras possibilidades)?&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É neste contexto que este verbete está inserido. Seu objetivo não é apresentar uma explicação última para este termo ou definição correta para se nomear certas favelas da cidade. Quer dizer, não se busca nestas páginas determinar que o termo “complexo” só pode ser usado nas situações específicas que descreveremos ou ainda que tal ou qual favela deva ser vista apenas como um “complexo”, e não de outras formas.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O que esperamos, ao fim do texto, é deixar claro como esta noção surgiu e se desenvolveu ao longo do tempo, especialmente na década de 1980, e destacar o que vemos como suas características mais interessante, ao menos do ponto de vista sociológico: em primeiro lugar, trata-se de uma nova escala espacial na cidade que se soma com aquelas já existentes, sem apagá-las, mas que torna o espaço urbano mais rico e complexo - sem trocadilhos; em segundo lugar, a forma como se nomeia os espaços como “complexos” varia de acordo com os interesses e pertencimentos envolvidos, de modo que, se certa favela é vista como “complexo” ou não por pessoas (ou instituições) diferentes, isso não significa que uma estará mais certa que a outra, mas que os sentidos conferidos à noção e à relação com lugar são diferentes.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Então, o objetivo do texto é contribuir para as discussões citadas acima, sem pretensões de conduzir o debate para um caminho que seria mais “correto”. Porém, se não pretendemos determinar nada, podemos, pelo menos, destacar algumas coisas que devem ser evitadas. E a principal delas é a criação de uma divisão simplista entre um Estado malvado, de um lado, e os moradores de favelas, do outro, na qual o primeiro teria desenvolvido a noção de “complexo” para aprimorar o controle militarizado da vida dessas populações, que não se identificam com este novo lugar. Não se vai negar que o aparelhos de governo aperfeiçoam constantemente tecnologias de controle social sobre as pessoas, o que se quer dizer é que a relação do desenvolvimento de uma nova escala espacial na cidade com essas técnicas de controle pode não ser tão simples e imediata assim.&amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Vejamos, brevemente e a título de ilustração, o trabalho de Marcos Alvito (2003) fruto de sua tese de doutorado defendida no fim da década de 1990, quando, como afirma o autor, o uso do termo “complexo”, já era amplamente utilizado. A partir de sua experiência, ele sugere que o termo seria um desdobramento da ideia de “complexo penitenciário”. O que coloca sua origem no seio do aparelho repressivo-policial do Estado e de uma lógica militarizada, o que permitiria, por exemplo, pensar como território único, um conjunto de favelas interligadas, como no caso do “&#039;Complexo de Acari&#039;, englobando um conjunto de 10 favelas (próximas, mas não contíguas) que estariam sob o controle de um único traficante” (Alvito, 2003, pg. 53). Esta possibilidade de explicação para a emergência da ideia de “complexo”, ainda que tenha se mostrado insatisfatória, em nada desmerece a análise, tendo em vista as informações disponíveis na época. E, diga-se de passagem, essa sugestão vigorou por muitos anos.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Porém, em seguida, ele trata do “famigerado” Complexo de Acari, “conceito vindo de fora e que não serve, de forma alguma, para a construção de uma identidade. Jamais ouvi alguém dizer que morava no Complexo de Acari” (Alvito, 2003, pg. 54). Aqui, nota-se, de modo mais claro, a reprodução da divisão simplista apontada acima e isso o impede de compreender seja os efeitos concretos da ideia de “complexo”, seja os processos de formação de identidade. O fato dele não ter encontrado uma única pessoa que se identificasse com o “Complexo de Acari” não implica que ninguém o fizesse; e, o fato de que lá ninguém se reconhecia como morador do “Complexo de Acari” não significa que, noutros lugares, a mesma coisa acontecesse. Até porque os processos de formação dos “complexos de favela” se territorializam de modo e em temporalidades diferentes&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Isto posto, e evitando fazer denúncia fundadas numa dicotomia imaginária, nas próximas seções, vamos fazer uma análise socio-histórica da noção de “complexo”, não para resolver de vez essa questão, mas para trazer contribuições para o debate.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Como urbanizar?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A virada da década de 1970 para a de 1980 já é reconhecida como período no qual a solução governamental para o problema das favelas no Rio de Janeiro passou a ser sua urbanização, preterindo as remoções. Essa história está muito bem documentada em diversos trabalhos, como pode ser visto, entre outros, em Valla (1986), Burgos (1998), Machado da Silva (2002), Valladares (2005) e Gonçalves (2013). Mas, pouco se estudou um efeito mais sutil dessa mudança de diretriz, qual seja, a questão que se colocou para os órgãos do governo municipal: como urbanizar? Em torno desta pergunta vão se articular três aspectos da política urbana carioca no início dos anos 1980: a formação de um novo quadro técnico e a produção massiva de conhecimento sobre as favelas; o desenvolvimento de uma nova forma de entender esses espaços, como aglomerados (conurbações de favelas); e a incidência da ação das agências multilaterais no surgimento de uma nova etapa do problema da favela. Aqui trataremos apenas do segundo aspecto, pois é desta perspectiva que a noção de “complexo” aplicada a determinadas favelas vai ser desenvolvida.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As intervenções de urbanização, sobretudo as de saneamento, deveriam considerar a homogeneidade territorial de favelas distintas; isto é, as ações em uma localidade teriam impacto sobre outras, por conta de características geográficas em comum entre elas. Isto é, favelas vizinhas umas às outras, que tinham sua história própria, mas compartilhavam as mesmas características geográficas seriam objetos da mesma intervenção de urbanização. Buscando soluções para esta configuração, os técnicos da Prefeitura responsáveis por pensar as intervenções de urbanização, desenvolveram, inicialmente, a concepção de conurbação de favelas, seguida pela de “aglomerados”, de modo a dar conta dessa dupla dimensão socioespacial: heterogeneidade social e homogeneidade topográfica. Com o passar do tempo a ideia vai de “aglomerado” vai sendo intercalada com a de “conjunto de favelas” e, finalmente, substituída pela de “complexo”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Trata-se, efetivamente, da produção de uma nova escala espacial no município do Rio de Janeiro que se soma a outras já existentes como as de bairro ou de favela. E não é uma simples questão conceitual, pois ela terá efeitos práticos na gestão urbana carioca. A principal delas é uma alteração na hierarquia das favelas na cidade, através da produção de novos espaços na cidade como os Complexos do Alemão e da Maré. Como pode ser visto nas tabelas abaixo, apresentadas no documento “Contribuição dos dados de população das favelas do Município do Rio de Janeiro” (1984), produzido pelo IPLANRIO.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Tabela 1 – “10 Favelas mais populosas do Município do Rio De Janeiro – 1980”&#039;&#039;&#039;&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{| border=&amp;quot;1&amp;quot; cellpadding=&amp;quot;1&amp;quot; cellspacing=&amp;quot;1&amp;quot; style=&amp;quot;width: 500px;&amp;quot;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | Ordem&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 295px; text-align: center;&amp;quot; | Nome&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | R.A&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 88px; text-align: center;&amp;quot; | População&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | 1º&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 295px;&amp;quot; | Rocinha&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | VI&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 88px; text-align: right;&amp;quot; | 32.996&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | 2º&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 295px;&amp;quot; | Jacarezinho&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | XII&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 88px; text-align: right;&amp;quot; | 31.405&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | 3º&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 295px;&amp;quot; | Nova Brasília&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | XII&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 88px; text-align: right;&amp;quot; | 19.909&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | 4º&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 295px;&amp;quot; | Vila do Vintém&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | XVII&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 88px; text-align: right;&amp;quot; | 15.877&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | 5º&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 295px;&amp;quot; | Gleba I da antiga Fazenda Botafogo&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | XXII&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 88px; text-align: right;&amp;quot; | 14.721&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | 6º&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 295px;&amp;quot; | Fazenda Coqueiro&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | XVII&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 88px; text-align: right;&amp;quot; | 14.115&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | 7º&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 295px;&amp;quot; | Maré&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | X&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 88px; text-align: right;&amp;quot; | 14.046&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | 8º&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 295px;&amp;quot; | Parque União&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | X&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 88px; text-align: right;&amp;quot; | 13.945&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | 9º&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 295px;&amp;quot; | Vila Proletária da Penha&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | XI&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 88px; text-align: right;&amp;quot; | 13.564&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | 10º&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 295px;&amp;quot; | Nova Holanda&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | X&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 88px; text-align: right;&amp;quot; | 13.115&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:x-small;&amp;quot;&amp;gt;Fonte: IPLANRIO, Contribuição dos dados de população das favelas do Município do Rio de Janeiro (1984) &amp;amp;nbsp;&amp;lt;/span&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E, na página 8, esta outra:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Tabela 2 – “10 Favelas ou Aglomerados de Favelas mais Populosas do Município do Rio de Janeiro – 1980”&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{| border=&amp;quot;1&amp;quot; cellpadding=&amp;quot;1&amp;quot; cellspacing=&amp;quot;1&amp;quot; style=&amp;quot;width: 507px;&amp;quot;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | Ordem&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 301px; text-align: center;&amp;quot; | Nome&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | R.A&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 91px; text-align: center;&amp;quot; | População&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | 1º&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 301px;&amp;quot; | Baixa do Sapateiro, Maré, Nova Holanda, Parque Rubens Vaz, Parque União e Timbau&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | X&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 91px; text-align: right;&amp;quot; | 65.001&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | 2º&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 301px;&amp;quot; | Itararé, Joaquim de Queirós, Morro do Alemão e Nova Brasília&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | X-XII&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 91px; text-align: right;&amp;quot; | 37.040&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | 3º&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 301px;&amp;quot; | Rocinha&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | VI&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 91px; text-align: right;&amp;quot; | 32.996&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | 4º&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 301px;&amp;quot; | Jacarezinho&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | XII&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 91px; text-align: right;&amp;quot; | 31.405&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | 5º&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 301px;&amp;quot; | Morro do Cariri, Vila Cruzeiro e Vila Proletária da Penha&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | X-XI&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 91px; text-align: right;&amp;quot; | 26.879&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | 6º&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 301px;&amp;quot; | Morro Azevedo Lima, Morro São Carlos, Morro do Catumbi, Morro Santos Rodrigues e Rato&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | III&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 91px; text-align: right;&amp;quot; | 20.354&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | 7º&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 301px;&amp;quot; | Parque Jardim Beira Mar, Parque Proletário de Vigário Geral e Te contei&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | XI&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 91px; text-align: right;&amp;quot; | 18.364&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | 8º&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 301px;&amp;quot; | Almirante Tamandaré, Gleba I da antiga Fazenda Botafogo e Parque Bela Vista&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | XXII&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 91px; text-align: right;&amp;quot; | 17.334&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | 9º&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 301px;&amp;quot; | Vila do Vintém&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | XVII&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 91px; text-align: right;&amp;quot; | 15.877&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | 10º&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 301px;&amp;quot; | Parque Acari, Vila Esperança e Vila Rica de Irajá&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | XII&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 91px; text-align: right;&amp;quot; | 15.038&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:x-small;&amp;quot;&amp;gt;Fonte: IPLANRIO, Contribuição dos dados de população das favelas do Município do Rio de Janeiro (1984)&amp;lt;/span&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É possível ver, a partir destas tabelas, uma mudança na hierarquia das maiores favelas da cidade do Rio de Janeiro, com a consideração dos complexos ou “aglomerados de favelas”. Não se trata de mera manipulação de dados, mas sim do efeito de um processo minucioso de análise e produção de informações que subsidiassem as ações de urbanização de favelas na cidade. E, como foi dito, também não se trata de simples questão conceitual, pois isso impacta diretamente a tomada de decisões do governo municipal carioca. Consideradas de modo isoladas, as quatro maiores favelas do Rio de janeiro seriam: Rocinha, Jacarezinho, Nova Brasília e Vila do Vintém (tabela 1); considerando os ”complexos”, esse ranking muda e temos como maiores espaços favelados do município: Complexo da Maré, do Alemão, Rocinha e Jacarezinho. Vejamos como isso impacta o tratamento do problema da favela na cidade do Rio de Janeiro em três momentos.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O primeiro deles está situado nos primeiros anos da década de 1980. Período marcado, no governo municipal, pelo desenvolvimento do Cadastro de Favelas (IPLANRIO, 1983). Publicado em 1983, os trabalhos de pesquisa para sua construção começaram em 1980/81 e as informações produzidas neste processo alimentaram uma séries de ações governamentais dos três níveis de governo: municipal, estadual e federal. É no seio dos estudos para construção do Cadastro de Favelas que a noção de aglomerados e complexos de favelas se consolida.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No período de 1980-1983, uma série de ações de urbanização de favelas, dos diversos níveis de governo, são realizadas, como o processo de eletrificação de favelas pela Light e o Proface/CEDAE, cujo objetivo era levar água de modo sistemático e estruturado para as favelas da cidade. O que esses programas têm em comum é o fato de serem setoriais, isto é, referem-se a um tipo de serviço público específico (luz e água, respectivamente), a ser implantado em um&amp;amp;nbsp; grande número de favelas. Mas, há outro tipo de ações concentrados em uma única favela ou conjunto de favelas, como o projeto Mutirão/UNESCO, o Projeto Rio&amp;lt;ref&amp;gt;Muito já foi produzido sobre o Projeto Rio ao longo dos anos desde sua realização, abordando diversos aspectos, desde a mobilização social desenvolvida no momento de sua implantação até aspectos técnicos do Projeto. A título de aproximação inicial, sugerimos como material de consulta sobre o Projeto Rio, as matérias produzidas pelo Rio on Watch, disponíveis no link: https://rioonwatch.org.br/?p=26789&amp;lt;/ref&amp;gt;&amp;amp;nbsp;e o Projeto de Desenvolvimento Social de Favelas do Rio de Janeiro&amp;lt;ref&amp;gt;Sobre o Projeto de Desenvolvimento Social de Favelas do Rio de Janeiro, ver, neste dicionário, o verbete “Pertencimento ao Complexo do Alemão”. &amp;lt;/ref&amp;gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O projeto Mutirão foi uma ação realizada através de uma parceria entre a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social (SMDS) e a UNESCO, realizada na Rocinha e que visava a realização de ações de urbanização na área em regime de ajuda mútua; o Projeto Rio, foi uma grande intervenção na produção de infraestrutura urbana e moradias, levada a cabo pelo Governo Federal na área atualmente conhecida como Complexo do Maré; já o Projeto de Desenvolvimento Social de Favelas do Rio de Janeiro é um grande diagnóstico elaborado pela SMDS, com financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), sobre as favelas do Jacarezinho e do Complexo do Alemão. É possível ver que a realização das quatro maiores intervenções concentradas em uma favela ou conjunto de favelas na cidade do Rio de Janeiro no início dos anos 1980 se baseou em uma nova hierarquia urbana, impactada pelo desenvolvimento da noção de aglomerado ou complexo de favelas.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O segundo momento inicia-se no ano de 1986, sob a gestão do prefeito Saturnino Braga, com a criação das primeiras Regiões Administrativas sediadas em favelas. Braga foi eleito para um mandato de três anos, compreendido entre 1986 e 1988, na primeira eleição direta para prefeito após duas décadas de ditadura civil militar. Ele inicia sua gestão pelo PDT e a termina, após o rompimento com o partido do governador Leonel Brizola, filiado ao PSB. Umas das principais características do governo de Saturnino foi seu esforço de descentralização administrativa no município, através de seus Conselhos Governo-Comunidade (CGC). Não uma iniciativa simplesmente burocrática, mas um esforço político de fortalecimento das bases, conferindo aos CGC’s alguma autonomia política para se organizarem, mas também para decidir a melhor aplicação dos recursos e serviços públicos em suas localidades. O que, por sua vez vai implicar na criação de uma nova arena local de disputa política e controle social (Burgos, 1992; Braga, 1989).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O objetivo da gestão de Saturnino era transformar as RAs em Conselhos Governo-Comunidade: uma instância local de interlocução entre os órgãos setoriais de governo e representantes comunitários, bem como ser um instrumento de organização e composição de bases partidárias locais. Na concepção do governo municipal, esperava-se que os administradores regionais atuassem coordenando as ações do poder público nas áreas sob sua atuação articulando-as com as demandas populares, agindo como uma espécie de gerente local. Conjugada com essa desconcentração administrativa, a Prefeitura buscava promover uma descentralização orçamentária, a partir da qual certas intervenções fossem decididas, inclusive na dotação de recursos, nas arenas das RAs/Conselhos.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A proposta enfrentou uma série de desafios, de modo que sua implantação foi parcial e alguns desses pressupostos apresentados, sobretudo a descentralização econômica, não foram alcançados. As dificuldades financeiras da Prefeitura se refletiam nas limitações postas à aplicação das decisões tomadas na esfera dos Conselhos, com relação a obras ou prestação de serviços. As resistências políticas também não foram pequenas.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Contudo, em que pese a não realização plena do projeto de Saturnino, nos interessa que nesse processo foram criadas novas Regiões Administrativas, nas quatro maiores favelas do município: Rocinha (XXVII R.A.), Jacarezinho (XXVIII R.A.), Complexo do Alemão (XXIX) e Maré (XXX). Note-se, em primeiro lugar, que a XXIX R.A. tem como jurisdição o Complexo do Alemão, nome oficial do Bairro, com o “complexo” e tudo; em segundo lugar, que os lugares escolhidos só podiam ser pensados como as maiores favelas da cidade, por conta da concepção dos aglomerados de favelas, como visualizado na Tabela 2. Se o parâmetro fosse apenas as favelas “isoladas”, seriam criadas as da Rocinha e Jacarezinho, junto com Nova Brasília e Vila do Vintém (Tabela 1).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O terceiro momento nos remete à década de 1990. Com a transformação dessas áreas compreendidas pelas novas Regiões Administrativas em bairros e com o programa Favela-Bairro. Com relação a criação dos bairros, com relação ao Complexo do Alemão e à Maré, recomendamos a leitura dos verbetes “Pertencimento ao Complexo do Alemão” e o “Bairro da Maré”, neste dicionário. Aqui, trataremos apenas do programa Favela-Bairro.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como foi destacado por Burgos (1998), desde a experiência da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social, ficou evidente, para os órgãos municipais, que ações pontuais não resolveriam os problemas de urbanização de favelas e, por outro lado, ao longo de toda a década de 1980 teria se acumulado, nos quadros da Prefeitura, conhecimentos e experiências que se mostraram fundamentais para a construção&amp;amp;nbsp; do projeto Favela-Bairro. Neste sentido, gostaríamos de destacar dois pontos. Primeiro, a continuidade da percepção de que favelas contíguas entre si deveriam ser pensadas como uma unidade. Na nota 36 do texto de Burgos (1998), o autor reproduz o seguinte texto, fruto de um documento da Prefeitura:&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;Outra advertência a se feita é que as favelas “conurbadas” foram tratadas como um conjunto único e nunca isoladamente, já que se considerou que tais favelas “formam uma única realidade geoambiental, não obstante mantenham identidades socioculturais próprias” (PMRJ, 1995:5 Apud Burgos, idem, pg. 58).&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E o autor segue:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;Em alguns casos, como se pode observar na lista de 16 favelas selecionadas, duas ou mais são consideradas parte de um único complexo. Eis a lista: Parque Royal; Canal das Tachas/Vila Amizade; Grotão; Serrinha; Ladeira dos Funcionário/Parque São Sebastião; Caminho do Job; Escondidinho; Morro da Fé; Vila Cândido/Guararapes/Cerro-Corá; Chácara Del Castilho; Mata Machado; Morro dos Prazeres; morro União; Três Pontes; Fernão Cardim; e Andaraí&amp;quot; (BURGOS, 1998, pg. 58).&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se houve “experiência” acumulada nos quadros técnicos da Prefeitura ao longo da década de 1980, cabe destacar a consolidação de um entendimento das favelas como aglomerados e sua percepção como complexos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O segundo ponto trata dos critérios de seleção das áreas que iriam receber intervenções do Favela-Bairro. O primeiro deles foi de que seriam selecionadas para o Programa apenas aquelas definidas como de porte médio, isto é, compostas por 500 a 2.500 domicílios e habitadas por entrre 2.000 e 10.000 habitantes. Trabalhar com as maiores (que seriam 15) seria muito custoso e a dispersão das pequenas favelas, implicaria em menor otimização dos recursos (Burgos, 1998).&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nesse processo de classificação das favelas, o critério dos aglomerados ou complexos de favelas transformou pequenas favelas em médias ou grandes, incluindo-as no programa ou excluindo-as do critério de porte médio. Como foi o caso do Complexo do Alemão. Não entramos nos dados produzidos para classificação das áreas aptas para receber ou não o Favela-Bairro, mas tendo em vista os números do documento Contribuição dos dados (1984) e a justificativa para criação das quatro novas Regiões Administrativas no governo Saturnino, podemos concluir que o fato de nenhuma das favelas que compunham o Complexo do Alemão receberam intervenções do Favela-Bairro por constituírem uma unidade só, conurbada e considerada de grande porte.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esse três momentos históricos ilustram como foi desenvolvida e consolidada, no seio de um quadro técnico da Prefeitura, a noção de “complexo” de favela. Não explicam, necessariamente, como o seu uso se ampliou e foi apropriado por outros atores políticos urbanos como os jornalistas, outros agentes públicos e mesmo entre as/os cariocas de maneira geral; tampouco, dão conta dos novos sentidos que lhe são atribuídos aos longos dos últimos anos, como uma possível lógica militarizada por trás de sua operação. Mas, não é por isso que esta análise histórica deixa de contribuir para uma compreensão do presente. Como veremos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Novas escalas urbanas==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O resgate histórico feito nas páginas acima, ainda que não avance para além do início da década de 1990, traz contribuições para pensarmos o presente, sobretudo, quando analisamos a mudança na hierarquia urbana que ela produziu e, por consequência, na escolha de áreas que receberão recursos, serviços e programas. Isso mostra que o surgimento dos “complexos” de favelas, no seio da gestão urbana municipal, promoveu a produção de uma nova escala urbana de pertencimento e de realização de políticas públicas (Matiolli, 2016).&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Neste verbete, a dimensão da elaboração de políticas públicas ficou mais evidente, quando vimos os projetos de urbanização do início da década de 1980, a criação das Regiões Administrativas em 1986 e o programa Favela-Bairro. Em todos estes casos, tratou-se de decisões baseadas na produção desses novos espaços na cidade, os complexos ou aglomerados de favelas. Essa percepção não implica no reconhecimento da heterogeneidade interna de uma grande favela, como as diversas áreas que existem no interior da Rocinha ou do Jacarezinho, por exemplo, com suas peculiaridades; mas, em conceber pequenas favelas, com suas trajetórias próprias, como se fossem uma unidade territorial nova. Uma das vantagens de pensar nos complexos como novas escalas de pertencimento e realização de políticas públicas é que nos permite fugir da dicotomia imaginária identificada no início do verbete. De duas maneiras.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Primeiro, enquanto escala de realização de políticas públicas, é possível perceber que o Estado não age de modo unitário, isto é, o fato de um órgão público reconhecer tal área como complexo não significa que outros trabalharão com a mesma definição. Não há uma determinação geral e unificada de que áreas são complexas e quais não são. Como exemplo, basta ver os diferentes mapas de atuação que circulam entre os órgãos de saúde, os de segurança ou ainda os correios, não necessariamente os lugares são nomeados da mesma forma. Há uma infinidade de definições.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bem como são múltiplas as definições do Complexo do Alemão, se você pergunta a uma moradora ou morador onde começa e termina o bairro. Há quem diga , por exemplo, que o Morro do Adeus faz parte e outras que o excluem se sua percepção do Alemão; há quem o associe ao Complexo da Penha; e por aí vai. Assim, enquanto nova escala de pertencimento, as pessoas que ali vivem podem ter mais uma referência de lugar para evocar, se lhe for estratégico; em outras palavras, não é que as/os moradoras/es não se identifiquem com o “complexo”, e sim que vão acionar seu pertencimento a ele de acordo com as circunstâncias.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quando vemos a organização política no Complexo do Alemão nos últimos anos, é possível ver que as associações de moradores criadas na região que veio a ganhar esse nome se referenciam a suas localidades como a Nova Brasília, o Morro do Alemão, a Baiana, Grota entre outras. Diferentemente das novas organizações sociais que vão surgir no fim da década de 1990, com as ONG’s, inicialmente, e, mais recentemente, os coletivos, que vão ter como referência local, o Complexo do Alemão. O que cria uma intricada cartografia política que vai gerar as mais diversas alianças, como, por exemplo, no caso do Juntos pelo Complexo do Alemão&amp;lt;ref&amp;gt;Para versões mais detalhadas desse exemplo, ver, neste dicionário, os verbetes: “pertencimento ao Complexo do Alemão”; “As associações de moradores do Complexo do Alemão” e “Juntos pelo Complexo do Alemão”.&amp;lt;/ref&amp;gt;.&amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para além da dimensão da ação coletiva, do ponto de vista individual, é possível ver como as pessoas também podem acionar positivamente o Complexo do Alemão em suas iniciativas. Ao longo dos anos mais recentes, é possível ver empreendimentos locais que viram, na existência do “Complexo” uma marca que acionaram em seus negócios, como no caso da agência de turismo “Turismo no Alemão”, a marca de roupas “Complexidade urbana” e mesmo a cerveja “Complexo do Alemão”.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A existência do Complexo do Alemão como lugar de moradia na cidade não só não é, necessariamente, negada por seus moradores, como é acionada em diversos momentos, situações, segundo as visões estratégicas de seus moradores e organizações sociais. Evidentemente que, a vivência&amp;amp;nbsp; e pertencimentos aos complexos vão variar de lugar para lugar, e nem todas reproduzirão essa relação existente no Alemão. O que é mais uma vantagem da perspectiva dos “complexos” de favela como escala espacial urbana, pois abre um leque de possibilidades não vislumbradas nesse texto.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como foi dito no início, não foi o objetivo deste texto oferecer uma explicação final e definitiva para a noção de “complexo” de favelas, mas contribuir para o debate a partir de um trabalho de análise e resgate histórico da produção dessa nova escala espacial na cidade. E assim, como esperamos ter ficado claro, não acabamos com a conversa, pelo contrário, apenas abrimos alguns horizontes de reflexão, que consideram desde as diversas vivências, trajetórias e pertencimentos aos complexos de favelas até investigações e críticas sobre os usos dessas escalas por atores políticos como a imprensa e outros órgãos públicos, como os de segurança; mas, sempre, desviando de certas limitações consolidadas no imaginários sobre as favelas do Rio de Janeiro. .&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICAS==&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Thiago Matiolli</name></author>
	</entry>
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		<title>Artes urbanas e favelas</title>
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		<updated>2020-03-01T23:30:40Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Thiago Matiolli: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Por Pricila Telles e&amp;amp;nbsp;[https://wikifavelas.com.br/index.php?title=Usuário:Thiago_Matiolli Thiago Matiolli]&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
==Introdução==&lt;br /&gt;
No dia 05 de novembro de 2016, um sábado chuvoso, o Instituto Raízes em Movimento&amp;lt;ref&amp;gt;Para maiores informações sobre a organização, ver o verbete “Instituto Raízes em Movimento”, neste dicionário. &amp;lt;/ref&amp;gt; realizou o 3º encontro do Vamos Desenrolar - Oficina de Produção de Memórias e Conhecimento&amp;lt;ref&amp;gt; Para saber mais sobre o evento, ver o Verbete “Vamos Desenrolar”, neste dicionário. &amp;lt;/ref&amp;gt;, que abordava as artes urbanas. As discussões trataram do campo das expressões culturais na cidade em espaços abertos, favelas, praças públicas, ruas… A proposta foi refletir sobre as resistências e criatividade na construção desses espaços que geralmente são construídos no vácuo de políticas públicas culturais e na busca de expressões libertárias. O encontro trouxe à superfície experiências musicais, grafite, teatro, saraus, rodas culturais, enfim, caminhos alternativos de apropriação e combate à indústria cultural de massa. Os Dinamizadores foram: Adriana Lopes: pesquisadora e professora da UFRRJ; Carlos Meijueiro: pesquisador e ativista cultural; Cláudio Vaz: professor de artes e ativista cultural; Gustavo Coelho: pesquisador sobre pichação e outras culturas de rua (diretor do documentário “Luz Câmera, Pichação”); e Rico Neurótico: MC&amp;lt;ref&amp;gt;O termo MC é uma adaptação do inglês master of cerimony, que significa Mestre de Cerimônia. É aquele (a) que, enquanto a é tocada, elabora, recita e canta suas rimas e poesias. &lt;br /&gt;
&amp;lt;/ref&amp;gt; e produtor cultural da Roda Cultural de Olaria. Este último, personagem que fica no entrecruzamento dos assuntos abordados neste verbete, bem como nos exemplos tomados para ilustração do argumento: a Roda Cultural de Olaria e o Circulando - Diálogo e Comunicação na Favela.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;O tema das “artes urbanas” não é de conceituação simples e, muito menos, taxativa. Porém, quando retomamos o debate promovido pela edição do Vamos Desenrolar citado acima, é possível encontrar algumas pistas. Por exemplo, Adriana Lopes iniciou a conversa falando sobre a importância do funk e a presença potente das mulheres nesse ambiente produtivo, destacando que &amp;amp;nbsp;“a arte urbana é mais que o grafismo, a gente escreve com nossos corpos, com nossas roupas...”; Cláudio Vaz disse que não se importava de ter seus projetos copiados por outros produtores e com humor afirmou “Se fizer bem feito é bom, se não fizer bem eu vou lá e reclamo!”; Gustavo Coelho lembrou dos movimentos “xarpi” - que será retomado mais a frente -, bate bola e baile funk “A pixação não é feia, pelo contrário, tem muita delicadeza no traço”; e, por fim, mas não menos importante, MC Rico Neurótico lembrou que “A rua não é só a ferramenta, é o nosso campo de atuação..”&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;No intuito de se aproximar de uma caracterização das artes urbanas que norteie este verbete, exploraremos melhor estas pistas na próxima seção.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
== Artes Urbanas ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As falas destacadas acima nos trazem várias características das artes artes urbanas: a importância dos corpos; o apreço pela questão estética e a qualidade da obra; as possibilidades de sua prática enquanto resistência; a diversidades das linguagens que a compõem: a música, as artes plásticas (como o grafite e a pichação), as representações teatrais (como os bate-bolas citados) - aos quais podemos somar a literatura, a dança, e o audiovisual; e, ainda, a rua, ou o espaço público como lugar predominante de sua manifestação. Aqui, não abordaremos todas essas dimensões, focaremos em duas delas (sem, contudo, deixar totalmente de lado, as demais): sua pluralidade e o espaço público como seu palco principal.&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;A cidade está longe de ser um lugar que possa ser compreendido em sua totalidade. Seus habitantes cultivam estilos particulares de entretenimento, mantém vínculos de sociabilidade e relacionamento, criam modos e padrões culturais diferenciados. Marcada, então, pela sua diversidade e heterogeneidade, a cidade se encontra como lugar privilegiado para análise de uma multiplicidade de atividades e formas de participação. Dentre essas formas de participação, as expressões artísticas, em suas diversas dimensões – sonoras, visuais e performativas –, têm se mostrado um objeto relevante para se pensar essa urbe. Como veremos na realização dos festivais circulando.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;A rua, cada vez mais, tem se tornado palco de diferentes tipos de manifestações artísticas e culturais. Em uma caminhada vespertina pelo centro da cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, é possível ver músicos de rua, artistas circenses, entre outros que, encontram nesses espaços, lócus para suas atividades. Afastando-se um pouco da região central carioca, nota-se que em diversos bairros das Zonas Norte, Sul e Oeste, as praças também têm sido logradouro de manifestações deste cunho. As Rodas Culturais e, mais especificamente, a Roda de Olaria é um importante exemplo disso.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Artes urbanas e periferia&amp;amp;nbsp; ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;As relações entre cidade e favela, ou outras formas espaciais periféricas, podem ser pensadas, em suas diversas dimensões, sob a chave de uma dualidade: a importância dos corpos e energias de moradoras/es desses espaços são indispensáveis para o funcionamento da cidade como um todo; ao mesmo tempo em que há uma profunda necessidade de controle social destas populações, tendo em vista o tensionamento que sua circulação pelo espaço urbano causa. Sob este pano de fundo que devemos refletir sobre as artes urbanas produzidas e vivenciadas nas favelas.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;O caráter indispensável de moradoras/es da periferia para o funcionamento da vida citadina foi ressaltado na realização da edição de 2017 do Circulando, com o lema: “o rolé das favelas produz cidade&amp;lt;ref&amp;gt;A cada ano, o Circulando tem um mote diferente e, em alguns deles, uma camisa com seu lema é vendida no evento. Em 2017 foi rolébilidade; em 2015, com o mote da memória, a camisa trazia o lema: “Meu nome é favela, minha história também”; e, em 2018, abordando a diversidade, o slogan foi “somos juntxs”. &amp;lt;/ref&amp;gt;” - em termos concretos e simbólicos. O mote daquele ano era mobilidade urbana, ou melhor, “rolébilidade” - entendida como a forma de mobilidade periférica, com todas suas dificuldades e estratégias, desde a debilidade do transporte público até às&amp;amp;nbsp; circulações internas à favelas, pelos seus becos&amp;lt;ref&amp;gt;Ver o verbete “mobilidades”, neste dicionário.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ref&amp;gt;; um circuito que tenta, com maior ou menor sucesso, controlar o rolé de faveladas/os na cidade, permitindo a circulação precária para o trabalho, mas restringindo-a com relação ao lazer. De todo modo, a “rolébilidade” também nos permite questionar se a arte periférica também não é fundamental para a vida urbana, cimentada pela força e criatividade favelada..&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;O circulando deu o papo reto: as favelas contribuem, literalmente, para a construção das cidades, com sua mão de obra e suor, todavia, pouco conseguem gozar da urbanidade que ela proporciona, sobretudo em termos de direitos, inclusive os culturais. Estes são limitados de, ao menos, duas maneiras: invisibilizando e criminalizando suas manifestações artísticas ou negando-lhes contato com outras produções, mesmo as mais mainstream. Por exemplo, o afastamento do cinema ou de teatros.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Com relação à criminalização da produção artística, é preciso ressaltar que as populações periféricas, em geral, também são construídas como “classes perigosas”. Um fenômeno histórico que remete ao processo de urbanização na Europa do século XIX, quando há uma intensa concentração demográfica nas cidades e, consequentemente, o desencadeamento de uma série de problemas ligados à vida nestes espaços. O que teria levado ao surgimento de uma “questão urbana” como objeto de reflexão das elites políticas e intelectuais. Neste processo, a miséria e o controle social de um contingente populacional tão grande se tornou um desafio quase intransponível. Uma das tentativas de solucioná-lo passou pela divisão das pessoas entre uma “classe operária respeitável”, que querem emprego, mas não o encontram e se comportam de modo disciplinado e moralmente aceito em sociedade; das massas empobrecidas, ou “classes perigosas”, incorrigíveis e incontroláveis, fonte de três perigos para as elites urbanas: o sanitário, o da criminalidade e da sublevação política (Topalov, 2015; Foucault, 2005).&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Este último risco talvez seja a preocupação mais efetiva dessas elites urbanas, ainda que nem tanto das classes médias, capturadas pelo discurso do medo e da segurança pública. A predominância de um discurso que ressalta, cotidiana e midiaticamente, os perigos de uma “violência urbana” acaba compondo um dispositivo que justifica ações de controle dos riscos reais da transformação política desencadeada pelas classes ditas “perigosas”. Como, por exemplo, na criminalização de práticas artísticas faveladas ao longo da história do Rio de Janeiro que tinha como alvo o samba, no início do século XX, e passa a ter como inimigo no fim deste século e início do XXI, o funk. Ambas formas culturais que descrevem e, em alguma medida, denunciam as condições de vida de seus compositores.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Mas, essa criminalização não é um processo contra o qual não se poder resistir. A relação das elites urbanas com as populações periféricas é muito mais sutil e complexa, do que a de uma mera subordinação.&amp;amp;nbsp; E uma chave para entendermos isso é dada, novamente, por Christian Topalov (2015), historiador francês. Essa interação tomaria forma num jogo de apropriações e ressignificações de práticas realizado pelas elites urbanas e as populações mais pobres. Nas quais práticas populares de resistência são apreendidas por tais elites, que as reconfiguram de modo a esvaziá-las de seu teor político; ao mesmo tempo em que, ainda que em menor grau, práticas de controle social podem ser repensadas e reconstruídas de modo que possam também se tornar veículos de contestação social e políticas (Topalov, 2015).&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Neste sentido, e voltando à questão do samba e do funk, vemos a complexidade de um dispositivo de controle social que é econômico e repressivo. Com o passar do tempo, esses ritmos foram depurados e aceitos em outros espaços da cidade. Assim, por exemplo, seguem as repressões às festas e eventos nas favelas, ao som de funk, principalmente, mas ainda do samba também, ao mesmo tempo em que essas músicas bombam em eventos caros das zonas mais abastadas da cidade, ou ao som do cantor Thiaguinho em sua “tardezinha” no estádio do Maracanã. Quer dizer, as práticas culturas periféricas são aceitas quando estão desassociadas de seus lugares de origem e entram em circuitos lucrativos da indústria cultural, mas seguem sendo marginalizadas quando são indóceis demais para serem controladas e entrarem no jogo econômico.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Por outro lado, há ressignificações também em sentido contrário, produzindo resistências. Isso podemos ver em eventos como a Roda de Olaria e o Circulando, onde práticas culturais de elites não são negadas, pelo contrário, são apropriadas e recebem um sentido político novo, de contestação e reinvenção de significados. Deste modo, por exemplo, o Circulando conta em muitas de suas edições com apresentações teatrais, levadas a cabo, pelo grupo Teatro da Laje, coordenado pelo professor Veríssimo Júnior; ou através da poesia, cujos limites são totalmente ampliados e transformados, sem perder seu lirismo, na Roda de Olaria.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Assim, tal como propomos aqui, pensar a relação entre as artes urbanas e a periferia é reconhecer que sua riqueza, diversidade e capacidade de ocupar o espaço público estão envolvidas numa complexa prática de criminalização que envolve uma seleção e depuração de práticas que podem atender a certos circuitos lucrativos (e que passam a ser legítimas e aceitas na sociedade) de outras que seguiram como ferramentas de controle social. Ao mesmo tempo em que, esse controle não é fácil e confortável, mas que é constantemente tensionado pela reinventidade (mote do Circulando de 2016) favelada e periférica, que produz ou ressignifica artes mais consagradas.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
== A Roda de Olaria ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;As rodas culturais também nos permitem perceber como a arte urbana e periférica, em suas múltiplas dimensões, é capaz de cimentar a vida na cidade ressignificando o espaço público. É possível contabilizar mais de cem rodas culturais que ocorrem diariamente, em diversos lugares da cidade, com a participação aberta a todo e qualquer artista e de forma gratuita (Alves, 2016). Em grande medida, elas se configuram como eventos independentes, sem aportes financeiros ou institucionais de prefeituras e secretarias de cultura, cuja finalidade é ocupar o espaço público para incentivar, valorizar e promover arte, cultura e entretenimento gratuito para os mais diversos habitantes citadinos.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;As Rodas Culturais são uma teia de artistas e trabalhadores independentes, como poetas, fotógrafos, Mcs, músicos, grafiteiros, artistas plásticos, artistas circenses, atores, profissionais do audiovisual, esportistas urbanos etc. Essa rede unifica, intensifica e expande a sustentabilidade da cultura de rua dos bairros cariocas&amp;lt;ref&amp;gt;Disponível em: &amp;lt;https://www.facebook.com/pg/circuitocariocaderitmoepoesia/about/?ref=page_internal&amp;gt;. Acesso em: 29/02/2020.&amp;lt;/ref&amp;gt;.&#039;&#039;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Foi na 3ª edição do Vamos Desenrolar sobre Arte Urbana que Rico, MC e produtor cultural da Roda de Olaria&amp;lt;ref&amp;gt;A Roda de Olaria possuía até o ano de 2018 três produtores culturais: Laércio Soares Corrêa, Bruno Teixeira e Felippe Massal. Eles são conhecidos por seus amigos mais próximos como Rico, Bruno Xédom ou “Xerélos” e Massal. Rico é MC e lutador de Jiu-Jtsu, Bruno é tatuador e grafiteiro, e Felippe Massal faz graduação em Direito é responsável por fazer as filmagens das batalhas e fotografias do evento. &amp;lt;/ref&amp;gt; falou sobre a importância deste tipo de evento na construção dos espaços que geralmente são reconhecidos como vazios ou ausentes de políticas públicas culturais. Em contrapartida, o MC ressaltou uma série de dificuldades que a Roda de Olaria&amp;lt;ref&amp;gt;Bem como outras Rodas Culturais cariocas.&amp;lt;/ref&amp;gt; sempre enfrentou desde que começou a ocupar as Quadras Gêmeas em 2012.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Segundo Rico, no início era apenas um encontro despretencioso de amigos MCs que, nas noites de quintas-feiras, levavam violões e cajóns para a praça, e se sentavam em roda para conversar e improvisar algumas rimas sob uma tenda branca. Com o passar do tempo o público foi ficando cada vez maior e as Quadras Gêmeas passaram a se tornar palco de um encontro protagonizado por pessoas de diferentes faixas etárias, moradores do bairro de Olaria e adjacências.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;No entanto, Rico afirmou que a história da Roda de Olaria é de uma luta constante por conta de uma série de problemáticas que os produtores precisavam administrar: desde a falta de dinheiro para alugar os equipamentos, negociações para conseguir o Nada Opor&amp;lt;ref&amp;gt;Alvará de Autorização Transitória para eventos em geral: culturais, sociais, desportivos, religiosos e quaisquer outros que promovam concentrações de pessoas. No caso das rodas culturais, este alvará precisava ser emitido pelo Batalhão da Polícia Militar do bairro.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ref&amp;gt; às repressões policiais durante o evento. No encontro, o MC enfatizou: “a única forma que a gente tem de diálogo com o poder público é de forma ‘truculenta’, que é com a polícia. A polícia não entende quando você chega num espaço e quer ocupar para mudança; é revitalização do espaço a princípio de tudo. Tivemos essa truculência com a polícia, mas mesmo assim a gente continuou fazendo.”&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Um dos primeiros impactos foi uma multa. Em uma das quintas-feiras do ano de 2015 enquanto Rico, Felippe, Bruno e outros amigos começavam a montar o som, chegou, nas palavras de Rico, “um cidadão” da IRLF (Inspetorias Regionais de Licenciamento e Fiscalização) e disse que não poderiam realizar o evento. Por conta de todo esse transtorno em relação à multa, a Roda ficou temporariamente parada, mas depois de um curto período de tempo, as atividades foram retomadas. No entanto, duas semanas depois, dois policiais militares do 16º Batalhão de Olaria interromperam o evento e exigiram a retirada das caixas de som e esvaziamento do local.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Semanalmente o alvará que permitiria o funcionamento da Roda precisava ser negociado e renegociado com o batalhão do bairro. Isto significou, durante todo o ano de 2016, que a Roda legalmente estava proibida de acontecer. Frente a isso, os produtores criaram um movimento que denominaram “Resistência Cultural”. No total, foram quatorze encontros de “resistência” com atividades diversas: desde campeonatos de basquete e skate a batalhas de rimas, exposições de telas e debates. Após o último encontro, a Roda de Olaria conseguiu novamente o alvará e retomou as atividades Porém, vale notar que, múltiplas formas de silenciamentos, repressões e denúncias continuaram a ocorrer.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Assim sendo, os produtores culturais da Roda de Olaria encontram, em meio às dificuldades de realizar a Roda, suas próprias formas de uso da praça; suas próprias maneiras de fazer (Certeau, 1994). É neste contexto que o trio de produtores vêm desde 2012 “resistindo” e fazendo da rua, nas palavras de Rico, seu “campo de atuação”.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;No dia 9 de janeiro de 2018 houve a promulgação da Lei Estadual nº 7837 que declara Patrimônio Cultural Imaterial do estado do Rio de Janeiro a cultura hip-hop e todas as suas manifestações artísticas. Deste modo, as rodas culturais finalmente estariam dispensadas da prévia autorização da Polícia Militar. Ainda assim, é válido salientar que a dificuldade de manter o evento continua grande. Mesmo amparada pela lei, os produtores não possuem qualquer aporte financeiro ou institucional. Consequentemente, não conseguem arcar com todos os custos para sua realização. Hoje, as reuniões da Roda de Olaria ocorrem com pouquíssima frenquência.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
== Circulando ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;O Circulando -&amp;amp;nbsp; Diálogo e Comunicação na favela é um evento realizado pelo Instituto Raízes em Movimento desde 2007. Atualmente, ele tem uma regularidade anual, mas já foi realizado mais de uma vez por ano, quando necessário, até o ano de 2010. Ele, começa a ser gerido em 2006, em parceria com o Observatório de Favelas e a Escola Popular de Comunicação Crítica (ESPOCC), tendo sua primeira edição realizada no ano seguinte. Trata-se de um evento de artes, cultura e comunicação. A propósito, o nome do evento surge já nas primeiras reuniões de produção da primeira edição. E, em ata de 2006, assim ficou registrado a importância de comunicação e direito de expressão e manifestação de modo ativo.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;A importância e o direito de todos se expressarem, se manifestarem de forma ativa e por meios ativos, de ganharem visibilidade e partilharem idéias e visões diferentes de mundo. Ainda, a importância de se chamar a atenção para o potencial expressivo e “comunicador” de cada indivíduo e meios que, às vezes, muita gente não vê como meios de transmissão de mensagens. E a importância de se chamar a atenção para a forma estereotipada como os chamados meios de comunicação de massa retratam as comunidades populares e de se indicar, quando não viabilizar, possibilidades de abordagens diferenciadas sobre essas comunidades, por essas comunidades (INSTITUTO RAÍZES EM MOVIMENTO, 2017, p. 139).&#039;&#039;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;É importante começar destacando o aspecto de comunicação que caracteriza o evento. Trata-se de uma dimensão de dupla direção. Quer dizer, por um lado, o Circulando tem uma preocupação inicial de dialogar com as/os moradoras/es do Complexo do Alemão; inicialmente, trazendo informações e conteúdos produzidos por atores não locais e difundindo-os favela adentro, mas também, e sobretudo, nos anos mais recentes, têm sido uma maneira do Instituto Raízes em Movimento, apresentar sua produção anual para a localidade. Neste, sentido é (se) comunicar de modo crítico e dialogado com o local que dá sentido à existência da organização, e cuja relação de pertencimento muitas vezes é construída pela mídia tradicional, com seus sangrentos telejornais, entretenimentos baratos e programas evangélicos pentecostais. É nessa seara de luta e produção de narrativas, que o Circulando se insere primeiramente.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Por outro lado, é falar para fora também, tensionar as representações sobre o Complexo do Alemão, que produzem efeitos concretos muito nocivos para o bairro. Por exemplo, no ano de 2010, duas semanas após a megaoperação de ocupação militarizada do Complexo do Alemão, foi realizado uma edição “extra” do Circulando, montado com urgência, mas sem perder a eficiência, para refletir sobre tudo o que estava acontecendo. Para tanto, foi fundamental a ocupação do espaço público, para levar à cidade novos sentido sobre a vida no bairro, com suas dificuldades e diversidades. Uma ferramenta de comunicação de base, interna e externa, através da ocupação do espaço público local, produzindo afetos e solidariedade, este é, o primeiro objetivo do Circulando.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Nisto temos o comum que se transmuta na multiplicidade, como diversidade, reconhecimento de uma nova configuração dos processos de organização de sujeitos democráticos capazes de expressar potência política (filosófica, estética), que atua de modo horizontal e, portanto, num espaço que lhe permita criar modos de vida, de sentir, ver, agir, ouvir de maneiras diferentes a partir das múltiplas experiências, inclusive do modo de ocupação do espaço – as ruas, becos e vielas, ligam-se e interligam-se, conectam-se e desconectam-se com aquilo que de mais potente tem do que nomeamos cidade: a vida. Compreendendo isso, o Circulando - Diálogo e comunicação na favela propõe alargar, circular, comunicar sob as mais diversas formas de expressão artísticas que compõem a favela. Isso implicar dizer que a favela além de produzir arte, ela produz vida como forma de existência.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Aqui nos reconectamos com o objetivo central do verbete e podemos mesmo afirmar que, falar da produção das artes urbanas é falar da produção da vida na cidade. O que nos remete aos já citados, direitos culturais, como um bem social e o exercício da liberdade de expressão e pensamento. E aqui, sua dimensão principal é a diversidade dos gêneros artísticos que compõem o evento, ressignificando, como apresentado na seção dois deste texto: as formas hegemônicas de produção artística e cultural.&amp;amp;nbsp; São diversas linguagens que se apresentam no Circulando: grafite, poesia, cinema, teatro, música, fotografia e dança. Às quais se somam outras atividades, voltadas para brincadeira de criança, informativos para serviço públicos e outras organizações locais, e ações de cunho mais acadêmico, como lançamento de livros ou rodas de debates/conversa.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Essa dimensão artística do Circulando também é uma via de mão dupla interna e externa ao Complexo do Alemão, na chave da arte e cultura como um direito. Por um lado, visa dar espaço e apresentar a produção local às/aos moradoras/es do bairro, mas também aos visitantes que vêm de outros lugares para participar do evento. Desta forma,são convidadas bandas - como o Bloco de samba da Grota - ou ainda cantoras/es, poetas, fotógrafas/os ou grafiteiras/os locais; ou abre-se espaço para o já citado Teatro da Laje ou ao bloco das águas, do bairro vizinho da Penha.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Por outro lado, há convidados, “de fora”, que compartilham produções pouco acessíveis ao Complexo do Alemão, seja pela falta de apoio para garantir sua difusão em comparação às produções mais lucrativas, seja porque certas produções de organizações parceiras, dificilmente seriam conhecidas localmente, sem a mediação do Instituto Raízes em Movimento, através do Circulando. Podemos citar, a título de ilustração, as participações de fora até do estado do Rio de Janeiro, como a Orquestra Afrobeat Anjos e Querubins e de Juninho, Iracema, Lemuel diretamente da aldeia Tupinambá de Itapoã, em Ilhéus na Bahia.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Neste sentido, poderíamos também, definir o Circulando como um festival de artes urbanas, com diversas linguagens sendo apresentadas no espaço público periférico. Mantendo seus compromissos com a comunicação e produção de narrativas críticas sobre as favelas, voltado para dialogar com a cidade do Rio de Janeiro como um todo, mas também para dentro do espaço onde é realizado e o ponto de partida para toda sua formulação, o Complexo do Alemão.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
== Considerações finais ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Os exemplos da Roda de Olaria e do Circulando ilustram bem a ideia de falar em “artes urbanas” para tratar da produção cultural oriunda das populações faveladas, por conta de duas de suas características: a primeira é a diversidade de manifestações (por isso, o plural) e a fuga de um concepção de arte pensada a partir de um parâmetro estético mais estático, que considera apenas as formas mais hegemônicas e legitimadas, muitas vezes condensadas no que se costuma chamar de cultura erudita; a segunda, que diz mais respeito ao adjetivo “urbano”, aponta para o espaço por excelência de dessa produção cultural, que é o espaço público, da cidade.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Todavia, retomando as pistas oferecidas pelo debate promovido no encontro sobre “artes urbanas” do Vamos Desenrolar citado lá no começo do texto, vemos que também estão envolvidas as questões do corpo, da resistência e do apuro estético. Esse conjunto de elementos nos abre um mar de possibilidades de reflexão em torno do triângulo: arte, favelas e cidades.&amp;amp;nbsp; &amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
== Referências bibliográficas ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;ALVES, Rôssi. Resistência e empoderamento na literatura urbana carioca. Estudos de literatura brasileira contemporânea, n. 49, p. 183-202, set./dez. 2016.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;CERTEAU, Michel de. A invenção do cotidiano: 1. artes de fazer. Petrópolis, RJ: Vozes, 1994.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;FOUCAULT, Michel.&amp;amp;nbsp; O Nascimento da Medicina Social. In.: FOUCAULT, Michel. Microfísica do Poder. 20ª edição. Rio de Janeiro, Graal, 2005, pp.79-98.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;INSTITUTO RAÍZES EM MOVIMENTO. Instituto Raízes em Movimento: um canto à experiência. In.: SANTOS JÚNIOR, Orlando Alves do; NOVAES, Patrícia Ramos; LACERDA, Larissa; WERNECK, Mariana (Orgs.). Caderno Didático “Políticas Públicas e Direito à Cidade: Programa Interdisciplinar de Formação de Agentes Sociais”, Observatório das Metrópoles, 2017, 135-142)&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;OLIVEIRA, Priscila Telles de. Roda Cultural de Olaria: &amp;quot;resistência&amp;quot; e formas de atuação. 2018, 149f. Dissertação (Mestrado em Antropologia) ,Universidade Federal Fluminense (UFF). Niterói, 2018.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;TOPALOV, Christian. Da questão social aos problemas urbanos: os reformadores e a população das metrópoles em princípios do século XX. In.: RIBEIRO, Luiz Cesar Queiroz; PECHMAN, Robert Moses (Org.). Cidade, povo e nação: gênese do urbanismo moderno. Rio de Janeiro, Letra Capital, Observatório das Metrópoles, INCT, 2015, pp. 23 – 52. Disponível em: [http://web.observatoriodasmetropoles.net/images/abook_file/cidade_povo_nacao2ed.pdf http://web.observatoriodasmetropoles.net/images/abook_file/cidade_povo_nacao2ed.pdf].&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt;  &lt;br /&gt;
[[Category:Arte Urbana]] [[Category:Grafite]] [[Category:Arte]] [[Category:Cultura]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Thiago Matiolli</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://homologacao2.wikifavelas.com.br/index.php?title=Artes_urbanas_e_favelas&amp;diff=4357</id>
		<title>Artes urbanas e favelas</title>
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		<updated>2020-03-01T23:29:46Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Thiago Matiolli: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Por Pricila Telles e&amp;amp;nbsp;[https://wikifavelas.com.br/index.php?title=Usuário:Thiago_Matiolli Thiago Matiolli]&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;No dia 05 de novembro de 2016, um sábado chuvoso, o Instituto Raízes em Movimento&amp;lt;ref&amp;gt;Para maiores informações sobre a organização, ver o verbete “Instituto Raízes em Movimento”, neste dicionário. &amp;lt;/ref&amp;gt; realizou o 3º encontro do Vamos Desenrolar - Oficina de Produção de Memórias e Conhecimento&amp;lt;ref&amp;gt; Para saber mais sobre o evento, ver o Verbete “Vamos Desenrolar”, neste dicionário. &amp;lt;/ref&amp;gt;, que abordava as artes urbanas. As discussões trataram do campo das expressões culturais na cidade em espaços abertos, favelas, praças públicas, ruas… A proposta foi refletir sobre as resistências e criatividade na construção desses espaços que geralmente são construídos no vácuo de políticas públicas culturais e na busca de expressões libertárias. O encontro trouxe à superfície experiências musicais, grafite, teatro, saraus, rodas culturais, enfim, caminhos alternativos de apropriação e combate à indústria cultural de massa. Os Dinamizadores foram: Adriana Lopes: pesquisadora e professora da UFRRJ; Carlos Meijueiro: pesquisador e ativista cultural; Cláudio Vaz: professor de artes e ativista cultural; Gustavo Coelho: pesquisador sobre pichação e outras culturas de rua (diretor do documentário “Luz Câmera, Pichação”); e Rico Neurótico: MC&amp;lt;ref&amp;gt;O termo MC é uma adaptação do inglês master of cerimony, que significa Mestre de Cerimônia. É aquele (a) que, enquanto a é tocada, elabora, recita e canta suas rimas e poesias. &lt;br /&gt;
&amp;lt;/ref&amp;gt; e produtor cultural da Roda Cultural de Olaria. Este último, personagem que fica no entrecruzamento dos assuntos abordados neste verbete, bem como nos exemplos tomados para ilustração do argumento: a Roda Cultural de Olaria e o Circulando - Diálogo e Comunicação na Favela.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;O tema das “artes urbanas” não é de conceituação simples e, muito menos, taxativa. Porém, quando retomamos o debate promovido pela edição do Vamos Desenrolar citado acima, é possível encontrar algumas pistas. Por exemplo, Adriana Lopes iniciou a conversa falando sobre a importância do funk e a presença potente das mulheres nesse ambiente produtivo, destacando que &amp;amp;nbsp;“a arte urbana é mais que o grafismo, a gente escreve com nossos corpos, com nossas roupas...”; Cláudio Vaz disse que não se importava de ter seus projetos copiados por outros produtores e com humor afirmou “Se fizer bem feito é bom, se não fizer bem eu vou lá e reclamo!”; Gustavo Coelho lembrou dos movimentos “xarpi” - que será retomado mais a frente -, bate bola e baile funk “A pixação não é feia, pelo contrário, tem muita delicadeza no traço”; e, por fim, mas não menos importante, MC Rico Neurótico lembrou que “A rua não é só a ferramenta, é o nosso campo de atuação..”&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;No intuito de se aproximar de uma caracterização das artes urbanas que norteie este verbete, exploraremos melhor estas pistas na próxima seção.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
== Artes Urbanas ==&lt;br /&gt;
As falas destacadas acima nos trazem várias características das artes artes urbanas: a importância dos corpos; o apreço pela questão estética e a qualidade da obra; as possibilidades de sua prática enquanto resistência; a diversidades das linguagens que a compõem: a música, as artes plásticas (como o grafite e a pichação), as representações teatrais (como os bate-bolas citados) - aos quais podemos somar a literatura, a dança, e o audiovisual; e, ainda, a rua, ou o espaço público como lugar predominante de sua manifestação. Aqui, não abordaremos todas essas dimensões, focaremos em duas delas (sem, contudo, deixar totalmente de lado, as demais): sua pluralidade e o espaço público como seu palco principal.&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;A cidade está longe de ser um lugar que possa ser compreendido em sua totalidade. Seus habitantes cultivam estilos particulares de entretenimento, mantém vínculos de sociabilidade e relacionamento, criam modos e padrões culturais diferenciados. Marcada, então, pela sua diversidade e heterogeneidade, a cidade se encontra como lugar privilegiado para análise de uma multiplicidade de atividades e formas de participação. Dentre essas formas de participação, as expressões artísticas, em suas diversas dimensões – sonoras, visuais e performativas –, têm se mostrado um objeto relevante para se pensar essa urbe. Como veremos na realização dos festivais circulando.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;A rua, cada vez mais, tem se tornado palco de diferentes tipos de manifestações artísticas e culturais. Em uma caminhada vespertina pelo centro da cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, é possível ver músicos de rua, artistas circenses, entre outros que, encontram nesses espaços, lócus para suas atividades. Afastando-se um pouco da região central carioca, nota-se que em diversos bairros das Zonas Norte, Sul e Oeste, as praças também têm sido logradouro de manifestações deste cunho. As Rodas Culturais e, mais especificamente, a Roda de Olaria é um importante exemplo disso.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
== Artes urbanas e periferia&amp;amp;nbsp; ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;As relações entre cidade e favela, ou outras formas espaciais periféricas, podem ser pensadas, em suas diversas dimensões, sob a chave de uma dualidade: a importância dos corpos e energias de moradoras/es desses espaços são indispensáveis para o funcionamento da cidade como um todo; ao mesmo tempo em que há uma profunda necessidade de controle social destas populações, tendo em vista o tensionamento que sua circulação pelo espaço urbano causa. Sob este pano de fundo que devemos refletir sobre as artes urbanas produzidas e vivenciadas nas favelas.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;O caráter indispensável de moradoras/es da periferia para o funcionamento da vida citadina foi ressaltado na realização da edição de 2017 do Circulando, com o lema: “o rolé das favelas produz cidade&amp;lt;ref&amp;gt;A cada ano, o Circulando tem um mote diferente e, em alguns deles, uma camisa com seu lema é vendida no evento. Em 2017 foi rolébilidade; em 2015, com o mote da memória, a camisa trazia o lema: “Meu nome é favela, minha história também”; e, em 2018, abordando a diversidade, o slogan foi “somos juntxs”. &amp;lt;/ref&amp;gt;” - em termos concretos e simbólicos. O mote daquele ano era mobilidade urbana, ou melhor, “rolébilidade” - entendida como a forma de mobilidade periférica, com todas suas dificuldades e estratégias, desde a debilidade do transporte público até às&amp;amp;nbsp; circulações internas à favelas, pelos seus becos&amp;lt;ref&amp;gt;Ver o verbete “mobilidades”, neste dicionário.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ref&amp;gt;; um circuito que tenta, com maior ou menor sucesso, controlar o rolé de faveladas/os na cidade, permitindo a circulação precária para o trabalho, mas restringindo-a com relação ao lazer. De todo modo, a “rolébilidade” também nos permite questionar se a arte periférica também não é fundamental para a vida urbana, cimentada pela força e criatividade favelada..&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;O circulando deu o papo reto: as favelas contribuem, literalmente, para a construção das cidades, com sua mão de obra e suor, todavia, pouco conseguem gozar da urbanidade que ela proporciona, sobretudo em termos de direitos, inclusive os culturais. Estes são limitados de, ao menos, duas maneiras: invisibilizando e criminalizando suas manifestações artísticas ou negando-lhes contato com outras produções, mesmo as mais mainstream. Por exemplo, o afastamento do cinema ou de teatros.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Com relação à criminalização da produção artística, é preciso ressaltar que as populações periféricas, em geral, também são construídas como “classes perigosas”. Um fenômeno histórico que remete ao processo de urbanização na Europa do século XIX, quando há uma intensa concentração demográfica nas cidades e, consequentemente, o desencadeamento de uma série de problemas ligados à vida nestes espaços. O que teria levado ao surgimento de uma “questão urbana” como objeto de reflexão das elites políticas e intelectuais. Neste processo, a miséria e o controle social de um contingente populacional tão grande se tornou um desafio quase intransponível. Uma das tentativas de solucioná-lo passou pela divisão das pessoas entre uma “classe operária respeitável”, que querem emprego, mas não o encontram e se comportam de modo disciplinado e moralmente aceito em sociedade; das massas empobrecidas, ou “classes perigosas”, incorrigíveis e incontroláveis, fonte de três perigos para as elites urbanas: o sanitário, o da criminalidade e da sublevação política (Topalov, 2015; Foucault, 2005).&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Este último risco talvez seja a preocupação mais efetiva dessas elites urbanas, ainda que nem tanto das classes médias, capturadas pelo discurso do medo e da segurança pública. A predominância de um discurso que ressalta, cotidiana e midiaticamente, os perigos de uma “violência urbana” acaba compondo um dispositivo que justifica ações de controle dos riscos reais da transformação política desencadeada pelas classes ditas “perigosas”. Como, por exemplo, na criminalização de práticas artísticas faveladas ao longo da história do Rio de Janeiro que tinha como alvo o samba, no início do século XX, e passa a ter como inimigo no fim deste século e início do XXI, o funk. Ambas formas culturais que descrevem e, em alguma medida, denunciam as condições de vida de seus compositores.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Mas, essa criminalização não é um processo contra o qual não se poder resistir. A relação das elites urbanas com as populações periféricas é muito mais sutil e complexa, do que a de uma mera subordinação.&amp;amp;nbsp; E uma chave para entendermos isso é dada, novamente, por Christian Topalov (2015), historiador francês. Essa interação tomaria forma num jogo de apropriações e ressignificações de práticas realizado pelas elites urbanas e as populações mais pobres. Nas quais práticas populares de resistência são apreendidas por tais elites, que as reconfiguram de modo a esvaziá-las de seu teor político; ao mesmo tempo em que, ainda que em menor grau, práticas de controle social podem ser repensadas e reconstruídas de modo que possam também se tornar veículos de contestação social e políticas (Topalov, 2015).&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Neste sentido, e voltando à questão do samba e do funk, vemos a complexidade de um dispositivo de controle social que é econômico e repressivo. Com o passar do tempo, esses ritmos foram depurados e aceitos em outros espaços da cidade. Assim, por exemplo, seguem as repressões às festas e eventos nas favelas, ao som de funk, principalmente, mas ainda do samba também, ao mesmo tempo em que essas músicas bombam em eventos caros das zonas mais abastadas da cidade, ou ao som do cantor Thiaguinho em sua “tardezinha” no estádio do Maracanã. Quer dizer, as práticas culturas periféricas são aceitas quando estão desassociadas de seus lugares de origem e entram em circuitos lucrativos da indústria cultural, mas seguem sendo marginalizadas quando são indóceis demais para serem controladas e entrarem no jogo econômico.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Por outro lado, há ressignificações também em sentido contrário, produzindo resistências. Isso podemos ver em eventos como a Roda de Olaria e o Circulando, onde práticas culturais de elites não são negadas, pelo contrário, são apropriadas e recebem um sentido político novo, de contestação e reinvenção de significados. Deste modo, por exemplo, o Circulando conta em muitas de suas edições com apresentações teatrais, levadas a cabo, pelo grupo Teatro da Laje, coordenado pelo professor Veríssimo Júnior; ou através da poesia, cujos limites são totalmente ampliados e transformados, sem perder seu lirismo, na Roda de Olaria.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Assim, tal como propomos aqui, pensar a relação entre as artes urbanas e a periferia é reconhecer que sua riqueza, diversidade e capacidade de ocupar o espaço público estão envolvidas numa complexa prática de criminalização que envolve uma seleção e depuração de práticas que podem atender a certos circuitos lucrativos (e que passam a ser legítimas e aceitas na sociedade) de outras que seguiram como ferramentas de controle social. Ao mesmo tempo em que, esse controle não é fácil e confortável, mas que é constantemente tensionado pela reinventidade (mote do Circulando de 2016) favelada e periférica, que produz ou ressignifica artes mais consagradas.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
== A Roda de Olaria ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;As rodas culturais também nos permitem perceber como a arte urbana e periférica, em suas múltiplas dimensões, é capaz de cimentar a vida na cidade ressignificando o espaço público. É possível contabilizar mais de cem rodas culturais que ocorrem diariamente, em diversos lugares da cidade, com a participação aberta a todo e qualquer artista e de forma gratuita (Alves, 2016). Em grande medida, elas se configuram como eventos independentes, sem aportes financeiros ou institucionais de prefeituras e secretarias de cultura, cuja finalidade é ocupar o espaço público para incentivar, valorizar e promover arte, cultura e entretenimento gratuito para os mais diversos habitantes citadinos.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;As Rodas Culturais são uma teia de artistas e trabalhadores independentes, como poetas, fotógrafos, Mcs, músicos, grafiteiros, artistas plásticos, artistas circenses, atores, profissionais do audiovisual, esportistas urbanos etc. Essa rede unifica, intensifica e expande a sustentabilidade da cultura de rua dos bairros cariocas&amp;lt;ref&amp;gt;Disponível em: &amp;lt;https://www.facebook.com/pg/circuitocariocaderitmoepoesia/about/?ref=page_internal&amp;gt;. Acesso em: 29/02/2020.&amp;lt;/ref&amp;gt;.&#039;&#039;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Foi na 3ª edição do Vamos Desenrolar sobre Arte Urbana que Rico, MC e produtor cultural da Roda de Olaria&amp;lt;ref&amp;gt;A Roda de Olaria possuía até o ano de 2018 três produtores culturais: Laércio Soares Corrêa, Bruno Teixeira e Felippe Massal. Eles são conhecidos por seus amigos mais próximos como Rico, Bruno Xédom ou “Xerélos” e Massal. Rico é MC e lutador de Jiu-Jtsu, Bruno é tatuador e grafiteiro, e Felippe Massal faz graduação em Direito é responsável por fazer as filmagens das batalhas e fotografias do evento. &amp;lt;/ref&amp;gt; falou sobre a importância deste tipo de evento na construção dos espaços que geralmente são reconhecidos como vazios ou ausentes de políticas públicas culturais. Em contrapartida, o MC ressaltou uma série de dificuldades que a Roda de Olaria&amp;lt;ref&amp;gt;Bem como outras Rodas Culturais cariocas.&amp;lt;/ref&amp;gt; sempre enfrentou desde que começou a ocupar as Quadras Gêmeas em 2012.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Segundo Rico, no início era apenas um encontro despretencioso de amigos MCs que, nas noites de quintas-feiras, levavam violões e cajóns para a praça, e se sentavam em roda para conversar e improvisar algumas rimas sob uma tenda branca. Com o passar do tempo o público foi ficando cada vez maior e as Quadras Gêmeas passaram a se tornar palco de um encontro protagonizado por pessoas de diferentes faixas etárias, moradores do bairro de Olaria e adjacências.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;No entanto, Rico afirmou que a história da Roda de Olaria é de uma luta constante por conta de uma série de problemáticas que os produtores precisavam administrar: desde a falta de dinheiro para alugar os equipamentos, negociações para conseguir o Nada Opor&amp;lt;ref&amp;gt;Alvará de Autorização Transitória para eventos em geral: culturais, sociais, desportivos, religiosos e quaisquer outros que promovam concentrações de pessoas. No caso das rodas culturais, este alvará precisava ser emitido pelo Batalhão da Polícia Militar do bairro.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ref&amp;gt; às repressões policiais durante o evento. No encontro, o MC enfatizou: “a única forma que a gente tem de diálogo com o poder público é de forma ‘truculenta’, que é com a polícia. A polícia não entende quando você chega num espaço e quer ocupar para mudança; é revitalização do espaço a princípio de tudo. Tivemos essa truculência com a polícia, mas mesmo assim a gente continuou fazendo.”&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Um dos primeiros impactos foi uma multa. Em uma das quintas-feiras do ano de 2015 enquanto Rico, Felippe, Bruno e outros amigos começavam a montar o som, chegou, nas palavras de Rico, “um cidadão” da IRLF (Inspetorias Regionais de Licenciamento e Fiscalização) e disse que não poderiam realizar o evento. Por conta de todo esse transtorno em relação à multa, a Roda ficou temporariamente parada, mas depois de um curto período de tempo, as atividades foram retomadas. No entanto, duas semanas depois, dois policiais militares do 16º Batalhão de Olaria interromperam o evento e exigiram a retirada das caixas de som e esvaziamento do local.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Semanalmente o alvará que permitiria o funcionamento da Roda precisava ser negociado e renegociado com o batalhão do bairro. Isto significou, durante todo o ano de 2016, que a Roda legalmente estava proibida de acontecer. Frente a isso, os produtores criaram um movimento que denominaram “Resistência Cultural”. No total, foram quatorze encontros de “resistência” com atividades diversas: desde campeonatos de basquete e skate a batalhas de rimas, exposições de telas e debates. Após o último encontro, a Roda de Olaria conseguiu novamente o alvará e retomou as atividades Porém, vale notar que, múltiplas formas de silenciamentos, repressões e denúncias continuaram a ocorrer.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Assim sendo, os produtores culturais da Roda de Olaria encontram, em meio às dificuldades de realizar a Roda, suas próprias formas de uso da praça; suas próprias maneiras de fazer (Certeau, 1994). É neste contexto que o trio de produtores vêm desde 2012 “resistindo” e fazendo da rua, nas palavras de Rico, seu “campo de atuação”.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;No dia 9 de janeiro de 2018 houve a promulgação da Lei Estadual nº 7837 que declara Patrimônio Cultural Imaterial do estado do Rio de Janeiro a cultura hip-hop e todas as suas manifestações artísticas. Deste modo, as rodas culturais finalmente estariam dispensadas da prévia autorização da Polícia Militar. Ainda assim, é válido salientar que a dificuldade de manter o evento continua grande. Mesmo amparada pela lei, os produtores não possuem qualquer aporte financeiro ou institucional. Consequentemente, não conseguem arcar com todos os custos para sua realização. Hoje, as reuniões da Roda de Olaria ocorrem com pouquíssima frenquência.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
== Circulando ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;O Circulando -&amp;amp;nbsp; Diálogo e Comunicação na favela é um evento realizado pelo Instituto Raízes em Movimento desde 2007. Atualmente, ele tem uma regularidade anual, mas já foi realizado mais de uma vez por ano, quando necessário, até o ano de 2010. Ele, começa a ser gerido em 2006, em parceria com o Observatório de Favelas e a Escola Popular de Comunicação Crítica (ESPOCC), tendo sua primeira edição realizada no ano seguinte. Trata-se de um evento de artes, cultura e comunicação. A propósito, o nome do evento surge já nas primeiras reuniões de produção da primeira edição. E, em ata de 2006, assim ficou registrado a importância de comunicação e direito de expressão e manifestação de modo ativo.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;A importância e o direito de todos se expressarem, se manifestarem de forma ativa e por meios ativos, de ganharem visibilidade e partilharem idéias e visões diferentes de mundo. Ainda, a importância de se chamar a atenção para o potencial expressivo e “comunicador” de cada indivíduo e meios que, às vezes, muita gente não vê como meios de transmissão de mensagens. E a importância de se chamar a atenção para a forma estereotipada como os chamados meios de comunicação de massa retratam as comunidades populares e de se indicar, quando não viabilizar, possibilidades de abordagens diferenciadas sobre essas comunidades, por essas comunidades (INSTITUTO RAÍZES EM MOVIMENTO, 2017, p. 139).&#039;&#039;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;É importante começar destacando o aspecto de comunicação que caracteriza o evento. Trata-se de uma dimensão de dupla direção. Quer dizer, por um lado, o Circulando tem uma preocupação inicial de dialogar com as/os moradoras/es do Complexo do Alemão; inicialmente, trazendo informações e conteúdos produzidos por atores não locais e difundindo-os favela adentro, mas também, e sobretudo, nos anos mais recentes, têm sido uma maneira do Instituto Raízes em Movimento, apresentar sua produção anual para a localidade. Neste, sentido é (se) comunicar de modo crítico e dialogado com o local que dá sentido à existência da organização, e cuja relação de pertencimento muitas vezes é construída pela mídia tradicional, com seus sangrentos telejornais, entretenimentos baratos e programas evangélicos pentecostais. É nessa seara de luta e produção de narrativas, que o Circulando se insere primeiramente.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Por outro lado, é falar para fora também, tensionar as representações sobre o Complexo do Alemão, que produzem efeitos concretos muito nocivos para o bairro. Por exemplo, no ano de 2010, duas semanas após a megaoperação de ocupação militarizada do Complexo do Alemão, foi realizado uma edição “extra” do Circulando, montado com urgência, mas sem perder a eficiência, para refletir sobre tudo o que estava acontecendo. Para tanto, foi fundamental a ocupação do espaço público, para levar à cidade novos sentido sobre a vida no bairro, com suas dificuldades e diversidades. Uma ferramenta de comunicação de base, interna e externa, através da ocupação do espaço público local, produzindo afetos e solidariedade, este é, o primeiro objetivo do Circulando.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Nisto temos o comum que se transmuta na multiplicidade, como diversidade, reconhecimento de uma nova configuração dos processos de organização de sujeitos democráticos capazes de expressar potência política (filosófica, estética), que atua de modo horizontal e, portanto, num espaço que lhe permita criar modos de vida, de sentir, ver, agir, ouvir de maneiras diferentes a partir das múltiplas experiências, inclusive do modo de ocupação do espaço – as ruas, becos e vielas, ligam-se e interligam-se, conectam-se e desconectam-se com aquilo que de mais potente tem do que nomeamos cidade: a vida. Compreendendo isso, o Circulando - Diálogo e comunicação na favela propõe alargar, circular, comunicar sob as mais diversas formas de expressão artísticas que compõem a favela. Isso implicar dizer que a favela além de produzir arte, ela produz vida como forma de existência.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Aqui nos reconectamos com o objetivo central do verbete e podemos mesmo afirmar que, falar da produção das artes urbanas é falar da produção da vida na cidade. O que nos remete aos já citados, direitos culturais, como um bem social e o exercício da liberdade de expressão e pensamento. E aqui, sua dimensão principal é a diversidade dos gêneros artísticos que compõem o evento, ressignificando, como apresentado na seção dois deste texto: as formas hegemônicas de produção artística e cultural.&amp;amp;nbsp; São diversas linguagens que se apresentam no Circulando: grafite, poesia, cinema, teatro, música, fotografia e dança. Às quais se somam outras atividades, voltadas para brincadeira de criança, informativos para serviço públicos e outras organizações locais, e ações de cunho mais acadêmico, como lançamento de livros ou rodas de debates/conversa.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Essa dimensão artística do Circulando também é uma via de mão dupla interna e externa ao Complexo do Alemão, na chave da arte e cultura como um direito. Por um lado, visa dar espaço e apresentar a produção local às/aos moradoras/es do bairro, mas também aos visitantes que vêm de outros lugares para participar do evento. Desta forma,são convidadas bandas - como o Bloco de samba da Grota - ou ainda cantoras/es, poetas, fotógrafas/os ou grafiteiras/os locais; ou abre-se espaço para o já citado Teatro da Laje ou ao bloco das águas, do bairro vizinho da Penha.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Por outro lado, há convidados, “de fora”, que compartilham produções pouco acessíveis ao Complexo do Alemão, seja pela falta de apoio para garantir sua difusão em comparação às produções mais lucrativas, seja porque certas produções de organizações parceiras, dificilmente seriam conhecidas localmente, sem a mediação do Instituto Raízes em Movimento, através do Circulando. Podemos citar, a título de ilustração, as participações de fora até do estado do Rio de Janeiro, como a Orquestra Afrobeat Anjos e Querubins e de Juninho, Iracema, Lemuel diretamente da aldeia Tupinambá de Itapoã, em Ilhéus na Bahia.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Neste sentido, poderíamos também, definir o Circulando como um festival de artes urbanas, com diversas linguagens sendo apresentadas no espaço público periférico. Mantendo seus compromissos com a comunicação e produção de narrativas críticas sobre as favelas, voltado para dialogar com a cidade do Rio de Janeiro como um todo, mas também para dentro do espaço onde é realizado e o ponto de partida para toda sua formulação, o Complexo do Alemão.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
== Considerações finais ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Os exemplos da Roda de Olaria e do Circulando ilustram bem a ideia de falar em “artes urbanas” para tratar da produção cultural oriunda das populações faveladas, por conta de duas de suas características: a primeira é a diversidade de manifestações (por isso, o plural) e a fuga de um concepção de arte pensada a partir de um parâmetro estético mais estático, que considera apenas as formas mais hegemônicas e legitimadas, muitas vezes condensadas no que se costuma chamar de cultura erudita; a segunda, que diz mais respeito ao adjetivo “urbano”, aponta para o espaço por excelência de dessa produção cultural, que é o espaço público, da cidade.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Todavia, retomando as pistas oferecidas pelo debate promovido no encontro sobre “artes urbanas” do Vamos Desenrolar citado lá no começo do texto, vemos que também estão envolvidas as questões do corpo, da resistência e do apuro estético. Esse conjunto de elementos nos abre um mar de possibilidades de reflexão em torno do triângulo: arte, favelas e cidades.&amp;amp;nbsp; &amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
== Referências bibliográficas ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;ALVES, Rôssi. Resistência e empoderamento na literatura urbana carioca. Estudos de literatura brasileira contemporânea, n. 49, p. 183-202, set./dez. 2016.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;CERTEAU, Michel de. A invenção do cotidiano: 1. artes de fazer. Petrópolis, RJ: Vozes, 1994.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;FOUCAULT, Michel.&amp;amp;nbsp; O Nascimento da Medicina Social. In.: FOUCAULT, Michel. Microfísica do Poder. 20ª edição. Rio de Janeiro, Graal, 2005, pp.79-98.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;INSTITUTO RAÍZES EM MOVIMENTO. Instituto Raízes em Movimento: um canto à experiência. In.: SANTOS JÚNIOR, Orlando Alves do; NOVAES, Patrícia Ramos; LACERDA, Larissa; WERNECK, Mariana (Orgs.). Caderno Didático “Políticas Públicas e Direito à Cidade: Programa Interdisciplinar de Formação de Agentes Sociais”, Observatório das Metrópoles, 2017, 135-142)&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;OLIVEIRA, Priscila Telles de. Roda Cultural de Olaria: &amp;quot;resistência&amp;quot; e formas de atuação. 2018, 149f. Dissertação (Mestrado em Antropologia) ,Universidade Federal Fluminense (UFF). Niterói, 2018.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;TOPALOV, Christian. Da questão social aos problemas urbanos: os reformadores e a população das metrópoles em princípios do século XX. In.: RIBEIRO, Luiz Cesar Queiroz; PECHMAN, Robert Moses (Org.). Cidade, povo e nação: gênese do urbanismo moderno. Rio de Janeiro, Letra Capital, Observatório das Metrópoles, INCT, 2015, pp. 23 – 52. Disponível em: [http://web.observatoriodasmetropoles.net/images/abook_file/cidade_povo_nacao2ed.pdf http://web.observatoriodasmetropoles.net/images/abook_file/cidade_povo_nacao2ed.pdf].&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt;  &lt;br /&gt;
[[Category:Arte Urbana]] [[Category:Grafite]] [[Category:Arte]] [[Category:Cultura]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Thiago Matiolli</name></author>
	</entry>
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		<id>https://homologacao2.wikifavelas.com.br/index.php?title=Artes_urbanas_e_favelas&amp;diff=4356</id>
		<title>Artes urbanas e favelas</title>
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		<updated>2020-03-01T23:29:23Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Thiago Matiolli: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Por Pricila Telles e&amp;amp;nbsp;[https://wikifavelas.com.br/index.php?title=Usuário:Thiago_Matiolli Thiago Matiolli]&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;No dia 05 de novembro de 2016, um sábado chuvoso, o Instituto Raízes em Movimento&amp;lt;ref&amp;gt;Para maiores informações sobre a organização, ver o verbete “Instituto Raízes em Movimento”, neste dicionário. &amp;lt;/ref&amp;gt; realizou o 3º encontro do Vamos Desenrolar - Oficina de Produção de Memórias e Conhecimento&amp;lt;ref&amp;gt; Para saber mais sobre o evento, ver o Verbete “Vamos Desenrolar”, neste dicionário. &amp;lt;/ref&amp;gt;, que abordava as artes urbanas. As discussões trataram do campo das expressões culturais na cidade em espaços abertos, favelas, praças públicas, ruas… A proposta foi refletir sobre as resistências e criatividade na construção desses espaços que geralmente são construídos no vácuo de políticas públicas culturais e na busca de expressões libertárias. O encontro trouxe à superfície experiências musicais, grafite, teatro, saraus, rodas culturais, enfim, caminhos alternativos de apropriação e combate à indústria cultural de massa. Os Dinamizadores foram: Adriana Lopes: pesquisadora e professora da UFRRJ; Carlos Meijueiro: pesquisador e ativista cultural; Cláudio Vaz: professor de artes e ativista cultural; Gustavo Coelho: pesquisador sobre pichação e outras culturas de rua (diretor do documentário “Luz Câmera, Pichação”); e Rico Neurótico: MC&amp;lt;ref&amp;gt;O termo MC é uma adaptação do inglês master of cerimony, que significa Mestre de Cerimônia. É aquele (a) que, enquanto a é tocada, elabora, recita e canta suas rimas e poesias. &lt;br /&gt;
&amp;lt;/ref&amp;gt; e produtor cultural da Roda Cultural de Olaria. Este último, personagem que fica no entrecruzamento dos assuntos abordados neste verbete, bem como nos exemplos tomados para ilustração do argumento: a Roda Cultural de Olaria e o Circulando - Diálogo e Comunicação na Favela.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;O tema das “artes urbanas” não é de conceituação simples e, muito menos, taxativa. Porém, quando retomamos o debate promovido pela edição do Vamos Desenrolar citado acima, é possível encontrar algumas pistas. Por exemplo, Adriana Lopes iniciou a conversa falando sobre a importância do funk e a presença potente das mulheres nesse ambiente produtivo, destacando que &amp;amp;nbsp;“a arte urbana é mais que o grafismo, a gente escreve com nossos corpos, com nossas roupas...”; Cláudio Vaz disse que não se importava de ter seus projetos copiados por outros produtores e com humor afirmou “Se fizer bem feito é bom, se não fizer bem eu vou lá e reclamo!”; Gustavo Coelho lembrou dos movimentos “xarpi” - que será retomado mais a frente -, bate bola e baile funk “A pixação não é feia, pelo contrário, tem muita delicadeza no traço”; e, por fim, mas não menos importante, MC Rico Neurótico lembrou que “A rua não é só a ferramenta, é o nosso campo de atuação..”&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;No intuito de se aproximar de uma caracterização das artes urbanas que norteie este verbete, exploraremos melhor estas pistas na próxima seção.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
== Artes Urbanas ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As falas destacadas acima nos trazem várias características das artes artes urbanas: a importância dos corpos; o apreço pela questão estética e a qualidade da obra; as possibilidades de sua prática enquanto resistência; a diversidades das linguagens que a compõem: a música, as artes plásticas (como o grafite e a pichação), as representações teatrais (como os bate-bolas citados) - aos quais podemos somar a literatura, a dança, e o audiovisual; e, ainda, a rua, ou o espaço público como lugar predominante de sua manifestação. Aqui, não abordaremos todas essas dimensões, focaremos em duas delas (sem, contudo, deixar totalmente de lado, as demais): sua pluralidade e o espaço público como seu palco principal.&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;A cidade está longe de ser um lugar que possa ser compreendido em sua totalidade. Seus habitantes cultivam estilos particulares de entretenimento, mantém vínculos de sociabilidade e relacionamento, criam modos e padrões culturais diferenciados. Marcada, então, pela sua diversidade e heterogeneidade, a cidade se encontra como lugar privilegiado para análise de uma multiplicidade de atividades e formas de participação. Dentre essas formas de participação, as expressões artísticas, em suas diversas dimensões – sonoras, visuais e performativas –, têm se mostrado um objeto relevante para se pensar essa urbe. Como veremos na realização dos festivais circulando.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;A rua, cada vez mais, tem se tornado palco de diferentes tipos de manifestações artísticas e culturais. Em uma caminhada vespertina pelo centro da cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, é possível ver músicos de rua, artistas circenses, entre outros que, encontram nesses espaços, lócus para suas atividades. Afastando-se um pouco da região central carioca, nota-se que em diversos bairros das Zonas Norte, Sul e Oeste, as praças também têm sido logradouro de manifestações deste cunho. As Rodas Culturais e, mais especificamente, a Roda de Olaria é um importante exemplo disso.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Artes urbanas e periferia&amp;amp;nbsp; ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;As relações entre cidade e favela, ou outras formas espaciais periféricas, podem ser pensadas, em suas diversas dimensões, sob a chave de uma dualidade: a importância dos corpos e energias de moradoras/es desses espaços são indispensáveis para o funcionamento da cidade como um todo; ao mesmo tempo em que há uma profunda necessidade de controle social destas populações, tendo em vista o tensionamento que sua circulação pelo espaço urbano causa. Sob este pano de fundo que devemos refletir sobre as artes urbanas produzidas e vivenciadas nas favelas.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;O caráter indispensável de moradoras/es da periferia para o funcionamento da vida citadina foi ressaltado na realização da edição de 2017 do Circulando, com o lema: “o rolé das favelas produz cidade&amp;lt;ref&amp;gt;A cada ano, o Circulando tem um mote diferente e, em alguns deles, uma camisa com seu lema é vendida no evento. Em 2017 foi rolébilidade; em 2015, com o mote da memória, a camisa trazia o lema: “Meu nome é favela, minha história também”; e, em 2018, abordando a diversidade, o slogan foi “somos juntxs”. &amp;lt;/ref&amp;gt;” - em termos concretos e simbólicos. O mote daquele ano era mobilidade urbana, ou melhor, “rolébilidade” - entendida como a forma de mobilidade periférica, com todas suas dificuldades e estratégias, desde a debilidade do transporte público até às&amp;amp;nbsp; circulações internas à favelas, pelos seus becos&amp;lt;ref&amp;gt;Ver o verbete “mobilidades”, neste dicionário.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ref&amp;gt;; um circuito que tenta, com maior ou menor sucesso, controlar o rolé de faveladas/os na cidade, permitindo a circulação precária para o trabalho, mas restringindo-a com relação ao lazer. De todo modo, a “rolébilidade” também nos permite questionar se a arte periférica também não é fundamental para a vida urbana, cimentada pela força e criatividade favelada..&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;O circulando deu o papo reto: as favelas contribuem, literalmente, para a construção das cidades, com sua mão de obra e suor, todavia, pouco conseguem gozar da urbanidade que ela proporciona, sobretudo em termos de direitos, inclusive os culturais. Estes são limitados de, ao menos, duas maneiras: invisibilizando e criminalizando suas manifestações artísticas ou negando-lhes contato com outras produções, mesmo as mais mainstream. Por exemplo, o afastamento do cinema ou de teatros.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Com relação à criminalização da produção artística, é preciso ressaltar que as populações periféricas, em geral, também são construídas como “classes perigosas”. Um fenômeno histórico que remete ao processo de urbanização na Europa do século XIX, quando há uma intensa concentração demográfica nas cidades e, consequentemente, o desencadeamento de uma série de problemas ligados à vida nestes espaços. O que teria levado ao surgimento de uma “questão urbana” como objeto de reflexão das elites políticas e intelectuais. Neste processo, a miséria e o controle social de um contingente populacional tão grande se tornou um desafio quase intransponível. Uma das tentativas de solucioná-lo passou pela divisão das pessoas entre uma “classe operária respeitável”, que querem emprego, mas não o encontram e se comportam de modo disciplinado e moralmente aceito em sociedade; das massas empobrecidas, ou “classes perigosas”, incorrigíveis e incontroláveis, fonte de três perigos para as elites urbanas: o sanitário, o da criminalidade e da sublevação política (Topalov, 2015; Foucault, 2005).&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Este último risco talvez seja a preocupação mais efetiva dessas elites urbanas, ainda que nem tanto das classes médias, capturadas pelo discurso do medo e da segurança pública. A predominância de um discurso que ressalta, cotidiana e midiaticamente, os perigos de uma “violência urbana” acaba compondo um dispositivo que justifica ações de controle dos riscos reais da transformação política desencadeada pelas classes ditas “perigosas”. Como, por exemplo, na criminalização de práticas artísticas faveladas ao longo da história do Rio de Janeiro que tinha como alvo o samba, no início do século XX, e passa a ter como inimigo no fim deste século e início do XXI, o funk. Ambas formas culturais que descrevem e, em alguma medida, denunciam as condições de vida de seus compositores.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Mas, essa criminalização não é um processo contra o qual não se poder resistir. A relação das elites urbanas com as populações periféricas é muito mais sutil e complexa, do que a de uma mera subordinação.&amp;amp;nbsp; E uma chave para entendermos isso é dada, novamente, por Christian Topalov (2015), historiador francês. Essa interação tomaria forma num jogo de apropriações e ressignificações de práticas realizado pelas elites urbanas e as populações mais pobres. Nas quais práticas populares de resistência são apreendidas por tais elites, que as reconfiguram de modo a esvaziá-las de seu teor político; ao mesmo tempo em que, ainda que em menor grau, práticas de controle social podem ser repensadas e reconstruídas de modo que possam também se tornar veículos de contestação social e políticas (Topalov, 2015).&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Neste sentido, e voltando à questão do samba e do funk, vemos a complexidade de um dispositivo de controle social que é econômico e repressivo. Com o passar do tempo, esses ritmos foram depurados e aceitos em outros espaços da cidade. Assim, por exemplo, seguem as repressões às festas e eventos nas favelas, ao som de funk, principalmente, mas ainda do samba também, ao mesmo tempo em que essas músicas bombam em eventos caros das zonas mais abastadas da cidade, ou ao som do cantor Thiaguinho em sua “tardezinha” no estádio do Maracanã. Quer dizer, as práticas culturas periféricas são aceitas quando estão desassociadas de seus lugares de origem e entram em circuitos lucrativos da indústria cultural, mas seguem sendo marginalizadas quando são indóceis demais para serem controladas e entrarem no jogo econômico.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Por outro lado, há ressignificações também em sentido contrário, produzindo resistências. Isso podemos ver em eventos como a Roda de Olaria e o Circulando, onde práticas culturais de elites não são negadas, pelo contrário, são apropriadas e recebem um sentido político novo, de contestação e reinvenção de significados. Deste modo, por exemplo, o Circulando conta em muitas de suas edições com apresentações teatrais, levadas a cabo, pelo grupo Teatro da Laje, coordenado pelo professor Veríssimo Júnior; ou através da poesia, cujos limites são totalmente ampliados e transformados, sem perder seu lirismo, na Roda de Olaria.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Assim, tal como propomos aqui, pensar a relação entre as artes urbanas e a periferia é reconhecer que sua riqueza, diversidade e capacidade de ocupar o espaço público estão envolvidas numa complexa prática de criminalização que envolve uma seleção e depuração de práticas que podem atender a certos circuitos lucrativos (e que passam a ser legítimas e aceitas na sociedade) de outras que seguiram como ferramentas de controle social. Ao mesmo tempo em que, esse controle não é fácil e confortável, mas que é constantemente tensionado pela reinventidade (mote do Circulando de 2016) favelada e periférica, que produz ou ressignifica artes mais consagradas.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== A Roda de Olaria ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;As rodas culturais também nos permitem perceber como a arte urbana e periférica, em suas múltiplas dimensões, é capaz de cimentar a vida na cidade ressignificando o espaço público. É possível contabilizar mais de cem rodas culturais que ocorrem diariamente, em diversos lugares da cidade, com a participação aberta a todo e qualquer artista e de forma gratuita (Alves, 2016). Em grande medida, elas se configuram como eventos independentes, sem aportes financeiros ou institucionais de prefeituras e secretarias de cultura, cuja finalidade é ocupar o espaço público para incentivar, valorizar e promover arte, cultura e entretenimento gratuito para os mais diversos habitantes citadinos.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;As Rodas Culturais são uma teia de artistas e trabalhadores independentes, como poetas, fotógrafos, Mcs, músicos, grafiteiros, artistas plásticos, artistas circenses, atores, profissionais do audiovisual, esportistas urbanos etc. Essa rede unifica, intensifica e expande a sustentabilidade da cultura de rua dos bairros cariocas&amp;lt;ref&amp;gt;Disponível em: &amp;lt;https://www.facebook.com/pg/circuitocariocaderitmoepoesia/about/?ref=page_internal&amp;gt;. Acesso em: 29/02/2020.&amp;lt;/ref&amp;gt;.&#039;&#039;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Foi na 3ª edição do Vamos Desenrolar sobre Arte Urbana que Rico, MC e produtor cultural da Roda de Olaria&amp;lt;ref&amp;gt;A Roda de Olaria possuía até o ano de 2018 três produtores culturais: Laércio Soares Corrêa, Bruno Teixeira e Felippe Massal. Eles são conhecidos por seus amigos mais próximos como Rico, Bruno Xédom ou “Xerélos” e Massal. Rico é MC e lutador de Jiu-Jtsu, Bruno é tatuador e grafiteiro, e Felippe Massal faz graduação em Direito é responsável por fazer as filmagens das batalhas e fotografias do evento. &amp;lt;/ref&amp;gt; falou sobre a importância deste tipo de evento na construção dos espaços que geralmente são reconhecidos como vazios ou ausentes de políticas públicas culturais. Em contrapartida, o MC ressaltou uma série de dificuldades que a Roda de Olaria&amp;lt;ref&amp;gt;Bem como outras Rodas Culturais cariocas.&amp;lt;/ref&amp;gt; sempre enfrentou desde que começou a ocupar as Quadras Gêmeas em 2012.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Segundo Rico, no início era apenas um encontro despretencioso de amigos MCs que, nas noites de quintas-feiras, levavam violões e cajóns para a praça, e se sentavam em roda para conversar e improvisar algumas rimas sob uma tenda branca. Com o passar do tempo o público foi ficando cada vez maior e as Quadras Gêmeas passaram a se tornar palco de um encontro protagonizado por pessoas de diferentes faixas etárias, moradores do bairro de Olaria e adjacências.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;No entanto, Rico afirmou que a história da Roda de Olaria é de uma luta constante por conta de uma série de problemáticas que os produtores precisavam administrar: desde a falta de dinheiro para alugar os equipamentos, negociações para conseguir o Nada Opor&amp;lt;ref&amp;gt;Alvará de Autorização Transitória para eventos em geral: culturais, sociais, desportivos, religiosos e quaisquer outros que promovam concentrações de pessoas. No caso das rodas culturais, este alvará precisava ser emitido pelo Batalhão da Polícia Militar do bairro.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ref&amp;gt; às repressões policiais durante o evento. No encontro, o MC enfatizou: “a única forma que a gente tem de diálogo com o poder público é de forma ‘truculenta’, que é com a polícia. A polícia não entende quando você chega num espaço e quer ocupar para mudança; é revitalização do espaço a princípio de tudo. Tivemos essa truculência com a polícia, mas mesmo assim a gente continuou fazendo.”&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Um dos primeiros impactos foi uma multa. Em uma das quintas-feiras do ano de 2015 enquanto Rico, Felippe, Bruno e outros amigos começavam a montar o som, chegou, nas palavras de Rico, “um cidadão” da IRLF (Inspetorias Regionais de Licenciamento e Fiscalização) e disse que não poderiam realizar o evento. Por conta de todo esse transtorno em relação à multa, a Roda ficou temporariamente parada, mas depois de um curto período de tempo, as atividades foram retomadas. No entanto, duas semanas depois, dois policiais militares do 16º Batalhão de Olaria interromperam o evento e exigiram a retirada das caixas de som e esvaziamento do local.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Semanalmente o alvará que permitiria o funcionamento da Roda precisava ser negociado e renegociado com o batalhão do bairro. Isto significou, durante todo o ano de 2016, que a Roda legalmente estava proibida de acontecer. Frente a isso, os produtores criaram um movimento que denominaram “Resistência Cultural”. No total, foram quatorze encontros de “resistência” com atividades diversas: desde campeonatos de basquete e skate a batalhas de rimas, exposições de telas e debates. Após o último encontro, a Roda de Olaria conseguiu novamente o alvará e retomou as atividades Porém, vale notar que, múltiplas formas de silenciamentos, repressões e denúncias continuaram a ocorrer.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Assim sendo, os produtores culturais da Roda de Olaria encontram, em meio às dificuldades de realizar a Roda, suas próprias formas de uso da praça; suas próprias maneiras de fazer (Certeau, 1994). É neste contexto que o trio de produtores vêm desde 2012 “resistindo” e fazendo da rua, nas palavras de Rico, seu “campo de atuação”.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;No dia 9 de janeiro de 2018 houve a promulgação da Lei Estadual nº 7837 que declara Patrimônio Cultural Imaterial do estado do Rio de Janeiro a cultura hip-hop e todas as suas manifestações artísticas. Deste modo, as rodas culturais finalmente estariam dispensadas da prévia autorização da Polícia Militar. Ainda assim, é válido salientar que a dificuldade de manter o evento continua grande. Mesmo amparada pela lei, os produtores não possuem qualquer aporte financeiro ou institucional. Consequentemente, não conseguem arcar com todos os custos para sua realização. Hoje, as reuniões da Roda de Olaria ocorrem com pouquíssima frenquência.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Circulando ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;O Circulando -&amp;amp;nbsp; Diálogo e Comunicação na favela é um evento realizado pelo Instituto Raízes em Movimento desde 2007. Atualmente, ele tem uma regularidade anual, mas já foi realizado mais de uma vez por ano, quando necessário, até o ano de 2010. Ele, começa a ser gerido em 2006, em parceria com o Observatório de Favelas e a Escola Popular de Comunicação Crítica (ESPOCC), tendo sua primeira edição realizada no ano seguinte. Trata-se de um evento de artes, cultura e comunicação. A propósito, o nome do evento surge já nas primeiras reuniões de produção da primeira edição. E, em ata de 2006, assim ficou registrado a importância de comunicação e direito de expressão e manifestação de modo ativo.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;A importância e o direito de todos se expressarem, se manifestarem de forma ativa e por meios ativos, de ganharem visibilidade e partilharem idéias e visões diferentes de mundo. Ainda, a importância de se chamar a atenção para o potencial expressivo e “comunicador” de cada indivíduo e meios que, às vezes, muita gente não vê como meios de transmissão de mensagens. E a importância de se chamar a atenção para a forma estereotipada como os chamados meios de comunicação de massa retratam as comunidades populares e de se indicar, quando não viabilizar, possibilidades de abordagens diferenciadas sobre essas comunidades, por essas comunidades (INSTITUTO RAÍZES EM MOVIMENTO, 2017, p. 139).&#039;&#039;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;É importante começar destacando o aspecto de comunicação que caracteriza o evento. Trata-se de uma dimensão de dupla direção. Quer dizer, por um lado, o Circulando tem uma preocupação inicial de dialogar com as/os moradoras/es do Complexo do Alemão; inicialmente, trazendo informações e conteúdos produzidos por atores não locais e difundindo-os favela adentro, mas também, e sobretudo, nos anos mais recentes, têm sido uma maneira do Instituto Raízes em Movimento, apresentar sua produção anual para a localidade. Neste, sentido é (se) comunicar de modo crítico e dialogado com o local que dá sentido à existência da organização, e cuja relação de pertencimento muitas vezes é construída pela mídia tradicional, com seus sangrentos telejornais, entretenimentos baratos e programas evangélicos pentecostais. É nessa seara de luta e produção de narrativas, que o Circulando se insere primeiramente.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Por outro lado, é falar para fora também, tensionar as representações sobre o Complexo do Alemão, que produzem efeitos concretos muito nocivos para o bairro. Por exemplo, no ano de 2010, duas semanas após a megaoperação de ocupação militarizada do Complexo do Alemão, foi realizado uma edição “extra” do Circulando, montado com urgência, mas sem perder a eficiência, para refletir sobre tudo o que estava acontecendo. Para tanto, foi fundamental a ocupação do espaço público, para levar à cidade novos sentido sobre a vida no bairro, com suas dificuldades e diversidades. Uma ferramenta de comunicação de base, interna e externa, através da ocupação do espaço público local, produzindo afetos e solidariedade, este é, o primeiro objetivo do Circulando.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Nisto temos o comum que se transmuta na multiplicidade, como diversidade, reconhecimento de uma nova configuração dos processos de organização de sujeitos democráticos capazes de expressar potência política (filosófica, estética), que atua de modo horizontal e, portanto, num espaço que lhe permita criar modos de vida, de sentir, ver, agir, ouvir de maneiras diferentes a partir das múltiplas experiências, inclusive do modo de ocupação do espaço – as ruas, becos e vielas, ligam-se e interligam-se, conectam-se e desconectam-se com aquilo que de mais potente tem do que nomeamos cidade: a vida. Compreendendo isso, o Circulando - Diálogo e comunicação na favela propõe alargar, circular, comunicar sob as mais diversas formas de expressão artísticas que compõem a favela. Isso implicar dizer que a favela além de produzir arte, ela produz vida como forma de existência.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Aqui nos reconectamos com o objetivo central do verbete e podemos mesmo afirmar que, falar da produção das artes urbanas é falar da produção da vida na cidade. O que nos remete aos já citados, direitos culturais, como um bem social e o exercício da liberdade de expressão e pensamento. E aqui, sua dimensão principal é a diversidade dos gêneros artísticos que compõem o evento, ressignificando, como apresentado na seção dois deste texto: as formas hegemônicas de produção artística e cultural.&amp;amp;nbsp; São diversas linguagens que se apresentam no Circulando: grafite, poesia, cinema, teatro, música, fotografia e dança. Às quais se somam outras atividades, voltadas para brincadeira de criança, informativos para serviço públicos e outras organizações locais, e ações de cunho mais acadêmico, como lançamento de livros ou rodas de debates/conversa.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Essa dimensão artística do Circulando também é uma via de mão dupla interna e externa ao Complexo do Alemão, na chave da arte e cultura como um direito. Por um lado, visa dar espaço e apresentar a produção local às/aos moradoras/es do bairro, mas também aos visitantes que vêm de outros lugares para participar do evento. Desta forma,são convidadas bandas - como o Bloco de samba da Grota - ou ainda cantoras/es, poetas, fotógrafas/os ou grafiteiras/os locais; ou abre-se espaço para o já citado Teatro da Laje ou ao bloco das águas, do bairro vizinho da Penha.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Por outro lado, há convidados, “de fora”, que compartilham produções pouco acessíveis ao Complexo do Alemão, seja pela falta de apoio para garantir sua difusão em comparação às produções mais lucrativas, seja porque certas produções de organizações parceiras, dificilmente seriam conhecidas localmente, sem a mediação do Instituto Raízes em Movimento, através do Circulando. Podemos citar, a título de ilustração, as participações de fora até do estado do Rio de Janeiro, como a Orquestra Afrobeat Anjos e Querubins e de Juninho, Iracema, Lemuel diretamente da aldeia Tupinambá de Itapoã, em Ilhéus na Bahia.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Neste sentido, poderíamos também, definir o Circulando como um festival de artes urbanas, com diversas linguagens sendo apresentadas no espaço público periférico. Mantendo seus compromissos com a comunicação e produção de narrativas críticas sobre as favelas, voltado para dialogar com a cidade do Rio de Janeiro como um todo, mas também para dentro do espaço onde é realizado e o ponto de partida para toda sua formulação, o Complexo do Alemão.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
== Considerações finais ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Os exemplos da Roda de Olaria e do Circulando ilustram bem a ideia de falar em “artes urbanas” para tratar da produção cultural oriunda das populações faveladas, por conta de duas de suas características: a primeira é a diversidade de manifestações (por isso, o plural) e a fuga de um concepção de arte pensada a partir de um parâmetro estético mais estático, que considera apenas as formas mais hegemônicas e legitimadas, muitas vezes condensadas no que se costuma chamar de cultura erudita; a segunda, que diz mais respeito ao adjetivo “urbano”, aponta para o espaço por excelência de dessa produção cultural, que é o espaço público, da cidade.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Todavia, retomando as pistas oferecidas pelo debate promovido no encontro sobre “artes urbanas” do Vamos Desenrolar citado lá no começo do texto, vemos que também estão envolvidas as questões do corpo, da resistência e do apuro estético. Esse conjunto de elementos nos abre um mar de possibilidades de reflexão em torno do triângulo: arte, favelas e cidades.&amp;amp;nbsp; &amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
== Referências bibliográficas ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;ALVES, Rôssi. Resistência e empoderamento na literatura urbana carioca. Estudos de literatura brasileira contemporânea, n. 49, p. 183-202, set./dez. 2016.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;CERTEAU, Michel de. A invenção do cotidiano: 1. artes de fazer. Petrópolis, RJ: Vozes, 1994.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;FOUCAULT, Michel.&amp;amp;nbsp; O Nascimento da Medicina Social. In.: FOUCAULT, Michel. Microfísica do Poder. 20ª edição. Rio de Janeiro, Graal, 2005, pp.79-98.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;INSTITUTO RAÍZES EM MOVIMENTO. Instituto Raízes em Movimento: um canto à experiência. In.: SANTOS JÚNIOR, Orlando Alves do; NOVAES, Patrícia Ramos; LACERDA, Larissa; WERNECK, Mariana (Orgs.). Caderno Didático “Políticas Públicas e Direito à Cidade: Programa Interdisciplinar de Formação de Agentes Sociais”, Observatório das Metrópoles, 2017, 135-142)&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;OLIVEIRA, Priscila Telles de. Roda Cultural de Olaria: &amp;quot;resistência&amp;quot; e formas de atuação. 2018, 149f. Dissertação (Mestrado em Antropologia) ,Universidade Federal Fluminense (UFF). Niterói, 2018.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;TOPALOV, Christian. Da questão social aos problemas urbanos: os reformadores e a população das metrópoles em princípios do século XX. In.: RIBEIRO, Luiz Cesar Queiroz; PECHMAN, Robert Moses (Org.). Cidade, povo e nação: gênese do urbanismo moderno. Rio de Janeiro, Letra Capital, Observatório das Metrópoles, INCT, 2015, pp. 23 – 52. Disponível em: [http://web.observatoriodasmetropoles.net/images/abook_file/cidade_povo_nacao2ed.pdf http://web.observatoriodasmetropoles.net/images/abook_file/cidade_povo_nacao2ed.pdf].&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt;  &lt;br /&gt;
[[Category:Arte Urbana]] [[Category:Grafite]] [[Category:Arte]] [[Category:Cultura]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Thiago Matiolli</name></author>
	</entry>
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		<id>https://homologacao2.wikifavelas.com.br/index.php?title=Artes_urbanas_e_favelas&amp;diff=4355</id>
		<title>Artes urbanas e favelas</title>
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		<updated>2020-03-01T23:29:09Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Thiago Matiolli: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Por Pricila Telles e&amp;amp;nbsp;[https://wikifavelas.com.br/index.php?title=Usuário:Thiago_Matiolli Thiago Matiolli]&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;No dia 05 de novembro de 2016, um sábado chuvoso, o Instituto Raízes em Movimento&amp;lt;ref&amp;gt;Para maiores informações sobre a organização, ver o verbete “Instituto Raízes em Movimento”, neste dicionário. &amp;lt;/ref&amp;gt; realizou o 3º encontro do Vamos Desenrolar - Oficina de Produção de Memórias e Conhecimento&amp;lt;ref&amp;gt; Para saber mais sobre o evento, ver o Verbete “Vamos Desenrolar”, neste dicionário. &amp;lt;/ref&amp;gt;, que abordava as artes urbanas. As discussões trataram do campo das expressões culturais na cidade em espaços abertos, favelas, praças públicas, ruas… A proposta foi refletir sobre as resistências e criatividade na construção desses espaços que geralmente são construídos no vácuo de políticas públicas culturais e na busca de expressões libertárias. O encontro trouxe à superfície experiências musicais, grafite, teatro, saraus, rodas culturais, enfim, caminhos alternativos de apropriação e combate à indústria cultural de massa. Os Dinamizadores foram: Adriana Lopes: pesquisadora e professora da UFRRJ; Carlos Meijueiro: pesquisador e ativista cultural; Cláudio Vaz: professor de artes e ativista cultural; Gustavo Coelho: pesquisador sobre pichação e outras culturas de rua (diretor do documentário “Luz Câmera, Pichação”); e Rico Neurótico: MC&amp;lt;ref&amp;gt;O termo MC é uma adaptação do inglês master of cerimony, que significa Mestre de Cerimônia. É aquele (a) que, enquanto a é tocada, elabora, recita e canta suas rimas e poesias. &lt;br /&gt;
&amp;lt;/ref&amp;gt; e produtor cultural da Roda Cultural de Olaria. Este último, personagem que fica no entrecruzamento dos assuntos abordados neste verbete, bem como nos exemplos tomados para ilustração do argumento: a Roda Cultural de Olaria e o Circulando - Diálogo e Comunicação na Favela.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;O tema das “artes urbanas” não é de conceituação simples e, muito menos, taxativa. Porém, quando retomamos o debate promovido pela edição do Vamos Desenrolar citado acima, é possível encontrar algumas pistas. Por exemplo, Adriana Lopes iniciou a conversa falando sobre a importância do funk e a presença potente das mulheres nesse ambiente produtivo, destacando que &amp;amp;nbsp;“a arte urbana é mais que o grafismo, a gente escreve com nossos corpos, com nossas roupas...”; Cláudio Vaz disse que não se importava de ter seus projetos copiados por outros produtores e com humor afirmou “Se fizer bem feito é bom, se não fizer bem eu vou lá e reclamo!”; Gustavo Coelho lembrou dos movimentos “xarpi” - que será retomado mais a frente -, bate bola e baile funk “A pixação não é feia, pelo contrário, tem muita delicadeza no traço”; e, por fim, mas não menos importante, MC Rico Neurótico lembrou que “A rua não é só a ferramenta, é o nosso campo de atuação..”&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;No intuito de se aproximar de uma caracterização das artes urbanas que norteie este verbete, exploraremos melhor estas pistas na próxima seção.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
== Artes Urbanas ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As falas destacadas acima nos trazem várias características das artes artes urbanas: a importância dos corpos; o apreço pela questão estética e a qualidade da obra; as possibilidades de sua prática enquanto resistência; a diversidades das linguagens que a compõem: a música, as artes plásticas (como o grafite e a pichação), as representações teatrais (como os bate-bolas citados) - aos quais podemos somar a literatura, a dança, e o audiovisual; e, ainda, a rua, ou o espaço público como lugar predominante de sua manifestação. Aqui, não abordaremos todas essas dimensões, focaremos em duas delas (sem, contudo, deixar totalmente de lado, as demais): sua pluralidade e o espaço público como seu palco principal.&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;A cidade está longe de ser um lugar que possa ser compreendido em sua totalidade. Seus habitantes cultivam estilos particulares de entretenimento, mantém vínculos de sociabilidade e relacionamento, criam modos e padrões culturais diferenciados. Marcada, então, pela sua diversidade e heterogeneidade, a cidade se encontra como lugar privilegiado para análise de uma multiplicidade de atividades e formas de participação. Dentre essas formas de participação, as expressões artísticas, em suas diversas dimensões – sonoras, visuais e performativas –, têm se mostrado um objeto relevante para se pensar essa urbe. Como veremos na realização dos festivais circulando.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;A rua, cada vez mais, tem se tornado palco de diferentes tipos de manifestações artísticas e culturais. Em uma caminhada vespertina pelo centro da cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, é possível ver músicos de rua, artistas circenses, entre outros que, encontram nesses espaços, lócus para suas atividades. Afastando-se um pouco da região central carioca, nota-se que em diversos bairros das Zonas Norte, Sul e Oeste, as praças também têm sido logradouro de manifestações deste cunho. As Rodas Culturais e, mais especificamente, a Roda de Olaria é um importante exemplo disso.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Artes urbanas e periferia&amp;amp;nbsp; ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;As relações entre cidade e favela, ou outras formas espaciais periféricas, podem ser pensadas, em suas diversas dimensões, sob a chave de uma dualidade: a importância dos corpos e energias de moradoras/es desses espaços são indispensáveis para o funcionamento da cidade como um todo; ao mesmo tempo em que há uma profunda necessidade de controle social destas populações, tendo em vista o tensionamento que sua circulação pelo espaço urbano causa. Sob este pano de fundo que devemos refletir sobre as artes urbanas produzidas e vivenciadas nas favelas.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;O caráter indispensável de moradoras/es da periferia para o funcionamento da vida citadina foi ressaltado na realização da edição de 2017 do Circulando, com o lema: “o rolé das favelas produz cidade&amp;lt;ref&amp;gt;A cada ano, o Circulando tem um mote diferente e, em alguns deles, uma camisa com seu lema é vendida no evento. Em 2017 foi rolébilidade; em 2015, com o mote da memória, a camisa trazia o lema: “Meu nome é favela, minha história também”; e, em 2018, abordando a diversidade, o slogan foi “somos juntxs”. &amp;lt;/ref&amp;gt;” - em termos concretos e simbólicos. O mote daquele ano era mobilidade urbana, ou melhor, “rolébilidade” - entendida como a forma de mobilidade periférica, com todas suas dificuldades e estratégias, desde a debilidade do transporte público até às&amp;amp;nbsp; circulações internas à favelas, pelos seus becos&amp;lt;ref&amp;gt;Ver o verbete “mobilidades”, neste dicionário.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ref&amp;gt;; um circuito que tenta, com maior ou menor sucesso, controlar o rolé de faveladas/os na cidade, permitindo a circulação precária para o trabalho, mas restringindo-a com relação ao lazer. De todo modo, a “rolébilidade” também nos permite questionar se a arte periférica também não é fundamental para a vida urbana, cimentada pela força e criatividade favelada..&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;O circulando deu o papo reto: as favelas contribuem, literalmente, para a construção das cidades, com sua mão de obra e suor, todavia, pouco conseguem gozar da urbanidade que ela proporciona, sobretudo em termos de direitos, inclusive os culturais. Estes são limitados de, ao menos, duas maneiras: invisibilizando e criminalizando suas manifestações artísticas ou negando-lhes contato com outras produções, mesmo as mais mainstream. Por exemplo, o afastamento do cinema ou de teatros.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Com relação à criminalização da produção artística, é preciso ressaltar que as populações periféricas, em geral, também são construídas como “classes perigosas”. Um fenômeno histórico que remete ao processo de urbanização na Europa do século XIX, quando há uma intensa concentração demográfica nas cidades e, consequentemente, o desencadeamento de uma série de problemas ligados à vida nestes espaços. O que teria levado ao surgimento de uma “questão urbana” como objeto de reflexão das elites políticas e intelectuais. Neste processo, a miséria e o controle social de um contingente populacional tão grande se tornou um desafio quase intransponível. Uma das tentativas de solucioná-lo passou pela divisão das pessoas entre uma “classe operária respeitável”, que querem emprego, mas não o encontram e se comportam de modo disciplinado e moralmente aceito em sociedade; das massas empobrecidas, ou “classes perigosas”, incorrigíveis e incontroláveis, fonte de três perigos para as elites urbanas: o sanitário, o da criminalidade e da sublevação política (Topalov, 2015; Foucault, 2005).&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Este último risco talvez seja a preocupação mais efetiva dessas elites urbanas, ainda que nem tanto das classes médias, capturadas pelo discurso do medo e da segurança pública. A predominância de um discurso que ressalta, cotidiana e midiaticamente, os perigos de uma “violência urbana” acaba compondo um dispositivo que justifica ações de controle dos riscos reais da transformação política desencadeada pelas classes ditas “perigosas”. Como, por exemplo, na criminalização de práticas artísticas faveladas ao longo da história do Rio de Janeiro que tinha como alvo o samba, no início do século XX, e passa a ter como inimigo no fim deste século e início do XXI, o funk. Ambas formas culturais que descrevem e, em alguma medida, denunciam as condições de vida de seus compositores.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Mas, essa criminalização não é um processo contra o qual não se poder resistir. A relação das elites urbanas com as populações periféricas é muito mais sutil e complexa, do que a de uma mera subordinação.&amp;amp;nbsp; E uma chave para entendermos isso é dada, novamente, por Christian Topalov (2015), historiador francês. Essa interação tomaria forma num jogo de apropriações e ressignificações de práticas realizado pelas elites urbanas e as populações mais pobres. Nas quais práticas populares de resistência são apreendidas por tais elites, que as reconfiguram de modo a esvaziá-las de seu teor político; ao mesmo tempo em que, ainda que em menor grau, práticas de controle social podem ser repensadas e reconstruídas de modo que possam também se tornar veículos de contestação social e políticas (Topalov, 2015).&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Neste sentido, e voltando à questão do samba e do funk, vemos a complexidade de um dispositivo de controle social que é econômico e repressivo. Com o passar do tempo, esses ritmos foram depurados e aceitos em outros espaços da cidade. Assim, por exemplo, seguem as repressões às festas e eventos nas favelas, ao som de funk, principalmente, mas ainda do samba também, ao mesmo tempo em que essas músicas bombam em eventos caros das zonas mais abastadas da cidade, ou ao som do cantor Thiaguinho em sua “tardezinha” no estádio do Maracanã. Quer dizer, as práticas culturas periféricas são aceitas quando estão desassociadas de seus lugares de origem e entram em circuitos lucrativos da indústria cultural, mas seguem sendo marginalizadas quando são indóceis demais para serem controladas e entrarem no jogo econômico.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Por outro lado, há ressignificações também em sentido contrário, produzindo resistências. Isso podemos ver em eventos como a Roda de Olaria e o Circulando, onde práticas culturais de elites não são negadas, pelo contrário, são apropriadas e recebem um sentido político novo, de contestação e reinvenção de significados. Deste modo, por exemplo, o Circulando conta em muitas de suas edições com apresentações teatrais, levadas a cabo, pelo grupo Teatro da Laje, coordenado pelo professor Veríssimo Júnior; ou através da poesia, cujos limites são totalmente ampliados e transformados, sem perder seu lirismo, na Roda de Olaria.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Assim, tal como propomos aqui, pensar a relação entre as artes urbanas e a periferia é reconhecer que sua riqueza, diversidade e capacidade de ocupar o espaço público estão envolvidas numa complexa prática de criminalização que envolve uma seleção e depuração de práticas que podem atender a certos circuitos lucrativos (e que passam a ser legítimas e aceitas na sociedade) de outras que seguiram como ferramentas de controle social. Ao mesmo tempo em que, esse controle não é fácil e confortável, mas que é constantemente tensionado pela reinventidade (mote do Circulando de 2016) favelada e periférica, que produz ou ressignifica artes mais consagradas.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
== &amp;amp;nbsp;A Roda de Olaria ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;As rodas culturais também nos permitem perceber como a arte urbana e periférica, em suas múltiplas dimensões, é capaz de cimentar a vida na cidade ressignificando o espaço público. É possível contabilizar mais de cem rodas culturais que ocorrem diariamente, em diversos lugares da cidade, com a participação aberta a todo e qualquer artista e de forma gratuita (Alves, 2016). Em grande medida, elas se configuram como eventos independentes, sem aportes financeiros ou institucionais de prefeituras e secretarias de cultura, cuja finalidade é ocupar o espaço público para incentivar, valorizar e promover arte, cultura e entretenimento gratuito para os mais diversos habitantes citadinos.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;As Rodas Culturais são uma teia de artistas e trabalhadores independentes, como poetas, fotógrafos, Mcs, músicos, grafiteiros, artistas plásticos, artistas circenses, atores, profissionais do audiovisual, esportistas urbanos etc. Essa rede unifica, intensifica e expande a sustentabilidade da cultura de rua dos bairros cariocas&amp;lt;ref&amp;gt;Disponível em: &amp;lt;https://www.facebook.com/pg/circuitocariocaderitmoepoesia/about/?ref=page_internal&amp;gt;. Acesso em: 29/02/2020.&amp;lt;/ref&amp;gt;.&#039;&#039;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Foi na 3ª edição do Vamos Desenrolar sobre Arte Urbana que Rico, MC e produtor cultural da Roda de Olaria&amp;lt;ref&amp;gt;A Roda de Olaria possuía até o ano de 2018 três produtores culturais: Laércio Soares Corrêa, Bruno Teixeira e Felippe Massal. Eles são conhecidos por seus amigos mais próximos como Rico, Bruno Xédom ou “Xerélos” e Massal. Rico é MC e lutador de Jiu-Jtsu, Bruno é tatuador e grafiteiro, e Felippe Massal faz graduação em Direito é responsável por fazer as filmagens das batalhas e fotografias do evento. &amp;lt;/ref&amp;gt; falou sobre a importância deste tipo de evento na construção dos espaços que geralmente são reconhecidos como vazios ou ausentes de políticas públicas culturais. Em contrapartida, o MC ressaltou uma série de dificuldades que a Roda de Olaria&amp;lt;ref&amp;gt;Bem como outras Rodas Culturais cariocas.&amp;lt;/ref&amp;gt; sempre enfrentou desde que começou a ocupar as Quadras Gêmeas em 2012.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Segundo Rico, no início era apenas um encontro despretencioso de amigos MCs que, nas noites de quintas-feiras, levavam violões e cajóns para a praça, e se sentavam em roda para conversar e improvisar algumas rimas sob uma tenda branca. Com o passar do tempo o público foi ficando cada vez maior e as Quadras Gêmeas passaram a se tornar palco de um encontro protagonizado por pessoas de diferentes faixas etárias, moradores do bairro de Olaria e adjacências.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;No entanto, Rico afirmou que a história da Roda de Olaria é de uma luta constante por conta de uma série de problemáticas que os produtores precisavam administrar: desde a falta de dinheiro para alugar os equipamentos, negociações para conseguir o Nada Opor&amp;lt;ref&amp;gt;Alvará de Autorização Transitória para eventos em geral: culturais, sociais, desportivos, religiosos e quaisquer outros que promovam concentrações de pessoas. No caso das rodas culturais, este alvará precisava ser emitido pelo Batalhão da Polícia Militar do bairro.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ref&amp;gt; às repressões policiais durante o evento. No encontro, o MC enfatizou: “a única forma que a gente tem de diálogo com o poder público é de forma ‘truculenta’, que é com a polícia. A polícia não entende quando você chega num espaço e quer ocupar para mudança; é revitalização do espaço a princípio de tudo. Tivemos essa truculência com a polícia, mas mesmo assim a gente continuou fazendo.”&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Um dos primeiros impactos foi uma multa. Em uma das quintas-feiras do ano de 2015 enquanto Rico, Felippe, Bruno e outros amigos começavam a montar o som, chegou, nas palavras de Rico, “um cidadão” da IRLF (Inspetorias Regionais de Licenciamento e Fiscalização) e disse que não poderiam realizar o evento. Por conta de todo esse transtorno em relação à multa, a Roda ficou temporariamente parada, mas depois de um curto período de tempo, as atividades foram retomadas. No entanto, duas semanas depois, dois policiais militares do 16º Batalhão de Olaria interromperam o evento e exigiram a retirada das caixas de som e esvaziamento do local.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Semanalmente o alvará que permitiria o funcionamento da Roda precisava ser negociado e renegociado com o batalhão do bairro. Isto significou, durante todo o ano de 2016, que a Roda legalmente estava proibida de acontecer. Frente a isso, os produtores criaram um movimento que denominaram “Resistência Cultural”. No total, foram quatorze encontros de “resistência” com atividades diversas: desde campeonatos de basquete e skate a batalhas de rimas, exposições de telas e debates. Após o último encontro, a Roda de Olaria conseguiu novamente o alvará e retomou as atividades Porém, vale notar que, múltiplas formas de silenciamentos, repressões e denúncias continuaram a ocorrer.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Assim sendo, os produtores culturais da Roda de Olaria encontram, em meio às dificuldades de realizar a Roda, suas próprias formas de uso da praça; suas próprias maneiras de fazer (Certeau, 1994). É neste contexto que o trio de produtores vêm desde 2012 “resistindo” e fazendo da rua, nas palavras de Rico, seu “campo de atuação”.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;No dia 9 de janeiro de 2018 houve a promulgação da Lei Estadual nº 7837 que declara Patrimônio Cultural Imaterial do estado do Rio de Janeiro a cultura hip-hop e todas as suas manifestações artísticas. Deste modo, as rodas culturais finalmente estariam dispensadas da prévia autorização da Polícia Militar. Ainda assim, é válido salientar que a dificuldade de manter o evento continua grande. Mesmo amparada pela lei, os produtores não possuem qualquer aporte financeiro ou institucional. Consequentemente, não conseguem arcar com todos os custos para sua realização. Hoje, as reuniões da Roda de Olaria ocorrem com pouquíssima frenquência.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
== Circulando ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;O Circulando -&amp;amp;nbsp; Diálogo e Comunicação na favela é um evento realizado pelo Instituto Raízes em Movimento desde 2007. Atualmente, ele tem uma regularidade anual, mas já foi realizado mais de uma vez por ano, quando necessário, até o ano de 2010. Ele, começa a ser gerido em 2006, em parceria com o Observatório de Favelas e a Escola Popular de Comunicação Crítica (ESPOCC), tendo sua primeira edição realizada no ano seguinte. Trata-se de um evento de artes, cultura e comunicação. A propósito, o nome do evento surge já nas primeiras reuniões de produção da primeira edição. E, em ata de 2006, assim ficou registrado a importância de comunicação e direito de expressão e manifestação de modo ativo.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;A importância e o direito de todos se expressarem, se manifestarem de forma ativa e por meios ativos, de ganharem visibilidade e partilharem idéias e visões diferentes de mundo. Ainda, a importância de se chamar a atenção para o potencial expressivo e “comunicador” de cada indivíduo e meios que, às vezes, muita gente não vê como meios de transmissão de mensagens. E a importância de se chamar a atenção para a forma estereotipada como os chamados meios de comunicação de massa retratam as comunidades populares e de se indicar, quando não viabilizar, possibilidades de abordagens diferenciadas sobre essas comunidades, por essas comunidades (INSTITUTO RAÍZES EM MOVIMENTO, 2017, p. 139).&#039;&#039;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;É importante começar destacando o aspecto de comunicação que caracteriza o evento. Trata-se de uma dimensão de dupla direção. Quer dizer, por um lado, o Circulando tem uma preocupação inicial de dialogar com as/os moradoras/es do Complexo do Alemão; inicialmente, trazendo informações e conteúdos produzidos por atores não locais e difundindo-os favela adentro, mas também, e sobretudo, nos anos mais recentes, têm sido uma maneira do Instituto Raízes em Movimento, apresentar sua produção anual para a localidade. Neste, sentido é (se) comunicar de modo crítico e dialogado com o local que dá sentido à existência da organização, e cuja relação de pertencimento muitas vezes é construída pela mídia tradicional, com seus sangrentos telejornais, entretenimentos baratos e programas evangélicos pentecostais. É nessa seara de luta e produção de narrativas, que o Circulando se insere primeiramente.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Por outro lado, é falar para fora também, tensionar as representações sobre o Complexo do Alemão, que produzem efeitos concretos muito nocivos para o bairro. Por exemplo, no ano de 2010, duas semanas após a megaoperação de ocupação militarizada do Complexo do Alemão, foi realizado uma edição “extra” do Circulando, montado com urgência, mas sem perder a eficiência, para refletir sobre tudo o que estava acontecendo. Para tanto, foi fundamental a ocupação do espaço público, para levar à cidade novos sentido sobre a vida no bairro, com suas dificuldades e diversidades. Uma ferramenta de comunicação de base, interna e externa, através da ocupação do espaço público local, produzindo afetos e solidariedade, este é, o primeiro objetivo do Circulando.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Nisto temos o comum que se transmuta na multiplicidade, como diversidade, reconhecimento de uma nova configuração dos processos de organização de sujeitos democráticos capazes de expressar potência política (filosófica, estética), que atua de modo horizontal e, portanto, num espaço que lhe permita criar modos de vida, de sentir, ver, agir, ouvir de maneiras diferentes a partir das múltiplas experiências, inclusive do modo de ocupação do espaço – as ruas, becos e vielas, ligam-se e interligam-se, conectam-se e desconectam-se com aquilo que de mais potente tem do que nomeamos cidade: a vida. Compreendendo isso, o Circulando - Diálogo e comunicação na favela propõe alargar, circular, comunicar sob as mais diversas formas de expressão artísticas que compõem a favela. Isso implicar dizer que a favela além de produzir arte, ela produz vida como forma de existência.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Aqui nos reconectamos com o objetivo central do verbete e podemos mesmo afirmar que, falar da produção das artes urbanas é falar da produção da vida na cidade. O que nos remete aos já citados, direitos culturais, como um bem social e o exercício da liberdade de expressão e pensamento. E aqui, sua dimensão principal é a diversidade dos gêneros artísticos que compõem o evento, ressignificando, como apresentado na seção dois deste texto: as formas hegemônicas de produção artística e cultural.&amp;amp;nbsp; São diversas linguagens que se apresentam no Circulando: grafite, poesia, cinema, teatro, música, fotografia e dança. Às quais se somam outras atividades, voltadas para brincadeira de criança, informativos para serviço públicos e outras organizações locais, e ações de cunho mais acadêmico, como lançamento de livros ou rodas de debates/conversa.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Essa dimensão artística do Circulando também é uma via de mão dupla interna e externa ao Complexo do Alemão, na chave da arte e cultura como um direito. Por um lado, visa dar espaço e apresentar a produção local às/aos moradoras/es do bairro, mas também aos visitantes que vêm de outros lugares para participar do evento. Desta forma,são convidadas bandas - como o Bloco de samba da Grota - ou ainda cantoras/es, poetas, fotógrafas/os ou grafiteiras/os locais; ou abre-se espaço para o já citado Teatro da Laje ou ao bloco das águas, do bairro vizinho da Penha.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Por outro lado, há convidados, “de fora”, que compartilham produções pouco acessíveis ao Complexo do Alemão, seja pela falta de apoio para garantir sua difusão em comparação às produções mais lucrativas, seja porque certas produções de organizações parceiras, dificilmente seriam conhecidas localmente, sem a mediação do Instituto Raízes em Movimento, através do Circulando. Podemos citar, a título de ilustração, as participações de fora até do estado do Rio de Janeiro, como a Orquestra Afrobeat Anjos e Querubins e de Juninho, Iracema, Lemuel diretamente da aldeia Tupinambá de Itapoã, em Ilhéus na Bahia.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Neste sentido, poderíamos também, definir o Circulando como um festival de artes urbanas, com diversas linguagens sendo apresentadas no espaço público periférico. Mantendo seus compromissos com a comunicação e produção de narrativas críticas sobre as favelas, voltado para dialogar com a cidade do Rio de Janeiro como um todo, mas também para dentro do espaço onde é realizado e o ponto de partida para toda sua formulação, o Complexo do Alemão.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
== Considerações finais ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Os exemplos da Roda de Olaria e do Circulando ilustram bem a ideia de falar em “artes urbanas” para tratar da produção cultural oriunda das populações faveladas, por conta de duas de suas características: a primeira é a diversidade de manifestações (por isso, o plural) e a fuga de um concepção de arte pensada a partir de um parâmetro estético mais estático, que considera apenas as formas mais hegemônicas e legitimadas, muitas vezes condensadas no que se costuma chamar de cultura erudita; a segunda, que diz mais respeito ao adjetivo “urbano”, aponta para o espaço por excelência de dessa produção cultural, que é o espaço público, da cidade.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Todavia, retomando as pistas oferecidas pelo debate promovido no encontro sobre “artes urbanas” do Vamos Desenrolar citado lá no começo do texto, vemos que também estão envolvidas as questões do corpo, da resistência e do apuro estético. Esse conjunto de elementos nos abre um mar de possibilidades de reflexão em torno do triângulo: arte, favelas e cidades.&amp;amp;nbsp; &amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
== Referências bibliográficas ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;ALVES, Rôssi. Resistência e empoderamento na literatura urbana carioca. Estudos de literatura brasileira contemporânea, n. 49, p. 183-202, set./dez. 2016.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;CERTEAU, Michel de. A invenção do cotidiano: 1. artes de fazer. Petrópolis, RJ: Vozes, 1994.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;FOUCAULT, Michel.&amp;amp;nbsp; O Nascimento da Medicina Social. In.: FOUCAULT, Michel. Microfísica do Poder. 20ª edição. Rio de Janeiro, Graal, 2005, pp.79-98.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;INSTITUTO RAÍZES EM MOVIMENTO. Instituto Raízes em Movimento: um canto à experiência. In.: SANTOS JÚNIOR, Orlando Alves do; NOVAES, Patrícia Ramos; LACERDA, Larissa; WERNECK, Mariana (Orgs.). Caderno Didático “Políticas Públicas e Direito à Cidade: Programa Interdisciplinar de Formação de Agentes Sociais”, Observatório das Metrópoles, 2017, 135-142)&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;OLIVEIRA, Priscila Telles de. Roda Cultural de Olaria: &amp;quot;resistência&amp;quot; e formas de atuação. 2018, 149f. Dissertação (Mestrado em Antropologia) ,Universidade Federal Fluminense (UFF). Niterói, 2018.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;TOPALOV, Christian. Da questão social aos problemas urbanos: os reformadores e a população das metrópoles em princípios do século XX. In.: RIBEIRO, Luiz Cesar Queiroz; PECHMAN, Robert Moses (Org.). Cidade, povo e nação: gênese do urbanismo moderno. Rio de Janeiro, Letra Capital, Observatório das Metrópoles, INCT, 2015, pp. 23 – 52. Disponível em: [http://web.observatoriodasmetropoles.net/images/abook_file/cidade_povo_nacao2ed.pdf http://web.observatoriodasmetropoles.net/images/abook_file/cidade_povo_nacao2ed.pdf].&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt;  &lt;br /&gt;
[[Category:Arte Urbana]] [[Category:Grafite]] [[Category:Arte]] [[Category:Cultura]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Thiago Matiolli</name></author>
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		<title>Artes urbanas e favelas</title>
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		<updated>2020-03-01T23:28:05Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Thiago Matiolli: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Por Pricila Telles e&amp;amp;nbsp;[https://wikifavelas.com.br/index.php?title=Usuário:Thiago_Matiolli Thiago Matiolli]&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;No dia 05 de novembro de 2016, um sábado chuvoso, o Instituto Raízes em Movimento&amp;lt;ref&amp;gt;Para maiores informações sobre a organização, ver o verbete “Instituto Raízes em Movimento”, neste dicionário. &amp;lt;/ref&amp;gt; realizou o 3º encontro do Vamos Desenrolar - Oficina de Produção de Memórias e Conhecimento&amp;lt;ref&amp;gt; Para saber mais sobre o evento, ver o Verbete “Vamos Desenrolar”, neste dicionário. &amp;lt;/ref&amp;gt;, que abordava as artes urbanas. As discussões trataram do campo das expressões culturais na cidade em espaços abertos, favelas, praças públicas, ruas… A proposta foi refletir sobre as resistências e criatividade na construção desses espaços que geralmente são construídos no vácuo de políticas públicas culturais e na busca de expressões libertárias. O encontro trouxe à superfície experiências musicais, grafite, teatro, saraus, rodas culturais, enfim, caminhos alternativos de apropriação e combate à indústria cultural de massa. Os Dinamizadores foram: Adriana Lopes: pesquisadora e professora da UFRRJ; Carlos Meijueiro: pesquisador e ativista cultural; Cláudio Vaz: professor de artes e ativista cultural; Gustavo Coelho: pesquisador sobre pichação e outras culturas de rua (diretor do documentário “Luz Câmera, Pichação”); e Rico Neurótico: MC&amp;lt;ref&amp;gt;O termo MC é uma adaptação do inglês master of cerimony, que significa Mestre de Cerimônia. É aquele (a) que, enquanto a é tocada, elabora, recita e canta suas rimas e poesias. &lt;br /&gt;
&amp;lt;/ref&amp;gt; e produtor cultural da Roda Cultural de Olaria. Este último, personagem que fica no entrecruzamento dos assuntos abordados neste verbete, bem como nos exemplos tomados para ilustração do argumento: a Roda Cultural de Olaria e o Circulando - Diálogo e Comunicação na Favela.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;O tema das “artes urbanas” não é de conceituação simples e, muito menos, taxativa. Porém, quando retomamos o debate promovido pela edição do Vamos Desenrolar citado acima, é possível encontrar algumas pistas. Por exemplo, Adriana Lopes iniciou a conversa falando sobre a importância do funk e a presença potente das mulheres nesse ambiente produtivo, destacando que &amp;amp;nbsp;“a arte urbana é mais que o grafismo, a gente escreve com nossos corpos, com nossas roupas...”; Cláudio Vaz disse que não se importava de ter seus projetos copiados por outros produtores e com humor afirmou “Se fizer bem feito é bom, se não fizer bem eu vou lá e reclamo!”; Gustavo Coelho lembrou dos movimentos “xarpi” - que será retomado mais a frente -, bate bola e baile funk “A pixação não é feia, pelo contrário, tem muita delicadeza no traço”; e, por fim, mas não menos importante, MC Rico Neurótico lembrou que “A rua não é só a ferramenta, é o nosso campo de atuação..”&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;No intuito de se aproximar de uma caracterização das artes urbanas que norteie este verbete, exploraremos melhor estas pistas na próxima seção.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
== Artes Urbanas ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As falas destacadas acima nos trazem várias características das artes artes urbanas: a importância dos corpos; o apreço pela questão estética e a qualidade da obra; as possibilidades de sua prática enquanto resistência; a diversidades das linguagens que a compõem: a música, as artes plásticas (como o grafite e a pichação), as representações teatrais (como os bate-bolas citados) - aos quais podemos somar a literatura, a dança, e o audiovisual; e, ainda, a rua, ou o espaço público como lugar predominante de sua manifestação. Aqui, não abordaremos todas essas dimensões, focaremos em duas delas (sem, contudo, deixar totalmente de lado, as demais): sua pluralidade e o espaço público como seu palco principal.&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;A cidade está longe de ser um lugar que possa ser compreendido em sua totalidade. Seus habitantes cultivam estilos particulares de entretenimento, mantém vínculos de sociabilidade e relacionamento, criam modos e padrões culturais diferenciados. Marcada, então, pela sua diversidade e heterogeneidade, a cidade se encontra como lugar privilegiado para análise de uma multiplicidade de atividades e formas de participação. Dentre essas formas de participação, as expressões artísticas, em suas diversas dimensões – sonoras, visuais e performativas –, têm se mostrado um objeto relevante para se pensar essa urbe. Como veremos na realização dos festivais circulando.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;A rua, cada vez mais, tem se tornado palco de diferentes tipos de manifestações artísticas e culturais. Em uma caminhada vespertina pelo centro da cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, é possível ver músicos de rua, artistas circenses, entre outros que, encontram nesses espaços, lócus para suas atividades. Afastando-se um pouco da região central carioca, nota-se que em diversos bairros das Zonas Norte, Sul e Oeste, as praças também têm sido logradouro de manifestações deste cunho. As Rodas Culturais e, mais especificamente, a Roda de Olaria é um importante exemplo disso.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Artes urbanas e periferia&amp;amp;nbsp; ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;As relações entre cidade e favela, ou outras formas espaciais periféricas, podem ser pensadas, em suas diversas dimensões, sob a chave de uma dualidade: a importância dos corpos e energias de moradoras/es desses espaços são indispensáveis para o funcionamento da cidade como um todo; ao mesmo tempo em que há uma profunda necessidade de controle social destas populações, tendo em vista o tensionamento que sua circulação pelo espaço urbano causa. Sob este pano de fundo que devemos refletir sobre as artes urbanas produzidas e vivenciadas nas favelas.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;O caráter indispensável de moradoras/es da periferia para o funcionamento da vida citadina foi ressaltado na realização da edição de 2017 do Circulando, com o lema: “o rolé das favelas produz cidade&amp;lt;ref&amp;gt;A cada ano, o Circulando tem um mote diferente e, em alguns deles, uma camisa com seu lema é vendida no evento. Em 2017 foi rolébilidade; em 2015, com o mote da memória, a camisa trazia o lema: “Meu nome é favela, minha história também”; e, em 2018, abordando a diversidade, o slogan foi “somos juntxs”. &amp;lt;/ref&amp;gt;” - em termos concretos e simbólicos. O mote daquele ano era mobilidade urbana, ou melhor, “rolébilidade” - entendida como a forma de mobilidade periférica, com todas suas dificuldades e estratégias, desde a debilidade do transporte público até às&amp;amp;nbsp; circulações internas à favelas, pelos seus becos&amp;lt;ref&amp;gt;Ver o verbete “mobilidades”, neste dicionário.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ref&amp;gt;; um circuito que tenta, com maior ou menor sucesso, controlar o rolé de faveladas/os na cidade, permitindo a circulação precária para o trabalho, mas restringindo-a com relação ao lazer. De todo modo, a “rolébilidade” também nos permite questionar se a arte periférica também não é fundamental para a vida urbana, cimentada pela força e criatividade favelada..&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;O circulando deu o papo reto: as favelas contribuem, literalmente, para a construção das cidades, com sua mão de obra e suor, todavia, pouco conseguem gozar da urbanidade que ela proporciona, sobretudo em termos de direitos, inclusive os culturais. Estes são limitados de, ao menos, duas maneiras: invisibilizando e criminalizando suas manifestações artísticas ou negando-lhes contato com outras produções, mesmo as mais mainstream. Por exemplo, o afastamento do cinema ou de teatros.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Com relação à criminalização da produção artística, é preciso ressaltar que as populações periféricas, em geral, também são construídas como “classes perigosas”. Um fenômeno histórico que remete ao processo de urbanização na Europa do século XIX, quando há uma intensa concentração demográfica nas cidades e, consequentemente, o desencadeamento de uma série de problemas ligados à vida nestes espaços. O que teria levado ao surgimento de uma “questão urbana” como objeto de reflexão das elites políticas e intelectuais. Neste processo, a miséria e o controle social de um contingente populacional tão grande se tornou um desafio quase intransponível. Uma das tentativas de solucioná-lo passou pela divisão das pessoas entre uma “classe operária respeitável”, que querem emprego, mas não o encontram e se comportam de modo disciplinado e moralmente aceito em sociedade; das massas empobrecidas, ou “classes perigosas”, incorrigíveis e incontroláveis, fonte de três perigos para as elites urbanas: o sanitário, o da criminalidade e da sublevação política (Topalov, 2015; Foucault, 2005).&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Este último risco talvez seja a preocupação mais efetiva dessas elites urbanas, ainda que nem tanto das classes médias, capturadas pelo discurso do medo e da segurança pública. A predominância de um discurso que ressalta, cotidiana e midiaticamente, os perigos de uma “violência urbana” acaba compondo um dispositivo que justifica ações de controle dos riscos reais da transformação política desencadeada pelas classes ditas “perigosas”. Como, por exemplo, na criminalização de práticas artísticas faveladas ao longo da história do Rio de Janeiro que tinha como alvo o samba, no início do século XX, e passa a ter como inimigo no fim deste século e início do XXI, o funk. Ambas formas culturais que descrevem e, em alguma medida, denunciam as condições de vida de seus compositores.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Mas, essa criminalização não é um processo contra o qual não se poder resistir. A relação das elites urbanas com as populações periféricas é muito mais sutil e complexa, do que a de uma mera subordinação.&amp;amp;nbsp; E uma chave para entendermos isso é dada, novamente, por Christian Topalov (2015), historiador francês. Essa interação tomaria forma num jogo de apropriações e ressignificações de práticas realizado pelas elites urbanas e as populações mais pobres. Nas quais práticas populares de resistência são apreendidas por tais elites, que as reconfiguram de modo a esvaziá-las de seu teor político; ao mesmo tempo em que, ainda que em menor grau, práticas de controle social podem ser repensadas e reconstruídas de modo que possam também se tornar veículos de contestação social e políticas (Topalov, 2015).&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Neste sentido, e voltando à questão do samba e do funk, vemos a complexidade de um dispositivo de controle social que é econômico e repressivo. Com o passar do tempo, esses ritmos foram depurados e aceitos em outros espaços da cidade. Assim, por exemplo, seguem as repressões às festas e eventos nas favelas, ao som de funk, principalmente, mas ainda do samba também, ao mesmo tempo em que essas músicas bombam em eventos caros das zonas mais abastadas da cidade, ou ao som do cantor Thiaguinho em sua “tardezinha” no estádio do Maracanã. Quer dizer, as práticas culturas periféricas são aceitas quando estão desassociadas de seus lugares de origem e entram em circuitos lucrativos da indústria cultural, mas seguem sendo marginalizadas quando são indóceis demais para serem controladas e entrarem no jogo econômico.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Por outro lado, há ressignificações também em sentido contrário, produzindo resistências. Isso podemos ver em eventos como a Roda de Olaria e o Circulando, onde práticas culturais de elites não são negadas, pelo contrário, são apropriadas e recebem um sentido político novo, de contestação e reinvenção de significados. Deste modo, por exemplo, o Circulando conta em muitas de suas edições com apresentações teatrais, levadas a cabo, pelo grupo Teatro da Laje, coordenado pelo professor Veríssimo Júnior; ou através da poesia, cujos limites são totalmente ampliados e transformados, sem perder seu lirismo, na Roda de Olaria.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Assim, tal como propomos aqui, pensar a relação entre as artes urbanas e a periferia é reconhecer que sua riqueza, diversidade e capacidade de ocupar o espaço público estão envolvidas numa complexa prática de criminalização que envolve uma seleção e depuração de práticas que podem atender a certos circuitos lucrativos (e que passam a ser legítimas e aceitas na sociedade) de outras que seguiram como ferramentas de controle social. Ao mesmo tempo em que, esse controle não é fácil e confortável, mas que é constantemente tensionado pela reinventidade (mote do Circulando de 2016) favelada e periférica, que produz ou ressignifica artes mais consagradas.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
== &#039;&#039;&#039;&amp;amp;nbsp;A Roda de Olaria&#039;&#039;&#039; ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;As rodas culturais também nos permitem perceber como a arte urbana e periférica, em suas múltiplas dimensões, é capaz de cimentar a vida na cidade ressignificando o espaço público. É possível contabilizar mais de cem rodas culturais que ocorrem diariamente, em diversos lugares da cidade, com a participação aberta a todo e qualquer artista e de forma gratuita (Alves, 2016). Em grande medida, elas se configuram como eventos independentes, sem aportes financeiros ou institucionais de prefeituras e secretarias de cultura, cuja finalidade é ocupar o espaço público para incentivar, valorizar e promover arte, cultura e entretenimento gratuito para os mais diversos habitantes citadinos.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;As Rodas Culturais são uma teia de artistas e trabalhadores independentes, como poetas, fotógrafos, Mcs, músicos, grafiteiros, artistas plásticos, artistas circenses, atores, profissionais do audiovisual, esportistas urbanos etc. Essa rede unifica, intensifica e expande a sustentabilidade da cultura de rua dos bairros cariocas&amp;lt;ref&amp;gt;Disponível em: &amp;lt;https://www.facebook.com/pg/circuitocariocaderitmoepoesia/about/?ref=page_internal&amp;gt;. Acesso em: 29/02/2020.&amp;lt;/ref&amp;gt;.&#039;&#039;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Foi na 3ª edição do Vamos Desenrolar sobre Arte Urbana que Rico, MC e produtor cultural da Roda de Olaria&amp;lt;ref&amp;gt;A Roda de Olaria possuía até o ano de 2018 três produtores culturais: Laércio Soares Corrêa, Bruno Teixeira e Felippe Massal. Eles são conhecidos por seus amigos mais próximos como Rico, Bruno Xédom ou “Xerélos” e Massal. Rico é MC e lutador de Jiu-Jtsu, Bruno é tatuador e grafiteiro, e Felippe Massal faz graduação em Direito é responsável por fazer as filmagens das batalhas e fotografias do evento. &amp;lt;/ref&amp;gt; falou sobre a importância deste tipo de evento na construção dos espaços que geralmente são reconhecidos como vazios ou ausentes de políticas públicas culturais. Em contrapartida, o MC ressaltou uma série de dificuldades que a Roda de Olaria&amp;lt;ref&amp;gt;Bem como outras Rodas Culturais cariocas.&amp;lt;/ref&amp;gt; sempre enfrentou desde que começou a ocupar as Quadras Gêmeas em 2012.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Segundo Rico, no início era apenas um encontro despretencioso de amigos MCs que, nas noites de quintas-feiras, levavam violões e cajóns para a praça, e se sentavam em roda para conversar e improvisar algumas rimas sob uma tenda branca. Com o passar do tempo o público foi ficando cada vez maior e as Quadras Gêmeas passaram a se tornar palco de um encontro protagonizado por pessoas de diferentes faixas etárias, moradores do bairro de Olaria e adjacências.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;No entanto, Rico afirmou que a história da Roda de Olaria é de uma luta constante por conta de uma série de problemáticas que os produtores precisavam administrar: desde a falta de dinheiro para alugar os equipamentos, negociações para conseguir o Nada Opor&amp;lt;ref&amp;gt;Alvará de Autorização Transitória para eventos em geral: culturais, sociais, desportivos, religiosos e quaisquer outros que promovam concentrações de pessoas. No caso das rodas culturais, este alvará precisava ser emitido pelo Batalhão da Polícia Militar do bairro.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ref&amp;gt; às repressões policiais durante o evento. No encontro, o MC enfatizou: “a única forma que a gente tem de diálogo com o poder público é de forma ‘truculenta’, que é com a polícia. A polícia não entende quando você chega num espaço e quer ocupar para mudança; é revitalização do espaço a princípio de tudo. Tivemos essa truculência com a polícia, mas mesmo assim a gente continuou fazendo.”&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Um dos primeiros impactos foi uma multa. Em uma das quintas-feiras do ano de 2015 enquanto Rico, Felippe, Bruno e outros amigos começavam a montar o som, chegou, nas palavras de Rico, “um cidadão” da IRLF (Inspetorias Regionais de Licenciamento e Fiscalização) e disse que não poderiam realizar o evento. Por conta de todo esse transtorno em relação à multa, a Roda ficou temporariamente parada, mas depois de um curto período de tempo, as atividades foram retomadas. No entanto, duas semanas depois, dois policiais militares do 16º Batalhão de Olaria interromperam o evento e exigiram a retirada das caixas de som e esvaziamento do local.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Semanalmente o alvará que permitiria o funcionamento da Roda precisava ser negociado e renegociado com o batalhão do bairro. Isto significou, durante todo o ano de 2016, que a Roda legalmente estava proibida de acontecer. Frente a isso, os produtores criaram um movimento que denominaram “Resistência Cultural”. No total, foram quatorze encontros de “resistência” com atividades diversas: desde campeonatos de basquete e skate a batalhas de rimas, exposições de telas e debates. Após o último encontro, a Roda de Olaria conseguiu novamente o alvará e retomou as atividades Porém, vale notar que, múltiplas formas de silenciamentos, repressões e denúncias continuaram a ocorrer.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Assim sendo, os produtores culturais da Roda de Olaria encontram, em meio às dificuldades de realizar a Roda, suas próprias formas de uso da praça; suas próprias maneiras de fazer (Certeau, 1994). É neste contexto que o trio de produtores vêm desde 2012 “resistindo” e fazendo da rua, nas palavras de Rico, seu “campo de atuação”.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;No dia 9 de janeiro de 2018 houve a promulgação da Lei Estadual nº 7837 que declara Patrimônio Cultural Imaterial do estado do Rio de Janeiro a cultura hip-hop e todas as suas manifestações artísticas. Deste modo, as rodas culturais finalmente estariam dispensadas da prévia autorização da Polícia Militar. Ainda assim, é válido salientar que a dificuldade de manter o evento continua grande. Mesmo amparada pela lei, os produtores não possuem qualquer aporte financeiro ou institucional. Consequentemente, não conseguem arcar com todos os custos para sua realização. Hoje, as reuniões da Roda de Olaria ocorrem com pouquíssima frenquência.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
== &#039;&#039;&#039;Circulando&#039;&#039;&#039; ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;O Circulando -&amp;amp;nbsp; Diálogo e Comunicação na favela é um evento realizado pelo Instituto Raízes em Movimento desde 2007. Atualmente, ele tem uma regularidade anual, mas já foi realizado mais de uma vez por ano, quando necessário, até o ano de 2010. Ele, começa a ser gerido em 2006, em parceria com o Observatório de Favelas e a Escola Popular de Comunicação Crítica (ESPOCC), tendo sua primeira edição realizada no ano seguinte. Trata-se de um evento de artes, cultura e comunicação. A propósito, o nome do evento surge já nas primeiras reuniões de produção da primeira edição. E, em ata de 2006, assim ficou registrado a importância de comunicação e direito de expressão e manifestação de modo ativo.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;A importância e o direito de todos se expressarem, se manifestarem de forma ativa e por meios ativos, de ganharem visibilidade e partilharem idéias e visões diferentes de mundo. Ainda, a importância de se chamar a atenção para o potencial expressivo e “comunicador” de cada indivíduo e meios que, às vezes, muita gente não vê como meios de transmissão de mensagens. E a importância de se chamar a atenção para a forma estereotipada como os chamados meios de comunicação de massa retratam as comunidades populares e de se indicar, quando não viabilizar, possibilidades de abordagens diferenciadas sobre essas comunidades, por essas comunidades (INSTITUTO RAÍZES EM MOVIMENTO, 2017, p. 139).&#039;&#039;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;É importante começar destacando o aspecto de comunicação que caracteriza o evento. Trata-se de uma dimensão de dupla direção. Quer dizer, por um lado, o Circulando tem uma preocupação inicial de dialogar com as/os moradoras/es do Complexo do Alemão; inicialmente, trazendo informações e conteúdos produzidos por atores não locais e difundindo-os favela adentro, mas também, e sobretudo, nos anos mais recentes, têm sido uma maneira do Instituto Raízes em Movimento, apresentar sua produção anual para a localidade. Neste, sentido é (se) comunicar de modo crítico e dialogado com o local que dá sentido à existência da organização, e cuja relação de pertencimento muitas vezes é construída pela mídia tradicional, com seus sangrentos telejornais, entretenimentos baratos e programas evangélicos pentecostais. É nessa seara de luta e produção de narrativas, que o Circulando se insere primeiramente.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Por outro lado, é falar para fora também, tensionar as representações sobre o Complexo do Alemão, que produzem efeitos concretos muito nocivos para o bairro. Por exemplo, no ano de 2010, duas semanas após a megaoperação de ocupação militarizada do Complexo do Alemão, foi realizado uma edição “extra” do Circulando, montado com urgência, mas sem perder a eficiência, para refletir sobre tudo o que estava acontecendo. Para tanto, foi fundamental a ocupação do espaço público, para levar à cidade novos sentido sobre a vida no bairro, com suas dificuldades e diversidades. Uma ferramenta de comunicação de base, interna e externa, através da ocupação do espaço público local, produzindo afetos e solidariedade, este é, o primeiro objetivo do Circulando.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Nisto temos o comum que se transmuta na multiplicidade, como diversidade, reconhecimento de uma nova configuração dos processos de organização de sujeitos democráticos capazes de expressar potência política (filosófica, estética), que atua de modo horizontal e, portanto, num espaço que lhe permita criar modos de vida, de sentir, ver, agir, ouvir de maneiras diferentes a partir das múltiplas experiências, inclusive do modo de ocupação do espaço – as ruas, becos e vielas, ligam-se e interligam-se, conectam-se e desconectam-se com aquilo que de mais potente tem do que nomeamos cidade: a vida. Compreendendo isso, o Circulando - Diálogo e comunicação na favela propõe alargar, circular, comunicar sob as mais diversas formas de expressão artísticas que compõem a favela. Isso implicar dizer que a favela além de produzir arte, ela produz vida como forma de existência.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Aqui nos reconectamos com o objetivo central do verbete e podemos mesmo afirmar que, falar da produção das artes urbanas é falar da produção da vida na cidade. O que nos remete aos já citados, direitos culturais, como um bem social e o exercício da liberdade de expressão e pensamento. E aqui, sua dimensão principal é a diversidade dos gêneros artísticos que compõem o evento, ressignificando, como apresentado na seção dois deste texto: as formas hegemônicas de produção artística e cultural.&amp;amp;nbsp; São diversas linguagens que se apresentam no Circulando: grafite, poesia, cinema, teatro, música, fotografia e dança. Às quais se somam outras atividades, voltadas para brincadeira de criança, informativos para serviço públicos e outras organizações locais, e ações de cunho mais acadêmico, como lançamento de livros ou rodas de debates/conversa.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Essa dimensão artística do Circulando também é uma via de mão dupla interna e externa ao Complexo do Alemão, na chave da arte e cultura como um direito. Por um lado, visa dar espaço e apresentar a produção local às/aos moradoras/es do bairro, mas também aos visitantes que vêm de outros lugares para participar do evento. Desta forma,são convidadas bandas - como o Bloco de samba da Grota - ou ainda cantoras/es, poetas, fotógrafas/os ou grafiteiras/os locais; ou abre-se espaço para o já citado Teatro da Laje ou ao bloco das águas, do bairro vizinho da Penha.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Por outro lado, há convidados, “de fora”, que compartilham produções pouco acessíveis ao Complexo do Alemão, seja pela falta de apoio para garantir sua difusão em comparação às produções mais lucrativas, seja porque certas produções de organizações parceiras, dificilmente seriam conhecidas localmente, sem a mediação do Instituto Raízes em Movimento, através do Circulando. Podemos citar, a título de ilustração, as participações de fora até do estado do Rio de Janeiro, como a Orquestra Afrobeat Anjos e Querubins e de Juninho, Iracema, Lemuel diretamente da aldeia Tupinambá de Itapoã, em Ilhéus na Bahia.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Neste sentido, poderíamos também, definir o Circulando como um festival de artes urbanas, com diversas linguagens sendo apresentadas no espaço público periférico. Mantendo seus compromissos com a comunicação e produção de narrativas críticas sobre as favelas, voltado para dialogar com a cidade do Rio de Janeiro como um todo, mas também para dentro do espaço onde é realizado e o ponto de partida para toda sua formulação, o Complexo do Alemão.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
== &#039;&#039;&#039;Considerações finais.&amp;amp;nbsp;&#039;&#039;&#039; ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Os exemplos da Roda de Olaria e do Circulando ilustram bem a ideia de falar em “artes urbanas” para tratar da produção cultural oriunda das populações faveladas, por conta de duas de suas características: a primeira é a diversidade de manifestações (por isso, o plural) e a fuga de um concepção de arte pensada a partir de um parâmetro estético mais estático, que considera apenas as formas mais hegemônicas e legitimadas, muitas vezes condensadas no que se costuma chamar de cultura erudita; a segunda, que diz mais respeito ao adjetivo “urbano”, aponta para o espaço por excelência de dessa produção cultural, que é o espaço público, da cidade.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Todavia, retomando as pistas oferecidas pelo debate promovido no encontro sobre “artes urbanas” do Vamos Desenrolar citado lá no começo do texto, vemos que também estão envolvidas as questões do corpo, da resistência e do apuro estético. Esse conjunto de elementos nos abre um mar de possibilidades de reflexão em torno do triângulo: arte, favelas e cidades.&amp;amp;nbsp; &amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
== &#039;&#039;&#039;Referências bibliográficas&#039;&#039;&#039; ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;ALVES, Rôssi. Resistência e empoderamento na literatura urbana carioca. Estudos de literatura brasileira contemporânea, n. 49, p. 183-202, set./dez. 2016.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;CERTEAU, Michel de. A invenção do cotidiano: 1. artes de fazer. Petrópolis, RJ: Vozes, 1994.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;FOUCAULT, Michel.&amp;amp;nbsp; O Nascimento da Medicina Social. In.: FOUCAULT, Michel. Microfísica do Poder. 20ª edição. Rio de Janeiro, Graal, 2005, pp.79-98.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;INSTITUTO RAÍZES EM MOVIMENTO. Instituto Raízes em Movimento: um canto à experiência. In.: SANTOS JÚNIOR, Orlando Alves do; NOVAES, Patrícia Ramos; LACERDA, Larissa; WERNECK, Mariana (Orgs.). Caderno Didático “Políticas Públicas e Direito à Cidade: Programa Interdisciplinar de Formação de Agentes Sociais”, Observatório das Metrópoles, 2017, 135-142)&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;OLIVEIRA, Priscila Telles de. Roda Cultural de Olaria: &amp;quot;resistência&amp;quot; e formas de atuação. 2018, 149f. Dissertação (Mestrado em Antropologia) ,Universidade Federal Fluminense (UFF). Niterói, 2018.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;TOPALOV, Christian. Da questão social aos problemas urbanos: os reformadores e a população das metrópoles em princípios do século XX. In.: RIBEIRO, Luiz Cesar Queiroz; PECHMAN, Robert Moses (Org.). Cidade, povo e nação: gênese do urbanismo moderno. Rio de Janeiro, Letra Capital, Observatório das Metrópoles, INCT, 2015, pp. 23 – 52. Disponível em: [http://web.observatoriodasmetropoles.net/images/abook_file/cidade_povo_nacao2ed.pdf http://web.observatoriodasmetropoles.net/images/abook_file/cidade_povo_nacao2ed.pdf].&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt;  &lt;br /&gt;
[[Category:Arte Urbana]] [[Category:Grafite]] [[Category:Arte]] [[Category:Cultura]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Thiago Matiolli</name></author>
	</entry>
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		<id>https://homologacao2.wikifavelas.com.br/index.php?title=Artes_urbanas_e_favelas&amp;diff=4353</id>
		<title>Artes urbanas e favelas</title>
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		<updated>2020-03-01T23:27:03Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Thiago Matiolli: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Por Pricila Telles e&amp;amp;nbsp;[https://wikifavelas.com.br/index.php?title=Usuário:Thiago_Matiolli Thiago Matiolli]&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;No dia 05 de novembro de 2016, um sábado chuvoso, o Instituto Raízes em Movimento&amp;lt;ref&amp;gt;Para maiores informações sobre a organização, ver o verbete “Instituto Raízes em Movimento”, neste dicionário. &amp;lt;/ref&amp;gt; realizou o 3º encontro do Vamos Desenrolar - Oficina de Produção de Memórias e Conhecimento&amp;lt;ref&amp;gt; Para saber mais sobre o evento, ver o Verbete “Vamos Desenrolar”, neste dicionário. &amp;lt;/ref&amp;gt;, que abordava as artes urbanas. As discussões trataram do campo das expressões culturais na cidade em espaços abertos, favelas, praças públicas, ruas… A proposta foi refletir sobre as resistências e criatividade na construção desses espaços que geralmente são construídos no vácuo de políticas públicas culturais e na busca de expressões libertárias. O encontro trouxe à superfície experiências musicais, grafite, teatro, saraus, rodas culturais, enfim, caminhos alternativos de apropriação e combate à indústria cultural de massa. Os Dinamizadores foram: Adriana Lopes: pesquisadora e professora da UFRRJ; Carlos Meijueiro: pesquisador e ativista cultural; Cláudio Vaz: professor de artes e ativista cultural; Gustavo Coelho: pesquisador sobre pichação e outras culturas de rua (diretor do documentário “Luz Câmera, Pichação”); e Rico Neurótico: MC&amp;lt;ref&amp;gt;O termo MC é uma adaptação do inglês master of cerimony, que significa Mestre de Cerimônia. É aquele (a) que, enquanto a é tocada, elabora, recita e canta suas rimas e poesias. &lt;br /&gt;
&amp;lt;/ref&amp;gt; e produtor cultural da Roda Cultural de Olaria. Este último, personagem que fica no entrecruzamento dos assuntos abordados neste verbete, bem como nos exemplos tomados para ilustração do argumento: a Roda Cultural de Olaria e o Circulando - Diálogo e Comunicação na Favela.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;O tema das “artes urbanas” não é de conceituação simples e, muito menos, taxativa. Porém, quando retomamos o debate promovido pela edição do Vamos Desenrolar citado acima, é possível encontrar algumas pistas. Por exemplo, Adriana Lopes iniciou a conversa falando sobre a importância do funk e a presença potente das mulheres nesse ambiente produtivo, destacando que &amp;amp;nbsp;“a arte urbana é mais que o grafismo, a gente escreve com nossos corpos, com nossas roupas...”; Cláudio Vaz disse que não se importava de ter seus projetos copiados por outros produtores e com humor afirmou “Se fizer bem feito é bom, se não fizer bem eu vou lá e reclamo!”; Gustavo Coelho lembrou dos movimentos “xarpi” - que será retomado mais a frente -, bate bola e baile funk “A pixação não é feia, pelo contrário, tem muita delicadeza no traço”; e, por fim, mas não menos importante, MC Rico Neurótico lembrou que “A rua não é só a ferramenta, é o nosso campo de atuação..”&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;No intuito de se aproximar de uma caracterização das artes urbanas que norteie este verbete, exploraremos melhor estas pistas na próxima seção.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
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== Artes Urbanas ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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As falas destacadas acima nos trazem várias características das artes artes urbanas: a importância dos corpos; o apreço pela questão estética e a qualidade da obra; as possibilidades de sua prática enquanto resistência; a diversidades das linguagens que a compõem: a música, as artes plásticas (como o grafite e a pichação), as representações teatrais (como os bate-bolas citados) - aos quais podemos somar a literatura, a dança, e o audiovisual; e, ainda, a rua, ou o espaço público como lugar predominante de sua manifestação. Aqui, não abordaremos todas essas dimensões, focaremos em duas delas (sem, contudo, deixar totalmente de lado, as demais): sua pluralidade e o espaço público como seu palco principal.&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;A cidade está longe de ser um lugar que possa ser compreendido em sua totalidade. Seus habitantes cultivam estilos particulares de entretenimento, mantém vínculos de sociabilidade e relacionamento, criam modos e padrões culturais diferenciados. Marcada, então, pela sua diversidade e heterogeneidade, a cidade se encontra como lugar privilegiado para análise de uma multiplicidade de atividades e formas de participação. Dentre essas formas de participação, as expressões artísticas, em suas diversas dimensões – sonoras, visuais e performativas –, têm se mostrado um objeto relevante para se pensar essa urbe. Como veremos na realização dos festivais circulando.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;A rua, cada vez mais, tem se tornado palco de diferentes tipos de manifestações artísticas e culturais. Em uma caminhada vespertina pelo centro da cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, é possível ver músicos de rua, artistas circenses, entre outros que, encontram nesses espaços, lócus para suas atividades. Afastando-se um pouco da região central carioca, nota-se que em diversos bairros das Zonas Norte, Sul e Oeste, as praças também têm sido logradouro de manifestações deste cunho. As Rodas Culturais e, mais especificamente, a Roda de Olaria é um importante exemplo disso.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
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==== Artes urbanas e periferia&amp;amp;nbsp; ====&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;As relações entre cidade e favela, ou outras formas espaciais periféricas, podem ser pensadas, em suas diversas dimensões, sob a chave de uma dualidade: a importância dos corpos e energias de moradoras/es desses espaços são indispensáveis para o funcionamento da cidade como um todo; ao mesmo tempo em que há uma profunda necessidade de controle social destas populações, tendo em vista o tensionamento que sua circulação pelo espaço urbano causa. Sob este pano de fundo que devemos refletir sobre as artes urbanas produzidas e vivenciadas nas favelas.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;O caráter indispensável de moradoras/es da periferia para o funcionamento da vida citadina foi ressaltado na realização da edição de 2017 do Circulando, com o lema: “o rolé das favelas produz cidade&amp;lt;ref&amp;gt;A cada ano, o Circulando tem um mote diferente e, em alguns deles, uma camisa com seu lema é vendida no evento. Em 2017 foi rolébilidade; em 2015, com o mote da memória, a camisa trazia o lema: “Meu nome é favela, minha história também”; e, em 2018, abordando a diversidade, o slogan foi “somos juntxs”. &amp;lt;/ref&amp;gt;” - em termos concretos e simbólicos. O mote daquele ano era mobilidade urbana, ou melhor, “rolébilidade” - entendida como a forma de mobilidade periférica, com todas suas dificuldades e estratégias, desde a debilidade do transporte público até às&amp;amp;nbsp; circulações internas à favelas, pelos seus becos&amp;lt;ref&amp;gt;Ver o verbete “mobilidades”, neste dicionário.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ref&amp;gt;; um circuito que tenta, com maior ou menor sucesso, controlar o rolé de faveladas/os na cidade, permitindo a circulação precária para o trabalho, mas restringindo-a com relação ao lazer. De todo modo, a “rolébilidade” também nos permite questionar se a arte periférica também não é fundamental para a vida urbana, cimentada pela força e criatividade favelada..&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;O circulando deu o papo reto: as favelas contribuem, literalmente, para a construção das cidades, com sua mão de obra e suor, todavia, pouco conseguem gozar da urbanidade que ela proporciona, sobretudo em termos de direitos, inclusive os culturais. Estes são limitados de, ao menos, duas maneiras: invisibilizando e criminalizando suas manifestações artísticas ou negando-lhes contato com outras produções, mesmo as mais mainstream. Por exemplo, o afastamento do cinema ou de teatros.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Com relação à criminalização da produção artística, é preciso ressaltar que as populações periféricas, em geral, também são construídas como “classes perigosas”. Um fenômeno histórico que remete ao processo de urbanização na Europa do século XIX, quando há uma intensa concentração demográfica nas cidades e, consequentemente, o desencadeamento de uma série de problemas ligados à vida nestes espaços. O que teria levado ao surgimento de uma “questão urbana” como objeto de reflexão das elites políticas e intelectuais. Neste processo, a miséria e o controle social de um contingente populacional tão grande se tornou um desafio quase intransponível. Uma das tentativas de solucioná-lo passou pela divisão das pessoas entre uma “classe operária respeitável”, que querem emprego, mas não o encontram e se comportam de modo disciplinado e moralmente aceito em sociedade; das massas empobrecidas, ou “classes perigosas”, incorrigíveis e incontroláveis, fonte de três perigos para as elites urbanas: o sanitário, o da criminalidade e da sublevação política (Topalov, 2015; Foucault, 2005).&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Este último risco talvez seja a preocupação mais efetiva dessas elites urbanas, ainda que nem tanto das classes médias, capturadas pelo discurso do medo e da segurança pública. A predominância de um discurso que ressalta, cotidiana e midiaticamente, os perigos de uma “violência urbana” acaba compondo um dispositivo que justifica ações de controle dos riscos reais da transformação política desencadeada pelas classes ditas “perigosas”. Como, por exemplo, na criminalização de práticas artísticas faveladas ao longo da história do Rio de Janeiro que tinha como alvo o samba, no início do século XX, e passa a ter como inimigo no fim deste século e início do XXI, o funk. Ambas formas culturais que descrevem e, em alguma medida, denunciam as condições de vida de seus compositores.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Mas, essa criminalização não é um processo contra o qual não se poder resistir. A relação das elites urbanas com as populações periféricas é muito mais sutil e complexa, do que a de uma mera subordinação.&amp;amp;nbsp; E uma chave para entendermos isso é dada, novamente, por Christian Topalov (2015), historiador francês. Essa interação tomaria forma num jogo de apropriações e ressignificações de práticas realizado pelas elites urbanas e as populações mais pobres. Nas quais práticas populares de resistência são apreendidas por tais elites, que as reconfiguram de modo a esvaziá-las de seu teor político; ao mesmo tempo em que, ainda que em menor grau, práticas de controle social podem ser repensadas e reconstruídas de modo que possam também se tornar veículos de contestação social e políticas (Topalov, 2015).&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Neste sentido, e voltando à questão do samba e do funk, vemos a complexidade de um dispositivo de controle social que é econômico e repressivo. Com o passar do tempo, esses ritmos foram depurados e aceitos em outros espaços da cidade. Assim, por exemplo, seguem as repressões às festas e eventos nas favelas, ao som de funk, principalmente, mas ainda do samba também, ao mesmo tempo em que essas músicas bombam em eventos caros das zonas mais abastadas da cidade, ou ao som do cantor Thiaguinho em sua “tardezinha” no estádio do Maracanã. Quer dizer, as práticas culturas periféricas são aceitas quando estão desassociadas de seus lugares de origem e entram em circuitos lucrativos da indústria cultural, mas seguem sendo marginalizadas quando são indóceis demais para serem controladas e entrarem no jogo econômico.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Por outro lado, há ressignificações também em sentido contrário, produzindo resistências. Isso podemos ver em eventos como a Roda de Olaria e o Circulando, onde práticas culturais de elites não são negadas, pelo contrário, são apropriadas e recebem um sentido político novo, de contestação e reinvenção de significados. Deste modo, por exemplo, o Circulando conta em muitas de suas edições com apresentações teatrais, levadas a cabo, pelo grupo Teatro da Laje, coordenado pelo professor Veríssimo Júnior; ou através da poesia, cujos limites são totalmente ampliados e transformados, sem perder seu lirismo, na Roda de Olaria.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Assim, tal como propomos aqui, pensar a relação entre as artes urbanas e a periferia é reconhecer que sua riqueza, diversidade e capacidade de ocupar o espaço público estão envolvidas numa complexa prática de criminalização que envolve uma seleção e depuração de práticas que podem atender a certos circuitos lucrativos (e que passam a ser legítimas e aceitas na sociedade) de outras que seguiram como ferramentas de controle social. Ao mesmo tempo em que, esse controle não é fácil e confortável, mas que é constantemente tensionado pela reinventidade (mote do Circulando de 2016) favelada e periférica, que produz ou ressignifica artes mais consagradas.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== &#039;&#039;&#039;&amp;amp;nbsp;A Roda de Olaria&#039;&#039;&#039; ====&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;As rodas culturais também nos permitem perceber como a arte urbana e periférica, em suas múltiplas dimensões, é capaz de cimentar a vida na cidade ressignificando o espaço público. É possível contabilizar mais de cem rodas culturais que ocorrem diariamente, em diversos lugares da cidade, com a participação aberta a todo e qualquer artista e de forma gratuita (Alves, 2016). Em grande medida, elas se configuram como eventos independentes, sem aportes financeiros ou institucionais de prefeituras e secretarias de cultura, cuja finalidade é ocupar o espaço público para incentivar, valorizar e promover arte, cultura e entretenimento gratuito para os mais diversos habitantes citadinos.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;As Rodas Culturais são uma teia de artistas e trabalhadores independentes, como poetas, fotógrafos, Mcs, músicos, grafiteiros, artistas plásticos, artistas circenses, atores, profissionais do audiovisual, esportistas urbanos etc. Essa rede unifica, intensifica e expande a sustentabilidade da cultura de rua dos bairros cariocas&amp;lt;ref&amp;gt;Disponível em: &amp;lt;https://www.facebook.com/pg/circuitocariocaderitmoepoesia/about/?ref=page_internal&amp;gt;. Acesso em: 29/02/2020.&amp;lt;/ref&amp;gt;.&#039;&#039;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Foi na 3ª edição do Vamos Desenrolar sobre Arte Urbana que Rico, MC e produtor cultural da Roda de Olaria&amp;lt;ref&amp;gt;A Roda de Olaria possuía até o ano de 2018 três produtores culturais: Laércio Soares Corrêa, Bruno Teixeira e Felippe Massal. Eles são conhecidos por seus amigos mais próximos como Rico, Bruno Xédom ou “Xerélos” e Massal. Rico é MC e lutador de Jiu-Jtsu, Bruno é tatuador e grafiteiro, e Felippe Massal faz graduação em Direito é responsável por fazer as filmagens das batalhas e fotografias do evento. &amp;lt;/ref&amp;gt; falou sobre a importância deste tipo de evento na construção dos espaços que geralmente são reconhecidos como vazios ou ausentes de políticas públicas culturais. Em contrapartida, o MC ressaltou uma série de dificuldades que a Roda de Olaria&amp;lt;ref&amp;gt;Bem como outras Rodas Culturais cariocas.&amp;lt;/ref&amp;gt; sempre enfrentou desde que começou a ocupar as Quadras Gêmeas em 2012.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Segundo Rico, no início era apenas um encontro despretencioso de amigos MCs que, nas noites de quintas-feiras, levavam violões e cajóns para a praça, e se sentavam em roda para conversar e improvisar algumas rimas sob uma tenda branca. Com o passar do tempo o público foi ficando cada vez maior e as Quadras Gêmeas passaram a se tornar palco de um encontro protagonizado por pessoas de diferentes faixas etárias, moradores do bairro de Olaria e adjacências.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;No entanto, Rico afirmou que a história da Roda de Olaria é de uma luta constante por conta de uma série de problemáticas que os produtores precisavam administrar: desde a falta de dinheiro para alugar os equipamentos, negociações para conseguir o Nada Opor&amp;lt;ref&amp;gt;Alvará de Autorização Transitória para eventos em geral: culturais, sociais, desportivos, religiosos e quaisquer outros que promovam concentrações de pessoas. No caso das rodas culturais, este alvará precisava ser emitido pelo Batalhão da Polícia Militar do bairro.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ref&amp;gt; às repressões policiais durante o evento. No encontro, o MC enfatizou: “a única forma que a gente tem de diálogo com o poder público é de forma ‘truculenta’, que é com a polícia. A polícia não entende quando você chega num espaço e quer ocupar para mudança; é revitalização do espaço a princípio de tudo. Tivemos essa truculência com a polícia, mas mesmo assim a gente continuou fazendo.”&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Um dos primeiros impactos foi uma multa. Em uma das quintas-feiras do ano de 2015 enquanto Rico, Felippe, Bruno e outros amigos começavam a montar o som, chegou, nas palavras de Rico, “um cidadão” da IRLF (Inspetorias Regionais de Licenciamento e Fiscalização) e disse que não poderiam realizar o evento. Por conta de todo esse transtorno em relação à multa, a Roda ficou temporariamente parada, mas depois de um curto período de tempo, as atividades foram retomadas. No entanto, duas semanas depois, dois policiais militares do 16º Batalhão de Olaria interromperam o evento e exigiram a retirada das caixas de som e esvaziamento do local.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Semanalmente o alvará que permitiria o funcionamento da Roda precisava ser negociado e renegociado com o batalhão do bairro. Isto significou, durante todo o ano de 2016, que a Roda legalmente estava proibida de acontecer. Frente a isso, os produtores criaram um movimento que denominaram “Resistência Cultural”. No total, foram quatorze encontros de “resistência” com atividades diversas: desde campeonatos de basquete e skate a batalhas de rimas, exposições de telas e debates. Após o último encontro, a Roda de Olaria conseguiu novamente o alvará e retomou as atividades Porém, vale notar que, múltiplas formas de silenciamentos, repressões e denúncias continuaram a ocorrer.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Assim sendo, os produtores culturais da Roda de Olaria encontram, em meio às dificuldades de realizar a Roda, suas próprias formas de uso da praça; suas próprias maneiras de fazer (Certeau, 1994). É neste contexto que o trio de produtores vêm desde 2012 “resistindo” e fazendo da rua, nas palavras de Rico, seu “campo de atuação”.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;No dia 9 de janeiro de 2018 houve a promulgação da Lei Estadual nº 7837 que declara Patrimônio Cultural Imaterial do estado do Rio de Janeiro a cultura hip-hop e todas as suas manifestações artísticas. Deste modo, as rodas culturais finalmente estariam dispensadas da prévia autorização da Polícia Militar. Ainda assim, é válido salientar que a dificuldade de manter o evento continua grande. Mesmo amparada pela lei, os produtores não possuem qualquer aporte financeiro ou institucional. Consequentemente, não conseguem arcar com todos os custos para sua realização. Hoje, as reuniões da Roda de Olaria ocorrem com pouquíssima frenquência.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
==== &#039;&#039;&#039;Circulando&#039;&#039;&#039; ====&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;O Circulando -&amp;amp;nbsp; Diálogo e Comunicação na favela é um evento realizado pelo Instituto Raízes em Movimento desde 2007. Atualmente, ele tem uma regularidade anual, mas já foi realizado mais de uma vez por ano, quando necessário, até o ano de 2010. Ele, começa a ser gerido em 2006, em parceria com o Observatório de Favelas e a Escola Popular de Comunicação Crítica (ESPOCC), tendo sua primeira edição realizada no ano seguinte. Trata-se de um evento de artes, cultura e comunicação. A propósito, o nome do evento surge já nas primeiras reuniões de produção da primeira edição. E, em ata de 2006, assim ficou registrado a importância de comunicação e direito de expressão e manifestação de modo ativo.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;A importância e o direito de todos se expressarem, se manifestarem de forma ativa e por meios ativos, de ganharem visibilidade e partilharem idéias e visões diferentes de mundo. Ainda, a importância de se chamar a atenção para o potencial expressivo e “comunicador” de cada indivíduo e meios que, às vezes, muita gente não vê como meios de transmissão de mensagens. E a importância de se chamar a atenção para a forma estereotipada como os chamados meios de comunicação de massa retratam as comunidades populares e de se indicar, quando não viabilizar, possibilidades de abordagens diferenciadas sobre essas comunidades, por essas comunidades (INSTITUTO RAÍZES EM MOVIMENTO, 2017, p. 139).&#039;&#039;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;É importante começar destacando o aspecto de comunicação que caracteriza o evento. Trata-se de uma dimensão de dupla direção. Quer dizer, por um lado, o Circulando tem uma preocupação inicial de dialogar com as/os moradoras/es do Complexo do Alemão; inicialmente, trazendo informações e conteúdos produzidos por atores não locais e difundindo-os favela adentro, mas também, e sobretudo, nos anos mais recentes, têm sido uma maneira do Instituto Raízes em Movimento, apresentar sua produção anual para a localidade. Neste, sentido é (se) comunicar de modo crítico e dialogado com o local que dá sentido à existência da organização, e cuja relação de pertencimento muitas vezes é construída pela mídia tradicional, com seus sangrentos telejornais, entretenimentos baratos e programas evangélicos pentecostais. É nessa seara de luta e produção de narrativas, que o Circulando se insere primeiramente.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Por outro lado, é falar para fora também, tensionar as representações sobre o Complexo do Alemão, que produzem efeitos concretos muito nocivos para o bairro. Por exemplo, no ano de 2010, duas semanas após a megaoperação de ocupação militarizada do Complexo do Alemão, foi realizado uma edição “extra” do Circulando, montado com urgência, mas sem perder a eficiência, para refletir sobre tudo o que estava acontecendo. Para tanto, foi fundamental a ocupação do espaço público, para levar à cidade novos sentido sobre a vida no bairro, com suas dificuldades e diversidades. Uma ferramenta de comunicação de base, interna e externa, através da ocupação do espaço público local, produzindo afetos e solidariedade, este é, o primeiro objetivo do Circulando.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Nisto temos o comum que se transmuta na multiplicidade, como diversidade, reconhecimento de uma nova configuração dos processos de organização de sujeitos democráticos capazes de expressar potência política (filosófica, estética), que atua de modo horizontal e, portanto, num espaço que lhe permita criar modos de vida, de sentir, ver, agir, ouvir de maneiras diferentes a partir das múltiplas experiências, inclusive do modo de ocupação do espaço – as ruas, becos e vielas, ligam-se e interligam-se, conectam-se e desconectam-se com aquilo que de mais potente tem do que nomeamos cidade: a vida. Compreendendo isso, o Circulando - Diálogo e comunicação na favela propõe alargar, circular, comunicar sob as mais diversas formas de expressão artísticas que compõem a favela. Isso implicar dizer que a favela além de produzir arte, ela produz vida como forma de existência.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Aqui nos reconectamos com o objetivo central do verbete e podemos mesmo afirmar que, falar da produção das artes urbanas é falar da produção da vida na cidade. O que nos remete aos já citados, direitos culturais, como um bem social e o exercício da liberdade de expressão e pensamento. E aqui, sua dimensão principal é a diversidade dos gêneros artísticos que compõem o evento, ressignificando, como apresentado na seção dois deste texto: as formas hegemônicas de produção artística e cultural.&amp;amp;nbsp; São diversas linguagens que se apresentam no Circulando: grafite, poesia, cinema, teatro, música, fotografia e dança. Às quais se somam outras atividades, voltadas para brincadeira de criança, informativos para serviço públicos e outras organizações locais, e ações de cunho mais acadêmico, como lançamento de livros ou rodas de debates/conversa.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Essa dimensão artística do Circulando também é uma via de mão dupla interna e externa ao Complexo do Alemão, na chave da arte e cultura como um direito. Por um lado, visa dar espaço e apresentar a produção local às/aos moradoras/es do bairro, mas também aos visitantes que vêm de outros lugares para participar do evento. Desta forma,são convidadas bandas - como o Bloco de samba da Grota - ou ainda cantoras/es, poetas, fotógrafas/os ou grafiteiras/os locais; ou abre-se espaço para o já citado Teatro da Laje ou ao bloco das águas, do bairro vizinho da Penha.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Por outro lado, há convidados, “de fora”, que compartilham produções pouco acessíveis ao Complexo do Alemão, seja pela falta de apoio para garantir sua difusão em comparação às produções mais lucrativas, seja porque certas produções de organizações parceiras, dificilmente seriam conhecidas localmente, sem a mediação do Instituto Raízes em Movimento, através do Circulando. Podemos citar, a título de ilustração, as participações de fora até do estado do Rio de Janeiro, como a Orquestra Afrobeat Anjos e Querubins e de Juninho, Iracema, Lemuel diretamente da aldeia Tupinambá de Itapoã, em Ilhéus na Bahia.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Neste sentido, poderíamos também, definir o Circulando como um festival de artes urbanas, com diversas linguagens sendo apresentadas no espaço público periférico. Mantendo seus compromissos com a comunicação e produção de narrativas críticas sobre as favelas, voltado para dialogar com a cidade do Rio de Janeiro como um todo, mas também para dentro do espaço onde é realizado e o ponto de partida para toda sua formulação, o Complexo do Alemão.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
==== &#039;&#039;&#039;Considerações finais.&amp;amp;nbsp;&#039;&#039;&#039; ====&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Os exemplos da Roda de Olaria e do Circulando ilustram bem a ideia de falar em “artes urbanas” para tratar da produção cultural oriunda das populações faveladas, por conta de duas de suas características: a primeira é a diversidade de manifestações (por isso, o plural) e a fuga de um concepção de arte pensada a partir de um parâmetro estético mais estático, que considera apenas as formas mais hegemônicas e legitimadas, muitas vezes condensadas no que se costuma chamar de cultura erudita; a segunda, que diz mais respeito ao adjetivo “urbano”, aponta para o espaço por excelência de dessa produção cultural, que é o espaço público, da cidade.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Todavia, retomando as pistas oferecidas pelo debate promovido no encontro sobre “artes urbanas” do Vamos Desenrolar citado lá no começo do texto, vemos que também estão envolvidas as questões do corpo, da resistência e do apuro estético. Esse conjunto de elementos nos abre um mar de possibilidades de reflexão em torno do triângulo: arte, favelas e cidades.&amp;amp;nbsp; &amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
==== &#039;&#039;&#039;Referências bibliográficas&#039;&#039;&#039; ====&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;ALVES, Rôssi. Resistência e empoderamento na literatura urbana carioca. Estudos de literatura brasileira contemporânea, n. 49, p. 183-202, set./dez. 2016.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;CERTEAU, Michel de. A invenção do cotidiano: 1. artes de fazer. Petrópolis, RJ: Vozes, 1994.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;FOUCAULT, Michel.&amp;amp;nbsp; O Nascimento da Medicina Social. In.: FOUCAULT, Michel. Microfísica do Poder. 20ª edição. Rio de Janeiro, Graal, 2005, pp.79-98.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;INSTITUTO RAÍZES EM MOVIMENTO. Instituto Raízes em Movimento: um canto à experiência. In.: SANTOS JÚNIOR, Orlando Alves do; NOVAES, Patrícia Ramos; LACERDA, Larissa; WERNECK, Mariana (Orgs.). Caderno Didático “Políticas Públicas e Direito à Cidade: Programa Interdisciplinar de Formação de Agentes Sociais”, Observatório das Metrópoles, 2017, 135-142)&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;OLIVEIRA, Priscila Telles de. Roda Cultural de Olaria: &amp;quot;resistência&amp;quot; e formas de atuação. 2018, 149f. Dissertação (Mestrado em Antropologia) ,Universidade Federal Fluminense (UFF). Niterói, 2018.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;TOPALOV, Christian. Da questão social aos problemas urbanos: os reformadores e a população das metrópoles em princípios do século XX. In.: RIBEIRO, Luiz Cesar Queiroz; PECHMAN, Robert Moses (Org.). Cidade, povo e nação: gênese do urbanismo moderno. Rio de Janeiro, Letra Capital, Observatório das Metrópoles, INCT, 2015, pp. 23 – 52. Disponível em: [http://web.observatoriodasmetropoles.net/images/abook_file/cidade_povo_nacao2ed.pdf http://web.observatoriodasmetropoles.net/images/abook_file/cidade_povo_nacao2ed.pdf].&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt;  &lt;br /&gt;
[[Category:Arte Urbana]] [[Category:Grafite]] [[Category:Arte]] [[Category:Cultura]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Thiago Matiolli</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://homologacao2.wikifavelas.com.br/index.php?title=Artes_urbanas_e_favelas&amp;diff=4352</id>
		<title>Artes urbanas e favelas</title>
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		<updated>2020-03-01T23:26:42Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Thiago Matiolli: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Por Pricila Telles e&amp;amp;nbsp;[https://wikifavelas.com.br/index.php?title=Usuário:Thiago_Matiolli Thiago Matiolli]&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;No dia 05 de novembro de 2016, um sábado chuvoso, o Instituto Raízes em Movimento&amp;lt;ref&amp;gt;Para maiores informações sobre a organização, ver o verbete “Instituto Raízes em Movimento”, neste dicionário. &amp;lt;/ref&amp;gt; realizou o 3º encontro do Vamos Desenrolar - Oficina de Produção de Memórias e Conhecimento&amp;lt;ref&amp;gt; Para saber mais sobre o evento, ver o Verbete “Vamos Desenrolar”, neste dicionário. &amp;lt;/ref&amp;gt;, que abordava as artes urbanas. As discussões trataram do campo das expressões culturais na cidade em espaços abertos, favelas, praças públicas, ruas… A proposta foi refletir sobre as resistências e criatividade na construção desses espaços que geralmente são construídos no vácuo de políticas públicas culturais e na busca de expressões libertárias. O encontro trouxe à superfície experiências musicais, grafite, teatro, saraus, rodas culturais, enfim, caminhos alternativos de apropriação e combate à indústria cultural de massa. Os Dinamizadores foram: Adriana Lopes: pesquisadora e professora da UFRRJ; Carlos Meijueiro: pesquisador e ativista cultural; Cláudio Vaz: professor de artes e ativista cultural; Gustavo Coelho: pesquisador sobre pichação e outras culturas de rua (diretor do documentário “Luz Câmera, Pichação”); e Rico Neurótico: MC&amp;lt;ref&amp;gt;O termo MC é uma adaptação do inglês master of cerimony, que significa Mestre de Cerimônia. É aquele (a) que, enquanto a é tocada, elabora, recita e canta suas rimas e poesias. &lt;br /&gt;
&amp;lt;/ref&amp;gt; e produtor cultural da Roda Cultural de Olaria. Este último, personagem que fica no entrecruzamento dos assuntos abordados neste verbete, bem como nos exemplos tomados para ilustração do argumento: a Roda Cultural de Olaria e o Circulando - Diálogo e Comunicação na Favela.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;O tema das “artes urbanas” não é de conceituação simples e, muito menos, taxativa. Porém, quando retomamos o debate promovido pela edição do Vamos Desenrolar citado acima, é possível encontrar algumas pistas. Por exemplo, Adriana Lopes iniciou a conversa falando sobre a importância do funk e a presença potente das mulheres nesse ambiente produtivo, destacando que &amp;amp;nbsp;“a arte urbana é mais que o grafismo, a gente escreve com nossos corpos, com nossas roupas...”; Cláudio Vaz disse que não se importava de ter seus projetos copiados por outros produtores e com humor afirmou “Se fizer bem feito é bom, se não fizer bem eu vou lá e reclamo!”; Gustavo Coelho lembrou dos movimentos “xarpi” - que será retomado mais a frente -, bate bola e baile funk “A pixação não é feia, pelo contrário, tem muita delicadeza no traço”; e, por fim, mas não menos importante, MC Rico Neurótico lembrou que “A rua não é só a ferramenta, é o nosso campo de atuação..”&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;No intuito de se aproximar de uma caracterização das artes urbanas que norteie este verbete, exploraremos melhor estas pistas na próxima seção.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Artes Urbanas ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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As falas destacadas acima nos trazem várias características das artes artes urbanas: a importância dos corpos; o apreço pela questão estética e a qualidade da obra; as possibilidades de sua prática enquanto resistência; a diversidades das linguagens que a compõem: a música, as artes plásticas (como o grafite e a pichação), as representações teatrais (como os bate-bolas citados) - aos quais podemos somar a literatura, a dança, e o audiovisual; e, ainda, a rua, ou o espaço público como lugar predominante de sua manifestação. Aqui, não abordaremos todas essas dimensões, focaremos em duas delas (sem, contudo, deixar totalmente de lado, as demais): sua pluralidade e o espaço público como seu palco principal.&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;A cidade está longe de ser um lugar que possa ser compreendido em sua totalidade. Seus habitantes cultivam estilos particulares de entretenimento, mantém vínculos de sociabilidade e relacionamento, criam modos e padrões culturais diferenciados. Marcada, então, pela sua diversidade e heterogeneidade, a cidade se encontra como lugar privilegiado para análise de uma multiplicidade de atividades e formas de participação. Dentre essas formas de participação, as expressões artísticas, em suas diversas dimensões – sonoras, visuais e performativas –, têm se mostrado um objeto relevante para se pensar essa urbe. Como veremos na realização dos festivais circulando.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;A rua, cada vez mais, tem se tornado palco de diferentes tipos de manifestações artísticas e culturais. Em uma caminhada vespertina pelo centro da cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, é possível ver músicos de rua, artistas circenses, entre outros que, encontram nesses espaços, lócus para suas atividades. Afastando-se um pouco da região central carioca, nota-se que em diversos bairros das Zonas Norte, Sul e Oeste, as praças também têm sido logradouro de manifestações deste cunho. As Rodas Culturais e, mais especificamente, a Roda de Olaria é um importante exemplo disso.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== &#039;&#039;&#039;Artes urbanas e periferia&amp;amp;nbsp;&#039;&#039;&#039; ====&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;As relações entre cidade e favela, ou outras formas espaciais periféricas, podem ser pensadas, em suas diversas dimensões, sob a chave de uma dualidade: a importância dos corpos e energias de moradoras/es desses espaços são indispensáveis para o funcionamento da cidade como um todo; ao mesmo tempo em que há uma profunda necessidade de controle social destas populações, tendo em vista o tensionamento que sua circulação pelo espaço urbano causa. Sob este pano de fundo que devemos refletir sobre as artes urbanas produzidas e vivenciadas nas favelas.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;O caráter indispensável de moradoras/es da periferia para o funcionamento da vida citadina foi ressaltado na realização da edição de 2017 do Circulando, com o lema: “o rolé das favelas produz cidade&amp;lt;ref&amp;gt;A cada ano, o Circulando tem um mote diferente e, em alguns deles, uma camisa com seu lema é vendida no evento. Em 2017 foi rolébilidade; em 2015, com o mote da memória, a camisa trazia o lema: “Meu nome é favela, minha história também”; e, em 2018, abordando a diversidade, o slogan foi “somos juntxs”. &amp;lt;/ref&amp;gt;” - em termos concretos e simbólicos. O mote daquele ano era mobilidade urbana, ou melhor, “rolébilidade” - entendida como a forma de mobilidade periférica, com todas suas dificuldades e estratégias, desde a debilidade do transporte público até às&amp;amp;nbsp; circulações internas à favelas, pelos seus becos&amp;lt;ref&amp;gt;Ver o verbete “mobilidades”, neste dicionário.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ref&amp;gt;; um circuito que tenta, com maior ou menor sucesso, controlar o rolé de faveladas/os na cidade, permitindo a circulação precária para o trabalho, mas restringindo-a com relação ao lazer. De todo modo, a “rolébilidade” também nos permite questionar se a arte periférica também não é fundamental para a vida urbana, cimentada pela força e criatividade favelada..&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;O circulando deu o papo reto: as favelas contribuem, literalmente, para a construção das cidades, com sua mão de obra e suor, todavia, pouco conseguem gozar da urbanidade que ela proporciona, sobretudo em termos de direitos, inclusive os culturais. Estes são limitados de, ao menos, duas maneiras: invisibilizando e criminalizando suas manifestações artísticas ou negando-lhes contato com outras produções, mesmo as mais mainstream. Por exemplo, o afastamento do cinema ou de teatros.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Com relação à criminalização da produção artística, é preciso ressaltar que as populações periféricas, em geral, também são construídas como “classes perigosas”. Um fenômeno histórico que remete ao processo de urbanização na Europa do século XIX, quando há uma intensa concentração demográfica nas cidades e, consequentemente, o desencadeamento de uma série de problemas ligados à vida nestes espaços. O que teria levado ao surgimento de uma “questão urbana” como objeto de reflexão das elites políticas e intelectuais. Neste processo, a miséria e o controle social de um contingente populacional tão grande se tornou um desafio quase intransponível. Uma das tentativas de solucioná-lo passou pela divisão das pessoas entre uma “classe operária respeitável”, que querem emprego, mas não o encontram e se comportam de modo disciplinado e moralmente aceito em sociedade; das massas empobrecidas, ou “classes perigosas”, incorrigíveis e incontroláveis, fonte de três perigos para as elites urbanas: o sanitário, o da criminalidade e da sublevação política (Topalov, 2015; Foucault, 2005).&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Este último risco talvez seja a preocupação mais efetiva dessas elites urbanas, ainda que nem tanto das classes médias, capturadas pelo discurso do medo e da segurança pública. A predominância de um discurso que ressalta, cotidiana e midiaticamente, os perigos de uma “violência urbana” acaba compondo um dispositivo que justifica ações de controle dos riscos reais da transformação política desencadeada pelas classes ditas “perigosas”. Como, por exemplo, na criminalização de práticas artísticas faveladas ao longo da história do Rio de Janeiro que tinha como alvo o samba, no início do século XX, e passa a ter como inimigo no fim deste século e início do XXI, o funk. Ambas formas culturais que descrevem e, em alguma medida, denunciam as condições de vida de seus compositores.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Mas, essa criminalização não é um processo contra o qual não se poder resistir. A relação das elites urbanas com as populações periféricas é muito mais sutil e complexa, do que a de uma mera subordinação.&amp;amp;nbsp; E uma chave para entendermos isso é dada, novamente, por Christian Topalov (2015), historiador francês. Essa interação tomaria forma num jogo de apropriações e ressignificações de práticas realizado pelas elites urbanas e as populações mais pobres. Nas quais práticas populares de resistência são apreendidas por tais elites, que as reconfiguram de modo a esvaziá-las de seu teor político; ao mesmo tempo em que, ainda que em menor grau, práticas de controle social podem ser repensadas e reconstruídas de modo que possam também se tornar veículos de contestação social e políticas (Topalov, 2015).&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Neste sentido, e voltando à questão do samba e do funk, vemos a complexidade de um dispositivo de controle social que é econômico e repressivo. Com o passar do tempo, esses ritmos foram depurados e aceitos em outros espaços da cidade. Assim, por exemplo, seguem as repressões às festas e eventos nas favelas, ao som de funk, principalmente, mas ainda do samba também, ao mesmo tempo em que essas músicas bombam em eventos caros das zonas mais abastadas da cidade, ou ao som do cantor Thiaguinho em sua “tardezinha” no estádio do Maracanã. Quer dizer, as práticas culturas periféricas são aceitas quando estão desassociadas de seus lugares de origem e entram em circuitos lucrativos da indústria cultural, mas seguem sendo marginalizadas quando são indóceis demais para serem controladas e entrarem no jogo econômico.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Por outro lado, há ressignificações também em sentido contrário, produzindo resistências. Isso podemos ver em eventos como a Roda de Olaria e o Circulando, onde práticas culturais de elites não são negadas, pelo contrário, são apropriadas e recebem um sentido político novo, de contestação e reinvenção de significados. Deste modo, por exemplo, o Circulando conta em muitas de suas edições com apresentações teatrais, levadas a cabo, pelo grupo Teatro da Laje, coordenado pelo professor Veríssimo Júnior; ou através da poesia, cujos limites são totalmente ampliados e transformados, sem perder seu lirismo, na Roda de Olaria.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Assim, tal como propomos aqui, pensar a relação entre as artes urbanas e a periferia é reconhecer que sua riqueza, diversidade e capacidade de ocupar o espaço público estão envolvidas numa complexa prática de criminalização que envolve uma seleção e depuração de práticas que podem atender a certos circuitos lucrativos (e que passam a ser legítimas e aceitas na sociedade) de outras que seguiram como ferramentas de controle social. Ao mesmo tempo em que, esse controle não é fácil e confortável, mas que é constantemente tensionado pela reinventidade (mote do Circulando de 2016) favelada e periférica, que produz ou ressignifica artes mais consagradas.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
==== &#039;&#039;&#039;&amp;amp;nbsp;A Roda de Olaria&#039;&#039;&#039; ====&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;As rodas culturais também nos permitem perceber como a arte urbana e periférica, em suas múltiplas dimensões, é capaz de cimentar a vida na cidade ressignificando o espaço público. É possível contabilizar mais de cem rodas culturais que ocorrem diariamente, em diversos lugares da cidade, com a participação aberta a todo e qualquer artista e de forma gratuita (Alves, 2016). Em grande medida, elas se configuram como eventos independentes, sem aportes financeiros ou institucionais de prefeituras e secretarias de cultura, cuja finalidade é ocupar o espaço público para incentivar, valorizar e promover arte, cultura e entretenimento gratuito para os mais diversos habitantes citadinos.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;As Rodas Culturais são uma teia de artistas e trabalhadores independentes, como poetas, fotógrafos, Mcs, músicos, grafiteiros, artistas plásticos, artistas circenses, atores, profissionais do audiovisual, esportistas urbanos etc. Essa rede unifica, intensifica e expande a sustentabilidade da cultura de rua dos bairros cariocas&amp;lt;ref&amp;gt;Disponível em: &amp;lt;https://www.facebook.com/pg/circuitocariocaderitmoepoesia/about/?ref=page_internal&amp;gt;. Acesso em: 29/02/2020.&amp;lt;/ref&amp;gt;.&#039;&#039;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Foi na 3ª edição do Vamos Desenrolar sobre Arte Urbana que Rico, MC e produtor cultural da Roda de Olaria&amp;lt;ref&amp;gt;A Roda de Olaria possuía até o ano de 2018 três produtores culturais: Laércio Soares Corrêa, Bruno Teixeira e Felippe Massal. Eles são conhecidos por seus amigos mais próximos como Rico, Bruno Xédom ou “Xerélos” e Massal. Rico é MC e lutador de Jiu-Jtsu, Bruno é tatuador e grafiteiro, e Felippe Massal faz graduação em Direito é responsável por fazer as filmagens das batalhas e fotografias do evento. &amp;lt;/ref&amp;gt; falou sobre a importância deste tipo de evento na construção dos espaços que geralmente são reconhecidos como vazios ou ausentes de políticas públicas culturais. Em contrapartida, o MC ressaltou uma série de dificuldades que a Roda de Olaria&amp;lt;ref&amp;gt;Bem como outras Rodas Culturais cariocas.&amp;lt;/ref&amp;gt; sempre enfrentou desde que começou a ocupar as Quadras Gêmeas em 2012.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Segundo Rico, no início era apenas um encontro despretencioso de amigos MCs que, nas noites de quintas-feiras, levavam violões e cajóns para a praça, e se sentavam em roda para conversar e improvisar algumas rimas sob uma tenda branca. Com o passar do tempo o público foi ficando cada vez maior e as Quadras Gêmeas passaram a se tornar palco de um encontro protagonizado por pessoas de diferentes faixas etárias, moradores do bairro de Olaria e adjacências.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;No entanto, Rico afirmou que a história da Roda de Olaria é de uma luta constante por conta de uma série de problemáticas que os produtores precisavam administrar: desde a falta de dinheiro para alugar os equipamentos, negociações para conseguir o Nada Opor&amp;lt;ref&amp;gt;Alvará de Autorização Transitória para eventos em geral: culturais, sociais, desportivos, religiosos e quaisquer outros que promovam concentrações de pessoas. No caso das rodas culturais, este alvará precisava ser emitido pelo Batalhão da Polícia Militar do bairro.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ref&amp;gt; às repressões policiais durante o evento. No encontro, o MC enfatizou: “a única forma que a gente tem de diálogo com o poder público é de forma ‘truculenta’, que é com a polícia. A polícia não entende quando você chega num espaço e quer ocupar para mudança; é revitalização do espaço a princípio de tudo. Tivemos essa truculência com a polícia, mas mesmo assim a gente continuou fazendo.”&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Um dos primeiros impactos foi uma multa. Em uma das quintas-feiras do ano de 2015 enquanto Rico, Felippe, Bruno e outros amigos começavam a montar o som, chegou, nas palavras de Rico, “um cidadão” da IRLF (Inspetorias Regionais de Licenciamento e Fiscalização) e disse que não poderiam realizar o evento. Por conta de todo esse transtorno em relação à multa, a Roda ficou temporariamente parada, mas depois de um curto período de tempo, as atividades foram retomadas. No entanto, duas semanas depois, dois policiais militares do 16º Batalhão de Olaria interromperam o evento e exigiram a retirada das caixas de som e esvaziamento do local.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Semanalmente o alvará que permitiria o funcionamento da Roda precisava ser negociado e renegociado com o batalhão do bairro. Isto significou, durante todo o ano de 2016, que a Roda legalmente estava proibida de acontecer. Frente a isso, os produtores criaram um movimento que denominaram “Resistência Cultural”. No total, foram quatorze encontros de “resistência” com atividades diversas: desde campeonatos de basquete e skate a batalhas de rimas, exposições de telas e debates. Após o último encontro, a Roda de Olaria conseguiu novamente o alvará e retomou as atividades Porém, vale notar que, múltiplas formas de silenciamentos, repressões e denúncias continuaram a ocorrer.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Assim sendo, os produtores culturais da Roda de Olaria encontram, em meio às dificuldades de realizar a Roda, suas próprias formas de uso da praça; suas próprias maneiras de fazer (Certeau, 1994). É neste contexto que o trio de produtores vêm desde 2012 “resistindo” e fazendo da rua, nas palavras de Rico, seu “campo de atuação”.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;No dia 9 de janeiro de 2018 houve a promulgação da Lei Estadual nº 7837 que declara Patrimônio Cultural Imaterial do estado do Rio de Janeiro a cultura hip-hop e todas as suas manifestações artísticas. Deste modo, as rodas culturais finalmente estariam dispensadas da prévia autorização da Polícia Militar. Ainda assim, é válido salientar que a dificuldade de manter o evento continua grande. Mesmo amparada pela lei, os produtores não possuem qualquer aporte financeiro ou institucional. Consequentemente, não conseguem arcar com todos os custos para sua realização. Hoje, as reuniões da Roda de Olaria ocorrem com pouquíssima frenquência.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
==== &#039;&#039;&#039;Circulando&#039;&#039;&#039; ====&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;O Circulando -&amp;amp;nbsp; Diálogo e Comunicação na favela é um evento realizado pelo Instituto Raízes em Movimento desde 2007. Atualmente, ele tem uma regularidade anual, mas já foi realizado mais de uma vez por ano, quando necessário, até o ano de 2010. Ele, começa a ser gerido em 2006, em parceria com o Observatório de Favelas e a Escola Popular de Comunicação Crítica (ESPOCC), tendo sua primeira edição realizada no ano seguinte. Trata-se de um evento de artes, cultura e comunicação. A propósito, o nome do evento surge já nas primeiras reuniões de produção da primeira edição. E, em ata de 2006, assim ficou registrado a importância de comunicação e direito de expressão e manifestação de modo ativo.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;A importância e o direito de todos se expressarem, se manifestarem de forma ativa e por meios ativos, de ganharem visibilidade e partilharem idéias e visões diferentes de mundo. Ainda, a importância de se chamar a atenção para o potencial expressivo e “comunicador” de cada indivíduo e meios que, às vezes, muita gente não vê como meios de transmissão de mensagens. E a importância de se chamar a atenção para a forma estereotipada como os chamados meios de comunicação de massa retratam as comunidades populares e de se indicar, quando não viabilizar, possibilidades de abordagens diferenciadas sobre essas comunidades, por essas comunidades (INSTITUTO RAÍZES EM MOVIMENTO, 2017, p. 139).&#039;&#039;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;É importante começar destacando o aspecto de comunicação que caracteriza o evento. Trata-se de uma dimensão de dupla direção. Quer dizer, por um lado, o Circulando tem uma preocupação inicial de dialogar com as/os moradoras/es do Complexo do Alemão; inicialmente, trazendo informações e conteúdos produzidos por atores não locais e difundindo-os favela adentro, mas também, e sobretudo, nos anos mais recentes, têm sido uma maneira do Instituto Raízes em Movimento, apresentar sua produção anual para a localidade. Neste, sentido é (se) comunicar de modo crítico e dialogado com o local que dá sentido à existência da organização, e cuja relação de pertencimento muitas vezes é construída pela mídia tradicional, com seus sangrentos telejornais, entretenimentos baratos e programas evangélicos pentecostais. É nessa seara de luta e produção de narrativas, que o Circulando se insere primeiramente.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Por outro lado, é falar para fora também, tensionar as representações sobre o Complexo do Alemão, que produzem efeitos concretos muito nocivos para o bairro. Por exemplo, no ano de 2010, duas semanas após a megaoperação de ocupação militarizada do Complexo do Alemão, foi realizado uma edição “extra” do Circulando, montado com urgência, mas sem perder a eficiência, para refletir sobre tudo o que estava acontecendo. Para tanto, foi fundamental a ocupação do espaço público, para levar à cidade novos sentido sobre a vida no bairro, com suas dificuldades e diversidades. Uma ferramenta de comunicação de base, interna e externa, através da ocupação do espaço público local, produzindo afetos e solidariedade, este é, o primeiro objetivo do Circulando.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Nisto temos o comum que se transmuta na multiplicidade, como diversidade, reconhecimento de uma nova configuração dos processos de organização de sujeitos democráticos capazes de expressar potência política (filosófica, estética), que atua de modo horizontal e, portanto, num espaço que lhe permita criar modos de vida, de sentir, ver, agir, ouvir de maneiras diferentes a partir das múltiplas experiências, inclusive do modo de ocupação do espaço – as ruas, becos e vielas, ligam-se e interligam-se, conectam-se e desconectam-se com aquilo que de mais potente tem do que nomeamos cidade: a vida. Compreendendo isso, o Circulando - Diálogo e comunicação na favela propõe alargar, circular, comunicar sob as mais diversas formas de expressão artísticas que compõem a favela. Isso implicar dizer que a favela além de produzir arte, ela produz vida como forma de existência.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Aqui nos reconectamos com o objetivo central do verbete e podemos mesmo afirmar que, falar da produção das artes urbanas é falar da produção da vida na cidade. O que nos remete aos já citados, direitos culturais, como um bem social e o exercício da liberdade de expressão e pensamento. E aqui, sua dimensão principal é a diversidade dos gêneros artísticos que compõem o evento, ressignificando, como apresentado na seção dois deste texto: as formas hegemônicas de produção artística e cultural.&amp;amp;nbsp; São diversas linguagens que se apresentam no Circulando: grafite, poesia, cinema, teatro, música, fotografia e dança. Às quais se somam outras atividades, voltadas para brincadeira de criança, informativos para serviço públicos e outras organizações locais, e ações de cunho mais acadêmico, como lançamento de livros ou rodas de debates/conversa.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Essa dimensão artística do Circulando também é uma via de mão dupla interna e externa ao Complexo do Alemão, na chave da arte e cultura como um direito. Por um lado, visa dar espaço e apresentar a produção local às/aos moradoras/es do bairro, mas também aos visitantes que vêm de outros lugares para participar do evento. Desta forma,são convidadas bandas - como o Bloco de samba da Grota - ou ainda cantoras/es, poetas, fotógrafas/os ou grafiteiras/os locais; ou abre-se espaço para o já citado Teatro da Laje ou ao bloco das águas, do bairro vizinho da Penha.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Por outro lado, há convidados, “de fora”, que compartilham produções pouco acessíveis ao Complexo do Alemão, seja pela falta de apoio para garantir sua difusão em comparação às produções mais lucrativas, seja porque certas produções de organizações parceiras, dificilmente seriam conhecidas localmente, sem a mediação do Instituto Raízes em Movimento, através do Circulando. Podemos citar, a título de ilustração, as participações de fora até do estado do Rio de Janeiro, como a Orquestra Afrobeat Anjos e Querubins e de Juninho, Iracema, Lemuel diretamente da aldeia Tupinambá de Itapoã, em Ilhéus na Bahia.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Neste sentido, poderíamos também, definir o Circulando como um festival de artes urbanas, com diversas linguagens sendo apresentadas no espaço público periférico. Mantendo seus compromissos com a comunicação e produção de narrativas críticas sobre as favelas, voltado para dialogar com a cidade do Rio de Janeiro como um todo, mas também para dentro do espaço onde é realizado e o ponto de partida para toda sua formulação, o Complexo do Alemão.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
==== &#039;&#039;&#039;Considerações finais.&amp;amp;nbsp;&#039;&#039;&#039; ====&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Os exemplos da Roda de Olaria e do Circulando ilustram bem a ideia de falar em “artes urbanas” para tratar da produção cultural oriunda das populações faveladas, por conta de duas de suas características: a primeira é a diversidade de manifestações (por isso, o plural) e a fuga de um concepção de arte pensada a partir de um parâmetro estético mais estático, que considera apenas as formas mais hegemônicas e legitimadas, muitas vezes condensadas no que se costuma chamar de cultura erudita; a segunda, que diz mais respeito ao adjetivo “urbano”, aponta para o espaço por excelência de dessa produção cultural, que é o espaço público, da cidade.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Todavia, retomando as pistas oferecidas pelo debate promovido no encontro sobre “artes urbanas” do Vamos Desenrolar citado lá no começo do texto, vemos que também estão envolvidas as questões do corpo, da resistência e do apuro estético. Esse conjunto de elementos nos abre um mar de possibilidades de reflexão em torno do triângulo: arte, favelas e cidades.&amp;amp;nbsp; &amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
==== &#039;&#039;&#039;Referências bibliográficas&#039;&#039;&#039; ====&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;ALVES, Rôssi. Resistência e empoderamento na literatura urbana carioca. Estudos de literatura brasileira contemporânea, n. 49, p. 183-202, set./dez. 2016.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;CERTEAU, Michel de. A invenção do cotidiano: 1. artes de fazer. Petrópolis, RJ: Vozes, 1994.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;FOUCAULT, Michel.&amp;amp;nbsp; O Nascimento da Medicina Social. In.: FOUCAULT, Michel. Microfísica do Poder. 20ª edição. Rio de Janeiro, Graal, 2005, pp.79-98.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;INSTITUTO RAÍZES EM MOVIMENTO. Instituto Raízes em Movimento: um canto à experiência. In.: SANTOS JÚNIOR, Orlando Alves do; NOVAES, Patrícia Ramos; LACERDA, Larissa; WERNECK, Mariana (Orgs.). Caderno Didático “Políticas Públicas e Direito à Cidade: Programa Interdisciplinar de Formação de Agentes Sociais”, Observatório das Metrópoles, 2017, 135-142)&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;OLIVEIRA, Priscila Telles de. Roda Cultural de Olaria: &amp;quot;resistência&amp;quot; e formas de atuação. 2018, 149f. Dissertação (Mestrado em Antropologia) ,Universidade Federal Fluminense (UFF). Niterói, 2018.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;TOPALOV, Christian. Da questão social aos problemas urbanos: os reformadores e a população das metrópoles em princípios do século XX. In.: RIBEIRO, Luiz Cesar Queiroz; PECHMAN, Robert Moses (Org.). Cidade, povo e nação: gênese do urbanismo moderno. Rio de Janeiro, Letra Capital, Observatório das Metrópoles, INCT, 2015, pp. 23 – 52. Disponível em: [http://web.observatoriodasmetropoles.net/images/abook_file/cidade_povo_nacao2ed.pdf http://web.observatoriodasmetropoles.net/images/abook_file/cidade_povo_nacao2ed.pdf].&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt;  &lt;br /&gt;
[[Category:Arte Urbana]] [[Category:Grafite]] [[Category:Arte]] [[Category:Cultura]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Thiago Matiolli</name></author>
	</entry>
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		<id>https://homologacao2.wikifavelas.com.br/index.php?title=Artes_urbanas_e_favelas&amp;diff=4351</id>
		<title>Artes urbanas e favelas</title>
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		<updated>2020-03-01T23:26:19Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Thiago Matiolli: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Por Pricila Telles e&amp;amp;nbsp;[https://wikifavelas.com.br/index.php?title=Usuário:Thiago_Matiolli Thiago Matiolli]&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;No dia 05 de novembro de 2016, um sábado chuvoso, o Instituto Raízes em Movimento&amp;lt;ref&amp;gt;Para maiores informações sobre a organização, ver o verbete “Instituto Raízes em Movimento”, neste dicionário. &amp;lt;/ref&amp;gt; realizou o 3º encontro do Vamos Desenrolar - Oficina de Produção de Memórias e Conhecimento&amp;lt;ref&amp;gt; Para saber mais sobre o evento, ver o Verbete “Vamos Desenrolar”, neste dicionário. &amp;lt;/ref&amp;gt;, que abordava as artes urbanas. As discussões trataram do campo das expressões culturais na cidade em espaços abertos, favelas, praças públicas, ruas… A proposta foi refletir sobre as resistências e criatividade na construção desses espaços que geralmente são construídos no vácuo de políticas públicas culturais e na busca de expressões libertárias. O encontro trouxe à superfície experiências musicais, grafite, teatro, saraus, rodas culturais, enfim, caminhos alternativos de apropriação e combate à indústria cultural de massa. Os Dinamizadores foram: Adriana Lopes: pesquisadora e professora da UFRRJ; Carlos Meijueiro: pesquisador e ativista cultural; Cláudio Vaz: professor de artes e ativista cultural; Gustavo Coelho: pesquisador sobre pichação e outras culturas de rua (diretor do documentário “Luz Câmera, Pichação”); e Rico Neurótico: MC&amp;lt;ref&amp;gt;O termo MC é uma adaptação do inglês master of cerimony, que significa Mestre de Cerimônia. É aquele (a) que, enquanto a é tocada, elabora, recita e canta suas rimas e poesias. &lt;br /&gt;
&amp;lt;/ref&amp;gt; e produtor cultural da Roda Cultural de Olaria. Este último, personagem que fica no entrecruzamento dos assuntos abordados neste verbete, bem como nos exemplos tomados para ilustração do argumento: a Roda Cultural de Olaria e o Circulando - Diálogo e Comunicação na Favela.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;O tema das “artes urbanas” não é de conceituação simples e, muito menos, taxativa. Porém, quando retomamos o debate promovido pela edição do Vamos Desenrolar citado acima, é possível encontrar algumas pistas. Por exemplo, Adriana Lopes iniciou a conversa falando sobre a importância do funk e a presença potente das mulheres nesse ambiente produtivo, destacando que &amp;amp;nbsp;“a arte urbana é mais que o grafismo, a gente escreve com nossos corpos, com nossas roupas...”; Cláudio Vaz disse que não se importava de ter seus projetos copiados por outros produtores e com humor afirmou “Se fizer bem feito é bom, se não fizer bem eu vou lá e reclamo!”; Gustavo Coelho lembrou dos movimentos “xarpi” - que será retomado mais a frente -, bate bola e baile funk “A pixação não é feia, pelo contrário, tem muita delicadeza no traço”; e, por fim, mas não menos importante, MC Rico Neurótico lembrou que “A rua não é só a ferramenta, é o nosso campo de atuação..”&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;No intuito de se aproximar de uma caracterização das artes urbanas que norteie este verbete, exploraremos melhor estas pistas na próxima seção.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Artes Urbanas ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== As falas destacadas acima nos trazem várias características das artes artes urbanas: a importância dos corpos; o apreço pela questão estética e a qualidade da obra; as possibilidades de sua prática enquanto resistência; a diversidades das linguagens que a compõem: a música, as artes plásticas (como o grafite e a pichação), as representações teatrais (como os bate-bolas citados) - aos quais podemos somar a literatura, a dança, e o audiovisual; e, ainda, a rua, ou o espaço público como lugar predominante de sua manifestação. Aqui, não abordaremos todas essas dimensões, focaremos em duas delas (sem, contudo, deixar totalmente de lado, as demais): sua pluralidade e o espaço público como seu palco principal. ====&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;A cidade está longe de ser um lugar que possa ser compreendido em sua totalidade. Seus habitantes cultivam estilos particulares de entretenimento, mantém vínculos de sociabilidade e relacionamento, criam modos e padrões culturais diferenciados. Marcada, então, pela sua diversidade e heterogeneidade, a cidade se encontra como lugar privilegiado para análise de uma multiplicidade de atividades e formas de participação. Dentre essas formas de participação, as expressões artísticas, em suas diversas dimensões – sonoras, visuais e performativas –, têm se mostrado um objeto relevante para se pensar essa urbe. Como veremos na realização dos festivais circulando.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;A rua, cada vez mais, tem se tornado palco de diferentes tipos de manifestações artísticas e culturais. Em uma caminhada vespertina pelo centro da cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, é possível ver músicos de rua, artistas circenses, entre outros que, encontram nesses espaços, lócus para suas atividades. Afastando-se um pouco da região central carioca, nota-se que em diversos bairros das Zonas Norte, Sul e Oeste, as praças também têm sido logradouro de manifestações deste cunho. As Rodas Culturais e, mais especificamente, a Roda de Olaria é um importante exemplo disso.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== &#039;&#039;&#039;Artes urbanas e periferia&amp;amp;nbsp;&#039;&#039;&#039; ====&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;As relações entre cidade e favela, ou outras formas espaciais periféricas, podem ser pensadas, em suas diversas dimensões, sob a chave de uma dualidade: a importância dos corpos e energias de moradoras/es desses espaços são indispensáveis para o funcionamento da cidade como um todo; ao mesmo tempo em que há uma profunda necessidade de controle social destas populações, tendo em vista o tensionamento que sua circulação pelo espaço urbano causa. Sob este pano de fundo que devemos refletir sobre as artes urbanas produzidas e vivenciadas nas favelas.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;O caráter indispensável de moradoras/es da periferia para o funcionamento da vida citadina foi ressaltado na realização da edição de 2017 do Circulando, com o lema: “o rolé das favelas produz cidade&amp;lt;ref&amp;gt;A cada ano, o Circulando tem um mote diferente e, em alguns deles, uma camisa com seu lema é vendida no evento. Em 2017 foi rolébilidade; em 2015, com o mote da memória, a camisa trazia o lema: “Meu nome é favela, minha história também”; e, em 2018, abordando a diversidade, o slogan foi “somos juntxs”. &amp;lt;/ref&amp;gt;” - em termos concretos e simbólicos. O mote daquele ano era mobilidade urbana, ou melhor, “rolébilidade” - entendida como a forma de mobilidade periférica, com todas suas dificuldades e estratégias, desde a debilidade do transporte público até às&amp;amp;nbsp; circulações internas à favelas, pelos seus becos&amp;lt;ref&amp;gt;Ver o verbete “mobilidades”, neste dicionário.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ref&amp;gt;; um circuito que tenta, com maior ou menor sucesso, controlar o rolé de faveladas/os na cidade, permitindo a circulação precária para o trabalho, mas restringindo-a com relação ao lazer. De todo modo, a “rolébilidade” também nos permite questionar se a arte periférica também não é fundamental para a vida urbana, cimentada pela força e criatividade favelada..&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;O circulando deu o papo reto: as favelas contribuem, literalmente, para a construção das cidades, com sua mão de obra e suor, todavia, pouco conseguem gozar da urbanidade que ela proporciona, sobretudo em termos de direitos, inclusive os culturais. Estes são limitados de, ao menos, duas maneiras: invisibilizando e criminalizando suas manifestações artísticas ou negando-lhes contato com outras produções, mesmo as mais mainstream. Por exemplo, o afastamento do cinema ou de teatros.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Com relação à criminalização da produção artística, é preciso ressaltar que as populações periféricas, em geral, também são construídas como “classes perigosas”. Um fenômeno histórico que remete ao processo de urbanização na Europa do século XIX, quando há uma intensa concentração demográfica nas cidades e, consequentemente, o desencadeamento de uma série de problemas ligados à vida nestes espaços. O que teria levado ao surgimento de uma “questão urbana” como objeto de reflexão das elites políticas e intelectuais. Neste processo, a miséria e o controle social de um contingente populacional tão grande se tornou um desafio quase intransponível. Uma das tentativas de solucioná-lo passou pela divisão das pessoas entre uma “classe operária respeitável”, que querem emprego, mas não o encontram e se comportam de modo disciplinado e moralmente aceito em sociedade; das massas empobrecidas, ou “classes perigosas”, incorrigíveis e incontroláveis, fonte de três perigos para as elites urbanas: o sanitário, o da criminalidade e da sublevação política (Topalov, 2015; Foucault, 2005).&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Este último risco talvez seja a preocupação mais efetiva dessas elites urbanas, ainda que nem tanto das classes médias, capturadas pelo discurso do medo e da segurança pública. A predominância de um discurso que ressalta, cotidiana e midiaticamente, os perigos de uma “violência urbana” acaba compondo um dispositivo que justifica ações de controle dos riscos reais da transformação política desencadeada pelas classes ditas “perigosas”. Como, por exemplo, na criminalização de práticas artísticas faveladas ao longo da história do Rio de Janeiro que tinha como alvo o samba, no início do século XX, e passa a ter como inimigo no fim deste século e início do XXI, o funk. Ambas formas culturais que descrevem e, em alguma medida, denunciam as condições de vida de seus compositores.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Mas, essa criminalização não é um processo contra o qual não se poder resistir. A relação das elites urbanas com as populações periféricas é muito mais sutil e complexa, do que a de uma mera subordinação.&amp;amp;nbsp; E uma chave para entendermos isso é dada, novamente, por Christian Topalov (2015), historiador francês. Essa interação tomaria forma num jogo de apropriações e ressignificações de práticas realizado pelas elites urbanas e as populações mais pobres. Nas quais práticas populares de resistência são apreendidas por tais elites, que as reconfiguram de modo a esvaziá-las de seu teor político; ao mesmo tempo em que, ainda que em menor grau, práticas de controle social podem ser repensadas e reconstruídas de modo que possam também se tornar veículos de contestação social e políticas (Topalov, 2015).&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Neste sentido, e voltando à questão do samba e do funk, vemos a complexidade de um dispositivo de controle social que é econômico e repressivo. Com o passar do tempo, esses ritmos foram depurados e aceitos em outros espaços da cidade. Assim, por exemplo, seguem as repressões às festas e eventos nas favelas, ao som de funk, principalmente, mas ainda do samba também, ao mesmo tempo em que essas músicas bombam em eventos caros das zonas mais abastadas da cidade, ou ao som do cantor Thiaguinho em sua “tardezinha” no estádio do Maracanã. Quer dizer, as práticas culturas periféricas são aceitas quando estão desassociadas de seus lugares de origem e entram em circuitos lucrativos da indústria cultural, mas seguem sendo marginalizadas quando são indóceis demais para serem controladas e entrarem no jogo econômico.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Por outro lado, há ressignificações também em sentido contrário, produzindo resistências. Isso podemos ver em eventos como a Roda de Olaria e o Circulando, onde práticas culturais de elites não são negadas, pelo contrário, são apropriadas e recebem um sentido político novo, de contestação e reinvenção de significados. Deste modo, por exemplo, o Circulando conta em muitas de suas edições com apresentações teatrais, levadas a cabo, pelo grupo Teatro da Laje, coordenado pelo professor Veríssimo Júnior; ou através da poesia, cujos limites são totalmente ampliados e transformados, sem perder seu lirismo, na Roda de Olaria.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Assim, tal como propomos aqui, pensar a relação entre as artes urbanas e a periferia é reconhecer que sua riqueza, diversidade e capacidade de ocupar o espaço público estão envolvidas numa complexa prática de criminalização que envolve uma seleção e depuração de práticas que podem atender a certos circuitos lucrativos (e que passam a ser legítimas e aceitas na sociedade) de outras que seguiram como ferramentas de controle social. Ao mesmo tempo em que, esse controle não é fácil e confortável, mas que é constantemente tensionado pela reinventidade (mote do Circulando de 2016) favelada e periférica, que produz ou ressignifica artes mais consagradas.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
==== &#039;&#039;&#039;&amp;amp;nbsp;A Roda de Olaria&#039;&#039;&#039; ====&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;As rodas culturais também nos permitem perceber como a arte urbana e periférica, em suas múltiplas dimensões, é capaz de cimentar a vida na cidade ressignificando o espaço público. É possível contabilizar mais de cem rodas culturais que ocorrem diariamente, em diversos lugares da cidade, com a participação aberta a todo e qualquer artista e de forma gratuita (Alves, 2016). Em grande medida, elas se configuram como eventos independentes, sem aportes financeiros ou institucionais de prefeituras e secretarias de cultura, cuja finalidade é ocupar o espaço público para incentivar, valorizar e promover arte, cultura e entretenimento gratuito para os mais diversos habitantes citadinos.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;As Rodas Culturais são uma teia de artistas e trabalhadores independentes, como poetas, fotógrafos, Mcs, músicos, grafiteiros, artistas plásticos, artistas circenses, atores, profissionais do audiovisual, esportistas urbanos etc. Essa rede unifica, intensifica e expande a sustentabilidade da cultura de rua dos bairros cariocas&amp;lt;ref&amp;gt;Disponível em: &amp;lt;https://www.facebook.com/pg/circuitocariocaderitmoepoesia/about/?ref=page_internal&amp;gt;. Acesso em: 29/02/2020.&amp;lt;/ref&amp;gt;.&#039;&#039;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Foi na 3ª edição do Vamos Desenrolar sobre Arte Urbana que Rico, MC e produtor cultural da Roda de Olaria&amp;lt;ref&amp;gt;A Roda de Olaria possuía até o ano de 2018 três produtores culturais: Laércio Soares Corrêa, Bruno Teixeira e Felippe Massal. Eles são conhecidos por seus amigos mais próximos como Rico, Bruno Xédom ou “Xerélos” e Massal. Rico é MC e lutador de Jiu-Jtsu, Bruno é tatuador e grafiteiro, e Felippe Massal faz graduação em Direito é responsável por fazer as filmagens das batalhas e fotografias do evento. &amp;lt;/ref&amp;gt; falou sobre a importância deste tipo de evento na construção dos espaços que geralmente são reconhecidos como vazios ou ausentes de políticas públicas culturais. Em contrapartida, o MC ressaltou uma série de dificuldades que a Roda de Olaria&amp;lt;ref&amp;gt;Bem como outras Rodas Culturais cariocas.&amp;lt;/ref&amp;gt; sempre enfrentou desde que começou a ocupar as Quadras Gêmeas em 2012.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Segundo Rico, no início era apenas um encontro despretencioso de amigos MCs que, nas noites de quintas-feiras, levavam violões e cajóns para a praça, e se sentavam em roda para conversar e improvisar algumas rimas sob uma tenda branca. Com o passar do tempo o público foi ficando cada vez maior e as Quadras Gêmeas passaram a se tornar palco de um encontro protagonizado por pessoas de diferentes faixas etárias, moradores do bairro de Olaria e adjacências.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;No entanto, Rico afirmou que a história da Roda de Olaria é de uma luta constante por conta de uma série de problemáticas que os produtores precisavam administrar: desde a falta de dinheiro para alugar os equipamentos, negociações para conseguir o Nada Opor&amp;lt;ref&amp;gt;Alvará de Autorização Transitória para eventos em geral: culturais, sociais, desportivos, religiosos e quaisquer outros que promovam concentrações de pessoas. No caso das rodas culturais, este alvará precisava ser emitido pelo Batalhão da Polícia Militar do bairro.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ref&amp;gt; às repressões policiais durante o evento. No encontro, o MC enfatizou: “a única forma que a gente tem de diálogo com o poder público é de forma ‘truculenta’, que é com a polícia. A polícia não entende quando você chega num espaço e quer ocupar para mudança; é revitalização do espaço a princípio de tudo. Tivemos essa truculência com a polícia, mas mesmo assim a gente continuou fazendo.”&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Um dos primeiros impactos foi uma multa. Em uma das quintas-feiras do ano de 2015 enquanto Rico, Felippe, Bruno e outros amigos começavam a montar o som, chegou, nas palavras de Rico, “um cidadão” da IRLF (Inspetorias Regionais de Licenciamento e Fiscalização) e disse que não poderiam realizar o evento. Por conta de todo esse transtorno em relação à multa, a Roda ficou temporariamente parada, mas depois de um curto período de tempo, as atividades foram retomadas. No entanto, duas semanas depois, dois policiais militares do 16º Batalhão de Olaria interromperam o evento e exigiram a retirada das caixas de som e esvaziamento do local.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Semanalmente o alvará que permitiria o funcionamento da Roda precisava ser negociado e renegociado com o batalhão do bairro. Isto significou, durante todo o ano de 2016, que a Roda legalmente estava proibida de acontecer. Frente a isso, os produtores criaram um movimento que denominaram “Resistência Cultural”. No total, foram quatorze encontros de “resistência” com atividades diversas: desde campeonatos de basquete e skate a batalhas de rimas, exposições de telas e debates. Após o último encontro, a Roda de Olaria conseguiu novamente o alvará e retomou as atividades Porém, vale notar que, múltiplas formas de silenciamentos, repressões e denúncias continuaram a ocorrer.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Assim sendo, os produtores culturais da Roda de Olaria encontram, em meio às dificuldades de realizar a Roda, suas próprias formas de uso da praça; suas próprias maneiras de fazer (Certeau, 1994). É neste contexto que o trio de produtores vêm desde 2012 “resistindo” e fazendo da rua, nas palavras de Rico, seu “campo de atuação”.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;No dia 9 de janeiro de 2018 houve a promulgação da Lei Estadual nº 7837 que declara Patrimônio Cultural Imaterial do estado do Rio de Janeiro a cultura hip-hop e todas as suas manifestações artísticas. Deste modo, as rodas culturais finalmente estariam dispensadas da prévia autorização da Polícia Militar. Ainda assim, é válido salientar que a dificuldade de manter o evento continua grande. Mesmo amparada pela lei, os produtores não possuem qualquer aporte financeiro ou institucional. Consequentemente, não conseguem arcar com todos os custos para sua realização. Hoje, as reuniões da Roda de Olaria ocorrem com pouquíssima frenquência.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
==== &#039;&#039;&#039;Circulando&#039;&#039;&#039; ====&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;O Circulando -&amp;amp;nbsp; Diálogo e Comunicação na favela é um evento realizado pelo Instituto Raízes em Movimento desde 2007. Atualmente, ele tem uma regularidade anual, mas já foi realizado mais de uma vez por ano, quando necessário, até o ano de 2010. Ele, começa a ser gerido em 2006, em parceria com o Observatório de Favelas e a Escola Popular de Comunicação Crítica (ESPOCC), tendo sua primeira edição realizada no ano seguinte. Trata-se de um evento de artes, cultura e comunicação. A propósito, o nome do evento surge já nas primeiras reuniões de produção da primeira edição. E, em ata de 2006, assim ficou registrado a importância de comunicação e direito de expressão e manifestação de modo ativo.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;A importância e o direito de todos se expressarem, se manifestarem de forma ativa e por meios ativos, de ganharem visibilidade e partilharem idéias e visões diferentes de mundo. Ainda, a importância de se chamar a atenção para o potencial expressivo e “comunicador” de cada indivíduo e meios que, às vezes, muita gente não vê como meios de transmissão de mensagens. E a importância de se chamar a atenção para a forma estereotipada como os chamados meios de comunicação de massa retratam as comunidades populares e de se indicar, quando não viabilizar, possibilidades de abordagens diferenciadas sobre essas comunidades, por essas comunidades (INSTITUTO RAÍZES EM MOVIMENTO, 2017, p. 139).&#039;&#039;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;É importante começar destacando o aspecto de comunicação que caracteriza o evento. Trata-se de uma dimensão de dupla direção. Quer dizer, por um lado, o Circulando tem uma preocupação inicial de dialogar com as/os moradoras/es do Complexo do Alemão; inicialmente, trazendo informações e conteúdos produzidos por atores não locais e difundindo-os favela adentro, mas também, e sobretudo, nos anos mais recentes, têm sido uma maneira do Instituto Raízes em Movimento, apresentar sua produção anual para a localidade. Neste, sentido é (se) comunicar de modo crítico e dialogado com o local que dá sentido à existência da organização, e cuja relação de pertencimento muitas vezes é construída pela mídia tradicional, com seus sangrentos telejornais, entretenimentos baratos e programas evangélicos pentecostais. É nessa seara de luta e produção de narrativas, que o Circulando se insere primeiramente.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Por outro lado, é falar para fora também, tensionar as representações sobre o Complexo do Alemão, que produzem efeitos concretos muito nocivos para o bairro. Por exemplo, no ano de 2010, duas semanas após a megaoperação de ocupação militarizada do Complexo do Alemão, foi realizado uma edição “extra” do Circulando, montado com urgência, mas sem perder a eficiência, para refletir sobre tudo o que estava acontecendo. Para tanto, foi fundamental a ocupação do espaço público, para levar à cidade novos sentido sobre a vida no bairro, com suas dificuldades e diversidades. Uma ferramenta de comunicação de base, interna e externa, através da ocupação do espaço público local, produzindo afetos e solidariedade, este é, o primeiro objetivo do Circulando.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Nisto temos o comum que se transmuta na multiplicidade, como diversidade, reconhecimento de uma nova configuração dos processos de organização de sujeitos democráticos capazes de expressar potência política (filosófica, estética), que atua de modo horizontal e, portanto, num espaço que lhe permita criar modos de vida, de sentir, ver, agir, ouvir de maneiras diferentes a partir das múltiplas experiências, inclusive do modo de ocupação do espaço – as ruas, becos e vielas, ligam-se e interligam-se, conectam-se e desconectam-se com aquilo que de mais potente tem do que nomeamos cidade: a vida. Compreendendo isso, o Circulando - Diálogo e comunicação na favela propõe alargar, circular, comunicar sob as mais diversas formas de expressão artísticas que compõem a favela. Isso implicar dizer que a favela além de produzir arte, ela produz vida como forma de existência.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Aqui nos reconectamos com o objetivo central do verbete e podemos mesmo afirmar que, falar da produção das artes urbanas é falar da produção da vida na cidade. O que nos remete aos já citados, direitos culturais, como um bem social e o exercício da liberdade de expressão e pensamento. E aqui, sua dimensão principal é a diversidade dos gêneros artísticos que compõem o evento, ressignificando, como apresentado na seção dois deste texto: as formas hegemônicas de produção artística e cultural.&amp;amp;nbsp; São diversas linguagens que se apresentam no Circulando: grafite, poesia, cinema, teatro, música, fotografia e dança. Às quais se somam outras atividades, voltadas para brincadeira de criança, informativos para serviço públicos e outras organizações locais, e ações de cunho mais acadêmico, como lançamento de livros ou rodas de debates/conversa.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Essa dimensão artística do Circulando também é uma via de mão dupla interna e externa ao Complexo do Alemão, na chave da arte e cultura como um direito. Por um lado, visa dar espaço e apresentar a produção local às/aos moradoras/es do bairro, mas também aos visitantes que vêm de outros lugares para participar do evento. Desta forma,são convidadas bandas - como o Bloco de samba da Grota - ou ainda cantoras/es, poetas, fotógrafas/os ou grafiteiras/os locais; ou abre-se espaço para o já citado Teatro da Laje ou ao bloco das águas, do bairro vizinho da Penha.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Por outro lado, há convidados, “de fora”, que compartilham produções pouco acessíveis ao Complexo do Alemão, seja pela falta de apoio para garantir sua difusão em comparação às produções mais lucrativas, seja porque certas produções de organizações parceiras, dificilmente seriam conhecidas localmente, sem a mediação do Instituto Raízes em Movimento, através do Circulando. Podemos citar, a título de ilustração, as participações de fora até do estado do Rio de Janeiro, como a Orquestra Afrobeat Anjos e Querubins e de Juninho, Iracema, Lemuel diretamente da aldeia Tupinambá de Itapoã, em Ilhéus na Bahia.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Neste sentido, poderíamos também, definir o Circulando como um festival de artes urbanas, com diversas linguagens sendo apresentadas no espaço público periférico. Mantendo seus compromissos com a comunicação e produção de narrativas críticas sobre as favelas, voltado para dialogar com a cidade do Rio de Janeiro como um todo, mas também para dentro do espaço onde é realizado e o ponto de partida para toda sua formulação, o Complexo do Alemão.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
==== &#039;&#039;&#039;Considerações finais.&amp;amp;nbsp;&#039;&#039;&#039; ====&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Os exemplos da Roda de Olaria e do Circulando ilustram bem a ideia de falar em “artes urbanas” para tratar da produção cultural oriunda das populações faveladas, por conta de duas de suas características: a primeira é a diversidade de manifestações (por isso, o plural) e a fuga de um concepção de arte pensada a partir de um parâmetro estético mais estático, que considera apenas as formas mais hegemônicas e legitimadas, muitas vezes condensadas no que se costuma chamar de cultura erudita; a segunda, que diz mais respeito ao adjetivo “urbano”, aponta para o espaço por excelência de dessa produção cultural, que é o espaço público, da cidade.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Todavia, retomando as pistas oferecidas pelo debate promovido no encontro sobre “artes urbanas” do Vamos Desenrolar citado lá no começo do texto, vemos que também estão envolvidas as questões do corpo, da resistência e do apuro estético. Esse conjunto de elementos nos abre um mar de possibilidades de reflexão em torno do triângulo: arte, favelas e cidades.&amp;amp;nbsp; &amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
==== &#039;&#039;&#039;Referências bibliográficas&#039;&#039;&#039; ====&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;ALVES, Rôssi. Resistência e empoderamento na literatura urbana carioca. Estudos de literatura brasileira contemporânea, n. 49, p. 183-202, set./dez. 2016.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;CERTEAU, Michel de. A invenção do cotidiano: 1. artes de fazer. Petrópolis, RJ: Vozes, 1994.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;FOUCAULT, Michel.&amp;amp;nbsp; O Nascimento da Medicina Social. In.: FOUCAULT, Michel. Microfísica do Poder. 20ª edição. Rio de Janeiro, Graal, 2005, pp.79-98.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;INSTITUTO RAÍZES EM MOVIMENTO. Instituto Raízes em Movimento: um canto à experiência. In.: SANTOS JÚNIOR, Orlando Alves do; NOVAES, Patrícia Ramos; LACERDA, Larissa; WERNECK, Mariana (Orgs.). Caderno Didático “Políticas Públicas e Direito à Cidade: Programa Interdisciplinar de Formação de Agentes Sociais”, Observatório das Metrópoles, 2017, 135-142)&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;OLIVEIRA, Priscila Telles de. Roda Cultural de Olaria: &amp;quot;resistência&amp;quot; e formas de atuação. 2018, 149f. Dissertação (Mestrado em Antropologia) ,Universidade Federal Fluminense (UFF). Niterói, 2018.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;TOPALOV, Christian. Da questão social aos problemas urbanos: os reformadores e a população das metrópoles em princípios do século XX. In.: RIBEIRO, Luiz Cesar Queiroz; PECHMAN, Robert Moses (Org.). Cidade, povo e nação: gênese do urbanismo moderno. Rio de Janeiro, Letra Capital, Observatório das Metrópoles, INCT, 2015, pp. 23 – 52. Disponível em: [http://web.observatoriodasmetropoles.net/images/abook_file/cidade_povo_nacao2ed.pdf http://web.observatoriodasmetropoles.net/images/abook_file/cidade_povo_nacao2ed.pdf].&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt;  &lt;br /&gt;
[[Category:Arte Urbana]] [[Category:Grafite]] [[Category:Arte]] [[Category:Cultura]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Thiago Matiolli</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://homologacao2.wikifavelas.com.br/index.php?title=Artes_urbanas_e_favelas&amp;diff=4350</id>
		<title>Artes urbanas e favelas</title>
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		<updated>2020-03-01T23:25:45Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Thiago Matiolli: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Por Pricila Telles e&amp;amp;nbsp;[https://wikifavelas.com.br/index.php?title=Usuário:Thiago_Matiolli Thiago Matiolli]&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;No dia 05 de novembro de 2016, um sábado chuvoso, o Instituto Raízes em Movimento&amp;lt;ref&amp;gt;Para maiores informações sobre a organização, ver o verbete “Instituto Raízes em Movimento”, neste dicionário. &amp;lt;/ref&amp;gt; realizou o 3º encontro do Vamos Desenrolar - Oficina de Produção de Memórias e Conhecimento&amp;lt;ref&amp;gt; Para saber mais sobre o evento, ver o Verbete “Vamos Desenrolar”, neste dicionário. &amp;lt;/ref&amp;gt;, que abordava as artes urbanas. As discussões trataram do campo das expressões culturais na cidade em espaços abertos, favelas, praças públicas, ruas… A proposta foi refletir sobre as resistências e criatividade na construção desses espaços que geralmente são construídos no vácuo de políticas públicas culturais e na busca de expressões libertárias. O encontro trouxe à superfície experiências musicais, grafite, teatro, saraus, rodas culturais, enfim, caminhos alternativos de apropriação e combate à indústria cultural de massa. Os Dinamizadores foram: Adriana Lopes: pesquisadora e professora da UFRRJ; Carlos Meijueiro: pesquisador e ativista cultural; Cláudio Vaz: professor de artes e ativista cultural; Gustavo Coelho: pesquisador sobre pichação e outras culturas de rua (diretor do documentário “Luz Câmera, Pichação”); e Rico Neurótico: MC&amp;lt;ref&amp;gt;O termo MC é uma adaptação do inglês master of cerimony, que significa Mestre de Cerimônia. É aquele (a) que, enquanto a é tocada, elabora, recita e canta suas rimas e poesias. &lt;br /&gt;
&amp;lt;/ref&amp;gt; e produtor cultural da Roda Cultural de Olaria. Este último, personagem que fica no entrecruzamento dos assuntos abordados neste verbete, bem como nos exemplos tomados para ilustração do argumento: a Roda Cultural de Olaria e o Circulando - Diálogo e Comunicação na Favela.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;O tema das “artes urbanas” não é de conceituação simples e, muito menos, taxativa. Porém, quando retomamos o debate promovido pela edição do Vamos Desenrolar citado acima, é possível encontrar algumas pistas. Por exemplo, Adriana Lopes iniciou a conversa falando sobre a importância do funk e a presença potente das mulheres nesse ambiente produtivo, destacando que &amp;amp;nbsp;“a arte urbana é mais que o grafismo, a gente escreve com nossos corpos, com nossas roupas...”; Cláudio Vaz disse que não se importava de ter seus projetos copiados por outros produtores e com humor afirmou “Se fizer bem feito é bom, se não fizer bem eu vou lá e reclamo!”; Gustavo Coelho lembrou dos movimentos “xarpi” - que será retomado mais a frente -, bate bola e baile funk “A pixação não é feia, pelo contrário, tem muita delicadeza no traço”; e, por fim, mas não menos importante, MC Rico Neurótico lembrou que “A rua não é só a ferramenta, é o nosso campo de atuação..”&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;No intuito de se aproximar de uma caracterização das artes urbanas que norteie este verbete, exploraremos melhor estas pistas na próxima seção.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Artes Urbanas ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== &amp;amp;nbsp; ====&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;As falas destacadas acima nos trazem várias características das artes artes urbanas: a importância dos corpos; o apreço pela questão estética e a qualidade da obra; as possibilidades de sua prática enquanto resistência; a diversidades das linguagens que a compõem: a música, as artes plásticas (como o grafite e a pichação), as representações teatrais (como os bate-bolas citados) - aos quais podemos somar a literatura, a dança, e o audiovisual; e, ainda, a rua, ou o espaço público como lugar predominante de sua manifestação. Aqui, não abordaremos todas essas dimensões, focaremos em duas delas (sem, contudo, deixar totalmente de lado, as demais): sua pluralidade e o espaço público como seu palco principal.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;A cidade está longe de ser um lugar que possa ser compreendido em sua totalidade. Seus habitantes cultivam estilos particulares de entretenimento, mantém vínculos de sociabilidade e relacionamento, criam modos e padrões culturais diferenciados. Marcada, então, pela sua diversidade e heterogeneidade, a cidade se encontra como lugar privilegiado para análise de uma multiplicidade de atividades e formas de participação. Dentre essas formas de participação, as expressões artísticas, em suas diversas dimensões – sonoras, visuais e performativas –, têm se mostrado um objeto relevante para se pensar essa urbe. Como veremos na realização dos festivais circulando.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;A rua, cada vez mais, tem se tornado palco de diferentes tipos de manifestações artísticas e culturais. Em uma caminhada vespertina pelo centro da cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, é possível ver músicos de rua, artistas circenses, entre outros que, encontram nesses espaços, lócus para suas atividades. Afastando-se um pouco da região central carioca, nota-se que em diversos bairros das Zonas Norte, Sul e Oeste, as praças também têm sido logradouro de manifestações deste cunho. As Rodas Culturais e, mais especificamente, a Roda de Olaria é um importante exemplo disso.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
==== &#039;&#039;&#039;Artes urbanas e periferia&amp;amp;nbsp;&#039;&#039;&#039; ====&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;As relações entre cidade e favela, ou outras formas espaciais periféricas, podem ser pensadas, em suas diversas dimensões, sob a chave de uma dualidade: a importância dos corpos e energias de moradoras/es desses espaços são indispensáveis para o funcionamento da cidade como um todo; ao mesmo tempo em que há uma profunda necessidade de controle social destas populações, tendo em vista o tensionamento que sua circulação pelo espaço urbano causa. Sob este pano de fundo que devemos refletir sobre as artes urbanas produzidas e vivenciadas nas favelas.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;O caráter indispensável de moradoras/es da periferia para o funcionamento da vida citadina foi ressaltado na realização da edição de 2017 do Circulando, com o lema: “o rolé das favelas produz cidade&amp;lt;ref&amp;gt;A cada ano, o Circulando tem um mote diferente e, em alguns deles, uma camisa com seu lema é vendida no evento. Em 2017 foi rolébilidade; em 2015, com o mote da memória, a camisa trazia o lema: “Meu nome é favela, minha história também”; e, em 2018, abordando a diversidade, o slogan foi “somos juntxs”. &amp;lt;/ref&amp;gt;” - em termos concretos e simbólicos. O mote daquele ano era mobilidade urbana, ou melhor, “rolébilidade” - entendida como a forma de mobilidade periférica, com todas suas dificuldades e estratégias, desde a debilidade do transporte público até às&amp;amp;nbsp; circulações internas à favelas, pelos seus becos&amp;lt;ref&amp;gt;Ver o verbete “mobilidades”, neste dicionário.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ref&amp;gt;; um circuito que tenta, com maior ou menor sucesso, controlar o rolé de faveladas/os na cidade, permitindo a circulação precária para o trabalho, mas restringindo-a com relação ao lazer. De todo modo, a “rolébilidade” também nos permite questionar se a arte periférica também não é fundamental para a vida urbana, cimentada pela força e criatividade favelada..&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;O circulando deu o papo reto: as favelas contribuem, literalmente, para a construção das cidades, com sua mão de obra e suor, todavia, pouco conseguem gozar da urbanidade que ela proporciona, sobretudo em termos de direitos, inclusive os culturais. Estes são limitados de, ao menos, duas maneiras: invisibilizando e criminalizando suas manifestações artísticas ou negando-lhes contato com outras produções, mesmo as mais mainstream. Por exemplo, o afastamento do cinema ou de teatros.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Com relação à criminalização da produção artística, é preciso ressaltar que as populações periféricas, em geral, também são construídas como “classes perigosas”. Um fenômeno histórico que remete ao processo de urbanização na Europa do século XIX, quando há uma intensa concentração demográfica nas cidades e, consequentemente, o desencadeamento de uma série de problemas ligados à vida nestes espaços. O que teria levado ao surgimento de uma “questão urbana” como objeto de reflexão das elites políticas e intelectuais. Neste processo, a miséria e o controle social de um contingente populacional tão grande se tornou um desafio quase intransponível. Uma das tentativas de solucioná-lo passou pela divisão das pessoas entre uma “classe operária respeitável”, que querem emprego, mas não o encontram e se comportam de modo disciplinado e moralmente aceito em sociedade; das massas empobrecidas, ou “classes perigosas”, incorrigíveis e incontroláveis, fonte de três perigos para as elites urbanas: o sanitário, o da criminalidade e da sublevação política (Topalov, 2015; Foucault, 2005).&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Este último risco talvez seja a preocupação mais efetiva dessas elites urbanas, ainda que nem tanto das classes médias, capturadas pelo discurso do medo e da segurança pública. A predominância de um discurso que ressalta, cotidiana e midiaticamente, os perigos de uma “violência urbana” acaba compondo um dispositivo que justifica ações de controle dos riscos reais da transformação política desencadeada pelas classes ditas “perigosas”. Como, por exemplo, na criminalização de práticas artísticas faveladas ao longo da história do Rio de Janeiro que tinha como alvo o samba, no início do século XX, e passa a ter como inimigo no fim deste século e início do XXI, o funk. Ambas formas culturais que descrevem e, em alguma medida, denunciam as condições de vida de seus compositores.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Mas, essa criminalização não é um processo contra o qual não se poder resistir. A relação das elites urbanas com as populações periféricas é muito mais sutil e complexa, do que a de uma mera subordinação.&amp;amp;nbsp; E uma chave para entendermos isso é dada, novamente, por Christian Topalov (2015), historiador francês. Essa interação tomaria forma num jogo de apropriações e ressignificações de práticas realizado pelas elites urbanas e as populações mais pobres. Nas quais práticas populares de resistência são apreendidas por tais elites, que as reconfiguram de modo a esvaziá-las de seu teor político; ao mesmo tempo em que, ainda que em menor grau, práticas de controle social podem ser repensadas e reconstruídas de modo que possam também se tornar veículos de contestação social e políticas (Topalov, 2015).&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Neste sentido, e voltando à questão do samba e do funk, vemos a complexidade de um dispositivo de controle social que é econômico e repressivo. Com o passar do tempo, esses ritmos foram depurados e aceitos em outros espaços da cidade. Assim, por exemplo, seguem as repressões às festas e eventos nas favelas, ao som de funk, principalmente, mas ainda do samba também, ao mesmo tempo em que essas músicas bombam em eventos caros das zonas mais abastadas da cidade, ou ao som do cantor Thiaguinho em sua “tardezinha” no estádio do Maracanã. Quer dizer, as práticas culturas periféricas são aceitas quando estão desassociadas de seus lugares de origem e entram em circuitos lucrativos da indústria cultural, mas seguem sendo marginalizadas quando são indóceis demais para serem controladas e entrarem no jogo econômico.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Por outro lado, há ressignificações também em sentido contrário, produzindo resistências. Isso podemos ver em eventos como a Roda de Olaria e o Circulando, onde práticas culturais de elites não são negadas, pelo contrário, são apropriadas e recebem um sentido político novo, de contestação e reinvenção de significados. Deste modo, por exemplo, o Circulando conta em muitas de suas edições com apresentações teatrais, levadas a cabo, pelo grupo Teatro da Laje, coordenado pelo professor Veríssimo Júnior; ou através da poesia, cujos limites são totalmente ampliados e transformados, sem perder seu lirismo, na Roda de Olaria.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Assim, tal como propomos aqui, pensar a relação entre as artes urbanas e a periferia é reconhecer que sua riqueza, diversidade e capacidade de ocupar o espaço público estão envolvidas numa complexa prática de criminalização que envolve uma seleção e depuração de práticas que podem atender a certos circuitos lucrativos (e que passam a ser legítimas e aceitas na sociedade) de outras que seguiram como ferramentas de controle social. Ao mesmo tempo em que, esse controle não é fácil e confortável, mas que é constantemente tensionado pela reinventidade (mote do Circulando de 2016) favelada e periférica, que produz ou ressignifica artes mais consagradas.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
==== &#039;&#039;&#039;&amp;amp;nbsp;A Roda de Olaria&#039;&#039;&#039; ====&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;As rodas culturais também nos permitem perceber como a arte urbana e periférica, em suas múltiplas dimensões, é capaz de cimentar a vida na cidade ressignificando o espaço público. É possível contabilizar mais de cem rodas culturais que ocorrem diariamente, em diversos lugares da cidade, com a participação aberta a todo e qualquer artista e de forma gratuita (Alves, 2016). Em grande medida, elas se configuram como eventos independentes, sem aportes financeiros ou institucionais de prefeituras e secretarias de cultura, cuja finalidade é ocupar o espaço público para incentivar, valorizar e promover arte, cultura e entretenimento gratuito para os mais diversos habitantes citadinos.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;As Rodas Culturais são uma teia de artistas e trabalhadores independentes, como poetas, fotógrafos, Mcs, músicos, grafiteiros, artistas plásticos, artistas circenses, atores, profissionais do audiovisual, esportistas urbanos etc. Essa rede unifica, intensifica e expande a sustentabilidade da cultura de rua dos bairros cariocas&amp;lt;ref&amp;gt;Disponível em: &amp;lt;https://www.facebook.com/pg/circuitocariocaderitmoepoesia/about/?ref=page_internal&amp;gt;. Acesso em: 29/02/2020.&amp;lt;/ref&amp;gt;.&#039;&#039;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Foi na 3ª edição do Vamos Desenrolar sobre Arte Urbana que Rico, MC e produtor cultural da Roda de Olaria&amp;lt;ref&amp;gt;A Roda de Olaria possuía até o ano de 2018 três produtores culturais: Laércio Soares Corrêa, Bruno Teixeira e Felippe Massal. Eles são conhecidos por seus amigos mais próximos como Rico, Bruno Xédom ou “Xerélos” e Massal. Rico é MC e lutador de Jiu-Jtsu, Bruno é tatuador e grafiteiro, e Felippe Massal faz graduação em Direito é responsável por fazer as filmagens das batalhas e fotografias do evento. &amp;lt;/ref&amp;gt; falou sobre a importância deste tipo de evento na construção dos espaços que geralmente são reconhecidos como vazios ou ausentes de políticas públicas culturais. Em contrapartida, o MC ressaltou uma série de dificuldades que a Roda de Olaria&amp;lt;ref&amp;gt;Bem como outras Rodas Culturais cariocas.&amp;lt;/ref&amp;gt; sempre enfrentou desde que começou a ocupar as Quadras Gêmeas em 2012.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Segundo Rico, no início era apenas um encontro despretencioso de amigos MCs que, nas noites de quintas-feiras, levavam violões e cajóns para a praça, e se sentavam em roda para conversar e improvisar algumas rimas sob uma tenda branca. Com o passar do tempo o público foi ficando cada vez maior e as Quadras Gêmeas passaram a se tornar palco de um encontro protagonizado por pessoas de diferentes faixas etárias, moradores do bairro de Olaria e adjacências.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;No entanto, Rico afirmou que a história da Roda de Olaria é de uma luta constante por conta de uma série de problemáticas que os produtores precisavam administrar: desde a falta de dinheiro para alugar os equipamentos, negociações para conseguir o Nada Opor&amp;lt;ref&amp;gt;Alvará de Autorização Transitória para eventos em geral: culturais, sociais, desportivos, religiosos e quaisquer outros que promovam concentrações de pessoas. No caso das rodas culturais, este alvará precisava ser emitido pelo Batalhão da Polícia Militar do bairro.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ref&amp;gt; às repressões policiais durante o evento. No encontro, o MC enfatizou: “a única forma que a gente tem de diálogo com o poder público é de forma ‘truculenta’, que é com a polícia. A polícia não entende quando você chega num espaço e quer ocupar para mudança; é revitalização do espaço a princípio de tudo. Tivemos essa truculência com a polícia, mas mesmo assim a gente continuou fazendo.”&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Um dos primeiros impactos foi uma multa. Em uma das quintas-feiras do ano de 2015 enquanto Rico, Felippe, Bruno e outros amigos começavam a montar o som, chegou, nas palavras de Rico, “um cidadão” da IRLF (Inspetorias Regionais de Licenciamento e Fiscalização) e disse que não poderiam realizar o evento. Por conta de todo esse transtorno em relação à multa, a Roda ficou temporariamente parada, mas depois de um curto período de tempo, as atividades foram retomadas. No entanto, duas semanas depois, dois policiais militares do 16º Batalhão de Olaria interromperam o evento e exigiram a retirada das caixas de som e esvaziamento do local.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Semanalmente o alvará que permitiria o funcionamento da Roda precisava ser negociado e renegociado com o batalhão do bairro. Isto significou, durante todo o ano de 2016, que a Roda legalmente estava proibida de acontecer. Frente a isso, os produtores criaram um movimento que denominaram “Resistência Cultural”. No total, foram quatorze encontros de “resistência” com atividades diversas: desde campeonatos de basquete e skate a batalhas de rimas, exposições de telas e debates. Após o último encontro, a Roda de Olaria conseguiu novamente o alvará e retomou as atividades Porém, vale notar que, múltiplas formas de silenciamentos, repressões e denúncias continuaram a ocorrer.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Assim sendo, os produtores culturais da Roda de Olaria encontram, em meio às dificuldades de realizar a Roda, suas próprias formas de uso da praça; suas próprias maneiras de fazer (Certeau, 1994). É neste contexto que o trio de produtores vêm desde 2012 “resistindo” e fazendo da rua, nas palavras de Rico, seu “campo de atuação”.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;No dia 9 de janeiro de 2018 houve a promulgação da Lei Estadual nº 7837 que declara Patrimônio Cultural Imaterial do estado do Rio de Janeiro a cultura hip-hop e todas as suas manifestações artísticas. Deste modo, as rodas culturais finalmente estariam dispensadas da prévia autorização da Polícia Militar. Ainda assim, é válido salientar que a dificuldade de manter o evento continua grande. Mesmo amparada pela lei, os produtores não possuem qualquer aporte financeiro ou institucional. Consequentemente, não conseguem arcar com todos os custos para sua realização. Hoje, as reuniões da Roda de Olaria ocorrem com pouquíssima frenquência.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
==== &#039;&#039;&#039;Circulando&#039;&#039;&#039; ====&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;O Circulando -&amp;amp;nbsp; Diálogo e Comunicação na favela é um evento realizado pelo Instituto Raízes em Movimento desde 2007. Atualmente, ele tem uma regularidade anual, mas já foi realizado mais de uma vez por ano, quando necessário, até o ano de 2010. Ele, começa a ser gerido em 2006, em parceria com o Observatório de Favelas e a Escola Popular de Comunicação Crítica (ESPOCC), tendo sua primeira edição realizada no ano seguinte. Trata-se de um evento de artes, cultura e comunicação. A propósito, o nome do evento surge já nas primeiras reuniões de produção da primeira edição. E, em ata de 2006, assim ficou registrado a importância de comunicação e direito de expressão e manifestação de modo ativo.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;A importância e o direito de todos se expressarem, se manifestarem de forma ativa e por meios ativos, de ganharem visibilidade e partilharem idéias e visões diferentes de mundo. Ainda, a importância de se chamar a atenção para o potencial expressivo e “comunicador” de cada indivíduo e meios que, às vezes, muita gente não vê como meios de transmissão de mensagens. E a importância de se chamar a atenção para a forma estereotipada como os chamados meios de comunicação de massa retratam as comunidades populares e de se indicar, quando não viabilizar, possibilidades de abordagens diferenciadas sobre essas comunidades, por essas comunidades (INSTITUTO RAÍZES EM MOVIMENTO, 2017, p. 139).&#039;&#039;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;É importante começar destacando o aspecto de comunicação que caracteriza o evento. Trata-se de uma dimensão de dupla direção. Quer dizer, por um lado, o Circulando tem uma preocupação inicial de dialogar com as/os moradoras/es do Complexo do Alemão; inicialmente, trazendo informações e conteúdos produzidos por atores não locais e difundindo-os favela adentro, mas também, e sobretudo, nos anos mais recentes, têm sido uma maneira do Instituto Raízes em Movimento, apresentar sua produção anual para a localidade. Neste, sentido é (se) comunicar de modo crítico e dialogado com o local que dá sentido à existência da organização, e cuja relação de pertencimento muitas vezes é construída pela mídia tradicional, com seus sangrentos telejornais, entretenimentos baratos e programas evangélicos pentecostais. É nessa seara de luta e produção de narrativas, que o Circulando se insere primeiramente.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Por outro lado, é falar para fora também, tensionar as representações sobre o Complexo do Alemão, que produzem efeitos concretos muito nocivos para o bairro. Por exemplo, no ano de 2010, duas semanas após a megaoperação de ocupação militarizada do Complexo do Alemão, foi realizado uma edição “extra” do Circulando, montado com urgência, mas sem perder a eficiência, para refletir sobre tudo o que estava acontecendo. Para tanto, foi fundamental a ocupação do espaço público, para levar à cidade novos sentido sobre a vida no bairro, com suas dificuldades e diversidades. Uma ferramenta de comunicação de base, interna e externa, através da ocupação do espaço público local, produzindo afetos e solidariedade, este é, o primeiro objetivo do Circulando.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Nisto temos o comum que se transmuta na multiplicidade, como diversidade, reconhecimento de uma nova configuração dos processos de organização de sujeitos democráticos capazes de expressar potência política (filosófica, estética), que atua de modo horizontal e, portanto, num espaço que lhe permita criar modos de vida, de sentir, ver, agir, ouvir de maneiras diferentes a partir das múltiplas experiências, inclusive do modo de ocupação do espaço – as ruas, becos e vielas, ligam-se e interligam-se, conectam-se e desconectam-se com aquilo que de mais potente tem do que nomeamos cidade: a vida. Compreendendo isso, o Circulando - Diálogo e comunicação na favela propõe alargar, circular, comunicar sob as mais diversas formas de expressão artísticas que compõem a favela. Isso implicar dizer que a favela além de produzir arte, ela produz vida como forma de existência.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Aqui nos reconectamos com o objetivo central do verbete e podemos mesmo afirmar que, falar da produção das artes urbanas é falar da produção da vida na cidade. O que nos remete aos já citados, direitos culturais, como um bem social e o exercício da liberdade de expressão e pensamento. E aqui, sua dimensão principal é a diversidade dos gêneros artísticos que compõem o evento, ressignificando, como apresentado na seção dois deste texto: as formas hegemônicas de produção artística e cultural.&amp;amp;nbsp; São diversas linguagens que se apresentam no Circulando: grafite, poesia, cinema, teatro, música, fotografia e dança. Às quais se somam outras atividades, voltadas para brincadeira de criança, informativos para serviço públicos e outras organizações locais, e ações de cunho mais acadêmico, como lançamento de livros ou rodas de debates/conversa.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Essa dimensão artística do Circulando também é uma via de mão dupla interna e externa ao Complexo do Alemão, na chave da arte e cultura como um direito. Por um lado, visa dar espaço e apresentar a produção local às/aos moradoras/es do bairro, mas também aos visitantes que vêm de outros lugares para participar do evento. Desta forma,são convidadas bandas - como o Bloco de samba da Grota - ou ainda cantoras/es, poetas, fotógrafas/os ou grafiteiras/os locais; ou abre-se espaço para o já citado Teatro da Laje ou ao bloco das águas, do bairro vizinho da Penha.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Por outro lado, há convidados, “de fora”, que compartilham produções pouco acessíveis ao Complexo do Alemão, seja pela falta de apoio para garantir sua difusão em comparação às produções mais lucrativas, seja porque certas produções de organizações parceiras, dificilmente seriam conhecidas localmente, sem a mediação do Instituto Raízes em Movimento, através do Circulando. Podemos citar, a título de ilustração, as participações de fora até do estado do Rio de Janeiro, como a Orquestra Afrobeat Anjos e Querubins e de Juninho, Iracema, Lemuel diretamente da aldeia Tupinambá de Itapoã, em Ilhéus na Bahia.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Neste sentido, poderíamos também, definir o Circulando como um festival de artes urbanas, com diversas linguagens sendo apresentadas no espaço público periférico. Mantendo seus compromissos com a comunicação e produção de narrativas críticas sobre as favelas, voltado para dialogar com a cidade do Rio de Janeiro como um todo, mas também para dentro do espaço onde é realizado e o ponto de partida para toda sua formulação, o Complexo do Alemão.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
==== &#039;&#039;&#039;Considerações finais.&amp;amp;nbsp;&#039;&#039;&#039; ====&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Os exemplos da Roda de Olaria e do Circulando ilustram bem a ideia de falar em “artes urbanas” para tratar da produção cultural oriunda das populações faveladas, por conta de duas de suas características: a primeira é a diversidade de manifestações (por isso, o plural) e a fuga de um concepção de arte pensada a partir de um parâmetro estético mais estático, que considera apenas as formas mais hegemônicas e legitimadas, muitas vezes condensadas no que se costuma chamar de cultura erudita; a segunda, que diz mais respeito ao adjetivo “urbano”, aponta para o espaço por excelência de dessa produção cultural, que é o espaço público, da cidade.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Todavia, retomando as pistas oferecidas pelo debate promovido no encontro sobre “artes urbanas” do Vamos Desenrolar citado lá no começo do texto, vemos que também estão envolvidas as questões do corpo, da resistência e do apuro estético. Esse conjunto de elementos nos abre um mar de possibilidades de reflexão em torno do triângulo: arte, favelas e cidades.&amp;amp;nbsp; &amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
==== &#039;&#039;&#039;Referências bibliográficas&#039;&#039;&#039; ====&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;ALVES, Rôssi. Resistência e empoderamento na literatura urbana carioca. Estudos de literatura brasileira contemporânea, n. 49, p. 183-202, set./dez. 2016.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;CERTEAU, Michel de. A invenção do cotidiano: 1. artes de fazer. Petrópolis, RJ: Vozes, 1994.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;FOUCAULT, Michel.&amp;amp;nbsp; O Nascimento da Medicina Social. In.: FOUCAULT, Michel. Microfísica do Poder. 20ª edição. Rio de Janeiro, Graal, 2005, pp.79-98.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;INSTITUTO RAÍZES EM MOVIMENTO. Instituto Raízes em Movimento: um canto à experiência. In.: SANTOS JÚNIOR, Orlando Alves do; NOVAES, Patrícia Ramos; LACERDA, Larissa; WERNECK, Mariana (Orgs.). Caderno Didático “Políticas Públicas e Direito à Cidade: Programa Interdisciplinar de Formação de Agentes Sociais”, Observatório das Metrópoles, 2017, 135-142)&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;OLIVEIRA, Priscila Telles de. Roda Cultural de Olaria: &amp;quot;resistência&amp;quot; e formas de atuação. 2018, 149f. Dissertação (Mestrado em Antropologia) ,Universidade Federal Fluminense (UFF). Niterói, 2018.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;TOPALOV, Christian. Da questão social aos problemas urbanos: os reformadores e a população das metrópoles em princípios do século XX. In.: RIBEIRO, Luiz Cesar Queiroz; PECHMAN, Robert Moses (Org.). Cidade, povo e nação: gênese do urbanismo moderno. Rio de Janeiro, Letra Capital, Observatório das Metrópoles, INCT, 2015, pp. 23 – 52. Disponível em: [http://web.observatoriodasmetropoles.net/images/abook_file/cidade_povo_nacao2ed.pdf http://web.observatoriodasmetropoles.net/images/abook_file/cidade_povo_nacao2ed.pdf].&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt;  &lt;br /&gt;
[[Category:Arte Urbana]] [[Category:Grafite]] [[Category:Arte]] [[Category:Cultura]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Thiago Matiolli</name></author>
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		<title>Artes urbanas e favelas</title>
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		<updated>2020-03-01T23:25:08Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Thiago Matiolli: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Por Pricila Telles e&amp;amp;nbsp;[https://wikifavelas.com.br/index.php?title=Usuário:Thiago_Matiolli Thiago Matiolli]&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;No dia 05 de novembro de 2016, um sábado chuvoso, o Instituto Raízes em Movimento&amp;lt;ref&amp;gt;Para maiores informações sobre a organização, ver o verbete “Instituto Raízes em Movimento”, neste dicionário. &amp;lt;/ref&amp;gt; realizou o 3º encontro do Vamos Desenrolar - Oficina de Produção de Memórias e Conhecimento&amp;lt;ref&amp;gt; Para saber mais sobre o evento, ver o Verbete “Vamos Desenrolar”, neste dicionário. &amp;lt;/ref&amp;gt;, que abordava as artes urbanas. As discussões trataram do campo das expressões culturais na cidade em espaços abertos, favelas, praças públicas, ruas… A proposta foi refletir sobre as resistências e criatividade na construção desses espaços que geralmente são construídos no vácuo de políticas públicas culturais e na busca de expressões libertárias. O encontro trouxe à superfície experiências musicais, grafite, teatro, saraus, rodas culturais, enfim, caminhos alternativos de apropriação e combate à indústria cultural de massa. Os Dinamizadores foram: Adriana Lopes: pesquisadora e professora da UFRRJ; Carlos Meijueiro: pesquisador e ativista cultural; Cláudio Vaz: professor de artes e ativista cultural; Gustavo Coelho: pesquisador sobre pichação e outras culturas de rua (diretor do documentário “Luz Câmera, Pichação”); e Rico Neurótico: MC&amp;lt;ref&amp;gt;O termo MC é uma adaptação do inglês master of cerimony, que significa Mestre de Cerimônia. É aquele (a) que, enquanto a é tocada, elabora, recita e canta suas rimas e poesias. &lt;br /&gt;
&amp;lt;/ref&amp;gt; e produtor cultural da Roda Cultural de Olaria. Este último, personagem que fica no entrecruzamento dos assuntos abordados neste verbete, bem como nos exemplos tomados para ilustração do argumento: a Roda Cultural de Olaria e o Circulando - Diálogo e Comunicação na Favela.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;O tema das “artes urbanas” não é de conceituação simples e, muito menos, taxativa. Porém, quando retomamos o debate promovido pela edição do Vamos Desenrolar citado acima, é possível encontrar algumas pistas. Por exemplo, Adriana Lopes iniciou a conversa falando sobre a importância do funk e a presença potente das mulheres nesse ambiente produtivo, destacando que &amp;amp;nbsp;“a arte urbana é mais que o grafismo, a gente escreve com nossos corpos, com nossas roupas...”; Cláudio Vaz disse que não se importava de ter seus projetos copiados por outros produtores e com humor afirmou “Se fizer bem feito é bom, se não fizer bem eu vou lá e reclamo!”; Gustavo Coelho lembrou dos movimentos “xarpi” - que será retomado mais a frente -, bate bola e baile funk “A pixação não é feia, pelo contrário, tem muita delicadeza no traço”; e, por fim, mas não menos importante, MC Rico Neurótico lembrou que “A rua não é só a ferramenta, é o nosso campo de atuação..”&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;No intuito de se aproximar de uma caracterização das artes urbanas que norteie este verbete, exploraremos melhor estas pistas na próxima seção.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
==Nova Seção==&lt;br /&gt;
==== &#039;&#039;&#039;Artes urbanas&#039;&#039;&#039;&amp;amp;nbsp; ====&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;As falas destacadas acima nos trazem várias características das artes artes urbanas: a importância dos corpos; o apreço pela questão estética e a qualidade da obra; as possibilidades de sua prática enquanto resistência; a diversidades das linguagens que a compõem: a música, as artes plásticas (como o grafite e a pichação), as representações teatrais (como os bate-bolas citados) - aos quais podemos somar a literatura, a dança, e o audiovisual; e, ainda, a rua, ou o espaço público como lugar predominante de sua manifestação. Aqui, não abordaremos todas essas dimensões, focaremos em duas delas (sem, contudo, deixar totalmente de lado, as demais): sua pluralidade e o espaço público como seu palco principal.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;A cidade está longe de ser um lugar que possa ser compreendido em sua totalidade. Seus habitantes cultivam estilos particulares de entretenimento, mantém vínculos de sociabilidade e relacionamento, criam modos e padrões culturais diferenciados. Marcada, então, pela sua diversidade e heterogeneidade, a cidade se encontra como lugar privilegiado para análise de uma multiplicidade de atividades e formas de participação. Dentre essas formas de participação, as expressões artísticas, em suas diversas dimensões – sonoras, visuais e performativas –, têm se mostrado um objeto relevante para se pensar essa urbe. Como veremos na realização dos festivais circulando.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;A rua, cada vez mais, tem se tornado palco de diferentes tipos de manifestações artísticas e culturais. Em uma caminhada vespertina pelo centro da cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, é possível ver músicos de rua, artistas circenses, entre outros que, encontram nesses espaços, lócus para suas atividades. Afastando-se um pouco da região central carioca, nota-se que em diversos bairros das Zonas Norte, Sul e Oeste, as praças também têm sido logradouro de manifestações deste cunho. As Rodas Culturais e, mais especificamente, a Roda de Olaria é um importante exemplo disso.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
==== &#039;&#039;&#039;Artes urbanas e periferia&amp;amp;nbsp;&#039;&#039;&#039; ====&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;As relações entre cidade e favela, ou outras formas espaciais periféricas, podem ser pensadas, em suas diversas dimensões, sob a chave de uma dualidade: a importância dos corpos e energias de moradoras/es desses espaços são indispensáveis para o funcionamento da cidade como um todo; ao mesmo tempo em que há uma profunda necessidade de controle social destas populações, tendo em vista o tensionamento que sua circulação pelo espaço urbano causa. Sob este pano de fundo que devemos refletir sobre as artes urbanas produzidas e vivenciadas nas favelas.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;O caráter indispensável de moradoras/es da periferia para o funcionamento da vida citadina foi ressaltado na realização da edição de 2017 do Circulando, com o lema: “o rolé das favelas produz cidade&amp;lt;ref&amp;gt;A cada ano, o Circulando tem um mote diferente e, em alguns deles, uma camisa com seu lema é vendida no evento. Em 2017 foi rolébilidade; em 2015, com o mote da memória, a camisa trazia o lema: “Meu nome é favela, minha história também”; e, em 2018, abordando a diversidade, o slogan foi “somos juntxs”. &amp;lt;/ref&amp;gt;” - em termos concretos e simbólicos. O mote daquele ano era mobilidade urbana, ou melhor, “rolébilidade” - entendida como a forma de mobilidade periférica, com todas suas dificuldades e estratégias, desde a debilidade do transporte público até às&amp;amp;nbsp; circulações internas à favelas, pelos seus becos&amp;lt;ref&amp;gt;Ver o verbete “mobilidades”, neste dicionário.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ref&amp;gt;; um circuito que tenta, com maior ou menor sucesso, controlar o rolé de faveladas/os na cidade, permitindo a circulação precária para o trabalho, mas restringindo-a com relação ao lazer. De todo modo, a “rolébilidade” também nos permite questionar se a arte periférica também não é fundamental para a vida urbana, cimentada pela força e criatividade favelada..&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;O circulando deu o papo reto: as favelas contribuem, literalmente, para a construção das cidades, com sua mão de obra e suor, todavia, pouco conseguem gozar da urbanidade que ela proporciona, sobretudo em termos de direitos, inclusive os culturais. Estes são limitados de, ao menos, duas maneiras: invisibilizando e criminalizando suas manifestações artísticas ou negando-lhes contato com outras produções, mesmo as mais mainstream. Por exemplo, o afastamento do cinema ou de teatros.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Com relação à criminalização da produção artística, é preciso ressaltar que as populações periféricas, em geral, também são construídas como “classes perigosas”. Um fenômeno histórico que remete ao processo de urbanização na Europa do século XIX, quando há uma intensa concentração demográfica nas cidades e, consequentemente, o desencadeamento de uma série de problemas ligados à vida nestes espaços. O que teria levado ao surgimento de uma “questão urbana” como objeto de reflexão das elites políticas e intelectuais. Neste processo, a miséria e o controle social de um contingente populacional tão grande se tornou um desafio quase intransponível. Uma das tentativas de solucioná-lo passou pela divisão das pessoas entre uma “classe operária respeitável”, que querem emprego, mas não o encontram e se comportam de modo disciplinado e moralmente aceito em sociedade; das massas empobrecidas, ou “classes perigosas”, incorrigíveis e incontroláveis, fonte de três perigos para as elites urbanas: o sanitário, o da criminalidade e da sublevação política (Topalov, 2015; Foucault, 2005).&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Este último risco talvez seja a preocupação mais efetiva dessas elites urbanas, ainda que nem tanto das classes médias, capturadas pelo discurso do medo e da segurança pública. A predominância de um discurso que ressalta, cotidiana e midiaticamente, os perigos de uma “violência urbana” acaba compondo um dispositivo que justifica ações de controle dos riscos reais da transformação política desencadeada pelas classes ditas “perigosas”. Como, por exemplo, na criminalização de práticas artísticas faveladas ao longo da história do Rio de Janeiro que tinha como alvo o samba, no início do século XX, e passa a ter como inimigo no fim deste século e início do XXI, o funk. Ambas formas culturais que descrevem e, em alguma medida, denunciam as condições de vida de seus compositores.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Mas, essa criminalização não é um processo contra o qual não se poder resistir. A relação das elites urbanas com as populações periféricas é muito mais sutil e complexa, do que a de uma mera subordinação.&amp;amp;nbsp; E uma chave para entendermos isso é dada, novamente, por Christian Topalov (2015), historiador francês. Essa interação tomaria forma num jogo de apropriações e ressignificações de práticas realizado pelas elites urbanas e as populações mais pobres. Nas quais práticas populares de resistência são apreendidas por tais elites, que as reconfiguram de modo a esvaziá-las de seu teor político; ao mesmo tempo em que, ainda que em menor grau, práticas de controle social podem ser repensadas e reconstruídas de modo que possam também se tornar veículos de contestação social e políticas (Topalov, 2015).&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Neste sentido, e voltando à questão do samba e do funk, vemos a complexidade de um dispositivo de controle social que é econômico e repressivo. Com o passar do tempo, esses ritmos foram depurados e aceitos em outros espaços da cidade. Assim, por exemplo, seguem as repressões às festas e eventos nas favelas, ao som de funk, principalmente, mas ainda do samba também, ao mesmo tempo em que essas músicas bombam em eventos caros das zonas mais abastadas da cidade, ou ao som do cantor Thiaguinho em sua “tardezinha” no estádio do Maracanã. Quer dizer, as práticas culturas periféricas são aceitas quando estão desassociadas de seus lugares de origem e entram em circuitos lucrativos da indústria cultural, mas seguem sendo marginalizadas quando são indóceis demais para serem controladas e entrarem no jogo econômico.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Por outro lado, há ressignificações também em sentido contrário, produzindo resistências. Isso podemos ver em eventos como a Roda de Olaria e o Circulando, onde práticas culturais de elites não são negadas, pelo contrário, são apropriadas e recebem um sentido político novo, de contestação e reinvenção de significados. Deste modo, por exemplo, o Circulando conta em muitas de suas edições com apresentações teatrais, levadas a cabo, pelo grupo Teatro da Laje, coordenado pelo professor Veríssimo Júnior; ou através da poesia, cujos limites são totalmente ampliados e transformados, sem perder seu lirismo, na Roda de Olaria.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Assim, tal como propomos aqui, pensar a relação entre as artes urbanas e a periferia é reconhecer que sua riqueza, diversidade e capacidade de ocupar o espaço público estão envolvidas numa complexa prática de criminalização que envolve uma seleção e depuração de práticas que podem atender a certos circuitos lucrativos (e que passam a ser legítimas e aceitas na sociedade) de outras que seguiram como ferramentas de controle social. Ao mesmo tempo em que, esse controle não é fácil e confortável, mas que é constantemente tensionado pela reinventidade (mote do Circulando de 2016) favelada e periférica, que produz ou ressignifica artes mais consagradas.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
==== &#039;&#039;&#039;&amp;amp;nbsp;A Roda de Olaria&#039;&#039;&#039; ====&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;As rodas culturais também nos permitem perceber como a arte urbana e periférica, em suas múltiplas dimensões, é capaz de cimentar a vida na cidade ressignificando o espaço público. É possível contabilizar mais de cem rodas culturais que ocorrem diariamente, em diversos lugares da cidade, com a participação aberta a todo e qualquer artista e de forma gratuita (Alves, 2016). Em grande medida, elas se configuram como eventos independentes, sem aportes financeiros ou institucionais de prefeituras e secretarias de cultura, cuja finalidade é ocupar o espaço público para incentivar, valorizar e promover arte, cultura e entretenimento gratuito para os mais diversos habitantes citadinos.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;As Rodas Culturais são uma teia de artistas e trabalhadores independentes, como poetas, fotógrafos, Mcs, músicos, grafiteiros, artistas plásticos, artistas circenses, atores, profissionais do audiovisual, esportistas urbanos etc. Essa rede unifica, intensifica e expande a sustentabilidade da cultura de rua dos bairros cariocas&amp;lt;ref&amp;gt;Disponível em: &amp;lt;https://www.facebook.com/pg/circuitocariocaderitmoepoesia/about/?ref=page_internal&amp;gt;. Acesso em: 29/02/2020.&amp;lt;/ref&amp;gt;.&#039;&#039;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Foi na 3ª edição do Vamos Desenrolar sobre Arte Urbana que Rico, MC e produtor cultural da Roda de Olaria&amp;lt;ref&amp;gt;A Roda de Olaria possuía até o ano de 2018 três produtores culturais: Laércio Soares Corrêa, Bruno Teixeira e Felippe Massal. Eles são conhecidos por seus amigos mais próximos como Rico, Bruno Xédom ou “Xerélos” e Massal. Rico é MC e lutador de Jiu-Jtsu, Bruno é tatuador e grafiteiro, e Felippe Massal faz graduação em Direito é responsável por fazer as filmagens das batalhas e fotografias do evento. &amp;lt;/ref&amp;gt; falou sobre a importância deste tipo de evento na construção dos espaços que geralmente são reconhecidos como vazios ou ausentes de políticas públicas culturais. Em contrapartida, o MC ressaltou uma série de dificuldades que a Roda de Olaria&amp;lt;ref&amp;gt;Bem como outras Rodas Culturais cariocas.&amp;lt;/ref&amp;gt; sempre enfrentou desde que começou a ocupar as Quadras Gêmeas em 2012.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Segundo Rico, no início era apenas um encontro despretencioso de amigos MCs que, nas noites de quintas-feiras, levavam violões e cajóns para a praça, e se sentavam em roda para conversar e improvisar algumas rimas sob uma tenda branca. Com o passar do tempo o público foi ficando cada vez maior e as Quadras Gêmeas passaram a se tornar palco de um encontro protagonizado por pessoas de diferentes faixas etárias, moradores do bairro de Olaria e adjacências.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;No entanto, Rico afirmou que a história da Roda de Olaria é de uma luta constante por conta de uma série de problemáticas que os produtores precisavam administrar: desde a falta de dinheiro para alugar os equipamentos, negociações para conseguir o Nada Opor&amp;lt;ref&amp;gt;Alvará de Autorização Transitória para eventos em geral: culturais, sociais, desportivos, religiosos e quaisquer outros que promovam concentrações de pessoas. No caso das rodas culturais, este alvará precisava ser emitido pelo Batalhão da Polícia Militar do bairro.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ref&amp;gt; às repressões policiais durante o evento. No encontro, o MC enfatizou: “a única forma que a gente tem de diálogo com o poder público é de forma ‘truculenta’, que é com a polícia. A polícia não entende quando você chega num espaço e quer ocupar para mudança; é revitalização do espaço a princípio de tudo. Tivemos essa truculência com a polícia, mas mesmo assim a gente continuou fazendo.”&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Um dos primeiros impactos foi uma multa. Em uma das quintas-feiras do ano de 2015 enquanto Rico, Felippe, Bruno e outros amigos começavam a montar o som, chegou, nas palavras de Rico, “um cidadão” da IRLF (Inspetorias Regionais de Licenciamento e Fiscalização) e disse que não poderiam realizar o evento. Por conta de todo esse transtorno em relação à multa, a Roda ficou temporariamente parada, mas depois de um curto período de tempo, as atividades foram retomadas. No entanto, duas semanas depois, dois policiais militares do 16º Batalhão de Olaria interromperam o evento e exigiram a retirada das caixas de som e esvaziamento do local.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Semanalmente o alvará que permitiria o funcionamento da Roda precisava ser negociado e renegociado com o batalhão do bairro. Isto significou, durante todo o ano de 2016, que a Roda legalmente estava proibida de acontecer. Frente a isso, os produtores criaram um movimento que denominaram “Resistência Cultural”. No total, foram quatorze encontros de “resistência” com atividades diversas: desde campeonatos de basquete e skate a batalhas de rimas, exposições de telas e debates. Após o último encontro, a Roda de Olaria conseguiu novamente o alvará e retomou as atividades Porém, vale notar que, múltiplas formas de silenciamentos, repressões e denúncias continuaram a ocorrer.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Assim sendo, os produtores culturais da Roda de Olaria encontram, em meio às dificuldades de realizar a Roda, suas próprias formas de uso da praça; suas próprias maneiras de fazer (Certeau, 1994). É neste contexto que o trio de produtores vêm desde 2012 “resistindo” e fazendo da rua, nas palavras de Rico, seu “campo de atuação”.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;No dia 9 de janeiro de 2018 houve a promulgação da Lei Estadual nº 7837 que declara Patrimônio Cultural Imaterial do estado do Rio de Janeiro a cultura hip-hop e todas as suas manifestações artísticas. Deste modo, as rodas culturais finalmente estariam dispensadas da prévia autorização da Polícia Militar. Ainda assim, é válido salientar que a dificuldade de manter o evento continua grande. Mesmo amparada pela lei, os produtores não possuem qualquer aporte financeiro ou institucional. Consequentemente, não conseguem arcar com todos os custos para sua realização. Hoje, as reuniões da Roda de Olaria ocorrem com pouquíssima frenquência.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
==== &#039;&#039;&#039;Circulando&#039;&#039;&#039; ====&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;O Circulando -&amp;amp;nbsp; Diálogo e Comunicação na favela é um evento realizado pelo Instituto Raízes em Movimento desde 2007. Atualmente, ele tem uma regularidade anual, mas já foi realizado mais de uma vez por ano, quando necessário, até o ano de 2010. Ele, começa a ser gerido em 2006, em parceria com o Observatório de Favelas e a Escola Popular de Comunicação Crítica (ESPOCC), tendo sua primeira edição realizada no ano seguinte. Trata-se de um evento de artes, cultura e comunicação. A propósito, o nome do evento surge já nas primeiras reuniões de produção da primeira edição. E, em ata de 2006, assim ficou registrado a importância de comunicação e direito de expressão e manifestação de modo ativo.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;A importância e o direito de todos se expressarem, se manifestarem de forma ativa e por meios ativos, de ganharem visibilidade e partilharem idéias e visões diferentes de mundo. Ainda, a importância de se chamar a atenção para o potencial expressivo e “comunicador” de cada indivíduo e meios que, às vezes, muita gente não vê como meios de transmissão de mensagens. E a importância de se chamar a atenção para a forma estereotipada como os chamados meios de comunicação de massa retratam as comunidades populares e de se indicar, quando não viabilizar, possibilidades de abordagens diferenciadas sobre essas comunidades, por essas comunidades (INSTITUTO RAÍZES EM MOVIMENTO, 2017, p. 139).&#039;&#039;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;É importante começar destacando o aspecto de comunicação que caracteriza o evento. Trata-se de uma dimensão de dupla direção. Quer dizer, por um lado, o Circulando tem uma preocupação inicial de dialogar com as/os moradoras/es do Complexo do Alemão; inicialmente, trazendo informações e conteúdos produzidos por atores não locais e difundindo-os favela adentro, mas também, e sobretudo, nos anos mais recentes, têm sido uma maneira do Instituto Raízes em Movimento, apresentar sua produção anual para a localidade. Neste, sentido é (se) comunicar de modo crítico e dialogado com o local que dá sentido à existência da organização, e cuja relação de pertencimento muitas vezes é construída pela mídia tradicional, com seus sangrentos telejornais, entretenimentos baratos e programas evangélicos pentecostais. É nessa seara de luta e produção de narrativas, que o Circulando se insere primeiramente.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Por outro lado, é falar para fora também, tensionar as representações sobre o Complexo do Alemão, que produzem efeitos concretos muito nocivos para o bairro. Por exemplo, no ano de 2010, duas semanas após a megaoperação de ocupação militarizada do Complexo do Alemão, foi realizado uma edição “extra” do Circulando, montado com urgência, mas sem perder a eficiência, para refletir sobre tudo o que estava acontecendo. Para tanto, foi fundamental a ocupação do espaço público, para levar à cidade novos sentido sobre a vida no bairro, com suas dificuldades e diversidades. Uma ferramenta de comunicação de base, interna e externa, através da ocupação do espaço público local, produzindo afetos e solidariedade, este é, o primeiro objetivo do Circulando.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Nisto temos o comum que se transmuta na multiplicidade, como diversidade, reconhecimento de uma nova configuração dos processos de organização de sujeitos democráticos capazes de expressar potência política (filosófica, estética), que atua de modo horizontal e, portanto, num espaço que lhe permita criar modos de vida, de sentir, ver, agir, ouvir de maneiras diferentes a partir das múltiplas experiências, inclusive do modo de ocupação do espaço – as ruas, becos e vielas, ligam-se e interligam-se, conectam-se e desconectam-se com aquilo que de mais potente tem do que nomeamos cidade: a vida. Compreendendo isso, o Circulando - Diálogo e comunicação na favela propõe alargar, circular, comunicar sob as mais diversas formas de expressão artísticas que compõem a favela. Isso implicar dizer que a favela além de produzir arte, ela produz vida como forma de existência.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Aqui nos reconectamos com o objetivo central do verbete e podemos mesmo afirmar que, falar da produção das artes urbanas é falar da produção da vida na cidade. O que nos remete aos já citados, direitos culturais, como um bem social e o exercício da liberdade de expressão e pensamento. E aqui, sua dimensão principal é a diversidade dos gêneros artísticos que compõem o evento, ressignificando, como apresentado na seção dois deste texto: as formas hegemônicas de produção artística e cultural.&amp;amp;nbsp; São diversas linguagens que se apresentam no Circulando: grafite, poesia, cinema, teatro, música, fotografia e dança. Às quais se somam outras atividades, voltadas para brincadeira de criança, informativos para serviço públicos e outras organizações locais, e ações de cunho mais acadêmico, como lançamento de livros ou rodas de debates/conversa.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Essa dimensão artística do Circulando também é uma via de mão dupla interna e externa ao Complexo do Alemão, na chave da arte e cultura como um direito. Por um lado, visa dar espaço e apresentar a produção local às/aos moradoras/es do bairro, mas também aos visitantes que vêm de outros lugares para participar do evento. Desta forma,são convidadas bandas - como o Bloco de samba da Grota - ou ainda cantoras/es, poetas, fotógrafas/os ou grafiteiras/os locais; ou abre-se espaço para o já citado Teatro da Laje ou ao bloco das águas, do bairro vizinho da Penha.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Por outro lado, há convidados, “de fora”, que compartilham produções pouco acessíveis ao Complexo do Alemão, seja pela falta de apoio para garantir sua difusão em comparação às produções mais lucrativas, seja porque certas produções de organizações parceiras, dificilmente seriam conhecidas localmente, sem a mediação do Instituto Raízes em Movimento, através do Circulando. Podemos citar, a título de ilustração, as participações de fora até do estado do Rio de Janeiro, como a Orquestra Afrobeat Anjos e Querubins e de Juninho, Iracema, Lemuel diretamente da aldeia Tupinambá de Itapoã, em Ilhéus na Bahia.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Neste sentido, poderíamos também, definir o Circulando como um festival de artes urbanas, com diversas linguagens sendo apresentadas no espaço público periférico. Mantendo seus compromissos com a comunicação e produção de narrativas críticas sobre as favelas, voltado para dialogar com a cidade do Rio de Janeiro como um todo, mas também para dentro do espaço onde é realizado e o ponto de partida para toda sua formulação, o Complexo do Alemão.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
==== &#039;&#039;&#039;Considerações finais.&amp;amp;nbsp;&#039;&#039;&#039; ====&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Os exemplos da Roda de Olaria e do Circulando ilustram bem a ideia de falar em “artes urbanas” para tratar da produção cultural oriunda das populações faveladas, por conta de duas de suas características: a primeira é a diversidade de manifestações (por isso, o plural) e a fuga de um concepção de arte pensada a partir de um parâmetro estético mais estático, que considera apenas as formas mais hegemônicas e legitimadas, muitas vezes condensadas no que se costuma chamar de cultura erudita; a segunda, que diz mais respeito ao adjetivo “urbano”, aponta para o espaço por excelência de dessa produção cultural, que é o espaço público, da cidade.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Todavia, retomando as pistas oferecidas pelo debate promovido no encontro sobre “artes urbanas” do Vamos Desenrolar citado lá no começo do texto, vemos que também estão envolvidas as questões do corpo, da resistência e do apuro estético. Esse conjunto de elementos nos abre um mar de possibilidades de reflexão em torno do triângulo: arte, favelas e cidades.&amp;amp;nbsp; &amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
==== &#039;&#039;&#039;Referências bibliográficas&#039;&#039;&#039; ====&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;ALVES, Rôssi. Resistência e empoderamento na literatura urbana carioca. Estudos de literatura brasileira contemporânea, n. 49, p. 183-202, set./dez. 2016.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;CERTEAU, Michel de. A invenção do cotidiano: 1. artes de fazer. Petrópolis, RJ: Vozes, 1994.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;FOUCAULT, Michel.&amp;amp;nbsp; O Nascimento da Medicina Social. In.: FOUCAULT, Michel. Microfísica do Poder. 20ª edição. Rio de Janeiro, Graal, 2005, pp.79-98.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;INSTITUTO RAÍZES EM MOVIMENTO. Instituto Raízes em Movimento: um canto à experiência. In.: SANTOS JÚNIOR, Orlando Alves do; NOVAES, Patrícia Ramos; LACERDA, Larissa; WERNECK, Mariana (Orgs.). Caderno Didático “Políticas Públicas e Direito à Cidade: Programa Interdisciplinar de Formação de Agentes Sociais”, Observatório das Metrópoles, 2017, 135-142)&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;OLIVEIRA, Priscila Telles de. Roda Cultural de Olaria: &amp;quot;resistência&amp;quot; e formas de atuação. 2018, 149f. Dissertação (Mestrado em Antropologia) ,Universidade Federal Fluminense (UFF). Niterói, 2018.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;TOPALOV, Christian. Da questão social aos problemas urbanos: os reformadores e a população das metrópoles em princípios do século XX. In.: RIBEIRO, Luiz Cesar Queiroz; PECHMAN, Robert Moses (Org.). Cidade, povo e nação: gênese do urbanismo moderno. Rio de Janeiro, Letra Capital, Observatório das Metrópoles, INCT, 2015, pp. 23 – 52. Disponível em: [http://web.observatoriodasmetropoles.net/images/abook_file/cidade_povo_nacao2ed.pdf http://web.observatoriodasmetropoles.net/images/abook_file/cidade_povo_nacao2ed.pdf].&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt;  &lt;br /&gt;
[[Category:Arte Urbana]] [[Category:Grafite]] [[Category:Arte]] [[Category:Cultura]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Thiago Matiolli</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://homologacao2.wikifavelas.com.br/index.php?title=Artes_urbanas_e_favelas&amp;diff=4348</id>
		<title>Artes urbanas e favelas</title>
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		<updated>2020-03-01T23:20:41Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Thiago Matiolli: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Por Pricila Telles e&amp;amp;nbsp;[https://wikifavelas.com.br/index.php?title=Usuário:Thiago_Matiolli Thiago Matiolli]&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;No dia 05 de novembro de 2016, um sábado chuvoso, o Instituto Raízes em Movimento&amp;lt;ref&amp;gt;Para maiores informações sobre a organização, ver o verbete “Instituto Raízes em Movimento”, neste dicionário. &amp;lt;/ref&amp;gt; realizou o 3º encontro do Vamos Desenrolar - Oficina de Produção de Memórias e Conhecimento&amp;lt;ref&amp;gt; Para saber mais sobre o evento, ver o Verbete “Vamos Desenrolar”, neste dicionário. &amp;lt;/ref&amp;gt;, que abordava as artes urbanas. As discussões trataram do campo das expressões culturais na cidade em espaços abertos, favelas, praças públicas, ruas… A proposta foi refletir sobre as resistências e criatividade na construção desses espaços que geralmente são construídos no vácuo de políticas públicas culturais e na busca de expressões libertárias. O encontro trouxe à superfície experiências musicais, grafite, teatro, saraus, rodas culturais, enfim, caminhos alternativos de apropriação e combate à indústria cultural de massa. Os Dinamizadores foram: Adriana Lopes: pesquisadora e professora da UFRRJ; Carlos Meijueiro: pesquisador e ativista cultural; Cláudio Vaz: professor de artes e ativista cultural; Gustavo Coelho: pesquisador sobre pichação e outras culturas de rua (diretor do documentário “Luz Câmera, Pichação”); e Rico Neurótico: MC&amp;lt;ref&amp;gt;O termo MC é uma adaptação do inglês master of cerimony, que significa Mestre de Cerimônia. É aquele (a) que, enquanto a é tocada, elabora, recita e canta suas rimas e poesias. &lt;br /&gt;
&amp;lt;/ref&amp;gt; e produtor cultural da Roda Cultural de Olaria. Este último, personagem que fica no entrecruzamento dos assuntos abordados neste verbete, bem como nos exemplos tomados para ilustração do argumento: a Roda Cultural de Olaria e o Circulando - Diálogo e Comunicação na Favela.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;O tema das “artes urbanas” não é de conceituação simples e, muito menos, taxativa. Porém, quando retomamos o debate promovido pela edição do Vamos Desenrolar citado acima, é possível encontrar algumas pistas. Por exemplo, Adriana Lopes iniciou a conversa falando sobre a importância do funk e a presença potente das mulheres nesse ambiente produtivo, destacando que &amp;amp;nbsp;“a arte urbana é mais que o grafismo, a gente escreve com nossos corpos, com nossas roupas...”; Cláudio Vaz disse que não se importava de ter seus projetos copiados por outros produtores e com humor afirmou “Se fizer bem feito é bom, se não fizer bem eu vou lá e reclamo!”; Gustavo Coelho lembrou dos movimentos “xarpi” - que será retomado mais a frente -, bate bola e baile funk “A pixação não é feia, pelo contrário, tem muita delicadeza no traço”; e, por fim, mas não menos importante, MC Rico Neurótico lembrou que “A rua não é só a ferramenta, é o nosso campo de atuação..”&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;No intuito de se aproximar de uma caracterização das artes urbanas que norteie este verbete, exploraremos melhor estas pistas na próxima seção.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
==== &#039;&#039;&#039;Artes urbanas&#039;&#039;&#039;&amp;amp;nbsp; ====&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;As falas destacadas acima nos trazem várias características das artes artes urbanas: a importância dos corpos; o apreço pela questão estética e a qualidade da obra; as possibilidades de sua prática enquanto resistência; a diversidades das linguagens que a compõem: a música, as artes plásticas (como o grafite e a pichação), as representações teatrais (como os bate-bolas citados) - aos quais podemos somar a literatura, a dança, e o audiovisual; e, ainda, a rua, ou o espaço público como lugar predominante de sua manifestação. Aqui, não abordaremos todas essas dimensões, focaremos em duas delas (sem, contudo, deixar totalmente de lado, as demais): sua pluralidade e o espaço público como seu palco principal.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;A cidade está longe de ser um lugar que possa ser compreendido em sua totalidade. Seus habitantes cultivam estilos particulares de entretenimento, mantém vínculos de sociabilidade e relacionamento, criam modos e padrões culturais diferenciados. Marcada, então, pela sua diversidade e heterogeneidade, a cidade se encontra como lugar privilegiado para análise de uma multiplicidade de atividades e formas de participação. Dentre essas formas de participação, as expressões artísticas, em suas diversas dimensões – sonoras, visuais e performativas –, têm se mostrado um objeto relevante para se pensar essa urbe. Como veremos na realização dos festivais circulando.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;A rua, cada vez mais, tem se tornado palco de diferentes tipos de manifestações artísticas e culturais. Em uma caminhada vespertina pelo centro da cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, é possível ver músicos de rua, artistas circenses, entre outros que, encontram nesses espaços, lócus para suas atividades. Afastando-se um pouco da região central carioca, nota-se que em diversos bairros das Zonas Norte, Sul e Oeste, as praças também têm sido logradouro de manifestações deste cunho. As Rodas Culturais e, mais especificamente, a Roda de Olaria é um importante exemplo disso.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
==== &#039;&#039;&#039;Artes urbanas e periferia&amp;amp;nbsp;&#039;&#039;&#039; ====&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;As relações entre cidade e favela, ou outras formas espaciais periféricas, podem ser pensadas, em suas diversas dimensões, sob a chave de uma dualidade: a importância dos corpos e energias de moradoras/es desses espaços são indispensáveis para o funcionamento da cidade como um todo; ao mesmo tempo em que há uma profunda necessidade de controle social destas populações, tendo em vista o tensionamento que sua circulação pelo espaço urbano causa. Sob este pano de fundo que devemos refletir sobre as artes urbanas produzidas e vivenciadas nas favelas.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;O caráter indispensável de moradoras/es da periferia para o funcionamento da vida citadina foi ressaltado na realização da edição de 2017 do Circulando, com o lema: “o rolé das favelas produz cidade&amp;lt;ref&amp;gt;A cada ano, o Circulando tem um mote diferente e, em alguns deles, uma camisa com seu lema é vendida no evento. Em 2017 foi rolébilidade; em 2015, com o mote da memória, a camisa trazia o lema: “Meu nome é favela, minha história também”; e, em 2018, abordando a diversidade, o slogan foi “somos juntxs”. &amp;lt;/ref&amp;gt;” - em termos concretos e simbólicos. O mote daquele ano era mobilidade urbana, ou melhor, “rolébilidade” - entendida como a forma de mobilidade periférica, com todas suas dificuldades e estratégias, desde a debilidade do transporte público até às&amp;amp;nbsp; circulações internas à favelas, pelos seus becos&amp;lt;ref&amp;gt;Ver o verbete “mobilidades”, neste dicionário.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ref&amp;gt;; um circuito que tenta, com maior ou menor sucesso, controlar o rolé de faveladas/os na cidade, permitindo a circulação precária para o trabalho, mas restringindo-a com relação ao lazer. De todo modo, a “rolébilidade” também nos permite questionar se a arte periférica também não é fundamental para a vida urbana, cimentada pela força e criatividade favelada..&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;O circulando deu o papo reto: as favelas contribuem, literalmente, para a construção das cidades, com sua mão de obra e suor, todavia, pouco conseguem gozar da urbanidade que ela proporciona, sobretudo em termos de direitos, inclusive os culturais. Estes são limitados de, ao menos, duas maneiras: invisibilizando e criminalizando suas manifestações artísticas ou negando-lhes contato com outras produções, mesmo as mais mainstream. Por exemplo, o afastamento do cinema ou de teatros.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Com relação à criminalização da produção artística, é preciso ressaltar que as populações periféricas, em geral, também são construídas como “classes perigosas”. Um fenômeno histórico que remete ao processo de urbanização na Europa do século XIX, quando há uma intensa concentração demográfica nas cidades e, consequentemente, o desencadeamento de uma série de problemas ligados à vida nestes espaços. O que teria levado ao surgimento de uma “questão urbana” como objeto de reflexão das elites políticas e intelectuais. Neste processo, a miséria e o controle social de um contingente populacional tão grande se tornou um desafio quase intransponível. Uma das tentativas de solucioná-lo passou pela divisão das pessoas entre uma “classe operária respeitável”, que querem emprego, mas não o encontram e se comportam de modo disciplinado e moralmente aceito em sociedade; das massas empobrecidas, ou “classes perigosas”, incorrigíveis e incontroláveis, fonte de três perigos para as elites urbanas: o sanitário, o da criminalidade e da sublevação política (Topalov, 2015; Foucault, 2005).&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Este último risco talvez seja a preocupação mais efetiva dessas elites urbanas, ainda que nem tanto das classes médias, capturadas pelo discurso do medo e da segurança pública. A predominância de um discurso que ressalta, cotidiana e midiaticamente, os perigos de uma “violência urbana” acaba compondo um dispositivo que justifica ações de controle dos riscos reais da transformação política desencadeada pelas classes ditas “perigosas”. Como, por exemplo, na criminalização de práticas artísticas faveladas ao longo da história do Rio de Janeiro que tinha como alvo o samba, no início do século XX, e passa a ter como inimigo no fim deste século e início do XXI, o funk. Ambas formas culturais que descrevem e, em alguma medida, denunciam as condições de vida de seus compositores.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Mas, essa criminalização não é um processo contra o qual não se poder resistir. A relação das elites urbanas com as populações periféricas é muito mais sutil e complexa, do que a de uma mera subordinação.&amp;amp;nbsp; E uma chave para entendermos isso é dada, novamente, por Christian Topalov (2015), historiador francês. Essa interação tomaria forma num jogo de apropriações e ressignificações de práticas realizado pelas elites urbanas e as populações mais pobres. Nas quais práticas populares de resistência são apreendidas por tais elites, que as reconfiguram de modo a esvaziá-las de seu teor político; ao mesmo tempo em que, ainda que em menor grau, práticas de controle social podem ser repensadas e reconstruídas de modo que possam também se tornar veículos de contestação social e políticas (Topalov, 2015).&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Neste sentido, e voltando à questão do samba e do funk, vemos a complexidade de um dispositivo de controle social que é econômico e repressivo. Com o passar do tempo, esses ritmos foram depurados e aceitos em outros espaços da cidade. Assim, por exemplo, seguem as repressões às festas e eventos nas favelas, ao som de funk, principalmente, mas ainda do samba também, ao mesmo tempo em que essas músicas bombam em eventos caros das zonas mais abastadas da cidade, ou ao som do cantor Thiaguinho em sua “tardezinha” no estádio do Maracanã. Quer dizer, as práticas culturas periféricas são aceitas quando estão desassociadas de seus lugares de origem e entram em circuitos lucrativos da indústria cultural, mas seguem sendo marginalizadas quando são indóceis demais para serem controladas e entrarem no jogo econômico.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Por outro lado, há ressignificações também em sentido contrário, produzindo resistências. Isso podemos ver em eventos como a Roda de Olaria e o Circulando, onde práticas culturais de elites não são negadas, pelo contrário, são apropriadas e recebem um sentido político novo, de contestação e reinvenção de significados. Deste modo, por exemplo, o Circulando conta em muitas de suas edições com apresentações teatrais, levadas a cabo, pelo grupo Teatro da Laje, coordenado pelo professor Veríssimo Júnior; ou através da poesia, cujos limites são totalmente ampliados e transformados, sem perder seu lirismo, na Roda de Olaria.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Assim, tal como propomos aqui, pensar a relação entre as artes urbanas e a periferia é reconhecer que sua riqueza, diversidade e capacidade de ocupar o espaço público estão envolvidas numa complexa prática de criminalização que envolve uma seleção e depuração de práticas que podem atender a certos circuitos lucrativos (e que passam a ser legítimas e aceitas na sociedade) de outras que seguiram como ferramentas de controle social. Ao mesmo tempo em que, esse controle não é fácil e confortável, mas que é constantemente tensionado pela reinventidade (mote do Circulando de 2016) favelada e periférica, que produz ou ressignifica artes mais consagradas.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
==== &#039;&#039;&#039;&amp;amp;nbsp;A Roda de Olaria&#039;&#039;&#039; ====&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;As rodas culturais também nos permitem perceber como a arte urbana e periférica, em suas múltiplas dimensões, é capaz de cimentar a vida na cidade ressignificando o espaço público. É possível contabilizar mais de cem rodas culturais que ocorrem diariamente, em diversos lugares da cidade, com a participação aberta a todo e qualquer artista e de forma gratuita (Alves, 2016). Em grande medida, elas se configuram como eventos independentes, sem aportes financeiros ou institucionais de prefeituras e secretarias de cultura, cuja finalidade é ocupar o espaço público para incentivar, valorizar e promover arte, cultura e entretenimento gratuito para os mais diversos habitantes citadinos.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;As Rodas Culturais são uma teia de artistas e trabalhadores independentes, como poetas, fotógrafos, Mcs, músicos, grafiteiros, artistas plásticos, artistas circenses, atores, profissionais do audiovisual, esportistas urbanos etc. Essa rede unifica, intensifica e expande a sustentabilidade da cultura de rua dos bairros cariocas&amp;lt;ref&amp;gt;Disponível em: &amp;lt;https://www.facebook.com/pg/circuitocariocaderitmoepoesia/about/?ref=page_internal&amp;gt;. Acesso em: 29/02/2020.&amp;lt;/ref&amp;gt;.&#039;&#039;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Foi na 3ª edição do Vamos Desenrolar sobre Arte Urbana que Rico, MC e produtor cultural da Roda de Olaria&amp;lt;ref&amp;gt;A Roda de Olaria possuía até o ano de 2018 três produtores culturais: Laércio Soares Corrêa, Bruno Teixeira e Felippe Massal. Eles são conhecidos por seus amigos mais próximos como Rico, Bruno Xédom ou “Xerélos” e Massal. Rico é MC e lutador de Jiu-Jtsu, Bruno é tatuador e grafiteiro, e Felippe Massal faz graduação em Direito é responsável por fazer as filmagens das batalhas e fotografias do evento. &amp;lt;/ref&amp;gt; falou sobre a importância deste tipo de evento na construção dos espaços que geralmente são reconhecidos como vazios ou ausentes de políticas públicas culturais. Em contrapartida, o MC ressaltou uma série de dificuldades que a Roda de Olaria&amp;lt;ref&amp;gt;Bem como outras Rodas Culturais cariocas.&amp;lt;/ref&amp;gt; sempre enfrentou desde que começou a ocupar as Quadras Gêmeas em 2012.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Segundo Rico, no início era apenas um encontro despretencioso de amigos MCs que, nas noites de quintas-feiras, levavam violões e cajóns para a praça, e se sentavam em roda para conversar e improvisar algumas rimas sob uma tenda branca. Com o passar do tempo o público foi ficando cada vez maior e as Quadras Gêmeas passaram a se tornar palco de um encontro protagonizado por pessoas de diferentes faixas etárias, moradores do bairro de Olaria e adjacências.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;No entanto, Rico afirmou que a história da Roda de Olaria é de uma luta constante por conta de uma série de problemáticas que os produtores precisavam administrar: desde a falta de dinheiro para alugar os equipamentos, negociações para conseguir o Nada Opor&amp;lt;ref&amp;gt;Alvará de Autorização Transitória para eventos em geral: culturais, sociais, desportivos, religiosos e quaisquer outros que promovam concentrações de pessoas. No caso das rodas culturais, este alvará precisava ser emitido pelo Batalhão da Polícia Militar do bairro.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ref&amp;gt; às repressões policiais durante o evento. No encontro, o MC enfatizou: “a única forma que a gente tem de diálogo com o poder público é de forma ‘truculenta’, que é com a polícia. A polícia não entende quando você chega num espaço e quer ocupar para mudança; é revitalização do espaço a princípio de tudo. Tivemos essa truculência com a polícia, mas mesmo assim a gente continuou fazendo.”&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Um dos primeiros impactos foi uma multa. Em uma das quintas-feiras do ano de 2015 enquanto Rico, Felippe, Bruno e outros amigos começavam a montar o som, chegou, nas palavras de Rico, “um cidadão” da IRLF (Inspetorias Regionais de Licenciamento e Fiscalização) e disse que não poderiam realizar o evento. Por conta de todo esse transtorno em relação à multa, a Roda ficou temporariamente parada, mas depois de um curto período de tempo, as atividades foram retomadas. No entanto, duas semanas depois, dois policiais militares do 16º Batalhão de Olaria interromperam o evento e exigiram a retirada das caixas de som e esvaziamento do local.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Semanalmente o alvará que permitiria o funcionamento da Roda precisava ser negociado e renegociado com o batalhão do bairro. Isto significou, durante todo o ano de 2016, que a Roda legalmente estava proibida de acontecer. Frente a isso, os produtores criaram um movimento que denominaram “Resistência Cultural”. No total, foram quatorze encontros de “resistência” com atividades diversas: desde campeonatos de basquete e skate a batalhas de rimas, exposições de telas e debates. Após o último encontro, a Roda de Olaria conseguiu novamente o alvará e retomou as atividades Porém, vale notar que, múltiplas formas de silenciamentos, repressões e denúncias continuaram a ocorrer.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Assim sendo, os produtores culturais da Roda de Olaria encontram, em meio às dificuldades de realizar a Roda, suas próprias formas de uso da praça; suas próprias maneiras de fazer (Certeau, 1994). É neste contexto que o trio de produtores vêm desde 2012 “resistindo” e fazendo da rua, nas palavras de Rico, seu “campo de atuação”.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;No dia 9 de janeiro de 2018 houve a promulgação da Lei Estadual nº 7837 que declara Patrimônio Cultural Imaterial do estado do Rio de Janeiro a cultura hip-hop e todas as suas manifestações artísticas. Deste modo, as rodas culturais finalmente estariam dispensadas da prévia autorização da Polícia Militar. Ainda assim, é válido salientar que a dificuldade de manter o evento continua grande. Mesmo amparada pela lei, os produtores não possuem qualquer aporte financeiro ou institucional. Consequentemente, não conseguem arcar com todos os custos para sua realização. Hoje, as reuniões da Roda de Olaria ocorrem com pouquíssima frenquência.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
==== &#039;&#039;&#039;Circulando&#039;&#039;&#039; ====&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;O Circulando -&amp;amp;nbsp; Diálogo e Comunicação na favela é um evento realizado pelo Instituto Raízes em Movimento desde 2007. Atualmente, ele tem uma regularidade anual, mas já foi realizado mais de uma vez por ano, quando necessário, até o ano de 2010. Ele, começa a ser gerido em 2006, em parceria com o Observatório de Favelas e a Escola Popular de Comunicação Crítica (ESPOCC), tendo sua primeira edição realizada no ano seguinte. Trata-se de um evento de artes, cultura e comunicação. A propósito, o nome do evento surge já nas primeiras reuniões de produção da primeira edição. E, em ata de 2006, assim ficou registrado a importância de comunicação e direito de expressão e manifestação de modo ativo.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;A importância e o direito de todos se expressarem, se manifestarem de forma ativa e por meios ativos, de ganharem visibilidade e partilharem idéias e visões diferentes de mundo. Ainda, a importância de se chamar a atenção para o potencial expressivo e “comunicador” de cada indivíduo e meios que, às vezes, muita gente não vê como meios de transmissão de mensagens. E a importância de se chamar a atenção para a forma estereotipada como os chamados meios de comunicação de massa retratam as comunidades populares e de se indicar, quando não viabilizar, possibilidades de abordagens diferenciadas sobre essas comunidades, por essas comunidades (INSTITUTO RAÍZES EM MOVIMENTO, 2017, p. 139).&#039;&#039;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;É importante começar destacando o aspecto de comunicação que caracteriza o evento. Trata-se de uma dimensão de dupla direção. Quer dizer, por um lado, o Circulando tem uma preocupação inicial de dialogar com as/os moradoras/es do Complexo do Alemão; inicialmente, trazendo informações e conteúdos produzidos por atores não locais e difundindo-os favela adentro, mas também, e sobretudo, nos anos mais recentes, têm sido uma maneira do Instituto Raízes em Movimento, apresentar sua produção anual para a localidade. Neste, sentido é (se) comunicar de modo crítico e dialogado com o local que dá sentido à existência da organização, e cuja relação de pertencimento muitas vezes é construída pela mídia tradicional, com seus sangrentos telejornais, entretenimentos baratos e programas evangélicos pentecostais. É nessa seara de luta e produção de narrativas, que o Circulando se insere primeiramente.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Por outro lado, é falar para fora também, tensionar as representações sobre o Complexo do Alemão, que produzem efeitos concretos muito nocivos para o bairro. Por exemplo, no ano de 2010, duas semanas após a megaoperação de ocupação militarizada do Complexo do Alemão, foi realizado uma edição “extra” do Circulando, montado com urgência, mas sem perder a eficiência, para refletir sobre tudo o que estava acontecendo. Para tanto, foi fundamental a ocupação do espaço público, para levar à cidade novos sentido sobre a vida no bairro, com suas dificuldades e diversidades. Uma ferramenta de comunicação de base, interna e externa, através da ocupação do espaço público local, produzindo afetos e solidariedade, este é, o primeiro objetivo do Circulando.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Nisto temos o comum que se transmuta na multiplicidade, como diversidade, reconhecimento de uma nova configuração dos processos de organização de sujeitos democráticos capazes de expressar potência política (filosófica, estética), que atua de modo horizontal e, portanto, num espaço que lhe permita criar modos de vida, de sentir, ver, agir, ouvir de maneiras diferentes a partir das múltiplas experiências, inclusive do modo de ocupação do espaço – as ruas, becos e vielas, ligam-se e interligam-se, conectam-se e desconectam-se com aquilo que de mais potente tem do que nomeamos cidade: a vida. Compreendendo isso, o Circulando - Diálogo e comunicação na favela propõe alargar, circular, comunicar sob as mais diversas formas de expressão artísticas que compõem a favela. Isso implicar dizer que a favela além de produzir arte, ela produz vida como forma de existência.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Aqui nos reconectamos com o objetivo central do verbete e podemos mesmo afirmar que, falar da produção das artes urbanas é falar da produção da vida na cidade. O que nos remete aos já citados, direitos culturais, como um bem social e o exercício da liberdade de expressão e pensamento. E aqui, sua dimensão principal é a diversidade dos gêneros artísticos que compõem o evento, ressignificando, como apresentado na seção dois deste texto: as formas hegemônicas de produção artística e cultural.&amp;amp;nbsp; São diversas linguagens que se apresentam no Circulando: grafite, poesia, cinema, teatro, música, fotografia e dança. Às quais se somam outras atividades, voltadas para brincadeira de criança, informativos para serviço públicos e outras organizações locais, e ações de cunho mais acadêmico, como lançamento de livros ou rodas de debates/conversa.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Essa dimensão artística do Circulando também é uma via de mão dupla interna e externa ao Complexo do Alemão, na chave da arte e cultura como um direito. Por um lado, visa dar espaço e apresentar a produção local às/aos moradoras/es do bairro, mas também aos visitantes que vêm de outros lugares para participar do evento. Desta forma,são convidadas bandas - como o Bloco de samba da Grota - ou ainda cantoras/es, poetas, fotógrafas/os ou grafiteiras/os locais; ou abre-se espaço para o já citado Teatro da Laje ou ao bloco das águas, do bairro vizinho da Penha.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Por outro lado, há convidados, “de fora”, que compartilham produções pouco acessíveis ao Complexo do Alemão, seja pela falta de apoio para garantir sua difusão em comparação às produções mais lucrativas, seja porque certas produções de organizações parceiras, dificilmente seriam conhecidas localmente, sem a mediação do Instituto Raízes em Movimento, através do Circulando. Podemos citar, a título de ilustração, as participações de fora até do estado do Rio de Janeiro, como a Orquestra Afrobeat Anjos e Querubins e de Juninho, Iracema, Lemuel diretamente da aldeia Tupinambá de Itapoã, em Ilhéus na Bahia.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Neste sentido, poderíamos também, definir o Circulando como um festival de artes urbanas, com diversas linguagens sendo apresentadas no espaço público periférico. Mantendo seus compromissos com a comunicação e produção de narrativas críticas sobre as favelas, voltado para dialogar com a cidade do Rio de Janeiro como um todo, mas também para dentro do espaço onde é realizado e o ponto de partida para toda sua formulação, o Complexo do Alemão.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
==== &#039;&#039;&#039;Considerações finais.&amp;amp;nbsp;&#039;&#039;&#039; ====&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Os exemplos da Roda de Olaria e do Circulando ilustram bem a ideia de falar em “artes urbanas” para tratar da produção cultural oriunda das populações faveladas, por conta de duas de suas características: a primeira é a diversidade de manifestações (por isso, o plural) e a fuga de um concepção de arte pensada a partir de um parâmetro estético mais estático, que considera apenas as formas mais hegemônicas e legitimadas, muitas vezes condensadas no que se costuma chamar de cultura erudita; a segunda, que diz mais respeito ao adjetivo “urbano”, aponta para o espaço por excelência de dessa produção cultural, que é o espaço público, da cidade.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Todavia, retomando as pistas oferecidas pelo debate promovido no encontro sobre “artes urbanas” do Vamos Desenrolar citado lá no começo do texto, vemos que também estão envolvidas as questões do corpo, da resistência e do apuro estético. Esse conjunto de elementos nos abre um mar de possibilidades de reflexão em torno do triângulo: arte, favelas e cidades.&amp;amp;nbsp; &amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
==== &#039;&#039;&#039;Referências bibliográficas&#039;&#039;&#039; ====&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;ALVES, Rôssi. Resistência e empoderamento na literatura urbana carioca. Estudos de literatura brasileira contemporânea, n. 49, p. 183-202, set./dez. 2016.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;CERTEAU, Michel de. A invenção do cotidiano: 1. artes de fazer. Petrópolis, RJ: Vozes, 1994.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;FOUCAULT, Michel.&amp;amp;nbsp; O Nascimento da Medicina Social. In.: FOUCAULT, Michel. Microfísica do Poder. 20ª edição. Rio de Janeiro, Graal, 2005, pp.79-98.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;INSTITUTO RAÍZES EM MOVIMENTO. Instituto Raízes em Movimento: um canto à experiência. In.: SANTOS JÚNIOR, Orlando Alves do; NOVAES, Patrícia Ramos; LACERDA, Larissa; WERNECK, Mariana (Orgs.). Caderno Didático “Políticas Públicas e Direito à Cidade: Programa Interdisciplinar de Formação de Agentes Sociais”, Observatório das Metrópoles, 2017, 135-142)&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;OLIVEIRA, Priscila Telles de. Roda Cultural de Olaria: &amp;quot;resistência&amp;quot; e formas de atuação. 2018, 149f. Dissertação (Mestrado em Antropologia) ,Universidade Federal Fluminense (UFF). Niterói, 2018.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;TOPALOV, Christian. Da questão social aos problemas urbanos: os reformadores e a população das metrópoles em princípios do século XX. In.: RIBEIRO, Luiz Cesar Queiroz; PECHMAN, Robert Moses (Org.). Cidade, povo e nação: gênese do urbanismo moderno. Rio de Janeiro, Letra Capital, Observatório das Metrópoles, INCT, 2015, pp. 23 – 52. Disponível em: [http://web.observatoriodasmetropoles.net/images/abook_file/cidade_povo_nacao2ed.pdf http://web.observatoriodasmetropoles.net/images/abook_file/cidade_povo_nacao2ed.pdf].&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt;  &lt;br /&gt;
[[Category:Arte Urbana]] [[Category:Grafite]] [[Category:Arte]] [[Category:Cultura]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Thiago Matiolli</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://homologacao2.wikifavelas.com.br/index.php?title=Artes_urbanas_e_favelas&amp;diff=4347</id>
		<title>Artes urbanas e favelas</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://homologacao2.wikifavelas.com.br/index.php?title=Artes_urbanas_e_favelas&amp;diff=4347"/>
		<updated>2020-03-01T23:19:36Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Thiago Matiolli: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&lt;br /&gt;
==== Por Pricila Telles e&amp;amp;nbsp;[https://wikifavelas.com.br/index.php?title=Usuário:Thiago_Matiolli Thiago Matiolli] ====&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== No dia 05 de novembro de 2016, um sábado chuvoso, o Instituto Raízes em Movimento&amp;lt;ref&amp;gt;Para maiores informações sobre a organização, ver o verbete “Instituto Raízes em Movimento”, neste dicionário. &amp;lt;/ref&amp;gt; realizou o 3º encontro do Vamos Desenrolar - Oficina de Produção de Memórias e Conhecimento&amp;lt;ref&amp;gt; Para saber mais sobre o evento, ver o Verbete “Vamos Desenrolar”, neste dicionário. &amp;lt;/ref&amp;gt;, que abordava as artes urbanas. As discussões trataram do campo das expressões culturais na cidade em espaços abertos, favelas, praças públicas, ruas… A proposta foi refletir sobre as resistências e criatividade na construção desses espaços que geralmente são construídos no vácuo de políticas públicas culturais e na busca de expressões libertárias. O encontro trouxe à superfície experiências musicais, grafite, teatro, saraus, rodas culturais, enfim, caminhos alternativos de apropriação e combate à indústria cultural de massa. Os Dinamizadores foram: Adriana Lopes: pesquisadora e professora da UFRRJ; Carlos Meijueiro: pesquisador e ativista cultural; Cláudio Vaz: professor de artes e ativista cultural; Gustavo Coelho: pesquisador sobre pichação e outras culturas de rua (diretor do documentário “Luz Câmera, Pichação”); e Rico Neurótico: MC&amp;lt;ref&amp;gt;O termo MC é uma adaptação do inglês master of cerimony, que significa Mestre de Cerimônia. É aquele (a) que, enquanto a é tocada, elabora, recita e canta suas rimas e poesias. &lt;br /&gt;
&amp;lt;/ref&amp;gt; e produtor cultural da Roda Cultural de Olaria. Este último, personagem que fica no entrecruzamento dos assuntos abordados neste verbete, bem como nos exemplos tomados para ilustração do argumento: a Roda Cultural de Olaria e o Circulando - Diálogo e Comunicação na Favela.&amp;amp;nbsp; ====&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== O tema das “artes urbanas” não é de conceituação simples e, muito menos, taxativa. Porém, quando retomamos o debate promovido pela edição do Vamos Desenrolar citado acima, é possível encontrar algumas pistas. Por exemplo, Adriana Lopes iniciou a conversa falando sobre a importância do funk e a presença potente das mulheres nesse ambiente produtivo, destacando que &amp;amp;nbsp;“a arte urbana é mais que o grafismo, a gente escreve com nossos corpos, com nossas roupas...”; Cláudio Vaz disse que não se importava de ter seus projetos copiados por outros produtores e com humor afirmou “Se fizer bem feito é bom, se não fizer bem eu vou lá e reclamo!”; Gustavo Coelho lembrou dos movimentos “xarpi” - que será retomado mais a frente -, bate bola e baile funk “A pixação não é feia, pelo contrário, tem muita delicadeza no traço”; e, por fim, mas não menos importante, MC Rico Neurótico lembrou que “A rua não é só a ferramenta, é o nosso campo de atuação..” ====&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== No intuito de se aproximar de uma caracterização das artes urbanas que norteie este verbete, exploraremos melhor estas pistas na próxima seção.&amp;amp;nbsp; ====&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== &amp;amp;nbsp; ====&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== &#039;&#039;&#039;Artes urbanas&#039;&#039;&#039;&amp;amp;nbsp; ====&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== As falas destacadas acima nos trazem várias características das artes artes urbanas: a importância dos corpos; o apreço pela questão estética e a qualidade da obra; as possibilidades de sua prática enquanto resistência; a diversidades das linguagens que a compõem: a música, as artes plásticas (como o grafite e a pichação), as representações teatrais (como os bate-bolas citados) - aos quais podemos somar a literatura, a dança, e o audiovisual; e, ainda, a rua, ou o espaço público como lugar predominante de sua manifestação. Aqui, não abordaremos todas essas dimensões, focaremos em duas delas (sem, contudo, deixar totalmente de lado, as demais): sua pluralidade e o espaço público como seu palco principal. ====&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== A cidade está longe de ser um lugar que possa ser compreendido em sua totalidade. Seus habitantes cultivam estilos particulares de entretenimento, mantém vínculos de sociabilidade e relacionamento, criam modos e padrões culturais diferenciados. Marcada, então, pela sua diversidade e heterogeneidade, a cidade se encontra como lugar privilegiado para análise de uma multiplicidade de atividades e formas de participação. Dentre essas formas de participação, as expressões artísticas, em suas diversas dimensões – sonoras, visuais e performativas –, têm se mostrado um objeto relevante para se pensar essa urbe. Como veremos na realização dos festivais circulando. ====&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== A rua, cada vez mais, tem se tornado palco de diferentes tipos de manifestações artísticas e culturais. Em uma caminhada vespertina pelo centro da cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, é possível ver músicos de rua, artistas circenses, entre outros que, encontram nesses espaços, lócus para suas atividades. Afastando-se um pouco da região central carioca, nota-se que em diversos bairros das Zonas Norte, Sul e Oeste, as praças também têm sido logradouro de manifestações deste cunho. As Rodas Culturais e, mais especificamente, a Roda de Olaria é um importante exemplo disso.&amp;amp;nbsp; ====&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== &amp;amp;nbsp; ====&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== &#039;&#039;&#039;Artes urbanas e periferia&amp;amp;nbsp;&#039;&#039;&#039; ====&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== As relações entre cidade e favela, ou outras formas espaciais periféricas, podem ser pensadas, em suas diversas dimensões, sob a chave de uma dualidade: a importância dos corpos e energias de moradoras/es desses espaços são indispensáveis para o funcionamento da cidade como um todo; ao mesmo tempo em que há uma profunda necessidade de controle social destas populações, tendo em vista o tensionamento que sua circulação pelo espaço urbano causa. Sob este pano de fundo que devemos refletir sobre as artes urbanas produzidas e vivenciadas nas favelas.&amp;amp;nbsp; ====&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== O caráter indispensável de moradoras/es da periferia para o funcionamento da vida citadina foi ressaltado na realização da edição de 2017 do Circulando, com o lema: “o rolé das favelas produz cidade&amp;lt;ref&amp;gt;A cada ano, o Circulando tem um mote diferente e, em alguns deles, uma camisa com seu lema é vendida no evento. Em 2017 foi rolébilidade; em 2015, com o mote da memória, a camisa trazia o lema: “Meu nome é favela, minha história também”; e, em 2018, abordando a diversidade, o slogan foi “somos juntxs”. &amp;lt;/ref&amp;gt;” - em termos concretos e simbólicos. O mote daquele ano era mobilidade urbana, ou melhor, “rolébilidade” - entendida como a forma de mobilidade periférica, com todas suas dificuldades e estratégias, desde a debilidade do transporte público até às&amp;amp;nbsp; circulações internas à favelas, pelos seus becos&amp;lt;ref&amp;gt;Ver o verbete “mobilidades”, neste dicionário.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ref&amp;gt;; um circuito que tenta, com maior ou menor sucesso, controlar o rolé de faveladas/os na cidade, permitindo a circulação precária para o trabalho, mas restringindo-a com relação ao lazer. De todo modo, a “rolébilidade” também nos permite questionar se a arte periférica também não é fundamental para a vida urbana, cimentada pela força e criatividade favelada..&amp;amp;nbsp; ====&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== O circulando deu o papo reto: as favelas contribuem, literalmente, para a construção das cidades, com sua mão de obra e suor, todavia, pouco conseguem gozar da urbanidade que ela proporciona, sobretudo em termos de direitos, inclusive os culturais. Estes são limitados de, ao menos, duas maneiras: invisibilizando e criminalizando suas manifestações artísticas ou negando-lhes contato com outras produções, mesmo as mais mainstream. Por exemplo, o afastamento do cinema ou de teatros.&amp;amp;nbsp; ====&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Com relação à criminalização da produção artística, é preciso ressaltar que as populações periféricas, em geral, também são construídas como “classes perigosas”. Um fenômeno histórico que remete ao processo de urbanização na Europa do século XIX, quando há uma intensa concentração demográfica nas cidades e, consequentemente, o desencadeamento de uma série de problemas ligados à vida nestes espaços. O que teria levado ao surgimento de uma “questão urbana” como objeto de reflexão das elites políticas e intelectuais. Neste processo, a miséria e o controle social de um contingente populacional tão grande se tornou um desafio quase intransponível. Uma das tentativas de solucioná-lo passou pela divisão das pessoas entre uma “classe operária respeitável”, que querem emprego, mas não o encontram e se comportam de modo disciplinado e moralmente aceito em sociedade; das massas empobrecidas, ou “classes perigosas”, incorrigíveis e incontroláveis, fonte de três perigos para as elites urbanas: o sanitário, o da criminalidade e da sublevação política (Topalov, 2015; Foucault, 2005).&amp;amp;nbsp; ====&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Este último risco talvez seja a preocupação mais efetiva dessas elites urbanas, ainda que nem tanto das classes médias, capturadas pelo discurso do medo e da segurança pública. A predominância de um discurso que ressalta, cotidiana e midiaticamente, os perigos de uma “violência urbana” acaba compondo um dispositivo que justifica ações de controle dos riscos reais da transformação política desencadeada pelas classes ditas “perigosas”. Como, por exemplo, na criminalização de práticas artísticas faveladas ao longo da história do Rio de Janeiro que tinha como alvo o samba, no início do século XX, e passa a ter como inimigo no fim deste século e início do XXI, o funk. Ambas formas culturais que descrevem e, em alguma medida, denunciam as condições de vida de seus compositores. ====&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Mas, essa criminalização não é um processo contra o qual não se poder resistir. A relação das elites urbanas com as populações periféricas é muito mais sutil e complexa, do que a de uma mera subordinação.&amp;amp;nbsp; E uma chave para entendermos isso é dada, novamente, por Christian Topalov (2015), historiador francês. Essa interação tomaria forma num jogo de apropriações e ressignificações de práticas realizado pelas elites urbanas e as populações mais pobres. Nas quais práticas populares de resistência são apreendidas por tais elites, que as reconfiguram de modo a esvaziá-las de seu teor político; ao mesmo tempo em que, ainda que em menor grau, práticas de controle social podem ser repensadas e reconstruídas de modo que possam também se tornar veículos de contestação social e políticas (Topalov, 2015). ====&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Neste sentido, e voltando à questão do samba e do funk, vemos a complexidade de um dispositivo de controle social que é econômico e repressivo. Com o passar do tempo, esses ritmos foram depurados e aceitos em outros espaços da cidade. Assim, por exemplo, seguem as repressões às festas e eventos nas favelas, ao som de funk, principalmente, mas ainda do samba também, ao mesmo tempo em que essas músicas bombam em eventos caros das zonas mais abastadas da cidade, ou ao som do cantor Thiaguinho em sua “tardezinha” no estádio do Maracanã. Quer dizer, as práticas culturas periféricas são aceitas quando estão desassociadas de seus lugares de origem e entram em circuitos lucrativos da indústria cultural, mas seguem sendo marginalizadas quando são indóceis demais para serem controladas e entrarem no jogo econômico.&amp;amp;nbsp; ====&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Por outro lado, há ressignificações também em sentido contrário, produzindo resistências. Isso podemos ver em eventos como a Roda de Olaria e o Circulando, onde práticas culturais de elites não são negadas, pelo contrário, são apropriadas e recebem um sentido político novo, de contestação e reinvenção de significados. Deste modo, por exemplo, o Circulando conta em muitas de suas edições com apresentações teatrais, levadas a cabo, pelo grupo Teatro da Laje, coordenado pelo professor Veríssimo Júnior; ou através da poesia, cujos limites são totalmente ampliados e transformados, sem perder seu lirismo, na Roda de Olaria. ====&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Assim, tal como propomos aqui, pensar a relação entre as artes urbanas e a periferia é reconhecer que sua riqueza, diversidade e capacidade de ocupar o espaço público estão envolvidas numa complexa prática de criminalização que envolve uma seleção e depuração de práticas que podem atender a certos circuitos lucrativos (e que passam a ser legítimas e aceitas na sociedade) de outras que seguiram como ferramentas de controle social. Ao mesmo tempo em que, esse controle não é fácil e confortável, mas que é constantemente tensionado pela reinventidade (mote do Circulando de 2016) favelada e periférica, que produz ou ressignifica artes mais consagradas.&amp;amp;nbsp; ====&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== &amp;amp;nbsp; ====&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== &#039;&#039;&#039;&amp;amp;nbsp;A Roda de Olaria&#039;&#039;&#039; ====&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== As rodas culturais também nos permitem perceber como a arte urbana e periférica, em suas múltiplas dimensões, é capaz de cimentar a vida na cidade ressignificando o espaço público. É possível contabilizar mais de cem rodas culturais que ocorrem diariamente, em diversos lugares da cidade, com a participação aberta a todo e qualquer artista e de forma gratuita (Alves, 2016). Em grande medida, elas se configuram como eventos independentes, sem aportes financeiros ou institucionais de prefeituras e secretarias de cultura, cuja finalidade é ocupar o espaço público para incentivar, valorizar e promover arte, cultura e entretenimento gratuito para os mais diversos habitantes citadinos.&amp;amp;nbsp; ====&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== &#039;&#039;As Rodas Culturais são uma teia de artistas e trabalhadores independentes, como poetas, fotógrafos, Mcs, músicos, grafiteiros, artistas plásticos, artistas circenses, atores, profissionais do audiovisual, esportistas urbanos etc. Essa rede unifica, intensifica e expande a sustentabilidade da cultura de rua dos bairros cariocas&amp;lt;ref&amp;gt;Disponível em: &amp;lt;https://www.facebook.com/pg/circuitocariocaderitmoepoesia/about/?ref=page_internal&amp;gt;. Acesso em: 29/02/2020.&amp;lt;/ref&amp;gt;.&#039;&#039; ====&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Foi na 3ª edição do Vamos Desenrolar sobre Arte Urbana que Rico, MC e produtor cultural da Roda de Olaria&amp;lt;ref&amp;gt;A Roda de Olaria possuía até o ano de 2018 três produtores culturais: Laércio Soares Corrêa, Bruno Teixeira e Felippe Massal. Eles são conhecidos por seus amigos mais próximos como Rico, Bruno Xédom ou “Xerélos” e Massal. Rico é MC e lutador de Jiu-Jtsu, Bruno é tatuador e grafiteiro, e Felippe Massal faz graduação em Direito é responsável por fazer as filmagens das batalhas e fotografias do evento. &amp;lt;/ref&amp;gt; falou sobre a importância deste tipo de evento na construção dos espaços que geralmente são reconhecidos como vazios ou ausentes de políticas públicas culturais. Em contrapartida, o MC ressaltou uma série de dificuldades que a Roda de Olaria&amp;lt;ref&amp;gt;Bem como outras Rodas Culturais cariocas.&amp;lt;/ref&amp;gt; sempre enfrentou desde que começou a ocupar as Quadras Gêmeas em 2012. ====&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Segundo Rico, no início era apenas um encontro despretencioso de amigos MCs que, nas noites de quintas-feiras, levavam violões e cajóns para a praça, e se sentavam em roda para conversar e improvisar algumas rimas sob uma tenda branca. Com o passar do tempo o público foi ficando cada vez maior e as Quadras Gêmeas passaram a se tornar palco de um encontro protagonizado por pessoas de diferentes faixas etárias, moradores do bairro de Olaria e adjacências. ====&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== No entanto, Rico afirmou que a história da Roda de Olaria é de uma luta constante por conta de uma série de problemáticas que os produtores precisavam administrar: desde a falta de dinheiro para alugar os equipamentos, negociações para conseguir o Nada Opor&amp;lt;ref&amp;gt;Alvará de Autorização Transitória para eventos em geral: culturais, sociais, desportivos, religiosos e quaisquer outros que promovam concentrações de pessoas. No caso das rodas culturais, este alvará precisava ser emitido pelo Batalhão da Polícia Militar do bairro.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ref&amp;gt; às repressões policiais durante o evento. No encontro, o MC enfatizou: “a única forma que a gente tem de diálogo com o poder público é de forma ‘truculenta’, que é com a polícia. A polícia não entende quando você chega num espaço e quer ocupar para mudança; é revitalização do espaço a princípio de tudo. Tivemos essa truculência com a polícia, mas mesmo assim a gente continuou fazendo.”&amp;amp;nbsp; ====&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Um dos primeiros impactos foi uma multa. Em uma das quintas-feiras do ano de 2015 enquanto Rico, Felippe, Bruno e outros amigos começavam a montar o som, chegou, nas palavras de Rico, “um cidadão” da IRLF (Inspetorias Regionais de Licenciamento e Fiscalização) e disse que não poderiam realizar o evento. Por conta de todo esse transtorno em relação à multa, a Roda ficou temporariamente parada, mas depois de um curto período de tempo, as atividades foram retomadas. No entanto, duas semanas depois, dois policiais militares do 16º Batalhão de Olaria interromperam o evento e exigiram a retirada das caixas de som e esvaziamento do local. ====&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Semanalmente o alvará que permitiria o funcionamento da Roda precisava ser negociado e renegociado com o batalhão do bairro. Isto significou, durante todo o ano de 2016, que a Roda legalmente estava proibida de acontecer. Frente a isso, os produtores criaram um movimento que denominaram “Resistência Cultural”. No total, foram quatorze encontros de “resistência” com atividades diversas: desde campeonatos de basquete e skate a batalhas de rimas, exposições de telas e debates. Após o último encontro, a Roda de Olaria conseguiu novamente o alvará e retomou as atividades Porém, vale notar que, múltiplas formas de silenciamentos, repressões e denúncias continuaram a ocorrer.&amp;amp;nbsp; ====&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Assim sendo, os produtores culturais da Roda de Olaria encontram, em meio às dificuldades de realizar a Roda, suas próprias formas de uso da praça; suas próprias maneiras de fazer (Certeau, 1994). É neste contexto que o trio de produtores vêm desde 2012 “resistindo” e fazendo da rua, nas palavras de Rico, seu “campo de atuação”.&amp;amp;nbsp; ====&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== No dia 9 de janeiro de 2018 houve a promulgação da Lei Estadual nº 7837 que declara Patrimônio Cultural Imaterial do estado do Rio de Janeiro a cultura hip-hop e todas as suas manifestações artísticas. Deste modo, as rodas culturais finalmente estariam dispensadas da prévia autorização da Polícia Militar. Ainda assim, é válido salientar que a dificuldade de manter o evento continua grande. Mesmo amparada pela lei, os produtores não possuem qualquer aporte financeiro ou institucional. Consequentemente, não conseguem arcar com todos os custos para sua realização. Hoje, as reuniões da Roda de Olaria ocorrem com pouquíssima frenquência.&amp;amp;nbsp; ====&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== &amp;amp;nbsp; ====&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== &#039;&#039;&#039;Circulando&#039;&#039;&#039; ====&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== O Circulando -&amp;amp;nbsp; Diálogo e Comunicação na favela é um evento realizado pelo Instituto Raízes em Movimento desde 2007. Atualmente, ele tem uma regularidade anual, mas já foi realizado mais de uma vez por ano, quando necessário, até o ano de 2010. Ele, começa a ser gerido em 2006, em parceria com o Observatório de Favelas e a Escola Popular de Comunicação Crítica (ESPOCC), tendo sua primeira edição realizada no ano seguinte. Trata-se de um evento de artes, cultura e comunicação. A propósito, o nome do evento surge já nas primeiras reuniões de produção da primeira edição. E, em ata de 2006, assim ficou registrado a importância de comunicação e direito de expressão e manifestação de modo ativo.&amp;amp;nbsp; ====&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== &#039;&#039;A importância e o direito de todos se expressarem, se manifestarem de forma ativa e por meios ativos, de ganharem visibilidade e partilharem idéias e visões diferentes de mundo. Ainda, a importância de se chamar a atenção para o potencial expressivo e “comunicador” de cada indivíduo e meios que, às vezes, muita gente não vê como meios de transmissão de mensagens. E a importância de se chamar a atenção para a forma estereotipada como os chamados meios de comunicação de massa retratam as comunidades populares e de se indicar, quando não viabilizar, possibilidades de abordagens diferenciadas sobre essas comunidades, por essas comunidades (INSTITUTO RAÍZES EM MOVIMENTO, 2017, p. 139).&#039;&#039; ====&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== É importante começar destacando o aspecto de comunicação que caracteriza o evento. Trata-se de uma dimensão de dupla direção. Quer dizer, por um lado, o Circulando tem uma preocupação inicial de dialogar com as/os moradoras/es do Complexo do Alemão; inicialmente, trazendo informações e conteúdos produzidos por atores não locais e difundindo-os favela adentro, mas também, e sobretudo, nos anos mais recentes, têm sido uma maneira do Instituto Raízes em Movimento, apresentar sua produção anual para a localidade. Neste, sentido é (se) comunicar de modo crítico e dialogado com o local que dá sentido à existência da organização, e cuja relação de pertencimento muitas vezes é construída pela mídia tradicional, com seus sangrentos telejornais, entretenimentos baratos e programas evangélicos pentecostais. É nessa seara de luta e produção de narrativas, que o Circulando se insere primeiramente. ====&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Por outro lado, é falar para fora também, tensionar as representações sobre o Complexo do Alemão, que produzem efeitos concretos muito nocivos para o bairro. Por exemplo, no ano de 2010, duas semanas após a megaoperação de ocupação militarizada do Complexo do Alemão, foi realizado uma edição “extra” do Circulando, montado com urgência, mas sem perder a eficiência, para refletir sobre tudo o que estava acontecendo. Para tanto, foi fundamental a ocupação do espaço público, para levar à cidade novos sentido sobre a vida no bairro, com suas dificuldades e diversidades. Uma ferramenta de comunicação de base, interna e externa, através da ocupação do espaço público local, produzindo afetos e solidariedade, este é, o primeiro objetivo do Circulando.&amp;amp;nbsp; ====&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Nisto temos o comum que se transmuta na multiplicidade, como diversidade, reconhecimento de uma nova configuração dos processos de organização de sujeitos democráticos capazes de expressar potência política (filosófica, estética), que atua de modo horizontal e, portanto, num espaço que lhe permita criar modos de vida, de sentir, ver, agir, ouvir de maneiras diferentes a partir das múltiplas experiências, inclusive do modo de ocupação do espaço – as ruas, becos e vielas, ligam-se e interligam-se, conectam-se e desconectam-se com aquilo que de mais potente tem do que nomeamos cidade: a vida. Compreendendo isso, o Circulando - Diálogo e comunicação na favela propõe alargar, circular, comunicar sob as mais diversas formas de expressão artísticas que compõem a favela. Isso implicar dizer que a favela além de produzir arte, ela produz vida como forma de existência. ====&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Aqui nos reconectamos com o objetivo central do verbete e podemos mesmo afirmar que, falar da produção das artes urbanas é falar da produção da vida na cidade. O que nos remete aos já citados, direitos culturais, como um bem social e o exercício da liberdade de expressão e pensamento. E aqui, sua dimensão principal é a diversidade dos gêneros artísticos que compõem o evento, ressignificando, como apresentado na seção dois deste texto: as formas hegemônicas de produção artística e cultural.&amp;amp;nbsp; São diversas linguagens que se apresentam no Circulando: grafite, poesia, cinema, teatro, música, fotografia e dança. Às quais se somam outras atividades, voltadas para brincadeira de criança, informativos para serviço públicos e outras organizações locais, e ações de cunho mais acadêmico, como lançamento de livros ou rodas de debates/conversa.&amp;amp;nbsp; ====&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Essa dimensão artística do Circulando também é uma via de mão dupla interna e externa ao Complexo do Alemão, na chave da arte e cultura como um direito. Por um lado, visa dar espaço e apresentar a produção local às/aos moradoras/es do bairro, mas também aos visitantes que vêm de outros lugares para participar do evento. Desta forma,são convidadas bandas - como o Bloco de samba da Grota - ou ainda cantoras/es, poetas, fotógrafas/os ou grafiteiras/os locais; ou abre-se espaço para o já citado Teatro da Laje ou ao bloco das águas, do bairro vizinho da Penha.&amp;amp;nbsp; ====&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Por outro lado, há convidados, “de fora”, que compartilham produções pouco acessíveis ao Complexo do Alemão, seja pela falta de apoio para garantir sua difusão em comparação às produções mais lucrativas, seja porque certas produções de organizações parceiras, dificilmente seriam conhecidas localmente, sem a mediação do Instituto Raízes em Movimento, através do Circulando. Podemos citar, a título de ilustração, as participações de fora até do estado do Rio de Janeiro, como a Orquestra Afrobeat Anjos e Querubins e de Juninho, Iracema, Lemuel diretamente da aldeia Tupinambá de Itapoã, em Ilhéus na Bahia.&amp;amp;nbsp; ====&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Neste sentido, poderíamos também, definir o Circulando como um festival de artes urbanas, com diversas linguagens sendo apresentadas no espaço público periférico. Mantendo seus compromissos com a comunicação e produção de narrativas críticas sobre as favelas, voltado para dialogar com a cidade do Rio de Janeiro como um todo, mas também para dentro do espaço onde é realizado e o ponto de partida para toda sua formulação, o Complexo do Alemão.&amp;amp;nbsp; ====&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== &amp;amp;nbsp; ====&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== &#039;&#039;&#039;Considerações finais.&amp;amp;nbsp;&#039;&#039;&#039; ====&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Os exemplos da Roda de Olaria e do Circulando ilustram bem a ideia de falar em “artes urbanas” para tratar da produção cultural oriunda das populações faveladas, por conta de duas de suas características: a primeira é a diversidade de manifestações (por isso, o plural) e a fuga de um concepção de arte pensada a partir de um parâmetro estético mais estático, que considera apenas as formas mais hegemônicas e legitimadas, muitas vezes condensadas no que se costuma chamar de cultura erudita; a segunda, que diz mais respeito ao adjetivo “urbano”, aponta para o espaço por excelência de dessa produção cultural, que é o espaço público, da cidade.&amp;amp;nbsp; ====&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Todavia, retomando as pistas oferecidas pelo debate promovido no encontro sobre “artes urbanas” do Vamos Desenrolar citado lá no começo do texto, vemos que também estão envolvidas as questões do corpo, da resistência e do apuro estético. Esse conjunto de elementos nos abre um mar de possibilidades de reflexão em torno do triângulo: arte, favelas e cidades.&amp;amp;nbsp; &amp;amp;nbsp; ====&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== &#039;&#039;&#039;Referências bibliográficas&#039;&#039;&#039; ====&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;ALVES, Rôssi. Resistência e empoderamento na literatura urbana carioca. Estudos de literatura brasileira contemporânea, n. 49, p. 183-202, set./dez. 2016.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;CERTEAU, Michel de. A invenção do cotidiano: 1. artes de fazer. Petrópolis, RJ: Vozes, 1994.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;FOUCAULT, Michel.&amp;amp;nbsp; O Nascimento da Medicina Social. In.: FOUCAULT, Michel. Microfísica do Poder. 20ª edição. Rio de Janeiro, Graal, 2005, pp.79-98.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;INSTITUTO RAÍZES EM MOVIMENTO. Instituto Raízes em Movimento: um canto à experiência. In.: SANTOS JÚNIOR, Orlando Alves do; NOVAES, Patrícia Ramos; LACERDA, Larissa; WERNECK, Mariana (Orgs.). Caderno Didático “Políticas Públicas e Direito à Cidade: Programa Interdisciplinar de Formação de Agentes Sociais”, Observatório das Metrópoles, 2017, 135-142)&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;OLIVEIRA, Priscila Telles de. Roda Cultural de Olaria: &amp;quot;resistência&amp;quot; e formas de atuação. 2018, 149f. Dissertação (Mestrado em Antropologia) ,Universidade Federal Fluminense (UFF). Niterói, 2018.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;TOPALOV, Christian. Da questão social aos problemas urbanos: os reformadores e a população das metrópoles em princípios do século XX. In.: RIBEIRO, Luiz Cesar Queiroz; PECHMAN, Robert Moses (Org.). Cidade, povo e nação: gênese do urbanismo moderno. Rio de Janeiro, Letra Capital, Observatório das Metrópoles, INCT, 2015, pp. 23 – 52. Disponível em: [http://web.observatoriodasmetropoles.net/images/abook_file/cidade_povo_nacao2ed.pdf http://web.observatoriodasmetropoles.net/images/abook_file/cidade_povo_nacao2ed.pdf].&amp;lt;/p&amp;gt;  &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;[[Category:Arte Urbana]] [[Category:Grafite]] [[Category:Arte]] [[Category:Cultura]]&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Thiago Matiolli</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://homologacao2.wikifavelas.com.br/index.php?title=Artes_urbanas_e_favelas&amp;diff=4346</id>
		<title>Artes urbanas e favelas</title>
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		<updated>2020-03-01T23:17:34Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Thiago Matiolli: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&lt;br /&gt;
Por Pricila Telles e&amp;amp;nbsp;[https://wikifavelas.com.br/index.php?title=Usuário:Thiago_Matiolli Thiago Matiolli]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No dia 05 de novembro de 2016, um sábado chuvoso, o Instituto Raízes em Movimento&amp;lt;ref&amp;gt;Para maiores informações sobre a organização, ver o verbete “Instituto Raízes em Movimento”, neste dicionário. &amp;lt;/ref&amp;gt; realizou o 3º encontro do Vamos Desenrolar - Oficina de Produção de Memórias e Conhecimento&amp;lt;ref&amp;gt; Para saber mais sobre o evento, ver o Verbete “Vamos Desenrolar”, neste dicionário. &amp;lt;/ref&amp;gt;, que abordava as artes urbanas. As discussões trataram do campo das expressões culturais na cidade em espaços abertos, favelas, praças públicas, ruas… A proposta foi refletir sobre as resistências e criatividade na construção desses espaços que geralmente são construídos no vácuo de políticas públicas culturais e na busca de expressões libertárias. O encontro trouxe à superfície experiências musicais, grafite, teatro, saraus, rodas culturais, enfim, caminhos alternativos de apropriação e combate à indústria cultural de massa. Os Dinamizadores foram: Adriana Lopes: pesquisadora e professora da UFRRJ; Carlos Meijueiro: pesquisador e ativista cultural; Cláudio Vaz: professor de artes e ativista cultural; Gustavo Coelho: pesquisador sobre pichação e outras culturas de rua (diretor do documentário “Luz Câmera, Pichação”); e Rico Neurótico: MC&amp;lt;ref&amp;gt;O termo MC é uma adaptação do inglês master of cerimony, que significa Mestre de Cerimônia. É aquele (a) que, enquanto a é tocada, elabora, recita e canta suas rimas e poesias. &lt;br /&gt;
&amp;lt;/ref&amp;gt; e produtor cultural da Roda Cultural de Olaria. Este último, personagem que fica no entrecruzamento dos assuntos abordados neste verbete, bem como nos exemplos tomados para ilustração do argumento: a Roda Cultural de Olaria e o Circulando - Diálogo e Comunicação na Favela.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O tema das “artes urbanas” não é de conceituação simples e, muito menos, taxativa. Porém, quando retomamos o debate promovido pela edição do Vamos Desenrolar citado acima, é possível encontrar algumas pistas. Por exemplo, Adriana Lopes iniciou a conversa falando sobre a importância do funk e a presença potente das mulheres nesse ambiente produtivo, destacando que &amp;amp;nbsp;“a arte urbana é mais que o grafismo, a gente escreve com nossos corpos, com nossas roupas...”; Cláudio Vaz disse que não se importava de ter seus projetos copiados por outros produtores e com humor afirmou “Se fizer bem feito é bom, se não fizer bem eu vou lá e reclamo!”; Gustavo Coelho lembrou dos movimentos “xarpi” - que será retomado mais a frente -, bate bola e baile funk “A pixação não é feia, pelo contrário, tem muita delicadeza no traço”; e, por fim, mas não menos importante, MC Rico Neurótico lembrou que “A rua não é só a ferramenta, é o nosso campo de atuação..”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No intuito de se aproximar de uma caracterização das artes urbanas que norteie este verbete, exploraremos melhor estas pistas na próxima seção.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Artes urbanas&#039;&#039;&#039;&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As falas destacadas acima nos trazem várias características das artes artes urbanas: a importância dos corpos; o apreço pela questão estética e a qualidade da obra; as possibilidades de sua prática enquanto resistência; a diversidades das linguagens que a compõem: a música, as artes plásticas (como o grafite e a pichação), as representações teatrais (como os bate-bolas citados) - aos quais podemos somar a literatura, a dança, e o audiovisual; e, ainda, a rua, ou o espaço público como lugar predominante de sua manifestação. Aqui, não abordaremos todas essas dimensões, focaremos em duas delas (sem, contudo, deixar totalmente de lado, as demais): sua pluralidade e o espaço público como seu palco principal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A cidade está longe de ser um lugar que possa ser compreendido em sua totalidade. Seus habitantes cultivam estilos particulares de entretenimento, mantém vínculos de sociabilidade e relacionamento, criam modos e padrões culturais diferenciados. Marcada, então, pela sua diversidade e heterogeneidade, a cidade se encontra como lugar privilegiado para análise de uma multiplicidade de atividades e formas de participação. Dentre essas formas de participação, as expressões artísticas, em suas diversas dimensões – sonoras, visuais e performativas –, têm se mostrado um objeto relevante para se pensar essa urbe. Como veremos na realização dos festivais circulando.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A rua, cada vez mais, tem se tornado palco de diferentes tipos de manifestações artísticas e culturais. Em uma caminhada vespertina pelo centro da cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, é possível ver músicos de rua, artistas circenses, entre outros que, encontram nesses espaços, lócus para suas atividades. Afastando-se um pouco da região central carioca, nota-se que em diversos bairros das Zonas Norte, Sul e Oeste, as praças também têm sido logradouro de manifestações deste cunho. As Rodas Culturais e, mais especificamente, a Roda de Olaria é um importante exemplo disso.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Artes urbanas e periferia&amp;amp;nbsp;&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As relações entre cidade e favela, ou outras formas espaciais periféricas, podem ser pensadas, em suas diversas dimensões, sob a chave de uma dualidade: a importância dos corpos e energias de moradoras/es desses espaços são indispensáveis para o funcionamento da cidade como um todo; ao mesmo tempo em que há uma profunda necessidade de controle social destas populações, tendo em vista o tensionamento que sua circulação pelo espaço urbano causa. Sob este pano de fundo que devemos refletir sobre as artes urbanas produzidas e vivenciadas nas favelas.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O caráter indispensável de moradoras/es da periferia para o funcionamento da vida citadina foi ressaltado na realização da edição de 2017 do Circulando, com o lema: “o rolé das favelas produz cidade&amp;lt;ref&amp;gt;A cada ano, o Circulando tem um mote diferente e, em alguns deles, uma camisa com seu lema é vendida no evento. Em 2017 foi rolébilidade; em 2015, com o mote da memória, a camisa trazia o lema: “Meu nome é favela, minha história também”; e, em 2018, abordando a diversidade, o slogan foi “somos juntxs”. &amp;lt;/ref&amp;gt;” - em termos concretos e simbólicos. O mote daquele ano era mobilidade urbana, ou melhor, “rolébilidade” - entendida como a forma de mobilidade periférica, com todas suas dificuldades e estratégias, desde a debilidade do transporte público até às&amp;amp;nbsp; circulações internas à favelas, pelos seus becos&amp;lt;ref&amp;gt;Ver o verbete “mobilidades”, neste dicionário.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ref&amp;gt;; um circuito que tenta, com maior ou menor sucesso, controlar o rolé de faveladas/os na cidade, permitindo a circulação precária para o trabalho, mas restringindo-a com relação ao lazer. De todo modo, a “rolébilidade” também nos permite questionar se a arte periférica também não é fundamental para a vida urbana, cimentada pela força e criatividade favelada..&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O circulando deu o papo reto: as favelas contribuem, literalmente, para a construção das cidades, com sua mão de obra e suor, todavia, pouco conseguem gozar da urbanidade que ela proporciona, sobretudo em termos de direitos, inclusive os culturais. Estes são limitados de, ao menos, duas maneiras: invisibilizando e criminalizando suas manifestações artísticas ou negando-lhes contato com outras produções, mesmo as mais mainstream. Por exemplo, o afastamento do cinema ou de teatros.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com relação à criminalização da produção artística, é preciso ressaltar que as populações periféricas, em geral, também são construídas como “classes perigosas”. Um fenômeno histórico que remete ao processo de urbanização na Europa do século XIX, quando há uma intensa concentração demográfica nas cidades e, consequentemente, o desencadeamento de uma série de problemas ligados à vida nestes espaços. O que teria levado ao surgimento de uma “questão urbana” como objeto de reflexão das elites políticas e intelectuais. Neste processo, a miséria e o controle social de um contingente populacional tão grande se tornou um desafio quase intransponível. Uma das tentativas de solucioná-lo passou pela divisão das pessoas entre uma “classe operária respeitável”, que querem emprego, mas não o encontram e se comportam de modo disciplinado e moralmente aceito em sociedade; das massas empobrecidas, ou “classes perigosas”, incorrigíveis e incontroláveis, fonte de três perigos para as elites urbanas: o sanitário, o da criminalidade e da sublevação política (Topalov, 2015; Foucault, 2005).&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Este último risco talvez seja a preocupação mais efetiva dessas elites urbanas, ainda que nem tanto das classes médias, capturadas pelo discurso do medo e da segurança pública. A predominância de um discurso que ressalta, cotidiana e midiaticamente, os perigos de uma “violência urbana” acaba compondo um dispositivo que justifica ações de controle dos riscos reais da transformação política desencadeada pelas classes ditas “perigosas”. Como, por exemplo, na criminalização de práticas artísticas faveladas ao longo da história do Rio de Janeiro que tinha como alvo o samba, no início do século XX, e passa a ter como inimigo no fim deste século e início do XXI, o funk. Ambas formas culturais que descrevem e, em alguma medida, denunciam as condições de vida de seus compositores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas, essa criminalização não é um processo contra o qual não se poder resistir. A relação das elites urbanas com as populações periféricas é muito mais sutil e complexa, do que a de uma mera subordinação.&amp;amp;nbsp; E uma chave para entendermos isso é dada, novamente, por Christian Topalov (2015), historiador francês. Essa interação tomaria forma num jogo de apropriações e ressignificações de práticas realizado pelas elites urbanas e as populações mais pobres. Nas quais práticas populares de resistência são apreendidas por tais elites, que as reconfiguram de modo a esvaziá-las de seu teor político; ao mesmo tempo em que, ainda que em menor grau, práticas de controle social podem ser repensadas e reconstruídas de modo que possam também se tornar veículos de contestação social e políticas (Topalov, 2015).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Neste sentido, e voltando à questão do samba e do funk, vemos a complexidade de um dispositivo de controle social que é econômico e repressivo. Com o passar do tempo, esses ritmos foram depurados e aceitos em outros espaços da cidade. Assim, por exemplo, seguem as repressões às festas e eventos nas favelas, ao som de funk, principalmente, mas ainda do samba também, ao mesmo tempo em que essas músicas bombam em eventos caros das zonas mais abastadas da cidade, ou ao som do cantor Thiaguinho em sua “tardezinha” no estádio do Maracanã. Quer dizer, as práticas culturas periféricas são aceitas quando estão desassociadas de seus lugares de origem e entram em circuitos lucrativos da indústria cultural, mas seguem sendo marginalizadas quando são indóceis demais para serem controladas e entrarem no jogo econômico.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por outro lado, há ressignificações também em sentido contrário, produzindo resistências. Isso podemos ver em eventos como a Roda de Olaria e o Circulando, onde práticas culturais de elites não são negadas, pelo contrário, são apropriadas e recebem um sentido político novo, de contestação e reinvenção de significados. Deste modo, por exemplo, o Circulando conta em muitas de suas edições com apresentações teatrais, levadas a cabo, pelo grupo Teatro da Laje, coordenado pelo professor Veríssimo Júnior; ou através da poesia, cujos limites são totalmente ampliados e transformados, sem perder seu lirismo, na Roda de Olaria.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, tal como propomos aqui, pensar a relação entre as artes urbanas e a periferia é reconhecer que sua riqueza, diversidade e capacidade de ocupar o espaço público estão envolvidas numa complexa prática de criminalização que envolve uma seleção e depuração de práticas que podem atender a certos circuitos lucrativos (e que passam a ser legítimas e aceitas na sociedade) de outras que seguiram como ferramentas de controle social. Ao mesmo tempo em que, esse controle não é fácil e confortável, mas que é constantemente tensionado pela reinventidade (mote do Circulando de 2016) favelada e periférica, que produz ou ressignifica artes mais consagradas.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;&amp;amp;nbsp;A Roda de Olaria&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As rodas culturais também nos permitem perceber como a arte urbana e periférica, em suas múltiplas dimensões, é capaz de cimentar a vida na cidade ressignificando o espaço público. É possível contabilizar mais de cem rodas culturais que ocorrem diariamente, em diversos lugares da cidade, com a participação aberta a todo e qualquer artista e de forma gratuita (Alves, 2016). Em grande medida, elas se configuram como eventos independentes, sem aportes financeiros ou institucionais de prefeituras e secretarias de cultura, cuja finalidade é ocupar o espaço público para incentivar, valorizar e promover arte, cultura e entretenimento gratuito para os mais diversos habitantes citadinos.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;As Rodas Culturais são uma teia de artistas e trabalhadores independentes, como poetas, fotógrafos, Mcs, músicos, grafiteiros, artistas plásticos, artistas circenses, atores, profissionais do audiovisual, esportistas urbanos etc. Essa rede unifica, intensifica e expande a sustentabilidade da cultura de rua dos bairros cariocas&amp;lt;ref&amp;gt;Disponível em: &amp;lt;https://www.facebook.com/pg/circuitocariocaderitmoepoesia/about/?ref=page_internal&amp;gt;. Acesso em: 29/02/2020.&amp;lt;/ref&amp;gt;.&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi na 3ª edição do Vamos Desenrolar sobre Arte Urbana que Rico, MC e produtor cultural da Roda de Olaria&amp;lt;ref&amp;gt;A Roda de Olaria possuía até o ano de 2018 três produtores culturais: Laércio Soares Corrêa, Bruno Teixeira e Felippe Massal. Eles são conhecidos por seus amigos mais próximos como Rico, Bruno Xédom ou “Xerélos” e Massal. Rico é MC e lutador de Jiu-Jtsu, Bruno é tatuador e grafiteiro, e Felippe Massal faz graduação em Direito é responsável por fazer as filmagens das batalhas e fotografias do evento. &amp;lt;/ref&amp;gt; falou sobre a importância deste tipo de evento na construção dos espaços que geralmente são reconhecidos como vazios ou ausentes de políticas públicas culturais. Em contrapartida, o MC ressaltou uma série de dificuldades que a Roda de Olaria&amp;lt;ref&amp;gt;Bem como outras Rodas Culturais cariocas.&amp;lt;/ref&amp;gt; sempre enfrentou desde que começou a ocupar as Quadras Gêmeas em 2012.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo Rico, no início era apenas um encontro despretencioso de amigos MCs que, nas noites de quintas-feiras, levavam violões e cajóns para a praça, e se sentavam em roda para conversar e improvisar algumas rimas sob uma tenda branca. Com o passar do tempo o público foi ficando cada vez maior e as Quadras Gêmeas passaram a se tornar palco de um encontro protagonizado por pessoas de diferentes faixas etárias, moradores do bairro de Olaria e adjacências.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No entanto, Rico afirmou que a história da Roda de Olaria é de uma luta constante por conta de uma série de problemáticas que os produtores precisavam administrar: desde a falta de dinheiro para alugar os equipamentos, negociações para conseguir o Nada Opor&amp;lt;ref&amp;gt;Alvará de Autorização Transitória para eventos em geral: culturais, sociais, desportivos, religiosos e quaisquer outros que promovam concentrações de pessoas. No caso das rodas culturais, este alvará precisava ser emitido pelo Batalhão da Polícia Militar do bairro.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ref&amp;gt; às repressões policiais durante o evento. No encontro, o MC enfatizou: “a única forma que a gente tem de diálogo com o poder público é de forma ‘truculenta’, que é com a polícia. A polícia não entende quando você chega num espaço e quer ocupar para mudança; é revitalização do espaço a princípio de tudo. Tivemos essa truculência com a polícia, mas mesmo assim a gente continuou fazendo.”&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um dos primeiros impactos foi uma multa. Em uma das quintas-feiras do ano de 2015 enquanto Rico, Felippe, Bruno e outros amigos começavam a montar o som, chegou, nas palavras de Rico, “um cidadão” da IRLF (Inspetorias Regionais de Licenciamento e Fiscalização) e disse que não poderiam realizar o evento. Por conta de todo esse transtorno em relação à multa, a Roda ficou temporariamente parada, mas depois de um curto período de tempo, as atividades foram retomadas. No entanto, duas semanas depois, dois policiais militares do 16º Batalhão de Olaria interromperam o evento e exigiram a retirada das caixas de som e esvaziamento do local.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Semanalmente o alvará que permitiria o funcionamento da Roda precisava ser negociado e renegociado com o batalhão do bairro. Isto significou, durante todo o ano de 2016, que a Roda legalmente estava proibida de acontecer. Frente a isso, os produtores criaram um movimento que denominaram “Resistência Cultural”. No total, foram quatorze encontros de “resistência” com atividades diversas: desde campeonatos de basquete e skate a batalhas de rimas, exposições de telas e debates. Após o último encontro, a Roda de Olaria conseguiu novamente o alvará e retomou as atividades Porém, vale notar que, múltiplas formas de silenciamentos, repressões e denúncias continuaram a ocorrer.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim sendo, os produtores culturais da Roda de Olaria encontram, em meio às dificuldades de realizar a Roda, suas próprias formas de uso da praça; suas próprias maneiras de fazer (Certeau, 1994). É neste contexto que o trio de produtores vêm desde 2012 “resistindo” e fazendo da rua, nas palavras de Rico, seu “campo de atuação”.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No dia 9 de janeiro de 2018 houve a promulgação da Lei Estadual nº 7837 que declara Patrimônio Cultural Imaterial do estado do Rio de Janeiro a cultura hip-hop e todas as suas manifestações artísticas. Deste modo, as rodas culturais finalmente estariam dispensadas da prévia autorização da Polícia Militar. Ainda assim, é válido salientar que a dificuldade de manter o evento continua grande. Mesmo amparada pela lei, os produtores não possuem qualquer aporte financeiro ou institucional. Consequentemente, não conseguem arcar com todos os custos para sua realização. Hoje, as reuniões da Roda de Olaria ocorrem com pouquíssima frenquência.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Circulando&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Circulando -&amp;amp;nbsp; Diálogo e Comunicação na favela é um evento realizado pelo Instituto Raízes em Movimento desde 2007. Atualmente, ele tem uma regularidade anual, mas já foi realizado mais de uma vez por ano, quando necessário, até o ano de 2010. Ele, começa a ser gerido em 2006, em parceria com o Observatório de Favelas e a Escola Popular de Comunicação Crítica (ESPOCC), tendo sua primeira edição realizada no ano seguinte. Trata-se de um evento de artes, cultura e comunicação. A propósito, o nome do evento surge já nas primeiras reuniões de produção da primeira edição. E, em ata de 2006, assim ficou registrado a importância de comunicação e direito de expressão e manifestação de modo ativo.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;A importância e o direito de todos se expressarem, se manifestarem de forma ativa e por meios ativos, de ganharem visibilidade e partilharem idéias e visões diferentes de mundo. Ainda, a importância de se chamar a atenção para o potencial expressivo e “comunicador” de cada indivíduo e meios que, às vezes, muita gente não vê como meios de transmissão de mensagens. E a importância de se chamar a atenção para a forma estereotipada como os chamados meios de comunicação de massa retratam as comunidades populares e de se indicar, quando não viabilizar, possibilidades de abordagens diferenciadas sobre essas comunidades, por essas comunidades (INSTITUTO RAÍZES EM MOVIMENTO, 2017, p. 139).&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É importante começar destacando o aspecto de comunicação que caracteriza o evento. Trata-se de uma dimensão de dupla direção. Quer dizer, por um lado, o Circulando tem uma preocupação inicial de dialogar com as/os moradoras/es do Complexo do Alemão; inicialmente, trazendo informações e conteúdos produzidos por atores não locais e difundindo-os favela adentro, mas também, e sobretudo, nos anos mais recentes, têm sido uma maneira do Instituto Raízes em Movimento, apresentar sua produção anual para a localidade. Neste, sentido é (se) comunicar de modo crítico e dialogado com o local que dá sentido à existência da organização, e cuja relação de pertencimento muitas vezes é construída pela mídia tradicional, com seus sangrentos telejornais, entretenimentos baratos e programas evangélicos pentecostais. É nessa seara de luta e produção de narrativas, que o Circulando se insere primeiramente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por outro lado, é falar para fora também, tensionar as representações sobre o Complexo do Alemão, que produzem efeitos concretos muito nocivos para o bairro. Por exemplo, no ano de 2010, duas semanas após a megaoperação de ocupação militarizada do Complexo do Alemão, foi realizado uma edição “extra” do Circulando, montado com urgência, mas sem perder a eficiência, para refletir sobre tudo o que estava acontecendo. Para tanto, foi fundamental a ocupação do espaço público, para levar à cidade novos sentido sobre a vida no bairro, com suas dificuldades e diversidades. Uma ferramenta de comunicação de base, interna e externa, através da ocupação do espaço público local, produzindo afetos e solidariedade, este é, o primeiro objetivo do Circulando.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nisto temos o comum que se transmuta na multiplicidade, como diversidade, reconhecimento de uma nova configuração dos processos de organização de sujeitos democráticos capazes de expressar potência política (filosófica, estética), que atua de modo horizontal e, portanto, num espaço que lhe permita criar modos de vida, de sentir, ver, agir, ouvir de maneiras diferentes a partir das múltiplas experiências, inclusive do modo de ocupação do espaço – as ruas, becos e vielas, ligam-se e interligam-se, conectam-se e desconectam-se com aquilo que de mais potente tem do que nomeamos cidade: a vida. Compreendendo isso, o Circulando - Diálogo e comunicação na favela propõe alargar, circular, comunicar sob as mais diversas formas de expressão artísticas que compõem a favela. Isso implicar dizer que a favela além de produzir arte, ela produz vida como forma de existência.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aqui nos reconectamos com o objetivo central do verbete e podemos mesmo afirmar que, falar da produção das artes urbanas é falar da produção da vida na cidade. O que nos remete aos já citados, direitos culturais, como um bem social e o exercício da liberdade de expressão e pensamento. E aqui, sua dimensão principal é a diversidade dos gêneros artísticos que compõem o evento, ressignificando, como apresentado na seção dois deste texto: as formas hegemônicas de produção artística e cultural.&amp;amp;nbsp; São diversas linguagens que se apresentam no Circulando: grafite, poesia, cinema, teatro, música, fotografia e dança. Às quais se somam outras atividades, voltadas para brincadeira de criança, informativos para serviço públicos e outras organizações locais, e ações de cunho mais acadêmico, como lançamento de livros ou rodas de debates/conversa.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essa dimensão artística do Circulando também é uma via de mão dupla interna e externa ao Complexo do Alemão, na chave da arte e cultura como um direito. Por um lado, visa dar espaço e apresentar a produção local às/aos moradoras/es do bairro, mas também aos visitantes que vêm de outros lugares para participar do evento. Desta forma,são convidadas bandas - como o Bloco de samba da Grota - ou ainda cantoras/es, poetas, fotógrafas/os ou grafiteiras/os locais; ou abre-se espaço para o já citado Teatro da Laje ou ao bloco das águas, do bairro vizinho da Penha.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por outro lado, há convidados, “de fora”, que compartilham produções pouco acessíveis ao Complexo do Alemão, seja pela falta de apoio para garantir sua difusão em comparação às produções mais lucrativas, seja porque certas produções de organizações parceiras, dificilmente seriam conhecidas localmente, sem a mediação do Instituto Raízes em Movimento, através do Circulando. Podemos citar, a título de ilustração, as participações de fora até do estado do Rio de Janeiro, como a Orquestra Afrobeat Anjos e Querubins e de Juninho, Iracema, Lemuel diretamente da aldeia Tupinambá de Itapoã, em Ilhéus na Bahia.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Neste sentido, poderíamos também, definir o Circulando como um festival de artes urbanas, com diversas linguagens sendo apresentadas no espaço público periférico. Mantendo seus compromissos com a comunicação e produção de narrativas críticas sobre as favelas, voltado para dialogar com a cidade do Rio de Janeiro como um todo, mas também para dentro do espaço onde é realizado e o ponto de partida para toda sua formulação, o Complexo do Alemão.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Considerações finais.&amp;amp;nbsp;&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os exemplos da Roda de Olaria e do Circulando ilustram bem a ideia de falar em “artes urbanas” para tratar da produção cultural oriunda das populações faveladas, por conta de duas de suas características: a primeira é a diversidade de manifestações (por isso, o plural) e a fuga de um concepção de arte pensada a partir de um parâmetro estético mais estático, que considera apenas as formas mais hegemônicas e legitimadas, muitas vezes condensadas no que se costuma chamar de cultura erudita; a segunda, que diz mais respeito ao adjetivo “urbano”, aponta para o espaço por excelência de dessa produção cultural, que é o espaço público, da cidade.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp; &amp;amp;nbsp;Todavia, retomando as pistas oferecidas pelo debate promovido no encontro sobre “artes urbanas” do Vamos Desenrolar citado lá no começo do texto, vemos que também estão envolvidas as questões do corpo, da resistência e do apuro estético. Esse conjunto de elementos nos abre um mar de possibilidades de reflexão em torno do triângulo: arte, favelas e cidades.&amp;amp;nbsp; &amp;amp;nbsp; &#039;&#039;&#039;Referências bibliográficas&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
ALVES, Rôssi. Resistência e empoderamento na literatura urbana carioca. Estudos de literatura brasileira contemporânea, n. 49, p. 183-202, set./dez. 2016.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
CERTEAU, Michel de. A invenção do cotidiano: 1. artes de fazer. Petrópolis, RJ: Vozes, 1994.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
FOUCAULT, Michel.&amp;amp;nbsp; O Nascimento da Medicina Social. In.: FOUCAULT, Michel. Microfísica do Poder. 20ª edição. Rio de Janeiro, Graal, 2005, pp.79-98.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
INSTITUTO RAÍZES EM MOVIMENTO. Instituto Raízes em Movimento: um canto à experiência. In.: SANTOS JÚNIOR, Orlando Alves do; NOVAES, Patrícia Ramos; LACERDA, Larissa; WERNECK, Mariana (Orgs.). Caderno Didático “Políticas Públicas e Direito à Cidade: Programa Interdisciplinar de Formação de Agentes Sociais”, Observatório das Metrópoles, 2017, 135-142)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
OLIVEIRA, Priscila Telles de. Roda Cultural de Olaria: &amp;quot;resistência&amp;quot; e formas de atuação. 2018, 149f. Dissertação (Mestrado em Antropologia) ,Universidade Federal Fluminense (UFF). Niterói, 2018.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
TOPALOV, Christian. Da questão social aos problemas urbanos: os reformadores e a população das metrópoles em princípios do século XX. In.: RIBEIRO, Luiz Cesar Queiroz; PECHMAN, Robert Moses (Org.). Cidade, povo e nação: gênese do urbanismo moderno. Rio de Janeiro, Letra Capital, Observatório das Metrópoles, INCT, 2015, pp. 23 – 52. Disponível em: [http://web.observatoriodasmetropoles.net/images/abook_file/cidade_povo_nacao2ed.pdf http://web.observatoriodasmetropoles.net/images/abook_file/cidade_povo_nacao2ed.pdf].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Category:Arte Urbana]] [[Category:Grafite]] [[Category:Arte]] [[Category:Cultura]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Thiago Matiolli</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://homologacao2.wikifavelas.com.br/index.php?title=Artes_urbanas_e_favelas&amp;diff=4345</id>
		<title>Artes urbanas e favelas</title>
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		<updated>2020-03-01T23:16:59Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Thiago Matiolli: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&lt;br /&gt;
Por Pricila Telles e&amp;amp;nbsp;[https://wikifavelas.com.br/index.php?title=Usuário:Thiago_Matiolli Thiago Matiolli]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No dia 05 de novembro de 2016, um sábado chuvoso, o Instituto Raízes em Movimento&amp;lt;ref&amp;gt;Para maiores informações sobre a organização, ver o verbete “Instituto Raízes em Movimento”, neste dicionário. &amp;lt;/ref&amp;gt; realizou o 3º encontro do Vamos Desenrolar - Oficina de Produção de Memórias e Conhecimento&amp;lt;ref&amp;gt; Para saber mais sobre o evento, ver o Verbete “Vamos Desenrolar”, neste dicionário. &amp;lt;/ref&amp;gt;, que abordava as artes urbanas. As discussões trataram do campo das expressões culturais na cidade em espaços abertos, favelas, praças públicas, ruas… A proposta foi refletir sobre as resistências e criatividade na construção desses espaços que geralmente são construídos no vácuo de políticas públicas culturais e na busca de expressões libertárias. O encontro trouxe à superfície experiências musicais, grafite, teatro, saraus, rodas culturais, enfim, caminhos alternativos de apropriação e combate à indústria cultural de massa. Os Dinamizadores foram: Adriana Lopes: pesquisadora e professora da UFRRJ; Carlos Meijueiro: pesquisador e ativista cultural; Cláudio Vaz: professor de artes e ativista cultural; Gustavo Coelho: pesquisador sobre pichação e outras culturas de rua (diretor do documentário “Luz Câmera, Pichação”); e Rico Neurótico: MC&amp;lt;ref&amp;gt;O termo MC é uma adaptação do inglês master of cerimony, que significa Mestre de Cerimônia. É aquele (a) que, enquanto a é tocada, elabora, recita e canta suas rimas e poesias. &lt;br /&gt;
&amp;lt;/ref&amp;gt; e produtor cultural da Roda Cultural de Olaria. Este último, personagem que fica no entrecruzamento dos assuntos abordados neste verbete, bem como nos exemplos tomados para ilustração do argumento: a Roda Cultural de Olaria e o Circulando - Diálogo e Comunicação na Favela.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O tema das “artes urbanas” não é de conceituação simples e, muito menos, taxativa. Porém, quando retomamos o debate promovido pela edição do Vamos Desenrolar citado acima, é possível encontrar algumas pistas. Por exemplo, Adriana Lopes iniciou a conversa falando sobre a importância do funk e a presença potente das mulheres nesse ambiente produtivo, destacando que &amp;amp;nbsp;“a arte urbana é mais que o grafismo, a gente escreve com nossos corpos, com nossas roupas...”; Cláudio Vaz disse que não se importava de ter seus projetos copiados por outros produtores e com humor afirmou “Se fizer bem feito é bom, se não fizer bem eu vou lá e reclamo!”; Gustavo Coelho lembrou dos movimentos “xarpi” - que será retomado mais a frente -, bate bola e baile funk “A pixação não é feia, pelo contrário, tem muita delicadeza no traço”; e, por fim, mas não menos importante, MC Rico Neurótico lembrou que “A rua não é só a ferramenta, é o nosso campo de atuação..”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No intuito de se aproximar de uma caracterização das artes urbanas que norteie este verbete, exploraremos melhor estas pistas na próxima seção.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Artes urbanas&#039;&#039;&#039;&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As falas destacadas acima nos trazem várias características das artes artes urbanas: a importância dos corpos; o apreço pela questão estética e a qualidade da obra; as possibilidades de sua prática enquanto resistência; a diversidades das linguagens que a compõem: a música, as artes plásticas (como o grafite e a pichação), as representações teatrais (como os bate-bolas citados) - aos quais podemos somar a literatura, a dança, e o audiovisual; e, ainda, a rua, ou o espaço público como lugar predominante de sua manifestação. Aqui, não abordaremos todas essas dimensões, focaremos em duas delas (sem, contudo, deixar totalmente de lado, as demais): sua pluralidade e o espaço público como seu palco principal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A cidade está longe de ser um lugar que possa ser compreendido em sua totalidade. Seus habitantes cultivam estilos particulares de entretenimento, mantém vínculos de sociabilidade e relacionamento, criam modos e padrões culturais diferenciados. Marcada, então, pela sua diversidade e heterogeneidade, a cidade se encontra como lugar privilegiado para análise de uma multiplicidade de atividades e formas de participação. Dentre essas formas de participação, as expressões artísticas, em suas diversas dimensões – sonoras, visuais e performativas –, têm se mostrado um objeto relevante para se pensar essa urbe. Como veremos na realização dos festivais circulando.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A rua, cada vez mais, tem se tornado palco de diferentes tipos de manifestações artísticas e culturais. Em uma caminhada vespertina pelo centro da cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, é possível ver músicos de rua, artistas circenses, entre outros que, encontram nesses espaços, lócus para suas atividades. Afastando-se um pouco da região central carioca, nota-se que em diversos bairros das Zonas Norte, Sul e Oeste, as praças também têm sido logradouro de manifestações deste cunho. As Rodas Culturais e, mais especificamente, a Roda de Olaria é um importante exemplo disso.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Artes urbanas e periferia&amp;amp;nbsp;&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As relações entre cidade e favela, ou outras formas espaciais periféricas, podem ser pensadas, em suas diversas dimensões, sob a chave de uma dualidade: a importância dos corpos e energias de moradoras/es desses espaços são indispensáveis para o funcionamento da cidade como um todo; ao mesmo tempo em que há uma profunda necessidade de controle social destas populações, tendo em vista o tensionamento que sua circulação pelo espaço urbano causa. Sob este pano de fundo que devemos refletir sobre as artes urbanas produzidas e vivenciadas nas favelas.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O caráter indispensável de moradoras/es da periferia para o funcionamento da vida citadina foi ressaltado na realização da edição de 2017 do Circulando, com o lema: “o rolé das favelas produz cidade&amp;lt;ref&amp;gt;A cada ano, o Circulando tem um mote diferente e, em alguns deles, uma camisa com seu lema é vendida no evento. Em 2017 foi rolébilidade; em 2015, com o mote da memória, a camisa trazia o lema: “Meu nome é favela, minha história também”; e, em 2018, abordando a diversidade, o slogan foi “somos juntxs”. &amp;lt;/ref&amp;gt;” - em termos concretos e simbólicos. O mote daquele ano era mobilidade urbana, ou melhor, “rolébilidade” - entendida como a forma de mobilidade periférica, com todas suas dificuldades e estratégias, desde a debilidade do transporte público até às&amp;amp;nbsp; circulações internas à favelas, pelos seus becos&amp;lt;ref&amp;gt;Ver o verbete “mobilidades”, neste dicionário.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ref&amp;gt;; um circuito que tenta, com maior ou menor sucesso, controlar o rolé de faveladas/os na cidade, permitindo a circulação precária para o trabalho, mas restringindo-a com relação ao lazer. De todo modo, a “rolébilidade” também nos permite questionar se a arte periférica também não é fundamental para a vida urbana, cimentada pela força e criatividade favelada..&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O circulando deu o papo reto: as favelas contribuem, literalmente, para a construção das cidades, com sua mão de obra e suor, todavia, pouco conseguem gozar da urbanidade que ela proporciona, sobretudo em termos de direitos, inclusive os culturais. Estes são limitados de, ao menos, duas maneiras: invisibilizando e criminalizando suas manifestações artísticas ou negando-lhes contato com outras produções, mesmo as mais mainstream. Por exemplo, o afastamento do cinema ou de teatros.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com relação à criminalização da produção artística, é preciso ressaltar que as populações periféricas, em geral, também são construídas como “classes perigosas”. Um fenômeno histórico que remete ao processo de urbanização na Europa do século XIX, quando há uma intensa concentração demográfica nas cidades e, consequentemente, o desencadeamento de uma série de problemas ligados à vida nestes espaços. O que teria levado ao surgimento de uma “questão urbana” como objeto de reflexão das elites políticas e intelectuais. Neste processo, a miséria e o controle social de um contingente populacional tão grande se tornou um desafio quase intransponível. Uma das tentativas de solucioná-lo passou pela divisão das pessoas entre uma “classe operária respeitável”, que querem emprego, mas não o encontram e se comportam de modo disciplinado e moralmente aceito em sociedade; das massas empobrecidas, ou “classes perigosas”, incorrigíveis e incontroláveis, fonte de três perigos para as elites urbanas: o sanitário, o da criminalidade e da sublevação política (Topalov, 2015; Foucault, 2005).&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Este último risco talvez seja a preocupação mais efetiva dessas elites urbanas, ainda que nem tanto das classes médias, capturadas pelo discurso do medo e da segurança pública. A predominância de um discurso que ressalta, cotidiana e midiaticamente, os perigos de uma “violência urbana” acaba compondo um dispositivo que justifica ações de controle dos riscos reais da transformação política desencadeada pelas classes ditas “perigosas”. Como, por exemplo, na criminalização de práticas artísticas faveladas ao longo da história do Rio de Janeiro que tinha como alvo o samba, no início do século XX, e passa a ter como inimigo no fim deste século e início do XXI, o funk. Ambas formas culturais que descrevem e, em alguma medida, denunciam as condições de vida de seus compositores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas, essa criminalização não é um processo contra o qual não se poder resistir. A relação das elites urbanas com as populações periféricas é muito mais sutil e complexa, do que a de uma mera subordinação.&amp;amp;nbsp; E uma chave para entendermos isso é dada, novamente, por Christian Topalov (2015), historiador francês. Essa interação tomaria forma num jogo de apropriações e ressignificações de práticas realizado pelas elites urbanas e as populações mais pobres. Nas quais práticas populares de resistência são apreendidas por tais elites, que as reconfiguram de modo a esvaziá-las de seu teor político; ao mesmo tempo em que, ainda que em menor grau, práticas de controle social podem ser repensadas e reconstruídas de modo que possam também se tornar veículos de contestação social e políticas (Topalov, 2015).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Neste sentido, e voltando à questão do samba e do funk, vemos a complexidade de um dispositivo de controle social que é econômico e repressivo. Com o passar do tempo, esses ritmos foram depurados e aceitos em outros espaços da cidade. Assim, por exemplo, seguem as repressões às festas e eventos nas favelas, ao som de funk, principalmente, mas ainda do samba também, ao mesmo tempo em que essas músicas bombam em eventos caros das zonas mais abastadas da cidade, ou ao som do cantor Thiaguinho em sua “tardezinha” no estádio do Maracanã. Quer dizer, as práticas culturas periféricas são aceitas quando estão desassociadas de seus lugares de origem e entram em circuitos lucrativos da indústria cultural, mas seguem sendo marginalizadas quando são indóceis demais para serem controladas e entrarem no jogo econômico.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por outro lado, há ressignificações também em sentido contrário, produzindo resistências. Isso podemos ver em eventos como a Roda de Olaria e o Circulando, onde práticas culturais de elites não são negadas, pelo contrário, são apropriadas e recebem um sentido político novo, de contestação e reinvenção de significados. Deste modo, por exemplo, o Circulando conta em muitas de suas edições com apresentações teatrais, levadas a cabo, pelo grupo Teatro da Laje, coordenado pelo professor Veríssimo Júnior; ou através da poesia, cujos limites são totalmente ampliados e transformados, sem perder seu lirismo, na Roda de Olaria.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, tal como propomos aqui, pensar a relação entre as artes urbanas e a periferia é reconhecer que sua riqueza, diversidade e capacidade de ocupar o espaço público estão envolvidas numa complexa prática de criminalização que envolve uma seleção e depuração de práticas que podem atender a certos circuitos lucrativos (e que passam a ser legítimas e aceitas na sociedade) de outras que seguiram como ferramentas de controle social. Ao mesmo tempo em que, esse controle não é fácil e confortável, mas que é constantemente tensionado pela reinventidade (mote do Circulando de 2016) favelada e periférica, que produz ou ressignifica artes mais consagradas.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;&amp;amp;nbsp;A Roda de Olaria&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As rodas culturais também nos permitem perceber como a arte urbana e periférica, em suas múltiplas dimensões, é capaz de cimentar a vida na cidade ressignificando o espaço público. É possível contabilizar mais de cem rodas culturais que ocorrem diariamente, em diversos lugares da cidade, com a participação aberta a todo e qualquer artista e de forma gratuita (Alves, 2016). Em grande medida, elas se configuram como eventos independentes, sem aportes financeiros ou institucionais de prefeituras e secretarias de cultura, cuja finalidade é ocupar o espaço público para incentivar, valorizar e promover arte, cultura e entretenimento gratuito para os mais diversos habitantes citadinos.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;As Rodas Culturais são uma teia de artistas e trabalhadores independentes, como poetas, fotógrafos, Mcs, músicos, grafiteiros, artistas plásticos, artistas circenses, atores, profissionais do audiovisual, esportistas urbanos etc. Essa rede unifica, intensifica e expande a sustentabilidade da cultura de rua dos bairros cariocas&amp;lt;ref&amp;gt;Disponível em: &amp;lt;https://www.facebook.com/pg/circuitocariocaderitmoepoesia/about/?ref=page_internal&amp;gt;. Acesso em: 29/02/2020.&amp;lt;/ref&amp;gt;.&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi na 3ª edição do Vamos Desenrolar sobre Arte Urbana que Rico, MC e produtor cultural da Roda de Olaria&amp;lt;ref&amp;gt;A Roda de Olaria possuía até o ano de 2018 três produtores culturais: Laércio Soares Corrêa, Bruno Teixeira e Felippe Massal. Eles são conhecidos por seus amigos mais próximos como Rico, Bruno Xédom ou “Xerélos” e Massal. Rico é MC e lutador de Jiu-Jtsu, Bruno é tatuador e grafiteiro, e Felippe Massal faz graduação em Direito é responsável por fazer as filmagens das batalhas e fotografias do evento. &amp;lt;/ref&amp;gt; falou sobre a importância deste tipo de evento na construção dos espaços que geralmente são reconhecidos como vazios ou ausentes de políticas públicas culturais. Em contrapartida, o MC ressaltou uma série de dificuldades que a Roda de Olaria&amp;lt;ref&amp;gt;Bem como outras Rodas Culturais cariocas.&amp;lt;/ref&amp;gt; sempre enfrentou desde que começou a ocupar as Quadras Gêmeas em 2012.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo Rico, no início era apenas um encontro despretencioso de amigos MCs que, nas noites de quintas-feiras, levavam violões e cajóns para a praça, e se sentavam em roda para conversar e improvisar algumas rimas sob uma tenda branca. Com o passar do tempo o público foi ficando cada vez maior e as Quadras Gêmeas passaram a se tornar palco de um encontro protagonizado por pessoas de diferentes faixas etárias, moradores do bairro de Olaria e adjacências.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No entanto, Rico afirmou que a história da Roda de Olaria é de uma luta constante por conta de uma série de problemáticas que os produtores precisavam administrar: desde a falta de dinheiro para alugar os equipamentos, negociações para conseguir o Nada Opor&amp;lt;ref&amp;gt;Alvará de Autorização Transitória para eventos em geral: culturais, sociais, desportivos, religiosos e quaisquer outros que promovam concentrações de pessoas. No caso das rodas culturais, este alvará precisava ser emitido pelo Batalhão da Polícia Militar do bairro.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ref&amp;gt; às repressões policiais durante o evento. No encontro, o MC enfatizou: “a única forma que a gente tem de diálogo com o poder público é de forma ‘truculenta’, que é com a polícia. A polícia não entende quando você chega num espaço e quer ocupar para mudança; é revitalização do espaço a princípio de tudo. Tivemos essa truculência com a polícia, mas mesmo assim a gente continuou fazendo.”&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um dos primeiros impactos foi uma multa. Em uma das quintas-feiras do ano de 2015 enquanto Rico, Felippe, Bruno e outros amigos começavam a montar o som, chegou, nas palavras de Rico, “um cidadão” da IRLF (Inspetorias Regionais de Licenciamento e Fiscalização) e disse que não poderiam realizar o evento. Por conta de todo esse transtorno em relação à multa, a Roda ficou temporariamente parada, mas depois de um curto período de tempo, as atividades foram retomadas. No entanto, duas semanas depois, dois policiais militares do 16º Batalhão de Olaria interromperam o evento e exigiram a retirada das caixas de som e esvaziamento do local.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Semanalmente o alvará que permitiria o funcionamento da Roda precisava ser negociado e renegociado com o batalhão do bairro. Isto significou, durante todo o ano de 2016, que a Roda legalmente estava proibida de acontecer. Frente a isso, os produtores criaram um movimento que denominaram “Resistência Cultural”. No total, foram quatorze encontros de “resistência” com atividades diversas: desde campeonatos de basquete e skate a batalhas de rimas, exposições de telas e debates. Após o último encontro, a Roda de Olaria conseguiu novamente o alvará e retomou as atividades Porém, vale notar que, múltiplas formas de silenciamentos, repressões e denúncias continuaram a ocorrer.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim sendo, os produtores culturais da Roda de Olaria encontram, em meio às dificuldades de realizar a Roda, suas próprias formas de uso da praça; suas próprias maneiras de fazer (Certeau, 1994). É neste contexto que o trio de produtores vêm desde 2012 “resistindo” e fazendo da rua, nas palavras de Rico, seu “campo de atuação”.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No dia 9 de janeiro de 2018 houve a promulgação da Lei Estadual nº 7837 que declara Patrimônio Cultural Imaterial do estado do Rio de Janeiro a cultura hip-hop e todas as suas manifestações artísticas. Deste modo, as rodas culturais finalmente estariam dispensadas da prévia autorização da Polícia Militar. Ainda assim, é válido salientar que a dificuldade de manter o evento continua grande. Mesmo amparada pela lei, os produtores não possuem qualquer aporte financeiro ou institucional. Consequentemente, não conseguem arcar com todos os custos para sua realização. Hoje, as reuniões da Roda de Olaria ocorrem com pouquíssima frenquência.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Circulando&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Circulando -&amp;amp;nbsp; Diálogo e Comunicação na favela é um evento realizado pelo Instituto Raízes em Movimento desde 2007. Atualmente, ele tem uma regularidade anual, mas já foi realizado mais de uma vez por ano, quando necessário, até o ano de 2010. Ele, começa a ser gerido em 2006, em parceria com o Observatório de Favelas e a Escola Popular de Comunicação Crítica (ESPOCC), tendo sua primeira edição realizada no ano seguinte. Trata-se de um evento de artes, cultura e comunicação. A propósito, o nome do evento surge já nas primeiras reuniões de produção da primeira edição. E, em ata de 2006, assim ficou registrado a importância de comunicação e direito de expressão e manifestação de modo ativo.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;A importância e o direito de todos se expressarem, se manifestarem de forma ativa e por meios ativos, de ganharem visibilidade e partilharem idéias e visões diferentes de mundo. Ainda, a importância de se chamar a atenção para o potencial expressivo e “comunicador” de cada indivíduo e meios que, às vezes, muita gente não vê como meios de transmissão de mensagens. E a importância de se chamar a atenção para a forma estereotipada como os chamados meios de comunicação de massa retratam as comunidades populares e de se indicar, quando não viabilizar, possibilidades de abordagens diferenciadas sobre essas comunidades, por essas comunidades (INSTITUTO RAÍZES EM MOVIMENTO, 2017, p. 139).&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É importante começar destacando o aspecto de comunicação que caracteriza o evento. Trata-se de uma dimensão de dupla direção. Quer dizer, por um lado, o Circulando tem uma preocupação inicial de dialogar com as/os moradoras/es do Complexo do Alemão; inicialmente, trazendo informações e conteúdos produzidos por atores não locais e difundindo-os favela adentro, mas também, e sobretudo, nos anos mais recentes, têm sido uma maneira do Instituto Raízes em Movimento, apresentar sua produção anual para a localidade. Neste, sentido é (se) comunicar de modo crítico e dialogado com o local que dá sentido à existência da organização, e cuja relação de pertencimento muitas vezes é construída pela mídia tradicional, com seus sangrentos telejornais, entretenimentos baratos e programas evangélicos pentecostais. É nessa seara de luta e produção de narrativas, que o Circulando se insere primeiramente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por outro lado, é falar para fora também, tensionar as representações sobre o Complexo do Alemão, que produzem efeitos concretos muito nocivos para o bairro. Por exemplo, no ano de 2010, duas semanas após a megaoperação de ocupação militarizada do Complexo do Alemão, foi realizado uma edição “extra” do Circulando, montado com urgência, mas sem perder a eficiência, para refletir sobre tudo o que estava acontecendo. Para tanto, foi fundamental a ocupação do espaço público, para levar à cidade novos sentido sobre a vida no bairro, com suas dificuldades e diversidades. Uma ferramenta de comunicação de base, interna e externa, através da ocupação do espaço público local, produzindo afetos e solidariedade, este é, o primeiro objetivo do Circulando.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nisto temos o comum que se transmuta na multiplicidade, como diversidade, reconhecimento de uma nova configuração dos processos de organização de sujeitos democráticos capazes de expressar potência política (filosófica, estética), que atua de modo horizontal e, portanto, num espaço que lhe permita criar modos de vida, de sentir, ver, agir, ouvir de maneiras diferentes a partir das múltiplas experiências, inclusive do modo de ocupação do espaço – as ruas, becos e vielas, ligam-se e interligam-se, conectam-se e desconectam-se com aquilo que de mais potente tem do que nomeamos cidade: a vida. Compreendendo isso, o Circulando - Diálogo e comunicação na favela propõe alargar, circular, comunicar sob as mais diversas formas de expressão artísticas que compõem a favela. Isso implicar dizer que a favela além de produzir arte, ela produz vida como forma de existência.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aqui nos reconectamos com o objetivo central do verbete e podemos mesmo afirmar que, falar da produção das artes urbanas é falar da produção da vida na cidade. O que nos remete aos já citados, direitos culturais, como um bem social e o exercício da liberdade de expressão e pensamento. E aqui, sua dimensão principal é a diversidade dos gêneros artísticos que compõem o evento, ressignificando, como apresentado na seção dois deste texto: as formas hegemônicas de produção artística e cultural.&amp;amp;nbsp; São diversas linguagens que se apresentam no Circulando: grafite, poesia, cinema, teatro, música, fotografia e dança. Às quais se somam outras atividades, voltadas para brincadeira de criança, informativos para serviço públicos e outras organizações locais, e ações de cunho mais acadêmico, como lançamento de livros ou rodas de debates/conversa.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essa dimensão artística do Circulando também é uma via de mão dupla interna e externa ao Complexo do Alemão, na chave da arte e cultura como um direito. Por um lado, visa dar espaço e apresentar a produção local às/aos moradoras/es do bairro, mas também aos visitantes que vêm de outros lugares para participar do evento. Desta forma,são convidadas bandas - como o Bloco de samba da Grota - ou ainda cantoras/es, poetas, fotógrafas/os ou grafiteiras/os locais; ou abre-se espaço para o já citado Teatro da Laje ou ao bloco das águas, do bairro vizinho da Penha.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por outro lado, há convidados, “de fora”, que compartilham produções pouco acessíveis ao Complexo do Alemão, seja pela falta de apoio para garantir sua difusão em comparação às produções mais lucrativas, seja porque certas produções de organizações parceiras, dificilmente seriam conhecidas localmente, sem a mediação do Instituto Raízes em Movimento, através do Circulando. Podemos citar, a título de ilustração, as participações de fora até do estado do Rio de Janeiro, como a Orquestra Afrobeat Anjos e Querubins e de Juninho, Iracema, Lemuel diretamente da aldeia Tupinambá de Itapoã, em Ilhéus na Bahia.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Neste sentido, poderíamos também, definir o Circulando como um festival de artes urbanas, com diversas linguagens sendo apresentadas no espaço público periférico. Mantendo seus compromissos com a comunicação e produção de narrativas críticas sobre as favelas, voltado para dialogar com a cidade do Rio de Janeiro como um todo, mas também para dentro do espaço onde é realizado e o ponto de partida para toda sua formulação, o Complexo do Alemão.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Considerações finais.&amp;amp;nbsp;&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os exemplos da Roda de Olaria e do Circulando ilustram bem a ideia de falar em “artes urbanas” para tratar da produção cultural oriunda das populações faveladas, por conta de duas de suas características: a primeira é a diversidade de manifestações (por isso, o plural) e a fuga de um concepção de arte pensada a partir de um parâmetro estético mais estático, que considera apenas as formas mais hegemônicas e legitimadas, muitas vezes condensadas no que se costuma chamar de cultura erudita; a segunda, que diz mais respeito ao adjetivo “urbano”, aponta para o espaço por excelência de dessa produção cultural, que é o espaço público, da cidade.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp; &amp;amp;nbsp;Todavia, retomando as pistas oferecidas pelo debate promovido no encontro sobre “artes urbanas” do Vamos Desenrolar citado lá no começo do texto, vemos que também estão envolvidas as questões do corpo, da resistência e do apuro estético. Esse conjunto de elementos nos abre um mar de possibilidades de reflexão em torno do triângulo: arte, favelas e cidades.&amp;amp;nbsp; &amp;amp;nbsp; &#039;&#039;&#039;Referências bibliográficas&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
ALVES, Rôssi. Resistência e empoderamento na literatura urbana carioca. Estudos de literatura brasileira contemporânea, n. 49, p. 183-202, set./dez. 2016.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
CERTEAU, Michel de. A invenção do cotidiano: 1. artes de fazer. Petrópolis, RJ: Vozes, 1994.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
FOUCAULT, Michel.&amp;amp;nbsp; O Nascimento da Medicina Social. In.: FOUCAULT, Michel. Microfísica do Poder. 20ª edição. Rio de Janeiro, Graal, 2005, pp.79-98.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
INSTITUTO RAÍZES EM MOVIMENTO. Instituto Raízes em Movimento: um canto à experiência. In.: SANTOS JÚNIOR, Orlando Alves do; NOVAES, Patrícia Ramos; LACERDA, Larissa; WERNECK, Mariana (Orgs.). Caderno Didático “Políticas Públicas e Direito à Cidade: Programa Interdisciplinar de Formação de Agentes Sociais”, Observatório das Metrópoles, 2017, 135-142)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
OLIVEIRA, Priscila Telles de. Roda Cultural de Olaria: &amp;quot;resistência&amp;quot; e formas de atuação. 2018, 149f. Dissertação (Mestrado em Antropologia) ,Universidade Federal Fluminense (UFF). Niterói, 2018.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
TOPALOV, Christian. Da questão social aos problemas urbanos: os reformadores e a população das metrópoles em princípios do século XX. In.: RIBEIRO, Luiz Cesar Queiroz; PECHMAN, Robert Moses (Org.). Cidade, povo e nação: gênese do urbanismo moderno. Rio de Janeiro, Letra Capital, Observatório das Metrópoles, INCT, 2015, pp. 23 – 52. Disponível em: [http://web.observatoriodasmetropoles.net/images/abook_file/cidade_povo_nacao2ed.pdf http://web.observatoriodasmetropoles.net/images/abook_file/cidade_povo_nacao2ed.pdf].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Category:Arte Urbana]] [[Category:Grafite]] [[Category:Arte]] [[Category:Cultura]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Thiago Matiolli</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://homologacao2.wikifavelas.com.br/index.php?title=Artes_urbanas_e_favelas&amp;diff=4344</id>
		<title>Artes urbanas e favelas</title>
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		<updated>2020-03-01T23:14:05Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Thiago Matiolli: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&lt;br /&gt;
==== Por Pricila Telles e&amp;amp;nbsp;[https://wikifavelas.com.br/index.php?title=Usuário:Thiago_Matiolli Thiago Matiolli] ====&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No dia 05 de novembro de 2016, um sábado chuvoso, o Instituto Raízes em Movimento&amp;lt;ref&amp;gt;Para maiores informações sobre a organização, ver o verbete “Instituto Raízes em Movimento”, neste dicionário. &amp;lt;/ref&amp;gt; realizou o 3º encontro do Vamos Desenrolar - Oficina de Produção de Memórias e Conhecimento&amp;lt;ref&amp;gt; Para saber mais sobre o evento, ver o Verbete “Vamos Desenrolar”, neste dicionário. &amp;lt;/ref&amp;gt;, que abordava as artes urbanas. As discussões trataram do campo das expressões culturais na cidade em espaços abertos, favelas, praças públicas, ruas… A proposta foi refletir sobre as resistências e criatividade na construção desses espaços que geralmente são construídos no vácuo de políticas públicas culturais e na busca de expressões libertárias. O encontro trouxe à superfície experiências musicais, grafite, teatro, saraus, rodas culturais, enfim, caminhos alternativos de apropriação e combate à indústria cultural de massa. Os Dinamizadores foram: Adriana Lopes: pesquisadora e professora da UFRRJ; Carlos Meijueiro: pesquisador e ativista cultural; Cláudio Vaz: professor de artes e ativista cultural; Gustavo Coelho: pesquisador sobre pichação e outras culturas de rua (diretor do documentário “Luz Câmera, Pichação”); e Rico Neurótico: MC&amp;lt;ref&amp;gt;O termo MC é uma adaptação do inglês master of cerimony, que significa Mestre de Cerimônia. É aquele (a) que, enquanto a é tocada, elabora, recita e canta suas rimas e poesias. &lt;br /&gt;
&amp;lt;/ref&amp;gt; e produtor cultural da Roda Cultural de Olaria. Este último, personagem que fica no entrecruzamento dos assuntos abordados neste verbete, bem como nos exemplos tomados para ilustração do argumento: a Roda Cultural de Olaria e o Circulando - Diálogo e Comunicação na Favela.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O tema das “artes urbanas” não é de conceituação simples e, muito menos, taxativa. Porém, quando retomamos o debate promovido pela edição do Vamos Desenrolar citado acima, é possível encontrar algumas pistas. Por exemplo, Adriana Lopes iniciou a conversa falando sobre a importância do funk e a presença potente das mulheres nesse ambiente produtivo, destacando que &amp;amp;nbsp;“a arte urbana é mais que o grafismo, a gente escreve com nossos corpos, com nossas roupas...”; Cláudio Vaz disse que não se importava de ter seus projetos copiados por outros produtores e com humor afirmou “Se fizer bem feito é bom, se não fizer bem eu vou lá e reclamo!”; Gustavo Coelho lembrou dos movimentos “xarpi” - que será retomado mais a frente -, bate bola e baile funk “A pixação não é feia, pelo contrário, tem muita delicadeza no traço”; e, por fim, mas não menos importante, MC Rico Neurótico lembrou que “A rua não é só a ferramenta, é o nosso campo de atuação..”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No intuito de se aproximar de uma caracterização das artes urbanas que norteie este verbete, exploraremos melhor estas pistas na próxima seção.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Artes urbanas&#039;&#039;&#039;&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As falas destacadas acima nos trazem várias características das artes artes urbanas: a importância dos corpos; o apreço pela questão estética e a qualidade da obra; as possibilidades de sua prática enquanto resistência; a diversidades das linguagens que a compõem: a música, as artes plásticas (como o grafite e a pichação), as representações teatrais (como os bate-bolas citados) - aos quais podemos somar a literatura, a dança, e o audiovisual; e, ainda, a rua, ou o espaço público como lugar predominante de sua manifestação. Aqui, não abordaremos todas essas dimensões, focaremos em duas delas (sem, contudo, deixar totalmente de lado, as demais): sua pluralidade e o espaço público como seu palco principal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A cidade está longe de ser um lugar que possa ser compreendido em sua totalidade. Seus habitantes cultivam estilos particulares de entretenimento, mantém vínculos de sociabilidade e relacionamento, criam modos e padrões culturais diferenciados. Marcada, então, pela sua diversidade e heterogeneidade, a cidade se encontra como lugar privilegiado para análise de uma multiplicidade de atividades e formas de participação. Dentre essas formas de participação, as expressões artísticas, em suas diversas dimensões – sonoras, visuais e performativas –, têm se mostrado um objeto relevante para se pensar essa urbe. Como veremos na realização dos festivais circulando.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A rua, cada vez mais, tem se tornado palco de diferentes tipos de manifestações artísticas e culturais. Em uma caminhada vespertina pelo centro da cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, é possível ver músicos de rua, artistas circenses, entre outros que, encontram nesses espaços, lócus para suas atividades. Afastando-se um pouco da região central carioca, nota-se que em diversos bairros das Zonas Norte, Sul e Oeste, as praças também têm sido logradouro de manifestações deste cunho. As Rodas Culturais e, mais especificamente, a Roda de Olaria é um importante exemplo disso.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Artes urbanas e periferia&amp;amp;nbsp;&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As relações entre cidade e favela, ou outras formas espaciais periféricas, podem ser pensadas, em suas diversas dimensões, sob a chave de uma dualidade: a importância dos corpos e energias de moradoras/es desses espaços são indispensáveis para o funcionamento da cidade como um todo; ao mesmo tempo em que há uma profunda necessidade de controle social destas populações, tendo em vista o tensionamento que sua circulação pelo espaço urbano causa. Sob este pano de fundo que devemos refletir sobre as artes urbanas produzidas e vivenciadas nas favelas.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O caráter indispensável de moradoras/es da periferia para o funcionamento da vida citadina foi ressaltado na realização da edição de 2017 do Circulando, com o lema: “o rolé das favelas produz cidade&amp;lt;ref&amp;gt;A cada ano, o Circulando tem um mote diferente e, em alguns deles, uma camisa com seu lema é vendida no evento. Em 2017 foi rolébilidade; em 2015, com o mote da memória, a camisa trazia o lema: “Meu nome é favela, minha história também”; e, em 2018, abordando a diversidade, o slogan foi “somos juntxs”. &amp;lt;/ref&amp;gt;” - em termos concretos e simbólicos. O mote daquele ano era mobilidade urbana, ou melhor, “rolébilidade” - entendida como a forma de mobilidade periférica, com todas suas dificuldades e estratégias, desde a debilidade do transporte público até às&amp;amp;nbsp; circulações internas à favelas, pelos seus becos&amp;lt;ref&amp;gt;Ver o verbete “mobilidades”, neste dicionário.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ref&amp;gt;; um circuito que tenta, com maior ou menor sucesso, controlar o rolé de faveladas/os na cidade, permitindo a circulação precária para o trabalho, mas restringindo-a com relação ao lazer. De todo modo, a “rolébilidade” também nos permite questionar se a arte periférica também não é fundamental para a vida urbana, cimentada pela força e criatividade favelada..&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O circulando deu o papo reto: as favelas contribuem, literalmente, para a construção das cidades, com sua mão de obra e suor, todavia, pouco conseguem gozar da urbanidade que ela proporciona, sobretudo em termos de direitos, inclusive os culturais. Estes são limitados de, ao menos, duas maneiras: invisibilizando e criminalizando suas manifestações artísticas ou negando-lhes contato com outras produções, mesmo as mais mainstream. Por exemplo, o afastamento do cinema ou de teatros.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com relação à criminalização da produção artística, é preciso ressaltar que as populações periféricas, em geral, também são construídas como “classes perigosas”. Um fenômeno histórico que remete ao processo de urbanização na Europa do século XIX, quando há uma intensa concentração demográfica nas cidades e, consequentemente, o desencadeamento de uma série de problemas ligados à vida nestes espaços. O que teria levado ao surgimento de uma “questão urbana” como objeto de reflexão das elites políticas e intelectuais. Neste processo, a miséria e o controle social de um contingente populacional tão grande se tornou um desafio quase intransponível. Uma das tentativas de solucioná-lo passou pela divisão das pessoas entre uma “classe operária respeitável”, que querem emprego, mas não o encontram e se comportam de modo disciplinado e moralmente aceito em sociedade; das massas empobrecidas, ou “classes perigosas”, incorrigíveis e incontroláveis, fonte de três perigos para as elites urbanas: o sanitário, o da criminalidade e da sublevação política (Topalov, 2015; Foucault, 2005).&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Este último risco talvez seja a preocupação mais efetiva dessas elites urbanas, ainda que nem tanto das classes médias, capturadas pelo discurso do medo e da segurança pública. A predominância de um discurso que ressalta, cotidiana e midiaticamente, os perigos de uma “violência urbana” acaba compondo um dispositivo que justifica ações de controle dos riscos reais da transformação política desencadeada pelas classes ditas “perigosas”. Como, por exemplo, na criminalização de práticas artísticas faveladas ao longo da história do Rio de Janeiro que tinha como alvo o samba, no início do século XX, e passa a ter como inimigo no fim deste século e início do XXI, o funk. Ambas formas culturais que descrevem e, em alguma medida, denunciam as condições de vida de seus compositores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas, essa criminalização não é um processo contra o qual não se poder resistir. A relação das elites urbanas com as populações periféricas é muito mais sutil e complexa, do que a de uma mera subordinação.&amp;amp;nbsp; E uma chave para entendermos isso é dada, novamente, por Christian Topalov (2015), historiador francês. Essa interação tomaria forma num jogo de apropriações e ressignificações de práticas realizado pelas elites urbanas e as populações mais pobres. Nas quais práticas populares de resistência são apreendidas por tais elites, que as reconfiguram de modo a esvaziá-las de seu teor político; ao mesmo tempo em que, ainda que em menor grau, práticas de controle social podem ser repensadas e reconstruídas de modo que possam também se tornar veículos de contestação social e políticas (Topalov, 2015).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Neste sentido, e voltando à questão do samba e do funk, vemos a complexidade de um dispositivo de controle social que é econômico e repressivo. Com o passar do tempo, esses ritmos foram depurados e aceitos em outros espaços da cidade. Assim, por exemplo, seguem as repressões às festas e eventos nas favelas, ao som de funk, principalmente, mas ainda do samba também, ao mesmo tempo em que essas músicas bombam em eventos caros das zonas mais abastadas da cidade, ou ao som do cantor Thiaguinho em sua “tardezinha” no estádio do Maracanã. Quer dizer, as práticas culturas periféricas são aceitas quando estão desassociadas de seus lugares de origem e entram em circuitos lucrativos da indústria cultural, mas seguem sendo marginalizadas quando são indóceis demais para serem controladas e entrarem no jogo econômico.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por outro lado, há ressignificações também em sentido contrário, produzindo resistências. Isso podemos ver em eventos como a Roda de Olaria e o Circulando, onde práticas culturais de elites não são negadas, pelo contrário, são apropriadas e recebem um sentido político novo, de contestação e reinvenção de significados. Deste modo, por exemplo, o Circulando conta em muitas de suas edições com apresentações teatrais, levadas a cabo, pelo grupo Teatro da Laje, coordenado pelo professor Veríssimo Júnior; ou através da poesia, cujos limites são totalmente ampliados e transformados, sem perder seu lirismo, na Roda de Olaria.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, tal como propomos aqui, pensar a relação entre as artes urbanas e a periferia é reconhecer que sua riqueza, diversidade e capacidade de ocupar o espaço público estão envolvidas numa complexa prática de criminalização que envolve uma seleção e depuração de práticas que podem atender a certos circuitos lucrativos (e que passam a ser legítimas e aceitas na sociedade) de outras que seguiram como ferramentas de controle social. Ao mesmo tempo em que, esse controle não é fácil e confortável, mas que é constantemente tensionado pela reinventidade (mote do Circulando de 2016) favelada e periférica, que produz ou ressignifica artes mais consagradas.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;&amp;amp;nbsp;A Roda de Olaria&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As rodas culturais também nos permitem perceber como a arte urbana e periférica, em suas múltiplas dimensões, é capaz de cimentar a vida na cidade ressignificando o espaço público. É possível contabilizar mais de cem rodas culturais que ocorrem diariamente, em diversos lugares da cidade, com a participação aberta a todo e qualquer artista e de forma gratuita (Alves, 2016). Em grande medida, elas se configuram como eventos independentes, sem aportes financeiros ou institucionais de prefeituras e secretarias de cultura, cuja finalidade é ocupar o espaço público para incentivar, valorizar e promover arte, cultura e entretenimento gratuito para os mais diversos habitantes citadinos.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;As Rodas Culturais são uma teia de artistas e trabalhadores independentes, como poetas, fotógrafos, Mcs, músicos, grafiteiros, artistas plásticos, artistas circenses, atores, profissionais do audiovisual, esportistas urbanos etc. Essa rede unifica, intensifica e expande a sustentabilidade da cultura de rua dos bairros cariocas&amp;lt;ref&amp;gt;Disponível em: &amp;lt;https://www.facebook.com/pg/circuitocariocaderitmoepoesia/about/?ref=page_internal&amp;gt;. Acesso em: 29/02/2020.&amp;lt;/ref&amp;gt;.&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi na 3ª edição do Vamos Desenrolar sobre Arte Urbana que Rico, MC e produtor cultural da Roda de Olaria&amp;lt;ref&amp;gt;A Roda de Olaria possuía até o ano de 2018 três produtores culturais: Laércio Soares Corrêa, Bruno Teixeira e Felippe Massal. Eles são conhecidos por seus amigos mais próximos como Rico, Bruno Xédom ou “Xerélos” e Massal. Rico é MC e lutador de Jiu-Jtsu, Bruno é tatuador e grafiteiro, e Felippe Massal faz graduação em Direito é responsável por fazer as filmagens das batalhas e fotografias do evento. &amp;lt;/ref&amp;gt; falou sobre a importância deste tipo de evento na construção dos espaços que geralmente são reconhecidos como vazios ou ausentes de políticas públicas culturais. Em contrapartida, o MC ressaltou uma série de dificuldades que a Roda de Olaria&amp;lt;ref&amp;gt;Bem como outras Rodas Culturais cariocas.&amp;lt;/ref&amp;gt; sempre enfrentou desde que começou a ocupar as Quadras Gêmeas em 2012.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo Rico, no início era apenas um encontro despretencioso de amigos MCs que, nas noites de quintas-feiras, levavam violões e cajóns para a praça, e se sentavam em roda para conversar e improvisar algumas rimas sob uma tenda branca. Com o passar do tempo o público foi ficando cada vez maior e as Quadras Gêmeas passaram a se tornar palco de um encontro protagonizado por pessoas de diferentes faixas etárias, moradores do bairro de Olaria e adjacências.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No entanto, Rico afirmou que a história da Roda de Olaria é de uma luta constante por conta de uma série de problemáticas que os produtores precisavam administrar: desde a falta de dinheiro para alugar os equipamentos, negociações para conseguir o Nada Opor&amp;lt;ref&amp;gt;Alvará de Autorização Transitória para eventos em geral: culturais, sociais, desportivos, religiosos e quaisquer outros que promovam concentrações de pessoas. No caso das rodas culturais, este alvará precisava ser emitido pelo Batalhão da Polícia Militar do bairro.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ref&amp;gt; às repressões policiais durante o evento. No encontro, o MC enfatizou: “a única forma que a gente tem de diálogo com o poder público é de forma ‘truculenta’, que é com a polícia. A polícia não entende quando você chega num espaço e quer ocupar para mudança; é revitalização do espaço a princípio de tudo. Tivemos essa truculência com a polícia, mas mesmo assim a gente continuou fazendo.”&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um dos primeiros impactos foi uma multa. Em uma das quintas-feiras do ano de 2015 enquanto Rico, Felippe, Bruno e outros amigos começavam a montar o som, chegou, nas palavras de Rico, “um cidadão” da IRLF (Inspetorias Regionais de Licenciamento e Fiscalização) e disse que não poderiam realizar o evento. Por conta de todo esse transtorno em relação à multa, a Roda ficou temporariamente parada, mas depois de um curto período de tempo, as atividades foram retomadas. No entanto, duas semanas depois, dois policiais militares do 16º Batalhão de Olaria interromperam o evento e exigiram a retirada das caixas de som e esvaziamento do local.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Semanalmente o alvará que permitiria o funcionamento da Roda precisava ser negociado e renegociado com o batalhão do bairro. Isto significou, durante todo o ano de 2016, que a Roda legalmente estava proibida de acontecer. Frente a isso, os produtores criaram um movimento que denominaram “Resistência Cultural”. No total, foram quatorze encontros de “resistência” com atividades diversas: desde campeonatos de basquete e skate a batalhas de rimas, exposições de telas e debates. Após o último encontro, a Roda de Olaria conseguiu novamente o alvará e retomou as atividades Porém, vale notar que, múltiplas formas de silenciamentos, repressões e denúncias continuaram a ocorrer.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim sendo, os produtores culturais da Roda de Olaria encontram, em meio às dificuldades de realizar a Roda, suas próprias formas de uso da praça; suas próprias maneiras de fazer (Certeau, 1994). É neste contexto que o trio de produtores vêm desde 2012 “resistindo” e fazendo da rua, nas palavras de Rico, seu “campo de atuação”.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No dia 9 de janeiro de 2018 houve a promulgação da Lei Estadual nº 7837 que declara Patrimônio Cultural Imaterial do estado do Rio de Janeiro a cultura hip-hop e todas as suas manifestações artísticas. Deste modo, as rodas culturais finalmente estariam dispensadas da prévia autorização da Polícia Militar. Ainda assim, é válido salientar que a dificuldade de manter o evento continua grande. Mesmo amparada pela lei, os produtores não possuem qualquer aporte financeiro ou institucional. Consequentemente, não conseguem arcar com todos os custos para sua realização. Hoje, as reuniões da Roda de Olaria ocorrem com pouquíssima frenquência.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Circulando&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Circulando -&amp;amp;nbsp; Diálogo e Comunicação na favela é um evento realizado pelo Instituto Raízes em Movimento desde 2007. Atualmente, ele tem uma regularidade anual, mas já foi realizado mais de uma vez por ano, quando necessário, até o ano de 2010. Ele, começa a ser gerido em 2006, em parceria com o Observatório de Favelas e a Escola Popular de Comunicação Crítica (ESPOCC), tendo sua primeira edição realizada no ano seguinte. Trata-se de um evento de artes, cultura e comunicação. A propósito, o nome do evento surge já nas primeiras reuniões de produção da primeira edição. E, em ata de 2006, assim ficou registrado a importância de comunicação e direito de expressão e manifestação de modo ativo.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;A importância e o direito de todos se expressarem, se manifestarem de forma ativa e por meios ativos, de ganharem visibilidade e partilharem idéias e visões diferentes de mundo. Ainda, a importância de se chamar a atenção para o potencial expressivo e “comunicador” de cada indivíduo e meios que, às vezes, muita gente não vê como meios de transmissão de mensagens. E a importância de se chamar a atenção para a forma estereotipada como os chamados meios de comunicação de massa retratam as comunidades populares e de se indicar, quando não viabilizar, possibilidades de abordagens diferenciadas sobre essas comunidades, por essas comunidades (INSTITUTO RAÍZES EM MOVIMENTO, 2017, p. 139).&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É importante começar destacando o aspecto de comunicação que caracteriza o evento. Trata-se de uma dimensão de dupla direção. Quer dizer, por um lado, o Circulando tem uma preocupação inicial de dialogar com as/os moradoras/es do Complexo do Alemão; inicialmente, trazendo informações e conteúdos produzidos por atores não locais e difundindo-os favela adentro, mas também, e sobretudo, nos anos mais recentes, têm sido uma maneira do Instituto Raízes em Movimento, apresentar sua produção anual para a localidade. Neste, sentido é (se) comunicar de modo crítico e dialogado com o local que dá sentido à existência da organização, e cuja relação de pertencimento muitas vezes é construída pela mídia tradicional, com seus sangrentos telejornais, entretenimentos baratos e programas evangélicos pentecostais. É nessa seara de luta e produção de narrativas, que o Circulando se insere primeiramente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por outro lado, é falar para fora também, tensionar as representações sobre o Complexo do Alemão, que produzem efeitos concretos muito nocivos para o bairro. Por exemplo, no ano de 2010, duas semanas após a megaoperação de ocupação militarizada do Complexo do Alemão, foi realizado uma edição “extra” do Circulando, montado com urgência, mas sem perder a eficiência, para refletir sobre tudo o que estava acontecendo. Para tanto, foi fundamental a ocupação do espaço público, para levar à cidade novos sentido sobre a vida no bairro, com suas dificuldades e diversidades. Uma ferramenta de comunicação de base, interna e externa, através da ocupação do espaço público local, produzindo afetos e solidariedade, este é, o primeiro objetivo do Circulando.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nisto temos o comum que se transmuta na multiplicidade, como diversidade, reconhecimento de uma nova configuração dos processos de organização de sujeitos democráticos capazes de expressar potência política (filosófica, estética), que atua de modo horizontal e, portanto, num espaço que lhe permita criar modos de vida, de sentir, ver, agir, ouvir de maneiras diferentes a partir das múltiplas experiências, inclusive do modo de ocupação do espaço – as ruas, becos e vielas, ligam-se e interligam-se, conectam-se e desconectam-se com aquilo que de mais potente tem do que nomeamos cidade: a vida. Compreendendo isso, o Circulando - Diálogo e comunicação na favela propõe alargar, circular, comunicar sob as mais diversas formas de expressão artísticas que compõem a favela. Isso implicar dizer que a favela além de produzir arte, ela produz vida como forma de existência.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aqui nos reconectamos com o objetivo central do verbete e podemos mesmo afirmar que, falar da produção das artes urbanas é falar da produção da vida na cidade. O que nos remete aos já citados, direitos culturais, como um bem social e o exercício da liberdade de expressão e pensamento. E aqui, sua dimensão principal é a diversidade dos gêneros artísticos que compõem o evento, ressignificando, como apresentado na seção dois deste texto: as formas hegemônicas de produção artística e cultural.&amp;amp;nbsp; São diversas linguagens que se apresentam no Circulando: grafite, poesia, cinema, teatro, música, fotografia e dança. Às quais se somam outras atividades, voltadas para brincadeira de criança, informativos para serviço públicos e outras organizações locais, e ações de cunho mais acadêmico, como lançamento de livros ou rodas de debates/conversa.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essa dimensão artística do Circulando também é uma via de mão dupla interna e externa ao Complexo do Alemão, na chave da arte e cultura como um direito. Por um lado, visa dar espaço e apresentar a produção local às/aos moradoras/es do bairro, mas também aos visitantes que vêm de outros lugares para participar do evento. Desta forma,são convidadas bandas - como o Bloco de samba da Grota - ou ainda cantoras/es, poetas, fotógrafas/os ou grafiteiras/os locais; ou abre-se espaço para o já citado Teatro da Laje ou ao bloco das águas, do bairro vizinho da Penha.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por outro lado, há convidados, “de fora”, que compartilham produções pouco acessíveis ao Complexo do Alemão, seja pela falta de apoio para garantir sua difusão em comparação às produções mais lucrativas, seja porque certas produções de organizações parceiras, dificilmente seriam conhecidas localmente, sem a mediação do Instituto Raízes em Movimento, através do Circulando. Podemos citar, a título de ilustração, as participações de fora até do estado do Rio de Janeiro, como a Orquestra Afrobeat Anjos e Querubins e de Juninho, Iracema, Lemuel diretamente da aldeia Tupinambá de Itapoã, em Ilhéus na Bahia.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Neste sentido, poderíamos também, definir o Circulando como um festival de artes urbanas, com diversas linguagens sendo apresentadas no espaço público periférico. Mantendo seus compromissos com a comunicação e produção de narrativas críticas sobre as favelas, voltado para dialogar com a cidade do Rio de Janeiro como um todo, mas também para dentro do espaço onde é realizado e o ponto de partida para toda sua formulação, o Complexo do Alemão.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Considerações finais.&amp;amp;nbsp;&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os exemplos da Roda de Olaria e do Circulando ilustram bem a ideia de falar em “artes urbanas” para tratar da produção cultural oriunda das populações faveladas, por conta de duas de suas características: a primeira é a diversidade de manifestações (por isso, o plural) e a fuga de um concepção de arte pensada a partir de um parâmetro estético mais estático, que considera apenas as formas mais hegemônicas e legitimadas, muitas vezes condensadas no que se costuma chamar de cultura erudita; a segunda, que diz mais respeito ao adjetivo “urbano”, aponta para o espaço por excelência de dessa produção cultural, que é o espaço público, da cidade.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp; &amp;amp;nbsp;Todavia, retomando as pistas oferecidas pelo debate promovido no encontro sobre “artes urbanas” do Vamos Desenrolar citado lá no começo do texto, vemos que também estão envolvidas as questões do corpo, da resistência e do apuro estético. Esse conjunto de elementos nos abre um mar de possibilidades de reflexão em torno do triângulo: arte, favelas e cidades.&amp;amp;nbsp; &amp;amp;nbsp; &#039;&#039;&#039;Referências bibliográficas&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
ALVES, Rôssi. Resistência e empoderamento na literatura urbana carioca. Estudos de literatura brasileira contemporânea, n. 49, p. 183-202, set./dez. 2016.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
CERTEAU, Michel de. A invenção do cotidiano: 1. artes de fazer. Petrópolis, RJ: Vozes, 1994.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
FOUCAULT, Michel.&amp;amp;nbsp; O Nascimento da Medicina Social. In.: FOUCAULT, Michel. Microfísica do Poder. 20ª edição. Rio de Janeiro, Graal, 2005, pp.79-98.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
INSTITUTO RAÍZES EM MOVIMENTO. Instituto Raízes em Movimento: um canto à experiência. In.: SANTOS JÚNIOR, Orlando Alves do; NOVAES, Patrícia Ramos; LACERDA, Larissa; WERNECK, Mariana (Orgs.). Caderno Didático “Políticas Públicas e Direito à Cidade: Programa Interdisciplinar de Formação de Agentes Sociais”, Observatório das Metrópoles, 2017, 135-142)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
OLIVEIRA, Priscila Telles de. Roda Cultural de Olaria: &amp;quot;resistência&amp;quot; e formas de atuação. 2018, 149f. Dissertação (Mestrado em Antropologia) ,Universidade Federal Fluminense (UFF). Niterói, 2018.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
TOPALOV, Christian. Da questão social aos problemas urbanos: os reformadores e a população das metrópoles em princípios do século XX. In.: RIBEIRO, Luiz Cesar Queiroz; PECHMAN, Robert Moses (Org.). Cidade, povo e nação: gênese do urbanismo moderno. Rio de Janeiro, Letra Capital, Observatório das Metrópoles, INCT, 2015, pp. 23 – 52. Disponível em: [http://web.observatoriodasmetropoles.net/images/abook_file/cidade_povo_nacao2ed.pdf http://web.observatoriodasmetropoles.net/images/abook_file/cidade_povo_nacao2ed.pdf].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Category:Arte Urbana]] [[Category:Grafite]] [[Category:Arte]] [[Category:Cultura]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Thiago Matiolli</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://homologacao2.wikifavelas.com.br/index.php?title=Mobilidades&amp;diff=4343</id>
		<title>Mobilidades</title>
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		<updated>2020-03-01T23:12:42Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Thiago Matiolli: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&lt;br /&gt;
= &amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;Por&amp;amp;nbsp;[https://wikifavelas.com.br/index.php?title=Usuário:Ricardo_De_Moura Ricardo De Moura]&amp;lt;/span&amp;gt; =&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
= &amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;background:white&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:#222222&amp;quot;&amp;gt;Da insistência por mobilidades, entre becos e vielas&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt; =&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size: small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;quot;Minha Cidade&amp;quot;.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;background:white&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:normal&amp;quot;&amp;gt;... &#039;&#039;Eu sou aquela amorosa de tuas ruas estreitas,&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;background:white&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:normal&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;curtas, indecisas, entrando, saindo uma das outras.&amp;lt;br/&amp;gt; ...Eu sou aquela mulher que ficou velha, esquecida,&amp;lt;br/&amp;gt; nos teus larguinhos e nos teus becos tristes,&amp;lt;br/&amp;gt; contando estórias, fazendo adivinhação.&amp;lt;br/&amp;gt; Cantando teu passado.&amp;lt;br/&amp;gt; Cantando teu futuro.&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;background:white&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:normal&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;...Eu sou estas casas encostadas&amp;lt;br/&amp;gt; cochichando umas com as outras...&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;br/&amp;gt; &amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;background:white&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:normal&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&#039;Cora Coralina&#039;&#039;&#039;&amp;lt;br/&amp;gt; &amp;lt;br/&amp;gt; Poema dos becos de Goiás e histórias mais&amp;lt;span style=&amp;quot;color:black&amp;quot;&amp;gt;.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
= &amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;Mobilidades&amp;lt;/span&amp;gt; =&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;margin-bottom:.0001pt; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;background:white&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:#222222&amp;quot;&amp;gt;O tema mobilidade suscita muitas discussões, o modo hegemônico de como se formula políticas públicas com esse intuito, toma conta desses debates. Para pensar em mobilidade em relação a outros espaços da cidade, as favelas e periferias, por exemplo, é preciso pensar no plural, mobilidades e os becos e vielas, são e fazem parte de uma estratégia de deslocamento que foge o olhar apressado e meramente tecnicista. “Casas encostadas cochichando uma com as outras, o vai-e-vem de pessoas, atalhos, memórias, memória topográfica, espacial de relações múltiplas, aguça a sensibilidade como numa cidade inventiva e que aciona outras formas de dizer, pensar, refletir, instituir cidade. Talvez aqui esta ideia apareça como terceira via, não eliminado as outras, mas imbricada com todas elas. É considerar os becos e vielas como metonímia da ideia de cidade. A estética do beco aciona dispositivos importantes para pensarmos e fazermos, das margens/marginalidades, outros tipos de cidade, assim podemos acionar outras mobilidades possíveis.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;background:white&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:#222222&amp;quot;&amp;gt;Certamente não está descartada a ideia de mobilidade clássica que tem sido por diversos setores da sociedade, inclui-se aqui pesquisas nas áreas de planejamento urbano, discutida exaustivamente seja pela via de transporte público seja pelo ordenamento sócio-espacial da cidade. Aliás, minha intenção é produzir tensionamentos ao mesmo passo uma narrativa que nos coloque frente a outras possibilidades de mobilidade, por isso, insisto em mobilidades.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;background:white&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:#222222&amp;quot;&amp;gt;É necessário&amp;lt;/span&amp;gt;ir além da constatação que as coisas não funcionam, como no caso mais emblemático de um política pública arbitrária e ineficaz desenhada para o Conjunto de Favelas do Alemão que não funciona há mais de três anos, o teleférico. É muito cansativo ouvir repetidas vezes pesquisadores e suas pesquisas salvíficas e cartesianas, técnicos, “especialistas” e outras muitas opiniões sobre esse modelo de transporte público e todo um discurso repleto de clichês, enfadonho, que não tem nenhuma relação com a realidade local e que não produz nada novo – a não participação dos moradores na eleição por este tipo de meio de transporte e na implementação do projeto é um exemplo, dos inúmeros clichês. Todos nós sabemos que a prioridade para a região sempre foi e continua sendo saneamento básico.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;background:white&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;Todos nós, moradores e observadores, já sabíamos e sabemos que, as políticas públicas são verticalizadas, sobretudo quando se trata de favelas e periferias, ou é alguma novidade? Que há muitos engendramentos nessa engrenagem, muitos conchavos, muito cassino, muitos politiqueiros de ocasião e pouca Política&amp;lt;ref&amp;gt;Conferir MOURA, Ricardo José de; É Complexo. O velho ranço das políticas públicas: balcão de negócios, cultura do medo e violência. Rio de Janeiro: URBFAVELA, 2016&amp;lt;/ref&amp;gt;. Todos nós sabíamos e sabemos que esse modelo de transporte público não funcionaria e não atenderia a população local – é bom frisar &#039;&#039;&#039;população local&#039;&#039;&#039;, pois ao que parece os turistas à época, se divertiam, numa espécie de “passeio exótico”, no alto das gondolas xeretando a vida dos moradores quando estes estavam cima das lajes –, por questões evidentes: o Complexo do Alemão é formado por cinco grandes topos e os deslocamentos se fazem nas vias terrestres, uma questão básica de compreensão topológica do lugar. Isso é apenas um exemplo, aliás, técnico inclusive, mas que camufla o político.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;background:white&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;A ideia aqui, nesta conversa, é ir no sentido contrário, isto é, pensar a mobilidade de dentro para fora, ou seja, a partir das periferias e favelas, dos moradores. A reflexão sobre mobilidades precisa enxergar as vontades, necessidades, olhares das bases e o desejo inclusive indo além dos diagnósticos realizados pelos “especialistas’ que dá mais visibilidade as barreiras físicas e simbólicas – embora importantes não se resume a elas – do que às relações sócio-espaciais que os moradores mantem desde sempre com, os becos, por exemplo. Os becos são movidos de significações, por isso tem nomes. O que passa pela cabeça dos “especialistas” (engenheiros, arquitetos, pesquisadores etc.), quando se deparam com um beco chamado de “Beco da Foda”? &amp;amp;nbsp;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;background:white&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:#222222&amp;quot;&amp;gt;Essa reflexão sobre mobilidades, tem como prerrogativa estender a concepção de mobilidade para além dos modais e dar subsídios a propostas que dialoguem diretamente com retratos das favela e das periferias, deslocando, ou ampliando e amplificando, a ideia de mobilidade, especialmente a que ronda os planejamentos urbanos e que vão ordenar a cidade. Nesse sentido, as propostas precisam ter a &amp;quot;cara&amp;quot; da periferia/favela. Uma construção plural, horizontal e que nos coloque diante do desafio, mais uma vez, de que não basta apenas reconhecer o saber dessas localidades, todavia de incorporá-lo ao debate. Sem dúvida que essa perspectiva pode ser um caminho, sobretudo se compreendermos a ideia de mobilidade no plural, a fim de tensionar o discurso canônico e produzir algo novo.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
= &amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;background:white&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:#222222&amp;quot;&amp;gt;Diálogos internos sobre mobilidades&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt; =&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;background:white&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:#222222&amp;quot;&amp;gt;Uma das minhas experiências tem sido fazer parte do Instituto Raízes em Movimento (desde 2012). Algum tempo nós temos discutido, dentre muitos temas, mobilidade urbana - gostamos mais de pensar em mobilidades urbanas - com alguns parceiros. Uma construção em gestação que reúne pessoas de diversas regiões do Rio de janeiro ligadas a causa e instituições importantes, como universidades públicas. Nosso intuito tem sido de avançarmos numa proposta de pesquisa sobre mobilidades urbanas que esteja ancorada a partir de perspectivas da periferia/favela para o restante da cidade (e não o inverso).&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;background:white&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:#222222&amp;quot;&amp;gt;Nesse sentido, um projeto, ora em desenvolvimento, tem nos ocupado quanto a essa temática:&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:#1a1a1a&amp;quot;&amp;gt;o &#039;&#039;Project Proposal Mobility infrastructure: multidimensionality and capabilities in Rio de Janeiro&amp;lt;ref&amp;gt;Conferir anotações sobre Project proposal developed by The Bartlett Development Planning Unit in coordination with the Brazilian NGOs Ibase and Raizes in Movement, Urbanism Programm (PROURB-FAU-UFRJ). Versão em português COUTINHO, Bruno. Comentários MATIOLLI, Thiago. 01/02/2017. Acervo Instituto Raízes em Movimento. &amp;lt;/ref&amp;gt;&#039;&#039;&#039;&#039;&#039;.&#039;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family: Arial, sans-serif;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:#222222&amp;quot;&amp;gt;Até aqui já houve vários encontros e hoje a proposta está em vias de acontecer.&amp;lt;/span&amp;gt;Numa dessas discussões para formulação do projeto a questão&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/span&amp;gt;da mobilidade ganhou contornos muito técnico em detrimento da questão política. Para nós a questão política é fundamental. Compreendemos que, nesse projeto, a mobilidade deva ser a porta de entrada para tratar de questões como direito à cidade, relação das favelas e o restante da cidade, moradias, segurança pública, identidades, culturas, memórias e muitas outras questões que transitam nos deslocamentos diários.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;br/&amp;gt; Itamar, companheiro de jornada e um dos integrantes do grupo que formula o projeto, frequentemente reforça a questão da mobilidade interna às favelas. “Reconhecer que estes territórios têm dinâmicas próprias de mobilidade e relação reforçam o reconhecimento de que a favela apresenta um outro paradigma de cidade que precisa ser respeitado” (Relato. Reunião sobre mobilidade. 09/12/2017. Acervo Raízes em Movimento.&amp;lt;br/&amp;gt; Em um encontro anterior, em fevereiro de 2017, no Raízes em Movimento, Ricardo, Alan, Moema, Pablo, Mariana e Bruno conversaram sobre a questão de mobilidade no Complexo do Alemão e no restante da cidade. A ideia era pensar em modos de mobilidade para o contexto de favelas e periferias. A questão “o que queremos fazer?” deu início a conversa. Como forma de registro Bruno fez um relato do encontro seguido de comentários de todos. Abaixo transcrevo, parcialmente, a conversa com ajustes que julguei necessário, já que o relato foi apenas para registrar o encontro, sem pretensões acadêmicas ou qualquer natureza.&amp;lt;br/&amp;gt; Logo de início Moema sugeriu que realizássemos um mapeamento dos “circuitos de deslocamento”, tentando identificar em que medida as ações do programa de urbanização de favelas interferiram nas possibilidades de circulação da população local interna e externamente ao seus território de vivência – no caso o Complexo do Alemão. Como foi e agora acontece o deslocamento das pessoas? Para esse questionamento Moema pontua a necessidade de se considerar as múltiplas dimensões da vida das pessoas, por exemplo, por meio de recortes por gênero, idade, localização territorial e demandas (tanto materiais quanto simbólicas).&amp;amp;nbsp;&amp;lt;br/&amp;gt; Pablo propôs que o mote do projeto fosse a capacitação de agentes locais para monitoramento da qualidade da mobilidade e chamou a atenção para a necessidade de se considerar também as questões técnicas da mobilidade como, por exemplo, os números e a qualidade dos pontos de ônibus, a variedade de modais ofertados àquela população e os caminhos reconstruídos pelo PAC.&amp;amp;nbsp; “Este trabalho de capacitação poderia ter como produto a elaboração de um aplicativo que “empoderasse” a população local na análise da mobilidade, intra favela e para fora, do pontos de vista quantitativo e qualitativo”, considerou ele.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;br/&amp;gt; Bruno colocou a importância de definirmos os instrumentos necessários para coleta dados quantitativos e qualitativos. O primeiro, pensando na construção de um banco de dados por meio de aplicação de questionários estruturados com sistemas de envio automático (tablets) e o segundo sob a perspectiva etnográfica utilizando-se de entrevistas mais aprofundadas.&amp;lt;br/&amp;gt; Nesse sentido, Alan sugeriu a utilização da ferramenta chamada “Motiro” desenvolvida pela equipe que trabalha com o Fransérgio. Esta ferramenta proporcionaria a identificação no mapa de uma série de informações sobre os moradores, dentre elas dados que demonstrariam uma certa “cartografia dos deslocamentos”.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;br/&amp;gt; Dentro da perspectiva do “Motiro” e de outras ferramentas de pesquisa, Alan e Ricardo sugeriram a instrumentalização e participação dos jovens que já compõem o projeto desenvolvido pelo Raízes em Movimento intitulado “Raízes Locais”. “A ideia é formar e preparar tecnicamente esses jovens para o trabalho de campo, tendo em vista a importância de se aproveitar seus conhecimentos sobre o território, proporcionando-os também outras possibilidades de trocas de informação e conhecimento”.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;br/&amp;gt; Mariana reiterou a importância de não desconsiderarmos a questão que transcende as avaliações técnicas sobre as mobilidades, as subjetividades que possibilitam, dificultam e/ou impedem a circulação das pessoas situadas (objetiva e subjetivamente) em determinados espaços da cidade. Neste sentido, estaríamos pensando tanto em “mobilidade” quanto, como sugeriu o Alan, em “imobilidade”, articulando fatores práticos com elementos simbólicos, que impedem ou dificultam a circulação pela cidade e dentro do próprio Alemão.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;br/&amp;gt; Ricardo tencionou o debate quando sugeriu que pensássemos para além de questões técnicas, embora elas sejam importantes, a ideia de mobilidade não se restringe a elas. “É preciso, também, pensar em mobilidade como estética do beco, eu diria em mobilidades. Pensar em mobilidades em relação as favelas, é pensar na vida pujante dos becos e vielas, em memória, memória topográfica, espacial de relações múltiplas, numa cidade inventiva e que aciona outras formas de dizer, pensar, refletir, instituir cidade. Talvez aqui esta ideia apareça como terceira via, não eliminado as outras, mas imbricada com tudo isso. É considerar os becos e vielas como metonímia da ideia de cidade. A estética do beco aciona dispositivos importantes para pensarmos e fazermos, das margens/marginalidades, outros tipos de cidade”. E conclui: “acho que o poema “Minha Cidade” de Cora Coralina, por exemplo, é um caminho interessante para pensarmos em mobilidades”.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
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= &amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;Dos nomes, sons, ruídos e sussurros&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt; =&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;Do beco da foda vem o grito, os sussurros e os malditos&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;Uns queriam mudar seu nome para beco do amor&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;Outros insistiam que era beco da foda “mermo”&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;As trepadas eram encobertas pelos ruídos&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;As paredes grudadas por cimentos exalavam seu perfume&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;Os transeuntes não sabiam a que horas passar&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;Fosse para se esconder ou para se alegrar&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;Aí amor, assim não! Aqui é lugar de passagem&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;De ligadura, ligação e conexão com o resto do&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;Complexo do Alemão.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;Vejam bem que coisas tem esses becos&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;Do beco do bicheiro o sorriso do lagarto&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;Do beco do fliper a angústia por espera de uma partida&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;Do beco da merda o salto calculado&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;Que nomes esses becos têm?&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;Quer mais becos?&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;Beco da jurema, do tesão e da ladainha&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;Do morcego, da marionete e do porrete&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;Ah! Também têm aqueles da travessa Laurinda&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
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&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;De uns ouve-se gritos, de outros sussurros, outros mais apenas cochichos&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;Noutros pegadas, em outros uma sinfonia musical&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;Há aqueles em que residem o silêncio&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;p align=&amp;quot;right&amp;quot; class=&amp;quot;CxSpMiddle&amp;quot; style=&amp;quot;text-align:right&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
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&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;Vamos pensar mobilidades para de um tipo de mobilidade estanque e que, em certa medida, reproduz os anseios do desenvolvimento e progresso em detrimento do que se pensa nos espaços de periferias/favelas?&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;Se conseguirmos refletir sobre mobilidades, a partir das favelas e periferias, ou seja, pensar em outros desenhos de mobilidade gerados a partir do morador e de suas práticas cotidianas, o que supõe pensar para além de modais canônicos, talvez possamos fazer girar outros formas de perceber, viver e se deslocar pelos espaços da cidade e as favelas e periferias são, pelo seu modo de organização, fundamentais nestas arenas de disputas. Quero dizer, vamos pensar em ruas, becos e vielas como elemento fundamental e local de possibilidade de conexões, para além da constatação da falência dos serviços e da má qualidade da prestação de serviços de mobilidade.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;Não se trata de criar um cabedal de metodologias que julgamos capazes de intervir no espaço urbano, com isso não estou dizendo que determinadas metodologias não são importantes, mas a ideia de modo, para mim é mais instigante, pois flerta com o conceito de acontecimento. Por isso, um modo seria capaz de ir além da simples constatação de que “as coisas não funcionam”. No caso da questão de mobilidade, seria a constatação da distribuição desigual de serviços, mas apenas como retrato da situação. Seguindo a ideia de modo, talvez pensássemos em mobilidades a partir do morador e de questões que este cotidiano sugere ou demanda.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;Então, como pensar em modos de atuação que superem o tradicional circuito denuncia- audiência pública – nenhum retorno efetivo – e que fortaleçam o poder popular e a capacidade de da população. E mais: pensar em mobilidades, a partir da periferia, para além de um tipo de mobilidade estanque e que, em certa medida, reproduz os anseios do desenvolvimento e progresso em detrimento do que se pensa nos espaços de periferias/favelas?&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;Neste sentido é necessário não ficar “preso “a questão do “Estado de Coisos”, se é que me entendem, e propor novas alternativas de ação – mobilização. Mesmo sabendo que precisamos enfrentar esta questão política tão drástica, mas enfrentar com inventividade, lucidez e coragem, caso contrário esbarraremos em meras denúncias. &amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;Talvez essas reflexões possam nos colocar diante de outras possibilidades.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
= &amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;Referências bibliográficas&amp;lt;/span&amp;gt; =&lt;br /&gt;
&amp;lt;p class=&amp;quot;CxSpMiddle&amp;quot; style=&amp;quot;margin-top:12.0pt; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span lang=&amp;quot;EN-US&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:#1a1a1a&amp;quot;&amp;gt;ANOTAÇÔES sobre &#039;&#039;Project proposal developed by The Bartlett Development Planning Unit in coordination with the Brazilian NGOs Ibase and Raizes in Movement, Urbanism Programm&#039;&#039; (PROURB-FAU-UFRJ).&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:#1a1a1a&amp;quot;&amp;gt;Versão em português COUTINHO, Bruno. Comentários MATIOLLI, Thiago.01/02/2017.&amp;lt;/span&amp;gt;Acervo Instituto Raízes em Movimento.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p class=&amp;quot;CxSpLast&amp;quot; style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;background:white&amp;quot;&amp;gt;CORALINA, Cora. &#039;&#039;Minha cidade.&#039;&#039;&#039;&#039;&#039;&amp;lt;i&amp;gt;Poema dos becos de Goiás e histórias mais&amp;lt;/i&amp;gt;. &amp;lt;span style=&amp;quot;color:black&amp;quot;&amp;gt;19.ed. São Paulo: Global, 1997. p. 104&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
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&amp;lt;p class=&amp;quot;Standarduser&amp;quot; style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:black&amp;quot;&amp;gt;_______.&amp;amp;nbsp;: &#039;&#039;Obragens de Cramulhão.&#039;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;background:white&amp;quot;&amp;gt;E fragmentos e experiências e contação de estórias e dizeres cidades e vida e política&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&#039;&#039;&#039;&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;background:white&amp;quot;&amp;gt;. &amp;lt;/span&amp;gt;IPPUR/UFRJ, 2016.&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
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&amp;lt;p class=&amp;quot;CxSpMiddle&amp;quot; style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:normal&amp;quot;&amp;gt;RELATO. &#039;&#039;Reunião sobre mobilidade&#039;&#039;. 09/12/2017. Acervo Instituto Raízes em Movimento.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p class=&amp;quot;CxSpMiddle&amp;quot; style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:normal&amp;quot;&amp;gt;_______. &#039;&#039;Reunião sobre mobilidade&#039;&#039;. 25/01/2018. Acervo Instituto Raízes em Movimento.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
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&amp;lt;div&amp;gt;&amp;lt;div id=&amp;quot;ftn1&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;p class=&amp;quot;MsoFootnoteText&amp;quot; style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;[[#_ftnref1|&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:107%&amp;quot;&amp;gt;[1]&amp;lt;/span&amp;gt;]] Conferir &amp;lt;span style=&amp;quot;color:black&amp;quot;&amp;gt;MOURA, Ricardo José de; &#039;&#039;É Complexo. O velho ranço das políticas públicas: balcão de negócios, cultura do medo e violência&#039;&#039;.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;span lang=&amp;quot;EN-US&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:black&amp;quot;&amp;gt;Rio de Janeiro: URBFAVELA, 2016.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;/div&amp;gt; &amp;lt;div id=&amp;quot;ftn2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;p style=&amp;quot;margin-top:12.0pt; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:normal&amp;quot;&amp;gt;[[#_ftnref2|&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:107%&amp;quot;&amp;gt;[2]&amp;lt;/span&amp;gt;]]Conferir anotações &amp;lt;span style=&amp;quot;color:#1a1a1a&amp;quot;&amp;gt;sobre &#039;&#039;Project proposal developed by The Bartlett Development Planning Unit in coordination with the Brazilian NGOs Ibase and Raizes in Movement, Urbanism Programm&#039;&#039; (PROURB-FAU-UFRJ).Versão em português COUTINHO, Bruno. Comentários MATIOLLI, Thiago.01/02/2017.&amp;lt;/span&amp;gt;Acervo Instituto Raízes em Movimento.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
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[[Category:Mobilidade]] [[Category:Urbanização]] [[Category:Urbanismo no Brasil]] [[Category:Políticas Públicas]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Thiago Matiolli</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://homologacao2.wikifavelas.com.br/index.php?title=Mobilidades&amp;diff=4342</id>
		<title>Mobilidades</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://homologacao2.wikifavelas.com.br/index.php?title=Mobilidades&amp;diff=4342"/>
		<updated>2020-03-01T23:12:15Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Thiago Matiolli: &lt;/p&gt;
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= &amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;Por&amp;amp;nbsp;[https://wikifavelas.com.br/index.php?title=Usuário:Ricardo_De_Moura Ricardo De Moura]&amp;lt;/span&amp;gt; =&lt;br /&gt;
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= &#039;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;background:white&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:#222222&amp;quot;&amp;gt;Da insistência por mobilidades, entre becos e vielas&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&#039; =&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size: small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;quot;Minha Cidade&amp;quot;.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;background:white&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:normal&amp;quot;&amp;gt;... &#039;&#039;Eu sou aquela amorosa de tuas ruas estreitas,&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;background:white&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:normal&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;curtas, indecisas, entrando, saindo uma das outras.&amp;lt;br/&amp;gt; ...Eu sou aquela mulher que ficou velha, esquecida,&amp;lt;br/&amp;gt; nos teus larguinhos e nos teus becos tristes,&amp;lt;br/&amp;gt; contando estórias, fazendo adivinhação.&amp;lt;br/&amp;gt; Cantando teu passado.&amp;lt;br/&amp;gt; Cantando teu futuro.&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&lt;br /&gt;
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= &amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;Mobilidades&amp;lt;/span&amp;gt; =&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;margin-bottom:.0001pt; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;background:white&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:#222222&amp;quot;&amp;gt;O tema mobilidade suscita muitas discussões, o modo hegemônico de como se formula políticas públicas com esse intuito, toma conta desses debates. Para pensar em mobilidade em relação a outros espaços da cidade, as favelas e periferias, por exemplo, é preciso pensar no plural, mobilidades e os becos e vielas, são e fazem parte de uma estratégia de deslocamento que foge o olhar apressado e meramente tecnicista. “Casas encostadas cochichando uma com as outras, o vai-e-vem de pessoas, atalhos, memórias, memória topográfica, espacial de relações múltiplas, aguça a sensibilidade como numa cidade inventiva e que aciona outras formas de dizer, pensar, refletir, instituir cidade. Talvez aqui esta ideia apareça como terceira via, não eliminado as outras, mas imbricada com todas elas. É considerar os becos e vielas como metonímia da ideia de cidade. A estética do beco aciona dispositivos importantes para pensarmos e fazermos, das margens/marginalidades, outros tipos de cidade, assim podemos acionar outras mobilidades possíveis.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;background:white&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:#222222&amp;quot;&amp;gt;Certamente não está descartada a ideia de mobilidade clássica que tem sido por diversos setores da sociedade, inclui-se aqui pesquisas nas áreas de planejamento urbano, discutida exaustivamente seja pela via de transporte público seja pelo ordenamento sócio-espacial da cidade. Aliás, minha intenção é produzir tensionamentos ao mesmo passo uma narrativa que nos coloque frente a outras possibilidades de mobilidade, por isso, insisto em mobilidades.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;background:white&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:#222222&amp;quot;&amp;gt;É necessário&amp;lt;/span&amp;gt;ir além da constatação que as coisas não funcionam, como no caso mais emblemático de um política pública arbitrária e ineficaz desenhada para o Conjunto de Favelas do Alemão que não funciona há mais de três anos, o teleférico. É muito cansativo ouvir repetidas vezes pesquisadores e suas pesquisas salvíficas e cartesianas, técnicos, “especialistas” e outras muitas opiniões sobre esse modelo de transporte público e todo um discurso repleto de clichês, enfadonho, que não tem nenhuma relação com a realidade local e que não produz nada novo – a não participação dos moradores na eleição por este tipo de meio de transporte e na implementação do projeto é um exemplo, dos inúmeros clichês. Todos nós sabemos que a prioridade para a região sempre foi e continua sendo saneamento básico.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;background:white&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;Todos nós, moradores e observadores, já sabíamos e sabemos que, as políticas públicas são verticalizadas, sobretudo quando se trata de favelas e periferias, ou é alguma novidade? Que há muitos engendramentos nessa engrenagem, muitos conchavos, muito cassino, muitos politiqueiros de ocasião e pouca Política&amp;lt;ref&amp;gt;Conferir MOURA, Ricardo José de; É Complexo. O velho ranço das políticas públicas: balcão de negócios, cultura do medo e violência. Rio de Janeiro: URBFAVELA, 2016&amp;lt;/ref&amp;gt;. Todos nós sabíamos e sabemos que esse modelo de transporte público não funcionaria e não atenderia a população local – é bom frisar &#039;&#039;&#039;população local&#039;&#039;&#039;, pois ao que parece os turistas à época, se divertiam, numa espécie de “passeio exótico”, no alto das gondolas xeretando a vida dos moradores quando estes estavam cima das lajes –, por questões evidentes: o Complexo do Alemão é formado por cinco grandes topos e os deslocamentos se fazem nas vias terrestres, uma questão básica de compreensão topológica do lugar. Isso é apenas um exemplo, aliás, técnico inclusive, mas que camufla o político.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;background:white&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;A ideia aqui, nesta conversa, é ir no sentido contrário, isto é, pensar a mobilidade de dentro para fora, ou seja, a partir das periferias e favelas, dos moradores. A reflexão sobre mobilidades precisa enxergar as vontades, necessidades, olhares das bases e o desejo inclusive indo além dos diagnósticos realizados pelos “especialistas’ que dá mais visibilidade as barreiras físicas e simbólicas – embora importantes não se resume a elas – do que às relações sócio-espaciais que os moradores mantem desde sempre com, os becos, por exemplo. Os becos são movidos de significações, por isso tem nomes. O que passa pela cabeça dos “especialistas” (engenheiros, arquitetos, pesquisadores etc.), quando se deparam com um beco chamado de “Beco da Foda”? &amp;amp;nbsp;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;background:white&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:#222222&amp;quot;&amp;gt;Essa reflexão sobre mobilidades, tem como prerrogativa estender a concepção de mobilidade para além dos modais e dar subsídios a propostas que dialoguem diretamente com retratos das favela e das periferias, deslocando, ou ampliando e amplificando, a ideia de mobilidade, especialmente a que ronda os planejamentos urbanos e que vão ordenar a cidade. Nesse sentido, as propostas precisam ter a &amp;quot;cara&amp;quot; da periferia/favela. Uma construção plural, horizontal e que nos coloque diante do desafio, mais uma vez, de que não basta apenas reconhecer o saber dessas localidades, todavia de incorporá-lo ao debate. Sem dúvida que essa perspectiva pode ser um caminho, sobretudo se compreendermos a ideia de mobilidade no plural, a fim de tensionar o discurso canônico e produzir algo novo.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
= &amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;background:white&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:#222222&amp;quot;&amp;gt;Diálogos internos sobre mobilidades&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt; =&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;background:white&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:#222222&amp;quot;&amp;gt;Uma das minhas experiências tem sido fazer parte do Instituto Raízes em Movimento (desde 2012). Algum tempo nós temos discutido, dentre muitos temas, mobilidade urbana - gostamos mais de pensar em mobilidades urbanas - com alguns parceiros. Uma construção em gestação que reúne pessoas de diversas regiões do Rio de janeiro ligadas a causa e instituições importantes, como universidades públicas. Nosso intuito tem sido de avançarmos numa proposta de pesquisa sobre mobilidades urbanas que esteja ancorada a partir de perspectivas da periferia/favela para o restante da cidade (e não o inverso).&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;background:white&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:#222222&amp;quot;&amp;gt;Nesse sentido, um projeto, ora em desenvolvimento, tem nos ocupado quanto a essa temática:&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:#1a1a1a&amp;quot;&amp;gt;o &#039;&#039;Project Proposal Mobility infrastructure: multidimensionality and capabilities in Rio de Janeiro&amp;lt;ref&amp;gt;Conferir anotações sobre Project proposal developed by The Bartlett Development Planning Unit in coordination with the Brazilian NGOs Ibase and Raizes in Movement, Urbanism Programm (PROURB-FAU-UFRJ). Versão em português COUTINHO, Bruno. Comentários MATIOLLI, Thiago. 01/02/2017. Acervo Instituto Raízes em Movimento. &amp;lt;/ref&amp;gt;&#039;&#039;&#039;&#039;&#039;.&#039;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family: Arial, sans-serif;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:#222222&amp;quot;&amp;gt;Até aqui já houve vários encontros e hoje a proposta está em vias de acontecer.&amp;lt;/span&amp;gt;Numa dessas discussões para formulação do projeto a questão&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/span&amp;gt;da mobilidade ganhou contornos muito técnico em detrimento da questão política. Para nós a questão política é fundamental. Compreendemos que, nesse projeto, a mobilidade deva ser a porta de entrada para tratar de questões como direito à cidade, relação das favelas e o restante da cidade, moradias, segurança pública, identidades, culturas, memórias e muitas outras questões que transitam nos deslocamentos diários.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;br/&amp;gt; Itamar, companheiro de jornada e um dos integrantes do grupo que formula o projeto, frequentemente reforça a questão da mobilidade interna às favelas. “Reconhecer que estes territórios têm dinâmicas próprias de mobilidade e relação reforçam o reconhecimento de que a favela apresenta um outro paradigma de cidade que precisa ser respeitado” (Relato. Reunião sobre mobilidade. 09/12/2017. Acervo Raízes em Movimento.&amp;lt;br/&amp;gt; Em um encontro anterior, em fevereiro de 2017, no Raízes em Movimento, Ricardo, Alan, Moema, Pablo, Mariana e Bruno conversaram sobre a questão de mobilidade no Complexo do Alemão e no restante da cidade. A ideia era pensar em modos de mobilidade para o contexto de favelas e periferias. A questão “o que queremos fazer?” deu início a conversa. Como forma de registro Bruno fez um relato do encontro seguido de comentários de todos. Abaixo transcrevo, parcialmente, a conversa com ajustes que julguei necessário, já que o relato foi apenas para registrar o encontro, sem pretensões acadêmicas ou qualquer natureza.&amp;lt;br/&amp;gt; Logo de início Moema sugeriu que realizássemos um mapeamento dos “circuitos de deslocamento”, tentando identificar em que medida as ações do programa de urbanização de favelas interferiram nas possibilidades de circulação da população local interna e externamente ao seus território de vivência – no caso o Complexo do Alemão. Como foi e agora acontece o deslocamento das pessoas? Para esse questionamento Moema pontua a necessidade de se considerar as múltiplas dimensões da vida das pessoas, por exemplo, por meio de recortes por gênero, idade, localização territorial e demandas (tanto materiais quanto simbólicas).&amp;amp;nbsp;&amp;lt;br/&amp;gt; Pablo propôs que o mote do projeto fosse a capacitação de agentes locais para monitoramento da qualidade da mobilidade e chamou a atenção para a necessidade de se considerar também as questões técnicas da mobilidade como, por exemplo, os números e a qualidade dos pontos de ônibus, a variedade de modais ofertados àquela população e os caminhos reconstruídos pelo PAC.&amp;amp;nbsp; “Este trabalho de capacitação poderia ter como produto a elaboração de um aplicativo que “empoderasse” a população local na análise da mobilidade, intra favela e para fora, do pontos de vista quantitativo e qualitativo”, considerou ele.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;br/&amp;gt; Bruno colocou a importância de definirmos os instrumentos necessários para coleta dados quantitativos e qualitativos. O primeiro, pensando na construção de um banco de dados por meio de aplicação de questionários estruturados com sistemas de envio automático (tablets) e o segundo sob a perspectiva etnográfica utilizando-se de entrevistas mais aprofundadas.&amp;lt;br/&amp;gt; Nesse sentido, Alan sugeriu a utilização da ferramenta chamada “Motiro” desenvolvida pela equipe que trabalha com o Fransérgio. Esta ferramenta proporcionaria a identificação no mapa de uma série de informações sobre os moradores, dentre elas dados que demonstrariam uma certa “cartografia dos deslocamentos”.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;br/&amp;gt; Dentro da perspectiva do “Motiro” e de outras ferramentas de pesquisa, Alan e Ricardo sugeriram a instrumentalização e participação dos jovens que já compõem o projeto desenvolvido pelo Raízes em Movimento intitulado “Raízes Locais”. “A ideia é formar e preparar tecnicamente esses jovens para o trabalho de campo, tendo em vista a importância de se aproveitar seus conhecimentos sobre o território, proporcionando-os também outras possibilidades de trocas de informação e conhecimento”.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;br/&amp;gt; Mariana reiterou a importância de não desconsiderarmos a questão que transcende as avaliações técnicas sobre as mobilidades, as subjetividades que possibilitam, dificultam e/ou impedem a circulação das pessoas situadas (objetiva e subjetivamente) em determinados espaços da cidade. Neste sentido, estaríamos pensando tanto em “mobilidade” quanto, como sugeriu o Alan, em “imobilidade”, articulando fatores práticos com elementos simbólicos, que impedem ou dificultam a circulação pela cidade e dentro do próprio Alemão.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;br/&amp;gt; Ricardo tencionou o debate quando sugeriu que pensássemos para além de questões técnicas, embora elas sejam importantes, a ideia de mobilidade não se restringe a elas. “É preciso, também, pensar em mobilidade como estética do beco, eu diria em mobilidades. Pensar em mobilidades em relação as favelas, é pensar na vida pujante dos becos e vielas, em memória, memória topográfica, espacial de relações múltiplas, numa cidade inventiva e que aciona outras formas de dizer, pensar, refletir, instituir cidade. Talvez aqui esta ideia apareça como terceira via, não eliminado as outras, mas imbricada com tudo isso. É considerar os becos e vielas como metonímia da ideia de cidade. A estética do beco aciona dispositivos importantes para pensarmos e fazermos, das margens/marginalidades, outros tipos de cidade”. E conclui: “acho que o poema “Minha Cidade” de Cora Coralina, por exemplo, é um caminho interessante para pensarmos em mobilidades”.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
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= &amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;Dos nomes, sons, ruídos e sussurros&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt; =&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;Do beco da foda vem o grito, os sussurros e os malditos&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;Uns queriam mudar seu nome para beco do amor&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;Outros insistiam que era beco da foda “mermo”&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;As trepadas eram encobertas pelos ruídos&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;As paredes grudadas por cimentos exalavam seu perfume&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;Os transeuntes não sabiam a que horas passar&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;Fosse para se esconder ou para se alegrar&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;Aí amor, assim não! Aqui é lugar de passagem&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;De ligadura, ligação e conexão com o resto do&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;Complexo do Alemão.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;Vejam bem que coisas tem esses becos&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;Do beco do bicheiro o sorriso do lagarto&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;Do beco do fliper a angústia por espera de uma partida&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;Do beco da merda o salto calculado&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;Que nomes esses becos têm?&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;Quer mais becos?&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;Beco da jurema, do tesão e da ladainha&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;Do morcego, da marionete e do porrete&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;Ah! Também têm aqueles da travessa Laurinda&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
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&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;De uns ouve-se gritos, de outros sussurros, outros mais apenas cochichos&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;Noutros pegadas, em outros uma sinfonia musical&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;Há aqueles em que residem o silêncio&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;Mas nunca a solidão&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;p align=&amp;quot;right&amp;quot; class=&amp;quot;CxSpMiddle&amp;quot; style=&amp;quot;text-align:right&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
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&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;Vamos pensar mobilidades para de um tipo de mobilidade estanque e que, em certa medida, reproduz os anseios do desenvolvimento e progresso em detrimento do que se pensa nos espaços de periferias/favelas?&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;Se conseguirmos refletir sobre mobilidades, a partir das favelas e periferias, ou seja, pensar em outros desenhos de mobilidade gerados a partir do morador e de suas práticas cotidianas, o que supõe pensar para além de modais canônicos, talvez possamos fazer girar outros formas de perceber, viver e se deslocar pelos espaços da cidade e as favelas e periferias são, pelo seu modo de organização, fundamentais nestas arenas de disputas. Quero dizer, vamos pensar em ruas, becos e vielas como elemento fundamental e local de possibilidade de conexões, para além da constatação da falência dos serviços e da má qualidade da prestação de serviços de mobilidade.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;Não se trata de criar um cabedal de metodologias que julgamos capazes de intervir no espaço urbano, com isso não estou dizendo que determinadas metodologias não são importantes, mas a ideia de modo, para mim é mais instigante, pois flerta com o conceito de acontecimento. Por isso, um modo seria capaz de ir além da simples constatação de que “as coisas não funcionam”. No caso da questão de mobilidade, seria a constatação da distribuição desigual de serviços, mas apenas como retrato da situação. Seguindo a ideia de modo, talvez pensássemos em mobilidades a partir do morador e de questões que este cotidiano sugere ou demanda.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;Então, como pensar em modos de atuação que superem o tradicional circuito denuncia- audiência pública – nenhum retorno efetivo – e que fortaleçam o poder popular e a capacidade de da população. E mais: pensar em mobilidades, a partir da periferia, para além de um tipo de mobilidade estanque e que, em certa medida, reproduz os anseios do desenvolvimento e progresso em detrimento do que se pensa nos espaços de periferias/favelas?&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;Neste sentido é necessário não ficar “preso “a questão do “Estado de Coisos”, se é que me entendem, e propor novas alternativas de ação – mobilização. Mesmo sabendo que precisamos enfrentar esta questão política tão drástica, mas enfrentar com inventividade, lucidez e coragem, caso contrário esbarraremos em meras denúncias. &amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;Talvez essas reflexões possam nos colocar diante de outras possibilidades.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
= &amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;Referências bibliográficas&amp;lt;/span&amp;gt; =&lt;br /&gt;
&amp;lt;p class=&amp;quot;CxSpMiddle&amp;quot; style=&amp;quot;margin-top:12.0pt; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span lang=&amp;quot;EN-US&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:#1a1a1a&amp;quot;&amp;gt;ANOTAÇÔES sobre &#039;&#039;Project proposal developed by The Bartlett Development Planning Unit in coordination with the Brazilian NGOs Ibase and Raizes in Movement, Urbanism Programm&#039;&#039; (PROURB-FAU-UFRJ).&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:#1a1a1a&amp;quot;&amp;gt;Versão em português COUTINHO, Bruno. Comentários MATIOLLI, Thiago.01/02/2017.&amp;lt;/span&amp;gt;Acervo Instituto Raízes em Movimento.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p class=&amp;quot;CxSpLast&amp;quot; style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;background:white&amp;quot;&amp;gt;CORALINA, Cora. &#039;&#039;Minha cidade.&#039;&#039;&#039;&#039;&#039;&amp;lt;i&amp;gt;Poema dos becos de Goiás e histórias mais&amp;lt;/i&amp;gt;. &amp;lt;span style=&amp;quot;color:black&amp;quot;&amp;gt;19.ed. São Paulo: Global, 1997. p. 104&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
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&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:black&amp;quot;&amp;gt;MOURA, Ricardo José de; &#039;&#039;É Complexo. O velho ranço das políticas públicas: balcão de negócios, cultura do medo e violência&#039;&#039;. Rio de Janeiro: URBFAVELA, 2016.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;p class=&amp;quot;Standarduser&amp;quot; style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:black&amp;quot;&amp;gt;_______.&amp;amp;nbsp;: &#039;&#039;Obragens de Cramulhão.&#039;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;background:white&amp;quot;&amp;gt;E fragmentos e experiências e contação de estórias e dizeres cidades e vida e política&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&#039;&#039;&#039;&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;background:white&amp;quot;&amp;gt;. &amp;lt;/span&amp;gt;IPPUR/UFRJ, 2016.&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
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&amp;lt;p class=&amp;quot;CxSpMiddle&amp;quot; style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:normal&amp;quot;&amp;gt;RELATO. &#039;&#039;Reunião sobre mobilidade&#039;&#039;. 09/12/2017. Acervo Instituto Raízes em Movimento.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p class=&amp;quot;CxSpMiddle&amp;quot; style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:normal&amp;quot;&amp;gt;_______. &#039;&#039;Reunião sobre mobilidade&#039;&#039;. 25/01/2018. Acervo Instituto Raízes em Movimento.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
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&amp;lt;div&amp;gt;&amp;lt;div id=&amp;quot;ftn1&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;p class=&amp;quot;MsoFootnoteText&amp;quot; style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;[[#_ftnref1|&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:107%&amp;quot;&amp;gt;[1]&amp;lt;/span&amp;gt;]] Conferir &amp;lt;span style=&amp;quot;color:black&amp;quot;&amp;gt;MOURA, Ricardo José de; &#039;&#039;É Complexo. O velho ranço das políticas públicas: balcão de negócios, cultura do medo e violência&#039;&#039;.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;span lang=&amp;quot;EN-US&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:black&amp;quot;&amp;gt;Rio de Janeiro: URBFAVELA, 2016.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;/div&amp;gt; &amp;lt;div id=&amp;quot;ftn2&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;p style=&amp;quot;margin-top:12.0pt; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:normal&amp;quot;&amp;gt;[[#_ftnref2|&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:107%&amp;quot;&amp;gt;[2]&amp;lt;/span&amp;gt;]]Conferir anotações &amp;lt;span style=&amp;quot;color:#1a1a1a&amp;quot;&amp;gt;sobre &#039;&#039;Project proposal developed by The Bartlett Development Planning Unit in coordination with the Brazilian NGOs Ibase and Raizes in Movement, Urbanism Programm&#039;&#039; (PROURB-FAU-UFRJ).Versão em português COUTINHO, Bruno. Comentários MATIOLLI, Thiago.01/02/2017.&amp;lt;/span&amp;gt;Acervo Instituto Raízes em Movimento.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
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[[Category:Mobilidade]] [[Category:Urbanização]] [[Category:Urbanismo no Brasil]] [[Category:Políticas Públicas]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Thiago Matiolli</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://homologacao2.wikifavelas.com.br/index.php?title=Complexo_do_Alem%C3%A3o_e_os_movimentos_coletivos_locais:_Para_al%C3%A9m_das_associa%C3%A7%C3%B5es_de_moradores&amp;diff=4341</id>
		<title>Complexo do Alemão e os movimentos coletivos locais: Para além das associações de moradores</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://homologacao2.wikifavelas.com.br/index.php?title=Complexo_do_Alem%C3%A3o_e_os_movimentos_coletivos_locais:_Para_al%C3%A9m_das_associa%C3%A7%C3%B5es_de_moradores&amp;diff=4341"/>
		<updated>2020-03-01T23:10:01Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Thiago Matiolli: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:black&amp;quot;&amp;gt;Por: Alan Brum Pinheiro e&amp;amp;nbsp;[https://wikifavelas.com.br/index.php?title=Usuário:Ricardo_De_Moura Ricardo De Moura]&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;APRESENTAÇÃO&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Para pensar em movimentos coletivos no Complexo do Alemão é necessário não perder de vista os movimentos populares que nasceram décadas atrás a partir de lutas por moradia, saúde, saneamento, educação etc. e que hoje já não existe mais. Embora não existam tiveram enorme importância para permanência de lutas que hoje ainda se travam no contexto do Complexo do Alemão – percebam que, guardada as devidas proporções, as lutas por saneamento básico, por exemplo, ainda são necessárias e urgentes, uma vez que o saneamento básico continua a ser um problema no contexto de políticas públicas para regiões de favelas e periferias.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:black&amp;quot;&amp;gt;É possível que os primeiros moradores do Complexo do Alemão – agricultores da fazendo de Joaquim da Motta e Camarinha – tenham chegado lá pelo anos de 1920&amp;lt;ref&amp;gt;Sugiro a leitura do texto “A gramática da moradia no Complexo do Alemão: história, documentos e narrativas” de Rute Imanishi Rodrigues (IPEA, 2013). &amp;lt;/ref&amp;gt;. Pouco tempo depois outros moradores se instalaram num loteamento do polonês Leonard Kacsmarkiewcz que ficou conhecido como Alemão por conta da sua aparência. Estamos falando em quase um século&amp;lt;/span&amp;gt;de ocupação desse lugar, hoje conhecido como &amp;lt;span style=&amp;quot;color:black&amp;quot;&amp;gt;Complexo do Alemão, portanto, é perfeitamente compreensível que as lutas e os movimentos populares tenham, desde sempre se configurado nesse lugar, sobretudo por conta das desigualdades em relação aos demais espaços da cidade. Tais lutas se dão independentemente de qualquer instituição, inclusive de Associação de Moradores que tiveram um papel importante, é preciso ressaltar, até os anos de 1980.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:black&amp;quot;&amp;gt;Nossa intenção é situar alguns movimentos recentes e oriundo de lutas antigas, como o Comitê de Desenvolvimento Local da Serra da Misericórdia (CDLSM)&amp;lt;/span&amp;gt;, o&amp;lt;span style=&amp;quot;color:black&amp;quot;&amp;gt;CONSA&amp;lt;ref&amp;gt;O CONSA - Conselho Comunitário de Saúde surge em 2000 a partir de Centros Espíritas, Igrejas Evangélicas, Igrejas Católicas, Associações de Moradores e outras organizações locais. sua Luta estava baseada numa concepção ampla de saúde preventiva para além dos aspectos biomédicos, além, também, de um espaço de educação, trabalho e lazer. “A proposta era de criar um sistema de saúde articulada com os movimentos sociais locais considerando inclusive práticas de economia solidária contribuindo na composição de redes comunitárias de comercialização”. Para saber mais sobre esse rico movimento sugiro a leitura do artigo sobre Saúde no Complexo do Alemão - DICIONÁRIO CARIOCA DE FAVELAS – Verbetes Complexo do Alemão, além da carta aberta do Conselho Comunitário de Saúde do Complexo do Alemão. CCS/CA: XXIX RA – CDS/AP 3.1 – Rio de Janeiro aos organismos nacionais e internacionais comprometidos com a política social de saúde pública e a população disponível em PDF, além claro, se houver interesse, uma pesquisa de campo mais ampla.&amp;lt;/ref&amp;gt; &amp;lt;/span&amp;gt;, o Pré-vestibular &#039;&#039;Ser Cidadão&amp;lt;ref&amp;gt;O Pré-Vestibular Comunitário Ser Cidadão nasceu em 1999 na Igreja Nossa Senhora de Guadalupe no loteamento, Complexo do Alemão. E início dos anos 2000 passou a ocupar um espaço na Associação de Moradores da Nova Brasília. O projeto funcionou de 1999 a 2014. Uma rede colaborativa na qual a maior parte dos professores era “prata da casa” e contribuía para inserção de jovens e adultos em universidades públicas do Rio de Janeiro. No ano de 2006 se inseriu no Movimento de Integração Social Éfeta. A instituição nasceu a partir da necessidade de reorganizar o pré-vestibular comunitário. Um número de colaboradores de diversas áreas e m muitos casos professores experimentados da rede pública de ensino. Tinha como característica promover a cidadania utilizando a educação e cultura como “caixas de ferramentas” para o desenvolvimento local de comunidades em desvantagem social, tendo como foco o protagonismo comunitário e o fortalecimento de redes locais e adjacentes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ref&amp;gt; &#039;&#039;&amp;amp;nbsp;e o Instituto Raízes em Movimento&amp;lt;ref&amp;gt;Dos quase 18 anos de existência o Instituto Raízes em Movimento é uma das ONG’s com maior capilaridade local, além de seu trabalho de base e de suas inúmeras intervenções nos campos: cultural, social, educacional, direitos humanos e de comunicação, o Raízes em Movimento se coloca como vetor de transformação social da maior importância para a localidade. No ano de 2008 recebeu do Grupo Tortura Nunca Mais a medalha de Resistência Chico Mendes por conta da sua atuação frente ao frente às atrocidades cometidas pelo estado e pela mídia no PAN em 2007. “O episódio ocorrido no dia 27 de junho de 2007 em pleno jogos Pan-Americanos Evento ocorrido entre os dias 13 e 29 de julho no Rio de Janeiro no qual aproximadamente 1350 policiais invadiram o Complexo do Alemão com a finalidade, segundo a imprensa dita de referência, de prender o traficante Elias maluco (que foi morto juntamente com mais sete pessoas) e manter a “paz”, “acabou” em mais uma chacina. Esta “nova” operação policial no Complexo do Alemão teve como resultado aproximadamente quarenta mortos, segundo moradores, contrariando a imprensa dita de referência que no dia posterior ao massacre publicara nas páginas dos jornais, revistas etc. dezenove mortes” MOURA (2010). Conferir também https://fazendomedia.org/diaadia/protoblog18.htm acesso em 16/01/2020 e o verbete Instituto Raízes em Movimento neste dicionário.   &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ref&amp;gt;&amp;amp;nbsp;os quais, assim como o Verdejar, tiveram e têm enorme importância no contexto da continuidade das lutas, bem como outros muitos atores sociais, ONG’s. O Verdejar, por exemplo, no que tange às questões ambientais da Serra da Misericórdia, inclui-se toda a parte ocupada no Complexo do Alemão que em 1999 foi parte fundamental para realização do 1º Seminário Ecológico da Serra da Misericórdia - organizado pelo movimento ambiental local e com a participação de diversos grupos da região no entorno da serra. A partir daí surgiu o &#039;&#039;&#039;&#039;&#039;Fórum da Serra da Misericórdia&#039;&#039;&#039;&#039;&#039; que teve como resultado a criação da APARU (Área de Proteção Ambiental e Recuperação Urbana) da Serra da Misericórdia, expedida pelo decreto nº. 19.144 de novembro de 2000.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:black&amp;quot;&amp;gt;O CDLSM teve seu ápice em 2010 por ocasião das duas políticas públicas mais badaladas PAC E UPP. E como desdobramento os movimentos Pensa Alemão e, posteriormente, Juntos Pelo CPX, ambos os movimentos reuniam diversas ONG’s e atores sociais (moradores, trabalhadores de equipamentos públicos que se interessavam pela causa, comerciantes dentre outros).&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:black&amp;quot;&amp;gt;É importante ressaltar que no ano de 2010 o IBGE realizou um censo que indicava a presença de aproximadamente 60 organizações da sociedade civil. Talvez, esse número foi pelo fato das badalações das duas políticas públicas indicadas acima. Porém, não podemos cair na cilada de esquecer os trabalhos desenvolvidos em diversos campos por muitos atores sociais, inclusive não institucionalizados, e ONG’s que resistem ao tempo e os dias de chumbo desde sempre, digo, aqueles e aquelas que fazem um trabalho quase invisível, isto é, o trabalho de base.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:black&amp;quot;&amp;gt;Por uma questão de tempo e de espaço a conversa aqui desenvolvida pretende encampar alguns desses movimentos sociais, especialmente os do século XXI, mais especificamente os do final da primeira década em diante. Certamente esse recorte é meramente temporal e não pretende dar conta da multiplicidade dos movimentos populares que surgiram e surgem em decorrência da necessidade das lutas cotidianas e&amp;lt;/span&amp;gt;d&amp;lt;span style=&amp;quot;color:black&amp;quot;&amp;gt;os desejos, não apenas de mudança, mas de visibilidade.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-bottom:.0001pt; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-bottom:.0001pt; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;COMITÊ DE DESENVOLVIMENTO LOCAL DA SERRA DA MISERICÓRDIA – CDLSM&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-bottom:.0001pt; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-bottom:.0001pt; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;O CDLSM&amp;lt;span style=&amp;quot;background:white&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:#222222&amp;quot;&amp;gt;teve seu ápice em 2010, mas desde 2006 quando foi formado havia retomado as articulações locais. Formado por instituições sociais e cidadãos do Complexo do Alemão, O CDLSM consiste em propor um canal direto com as esferas governamentais (municipal, estadual e federal) para as discussões de políticas públicas a serem implementadas no Complexo do Alemão e entorno, além de promover construção coletiva de ações sociais e intercâmbio entre os seus participantes. Como uma das principais intervenções o CDLSM preparou em 30 de novembro de 2010 uma&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:black&amp;quot;&amp;gt;AGENDA SÓCIO-AMBIENTAL PARA O TERRITÓRIO DA SERRA DA MISERICÓRDIA E OS COMPLEXOS DE COMUNIDADES DO ALEMÃO, DA VILA CRUZEIRO E DA PENHA, &amp;lt;/span&amp;gt;a fim de aproveitar o momento para mostrar o que já se fazia há mais de 20 anos no campo social, cultural, ambiental, educacional etc., numa tentativa de cobrar uma gestão compartilhada, diversificada e transparente das ações do estado no território. Uma das intenções era reiterar uma questão: a diversidade dos atores sociais que lutam a muitos anos por melhoria de vida na região e que não estão ligados a nenhum partido político (de fato é um coletivo com outros interesses para além da política representativa). Para efeitos de situar historicamente a luta dos movimentos sociais e de enfatizar um dos caminhos e ações do CDLSM transcrevo parcialmente a nota Pública.&amp;lt;ref&amp;gt;COMITÊ DE DESENVOLVIMENTO LOCAL DA SERRA DA MISERICÓRDIA. Participação no PAC das favelas. Disponível em: http://comitedaserra.blogspot.com/2010/11/ Acesso em: 30 de dez. 2019.&amp;lt;/ref&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-bottom:.0001pt; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-bottom:.0001pt; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&#039;&#039;&#039;Nota pública de instituições comunitárias atuantes no bairro do Complexo do Alemão&#039;&#039;&#039;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&#039;&#039;&#039;Para além da ocupação militar: por uma agenda socioambiental para o território da Serra da Misericórdia e os complexos de comunidades do Alemão, da Vila Cruzeiro e da Penha&#039;&#039;&#039;&amp;lt;br/&amp;gt; Diante dos acontecimentos recentes na Vila Cruzeiro e no Conjunto de Favelas do Alemão - formado por 14 Comunidade e com população estimada em 400 mil pessoas -, que culminaram na ocupação desta área por forças policiais do estado e das Forças Armadas, as Organizações da Sociedade Civil abaixo assinadas, algumas com atuação há mais de 10 anos nesta região, vêm a público propor e Requerer dos governos nas esferas Federal, Estadual e Municipal um &#039;&#039;&#039;compromisso efetivo&#039;&#039;&#039;. São necessários investimentos para tirar do papel um conjunto de propostas e projetos de caráter socioambiental, cultural e nas áreas de educação, saúde, mobilidade urbana, saúde ambiental, esportes, assistência social e segurança pública. Lembrando que muitas destas propostas já foram objetos de projetos não concretizados ao longo dos anos, esperamos que a partir de agora possam ser implantadas em benefício da população e da proteção desse território que historicamente foi abandonado pelos sucessivos governos e com isso ficou marcado por décadas pelo seu crônico esvaziamento econômico, pela violência, inclusive a armada, degradação urbana e como área de sacrifício ambiental.&amp;amp;nbsp;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;Somos o &#039;&#039;&#039;Comitê de Desenvolvimento Local da Serra da Misericórdia&#039;&#039;&#039;, fruto de uma aliança entre diversas organizações locais já mobilizadas em torno da defesa da Serra da Misericórdia, movimento social que conquistou nos anos 90 seu reconhecimento legal como uma Unidade de Conservação da Natureza reconhecida pelo Decreto Municipal Nº 19.144 de 16 de novembro de 2000 - Área de Proteção Ambiental e de Recuperação Urbana – APARU da Serra da Misericórdia. Trata-se, portanto, de um coletivo que agrega, além das instituições do Comitê, moradores das favelas ocupadas militarmente, entidades comunitárias locais bem como ativistas e pesquisadores, todos com longa atuação nesta região e vivência nessas comunidades.&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&#039;&#039;&#039;Nosso Objetivo é aprofundar o debate com a sociedade, o poder público e a mídia para além da ocupação militar.&#039;&#039;&#039;&amp;amp;nbsp; Para isso, queremos, através de uma &#039;&#039;&#039;AGENDA SÓCIO-AMBIENTAL PARA O TERRITÓRIO DA SERRA DA MISERICÓRDIA E OS COMPLEXOS DE COMUNIDADES DO ALEMÃO, DA VILA CRUZEIRO E DA PENHA&#039;&#039;&#039;, apresentar ideias, sugestões, projetos e propostas objetivas e viáveis que possam colaborar com o desenvolvimento humano e a melhoria das condições socioeconômicas e sanitárias desta região e dos moradores. &#039;&#039;&#039;Assim, destacamos como prioridades:&#039;&#039;&#039;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;1.&amp;amp;nbsp; &amp;amp;nbsp; [...] Resumir a política de segurança pública a esta ocupação militar ou mesmo creditar às ações dos últimos dias uma triunfal “derrubada do tráfico” - o midiático dia “D” - apenas contribui para a criminalização das áreas de favelas e esvaziamento do debate. Essa interpretação pode gerar uma superficial e limitada cortina de fumaça sobre as causas reais que levaram a esta grave situação assim como camuflar as razões históricas que levaram ao abandono deste território e de sua população que vive há décadas em precárias condições de vida, e sem acesso a direitos elementares. Consideramos que para além das manchetes sensacionalistas que buscam induzir a sociedade e, principalmente, os moradores que vivem nas favelas cariocas a crerem que com a ação militar do Alemão o problema estaria superado e que nossa cidade estaria livre do crime de maneira definitiva, é preciso fazer uma análise profunda para comprovar que isto não se sustenta. [...] Além disso, a cobertura da grande mídia e as ações governamentais que se seguirão devem ter o cuidado de não reforçar estereótipos históricos e preconceitos sociais associados às favelas, já que os moradores dessas áreas são sempre os mais atingidos pela violência. No momento em que o estado se mostra disposto a enfrentar esta realidade é preciso todo esforço para que não se repitam condições históricas que acabam por reforçá-la. Por isso, são inaceitáveis e não podem ser visto como “mal menor”, certos acontecimentos aos quais estão sujeitos hoje os moradores do Conjunto de Favelas do Alemão, entre os quais destacamos a falta de energia elétrica; o fechamento das escolas; a entrada violenta por parte das forças policiais nas residências; o furto de objetos nestas residências. Esses fatos devem ser profundamente combatidos, prestando contas à sociedade [...].&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;2.&amp;amp;nbsp; &amp;amp;nbsp; Esta ação aponta para uma profunda transformação no cotidiano das favelas do Alemão, por isso, esse coletivo avalia ser necessário aliar uma ampla diversidade de atores sociais para que ela possa se consolidar. A atuação conjunta entre as várias forças estatais (tanto no campo da segurança quanto no campo social), somada à participação dos moradores e das organizações locais que há anos lutam pela melhoria das condições de vida da região podem fortalecer este processo, dando-lhe transparência e legitimidade. Esta é precisamente a razão pela qual as instituições que assinam esta nota buscam agregar outros atores locais e estabelecer um diálogo amplo e duradouro com o poder público.&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;Para isso, propomos a construção coletiva de uma &#039;&#039;&#039;Agenda Propositiva para o Conjunto de Favelas do Alemão&#039;&#039;&#039;. As instituições que já se envolveram neste debate têm buscado contribuir nos campos nos quais já acumulam ampla experiência, principalmente com propostas de projetos nas áreas da cultura, meio-ambiente, educação e esporte. Destaca-se a longa vivência destas instituições nas diversas comunidades do Complexo do Alemão, onde há anos desenvolvem projetos socioambientais, educativos e culturais em geral sem qualquer apoio dos governos ou da iniciativa privada. Da mesma forma, é necessária e deve ser urgente, por parte do poder público, a abertura de canais para o diálogo com as entidades comunitárias locais, bem como de participação no processo que envolve a Agenda.&#039;&#039;&amp;lt;br/&amp;gt; &amp;amp;nbsp;&amp;lt;br/&amp;gt; O encontro de articulação do Comitê de Desenvolvimento Local da Serra da Misericórdia, junto às instituições da sociedade civil, para promover o diálogo com o Poder Público apresentando a proposta de uma agenda propositiva, foi realizado no dia 02 de dezembro às 15h na antiga sede do Instituto Raízes em Movimento, Rua Diogo de Brito, 245 – Ramos).&amp;lt;/span&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;amp;nbsp;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;background:white&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:normal&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&#039;PENSA ALEMÃO&#039;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;margin-bottom:.0001pt; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;O PENSA ALEMÃO surgiu a partir da iniciativa do Instituto Raízes em Movimento com objetivo de monitorar as políticas públicas desenhadas para o Complexo do Alemão e num contexto de abandono das obras do PAC. Esse abandono acarretou diversos problemas nos locais onde as obras ficaram inacabadas, como é o caso drástico, a título de exemplo, do Capão local entre Nova Brasília e Alvorada. Muitas casas destruídas, entulho, ratos e lixo&amp;lt;ref&amp;gt;Conferir Jornal Fala Favela - Matéria principal: O legado das obras do Programa de Aceleração do Crescimento. Os impactos do PAC na saúde do morador do Complexo do Alemão - edição de maio de 2013 - Acervo Instituto Raízes em Movimento. &amp;lt;/ref&amp;gt;. As reuniões do PENSA ALEMÃO aconteciam na sede do Raízes em Movimento, sempre aberta para essas propostas. Além das discussões com vários atores locais sobre os problemas deixados pelo PAC, o coletivo pensava em ações concretas, como foi o caso da campanha realizada, a fim de implantar mais pontos &amp;lt;span style=&amp;quot;background:white&amp;quot;&amp;gt;de coletas de lixo na Avenida Central, Morro do Alemão e que estas fossem mais regulares.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;Em outra ocasião o coletivo PENSA ALEMÃO em uma de suas reuniões no primeiro semestre de 2013 teve como objetivo ouvir os problemas de pessoas que estão com casas em risco de desabamento e que já estão interditadas, mas continuam morando no local. A pedido do coletivo o Raízes em Movimento fez uma denúncia para a Comissão de Direitos Humanos da Alerj &amp;lt;ref&amp;gt;O Raízes em Movimento tem uma capilaridade interna e externa muito relevante. Nesse sentido acionou a rede que dispões, inclusive a então assessora do parlamentar Marcelo Freixo, Marielle Franco, brutalmente assassinada em 2017 quando exercia seu mandato de deputada estadual. O Raízes em Movimento tem uma capilaridade interna e externa muito relevante. Nesse sentido acionou a rede que dispões, inclusive a então assessora do parlamentar Marcelo Freixo, Marielle Franco, brutalmente assassinada em 2017 quando exercia seu mandato de deputada estadual. Na ocasião dois documentos foram importantes, um deles um relatório sobre as violações do PAC no Complexo do Alemão com considerações em do PENSA ALEMÃO e outros atores sociais destinado à ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO aos cuidados do Sr. Jonas Lopes Carvalho Jr. Presidente do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro. O documento contém denúncia às associações de moradores e as bigs ONG’s. Por motivos de prudência a assinatura do documento foi conjunta para não reduzir as fragilidades e como forma de segurança. O outro documento foi 10 Relatório. Convênio IPEA/CAIXA número 20/2009, de 30/2009/2010. RELATÓRIO FINAL. Intervenção Sócio-Urbanística do Complexo do Alemão. Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), ambos documentos disponíveis no acervo do Raízes em Movimento. &amp;lt;/ref&amp;gt;, oficializando o problema perante o poder público. Por e-mail a Comissão solicitou que fossem enviados documentos e fotos para que cientes de todas as informações relatadas, pudessem anexá-las como parte da audiência pública que veio acontecer numa Quinta-Feira, 15 de agosto de 2013.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;Um morador chamado Flávio propôs a reunião &amp;lt;ref&amp;gt;ATA. Reunião PENSA ALEMÃO. Dia 14/08, início 10h. Demanda: Casas condenadas sem encaminhamento de solução junto ao poder público. Acervo Raízes em Movimento.&amp;lt;/ref&amp;gt;&#039;&#039;&#039;,&#039;&#039;&#039; que deu origem a audiência pública acima mencionada para que fosse um somatório de forças: “&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;O objetivo é buscar uma solução, estamos correndo atrás e a partir dessa reunião esperamos nos fortalecer. Todas as pessoas aqui presentes estão sofrendo prejuízos devido às obras inacabadas do PAC&#039;&#039;’, reforçou. O morador afirmou ainda que sua mãe teve que sair da casa onde moravam, já que estavam recebendo aluguel social, uma contradição, pois ele disse que não tinha acesso ao benefício. Segundo flávio o secretário da SMH (Secretaria Municipal de Habitação) só procura a Associação de Moradores e que a SMH deveria procurar diretamente os moradores, já que são eles os afetados diretamente pelo problema.&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;De modo geral, as denúncias feitas pelos moradores nessas reuniões tinham diretamente um alvo, O PAC, uma vez que vários problemas decorrentes das obras impactaram e impactam diretamente a vida dos moradores em vários níveis, inclusive socioambientais. Houve um esforço em relação a reunião com a ALERJ no intuito de ter nas áreas com UPP’s um defensor público de maneira regular para receber as denúncias dos moradores. Mas os esforços do coletivo esbarrava não apenas na burocracia do estado, mas na relação de poder e a disparidade desse poder quando se refere às classes menos favorecidas.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;amp;nbsp;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-bottom:.0001pt; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;JUNTOS PELO COMPLEXO DO ALEMÃO&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-bottom:.0001pt; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;amp;nbsp;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-top:12.0pt; margin-right:0cm; margin-bottom:12.0pt; margin-left:0cm; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:90%&amp;quot;&amp;gt;Nem toda a lei é justa,&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-top:12.0pt; margin-right:6.0pt; margin-bottom:12.0pt; margin-left:0cm; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;A minha justiça eu faço acontecer&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-top:12.0pt; margin-right:6.0pt; margin-bottom:12.0pt; margin-left:0cm; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;Nem tudo que se vê, se enxerga&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-top:12.0pt; margin-right:6.0pt; margin-bottom:12.0pt; margin-left:0cm; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;Nem toda noite, tem amanhecer&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-top:12.0pt; margin-right:6.0pt; margin-bottom:12.0pt; margin-left:0cm; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;A tua justiça é cega&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-top:0cm; margin-right:6.0pt; margin-bottom:.0001pt; margin-left:0cm; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:108%&amp;quot;&amp;gt;Não vou botar minha cara para bater…&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-top:0cm; margin-right:6.0pt; margin-bottom:.0001pt; margin-left:0cm; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;amp;nbsp;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-top:0cm; margin-right:6.0pt; margin-bottom:.0001pt; margin-left:0cm; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:108%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:108%&amp;quot;&amp;gt;(A Grande Mentira, Eddu Grau, músico, ex-morador do Complexo do Alemão e responsável pelo Barraco 55)&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-bottom:.0001pt; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;amp;nbsp;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-top:10.25pt; margin-right:.3pt; margin-bottom:.0001pt; margin-left:0cm; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;Juntos Pelo Complexo do Alemão &amp;lt;ref&amp;gt;Sugiro a leitura do artigo: Vou te exigir o meu lugar, se não me der, eu vou tomar: o desastre do temporal no Alemão e o movimento JUNTOS PELO COMPLEXO DO ALEMÃO de Rafael Calazans, Marize Bastos da Cunha e Alan Brum Pinheiro publicado na revista eletrônica Libertas - UFJF em 2016. O artigo analisa o coletivo Juntos Pelo Complexo do Alemão a partir do seu nascedouro quando um temporal em dezembro de 2013 causou desabamento de casas no Complexo do Alemão. Conferir também verbete Coletivo Juntos pelo Complexo do Alemão: vou te exigir o meu lugar Dicionário de Favelas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ref&amp;gt;. No dia 11 de dezembro de 2013, moradores do Complexo do Alemão foram surpreendidos, de madrugada, com intensa chuva. O Rio de Janeiro ficou em estado de calamidade e famílias daqui do Complexo do Alemão ficaram sem suas moradias. Rapidamente houve grande mobilização de instituições e atores sociais, a fim de tentar minimizar os impactos da tragédia, já que muitas casas desabaram e outras estavam por desabar. Um grupo mobilizou pessoas e instituições para dar suporte às famílias desabrigadas, uma vez que a Defesa Civil não conseguia a contento atender os chamados para aquela região.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;ref&amp;gt;O Complexo do Alemão recebeu, numa quinta-feira, dia 12 de Dezembro de 2013, um dia após os desastres ocasionados pelas fortes chuvas do dia 11, visita da Relatora da ONU para os Direitos Humanos sobre a água e o saneamento, Catarina de Albuquerque. Ela caminhou pela comunidade acompanhada por ativistas de várias instituições locais e moradores e parou para ouvir os moradores sobre os problemas da falta de água e de saneamento, não solucionados pelas ações do poder público históricas na área, e ver os estragos causados pela chuva do dia anterior. Conferir Relatora da ONU para Direitos Humanos sobre a água e saneamento. Visita à comunidades do Complexo do Alemão, dezembro de 2013.&amp;lt;/ref&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-top:10.25pt; margin-right:.3pt; margin-bottom:.0001pt; margin-left:0cm; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;O Juntos Pelo Complexo do Alemão surge nesse contexto. Moradores, ONG’s, atores sociais diversos e outras instituições negociavam com a Vila Olímpica Carlos Castilho a realocação de famílias que perderam suas casas, organizavam a chegada e a distribuição de donativos e dialogavam com órgãos públicos para o cumprimento do direito básico nessas condições. &amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-top:12.0pt; margin-right:0cm; margin-bottom:12.0pt; margin-left:0cm; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;Em 2015 uma campanha por uma Universidade pública na região com uma unidade do IFRJ se coloca como centralidade, uma vez que a necessidade de uma Universidade que atendesse os Complexos do Alemão e da Penha, além dos bairros adjacentes poderia colaborar significativamente, por exemplo, para saída de bairro da ocupação de menor IDH do Rio de Janeiro. Mas as manobras políticas e a impossibilidade de articulação das esferas nos três níveis impediu que o processo avançasse, inclusive o então o prefeito Eduardo Paes que havia cedido o terreno para CPP (Coordenadoria Geral da Polícia Pacificadora) dificultou no que podia a negociação de realocação da CPP para outro espaço, já que aquele terreno aos olhos do Coletivo Juntos Pelo Complexo Alemão era ideal implementação do polo do IFRJ. A demanda de encontrar um terreno, tecnicamente viável, foi jogado para o Coletivo. Embora algumas visitas à outros terrenos em conjunto com a direção IFRJ tivessem sido realizadas, ainda sim o terreno da prefeitura cedido à CPP era um dos que mais poderia tornar viável um polo da universidade no Complexo do Alemão. Em 2016 e 2017 a luta se deu por moradia das famílias removidas e contra os abusos das forças policiais que ocuparam casas e lajes de moradores.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-top:10.25pt; margin-right:.3pt; margin-bottom:.0001pt; margin-left:0cm; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;amp;nbsp;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-top:10.25pt; margin-right:.3pt; margin-bottom:.0001pt; margin-left:0cm; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;PALAVRAS FINAIS&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-top:10.25pt; margin-right:.3pt; margin-bottom:.0001pt; margin-left:0cm; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;A ideia geral desse texto foi trazer de modo sucinto e localizado intervenções e lutas dos coletivos CDLSM, PENSA ALEMÃO e JUNTOS PELO COMPLEXO, sabendo que elas não estão apartadas das lutas históricas travadas por moradores desde os anos de 1920 nas primeiras ocupações de terras no Complexo do Alemão. Certamente cada qual tem características próprias e motivações suas motivações são diversas, embora as lutas por políticas públicas estruturantes sejam o elo dos coletivos supracitados.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-top:10.25pt; margin-right:.3pt; margin-bottom:.0001pt; margin-left:0cm; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;O CDLSM exerceu um papel fundamental, especialmente quando o Complexo do Alemão passou a ser alvo de um espetáculo midiático decorrente do anúncio das obras do PAC e da implementação da UPP’s, uma vez que fomentou e reabriu canais de discussão sobre políticas públicas e preparou no, final 2010, uma&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;Agenda Propositiva Sócio-Ambiental dos Movimentos Sociais do Complexo do Alemão,&#039;&#039;a fim de aproveitar o momento – logo após a ocupação militar que deu origem às UPP’s – para mostrar o que já se e se faz desde sempre nos no campo social, cultural, ambiental, educacional, de forma independente e autônoma.&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-top:10.25pt; margin-right:.3pt; margin-bottom:.0001pt; margin-left:0cm; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;O PENSA ALEMÃO com ações mais episódicas e, talvez mais institucionalizadas, mas também importantes, aproveitou o momento das obras do PAC (inacabadas) para exercer a cidadania, continuar a luta por direitos e fomentar campanhas pedagógicas como “Eu amo, eu cuido”, uma campanha que tinha por objetivo o ordenamento do lixo na Avenida Central Morro do Alemão.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-top:10.25pt; margin-right:.3pt; margin-bottom:.0001pt; margin-left:0cm; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;O JUNTOS PELO COMPLEXO as mobilizações eram voluntárias e aconteciam quando qualquer integrante ou instituição pertencente ao coletivo entendesse que era necessário mobilizar por esta ou aquela causa. A luta por uma universidade - IFRJ - sem dúvida, foi um marco importante.&amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-top:10.25pt; margin-right:.3pt; margin-bottom:.0001pt; margin-left:0cm; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;O histórico de ausências de políticas públicas no Conjunto de Favelas do Alemão e as constantes investidas na disseminação de uma cultura do medo, bem como o relevo dado na mídia apenas à criminalização desses espaços revelam ou pelo menos indicam para um elemento importante: o medo enquanto justificador de políticas autoritárias. Não é de se espantar que o Alemão passou a ser local estratégico para o desenvolvimento de ações – seja por parte do estado, seja por parte do setor privado e ainda de algumas instituições locais (ONG’s, Associações de Moradores etc.) – que pretendem mais aparecer como produto do que de fato fomentar construir políticas públicas estruturantes. Digo que pretendem mais aparecer, pois boa parte das ações é realizada como festejo publicitário, exibicionista, espetáculo, por exemplo,&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;Ação Global de Cidadania&#039;&#039;promovida de Organizações Globo (presença marcante de muitos artistas globais) que tem o apoio inconteste do estado, do setor privado e do terceiro setor (alguns segmentos). Cortam-se cabelos, tira-se identidade, capacitam-se pessoas em duas horas de curso etc. Essas e muitas outras ações tiveram seu apogeu exatamente entre nos anos das implementações das políticas PAC e UPP, em “todo” Conjunto do Alemão, na verdade em locais de fácil acesso que dêem visibilidade a tais “projetos”. É a tal da responsabilidade social.&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-top:10.25pt; margin-right:.3pt; margin-bottom:.0001pt; margin-left:0cm; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;Não é de se admirar que tragédias (há os que vivem de tragédias), como as dezembro de 2013 e outras muitas são, em muitas ocasiões, perversamente publicizadas, inclusive por atores sociais de “dentro” - as mobilizações decorrentes das fortes chuvas de dezembro 2013 quando nasceu o coletivo JUNTOS PELO COMPLEXO não foge a regra. O interesse e a sedução por visibilidade suplanta a ideia de luta de base. E alguns coletivos e instituições locais acreditam no espetáculo como modelo de vida, mas do que isso, o interesse está em se promover, ocupar espaços midiáticos fazendo publicidade de si mesmo, alimentando um personagem que via de regra vai ser o “representante” da favela.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-top:10.25pt; margin-right:.3pt; margin-bottom:.0001pt; margin-left:0cm; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;Se considerarmos essas reflexões podemos de fato contribuir para construção de políticas públicas mais horizontais, menos partidarizadas, mais coletivas (sem abandono da subjetividade de cada um), mais descentradas e, portanto, mais eficazes. De fato um trabalho de base.É preciso um novo&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;nomos&#039;&#039;capaz de reconfigurar o cenário da política atual, uma cartografia do desejo para situar e continuar a produzir debates e intervenções sobre políticas públicas relacionadas às favelas e periferias. E que os coletivos, “objeto” dessa reflexão, tiveram grande importância nesse contexto. As políticas públicas são pensadas majoritariamente do ponto de vista de gestão da vida – a biopolítica – , assim está fadada a repetir “políticas públicas” do discurso, da retórica e do simulacro. Portanto, eis um enorme desafio para os movimentos sociais e outros coletivos: enxergar as contradições das lutas e os interesses diversos, manter o desejo de transformação da realidade e aspirar um Complexo do Alemão menos negociável. Talvez, assim, o trabalho de base se fortifique.&amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;border:none; margin-top:8.3pt; margin-right:0cm; margin-bottom:.0001pt; margin-left:0cm; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;amp;nbsp;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;border:none; margin-top:8.3pt; margin-right:0cm; margin-bottom:.0001pt; margin-left:0cm; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;R&amp;lt;span style=&amp;quot;color:black&amp;quot;&amp;gt;EFERÊNCIAS&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-bottom:.0001pt; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:normal&amp;quot;&amp;gt;ATA reunião PENSA ALEMÃO. Dia 14/08/2013. Demanda: Casas condenadas sem encaminhamento de solução junto ao poder público. Acervo Raízes em Movimento.&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-bottom:.0001pt; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:normal&amp;quot;&amp;gt;CABRAL, Lúcia oliveira e NASCIMENTO, Mariza.&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;Saúde no Complexo do Alemão&#039;&#039;- DICIONÁRIO CARIOCA DE FAVELAS – Verbetes Complexo do Alemão.&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-bottom:.0001pt; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:normal&amp;quot;&amp;gt;CALAZANS, Rapahel, CUNHA, Marize Bastos da, PINHEIRO, Alan Brum&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;. Vou te exigir o meu lugar, se não me der, eu vou tomar: o desastre do temporal no Alemão e o movimento JUNTOS PELO COMPLEXO DO ALEMÃO. &#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;background:white&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:#222222&amp;quot;&amp;gt;Revista eletrônica Libertas - UFJF, 2016&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;.&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-top:10.25pt; margin-right:.3pt; margin-bottom:.0001pt; margin-left:0cm; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:normal&amp;quot;&amp;gt;CARTA ABERTA do Conselho Comunitário de Saúde do Complexo do Alemão. CCS/CA: XXIX RA – CDS/AP 3.1 – Rio de Janeiro aos organismos nacionais e internacionais comprometidos com a política social de saúde pública e a população (2018), disponível em PDF.&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;border:none; margin-top:12.0pt; margin-right:0cm; margin-bottom:.0001pt; margin-left:0cm; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:black&amp;quot;&amp;gt;CARTA DA SERRA DA MISERICÓRDIA. Rio de Janeiro, 2001.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;border:none; margin-top:12.0pt; margin-right:0cm; margin-bottom:.0001pt; margin-left:0cm; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:black&amp;quot;&amp;gt;COMITÊ DE DESENVOLVIMENTO LOCAL DA SERRA DA MISERICÓRDIA. Participação no pac das favelas. Disponível em: &amp;lt;[http://comitedaserra.blogspot.com.br/2009/10/o-comite-e-sua-participacao-no-pac.html http://comitedaserra.blogspot.com.br/2009/10/o-comite-e-sua-participacao-no-pac.html]&amp;gt;. Acesso em: 10 jan. 2018.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-bottom:.0001pt; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:normal&amp;quot;&amp;gt;_______. Participação no PAC das favelas. Disponível em:[http://comitedaserra.blogspot.com/2010/11/ &amp;lt;span style=&amp;quot;color:blue&amp;quot;&amp;gt;http://comitedaserra.blogspot.com/2010/11/&amp;lt;/span&amp;gt;]Acesso em: 30 de dez. 2019.&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-bottom:.0001pt; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;amp;nbsp;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:normal&amp;quot;&amp;gt;FALA FAVELA. O legado das obras do Programa de Aceleração do Crescimento. Os impactos do PAC na saúde do morador do Complexo do Alemão - edição de maio de 2013 - Acervo Instituto Raízes em Movimento&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-bottom:.0001pt; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:normal&amp;quot;&amp;gt;MATIOLLI, Thiago Oliveira Lima. Notas sobre o surgimento do bairro do Complexo do Alemão. In: Rute Imanishi Rodrigues. (Org.). Vida social e política nas favelas&amp;amp;nbsp;: pesquisas de campo no Complexo do Alemão. 1ed.Rio de Janeiro: IPEA, 2016, v. 1, p. 71-95.&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-bottom:.0001pt; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;amp;nbsp;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-bottom:10.0pt; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:normal&amp;quot;&amp;gt;MOURA, Ricardo José de; É Complexo. O velho ranço das políticas públicas: balcão de negócios, cultura do medo e violência. Rio de Janeiro: URBFAVELA, 2016.&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-bottom:10.0pt; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:normal&amp;quot;&amp;gt;______. Complexo. Experiência, formação e comunicação na favela. Dissertação de mestrado, FEBF/UERJ, 2010, p. 64-113.&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;border:none; margin-top:12.0pt; margin-right:0cm; margin-bottom:.0001pt; margin-left:0cm; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:black&amp;quot;&amp;gt;OLIVEIRA, Bruno Coutinho De Souza. Políticas públicas e participação social no PAC das Favelas. In: RODRIGUES, Rute Imanishi. (Org). &#039;&#039;&#039;Vida Social e Política nas Favelas: pesquisa de campo no Complexo do Alemão&#039;&#039;&#039;. Rio de Janeiro: IPEA, 2016.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-bottom:.0001pt; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:normal&amp;quot;&amp;gt;10 Relatório. Convênio IPEA/CAIXA número 20/2009, de 30/2009/2010. &#039;&#039;&#039;RELATÓRIO FINAL&#039;&#039;&#039;.&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;Intervenção Sócio-Urbanística do Complexo do Alemão. Programa de Aceleração do Crescimento (&#039;&#039;PAC), disponíveis no acervo do&#039;&#039;&#039;Raízes em Movimento.&#039;&#039;&#039;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-top:10.25pt; margin-right:.3pt; margin-bottom:.0001pt; margin-left:0cm; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:normal&amp;quot;&amp;gt;Texto inédito sobre a visita da Relatora da ONU para Direitos Humanos em relação a água e saneamento. Visita à comunidades do Complexo do Alemão, dezembro de 2013].&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-top:10.25pt; margin-right:.3pt; margin-bottom:.0001pt; margin-left:0cm; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:107%&amp;quot;&amp;gt;SITE[https://fazendomedia.org/diaadia/protoblog18.htm &amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:107%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:#1155cc&amp;quot;&amp;gt;https://fazendomedia.org/diaadia/protoblog18.htm&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;]&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;div&amp;gt;&#039;&#039;&amp;amp;nbsp;&#039;&#039;&amp;lt;/div&amp;gt; &lt;br /&gt;
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[[Category:Complexo do Alemão]] [[Category:Associativismo comunitário]] [[Category:Associativismo]] [[Category:Associação de moradores]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Thiago Matiolli</name></author>
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		<id>https://homologacao2.wikifavelas.com.br/index.php?title=Serra_da_Miseric%C3%B3rdia&amp;diff=4340</id>
		<title>Serra da Misericórdia</title>
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		<updated>2020-03-01T23:08:18Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Thiago Matiolli: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Por&amp;amp;nbsp;&#039;&#039;&#039;[https://wikifavelas.com.br/index.php?title=Usuário:Ricardo_De_Moura Ricardo De Moura]&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;A Serra da Misericórdia, incialmente chamada de serra chorona, por conta da quantidade de nascentes que ela apresenta, é o quarto maciço urbana da cidade do Rio de Janeiro, depois da Floresta da Tijuca, Medanha e Pedra Branca; se estendendo por 27 bairros da Zona Norte do município e se constitui a principal área verde da região. Ela tem uma importância histórica, ambiental e política imensurável para a região.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Boa parte da história da militância da região do Complexo do Alemão passa pela organização em torno da defesa da Serra da Misericórdia, em particular a defesa pela criação da APARU (Área de Proteção Ambiental e Recuperação Urbana), que foi feita no ano 2000, após forte mobilização realizada pelo Verderjar Socioambiental, fundada em 1997. O que trouxe algumas garantias ambientais para a serra. No início dos anos 2000, foi fundado o Comitê de Desenvolvimento Local da Serra Misericórida (CDLSM), que congregou diversas organizações sociais da região para garantir a defesa da área e pregando a participação e controle social das políticas a serem ali desenvolvidas. Destaca-se, aí, a proposta de criação do Parque ambiental da Serra da Misericórdia, pelo Prefeito Cesar Maia. O CDLSM conferiu densidade ao tecido político do Complexo do Alemão nos anos 2000 e algumas organizações locais saíram fortalecidas desse engajamento.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Ao mesmo tempo, por conter uma grande reserva de granito, a Serra é objeto constante dos interesses privados. A presença da mineradora Lafarge é um dos grandes focos de tensão política e mobilização local. Os impactos ambientais causados por sua ação se manifestam constantemente. Um dos mais emblemáticos foi o rompimento de um lençol freático que produziu um lago na região. Mais recentemente, nos esforços de urbanização de favelas que foram desencadeados por conta do PAC, a Serra voltou a ser objeto de intervenções públicas, com a criação de um bikeparque lá. Um campo de futebol histórico, o “campo da mina”, foi destruído, o projeto foi desenhado, mas não chegou a sair do papel, bem como boa parte das ações voltadas para as favelas. Que se iniciam e ficam por terminar. Um pouco desta história que se busca contar e detalhar neste verbete.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&#039;Serra da Misericórdia, Te amo!&#039;&#039;&#039;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;Morar em Piabas, quando&amp;amp;nbsp;será!&amp;amp;nbsp;&amp;lt;br/&amp;gt; A&amp;amp;nbsp;Serra é quem clama, misericórdia!&amp;amp;nbsp;&amp;lt;br/&amp;gt; Por entre balas e fumaças zona norte Rio&amp;amp;nbsp;&amp;lt;br/&amp;gt; A Serra se lança no maior desafio&amp;amp;nbsp;&amp;lt;br/&amp;gt; Verdeja Já!&amp;amp;nbsp;&#039;&#039;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;Já te amo Serra da&amp;amp;nbsp;Misericórdia!&amp;amp;nbsp;&amp;lt;br/&amp;gt; Te&amp;amp;nbsp;amo!!&amp;amp;nbsp;&#039;&#039;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;O seu verde precisa verdejar&amp;amp;nbsp;&amp;lt;br/&amp;gt; Esta redondeza sem paz, pálida e poluída&amp;amp;nbsp;&amp;lt;br/&amp;gt; Te amo Serra da&amp;amp;nbsp;Misericórdia!&amp;amp;nbsp;&amp;lt;br/&amp;gt; Te&amp;amp;nbsp;amo!!&amp;amp;nbsp;&#039;&#039;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;Penha, Inhaúma, Complexo do Alemão&amp;amp;nbsp;&amp;lt;br/&amp;gt; Olaria, Ramos, Bonsucesso, Engenho da Rainha&amp;amp;nbsp;&amp;lt;br/&amp;gt; Tomás Coelho, Vicente de Carvalho, Vila&amp;amp;nbsp;Kosmos,&amp;amp;nbsp;&#039;&#039;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;Vila da Penha e Penha Circular.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;br/&amp;gt; Circundam a Serra da Misericórdia&amp;amp;nbsp;&amp;lt;br/&amp;gt; Te amo Serra da Misericórdia&amp;amp;nbsp;&amp;lt;br/&amp;gt; Te amo!!&amp;amp;nbsp;&#039;&#039;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;O seu verde precisa verdejar esta redondeza&amp;amp;nbsp;&amp;lt;br/&amp;gt; De paz, pálida e poluída&amp;amp;nbsp;&amp;lt;br/&amp;gt; Te amo Serra da Misericórdia&amp;amp;nbsp;&#039;&#039;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Luiz Carlos, Poeta&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Impossível falar da Serra da Misericórdia,&amp;amp;nbsp;sem falar da luta incansável do Verdejar que teve como seu maior expoente, Luiz Carlos, o Poeta, como era&amp;amp;nbsp;carinhosamente reconhecido.&amp;amp;nbsp;A ONG Verdejar desenvolve mensalmente um Mutirão Ecológico pela preservação e manutenção da última área verde da Zona Norte, a APARU (Área de Proteção Ambiental e Recuperação Urbana), localizada na Serra da Misericórdia.&amp;amp;nbsp;Um exemplo de atuação da organização pode ser&amp;amp;nbsp;vista&amp;amp;nbsp;em Verdejar (2007), de onde foi retirado o relato que se segue. O texto foi produzido, logo após uma sequência de dois incêndios ocorridos em uma área verde da Serra da Misericórdia e é exemplar quanto a importância e forma de atuação do Verdejar Socioambiental.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p lang=&amp;quot;PT-BR&amp;quot; style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;Em pouco menos de uma semana dois incêndios na Serra da Misericórdia no bairro do Engenho da Rainha Zona Norte do Rio de Janeiro assustam moradores e ambientalistas. De acordo com um morador, que não quis se identificar, o incêndio do dia 13 de março foi provocado por uma manifestação religiosa de origem africana comum no local. O grupo Socioambiental Verdejar que atua na Serra da Misericórdia desde 1997 chamou imediatamente os bombeiros que conseguiram conter o avanço do fogo.&amp;amp;nbsp;Os incêndios, segundo o coordenador de agroecologia do Verdejar&amp;amp;nbsp;Luiz&amp;amp;nbsp; Poeta, costumam acontecer principalmente pelos motivos: culto de origem africana que utilizam velas, culto de evangélicos que põe fogo na mata para abrir caminho para chegar ao monte e balões. “Infelizmente algumas pessoas ainda não têm consciência de preservação ambiental, daí o problema das queimadas”, enfatizou.&amp;amp;nbsp;&#039;&#039;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;Já o coordenador executivo Edson Gomes não descarta a possibilidade de o incêndio ter sido causado por oportunistas, posto que o grupo Verdejar luta não somente pela preservação ambiental da Serra da Misericórdia, mas, também, por um desenvolvimento socioambiental sustentável e isso acaba por contrariar interesses de mineradoras e outras indústrias que exploram a região.&amp;amp;nbsp;Zolmir&amp;amp;nbsp;Figueiredo e Erik Vidal dizem que o Sistema Agroflorestal (SAF) plantado e implementado pelo Verdejar auxiliou a conter o fogo. “Na implantação do SAF são feitas capinas em aceiro no entorno do sistema justamente para protegê-lo contra as queimadas” explicaram.&amp;amp;nbsp;&#039;&#039;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;O Comitê de Desenvolvimento Local da Serra da Misericórdia junto aos ambientalistas do Verdejar discutem a necessidade de gestão do maciço da&amp;amp;nbsp;Serra da Misericórdia para tentar diminuir as degradações ambientais ocorridas pelos incêndios, exploração das mineradoras e os impactos ambientais oriundos dessa exploração. “É necessário um plano de gestão urgente para coibir ações de queimadas, degradação ambiental e desmatamentos da última área verde da Zona da Leopoldina”, advertiu Luiz Carlos. &amp;amp;nbsp;&#039;&#039;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;Em novembro de 2000 foi criado o decreto de nº 19.144 que cria a Área de Proteção Ambiental e Recuperação Urbana – APARU da Serra da Misericórdia, área de aproximadamente 3.695 hectares. Isso é importante, pois a discussão do momento na imprensa tem sido em torno do “Piscinão do Alemão” (apelido de mau gosto dado ao grande Lago Azul) o que acaba por esconder a necessidade de abertura do debate com a sociedade civil para criação do Parque Ecológico. Mesmo após o decreto de proteção ambiental e de recuperação urbana dessas áreas a mineradora Lafarge explora brita na Serra da Misericórdia. “Há muito tempo lutamos pela desativação das pedreiras que exploram a Serra da Misericórdia. Elas poluem demasiadamente o ar das comunidades situadas no entorno da Serra causando graves problemas respiratórios, alergias onerando o setor de saúde pública, além de causar diversas rachaduras nas residências do entorno colocando a população em uma situação de risco durante as chuvas torrenciais” enfatiza Luiz Carlos.&amp;amp;nbsp;&#039;&#039;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;De acordo com o grupo Verdejar, as explorações alcançaram um lençol freático que deu origem a Lagoa Azul do Complexo do Alemão. Esta área já era usada pela população local como área de lazer, com o aparecimento do lago a pratica se intensificou, uma vez que há carência de equipamentos e áreas públicas voltados para recreação e preservação ambiental que proporcionem bem estar. O Parque Ecológico está desenhado na arquitetura das obras do PAC e que por interesses escusos ainda não foi discutido com a sociedade civil um projeto urbanístico do referido Parque da Serra da Misericórdia acompanhado da política ambiental a ser implementada.&amp;amp;nbsp;&#039;&#039;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;No próximo dia 21 de março às 10h, um dia antes do dia mundial da água, haverá um abraço simbólico ao Lago Azul para chamar a atenção do poder público quanto a necessidade de criação do Parque Ecológico na Serra da Misericórdia. Estima-se que a mobilização vai levar mais de 500 pessoas ao&amp;amp;nbsp;local. “Este evento é uma tentativa de abrir um canal de diálogo com as instâncias de Governo e com a Empresa de Obras Públicas (EMOP) para a criação do tão sonhado Parque Ecológico na Serra da Misericórdia. A sociedade civil não pode ficar de fora desse diálogo. É algo de uma grandeza e importância incontestável não somente para Complexo do Alemão, mas também para toda Zona Norte da Cidade” decretou Edson Gomes. &amp;amp;nbsp;&#039;&#039;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&#039;O Lago é&amp;amp;nbsp;Nosso&amp;amp;nbsp;&#039;&#039;&#039;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;O evento&amp;amp;nbsp;O Lago é&amp;amp;nbsp;Nosso&amp;amp;nbsp;2&amp;amp;nbsp;realizado&amp;amp;nbsp;neste domingo às 11h (ontem) pelo Comitê de Desenvolvimento Local da Serra da Misericórdia,&amp;amp;nbsp;Éfeta, Raízes e Verdejar reiniciou uma série de reivindicações dos moradores do Complexo do Alemão, entorno e redes sociais locais para a construção do Parque Ecológico na Serra da Misericórdia.&amp;amp;nbsp;O foco do evento, além de chamar a atenção do poder público para a degradação ambiental da Serra da Misericórdia promovida por empresas que exploram a região há 17 anos, foi também de provocar abertura no diálogo entre O Governo e a Empresa Municipal de Obras Públicas (EMOP) quanto à participação popular na construção e gestão do Parque e de equipamentos públicos.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;O Parque Ecológico na Serra da Misericórdia é uma forma de reconhecer a importância da última área verde da Zona da Leopoldina e consequentemente cumprir com o que rege no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Além de constar na planta do PAC (vide site oficial do Governo Federal), o Parque Ecológico é indubitavelmente de extrema importância para o Complexo do Alemão e entorno, pois vai contribuir para melhoria da qualidade de vida da população. Qualidade de vida que se expressa por propostas concretas para recuperação de áreas degradas, tratamento de resíduos sólidos tendo como parâmetro a promoção de trabalho e renda, recuperação de espaços públicos (praças e logradouros), implantação de uma Lona Cultural, de um centro poliesportivo, de uma universidade popular entre outras.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Considerando que o desenvolvimento sustentável só pode ser alcançado com a mudança de uma política equivocada em relação ás questões ambientais o Comitê, as redes sociais e moradores exigem a apresentação do projeto urbanístico do Parque Ecológico, a política ambiental a ser implementada e a garantia de participação popular neste processo e em outros.  &amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&#039;Abraço ao lago&amp;amp;nbsp;&#039;&#039;&#039;&amp;lt;br/&amp;gt; &amp;amp;nbsp;&amp;lt;br/&amp;gt; A ideia de dar um abraço simbólico no lago surgiu da necessidade de mobilizar os moradores do Complexo do Alemão e entorno para importância da construção do parque ecológico na Serra da Misericórdia, para a desativação da pedreira e, por conseguinte, preservar o que ainda resta do ecossistema e recuperar as áreas degradas, de modo a contribuir para o desenvolvimento sustentável. Vários artistas locais, convidados e moradores subiram a Serra para participar do evento. A mobilização levou cerca de 150 pessoas ao grande lago, entre elas: MC Playboy, Choro da Serra e Orquestra Voadora. Houve também coleta de lixo, plantio de mudas de árvores, poesia e muita diversão.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Moradores apoiaram o evento e ficaram felizes com a iniciativa. No momento do abraço todos, com muita descontração, deram as mãos em torno do lago, fizeram “hola” e gritaram: “O LAGO É NOSSO!”. &amp;amp;nbsp;De acordo com as instituições organizadoras do evento o Parque Ecológico é uma reivindicação antiga e que agora ganha força com movimentos sociais e moradores que querem a construção dele, tanto quanto a construção do plano de gestão participativa dos equipamentos públicos.  &amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;As solicitações da construção do parque ecológico e promoção de novas práticas saudáveis para os moradores do Complexo do Alemão e adjacências não encontram melhor momento para a implementação.&amp;amp;nbsp;Todas as melhorias devem ter como prioridade o morador, sendo assim, requisitamos ao Governo atenção ao ofício de nº 1/2009 protocolado no dia 12 de novembro de 2009 junto à Secretaria Geral da Presidência do Brasil, a Presidência da Caixa Econômica, ao Governo do Estrado e Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro com cópia para os Ministérios público Estadual e Federal.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Acreditamos que após o evento de hoje (ontem) o Governo vai nos ouvir e abrir um canal para o diálogo, não como meros legitimadores do processo (como vem acontecendo com as obras do PAC), mas como participantes legítimos dele. Isso implica dizer em envolvimento com e das diversidades e multiplicidades de&amp;amp;nbsp;atores sociais previsto pelo Projeto Técnico do Trabalho Social (PTTS), tomadas de decisão e diálogos permanentes com efetiva participação popular.&amp;amp;nbsp;O Comitê de Desenvolvimento Local da Serra da misericórdia, as redes sociais e moradores do Complexo do Alemão e adjacências aguardam o diálogo frente às reivindicações. &amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
[[Category:Complexo do Alemão]] [[Category:Conflito Ambiental]] [[Category:Meio ambiente]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Thiago Matiolli</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://homologacao2.wikifavelas.com.br/index.php?title=Bailes_Funk_no_Complexo_do_Alem%C3%A3o&amp;diff=4339</id>
		<title>Bailes Funk no Complexo do Alemão</title>
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		<updated>2020-03-01T23:07:27Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Thiago Matiolli: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;ITCHO TCHO MERY É AUTOMÁTICO&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por&amp;amp;nbsp;[https://wikifavelas.com.br/index.php?title=Usuário:Ricardo_De_Moura Ricardo De Moura]&lt;br /&gt;
&amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;“[...] (&amp;quot;o povo é inventa-línguas&amp;quot;, Maiakóvski) contra os burocratas da sensibilidade, que querem impingir ao povo, caritativamente, uma arte oficial, de &amp;quot;boa consciência&amp;quot;, ideologicamente retificada, dirigida. Mas o povo cria, o povo engenha, o povo cavila.&amp;amp;nbsp;O povo é o inventa-línguas, na malícia da mestria, no matreiro da maravilha. O visgo do improviso, tateando a travessia, azeitava o eixo do sol...&amp;amp;nbsp;O povo é o melhor artífice.&amp;amp;nbsp;[...]” (Haroldo de Campos, circulado de fulô).&#039;&#039;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Porque começamos essa conversa com a citação acima? “O povo é inventa-línguas contra os burocratas da sensibilidade...”. Para mim não há dúvida que a língua é viva. Os falantes, no nosso caso o português do Brasil, são os responsáveis por tamanha variação linguística, embora todos falem o mesmo idioma. Não há, que fique claro, certo ou errado na linguagem. O que há são variações e fenômenos linguísticos, dialetos sociais e níveis de fala, dialetos e falares regionais; gíria, jargão e linguagem popular. Mas também há preconceito linguístico que no fundo se traduz como preconceito social, já que a linguagem é também poder e ideologia, daí a tal de norma culta ao invés de norma padrão. A gramática normativa como ideologia.&amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Feito essa pequena, mas valiosa observação vamos, a título de esboço, falar do funk, especialmente de uma música que deu e dá o que falar quando o assunto é linguagem. Mas, também quando o assunto é corpo, dança, alegria, diversão. E mais adiante, em linhas gerais, uma pitada da história do funk e a seguir baile das antigas, apenas com o propósito de situar a conversa.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;O título desse texto é proposital e provocativo ao mesmo tempo, um modo de operar na e com a linguagem inventiva – aquela já dita por Heraldo de Campos na citação que abre essa conversa. It&#039;s Automatic popularmente conhecida&amp;amp;nbsp;ITCHO TCHO MERY ou algo do gênero era um som que explodia nos trenzinhos ou nos bailes de corredores na década de 1980 e hoje é relembrado nos “bailes das antigas” espalhados por algumas favelas do Rio de Janeiro. Não se trata de saudosismo nessa retomada, mesmo porque, os bailes das antigas acontecem hoje. Há algo mais por aí.&amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;É inevitável não rir quando se descobre o nome da música, já que para os que curtiam e curtem ainda esse som, na maioria das vezes, não sabem que Itcho Tcho Mery é “automático”. Isto é, It’s automatic que quer dizer é “automático”. Uma tremenda invenção da linguagem que se modifica com o falante da língua. Mesmo sabendo que a expressão Itcho Tcho Mery, a rigor, não tem semelhança com o significante que dá o nome da música It’s automatic, ela tem um sentido por ser a expressão do entendimento sonoro produzido. Para os vovós e vovôs do funk, Itcho tcho mery era e continua sendo um pancadão boladão, eu diria, pega a visão que “noix” vai brotar lá no baile das antigas no CPX porque é automático.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;It’s Automatic foi tão popularizada, que os múltiplos significantes oriundos da escuta dessa música e, consequentemente, do ato de cantá-la, tornaram-na ainda mais popular. Mas com um detalhe: na maioria dos casos pouquíssimas pessoas conhecem o título da música, ou seja, It’s Automatic é desconhecida. Vejamos alguns comentários nos posts no Youtube [https://www.youtube.com/watch?v=TfdWQcfs4yo https://www.youtube.com/watch?v=TfdWQcfs4yo] com o título freestiyle – It’s Automatic.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;• Insotomeri, inchorchomeri, não sei o que meri. Esses são os nomes que os caras diziam. Tudo menos it&#039;s automatic.&amp;amp;nbsp;&#039;&#039;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;• É tcho tcho meri.... É tcho tcho meri .... Kkkkkkkkkk.&#039;&#039;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;• Eu fico emocionado quando eu escuto essa música. Pois meu apelido é Tchotchomary, por causa dessa música. A merda que é It&#039;s automatic.&#039;&#039;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;• Grande década de 80, esse é o famoso &amp;quot;tchontchonmery&amp;quot; na época dos bailes todo mundo cantava, bons tempos.&#039;&#039;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;• It&#039;s automatic?? Prefiro: Ih cho cho Mary...&#039;&#039;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Embora os comentários sejam apenas exemplos, tais formulações nos permitem olhar para além da compreensão de um idioma, na verdade nos coloca frente à inventividade da língua, que nesse caso abarca o cômico, sobretudo, quando descobre o nome “original”. Talvez, essa questão possa ser interessante para antropologia, sociologia ou linguagem, mesmo porque tal deslocamento linguístico forja outras maneiras de sensibilidade para além do uso “correto” da linguagem e, neste caso, ganha enorme dimensão nas classes populares, forja também sociabilidades, identidades, maneiras de ver o mundo.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;É muito comum alguns usuários da língua, especialmente os mais jovens, em determinadas regiões, usarem formas de comunicação fora dos ditames da gramática normativa, por exemplo: “nóix vai no baile de bonde, tá ligado?”. Imagine se um estudante resolve escrever desse modo numa prova de vestibular. Embora a sentença possa estar clara, ele/ela, o (a) candidato(a) seria “exterminado(a)” de imediato. Isso é uma heresia gramatical, diriam os defensores da gramática. Para a dona norma vários “erros”. Sublinharemos o que ela, dona norma, consideraria fatal: o sujeito “NOIX” está no plural e o verbo VAI no singular. Imagine NOIX VAI NO BAILE... quantos “erros” numa mesma frase. A experiência com a linguagem fica submetida a forma de certo ou errado numa tentativa de aprisionar os falantes da língua. Doce ilusão, pois NÒIX VAI NO BAILE e ITCHO TCHO MERY É AUTOMÁTICO.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp; &amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&#039;Uma pitada da história do Funk&amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp;&#039;&#039;&#039;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;O funk é um estilo musical que, provavelmente, surgiu através da música negra norte-americana no final da década de 1960 – o funk se originou da Soul Music. Algumas características desse estilo musical são: ritmo sincopado, a densa linha de baixo, uma seção de metais fortes e rítmica, além de uma percussão marcante e dançante. E é nessa esteira que viria nascer o funk.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;O funk da década de 60&amp;amp;nbsp;surgiu com uma mistura entre os estilos R&amp;amp;B, jazz e soul. Nessa época, o estilo musical era considerado indecente porque a palavra “funk” tinha conotações sexuais na língua inglesa. O funk acabou aderindo essa característica tendo uma música com um ritmo lento, dançante, sexy. Na década seguinte o P-Funk – Parlaiment Funkdelic – um coletivo de funk, rock e soul era um funk mais pesado, com influência psicodélica e com a alteração mais característica do funk, foi feita por George Clinton. A década de 1980 serviu para “quebrar” o funk tradicional e transformar em vários subgêneros. Seus derivados como o rap, hip-hop e break ganhavam muita força nos Estados Unidos. No final dos anos 1980 surgiu a casa do funk que foi um fenômeno nas pistas de dança do mundo inteiro. No Brasil, em especial no Rio de Janeiro, muitos grupos se formaram e o break se tornou um fenômeno de dança, coreografia, teatro de vivências cênicas em vários lugares públicos, inclusive dentro de escolas.&amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;A derivação mais presente no Brasil é o funk carioca. O ritmo, tal como se desenvolveu no Rio de Janeiro, foi influenciado por um novo ritmo da Flórida, o Miami Bass, que trazia músicas mais erotizadas e batidas mais rápidas. Depois de 1989, os bailes funk começaram a “bombar” atraindo cada vez mais pessoas e daí foram lançadas músicas em português. Inicialmente as letras falavam sobre a realidade da vida nas favelas, como por exemplo o refrão do Rap do Silva do MC Bob Rum “era só mais um Silva que a estrela na brilha ele era funkeiro mais era pai de família”, mas também a implementação de recursos melódicos nas músicas, um funk mais romântico como o Rap do solitário e princesa de MC Marcinho, mais tarde o tema principal passou a ser o sexo. O funk carioca se tornou e continua sendo bastante popular em várias partes do Brasil e no exterior. Tudo isso nos anos 1990.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;O funk da metade dos anos 1990 era utilizado como forma de protesto contra as autoridades e também servia como maneira de levar para o mundo o que realmente acontecia nas favelas. Muitas músicas falavam até mesmo de abuso das forças policiais. Essa modalidade ficou conhecida como o FUNK PROIBIDÃO. Em 2000 a ênfase no funk com conotação sexual voltou com força total e estão presentes até hoje nos ritmos 150 e 170 bpm fazendo o maior sucesso nos bailes de favela.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&#039;Baile das Antigas&amp;lt;ref&amp;gt;Texto original publicado no Jornal Fala Favela, ed. 7, 2019. Escrito por David Amen - produtor cultural e coordenador de Comunicação do Instituto Raízes em Movimento - e Hector Santos - Fotógrafo e graduando em Publicidade pela FACHA.&amp;lt;/ref&amp;gt;&#039;&#039;&#039;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Os já conhecidos e tão aguardados, “Bailes das Antigas”, têm sido uma verdadeira atração nas favelas do Rio de Janeiro desde que começaram, entre 2013 e 2014. Aquela rivalidade que havia nos “bailes de corredor” ficou para trás, deu lugar ao reencontro com a cultura do Funk de maneira social, onde a união e a amizade prevalecem transformando aquele passado em memórias afetivas, motivos para se reunir, brincar e sorrir. E como não poderia ser diferente, o Complexo do Alemão já foi palco privilegiado de alguns desses encontros.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Para quem não sabe, nos “bailes de corredor” os grupos se dividiam entre “Lado A e Lado B” e se viam como rivais, brigavam muito, trocando socos e pernadas. Para fortalecer a agenda de bailes, os representantes das áreas decidiram se unir a bairros vizinhos para que o baile ficasse mais cheio e não houvesse disputa entre eles mesmos. Então, a galera que fechava do outro lado não podia frequentar o oposto ao seu. Pessoas que ‘fechavam’ com o Lado contrário sequer podiam passar e/ou frequentar aquela localidade (por exemplo: participantes do Fazenda de Inhaúma - Lado B -, não podiam frequentar algumas localidades da baixada por ser Lado A por que eram vistos como inimigo). Apesar disso, todo mundo frequentava os mesmos bailes. Daí a divisão entre “A e B”. Nessa, o corredor ficava livre. Dessa época lembra-se de muitas situações, músicas que animavam os “bondes”, agitando “o corredor”, as grandes equipes de som, os DJ’s, o passinho, enfim, tudo isso precisava ser novamente vivido por aqueles que estavam lá no início e compartilhado com a nova geração do Funk.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Os “Bailes das Antigas” são, na realidade, um espaço para reviver bons tempos e homenagear os(as) construtores(as) dessa história. Na Nova Brasília, em 2019, teve um baile especialmente para lembrar do MC Sapão que, além de produzir músicas incríveis que marcaram - “BAILES DAS ANTIGAS” RECORDA BONS MOMENTOS DO FUNK MEU NOME É FAVELA a cena do funk até hoje, era morador da localidade e faleceu em abril de 2019. A galera do AP do Itararé, como mostram as fotos, marcaram presença. A viúva do “Sapão” foi às lágrimas com o evento e com a homenagem. Esse baile foi mágico porque, teve toda essa emoção relacionada ao Sapão, mas também foi bem na final da Copa América quando o Brasil venceu o Chile e foi campeão. Então tudo estava em ritmo de festa.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;E é sempre assim nesses bailes, festa e alegria contaminam geral no salão onde, a cada som das antigas, seja na quadra da Vila Olímpica ou na Rua 2, as pessoas, com muito prazer e orgulho de serem parte daquele momento, cantam e dançam sem parar. É algo que transcende qualquer questão territorial. As(os) moradoras(es) se divertem quando rolam os bailes. É sempre um evento lindo ver a energia daquelas pessoas e viver aquele momento incrível. É um dos poucos instantes de respiro em que a felicidade dos moradores predomina por, inclusive, poder garantir o seu ‘momento de lazer’ sem ser interrompido pela violência. Favela Viva!&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Thiago Matiolli</name></author>
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	<entry>
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		<title>Artes urbanas e favelas</title>
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		<updated>2020-03-01T23:05:34Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Thiago Matiolli: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&lt;br /&gt;
Por Pricila Telles e&amp;amp;nbsp;[https://wikifavelas.com.br/index.php?title=Usuário:Thiago_Matiolli Thiago Matiolli]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No dia 05 de novembro de 2016, um sábado chuvoso, o Instituto Raízes em Movimento&amp;lt;ref&amp;gt;Para maiores informações sobre a organização, ver o verbete “Instituto Raízes em Movimento”, neste dicionário. &amp;lt;/ref&amp;gt; realizou o 3º encontro do Vamos Desenrolar - Oficina de Produção de Memórias e Conhecimento&amp;lt;ref&amp;gt; Para saber mais sobre o evento, ver o Verbete “Vamos Desenrolar”, neste dicionário. &amp;lt;/ref&amp;gt;, que abordava as artes urbanas. As discussões trataram do campo das expressões culturais na cidade em espaços abertos, favelas, praças públicas, ruas… A proposta foi refletir sobre as resistências e criatividade na construção desses espaços que geralmente são construídos no vácuo de políticas públicas culturais e na busca de expressões libertárias. O encontro trouxe à superfície experiências musicais, grafite, teatro, saraus, rodas culturais, enfim, caminhos alternativos de apropriação e combate à indústria cultural de massa. Os Dinamizadores foram: Adriana Lopes: pesquisadora e professora da UFRRJ; Carlos Meijueiro: pesquisador e ativista cultural; Cláudio Vaz: professor de artes e ativista cultural; Gustavo Coelho: pesquisador sobre pichação e outras culturas de rua (diretor do documentário “Luz Câmera, Pichação”); e Rico Neurótico: MC&amp;lt;ref&amp;gt;O termo MC é uma adaptação do inglês master of cerimony, que significa Mestre de Cerimônia. É aquele (a) que, enquanto a é tocada, elabora, recita e canta suas rimas e poesias. &lt;br /&gt;
&amp;lt;/ref&amp;gt; e produtor cultural da Roda Cultural de Olaria. Este último, personagem que fica no entrecruzamento dos assuntos abordados neste verbete, bem como nos exemplos tomados para ilustração do argumento: a Roda Cultural de Olaria e o Circulando - Diálogo e Comunicação na Favela.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O tema das “artes urbanas” não é de conceituação simples e, muito menos, taxativa. Porém, quando retomamos o debate promovido pela edição do Vamos Desenrolar citado acima, é possível encontrar algumas pistas. Por exemplo, Adriana Lopes iniciou a conversa falando sobre a importância do funk e a presença potente das mulheres nesse ambiente produtivo, destacando que &amp;amp;nbsp;“a arte urbana é mais que o grafismo, a gente escreve com nossos corpos, com nossas roupas...”; Cláudio Vaz disse que não se importava de ter seus projetos copiados por outros produtores e com humor afirmou “Se fizer bem feito é bom, se não fizer bem eu vou lá e reclamo!”; Gustavo Coelho lembrou dos movimentos “xarpi” - que será retomado mais a frente -, bate bola e baile funk “A pixação não é feia, pelo contrário, tem muita delicadeza no traço”; e, por fim, mas não menos importante, MC Rico Neurótico lembrou que “A rua não é só a ferramenta, é o nosso campo de atuação..”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No intuito de se aproximar de uma caracterização das artes urbanas que norteie este verbete, exploraremos melhor estas pistas na próxima seção.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Artes urbanas&#039;&#039;&#039;&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As falas destacadas acima nos trazem várias características das artes artes urbanas: a importância dos corpos; o apreço pela questão estética e a qualidade da obra; as possibilidades de sua prática enquanto resistência; a diversidades das linguagens que a compõem: a música, as artes plásticas (como o grafite e a pichação), as representações teatrais (como os bate-bolas citados) - aos quais podemos somar a literatura, a dança, e o audiovisual; e, ainda, a rua, ou o espaço público como lugar predominante de sua manifestação. Aqui, não abordaremos todas essas dimensões, focaremos em duas delas (sem, contudo, deixar totalmente de lado, as demais): sua pluralidade e o espaço público como seu palco principal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A cidade está longe de ser um lugar que possa ser compreendido em sua totalidade. Seus habitantes cultivam estilos particulares de entretenimento, mantém vínculos de sociabilidade e relacionamento, criam modos e padrões culturais diferenciados. Marcada, então, pela sua diversidade e heterogeneidade, a cidade se encontra como lugar privilegiado para análise de uma multiplicidade de atividades e formas de participação. Dentre essas formas de participação, as expressões artísticas, em suas diversas dimensões – sonoras, visuais e performativas –, têm se mostrado um objeto relevante para se pensar essa urbe. Como veremos na realização dos festivais circulando.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A rua, cada vez mais, tem se tornado palco de diferentes tipos de manifestações artísticas e culturais. Em uma caminhada vespertina pelo centro da cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, é possível ver músicos de rua, artistas circenses, entre outros que, encontram nesses espaços, lócus para suas atividades. Afastando-se um pouco da região central carioca, nota-se que em diversos bairros das Zonas Norte, Sul e Oeste, as praças também têm sido logradouro de manifestações deste cunho. As Rodas Culturais e, mais especificamente, a Roda de Olaria é um importante exemplo disso.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Artes urbanas e periferia&amp;amp;nbsp;&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As relações entre cidade e favela, ou outras formas espaciais periféricas, podem ser pensadas, em suas diversas dimensões, sob a chave de uma dualidade: a importância dos corpos e energias de moradoras/es desses espaços são indispensáveis para o funcionamento da cidade como um todo; ao mesmo tempo em que há uma profunda necessidade de controle social destas populações, tendo em vista o tensionamento que sua circulação pelo espaço urbano causa. Sob este pano de fundo que devemos refletir sobre as artes urbanas produzidas e vivenciadas nas favelas.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O caráter indispensável de moradoras/es da periferia para o funcionamento da vida citadina foi ressaltado na realização da edição de 2017 do Circulando, com o lema: “o rolé das favelas produz cidade&amp;lt;ref&amp;gt;A cada ano, o Circulando tem um mote diferente e, em alguns deles, uma camisa com seu lema é vendida no evento. Em 2017 foi rolébilidade; em 2015, com o mote da memória, a camisa trazia o lema: “Meu nome é favela, minha história também”; e, em 2018, abordando a diversidade, o slogan foi “somos juntxs”. &amp;lt;/ref&amp;gt;” - em termos concretos e simbólicos. O mote daquele ano era mobilidade urbana, ou melhor, “rolébilidade” - entendida como a forma de mobilidade periférica, com todas suas dificuldades e estratégias, desde a debilidade do transporte público até às&amp;amp;nbsp; circulações internas à favelas, pelos seus becos&amp;lt;ref&amp;gt;Ver o verbete “mobilidades”, neste dicionário.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ref&amp;gt;; um circuito que tenta, com maior ou menor sucesso, controlar o rolé de faveladas/os na cidade, permitindo a circulação precária para o trabalho, mas restringindo-a com relação ao lazer. De todo modo, a “rolébilidade” também nos permite questionar se a arte periférica também não é fundamental para a vida urbana, cimentada pela força e criatividade favelada..&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O circulando deu o papo reto: as favelas contribuem, literalmente, para a construção das cidades, com sua mão de obra e suor, todavia, pouco conseguem gozar da urbanidade que ela proporciona, sobretudo em termos de direitos, inclusive os culturais. Estes são limitados de, ao menos, duas maneiras: invisibilizando e criminalizando suas manifestações artísticas ou negando-lhes contato com outras produções, mesmo as mais mainstream. Por exemplo, o afastamento do cinema ou de teatros.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com relação à criminalização da produção artística, é preciso ressaltar que as populações periféricas, em geral, também são construídas como “classes perigosas”. Um fenômeno histórico que remete ao processo de urbanização na Europa do século XIX, quando há uma intensa concentração demográfica nas cidades e, consequentemente, o desencadeamento de uma série de problemas ligados à vida nestes espaços. O que teria levado ao surgimento de uma “questão urbana” como objeto de reflexão das elites políticas e intelectuais. Neste processo, a miséria e o controle social de um contingente populacional tão grande se tornou um desafio quase intransponível. Uma das tentativas de solucioná-lo passou pela divisão das pessoas entre uma “classe operária respeitável”, que querem emprego, mas não o encontram e se comportam de modo disciplinado e moralmente aceito em sociedade; das massas empobrecidas, ou “classes perigosas”, incorrigíveis e incontroláveis, fonte de três perigos para as elites urbanas: o sanitário, o da criminalidade e da sublevação política (Topalov, 2015; Foucault, 2005).&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Este último risco talvez seja a preocupação mais efetiva dessas elites urbanas, ainda que nem tanto das classes médias, capturadas pelo discurso do medo e da segurança pública. A predominância de um discurso que ressalta, cotidiana e midiaticamente, os perigos de uma “violência urbana” acaba compondo um dispositivo que justifica ações de controle dos riscos reais da transformação política desencadeada pelas classes ditas “perigosas”. Como, por exemplo, na criminalização de práticas artísticas faveladas ao longo da história do Rio de Janeiro que tinha como alvo o samba, no início do século XX, e passa a ter como inimigo no fim deste século e início do XXI, o funk. Ambas formas culturais que descrevem e, em alguma medida, denunciam as condições de vida de seus compositores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas, essa criminalização não é um processo contra o qual não se poder resistir. A relação das elites urbanas com as populações periféricas é muito mais sutil e complexa, do que a de uma mera subordinação.&amp;amp;nbsp; E uma chave para entendermos isso é dada, novamente, por Christian Topalov (2015), historiador francês. Essa interação tomaria forma num jogo de apropriações e ressignificações de práticas realizado pelas elites urbanas e as populações mais pobres. Nas quais práticas populares de resistência são apreendidas por tais elites, que as reconfiguram de modo a esvaziá-las de seu teor político; ao mesmo tempo em que, ainda que em menor grau, práticas de controle social podem ser repensadas e reconstruídas de modo que possam também se tornar veículos de contestação social e políticas (Topalov, 2015).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Neste sentido, e voltando à questão do samba e do funk, vemos a complexidade de um dispositivo de controle social que é econômico e repressivo. Com o passar do tempo, esses ritmos foram depurados e aceitos em outros espaços da cidade. Assim, por exemplo, seguem as repressões às festas e eventos nas favelas, ao som de funk, principalmente, mas ainda do samba também, ao mesmo tempo em que essas músicas bombam em eventos caros das zonas mais abastadas da cidade, ou ao som do cantor Thiaguinho em sua “tardezinha” no estádio do Maracanã. Quer dizer, as práticas culturas periféricas são aceitas quando estão desassociadas de seus lugares de origem e entram em circuitos lucrativos da indústria cultural, mas seguem sendo marginalizadas quando são indóceis demais para serem controladas e entrarem no jogo econômico.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por outro lado, há ressignificações também em sentido contrário, produzindo resistências. Isso podemos ver em eventos como a Roda de Olaria e o Circulando, onde práticas culturais de elites não são negadas, pelo contrário, são apropriadas e recebem um sentido político novo, de contestação e reinvenção de significados. Deste modo, por exemplo, o Circulando conta em muitas de suas edições com apresentações teatrais, levadas a cabo, pelo grupo Teatro da Laje, coordenado pelo professor Veríssimo Júnior; ou através da poesia, cujos limites são totalmente ampliados e transformados, sem perder seu lirismo, na Roda de Olaria.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, tal como propomos aqui, pensar a relação entre as artes urbanas e a periferia é reconhecer que sua riqueza, diversidade e capacidade de ocupar o espaço público estão envolvidas numa complexa prática de criminalização que envolve uma seleção e depuração de práticas que podem atender a certos circuitos lucrativos (e que passam a ser legítimas e aceitas na sociedade) de outras que seguiram como ferramentas de controle social. Ao mesmo tempo em que, esse controle não é fácil e confortável, mas que é constantemente tensionado pela reinventidade (mote do Circulando de 2016) favelada e periférica, que produz ou ressignifica artes mais consagradas.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;&amp;amp;nbsp;A Roda de Olaria&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As rodas culturais também nos permitem perceber como a arte urbana e periférica, em suas múltiplas dimensões, é capaz de cimentar a vida na cidade ressignificando o espaço público. É possível contabilizar mais de cem rodas culturais que ocorrem diariamente, em diversos lugares da cidade, com a participação aberta a todo e qualquer artista e de forma gratuita (Alves, 2016). Em grande medida, elas se configuram como eventos independentes, sem aportes financeiros ou institucionais de prefeituras e secretarias de cultura, cuja finalidade é ocupar o espaço público para incentivar, valorizar e promover arte, cultura e entretenimento gratuito para os mais diversos habitantes citadinos.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;As Rodas Culturais são uma teia de artistas e trabalhadores independentes, como poetas, fotógrafos, Mcs, músicos, grafiteiros, artistas plásticos, artistas circenses, atores, profissionais do audiovisual, esportistas urbanos etc. Essa rede unifica, intensifica e expande a sustentabilidade da cultura de rua dos bairros cariocas&amp;lt;ref&amp;gt;Disponível em: &amp;lt;https://www.facebook.com/pg/circuitocariocaderitmoepoesia/about/?ref=page_internal&amp;gt;. Acesso em: 29/02/2020.&amp;lt;/ref&amp;gt;.&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi na 3ª edição do Vamos Desenrolar sobre Arte Urbana que Rico, MC e produtor cultural da Roda de Olaria&amp;lt;ref&amp;gt;A Roda de Olaria possuía até o ano de 2018 três produtores culturais: Laércio Soares Corrêa, Bruno Teixeira e Felippe Massal. Eles são conhecidos por seus amigos mais próximos como Rico, Bruno Xédom ou “Xerélos” e Massal. Rico é MC e lutador de Jiu-Jtsu, Bruno é tatuador e grafiteiro, e Felippe Massal faz graduação em Direito é responsável por fazer as filmagens das batalhas e fotografias do evento. &amp;lt;/ref&amp;gt; falou sobre a importância deste tipo de evento na construção dos espaços que geralmente são reconhecidos como vazios ou ausentes de políticas públicas culturais. Em contrapartida, o MC ressaltou uma série de dificuldades que a Roda de Olaria&amp;lt;ref&amp;gt;Bem como outras Rodas Culturais cariocas.&amp;lt;/ref&amp;gt; sempre enfrentou desde que começou a ocupar as Quadras Gêmeas em 2012.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo Rico, no início era apenas um encontro despretencioso de amigos MCs que, nas noites de quintas-feiras, levavam violões e cajóns para a praça, e se sentavam em roda para conversar e improvisar algumas rimas sob uma tenda branca. Com o passar do tempo o público foi ficando cada vez maior e as Quadras Gêmeas passaram a se tornar palco de um encontro protagonizado por pessoas de diferentes faixas etárias, moradores do bairro de Olaria e adjacências.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No entanto, Rico afirmou que a história da Roda de Olaria é de uma luta constante por conta de uma série de problemáticas que os produtores precisavam administrar: desde a falta de dinheiro para alugar os equipamentos, negociações para conseguir o Nada Opor&amp;lt;ref&amp;gt;Alvará de Autorização Transitória para eventos em geral: culturais, sociais, desportivos, religiosos e quaisquer outros que promovam concentrações de pessoas. No caso das rodas culturais, este alvará precisava ser emitido pelo Batalhão da Polícia Militar do bairro.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ref&amp;gt; às repressões policiais durante o evento. No encontro, o MC enfatizou: “a única forma que a gente tem de diálogo com o poder público é de forma ‘truculenta’, que é com a polícia. A polícia não entende quando você chega num espaço e quer ocupar para mudança; é revitalização do espaço a princípio de tudo. Tivemos essa truculência com a polícia, mas mesmo assim a gente continuou fazendo.”&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um dos primeiros impactos foi uma multa. Em uma das quintas-feiras do ano de 2015 enquanto Rico, Felippe, Bruno e outros amigos começavam a montar o som, chegou, nas palavras de Rico, “um cidadão” da IRLF (Inspetorias Regionais de Licenciamento e Fiscalização) e disse que não poderiam realizar o evento. Por conta de todo esse transtorno em relação à multa, a Roda ficou temporariamente parada, mas depois de um curto período de tempo, as atividades foram retomadas. No entanto, duas semanas depois, dois policiais militares do 16º Batalhão de Olaria interromperam o evento e exigiram a retirada das caixas de som e esvaziamento do local.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Semanalmente o alvará que permitiria o funcionamento da Roda precisava ser negociado e renegociado com o batalhão do bairro. Isto significou, durante todo o ano de 2016, que a Roda legalmente estava proibida de acontecer. Frente a isso, os produtores criaram um movimento que denominaram “Resistência Cultural”. No total, foram quatorze encontros de “resistência” com atividades diversas: desde campeonatos de basquete e skate a batalhas de rimas, exposições de telas e debates. Após o último encontro, a Roda de Olaria conseguiu novamente o alvará e retomou as atividades Porém, vale notar que, múltiplas formas de silenciamentos, repressões e denúncias continuaram a ocorrer.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim sendo, os produtores culturais da Roda de Olaria encontram, em meio às dificuldades de realizar a Roda, suas próprias formas de uso da praça; suas próprias maneiras de fazer (Certeau, 1994). É neste contexto que o trio de produtores vêm desde 2012 “resistindo” e fazendo da rua, nas palavras de Rico, seu “campo de atuação”.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No dia 9 de janeiro de 2018 houve a promulgação da Lei Estadual nº 7837 que declara Patrimônio Cultural Imaterial do estado do Rio de Janeiro a cultura hip-hop e todas as suas manifestações artísticas. Deste modo, as rodas culturais finalmente estariam dispensadas da prévia autorização da Polícia Militar. Ainda assim, é válido salientar que a dificuldade de manter o evento continua grande. Mesmo amparada pela lei, os produtores não possuem qualquer aporte financeiro ou institucional. Consequentemente, não conseguem arcar com todos os custos para sua realização. Hoje, as reuniões da Roda de Olaria ocorrem com pouquíssima frenquência.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Circulando&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Circulando -&amp;amp;nbsp; Diálogo e Comunicação na favela é um evento realizado pelo Instituto Raízes em Movimento desde 2007. Atualmente, ele tem uma regularidade anual, mas já foi realizado mais de uma vez por ano, quando necessário, até o ano de 2010. Ele, começa a ser gerido em 2006, em parceria com o Observatório de Favelas e a Escola Popular de Comunicação Crítica (ESPOCC), tendo sua primeira edição realizada no ano seguinte. Trata-se de um evento de artes, cultura e comunicação. A propósito, o nome do evento surge já nas primeiras reuniões de produção da primeira edição. E, em ata de 2006, assim ficou registrado a importância de comunicação e direito de expressão e manifestação de modo ativo.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;A importância e o direito de todos se expressarem, se manifestarem de forma ativa e por meios ativos, de ganharem visibilidade e partilharem idéias e visões diferentes de mundo. Ainda, a importância de se chamar a atenção para o potencial expressivo e “comunicador” de cada indivíduo e meios que, às vezes, muita gente não vê como meios de transmissão de mensagens. E a importância de se chamar a atenção para a forma estereotipada como os chamados meios de comunicação de massa retratam as comunidades populares e de se indicar, quando não viabilizar, possibilidades de abordagens diferenciadas sobre essas comunidades, por essas comunidades (INSTITUTO RAÍZES EM MOVIMENTO, 2017, p. 139).&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É importante começar destacando o aspecto de comunicação que caracteriza o evento. Trata-se de uma dimensão de dupla direção. Quer dizer, por um lado, o Circulando tem uma preocupação inicial de dialogar com as/os moradoras/es do Complexo do Alemão; inicialmente, trazendo informações e conteúdos produzidos por atores não locais e difundindo-os favela adentro, mas também, e sobretudo, nos anos mais recentes, têm sido uma maneira do Instituto Raízes em Movimento, apresentar sua produção anual para a localidade. Neste, sentido é (se) comunicar de modo crítico e dialogado com o local que dá sentido à existência da organização, e cuja relação de pertencimento muitas vezes é construída pela mídia tradicional, com seus sangrentos telejornais, entretenimentos baratos e programas evangélicos pentecostais. É nessa seara de luta e produção de narrativas, que o Circulando se insere primeiramente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por outro lado, é falar para fora também, tensionar as representações sobre o Complexo do Alemão, que produzem efeitos concretos muito nocivos para o bairro. Por exemplo, no ano de 2010, duas semanas após a megaoperação de ocupação militarizada do Complexo do Alemão, foi realizado uma edição “extra” do Circulando, montado com urgência, mas sem perder a eficiência, para refletir sobre tudo o que estava acontecendo. Para tanto, foi fundamental a ocupação do espaço público, para levar à cidade novos sentido sobre a vida no bairro, com suas dificuldades e diversidades. Uma ferramenta de comunicação de base, interna e externa, através da ocupação do espaço público local, produzindo afetos e solidariedade, este é, o primeiro objetivo do Circulando.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nisto temos o comum que se transmuta na multiplicidade, como diversidade, reconhecimento de uma nova configuração dos processos de organização de sujeitos democráticos capazes de expressar potência política (filosófica, estética), que atua de modo horizontal e, portanto, num espaço que lhe permita criar modos de vida, de sentir, ver, agir, ouvir de maneiras diferentes a partir das múltiplas experiências, inclusive do modo de ocupação do espaço – as ruas, becos e vielas, ligam-se e interligam-se, conectam-se e desconectam-se com aquilo que de mais potente tem do que nomeamos cidade: a vida. Compreendendo isso, o Circulando - Diálogo e comunicação na favela propõe alargar, circular, comunicar sob as mais diversas formas de expressão artísticas que compõem a favela. Isso implicar dizer que a favela além de produzir arte, ela produz vida como forma de existência.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aqui nos reconectamos com o objetivo central do verbete e podemos mesmo afirmar que, falar da produção das artes urbanas é falar da produção da vida na cidade. O que nos remete aos já citados, direitos culturais, como um bem social e o exercício da liberdade de expressão e pensamento. E aqui, sua dimensão principal é a diversidade dos gêneros artísticos que compõem o evento, ressignificando, como apresentado na seção dois deste texto: as formas hegemônicas de produção artística e cultural.&amp;amp;nbsp; São diversas linguagens que se apresentam no Circulando: grafite, poesia, cinema, teatro, música, fotografia e dança. Às quais se somam outras atividades, voltadas para brincadeira de criança, informativos para serviço públicos e outras organizações locais, e ações de cunho mais acadêmico, como lançamento de livros ou rodas de debates/conversa.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essa dimensão artística do Circulando também é uma via de mão dupla interna e externa ao Complexo do Alemão, na chave da arte e cultura como um direito. Por um lado, visa dar espaço e apresentar a produção local às/aos moradoras/es do bairro, mas também aos visitantes que vêm de outros lugares para participar do evento. Desta forma,são convidadas bandas - como o Bloco de samba da Grota - ou ainda cantoras/es, poetas, fotógrafas/os ou grafiteiras/os locais; ou abre-se espaço para o já citado Teatro da Laje ou ao bloco das águas, do bairro vizinho da Penha.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por outro lado, há convidados, “de fora”, que compartilham produções pouco acessíveis ao Complexo do Alemão, seja pela falta de apoio para garantir sua difusão em comparação às produções mais lucrativas, seja porque certas produções de organizações parceiras, dificilmente seriam conhecidas localmente, sem a mediação do Instituto Raízes em Movimento, através do Circulando. Podemos citar, a título de ilustração, as participações de fora até do estado do Rio de Janeiro, como a Orquestra Afrobeat Anjos e Querubins e de Juninho, Iracema, Lemuel diretamente da aldeia Tupinambá de Itapoã, em Ilhéus na Bahia.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Neste sentido, poderíamos também, definir o Circulando como um festival de artes urbanas, com diversas linguagens sendo apresentadas no espaço público periférico. Mantendo seus compromissos com a comunicação e produção de narrativas críticas sobre as favelas, voltado para dialogar com a cidade do Rio de Janeiro como um todo, mas também para dentro do espaço onde é realizado e o ponto de partida para toda sua formulação, o Complexo do Alemão.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Considerações finais.&amp;amp;nbsp;&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os exemplos da Roda de Olaria e do Circulando ilustram bem a ideia de falar em “artes urbanas” para tratar da produção cultural oriunda das populações faveladas, por conta de duas de suas características: a primeira é a diversidade de manifestações (por isso, o plural) e a fuga de um concepção de arte pensada a partir de um parâmetro estético mais estático, que considera apenas as formas mais hegemônicas e legitimadas, muitas vezes condensadas no que se costuma chamar de cultura erudita; a segunda, que diz mais respeito ao adjetivo “urbano”, aponta para o espaço por excelência de dessa produção cultural, que é o espaço público, da cidade.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp; &amp;amp;nbsp;Todavia, retomando as pistas oferecidas pelo debate promovido no encontro sobre “artes urbanas” do Vamos Desenrolar citado lá no começo do texto, vemos que também estão envolvidas as questões do corpo, da resistência e do apuro estético. Esse conjunto de elementos nos abre um mar de possibilidades de reflexão em torno do triângulo: arte, favelas e cidades.&amp;amp;nbsp; &amp;amp;nbsp; &#039;&#039;&#039;Referências bibliográficas&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
ALVES, Rôssi. Resistência e empoderamento na literatura urbana carioca. Estudos de literatura brasileira contemporânea, n. 49, p. 183-202, set./dez. 2016.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
CERTEAU, Michel de. A invenção do cotidiano: 1. artes de fazer. Petrópolis, RJ: Vozes, 1994.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
FOUCAULT, Michel.&amp;amp;nbsp; O Nascimento da Medicina Social. In.: FOUCAULT, Michel. Microfísica do Poder. 20ª edição. Rio de Janeiro, Graal, 2005, pp.79-98.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
INSTITUTO RAÍZES EM MOVIMENTO. Instituto Raízes em Movimento: um canto à experiência. In.: SANTOS JÚNIOR, Orlando Alves do; NOVAES, Patrícia Ramos; LACERDA, Larissa; WERNECK, Mariana (Orgs.). Caderno Didático “Políticas Públicas e Direito à Cidade: Programa Interdisciplinar de Formação de Agentes Sociais”, Observatório das Metrópoles, 2017, 135-142)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
OLIVEIRA, Priscila Telles de. Roda Cultural de Olaria: &amp;quot;resistência&amp;quot; e formas de atuação. 2018, 149f. Dissertação (Mestrado em Antropologia) ,Universidade Federal Fluminense (UFF). Niterói, 2018.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
TOPALOV, Christian. Da questão social aos problemas urbanos: os reformadores e a população das metrópoles em princípios do século XX. In.: RIBEIRO, Luiz Cesar Queiroz; PECHMAN, Robert Moses (Org.). Cidade, povo e nação: gênese do urbanismo moderno. Rio de Janeiro, Letra Capital, Observatório das Metrópoles, INCT, 2015, pp. 23 – 52. Disponível em: [http://web.observatoriodasmetropoles.net/images/abook_file/cidade_povo_nacao2ed.pdf http://web.observatoriodasmetropoles.net/images/abook_file/cidade_povo_nacao2ed.pdf].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Category:Arte Urbana]] [[Category:Grafite]] [[Category:Arte]] [[Category:Cultura]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Thiago Matiolli</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://homologacao2.wikifavelas.com.br/index.php?title=Complexo_do_Alem%C3%A3o_e_os_movimentos_coletivos_locais:_Para_al%C3%A9m_das_associa%C3%A7%C3%B5es_de_moradores&amp;diff=4337</id>
		<title>Complexo do Alemão e os movimentos coletivos locais: Para além das associações de moradores</title>
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		<updated>2020-03-01T23:00:23Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Thiago Matiolli: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:larger;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:black&amp;quot;&amp;gt;Por: Alan Brum Pinheiro e Ricardo De Moura&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;APRESENTAÇÃO&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size: larger; text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Para pensar em movimentos coletivos no Complexo do Alemão é necessário não perder de vista os movimentos populares que nasceram décadas atrás a partir de lutas por moradia, saúde, saneamento, educação etc. e que hoje já não existe mais. Embora não existam tiveram enorme importância para permanência de lutas que hoje ainda se travam no contexto do Complexo do Alemão – percebam que, guardada as devidas proporções, as lutas por saneamento básico, por exemplo, ainda são necessárias e urgentes, uma vez que o saneamento básico continua a ser um problema no contexto de políticas públicas para regiões de favelas e periferias.&amp;lt;/span&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:larger;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:black&amp;quot;&amp;gt;É possível que os primeiros moradores do Complexo do Alemão – agricultores da fazendo de Joaquim da Motta e Camarinha – tenham chegado lá pelo anos de 1920&amp;lt;ref&amp;gt;Sugiro a leitura do texto “A gramática da moradia no Complexo do Alemão: história, documentos e narrativas” de Rute Imanishi Rodrigues (IPEA, 2013). &amp;lt;/ref&amp;gt;. Pouco tempo depois outros moradores se instalaram num loteamento do polonês Leonard Kacsmarkiewcz que ficou conhecido como Alemão por conta da sua aparência. Estamos falando em quase um século&amp;lt;/span&amp;gt;de ocupação desse lugar, hoje conhecido como &amp;lt;span style=&amp;quot;color:black&amp;quot;&amp;gt;Complexo do Alemão, portanto, é perfeitamente compreensível que as lutas e os movimentos populares tenham, desde sempre se configurado nesse lugar, sobretudo por conta das desigualdades em relação aos demais espaços da cidade. Tais lutas se dão independentemente de qualquer instituição, inclusive de Associação de Moradores que tiveram um papel importante, é preciso ressaltar, até os anos de 1980.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:larger;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:black&amp;quot;&amp;gt;Nossa intenção é situar alguns movimentos recentes e oriundo de lutas antigas, como o Comitê de Desenvolvimento Local da Serra da Misericórdia (CDLSM)&amp;lt;/span&amp;gt;, o&amp;lt;span style=&amp;quot;color:black&amp;quot;&amp;gt;CONSA&amp;lt;ref&amp;gt;O CONSA - Conselho Comunitário de Saúde surge em 2000 a partir de Centros Espíritas, Igrejas Evangélicas, Igrejas Católicas, Associações de Moradores e outras organizações locais. sua Luta estava baseada numa concepção ampla de saúde preventiva para além dos aspectos biomédicos, além, também, de um espaço de educação, trabalho e lazer. “A proposta era de criar um sistema de saúde articulada com os movimentos sociais locais considerando inclusive práticas de economia solidária contribuindo na composição de redes comunitárias de comercialização”. Para saber mais sobre esse rico movimento sugiro a leitura do artigo sobre Saúde no Complexo do Alemão - DICIONÁRIO CARIOCA DE FAVELAS – Verbetes Complexo do Alemão, além da carta aberta do Conselho Comunitário de Saúde do Complexo do Alemão. CCS/CA: XXIX RA – CDS/AP 3.1 – Rio de Janeiro aos organismos nacionais e internacionais comprometidos com a política social de saúde pública e a população disponível em PDF, além claro, se houver interesse, uma pesquisa de campo mais ampla.&amp;lt;/ref&amp;gt; &amp;lt;/span&amp;gt;, o Pré-vestibular &#039;&#039;Ser Cidadão&amp;lt;ref&amp;gt;O Pré-Vestibular Comunitário Ser Cidadão nasceu em 1999 na Igreja Nossa Senhora de Guadalupe no loteamento, Complexo do Alemão. E início dos anos 2000 passou a ocupar um espaço na Associação de Moradores da Nova Brasília. O projeto funcionou de 1999 a 2014. Uma rede colaborativa na qual a maior parte dos professores era “prata da casa” e contribuía para inserção de jovens e adultos em universidades públicas do Rio de Janeiro. No ano de 2006 se inseriu no Movimento de Integração Social Éfeta. A instituição nasceu a partir da necessidade de reorganizar o pré-vestibular comunitário. Um número de colaboradores de diversas áreas e m muitos casos professores experimentados da rede pública de ensino. Tinha como característica promover a cidadania utilizando a educação e cultura como “caixas de ferramentas” para o desenvolvimento local de comunidades em desvantagem social, tendo como foco o protagonismo comunitário e o fortalecimento de redes locais e adjacentes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ref&amp;gt; &#039;&#039;&amp;amp;nbsp;e o Instituto Raízes em Movimento&amp;lt;ref&amp;gt;Dos quase 18 anos de existência o Instituto Raízes em Movimento é uma das ONG’s com maior capilaridade local, além de seu trabalho de base e de suas inúmeras intervenções nos campos: cultural, social, educacional, direitos humanos e de comunicação, o Raízes em Movimento se coloca como vetor de transformação social da maior importância para a localidade. No ano de 2008 recebeu do Grupo Tortura Nunca Mais a medalha de Resistência Chico Mendes por conta da sua atuação frente ao frente às atrocidades cometidas pelo estado e pela mídia no PAN em 2007. “O episódio ocorrido no dia 27 de junho de 2007 em pleno jogos Pan-Americanos Evento ocorrido entre os dias 13 e 29 de julho no Rio de Janeiro no qual aproximadamente 1350 policiais invadiram o Complexo do Alemão com a finalidade, segundo a imprensa dita de referência, de prender o traficante Elias maluco (que foi morto juntamente com mais sete pessoas) e manter a “paz”, “acabou” em mais uma chacina. Esta “nova” operação policial no Complexo do Alemão teve como resultado aproximadamente quarenta mortos, segundo moradores, contrariando a imprensa dita de referência que no dia posterior ao massacre publicara nas páginas dos jornais, revistas etc. dezenove mortes” MOURA (2010). Conferir também https://fazendomedia.org/diaadia/protoblog18.htm acesso em 16/01/2020 e o verbete Instituto Raízes em Movimento neste dicionário.   &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ref&amp;gt;&amp;amp;nbsp;os quais, assim como o Verdejar, tiveram e têm enorme importância no contexto da continuidade das lutas, bem como outros muitos atores sociais, ONG’s. O Verdejar, por exemplo, no que tange às questões ambientais da Serra da Misericórdia, inclui-se toda a parte ocupada no Complexo do Alemão que em 1999 foi parte fundamental para realização do 1º Seminário Ecológico da Serra da Misericórdia - organizado pelo movimento ambiental local e com a participação de diversos grupos da região no entorno da serra. A partir daí surgiu o &#039;&#039;&#039;&#039;&#039;Fórum da Serra da Misericórdia&#039;&#039;&#039;&#039;&#039; que teve como resultado a criação da APARU (Área de Proteção Ambiental e Recuperação Urbana) da Serra da Misericórdia, expedida pelo decreto nº. 19.144 de novembro de 2000.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:larger;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:black&amp;quot;&amp;gt;O CDLSM teve seu ápice em 2010 por ocasião das duas políticas públicas mais badaladas PAC E UPP. E como desdobramento os movimentos Pensa Alemão e, posteriormente, Juntos Pelo CPX, ambos os movimentos reuniam diversas ONG’s e atores sociais (moradores, trabalhadores de equipamentos públicos que se interessavam pela causa, comerciantes dentre outros).&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:larger;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:black&amp;quot;&amp;gt;É importante ressaltar que no ano de 2010 o IBGE realizou um censo que indicava a presença de aproximadamente 60 organizações da sociedade civil. Talvez, esse número foi pelo fato das badalações das duas políticas públicas indicadas acima. Porém, não podemos cair na cilada de esquecer os trabalhos desenvolvidos em diversos campos por muitos atores sociais, inclusive não institucionalizados, e ONG’s que resistem ao tempo e os dias de chumbo desde sempre, digo, aqueles e aquelas que fazem um trabalho quase invisível, isto é, o trabalho de base.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:larger;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:black&amp;quot;&amp;gt;Por uma questão de tempo e de espaço a conversa aqui desenvolvida pretende encampar alguns desses movimentos sociais, especialmente os do século XXI, mais especificamente os do final da primeira década em diante. Certamente esse recorte é meramente temporal e não pretende dar conta da multiplicidade dos movimentos populares que surgiram e surgem em decorrência da necessidade das lutas cotidianas e&amp;lt;/span&amp;gt;d&amp;lt;span style=&amp;quot;color:black&amp;quot;&amp;gt;os desejos, não apenas de mudança, mas de visibilidade.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-bottom:.0001pt; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-bottom:.0001pt; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:larger;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;COMITÊ DE DESENVOLVIMENTO LOCAL DA SERRA DA MISERICÓRDIA – CDLSM&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-bottom:.0001pt; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-bottom:.0001pt; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:larger;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;O CDLSM&amp;lt;span style=&amp;quot;background:white&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:#222222&amp;quot;&amp;gt;teve seu ápice em 2010, mas desde 2006 quando foi formado havia retomado as articulações locais. Formado por instituições sociais e cidadãos do Complexo do Alemão, O CDLSM consiste em propor um canal direto com as esferas governamentais (municipal, estadual e federal) para as discussões de políticas públicas a serem implementadas no Complexo do Alemão e entorno, além de promover construção coletiva de ações sociais e intercâmbio entre os seus participantes. Como uma das principais intervenções o CDLSM preparou em 30 de novembro de 2010 uma&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:black&amp;quot;&amp;gt;AGENDA SÓCIO-AMBIENTAL PARA O TERRITÓRIO DA SERRA DA MISERICÓRDIA E OS COMPLEXOS DE COMUNIDADES DO ALEMÃO, DA VILA CRUZEIRO E DA PENHA, &amp;lt;/span&amp;gt;a fim de aproveitar o momento para mostrar o que já se fazia há mais de 20 anos no campo social, cultural, ambiental, educacional etc., numa tentativa de cobrar uma gestão compartilhada, diversificada e transparente das ações do estado no território. Uma das intenções era reiterar uma questão: a diversidade dos atores sociais que lutam a muitos anos por melhoria de vida na região e que não estão ligados a nenhum partido político (de fato é um coletivo com outros interesses para além da política representativa). Para efeitos de situar historicamente a luta dos movimentos sociais e de enfatizar um dos caminhos e ações do CDLSM transcrevo parcialmente a nota Pública.&amp;lt;ref&amp;gt;COMITÊ DE DESENVOLVIMENTO LOCAL DA SERRA DA MISERICÓRDIA. Participação no PAC das favelas. Disponível em: http://comitedaserra.blogspot.com/2010/11/ Acesso em: 30 de dez. 2019.&amp;lt;/ref&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-bottom:.0001pt; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-bottom:.0001pt; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:larger;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&#039;&#039;&#039;Nota pública de instituições comunitárias atuantes no bairro do Complexo do Alemão&#039;&#039;&#039;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:larger;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&#039;&#039;&#039;Para além da ocupação militar: por uma agenda socioambiental para o território da Serra da Misericórdia e os complexos de comunidades do Alemão, da Vila Cruzeiro e da Penha&#039;&#039;&#039;&amp;lt;br/&amp;gt; Diante dos acontecimentos recentes na Vila Cruzeiro e no Conjunto de Favelas do Alemão - formado por 14 Comunidade e com população estimada em 400 mil pessoas -, que culminaram na ocupação desta área por forças policiais do estado e das Forças Armadas, as Organizações da Sociedade Civil abaixo assinadas, algumas com atuação há mais de 10 anos nesta região, vêm a público propor e Requerer dos governos nas esferas Federal, Estadual e Municipal um &#039;&#039;&#039;compromisso efetivo&#039;&#039;&#039;. São necessários investimentos para tirar do papel um conjunto de propostas e projetos de caráter socioambiental, cultural e nas áreas de educação, saúde, mobilidade urbana, saúde ambiental, esportes, assistência social e segurança pública. Lembrando que muitas destas propostas já foram objetos de projetos não concretizados ao longo dos anos, esperamos que a partir de agora possam ser implantadas em benefício da população e da proteção desse território que historicamente foi abandonado pelos sucessivos governos e com isso ficou marcado por décadas pelo seu crônico esvaziamento econômico, pela violência, inclusive a armada, degradação urbana e como área de sacrifício ambiental.&amp;amp;nbsp;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:larger;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;Somos o &#039;&#039;&#039;Comitê de Desenvolvimento Local da Serra da Misericórdia&#039;&#039;&#039;, fruto de uma aliança entre diversas organizações locais já mobilizadas em torno da defesa da Serra da Misericórdia, movimento social que conquistou nos anos 90 seu reconhecimento legal como uma Unidade de Conservação da Natureza reconhecida pelo Decreto Municipal Nº 19.144 de 16 de novembro de 2000 - Área de Proteção Ambiental e de Recuperação Urbana – APARU da Serra da Misericórdia. Trata-se, portanto, de um coletivo que agrega, além das instituições do Comitê, moradores das favelas ocupadas militarmente, entidades comunitárias locais bem como ativistas e pesquisadores, todos com longa atuação nesta região e vivência nessas comunidades.&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:larger;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&#039;&#039;&#039;Nosso Objetivo é aprofundar o debate com a sociedade, o poder público e a mídia para além da ocupação militar.&#039;&#039;&#039;&amp;amp;nbsp; Para isso, queremos, através de uma &#039;&#039;&#039;AGENDA SÓCIO-AMBIENTAL PARA O TERRITÓRIO DA SERRA DA MISERICÓRDIA E OS COMPLEXOS DE COMUNIDADES DO ALEMÃO, DA VILA CRUZEIRO E DA PENHA&#039;&#039;&#039;, apresentar ideias, sugestões, projetos e propostas objetivas e viáveis que possam colaborar com o desenvolvimento humano e a melhoria das condições socioeconômicas e sanitárias desta região e dos moradores. &#039;&#039;&#039;Assim, destacamos como prioridades:&#039;&#039;&#039;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:larger;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;1.&amp;amp;nbsp; &amp;amp;nbsp; [...] Resumir a política de segurança pública a esta ocupação militar ou mesmo creditar às ações dos últimos dias uma triunfal “derrubada do tráfico” - o midiático dia “D” - apenas contribui para a criminalização das áreas de favelas e esvaziamento do debate. Essa interpretação pode gerar uma superficial e limitada cortina de fumaça sobre as causas reais que levaram a esta grave situação assim como camuflar as razões históricas que levaram ao abandono deste território e de sua população que vive há décadas em precárias condições de vida, e sem acesso a direitos elementares. Consideramos que para além das manchetes sensacionalistas que buscam induzir a sociedade e, principalmente, os moradores que vivem nas favelas cariocas a crerem que com a ação militar do Alemão o problema estaria superado e que nossa cidade estaria livre do crime de maneira definitiva, é preciso fazer uma análise profunda para comprovar que isto não se sustenta. [...] Além disso, a cobertura da grande mídia e as ações governamentais que se seguirão devem ter o cuidado de não reforçar estereótipos históricos e preconceitos sociais associados às favelas, já que os moradores dessas áreas são sempre os mais atingidos pela violência. No momento em que o estado se mostra disposto a enfrentar esta realidade é preciso todo esforço para que não se repitam condições históricas que acabam por reforçá-la. Por isso, são inaceitáveis e não podem ser visto como “mal menor”, certos acontecimentos aos quais estão sujeitos hoje os moradores do Conjunto de Favelas do Alemão, entre os quais destacamos a falta de energia elétrica; o fechamento das escolas; a entrada violenta por parte das forças policiais nas residências; o furto de objetos nestas residências. Esses fatos devem ser profundamente combatidos, prestando contas à sociedade [...].&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:larger;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;2.&amp;amp;nbsp; &amp;amp;nbsp; Esta ação aponta para uma profunda transformação no cotidiano das favelas do Alemão, por isso, esse coletivo avalia ser necessário aliar uma ampla diversidade de atores sociais para que ela possa se consolidar. A atuação conjunta entre as várias forças estatais (tanto no campo da segurança quanto no campo social), somada à participação dos moradores e das organizações locais que há anos lutam pela melhoria das condições de vida da região podem fortalecer este processo, dando-lhe transparência e legitimidade. Esta é precisamente a razão pela qual as instituições que assinam esta nota buscam agregar outros atores locais e estabelecer um diálogo amplo e duradouro com o poder público.&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:larger;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;Para isso, propomos a construção coletiva de uma &#039;&#039;&#039;Agenda Propositiva para o Conjunto de Favelas do Alemão&#039;&#039;&#039;. As instituições que já se envolveram neste debate têm buscado contribuir nos campos nos quais já acumulam ampla experiência, principalmente com propostas de projetos nas áreas da cultura, meio-ambiente, educação e esporte. Destaca-se a longa vivência destas instituições nas diversas comunidades do Complexo do Alemão, onde há anos desenvolvem projetos socioambientais, educativos e culturais em geral sem qualquer apoio dos governos ou da iniciativa privada. Da mesma forma, é necessária e deve ser urgente, por parte do poder público, a abertura de canais para o diálogo com as entidades comunitárias locais, bem como de participação no processo que envolve a Agenda.&#039;&#039;&amp;lt;br/&amp;gt; &amp;amp;nbsp;&amp;lt;br/&amp;gt; O encontro de articulação do Comitê de Desenvolvimento Local da Serra da Misericórdia, junto às instituições da sociedade civil, para promover o diálogo com o Poder Público apresentando a proposta de uma agenda propositiva, foi realizado no dia 02 de dezembro às 15h na antiga sede do Instituto Raízes em Movimento, Rua Diogo de Brito, 245 – Ramos).&amp;lt;/span&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:larger;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;amp;nbsp;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:larger;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;background:white&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:normal&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&#039;PENSA ALEMÃO&#039;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;margin-bottom:.0001pt; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:larger;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;amp;nbsp;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:larger;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;O PENSA ALEMÃO surgiu a partir da iniciativa do Instituto Raízes em Movimento com objetivo de monitorar as políticas públicas desenhadas para o Complexo do Alemão e num contexto de abandono das obras do PAC. Esse abandono acarretou diversos problemas nos locais onde as obras ficaram inacabadas, como é o caso drástico, a título de exemplo, do Capão local entre Nova Brasília e Alvorada. Muitas casas destruídas, entulho, ratos e lixo&amp;lt;ref&amp;gt;Conferir Jornal Fala Favela - Matéria principal: O legado das obras do Programa de Aceleração do Crescimento. Os impactos do PAC na saúde do morador do Complexo do Alemão - edição de maio de 2013 - Acervo Instituto Raízes em Movimento. &amp;lt;/ref&amp;gt;. As reuniões do PENSA ALEMÃO aconteciam na sede do Raízes em Movimento, sempre aberta para essas propostas. Além das discussões com vários atores locais sobre os problemas deixados pelo PAC, o coletivo pensava em ações concretas, como foi o caso da campanha realizada, a fim de implantar mais pontos &amp;lt;span style=&amp;quot;background:white&amp;quot;&amp;gt;de coletas de lixo na Avenida Central, Morro do Alemão e que estas fossem mais regulares.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:larger;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;Em outra ocasião o coletivo PENSA ALEMÃO em uma de suas reuniões no primeiro semestre de 2013 teve como objetivo ouvir os problemas de pessoas que estão com casas em risco de desabamento e que já estão interditadas, mas continuam morando no local. A pedido do coletivo o Raízes em Movimento fez uma denúncia para a Comissão de Direitos Humanos da Alerj &amp;lt;ref&amp;gt;O Raízes em Movimento tem uma capilaridade interna e externa muito relevante. Nesse sentido acionou a rede que dispões, inclusive a então assessora do parlamentar Marcelo Freixo, Marielle Franco, brutalmente assassinada em 2017 quando exercia seu mandato de deputada estadual. O Raízes em Movimento tem uma capilaridade interna e externa muito relevante. Nesse sentido acionou a rede que dispões, inclusive a então assessora do parlamentar Marcelo Freixo, Marielle Franco, brutalmente assassinada em 2017 quando exercia seu mandato de deputada estadual. Na ocasião dois documentos foram importantes, um deles um relatório sobre as violações do PAC no Complexo do Alemão com considerações em do PENSA ALEMÃO e outros atores sociais destinado à ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO aos cuidados do Sr. Jonas Lopes Carvalho Jr. Presidente do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro. O documento contém denúncia às associações de moradores e as bigs ONG’s. Por motivos de prudência a assinatura do documento foi conjunta para não reduzir as fragilidades e como forma de segurança. O outro documento foi 10 Relatório. Convênio IPEA/CAIXA número 20/2009, de 30/2009/2010. RELATÓRIO FINAL. Intervenção Sócio-Urbanística do Complexo do Alemão. Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), ambos documentos disponíveis no acervo do Raízes em Movimento. &amp;lt;/ref&amp;gt;, oficializando o problema perante o poder público. Por e-mail a Comissão solicitou que fossem enviados documentos e fotos para que cientes de todas as informações relatadas, pudessem anexá-las como parte da audiência pública que veio acontecer numa Quinta-Feira, 15 de agosto de 2013.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:larger;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;Um morador chamado Flávio propôs a reunião &amp;lt;ref&amp;gt;ATA. Reunião PENSA ALEMÃO. Dia 14/08, início 10h. Demanda: Casas condenadas sem encaminhamento de solução junto ao poder público. Acervo Raízes em Movimento.&amp;lt;/ref&amp;gt;&#039;&#039;&#039;,&#039;&#039;&#039; que deu origem a audiência pública acima mencionada para que fosse um somatório de forças: “&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;O objetivo é buscar uma solução, estamos correndo atrás e a partir dessa reunião esperamos nos fortalecer. Todas as pessoas aqui presentes estão sofrendo prejuízos devido às obras inacabadas do PAC&#039;&#039;’, reforçou. O morador afirmou ainda que sua mãe teve que sair da casa onde moravam, já que estavam recebendo aluguel social, uma contradição, pois ele disse que não tinha acesso ao benefício. Segundo flávio o secretário da SMH (Secretaria Municipal de Habitação) só procura a Associação de Moradores e que a SMH deveria procurar diretamente os moradores, já que são eles os afetados diretamente pelo problema.&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:larger;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;De modo geral, as denúncias feitas pelos moradores nessas reuniões tinham diretamente um alvo, O PAC, uma vez que vários problemas decorrentes das obras impactaram e impactam diretamente a vida dos moradores em vários níveis, inclusive socioambientais. Houve um esforço em relação a reunião com a ALERJ no intuito de ter nas áreas com UPP’s um defensor público de maneira regular para receber as denúncias dos moradores. Mas os esforços do coletivo esbarrava não apenas na burocracia do estado, mas na relação de poder e a disparidade desse poder quando se refere às classes menos favorecidas.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:larger;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;amp;nbsp;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-bottom:.0001pt; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:larger;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;JUNTOS PELO COMPLEXO DO ALEMÃO&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-bottom:.0001pt; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:larger;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;amp;nbsp;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-top:12.0pt; margin-right:0cm; margin-bottom:12.0pt; margin-left:0cm; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:larger;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:90%&amp;quot;&amp;gt;Nem toda a lei é justa,&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-top:12.0pt; margin-right:6.0pt; margin-bottom:12.0pt; margin-left:0cm; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:larger;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;A minha justiça eu faço acontecer&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-top:12.0pt; margin-right:6.0pt; margin-bottom:12.0pt; margin-left:0cm; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:larger;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;Nem tudo que se vê, se enxerga&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-top:12.0pt; margin-right:6.0pt; margin-bottom:12.0pt; margin-left:0cm; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:larger;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;Nem toda noite, tem amanhecer&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-top:12.0pt; margin-right:6.0pt; margin-bottom:12.0pt; margin-left:0cm; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:larger;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;A tua justiça é cega&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-top:0cm; margin-right:6.0pt; margin-bottom:.0001pt; margin-left:0cm; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:larger;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:108%&amp;quot;&amp;gt;Não vou botar minha cara para bater…&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-top:0cm; margin-right:6.0pt; margin-bottom:.0001pt; margin-left:0cm; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:larger;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;amp;nbsp;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-top:0cm; margin-right:6.0pt; margin-bottom:.0001pt; margin-left:0cm; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:larger;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:108%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:108%&amp;quot;&amp;gt;(A Grande Mentira, Eddu Grau, músico, ex-morador do Complexo do Alemão e responsável pelo Barraco 55)&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-bottom:.0001pt; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:larger;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;amp;nbsp;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-top:10.25pt; margin-right:.3pt; margin-bottom:.0001pt; margin-left:0cm; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:larger;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;Juntos Pelo Complexo do Alemão &amp;lt;ref&amp;gt;Sugiro a leitura do artigo: Vou te exigir o meu lugar, se não me der, eu vou tomar: o desastre do temporal no Alemão e o movimento JUNTOS PELO COMPLEXO DO ALEMÃO de Rafael Calazans, Marize Bastos da Cunha e Alan Brum Pinheiro publicado na revista eletrônica Libertas - UFJF em 2016. O artigo analisa o coletivo Juntos Pelo Complexo do Alemão a partir do seu nascedouro quando um temporal em dezembro de 2013 causou desabamento de casas no Complexo do Alemão. Conferir também verbete Coletivo Juntos pelo Complexo do Alemão: vou te exigir o meu lugar Dicionário de Favelas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ref&amp;gt;. No dia 11 de dezembro de 2013, moradores do Complexo do Alemão foram surpreendidos, de madrugada, com intensa chuva. O Rio de Janeiro ficou em estado de calamidade e famílias daqui do Complexo do Alemão ficaram sem suas moradias. Rapidamente houve grande mobilização de instituições e atores sociais, a fim de tentar minimizar os impactos da tragédia, já que muitas casas desabaram e outras estavam por desabar. Um grupo mobilizou pessoas e instituições para dar suporte às famílias desabrigadas, uma vez que a Defesa Civil não conseguia a contento atender os chamados para aquela região.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;ref&amp;gt;O Complexo do Alemão recebeu, numa quinta-feira, dia 12 de Dezembro de 2013, um dia após os desastres ocasionados pelas fortes chuvas do dia 11, visita da Relatora da ONU para os Direitos Humanos sobre a água e o saneamento, Catarina de Albuquerque. Ela caminhou pela comunidade acompanhada por ativistas de várias instituições locais e moradores e parou para ouvir os moradores sobre os problemas da falta de água e de saneamento, não solucionados pelas ações do poder público históricas na área, e ver os estragos causados pela chuva do dia anterior. Conferir Relatora da ONU para Direitos Humanos sobre a água e saneamento. Visita à comunidades do Complexo do Alemão, dezembro de 2013.&amp;lt;/ref&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-top:10.25pt; margin-right:.3pt; margin-bottom:.0001pt; margin-left:0cm; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:larger;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;O Juntos Pelo Complexo do Alemão surge nesse contexto. Moradores, ONG’s, atores sociais diversos e outras instituições negociavam com a Vila Olímpica Carlos Castilho a realocação de famílias que perderam suas casas, organizavam a chegada e a distribuição de donativos e dialogavam com órgãos públicos para o cumprimento do direito básico nessas condições. &amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-top:12.0pt; margin-right:0cm; margin-bottom:12.0pt; margin-left:0cm; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:larger;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;Em 2015 uma campanha por uma Universidade pública na região com uma unidade do IFRJ se coloca como centralidade, uma vez que a necessidade de uma Universidade que atendesse os Complexos do Alemão e da Penha, além dos bairros adjacentes poderia colaborar significativamente, por exemplo, para saída de bairro da ocupação de menor IDH do Rio de Janeiro. Mas as manobras políticas e a impossibilidade de articulação das esferas nos três níveis impediu que o processo avançasse, inclusive o então o prefeito Eduardo Paes que havia cedido o terreno para CPP (Coordenadoria Geral da Polícia Pacificadora) dificultou no que podia a negociação de realocação da CPP para outro espaço, já que aquele terreno aos olhos do Coletivo Juntos Pelo Complexo Alemão era ideal implementação do polo do IFRJ. A demanda de encontrar um terreno, tecnicamente viável, foi jogado para o Coletivo. Embora algumas visitas à outros terrenos em conjunto com a direção IFRJ tivessem sido realizadas, ainda sim o terreno da prefeitura cedido à CPP era um dos que mais poderia tornar viável um polo da universidade no Complexo do Alemão. Em 2016 e 2017 a luta se deu por moradia das famílias removidas e contra os abusos das forças policiais que ocuparam casas e lajes de moradores.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-top:10.25pt; margin-right:.3pt; margin-bottom:.0001pt; margin-left:0cm; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:larger;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;amp;nbsp;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-top:10.25pt; margin-right:.3pt; margin-bottom:.0001pt; margin-left:0cm; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:larger;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;PALAVRAS FINAIS&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-top:10.25pt; margin-right:.3pt; margin-bottom:.0001pt; margin-left:0cm; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:larger;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;A ideia geral desse texto foi trazer de modo sucinto e localizado intervenções e lutas dos coletivos CDLSM, PENSA ALEMÃO e JUNTOS PELO COMPLEXO, sabendo que elas não estão apartadas das lutas históricas travadas por moradores desde os anos de 1920 nas primeiras ocupações de terras no Complexo do Alemão. Certamente cada qual tem características próprias e motivações suas motivações são diversas, embora as lutas por políticas públicas estruturantes sejam o elo dos coletivos supracitados.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-top:10.25pt; margin-right:.3pt; margin-bottom:.0001pt; margin-left:0cm; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:larger;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;O CDLSM exerceu um papel fundamental, especialmente quando o Complexo do Alemão passou a ser alvo de um espetáculo midiático decorrente do anúncio das obras do PAC e da implementação da UPP’s, uma vez que fomentou e reabriu canais de discussão sobre políticas públicas e preparou no, final 2010, uma&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;Agenda Propositiva Sócio-Ambiental dos Movimentos Sociais do Complexo do Alemão,&#039;&#039;a fim de aproveitar o momento – logo após a ocupação militar que deu origem às UPP’s – para mostrar o que já se e se faz desde sempre nos no campo social, cultural, ambiental, educacional, de forma independente e autônoma.&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-top:10.25pt; margin-right:.3pt; margin-bottom:.0001pt; margin-left:0cm; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:larger;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;O PENSA ALEMÃO com ações mais episódicas e, talvez mais institucionalizadas, mas também importantes, aproveitou o momento das obras do PAC (inacabadas) para exercer a cidadania, continuar a luta por direitos e fomentar campanhas pedagógicas como “Eu amo, eu cuido”, uma campanha que tinha por objetivo o ordenamento do lixo na Avenida Central Morro do Alemão.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-top:10.25pt; margin-right:.3pt; margin-bottom:.0001pt; margin-left:0cm; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:larger;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;O JUNTOS PELO COMPLEXO as mobilizações eram voluntárias e aconteciam quando qualquer integrante ou instituição pertencente ao coletivo entendesse que era necessário mobilizar por esta ou aquela causa. A luta por uma universidade - IFRJ - sem dúvida, foi um marco importante.&amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-top:10.25pt; margin-right:.3pt; margin-bottom:.0001pt; margin-left:0cm; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:larger;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;O histórico de ausências de políticas públicas no Conjunto de Favelas do Alemão e as constantes investidas na disseminação de uma cultura do medo, bem como o relevo dado na mídia apenas à criminalização desses espaços revelam ou pelo menos indicam para um elemento importante: o medo enquanto justificador de políticas autoritárias. Não é de se espantar que o Alemão passou a ser local estratégico para o desenvolvimento de ações – seja por parte do estado, seja por parte do setor privado e ainda de algumas instituições locais (ONG’s, Associações de Moradores etc.) – que pretendem mais aparecer como produto do que de fato fomentar construir políticas públicas estruturantes. Digo que pretendem mais aparecer, pois boa parte das ações é realizada como festejo publicitário, exibicionista, espetáculo, por exemplo,&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;Ação Global de Cidadania&#039;&#039;promovida de Organizações Globo (presença marcante de muitos artistas globais) que tem o apoio inconteste do estado, do setor privado e do terceiro setor (alguns segmentos). Cortam-se cabelos, tira-se identidade, capacitam-se pessoas em duas horas de curso etc. Essas e muitas outras ações tiveram seu apogeu exatamente entre nos anos das implementações das políticas PAC e UPP, em “todo” Conjunto do Alemão, na verdade em locais de fácil acesso que dêem visibilidade a tais “projetos”. É a tal da responsabilidade social.&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-top:10.25pt; margin-right:.3pt; margin-bottom:.0001pt; margin-left:0cm; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:larger;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;Não é de se admirar que tragédias (há os que vivem de tragédias), como as dezembro de 2013 e outras muitas são, em muitas ocasiões, perversamente publicizadas, inclusive por atores sociais de “dentro” - as mobilizações decorrentes das fortes chuvas de dezembro 2013 quando nasceu o coletivo JUNTOS PELO COMPLEXO não foge a regra. O interesse e a sedução por visibilidade suplanta a ideia de luta de base. E alguns coletivos e instituições locais acreditam no espetáculo como modelo de vida, mas do que isso, o interesse está em se promover, ocupar espaços midiáticos fazendo publicidade de si mesmo, alimentando um personagem que via de regra vai ser o “representante” da favela.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-top:10.25pt; margin-right:.3pt; margin-bottom:.0001pt; margin-left:0cm; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:larger;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;Se considerarmos essas reflexões podemos de fato contribuir para construção de políticas públicas mais horizontais, menos partidarizadas, mais coletivas (sem abandono da subjetividade de cada um), mais descentradas e, portanto, mais eficazes. De fato um trabalho de base.É preciso um novo&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;nomos&#039;&#039;capaz de reconfigurar o cenário da política atual, uma cartografia do desejo para situar e continuar a produzir debates e intervenções sobre políticas públicas relacionadas às favelas e periferias. E que os coletivos, “objeto” dessa reflexão, tiveram grande importância nesse contexto. As políticas públicas são pensadas majoritariamente do ponto de vista de gestão da vida – a biopolítica – , assim está fadada a repetir “políticas públicas” do discurso, da retórica e do simulacro. Portanto, eis um enorme desafio para os movimentos sociais e outros coletivos: enxergar as contradições das lutas e os interesses diversos, manter o desejo de transformação da realidade e aspirar um Complexo do Alemão menos negociável. Talvez, assim, o trabalho de base se fortifique.&amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;border:none; margin-top:8.3pt; margin-right:0cm; margin-bottom:.0001pt; margin-left:0cm; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:larger;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;amp;nbsp;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;border:none; margin-top:8.3pt; margin-right:0cm; margin-bottom:.0001pt; margin-left:0cm; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:larger;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;R&amp;lt;span style=&amp;quot;color:black&amp;quot;&amp;gt;EFERÊNCIAS&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-bottom:.0001pt; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:larger;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:normal&amp;quot;&amp;gt;ATA reunião PENSA ALEMÃO. Dia 14/08/2013. Demanda: Casas condenadas sem encaminhamento de solução junto ao poder público. Acervo Raízes em Movimento.&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-bottom:.0001pt; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:larger;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:normal&amp;quot;&amp;gt;CABRAL, Lúcia oliveira e NASCIMENTO, Mariza.&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;Saúde no Complexo do Alemão&#039;&#039;- DICIONÁRIO CARIOCA DE FAVELAS – Verbetes Complexo do Alemão.&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-bottom:.0001pt; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:larger;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:normal&amp;quot;&amp;gt;CALAZANS, Rapahel, CUNHA, Marize Bastos da, PINHEIRO, Alan Brum&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;. Vou te exigir o meu lugar, se não me der, eu vou tomar: o desastre do temporal no Alemão e o movimento JUNTOS PELO COMPLEXO DO ALEMÃO. &#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;background:white&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:#222222&amp;quot;&amp;gt;Revista eletrônica Libertas - UFJF, 2016&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;.&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-top:10.25pt; margin-right:.3pt; margin-bottom:.0001pt; margin-left:0cm; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:larger;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:normal&amp;quot;&amp;gt;CARTA ABERTA do Conselho Comunitário de Saúde do Complexo do Alemão. CCS/CA: XXIX RA – CDS/AP 3.1 – Rio de Janeiro aos organismos nacionais e internacionais comprometidos com a política social de saúde pública e a população (2018), disponível em PDF.&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;border:none; margin-top:12.0pt; margin-right:0cm; margin-bottom:.0001pt; margin-left:0cm; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:larger;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:black&amp;quot;&amp;gt;CARTA DA SERRA DA MISERICÓRDIA. Rio de Janeiro, 2001.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;border:none; margin-top:12.0pt; margin-right:0cm; margin-bottom:.0001pt; margin-left:0cm; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:larger;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:black&amp;quot;&amp;gt;COMITÊ DE DESENVOLVIMENTO LOCAL DA SERRA DA MISERICÓRDIA. Participação no pac das favelas. Disponível em: &amp;lt;[http://comitedaserra.blogspot.com.br/2009/10/o-comite-e-sua-participacao-no-pac.html http://comitedaserra.blogspot.com.br/2009/10/o-comite-e-sua-participacao-no-pac.html]&amp;gt;. Acesso em: 10 jan. 2018.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-bottom:.0001pt; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:larger;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:normal&amp;quot;&amp;gt;_______. Participação no PAC das favelas. Disponível em:[http://comitedaserra.blogspot.com/2010/11/ &amp;lt;span style=&amp;quot;color:blue&amp;quot;&amp;gt;http://comitedaserra.blogspot.com/2010/11/&amp;lt;/span&amp;gt;]Acesso em: 30 de dez. 2019.&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-bottom:.0001pt; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:larger;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;amp;nbsp;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:larger;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:normal&amp;quot;&amp;gt;FALA FAVELA. O legado das obras do Programa de Aceleração do Crescimento. Os impactos do PAC na saúde do morador do Complexo do Alemão - edição de maio de 2013 - Acervo Instituto Raízes em Movimento&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-bottom:.0001pt; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:larger;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:normal&amp;quot;&amp;gt;MATIOLLI, Thiago Oliveira Lima. Notas sobre o surgimento do bairro do Complexo do Alemão. In: Rute Imanishi Rodrigues. (Org.). Vida social e política nas favelas&amp;amp;nbsp;: pesquisas de campo no Complexo do Alemão. 1ed.Rio de Janeiro: IPEA, 2016, v. 1, p. 71-95.&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-bottom:.0001pt; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:larger;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;amp;nbsp;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-bottom:10.0pt; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:larger;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:normal&amp;quot;&amp;gt;MOURA, Ricardo José de; É Complexo. O velho ranço das políticas públicas: balcão de negócios, cultura do medo e violência. Rio de Janeiro: URBFAVELA, 2016.&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-bottom:10.0pt; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:larger;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:normal&amp;quot;&amp;gt;______. Complexo. Experiência, formação e comunicação na favela. Dissertação de mestrado, FEBF/UERJ, 2010, p. 64-113.&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;border:none; margin-top:12.0pt; margin-right:0cm; margin-bottom:.0001pt; margin-left:0cm; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:larger;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:black&amp;quot;&amp;gt;OLIVEIRA, Bruno Coutinho De Souza. Políticas públicas e participação social no PAC das Favelas. In: RODRIGUES, Rute Imanishi. (Org). &#039;&#039;&#039;Vida Social e Política nas Favelas: pesquisa de campo no Complexo do Alemão&#039;&#039;&#039;. Rio de Janeiro: IPEA, 2016.&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-bottom:.0001pt; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:larger;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:normal&amp;quot;&amp;gt;10 Relatório. Convênio IPEA/CAIXA número 20/2009, de 30/2009/2010. &#039;&#039;&#039;RELATÓRIO FINAL&#039;&#039;&#039;.&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;Intervenção Sócio-Urbanística do Complexo do Alemão. Programa de Aceleração do Crescimento (&#039;&#039;PAC), disponíveis no acervo do&#039;&#039;&#039;Raízes em Movimento.&#039;&#039;&#039;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-top:10.25pt; margin-right:.3pt; margin-bottom:.0001pt; margin-left:0cm; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:larger;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:normal&amp;quot;&amp;gt;Texto inédito sobre a visita da Relatora da ONU para Direitos Humanos em relação a água e saneamento. Visita à comunidades do Complexo do Alemão, dezembro de 2013].&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;margin-top:10.25pt; margin-right:.3pt; margin-bottom:.0001pt; margin-left:0cm; text-align:justify&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:larger;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:107%&amp;quot;&amp;gt;SITE[https://fazendomedia.org/diaadia/protoblog18.htm &amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:107%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;color:#1155cc&amp;quot;&amp;gt;https://fazendomedia.org/diaadia/protoblog18.htm&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;]&amp;lt;/span&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;div&amp;gt;&#039;&#039;&amp;amp;nbsp;&#039;&#039;&amp;lt;/div&amp;gt; &lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Category:Complexo do Alemão]] [[Category:Associativismo comunitário]] [[Category:Associativismo]] [[Category:Associação de moradores]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Thiago Matiolli</name></author>
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		<id>https://homologacao2.wikifavelas.com.br/index.php?title=Bailes_Funk_no_Complexo_do_Alem%C3%A3o&amp;diff=4336</id>
		<title>Bailes Funk no Complexo do Alemão</title>
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		<updated>2020-03-01T22:58:40Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Thiago Matiolli: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;ITCHO TCHO MERY É AUTOMÁTICO&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por [[Ricardo_De_Moura|Ricardo De Moura&amp;amp;nbsp;]]&lt;br /&gt;
&amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;“[...] (&amp;quot;o povo é inventa-línguas&amp;quot;, Maiakóvski) contra os burocratas da sensibilidade, que querem impingir ao povo, caritativamente, uma arte oficial, de &amp;quot;boa consciência&amp;quot;, ideologicamente retificada, dirigida. Mas o povo cria, o povo engenha, o povo cavila.&amp;amp;nbsp;O povo é o inventa-línguas, na malícia da mestria, no matreiro da maravilha. O visgo do improviso, tateando a travessia, azeitava o eixo do sol...&amp;amp;nbsp;O povo é o melhor artífice.&amp;amp;nbsp;[...]” (Haroldo de Campos, circulado de fulô).&#039;&#039;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Porque começamos essa conversa com a citação acima? “O povo é inventa-línguas contra os burocratas da sensibilidade...”. Para mim não há dúvida que a língua é viva. Os falantes, no nosso caso o português do Brasil, são os responsáveis por tamanha variação linguística, embora todos falem o mesmo idioma. Não há, que fique claro, certo ou errado na linguagem. O que há são variações e fenômenos linguísticos, dialetos sociais e níveis de fala, dialetos e falares regionais; gíria, jargão e linguagem popular. Mas também há preconceito linguístico que no fundo se traduz como preconceito social, já que a linguagem é também poder e ideologia, daí a tal de norma culta ao invés de norma padrão. A gramática normativa como ideologia.&amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Feito essa pequena, mas valiosa observação vamos, a título de esboço, falar do funk, especialmente de uma música que deu e dá o que falar quando o assunto é linguagem. Mas, também quando o assunto é corpo, dança, alegria, diversão. E mais adiante, em linhas gerais, uma pitada da história do funk e a seguir baile das antigas, apenas com o propósito de situar a conversa.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;O título desse texto é proposital e provocativo ao mesmo tempo, um modo de operar na e com a linguagem inventiva – aquela já dita por Heraldo de Campos na citação que abre essa conversa. It&#039;s Automatic popularmente conhecida&amp;amp;nbsp;ITCHO TCHO MERY ou algo do gênero era um som que explodia nos trenzinhos ou nos bailes de corredores na década de 1980 e hoje é relembrado nos “bailes das antigas” espalhados por algumas favelas do Rio de Janeiro. Não se trata de saudosismo nessa retomada, mesmo porque, os bailes das antigas acontecem hoje. Há algo mais por aí.&amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;É inevitável não rir quando se descobre o nome da música, já que para os que curtiam e curtem ainda esse som, na maioria das vezes, não sabem que Itcho Tcho Mery é “automático”. Isto é, It’s automatic que quer dizer é “automático”. Uma tremenda invenção da linguagem que se modifica com o falante da língua. Mesmo sabendo que a expressão Itcho Tcho Mery, a rigor, não tem semelhança com o significante que dá o nome da música It’s automatic, ela tem um sentido por ser a expressão do entendimento sonoro produzido. Para os vovós e vovôs do funk, Itcho tcho mery era e continua sendo um pancadão boladão, eu diria, pega a visão que “noix” vai brotar lá no baile das antigas no CPX porque é automático.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;It’s Automatic foi tão popularizada, que os múltiplos significantes oriundos da escuta dessa música e, consequentemente, do ato de cantá-la, tornaram-na ainda mais popular. Mas com um detalhe: na maioria dos casos pouquíssimas pessoas conhecem o título da música, ou seja, It’s Automatic é desconhecida. Vejamos alguns comentários nos posts no Youtube [https://www.youtube.com/watch?v=TfdWQcfs4yo https://www.youtube.com/watch?v=TfdWQcfs4yo] com o título freestiyle – It’s Automatic.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;• Insotomeri, inchorchomeri, não sei o que meri. Esses são os nomes que os caras diziam. Tudo menos it&#039;s automatic.&amp;amp;nbsp;&#039;&#039;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;• É tcho tcho meri.... É tcho tcho meri .... Kkkkkkkkkk.&#039;&#039;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;• Eu fico emocionado quando eu escuto essa música. Pois meu apelido é Tchotchomary, por causa dessa música. A merda que é It&#039;s automatic.&#039;&#039;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;• Grande década de 80, esse é o famoso &amp;quot;tchontchonmery&amp;quot; na época dos bailes todo mundo cantava, bons tempos.&#039;&#039;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;• It&#039;s automatic?? Prefiro: Ih cho cho Mary...&#039;&#039;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Embora os comentários sejam apenas exemplos, tais formulações nos permitem olhar para além da compreensão de um idioma, na verdade nos coloca frente à inventividade da língua, que nesse caso abarca o cômico, sobretudo, quando descobre o nome “original”. Talvez, essa questão possa ser interessante para antropologia, sociologia ou linguagem, mesmo porque tal deslocamento linguístico forja outras maneiras de sensibilidade para além do uso “correto” da linguagem e, neste caso, ganha enorme dimensão nas classes populares, forja também sociabilidades, identidades, maneiras de ver o mundo.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;É muito comum alguns usuários da língua, especialmente os mais jovens, em determinadas regiões, usarem formas de comunicação fora dos ditames da gramática normativa, por exemplo: “nóix vai no baile de bonde, tá ligado?”. Imagine se um estudante resolve escrever desse modo numa prova de vestibular. Embora a sentença possa estar clara, ele/ela, o (a) candidato(a) seria “exterminado(a)” de imediato. Isso é uma heresia gramatical, diriam os defensores da gramática. Para a dona norma vários “erros”. Sublinharemos o que ela, dona norma, consideraria fatal: o sujeito “NOIX” está no plural e o verbo VAI no singular. Imagine NOIX VAI NO BAILE... quantos “erros” numa mesma frase. A experiência com a linguagem fica submetida a forma de certo ou errado numa tentativa de aprisionar os falantes da língua. Doce ilusão, pois NÒIX VAI NO BAILE e ITCHO TCHO MERY É AUTOMÁTICO.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp; &amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&#039;Uma pitada da história do Funk&amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp;&#039;&#039;&#039;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;O funk é um estilo musical que, provavelmente, surgiu através da música negra norte-americana no final da década de 1960 – o funk se originou da Soul Music. Algumas características desse estilo musical são: ritmo sincopado, a densa linha de baixo, uma seção de metais fortes e rítmica, além de uma percussão marcante e dançante. E é nessa esteira que viria nascer o funk.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;O funk da década de 60&amp;amp;nbsp;surgiu com uma mistura entre os estilos R&amp;amp;B, jazz e soul. Nessa época, o estilo musical era considerado indecente porque a palavra “funk” tinha conotações sexuais na língua inglesa. O funk acabou aderindo essa característica tendo uma música com um ritmo lento, dançante, sexy. Na década seguinte o P-Funk – Parlaiment Funkdelic – um coletivo de funk, rock e soul era um funk mais pesado, com influência psicodélica e com a alteração mais característica do funk, foi feita por George Clinton. A década de 1980 serviu para “quebrar” o funk tradicional e transformar em vários subgêneros. Seus derivados como o rap, hip-hop e break ganhavam muita força nos Estados Unidos. No final dos anos 1980 surgiu a casa do funk que foi um fenômeno nas pistas de dança do mundo inteiro. No Brasil, em especial no Rio de Janeiro, muitos grupos se formaram e o break se tornou um fenômeno de dança, coreografia, teatro de vivências cênicas em vários lugares públicos, inclusive dentro de escolas.&amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;A derivação mais presente no Brasil é o funk carioca. O ritmo, tal como se desenvolveu no Rio de Janeiro, foi influenciado por um novo ritmo da Flórida, o Miami Bass, que trazia músicas mais erotizadas e batidas mais rápidas. Depois de 1989, os bailes funk começaram a “bombar” atraindo cada vez mais pessoas e daí foram lançadas músicas em português. Inicialmente as letras falavam sobre a realidade da vida nas favelas, como por exemplo o refrão do Rap do Silva do MC Bob Rum “era só mais um Silva que a estrela na brilha ele era funkeiro mais era pai de família”, mas também a implementação de recursos melódicos nas músicas, um funk mais romântico como o Rap do solitário e princesa de MC Marcinho, mais tarde o tema principal passou a ser o sexo. O funk carioca se tornou e continua sendo bastante popular em várias partes do Brasil e no exterior. Tudo isso nos anos 1990.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;O funk da metade dos anos 1990 era utilizado como forma de protesto contra as autoridades e também servia como maneira de levar para o mundo o que realmente acontecia nas favelas. Muitas músicas falavam até mesmo de abuso das forças policiais. Essa modalidade ficou conhecida como o FUNK PROIBIDÃO. Em 2000 a ênfase no funk com conotação sexual voltou com força total e estão presentes até hoje nos ritmos 150 e 170 bpm fazendo o maior sucesso nos bailes de favela.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&#039;Baile das Antigas&amp;lt;ref&amp;gt;Texto original publicado no Jornal Fala Favela, ed. 7, 2019. Escrito por David Amen - produtor cultural e coordenador de Comunicação do Instituto Raízes em Movimento - e Hector Santos - Fotógrafo e graduando em Publicidade pela FACHA.&amp;lt;/ref&amp;gt;&#039;&#039;&#039;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Os já conhecidos e tão aguardados, “Bailes das Antigas”, têm sido uma verdadeira atração nas favelas do Rio de Janeiro desde que começaram, entre 2013 e 2014. Aquela rivalidade que havia nos “bailes de corredor” ficou para trás, deu lugar ao reencontro com a cultura do Funk de maneira social, onde a união e a amizade prevalecem transformando aquele passado em memórias afetivas, motivos para se reunir, brincar e sorrir. E como não poderia ser diferente, o Complexo do Alemão já foi palco privilegiado de alguns desses encontros.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Para quem não sabe, nos “bailes de corredor” os grupos se dividiam entre “Lado A e Lado B” e se viam como rivais, brigavam muito, trocando socos e pernadas. Para fortalecer a agenda de bailes, os representantes das áreas decidiram se unir a bairros vizinhos para que o baile ficasse mais cheio e não houvesse disputa entre eles mesmos. Então, a galera que fechava do outro lado não podia frequentar o oposto ao seu. Pessoas que ‘fechavam’ com o Lado contrário sequer podiam passar e/ou frequentar aquela localidade (por exemplo: participantes do Fazenda de Inhaúma - Lado B -, não podiam frequentar algumas localidades da baixada por ser Lado A por que eram vistos como inimigo). Apesar disso, todo mundo frequentava os mesmos bailes. Daí a divisão entre “A e B”. Nessa, o corredor ficava livre. Dessa época lembra-se de muitas situações, músicas que animavam os “bondes”, agitando “o corredor”, as grandes equipes de som, os DJ’s, o passinho, enfim, tudo isso precisava ser novamente vivido por aqueles que estavam lá no início e compartilhado com a nova geração do Funk.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Os “Bailes das Antigas” são, na realidade, um espaço para reviver bons tempos e homenagear os(as) construtores(as) dessa história. Na Nova Brasília, em 2019, teve um baile especialmente para lembrar do MC Sapão que, além de produzir músicas incríveis que marcaram - “BAILES DAS ANTIGAS” RECORDA BONS MOMENTOS DO FUNK MEU NOME É FAVELA a cena do funk até hoje, era morador da localidade e faleceu em abril de 2019. A galera do AP do Itararé, como mostram as fotos, marcaram presença. A viúva do “Sapão” foi às lágrimas com o evento e com a homenagem. Esse baile foi mágico porque, teve toda essa emoção relacionada ao Sapão, mas também foi bem na final da Copa América quando o Brasil venceu o Chile e foi campeão. Então tudo estava em ritmo de festa.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;E é sempre assim nesses bailes, festa e alegria contaminam geral no salão onde, a cada som das antigas, seja na quadra da Vila Olímpica ou na Rua 2, as pessoas, com muito prazer e orgulho de serem parte daquele momento, cantam e dançam sem parar. É algo que transcende qualquer questão territorial. As(os) moradoras(es) se divertem quando rolam os bailes. É sempre um evento lindo ver a energia daquelas pessoas e viver aquele momento incrível. É um dos poucos instantes de respiro em que a felicidade dos moradores predomina por, inclusive, poder garantir o seu ‘momento de lazer’ sem ser interrompido pela violência. Favela Viva!&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Thiago Matiolli</name></author>
	</entry>
	<entry>
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		<title>Artes urbanas e favelas</title>
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		<updated>2020-03-01T22:45:11Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Thiago Matiolli: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&lt;br /&gt;
Por Pricila Telles e [[Thiago_Matiolli]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No dia 05 de novembro de 2016, um sábado chuvoso, o Instituto Raízes em Movimento&amp;lt;ref&amp;gt;Para maiores informações sobre a organização, ver o verbete “Instituto Raízes em Movimento”, neste dicionário. &amp;lt;/ref&amp;gt; realizou o 3º encontro do Vamos Desenrolar - Oficina de Produção de Memórias e Conhecimento&amp;lt;ref&amp;gt; Para saber mais sobre o evento, ver o Verbete “Vamos Desenrolar”, neste dicionário. &amp;lt;/ref&amp;gt;, que abordava as artes urbanas. As discussões trataram do campo das expressões culturais na cidade em espaços abertos, favelas, praças públicas, ruas… A proposta foi refletir sobre as resistências e criatividade na construção desses espaços que geralmente são construídos no vácuo de políticas públicas culturais e na busca de expressões libertárias. O encontro trouxe à superfície experiências musicais, grafite, teatro, saraus, rodas culturais, enfim, caminhos alternativos de apropriação e combate à indústria cultural de massa. Os Dinamizadores foram: Adriana Lopes: pesquisadora e professora da UFRRJ; Carlos Meijueiro: pesquisador e ativista cultural; Cláudio Vaz: professor de artes e ativista cultural; Gustavo Coelho: pesquisador sobre pichação e outras culturas de rua (diretor do documentário “Luz Câmera, Pichação”); e Rico Neurótico: MC&amp;lt;ref&amp;gt;O termo MC é uma adaptação do inglês master of cerimony, que significa Mestre de Cerimônia. É aquele (a) que, enquanto a é tocada, elabora, recita e canta suas rimas e poesias. &lt;br /&gt;
&amp;lt;/ref&amp;gt; e produtor cultural da Roda Cultural de Olaria. Este último, personagem que fica no entrecruzamento dos assuntos abordados neste verbete, bem como nos exemplos tomados para ilustração do argumento: a Roda Cultural de Olaria e o Circulando - Diálogo e Comunicação na Favela.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O tema das “artes urbanas” não é de conceituação simples e, muito menos, taxativa. Porém, quando retomamos o debate promovido pela edição do Vamos Desenrolar citado acima, é possível encontrar algumas pistas. Por exemplo, Adriana Lopes iniciou a conversa falando sobre a importância do funk e a presença potente das mulheres nesse ambiente produtivo, destacando que &amp;amp;nbsp;“a arte urbana é mais que o grafismo, a gente escreve com nossos corpos, com nossas roupas...”; Cláudio Vaz disse que não se importava de ter seus projetos copiados por outros produtores e com humor afirmou “Se fizer bem feito é bom, se não fizer bem eu vou lá e reclamo!”; Gustavo Coelho lembrou dos movimentos “xarpi” - que será retomado mais a frente -, bate bola e baile funk “A pixação não é feia, pelo contrário, tem muita delicadeza no traço”; e, por fim, mas não menos importante, MC Rico Neurótico lembrou que “A rua não é só a ferramenta, é o nosso campo de atuação..”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No intuito de se aproximar de uma caracterização das artes urbanas que norteie este verbete, exploraremos melhor estas pistas na próxima seção.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Artes urbanas&#039;&#039;&#039;&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As falas destacadas acima nos trazem várias características das artes artes urbanas: a importância dos corpos; o apreço pela questão estética e a qualidade da obra; as possibilidades de sua prática enquanto resistência; a diversidades das linguagens que a compõem: a música, as artes plásticas (como o grafite e a pichação), as representações teatrais (como os bate-bolas citados) - aos quais podemos somar a literatura, a dança, e o audiovisual; e, ainda, a rua, ou o espaço público como lugar predominante de sua manifestação. Aqui, não abordaremos todas essas dimensões, focaremos em duas delas (sem, contudo, deixar totalmente de lado, as demais): sua pluralidade e o espaço público como seu palco principal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A cidade está longe de ser um lugar que possa ser compreendido em sua totalidade. Seus habitantes cultivam estilos particulares de entretenimento, mantém vínculos de sociabilidade e relacionamento, criam modos e padrões culturais diferenciados. Marcada, então, pela sua diversidade e heterogeneidade, a cidade se encontra como lugar privilegiado para análise de uma multiplicidade de atividades e formas de participação. Dentre essas formas de participação, as expressões artísticas, em suas diversas dimensões – sonoras, visuais e performativas –, têm se mostrado um objeto relevante para se pensar essa urbe. Como veremos na realização dos festivais circulando.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A rua, cada vez mais, tem se tornado palco de diferentes tipos de manifestações artísticas e culturais. Em uma caminhada vespertina pelo centro da cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, é possível ver músicos de rua, artistas circenses, entre outros que, encontram nesses espaços, lócus para suas atividades. Afastando-se um pouco da região central carioca, nota-se que em diversos bairros das Zonas Norte, Sul e Oeste, as praças também têm sido logradouro de manifestações deste cunho. As Rodas Culturais e, mais especificamente, a Roda de Olaria é um importante exemplo disso.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Artes urbanas e periferia&amp;amp;nbsp;&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As relações entre cidade e favela, ou outras formas espaciais periféricas, podem ser pensadas, em suas diversas dimensões, sob a chave de uma dualidade: a importância dos corpos e energias de moradoras/es desses espaços são indispensáveis para o funcionamento da cidade como um todo; ao mesmo tempo em que há uma profunda necessidade de controle social destas populações, tendo em vista o tensionamento que sua circulação pelo espaço urbano causa. Sob este pano de fundo que devemos refletir sobre as artes urbanas produzidas e vivenciadas nas favelas.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O caráter indispensável de moradoras/es da periferia para o funcionamento da vida citadina foi ressaltado na realização da edição de 2017 do Circulando, com o lema: “o rolé das favelas produz cidade&amp;lt;ref&amp;gt;A cada ano, o Circulando tem um mote diferente e, em alguns deles, uma camisa com seu lema é vendida no evento. Em 2017 foi rolébilidade; em 2015, com o mote da memória, a camisa trazia o lema: “Meu nome é favela, minha história também”; e, em 2018, abordando a diversidade, o slogan foi “somos juntxs”. &amp;lt;/ref&amp;gt;” - em termos concretos e simbólicos. O mote daquele ano era mobilidade urbana, ou melhor, “rolébilidade” - entendida como a forma de mobilidade periférica, com todas suas dificuldades e estratégias, desde a debilidade do transporte público até às&amp;amp;nbsp; circulações internas à favelas, pelos seus becos&amp;lt;ref&amp;gt;Ver o verbete “mobilidades”, neste dicionário.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ref&amp;gt;; um circuito que tenta, com maior ou menor sucesso, controlar o rolé de faveladas/os na cidade, permitindo a circulação precária para o trabalho, mas restringindo-a com relação ao lazer. De todo modo, a “rolébilidade” também nos permite questionar se a arte periférica também não é fundamental para a vida urbana, cimentada pela força e criatividade favelada..&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O circulando deu o papo reto: as favelas contribuem, literalmente, para a construção das cidades, com sua mão de obra e suor, todavia, pouco conseguem gozar da urbanidade que ela proporciona, sobretudo em termos de direitos, inclusive os culturais. Estes são limitados de, ao menos, duas maneiras: invisibilizando e criminalizando suas manifestações artísticas ou negando-lhes contato com outras produções, mesmo as mais mainstream. Por exemplo, o afastamento do cinema ou de teatros.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com relação à criminalização da produção artística, é preciso ressaltar que as populações periféricas, em geral, também são construídas como “classes perigosas”. Um fenômeno histórico que remete ao processo de urbanização na Europa do século XIX, quando há uma intensa concentração demográfica nas cidades e, consequentemente, o desencadeamento de uma série de problemas ligados à vida nestes espaços. O que teria levado ao surgimento de uma “questão urbana” como objeto de reflexão das elites políticas e intelectuais. Neste processo, a miséria e o controle social de um contingente populacional tão grande se tornou um desafio quase intransponível. Uma das tentativas de solucioná-lo passou pela divisão das pessoas entre uma “classe operária respeitável”, que querem emprego, mas não o encontram e se comportam de modo disciplinado e moralmente aceito em sociedade; das massas empobrecidas, ou “classes perigosas”, incorrigíveis e incontroláveis, fonte de três perigos para as elites urbanas: o sanitário, o da criminalidade e da sublevação política (Topalov, 2015; Foucault, 2005).&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Este último risco talvez seja a preocupação mais efetiva dessas elites urbanas, ainda que nem tanto das classes médias, capturadas pelo discurso do medo e da segurança pública. A predominância de um discurso que ressalta, cotidiana e midiaticamente, os perigos de uma “violência urbana” acaba compondo um dispositivo que justifica ações de controle dos riscos reais da transformação política desencadeada pelas classes ditas “perigosas”. Como, por exemplo, na criminalização de práticas artísticas faveladas ao longo da história do Rio de Janeiro que tinha como alvo o samba, no início do século XX, e passa a ter como inimigo no fim deste século e início do XXI, o funk. Ambas formas culturais que descrevem e, em alguma medida, denunciam as condições de vida de seus compositores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas, essa criminalização não é um processo contra o qual não se poder resistir. A relação das elites urbanas com as populações periféricas é muito mais sutil e complexa, do que a de uma mera subordinação.&amp;amp;nbsp; E uma chave para entendermos isso é dada, novamente, por Christian Topalov (2015), historiador francês. Essa interação tomaria forma num jogo de apropriações e ressignificações de práticas realizado pelas elites urbanas e as populações mais pobres. Nas quais práticas populares de resistência são apreendidas por tais elites, que as reconfiguram de modo a esvaziá-las de seu teor político; ao mesmo tempo em que, ainda que em menor grau, práticas de controle social podem ser repensadas e reconstruídas de modo que possam também se tornar veículos de contestação social e políticas (Topalov, 2015).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Neste sentido, e voltando à questão do samba e do funk, vemos a complexidade de um dispositivo de controle social que é econômico e repressivo. Com o passar do tempo, esses ritmos foram depurados e aceitos em outros espaços da cidade. Assim, por exemplo, seguem as repressões às festas e eventos nas favelas, ao som de funk, principalmente, mas ainda do samba também, ao mesmo tempo em que essas músicas bombam em eventos caros das zonas mais abastadas da cidade, ou ao som do cantor Thiaguinho em sua “tardezinha” no estádio do Maracanã. Quer dizer, as práticas culturas periféricas são aceitas quando estão desassociadas de seus lugares de origem e entram em circuitos lucrativos da indústria cultural, mas seguem sendo marginalizadas quando são indóceis demais para serem controladas e entrarem no jogo econômico.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por outro lado, há ressignificações também em sentido contrário, produzindo resistências. Isso podemos ver em eventos como a Roda de Olaria e o Circulando, onde práticas culturais de elites não são negadas, pelo contrário, são apropriadas e recebem um sentido político novo, de contestação e reinvenção de significados. Deste modo, por exemplo, o Circulando conta em muitas de suas edições com apresentações teatrais, levadas a cabo, pelo grupo Teatro da Laje, coordenado pelo professor Veríssimo Júnior; ou através da poesia, cujos limites são totalmente ampliados e transformados, sem perder seu lirismo, na Roda de Olaria.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, tal como propomos aqui, pensar a relação entre as artes urbanas e a periferia é reconhecer que sua riqueza, diversidade e capacidade de ocupar o espaço público estão envolvidas numa complexa prática de criminalização que envolve uma seleção e depuração de práticas que podem atender a certos circuitos lucrativos (e que passam a ser legítimas e aceitas na sociedade) de outras que seguiram como ferramentas de controle social. Ao mesmo tempo em que, esse controle não é fácil e confortável, mas que é constantemente tensionado pela reinventidade (mote do Circulando de 2016) favelada e periférica, que produz ou ressignifica artes mais consagradas.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;&amp;amp;nbsp;A Roda de Olaria&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As rodas culturais também nos permitem perceber como a arte urbana e periférica, em suas múltiplas dimensões, é capaz de cimentar a vida na cidade ressignificando o espaço público. É possível contabilizar mais de cem rodas culturais que ocorrem diariamente, em diversos lugares da cidade, com a participação aberta a todo e qualquer artista e de forma gratuita (Alves, 2016). Em grande medida, elas se configuram como eventos independentes, sem aportes financeiros ou institucionais de prefeituras e secretarias de cultura, cuja finalidade é ocupar o espaço público para incentivar, valorizar e promover arte, cultura e entretenimento gratuito para os mais diversos habitantes citadinos.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;As Rodas Culturais são uma teia de artistas e trabalhadores independentes, como poetas, fotógrafos, Mcs, músicos, grafiteiros, artistas plásticos, artistas circenses, atores, profissionais do audiovisual, esportistas urbanos etc. Essa rede unifica, intensifica e expande a sustentabilidade da cultura de rua dos bairros cariocas&amp;lt;ref&amp;gt;Disponível em: &amp;lt;https://www.facebook.com/pg/circuitocariocaderitmoepoesia/about/?ref=page_internal&amp;gt;. Acesso em: 29/02/2020.&amp;lt;/ref&amp;gt;.&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi na 3ª edição do Vamos Desenrolar sobre Arte Urbana que Rico, MC e produtor cultural da Roda de Olaria&amp;lt;ref&amp;gt;A Roda de Olaria possuía até o ano de 2018 três produtores culturais: Laércio Soares Corrêa, Bruno Teixeira e Felippe Massal. Eles são conhecidos por seus amigos mais próximos como Rico, Bruno Xédom ou “Xerélos” e Massal. Rico é MC e lutador de Jiu-Jtsu, Bruno é tatuador e grafiteiro, e Felippe Massal faz graduação em Direito é responsável por fazer as filmagens das batalhas e fotografias do evento. &amp;lt;/ref&amp;gt; falou sobre a importância deste tipo de evento na construção dos espaços que geralmente são reconhecidos como vazios ou ausentes de políticas públicas culturais. Em contrapartida, o MC ressaltou uma série de dificuldades que a Roda de Olaria&amp;lt;ref&amp;gt;Bem como outras Rodas Culturais cariocas.&amp;lt;/ref&amp;gt; sempre enfrentou desde que começou a ocupar as Quadras Gêmeas em 2012.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo Rico, no início era apenas um encontro despretencioso de amigos MCs que, nas noites de quintas-feiras, levavam violões e cajóns para a praça, e se sentavam em roda para conversar e improvisar algumas rimas sob uma tenda branca. Com o passar do tempo o público foi ficando cada vez maior e as Quadras Gêmeas passaram a se tornar palco de um encontro protagonizado por pessoas de diferentes faixas etárias, moradores do bairro de Olaria e adjacências.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No entanto, Rico afirmou que a história da Roda de Olaria é de uma luta constante por conta de uma série de problemáticas que os produtores precisavam administrar: desde a falta de dinheiro para alugar os equipamentos, negociações para conseguir o Nada Opor&amp;lt;ref&amp;gt;Alvará de Autorização Transitória para eventos em geral: culturais, sociais, desportivos, religiosos e quaisquer outros que promovam concentrações de pessoas. No caso das rodas culturais, este alvará precisava ser emitido pelo Batalhão da Polícia Militar do bairro.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ref&amp;gt; às repressões policiais durante o evento. No encontro, o MC enfatizou: “a única forma que a gente tem de diálogo com o poder público é de forma ‘truculenta’, que é com a polícia. A polícia não entende quando você chega num espaço e quer ocupar para mudança; é revitalização do espaço a princípio de tudo. Tivemos essa truculência com a polícia, mas mesmo assim a gente continuou fazendo.”&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um dos primeiros impactos foi uma multa. Em uma das quintas-feiras do ano de 2015 enquanto Rico, Felippe, Bruno e outros amigos começavam a montar o som, chegou, nas palavras de Rico, “um cidadão” da IRLF (Inspetorias Regionais de Licenciamento e Fiscalização) e disse que não poderiam realizar o evento. Por conta de todo esse transtorno em relação à multa, a Roda ficou temporariamente parada, mas depois de um curto período de tempo, as atividades foram retomadas. No entanto, duas semanas depois, dois policiais militares do 16º Batalhão de Olaria interromperam o evento e exigiram a retirada das caixas de som e esvaziamento do local.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Semanalmente o alvará que permitiria o funcionamento da Roda precisava ser negociado e renegociado com o batalhão do bairro. Isto significou, durante todo o ano de 2016, que a Roda legalmente estava proibida de acontecer. Frente a isso, os produtores criaram um movimento que denominaram “Resistência Cultural”. No total, foram quatorze encontros de “resistência” com atividades diversas: desde campeonatos de basquete e skate a batalhas de rimas, exposições de telas e debates. Após o último encontro, a Roda de Olaria conseguiu novamente o alvará e retomou as atividades Porém, vale notar que, múltiplas formas de silenciamentos, repressões e denúncias continuaram a ocorrer.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim sendo, os produtores culturais da Roda de Olaria encontram, em meio às dificuldades de realizar a Roda, suas próprias formas de uso da praça; suas próprias maneiras de fazer (Certeau, 1994). É neste contexto que o trio de produtores vêm desde 2012 “resistindo” e fazendo da rua, nas palavras de Rico, seu “campo de atuação”.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No dia 9 de janeiro de 2018 houve a promulgação da Lei Estadual nº 7837 que declara Patrimônio Cultural Imaterial do estado do Rio de Janeiro a cultura hip-hop e todas as suas manifestações artísticas. Deste modo, as rodas culturais finalmente estariam dispensadas da prévia autorização da Polícia Militar. Ainda assim, é válido salientar que a dificuldade de manter o evento continua grande. Mesmo amparada pela lei, os produtores não possuem qualquer aporte financeiro ou institucional. Consequentemente, não conseguem arcar com todos os custos para sua realização. Hoje, as reuniões da Roda de Olaria ocorrem com pouquíssima frenquência.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Circulando&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Circulando -&amp;amp;nbsp; Diálogo e Comunicação na favela é um evento realizado pelo Instituto Raízes em Movimento desde 2007. Atualmente, ele tem uma regularidade anual, mas já foi realizado mais de uma vez por ano, quando necessário, até o ano de 2010. Ele, começa a ser gerido em 2006, em parceria com o Observatório de Favelas e a Escola Popular de Comunicação Crítica (ESPOCC), tendo sua primeira edição realizada no ano seguinte. Trata-se de um evento de artes, cultura e comunicação. A propósito, o nome do evento surge já nas primeiras reuniões de produção da primeira edição. E, em ata de 2006, assim ficou registrado a importância de comunicação e direito de expressão e manifestação de modo ativo.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;A importância e o direito de todos se expressarem, se manifestarem de forma ativa e por meios ativos, de ganharem visibilidade e partilharem idéias e visões diferentes de mundo. Ainda, a importância de se chamar a atenção para o potencial expressivo e “comunicador” de cada indivíduo e meios que, às vezes, muita gente não vê como meios de transmissão de mensagens. E a importância de se chamar a atenção para a forma estereotipada como os chamados meios de comunicação de massa retratam as comunidades populares e de se indicar, quando não viabilizar, possibilidades de abordagens diferenciadas sobre essas comunidades, por essas comunidades (INSTITUTO RAÍZES EM MOVIMENTO, 2017, p. 139).&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É importante começar destacando o aspecto de comunicação que caracteriza o evento. Trata-se de uma dimensão de dupla direção. Quer dizer, por um lado, o Circulando tem uma preocupação inicial de dialogar com as/os moradoras/es do Complexo do Alemão; inicialmente, trazendo informações e conteúdos produzidos por atores não locais e difundindo-os favela adentro, mas também, e sobretudo, nos anos mais recentes, têm sido uma maneira do Instituto Raízes em Movimento, apresentar sua produção anual para a localidade. Neste, sentido é (se) comunicar de modo crítico e dialogado com o local que dá sentido à existência da organização, e cuja relação de pertencimento muitas vezes é construída pela mídia tradicional, com seus sangrentos telejornais, entretenimentos baratos e programas evangélicos pentecostais. É nessa seara de luta e produção de narrativas, que o Circulando se insere primeiramente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por outro lado, é falar para fora também, tensionar as representações sobre o Complexo do Alemão, que produzem efeitos concretos muito nocivos para o bairro. Por exemplo, no ano de 2010, duas semanas após a megaoperação de ocupação militarizada do Complexo do Alemão, foi realizado uma edição “extra” do Circulando, montado com urgência, mas sem perder a eficiência, para refletir sobre tudo o que estava acontecendo. Para tanto, foi fundamental a ocupação do espaço público, para levar à cidade novos sentido sobre a vida no bairro, com suas dificuldades e diversidades. Uma ferramenta de comunicação de base, interna e externa, através da ocupação do espaço público local, produzindo afetos e solidariedade, este é, o primeiro objetivo do Circulando.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nisto temos o comum que se transmuta na multiplicidade, como diversidade, reconhecimento de uma nova configuração dos processos de organização de sujeitos democráticos capazes de expressar potência política (filosófica, estética), que atua de modo horizontal e, portanto, num espaço que lhe permita criar modos de vida, de sentir, ver, agir, ouvir de maneiras diferentes a partir das múltiplas experiências, inclusive do modo de ocupação do espaço – as ruas, becos e vielas, ligam-se e interligam-se, conectam-se e desconectam-se com aquilo que de mais potente tem do que nomeamos cidade: a vida. Compreendendo isso, o Circulando - Diálogo e comunicação na favela propõe alargar, circular, comunicar sob as mais diversas formas de expressão artísticas que compõem a favela. Isso implicar dizer que a favela além de produzir arte, ela produz vida como forma de existência.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aqui nos reconectamos com o objetivo central do verbete e podemos mesmo afirmar que, falar da produção das artes urbanas é falar da produção da vida na cidade. O que nos remete aos já citados, direitos culturais, como um bem social e o exercício da liberdade de expressão e pensamento. E aqui, sua dimensão principal é a diversidade dos gêneros artísticos que compõem o evento, ressignificando, como apresentado na seção dois deste texto: as formas hegemônicas de produção artística e cultural.&amp;amp;nbsp; São diversas linguagens que se apresentam no Circulando: grafite, poesia, cinema, teatro, música, fotografia e dança. Às quais se somam outras atividades, voltadas para brincadeira de criança, informativos para serviço públicos e outras organizações locais, e ações de cunho mais acadêmico, como lançamento de livros ou rodas de debates/conversa.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essa dimensão artística do Circulando também é uma via de mão dupla interna e externa ao Complexo do Alemão, na chave da arte e cultura como um direito. Por um lado, visa dar espaço e apresentar a produção local às/aos moradoras/es do bairro, mas também aos visitantes que vêm de outros lugares para participar do evento. Desta forma,são convidadas bandas - como o Bloco de samba da Grota - ou ainda cantoras/es, poetas, fotógrafas/os ou grafiteiras/os locais; ou abre-se espaço para o já citado Teatro da Laje ou ao bloco das águas, do bairro vizinho da Penha.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por outro lado, há convidados, “de fora”, que compartilham produções pouco acessíveis ao Complexo do Alemão, seja pela falta de apoio para garantir sua difusão em comparação às produções mais lucrativas, seja porque certas produções de organizações parceiras, dificilmente seriam conhecidas localmente, sem a mediação do Instituto Raízes em Movimento, através do Circulando. Podemos citar, a título de ilustração, as participações de fora até do estado do Rio de Janeiro, como a Orquestra Afrobeat Anjos e Querubins e de Juninho, Iracema, Lemuel diretamente da aldeia Tupinambá de Itapoã, em Ilhéus na Bahia.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Neste sentido, poderíamos também, definir o Circulando como um festival de artes urbanas, com diversas linguagens sendo apresentadas no espaço público periférico. Mantendo seus compromissos com a comunicação e produção de narrativas críticas sobre as favelas, voltado para dialogar com a cidade do Rio de Janeiro como um todo, mas também para dentro do espaço onde é realizado e o ponto de partida para toda sua formulação, o Complexo do Alemão.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Considerações finais.&amp;amp;nbsp;&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os exemplos da Roda de Olaria e do Circulando ilustram bem a ideia de falar em “artes urbanas” para tratar da produção cultural oriunda das populações faveladas, por conta de duas de suas características: a primeira é a diversidade de manifestações (por isso, o plural) e a fuga de um concepção de arte pensada a partir de um parâmetro estético mais estático, que considera apenas as formas mais hegemônicas e legitimadas, muitas vezes condensadas no que se costuma chamar de cultura erudita; a segunda, que diz mais respeito ao adjetivo “urbano”, aponta para o espaço por excelência de dessa produção cultural, que é o espaço público, da cidade.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp; &amp;amp;nbsp;Todavia, retomando as pistas oferecidas pelo debate promovido no encontro sobre “artes urbanas” do Vamos Desenrolar citado lá no começo do texto, vemos que também estão envolvidas as questões do corpo, da resistência e do apuro estético. Esse conjunto de elementos nos abre um mar de possibilidades de reflexão em torno do triângulo: arte, favelas e cidades.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp; &lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Referências bibliográficas&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
ALVES, Rôssi. Resistência e empoderamento na literatura urbana carioca. Estudos de literatura brasileira contemporânea, n. 49, p. 183-202, set./dez. 2016.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
CERTEAU, Michel de. A invenção do cotidiano: 1. artes de fazer. Petrópolis, RJ: Vozes, 1994.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
FOUCAULT, Michel.&amp;amp;nbsp; O Nascimento da Medicina Social. In.: FOUCAULT, Michel. Microfísica do Poder. 20ª edição. Rio de Janeiro, Graal, 2005, pp.79-98.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
INSTITUTO RAÍZES EM MOVIMENTO. Instituto Raízes em Movimento: um canto à experiência. In.: SANTOS JÚNIOR, Orlando Alves do; NOVAES, Patrícia Ramos; LACERDA, Larissa; WERNECK, Mariana (Orgs.). Caderno Didático “Políticas Públicas e Direito à Cidade: Programa Interdisciplinar de Formação de Agentes Sociais”, Observatório das Metrópoles, 2017, 135-142)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
OLIVEIRA, Priscila Telles de. Roda Cultural de Olaria: &amp;quot;resistência&amp;quot; e formas de atuação. 2018, 149f. Dissertação (Mestrado em Antropologia) ,Universidade Federal Fluminense (UFF). Niterói, 2018.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
TOPALOV, Christian. Da questão social aos problemas urbanos: os reformadores e a população das metrópoles em princípios do século XX. In.: RIBEIRO, Luiz Cesar Queiroz; PECHMAN, Robert Moses (Org.). Cidade, povo e nação: gênese do urbanismo moderno. Rio de Janeiro, Letra Capital, Observatório das Metrópoles, INCT, 2015, pp. 23 – 52. Disponível em: http://web.observatoriodasmetropoles.net/images/abook_file/cidade_povo_nacao2ed.pdf.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Category:Arte Urbana]] [[Category:Grafite]] [[Category:Arte]] [[Category:Cultura]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Thiago Matiolli</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://homologacao2.wikifavelas.com.br/index.php?title=Serra_da_Miseric%C3%B3rdia&amp;diff=4334</id>
		<title>Serra da Misericórdia</title>
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		<updated>2020-03-01T22:01:52Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Thiago Matiolli: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Por&amp;amp;nbsp;[[Ricardo_De_Moura|Ricardo De Moura]]&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;A Serra da Misericórdia, incialmente chamada de serra chorona, por conta da quantidade de nascentes que ela apresenta, é o quarto maciço urbana da cidade do Rio de Janeiro, depois da Floresta da Tijuca, Medanha e Pedra Branca; se estendendo por 27 bairros da Zona Norte do município e se constitui a principal área verde da região. Ela tem uma importância histórica, ambiental e política imensurável para a região.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Boa parte da história da militância da região do Complexo do Alemão passa pela organização em torno da defesa da Serra da Misericórdia, em particular a defesa pela criação da APARU (Área de Proteção Ambiental e Recuperação Urbana), que foi feita no ano 2000, após forte mobilização realizada pelo Verderjar Socioambiental, fundada em 1997. O que trouxe algumas garantias ambientais para a serra. No início dos anos 2000, foi fundado o Comitê de Desenvolvimento Local da Serra Misericórida (CDLSM), que congregou diversas organizações sociais da região para garantir a defesa da área e pregando a participação e controle social das políticas a serem ali desenvolvidas. Destaca-se, aí, a proposta de criação do Parque ambiental da Serra da Misericórdia, pelo Prefeito Cesar Maia. O CDLSM conferiu densidade ao tecido político do Complexo do Alemão nos anos 2000 e algumas organizações locais saíram fortalecidas desse engajamento.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Ao mesmo tempo, por conter uma grande reserva de granito, a Serra é objeto constante dos interesses privados. A presença da mineradora Lafarge é um dos grandes focos de tensão política e mobilização local. Os impactos ambientais causados por sua ação se manifestam constantemente. Um dos mais emblemáticos foi o rompimento de um lençol freático que produziu um lago na região. Mais recentemente, nos esforços de urbanização de favelas que foram desencadeados por conta do PAC, a Serra voltou a ser objeto de intervenções públicas, com a criação de um bikeparque lá. Um campo de futebol histórico, o “campo da mina”, foi destruído, o projeto foi desenhado, mas não chegou a sair do papel, bem como boa parte das ações voltadas para as favelas. Que se iniciam e ficam por terminar. Um pouco desta história que se busca contar e detalhar neste verbete.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&#039;Serra da Misericórdia, Te amo!&#039;&#039;&#039;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p paraeid=&amp;quot;{93cbec88-81a7-44d5-9ee4-e3bb7d0a2808}{43}&amp;quot; paraid=&amp;quot;788538305&amp;quot; style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;Morar em Piabas, quando&amp;amp;nbsp;será!&amp;amp;nbsp;&amp;lt;br/&amp;gt; A&amp;amp;nbsp;Serra é quem clama, misericórdia!&amp;amp;nbsp;&amp;lt;br/&amp;gt; Por entre balas e fumaças zona norte Rio&amp;amp;nbsp;&amp;lt;br/&amp;gt; A Serra se lança no maior desafio&amp;amp;nbsp;&amp;lt;br/&amp;gt; Verdeja Já!&amp;amp;nbsp;&#039;&#039;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p paraeid=&amp;quot;{93cbec88-81a7-44d5-9ee4-e3bb7d0a2808}{61}&amp;quot; paraid=&amp;quot;1250500084&amp;quot; style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;Já te amo Serra da&amp;amp;nbsp;Misericórdia!&amp;amp;nbsp;&amp;lt;br/&amp;gt; Te&amp;amp;nbsp;amo!!&amp;amp;nbsp;&#039;&#039;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p paraeid=&amp;quot;{93cbec88-81a7-44d5-9ee4-e3bb7d0a2808}{73}&amp;quot; paraid=&amp;quot;1623351516&amp;quot; style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;O seu verde precisa verdejar&amp;amp;nbsp;&amp;lt;br/&amp;gt; Esta redondeza sem paz, pálida e poluída&amp;amp;nbsp;&amp;lt;br/&amp;gt; Te amo Serra da&amp;amp;nbsp;Misericórdia!&amp;amp;nbsp;&amp;lt;br/&amp;gt; Te&amp;amp;nbsp;amo!!&amp;amp;nbsp;&#039;&#039;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p paraeid=&amp;quot;{93cbec88-81a7-44d5-9ee4-e3bb7d0a2808}{89}&amp;quot; paraid=&amp;quot;1573263742&amp;quot; style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;Penha, Inhaúma, Complexo do Alemão&amp;amp;nbsp;&amp;lt;br/&amp;gt; Olaria, Ramos, Bonsucesso, Engenho da Rainha&amp;amp;nbsp;&amp;lt;br/&amp;gt; Tomás Coelho, Vicente de Carvalho, Vila&amp;amp;nbsp;Kosmos,&amp;amp;nbsp;&#039;&#039;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p paraeid=&amp;quot;{93cbec88-81a7-44d5-9ee4-e3bb7d0a2808}{101}&amp;quot; paraid=&amp;quot;2086701575&amp;quot; style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;Vila da Penha e Penha Circular.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;br/&amp;gt; Circundam a Serra da Misericórdia&amp;amp;nbsp;&amp;lt;br/&amp;gt; Te amo Serra da Misericórdia&amp;amp;nbsp;&amp;lt;br/&amp;gt; Te amo!!&amp;amp;nbsp;&#039;&#039;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p paraeid=&amp;quot;{93cbec88-81a7-44d5-9ee4-e3bb7d0a2808}{113}&amp;quot; paraid=&amp;quot;971625869&amp;quot; style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;O seu verde precisa verdejar esta redondeza&amp;amp;nbsp;&amp;lt;br/&amp;gt; De paz, pálida e poluída&amp;amp;nbsp;&amp;lt;br/&amp;gt; Te amo Serra da Misericórdia&amp;amp;nbsp;&#039;&#039;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p paraeid=&amp;quot;{93cbec88-81a7-44d5-9ee4-e3bb7d0a2808}{123}&amp;quot; paraid=&amp;quot;1064492988&amp;quot; style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Luiz Carlos, Poeta&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p paraeid=&amp;quot;{93cbec88-81a7-44d5-9ee4-e3bb7d0a2808}{129}&amp;quot; paraid=&amp;quot;1571515515&amp;quot; style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Impossível falar da Serra da Misericórdia,&amp;amp;nbsp;sem falar da luta incansável do Verdejar que teve como seu maior expoente, Luiz Carlos, o Poeta, como era&amp;amp;nbsp;carinhosamente reconhecido.&amp;amp;nbsp;A ONG Verdejar desenvolve mensalmente um Mutirão Ecológico pela preservação e manutenção da última área verde da Zona Norte, a APARU (Área de Proteção Ambiental e Recuperação Urbana), localizada na Serra da Misericórdia.&amp;amp;nbsp;Um exemplo de atuação da organização pode ser&amp;amp;nbsp;vista&amp;amp;nbsp;em Verdejar (2007), de onde foi retirado o relato que se segue. O texto foi produzido, logo após uma sequência de dois incêndios ocorridos em uma área verde da Serra da Misericórdia e é exemplar quanto a importância e forma de atuação do Verdejar Socioambiental.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p lang=&amp;quot;PT-BR&amp;quot; paraeid=&amp;quot;{7d9f639a-37ec-4ef4-96be-d3f3cec2d8d3}{146}&amp;quot; paraid=&amp;quot;1303425731&amp;quot; style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot; xml:lang=&amp;quot;PT-BR&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;Em pouco menos de uma semana dois incêndios na Serra da Misericórdia no bairro do Engenho da Rainha Zona Norte do Rio de Janeiro assustam moradores e ambientalistas. De acordo com um morador, que não quis se identificar, o incêndio do dia 13 de março foi provocado por uma manifestação religiosa de origem africana comum no local. O grupo Socioambiental Verdejar que atua na Serra da Misericórdia desde 1997 chamou imediatamente os bombeiros que conseguiram conter o avanço do fogo.&amp;amp;nbsp;Os incêndios, segundo o coordenador de agroecologia do Verdejar&amp;amp;nbsp;Luiz&amp;amp;nbsp; Poeta, costumam acontecer principalmente pelos motivos: culto de origem africana que utilizam velas, culto de evangélicos que põe fogo na mata para abrir caminho para chegar ao monte e balões. “Infelizmente algumas pessoas ainda não têm consciência de preservação ambiental, daí o problema das queimadas”, enfatizou.&amp;amp;nbsp;&#039;&#039;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p paraeid=&amp;quot;{93cbec88-81a7-44d5-9ee4-e3bb7d0a2808}{175}&amp;quot; paraid=&amp;quot;322179424&amp;quot; style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;Já o coordenador executivo Edson Gomes não descarta a possibilidade de o incêndio ter sido causado por oportunistas, posto que o grupo Verdejar luta não somente pela preservação ambiental da Serra da Misericórdia, mas, também, por um desenvolvimento socioambiental sustentável e isso acaba por contrariar interesses de mineradoras e outras indústrias que exploram a região.&amp;amp;nbsp;Zolmir&amp;amp;nbsp;Figueiredo e Erik Vidal dizem que o Sistema Agroflorestal (SAF) plantado e implementado pelo Verdejar auxiliou a conter o fogo. “Na implantação do SAF são feitas capinas em aceiro no entorno do sistema justamente para protegê-lo contra as queimadas” explicaram.&amp;amp;nbsp;&#039;&#039;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p paraeid=&amp;quot;{93cbec88-81a7-44d5-9ee4-e3bb7d0a2808}{192}&amp;quot; paraid=&amp;quot;677555079&amp;quot; style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;O Comitê de Desenvolvimento Local da Serra da Misericórdia junto aos ambientalistas do Verdejar discutem a necessidade de gestão do maciço da&amp;amp;nbsp;Serra da Misericórdia para tentar diminuir as degradações ambientais ocorridas pelos incêndios, exploração das mineradoras e os impactos ambientais oriundos dessa exploração. “É necessário um plano de gestão urgente para coibir ações de queimadas, degradação ambiental e desmatamentos da última área verde da Zona da Leopoldina”, advertiu Luiz Carlos. &amp;amp;nbsp;&#039;&#039;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p paraeid=&amp;quot;{93cbec88-81a7-44d5-9ee4-e3bb7d0a2808}{203}&amp;quot; paraid=&amp;quot;1732893228&amp;quot; style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;Em novembro de 2000 foi criado o decreto de nº 19.144 que cria a Área de Proteção Ambiental e Recuperação Urbana – APARU da Serra da Misericórdia, área de aproximadamente 3.695 hectares. Isso é importante, pois a discussão do momento na imprensa tem sido em torno do “Piscinão do Alemão” (apelido de mau gosto dado ao grande Lago Azul) o que acaba por esconder a necessidade de abertura do debate com a sociedade civil para criação do Parque Ecológico. Mesmo após o decreto de proteção ambiental e de recuperação urbana dessas áreas a mineradora Lafarge explora brita na Serra da Misericórdia. “Há muito tempo lutamos pela desativação das pedreiras que exploram a Serra da Misericórdia. Elas poluem demasiadamente o ar das comunidades situadas no entorno da Serra causando graves problemas respiratórios, alergias onerando o setor de saúde pública, além de causar diversas rachaduras nas residências do entorno colocando a população em uma situação de risco durante as chuvas torrenciais” enfatiza Luiz Carlos.&amp;amp;nbsp;&#039;&#039;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p paraeid=&amp;quot;{93cbec88-81a7-44d5-9ee4-e3bb7d0a2808}{221}&amp;quot; paraid=&amp;quot;223435709&amp;quot; style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;De acordo com o grupo Verdejar, as explorações alcançaram um lençol freático que deu origem a Lagoa Azul do Complexo do Alemão. Esta área já era usada pela população local como área de lazer, com o aparecimento do lago a pratica se intensificou, uma vez que há carência de equipamentos e áreas públicas voltados para recreação e preservação ambiental que proporcionem bem estar. O Parque Ecológico está desenhado na arquitetura das obras do PAC e que por interesses escusos ainda não foi discutido com a sociedade civil um projeto urbanístico do referido Parque da Serra da Misericórdia acompanhado da política ambiental a ser implementada.&amp;amp;nbsp;&#039;&#039;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p paraeid=&amp;quot;{93cbec88-81a7-44d5-9ee4-e3bb7d0a2808}{236}&amp;quot; paraid=&amp;quot;1554758575&amp;quot; style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;No próximo dia 21 de março às 10h, um dia antes do dia mundial da água, haverá um abraço simbólico ao Lago Azul para chamar a atenção do poder público quanto a necessidade de criação do Parque Ecológico na Serra da Misericórdia. Estima-se que a mobilização vai levar mais de 500 pessoas ao&amp;amp;nbsp;local. “Este evento é uma tentativa de abrir um canal de diálogo com as instâncias de Governo e com a Empresa de Obras Públicas (EMOP) para a criação do tão sonhado Parque Ecológico na Serra da Misericórdia. A sociedade civil não pode ficar de fora desse diálogo. É algo de uma grandeza e importância incontestável não somente para Complexo do Alemão, mas também para toda Zona Norte da Cidade” decretou Edson Gomes. &amp;amp;nbsp;&#039;&#039;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p paraeid=&amp;quot;{f7cf2143-0f1d-463c-91e3-a85b61245ee3}{24}&amp;quot; paraid=&amp;quot;1268045221&amp;quot; style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p paraeid=&amp;quot;{f7cf2143-0f1d-463c-91e3-a85b61245ee3}{28}&amp;quot; paraid=&amp;quot;967952686&amp;quot; style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&#039;O Lago é&amp;amp;nbsp;Nosso&amp;amp;nbsp;&#039;&#039;&#039;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p paraeid=&amp;quot;{f7cf2143-0f1d-463c-91e3-a85b61245ee3}{40}&amp;quot; paraid=&amp;quot;1039058537&amp;quot; style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;O evento&amp;amp;nbsp;O Lago é&amp;amp;nbsp;Nosso&amp;amp;nbsp;2&amp;amp;nbsp;realizado&amp;amp;nbsp;neste domingo às 11h (ontem) pelo Comitê de Desenvolvimento Local da Serra da Misericórdia,&amp;amp;nbsp;Éfeta, Raízes e Verdejar reiniciou uma série de reivindicações dos moradores do Complexo do Alemão, entorno e redes sociais locais para a construção do Parque Ecológico na Serra da Misericórdia.&amp;amp;nbsp;O foco do evento, além de chamar a atenção do poder público para a degradação ambiental da Serra da Misericórdia promovida por empresas que exploram a região há 17 anos, foi também de provocar abertura no diálogo entre O Governo e a Empresa Municipal de Obras Públicas (EMOP) quanto à participação popular na construção e gestão do Parque e de equipamentos públicos.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p paraeid=&amp;quot;{f7cf2143-0f1d-463c-91e3-a85b61245ee3}{98}&amp;quot; paraid=&amp;quot;1619318981&amp;quot; style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;O Parque Ecológico na Serra da Misericórdia é uma forma de reconhecer a importância da última área verde da Zona da Leopoldina e consequentemente cumprir com o que rege no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Além de constar na planta do PAC (vide site oficial do Governo Federal), o Parque Ecológico é indubitavelmente de extrema importância para o Complexo do Alemão e entorno, pois vai contribuir para melhoria da qualidade de vida da população. Qualidade de vida que se expressa por propostas concretas para recuperação de áreas degradas, tratamento de resíduos sólidos tendo como parâmetro a promoção de trabalho e renda, recuperação de espaços públicos (praças e logradouros), implantação de uma Lona Cultural, de um centro poliesportivo, de uma universidade popular entre outras.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p paraeid=&amp;quot;{f7cf2143-0f1d-463c-91e3-a85b61245ee3}{116}&amp;quot; paraid=&amp;quot;973786219&amp;quot; style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Considerando que o desenvolvimento sustentável só pode ser alcançado com a mudança de uma política equivocada em relação ás questões ambientais o Comitê, as redes sociais e moradores exigem a apresentação do projeto urbanístico do Parque Ecológico, a política ambiental a ser implementada e a garantia de participação popular neste processo e em outros.  &amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p paraeid=&amp;quot;{f7cf2143-0f1d-463c-91e3-a85b61245ee3}{131}&amp;quot; paraid=&amp;quot;564027869&amp;quot; style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&#039;Abraço ao lago&amp;amp;nbsp;&#039;&#039;&#039;&amp;lt;br/&amp;gt; &amp;amp;nbsp;&amp;lt;br/&amp;gt; A ideia de dar um abraço simbólico no lago surgiu da necessidade de mobilizar os moradores do Complexo do Alemão e entorno para importância da construção do parque ecológico na Serra da Misericórdia, para a desativação da pedreira e, por conseguinte, preservar o que ainda resta do ecossistema e recuperar as áreas degradas, de modo a contribuir para o desenvolvimento sustentável. Vários artistas locais, convidados e moradores subiram a Serra para participar do evento. A mobilização levou cerca de 150 pessoas ao grande lago, entre elas: MC Playboy, Choro da Serra e Orquestra Voadora. Houve também coleta de lixo, plantio de mudas de árvores, poesia e muita diversão.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p paraeid=&amp;quot;{f7cf2143-0f1d-463c-91e3-a85b61245ee3}{150}&amp;quot; paraid=&amp;quot;167191452&amp;quot; style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Moradores apoiaram o evento e ficaram felizes com a iniciativa. No momento do abraço todos, com muita descontração, deram as mãos em torno do lago, fizeram “hola” e gritaram: “O LAGO É NOSSO!”. &amp;amp;nbsp;De acordo com as instituições organizadoras do evento o Parque Ecológico é uma reivindicação antiga e que agora ganha força com movimentos sociais e moradores que querem a construção dele, tanto quanto a construção do plano de gestão participativa dos equipamentos públicos.  &amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p paraeid=&amp;quot;{f7cf2143-0f1d-463c-91e3-a85b61245ee3}{176}&amp;quot; paraid=&amp;quot;1393721953&amp;quot; style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;As solicitações da construção do parque ecológico e promoção de novas práticas saudáveis para os moradores do Complexo do Alemão e adjacências não encontram melhor momento para a implementação.&amp;amp;nbsp;Todas as melhorias devem ter como prioridade o morador, sendo assim, requisitamos ao Governo atenção ao ofício de nº 1/2009 protocolado no dia 12 de novembro de 2009 junto à Secretaria Geral da Presidência do Brasil, a Presidência da Caixa Econômica, ao Governo do Estrado e Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro com cópia para os Ministérios público Estadual e Federal.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p paraeid=&amp;quot;{f7cf2143-0f1d-463c-91e3-a85b61245ee3}{210}&amp;quot; paraid=&amp;quot;1173341222&amp;quot; style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Acreditamos que após o evento de hoje (ontem) o Governo vai nos ouvir e abrir um canal para o diálogo, não como meros legitimadores do processo (como vem acontecendo com as obras do PAC), mas como participantes legítimos dele. Isso implica dizer em envolvimento com e das diversidades e multiplicidades de&amp;amp;nbsp;atores sociais previsto pelo Projeto Técnico do Trabalho Social (PTTS), tomadas de decisão e diálogos permanentes com efetiva participação popular.&amp;amp;nbsp;O Comitê de Desenvolvimento Local da Serra da misericórdia, as redes sociais e moradores do Complexo do Alemão e adjacências aguardam o diálogo frente às reivindicações. &amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Category:Complexo do Alemão]] [[Category:Conflito Ambiental]] [[Category:Meio ambiente]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Thiago Matiolli</name></author>
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		<id>https://homologacao2.wikifavelas.com.br/index.php?title=Bailes_Funk_no_Complexo_do_Alem%C3%A3o&amp;diff=4333</id>
		<title>Bailes Funk no Complexo do Alemão</title>
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		<updated>2020-03-01T21:42:35Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Thiago Matiolli: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;ITCHO TCHO MERY É AUTOMÁTICO&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por [[Ricardo_De_Moura|Ricardo De Moura&amp;amp;nbsp;]]&lt;br /&gt;
&amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;“[...] (&amp;quot;o povo é inventa-línguas&amp;quot;, Maiakóvski) contra os burocratas da sensibilidade, que querem impingir ao povo, caritativamente, uma arte oficial, de &amp;quot;boa consciência&amp;quot;, ideologicamente retificada, dirigida. Mas o povo cria, o povo engenha, o povo cavila.&amp;amp;nbsp;O povo é o inventa-línguas, na malícia da mestria, no matreiro da maravilha. O visgo do improviso, tateando a travessia, azeitava o eixo do sol...&amp;amp;nbsp;O povo é o melhor artífice.&amp;amp;nbsp;[...]” (Haroldo de Campos, circulado de fulô).&#039;&#039;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Porque começamos essa conversa com a citação acima? “O povo é inventa-línguas contra os burocratas da sensibilidade...”. Para mim não há dúvida que a língua é viva. Os falantes, no nosso caso o português do Brasil, são os responsáveis por tamanha variação linguística, embora todos falem o mesmo idioma. Não há, que fique claro, certo ou errado na linguagem. O que há são variações e fenômenos linguísticos, dialetos sociais e níveis de fala, dialetos e falares regionais; gíria, jargão e linguagem popular. Mas também há preconceito linguístico que no fundo se traduz como preconceito social, já que a linguagem é também poder e ideologia, daí a tal de norma culta ao invés de norma padrão. A gramática normativa como ideologia.&amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Feito essa pequena, mas valiosa observação vamos, a título de esboço, falar do funk, especialmente de uma música que deu e dá o que falar quando o assunto é linguagem. Mas, também quando o assunto é corpo, dança, alegria, diversão. E mais adiante, em linhas gerais, uma pitada da história do funk e a seguir baile das antigas, apenas com o propósito de situar a conversa.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;O título desse texto é proposital e provocativo ao mesmo tempo, um modo de operar na e com a linguagem inventiva – aquela já dita por Heraldo de Campos na citação que abre essa conversa. It&#039;s Automatic popularmente conhecida&amp;amp;nbsp;ITCHO TCHO MERY ou algo do gênero era um som que explodia nos trenzinhos ou nos bailes de corredores na década de 1980 e hoje é relembrado nos “bailes das antigas” espalhados por algumas favelas do Rio de Janeiro. Não se trata de saudosismo nessa retomada, mesmo porque, os bailes das antigas acontecem hoje. Há algo mais por aí.&amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;É inevitável não rir quando se descobre o nome da música, já que para os que curtiam e curtem ainda esse som, na maioria das vezes, não sabem que Itcho Tcho Mery é “automático”. Isto é, It’s automatic que quer dizer é “automático”. Uma tremenda invenção da linguagem que se modifica com o falante da língua. Mesmo sabendo que a expressão Itcho Tcho Mery, a rigor, não tem semelhança com o significante que dá o nome da música It’s automatic, ela tem um sentido por ser a expressão do entendimento sonoro produzido. Para os vovós e vovôs do funk, Itcho tcho mery era e continua sendo um pancadão boladão, eu diria, pega a visão que “noix” vai brotar lá no baile das antigas no CPX porque é automático.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;It’s Automatic foi tão popularizada, que os múltiplos significantes oriundos da escuta dessa música e, consequentemente, do ato de cantá-la, tornaram-na ainda mais popular. Mas com um detalhe: na maioria dos casos pouquíssimas pessoas conhecem o título da música, ou seja, It’s Automatic é desconhecida. Vejamos alguns comentários nos posts no Youtube [https://www.youtube.com/watch?v=TfdWQcfs4yo https://www.youtube.com/watch?v=TfdWQcfs4yo] com o título freestiyle – It’s Automatic.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;• Insotomeri, inchorchomeri, não sei o que meri. Esses são os nomes que os caras diziam. Tudo menos it&#039;s automatic.&amp;amp;nbsp;&#039;&#039;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;• É tcho tcho meri.... É tcho tcho meri .... Kkkkkkkkkk.&#039;&#039;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;• Eu fico emocionado quando eu escuto essa música. Pois meu apelido é Tchotchomary, por causa dessa música. A merda que é It&#039;s automatic.&#039;&#039;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;• Grande década de 80, esse é o famoso &amp;quot;tchontchonmery&amp;quot; na época dos bailes todo mundo cantava, bons tempos.&#039;&#039;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;• It&#039;s automatic?? Prefiro: Ih cho cho Mary...&#039;&#039;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Embora os comentários sejam apenas exemplos, tais formulações nos permitem olhar para além da compreensão de um idioma, na verdade nos coloca frente à inventividade da língua, que nesse caso abarca o cômico, sobretudo, quando descobre o nome “original”. Talvez, essa questão possa ser interessante para antropologia, sociologia ou linguagem, mesmo porque tal deslocamento linguístico forja outras maneiras de sensibilidade para além do uso “correto” da linguagem e, neste caso, ganha enorme dimensão nas classes populares, forja também sociabilidades, identidades, maneiras de ver o mundo.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;É muito comum alguns usuários da língua, especialmente os mais jovens, em determinadas regiões, usarem formas de comunicação fora dos ditames da gramática normativa, por exemplo: “nóix vai no baile de bonde, tá ligado?”. Imagine se um estudante resolve escrever desse modo numa prova de vestibular. Embora a sentença possa estar clara, ele/ela, o (a) candidato(a) seria “exterminado(a)” de imediato. Isso é uma heresia gramatical, diriam os defensores da gramática. Para a dona norma vários “erros”. Sublinharemos o que ela, dona norma, consideraria fatal: o sujeito “NOIX” está no plural e o verbo VAI no singular. Imagine NOIX VAI NO BAILE... quantos “erros” numa mesma frase. A experiência com a linguagem fica submetida a forma de certo ou errado numa tentativa de aprisionar os falantes da língua. Doce ilusão, pois NÒIX VAI NO BAILE e ITCHO TCHO MERY É AUTOMÁTICO.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp; &amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&#039;Uma pitada da história do Funk&amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp;&#039;&#039;&#039;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;O funk é um estilo musical que, provavelmente, surgiu através da música negra norte-americana no final da década de 1960 – o funk se originou da Soul Music. Algumas características desse estilo musical são: ritmo sincopado, a densa linha de baixo, uma seção de metais fortes e rítmica, além de uma percussão marcante e dançante. E é nessa esteira que viria nascer o funk.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;O funk da década de 60&amp;amp;nbsp;surgiu com uma mistura entre os estilos R&amp;amp;B, jazz e soul. Nessa época, o estilo musical era considerado indecente porque a palavra “funk” tinha conotações sexuais na língua inglesa. O funk acabou aderindo essa característica tendo uma música com um ritmo lento, dançante, sexy. Na década seguinte o P-Funk – Parlaiment Funkdelic – um coletivo de funk, rock e soul era um funk mais pesado, com influência psicodélica e com a alteração mais característica do funk, foi feita por George Clinton. A década de 1980 serviu para “quebrar” o funk tradicional e transformar em vários subgêneros. Seus derivados como o rap, hip-hop e break ganhavam muita força nos Estados Unidos. No final dos anos 1980 surgiu a casa do funk que foi um fenômeno nas pistas de dança do mundo inteiro. No Brasil, em especial no Rio de Janeiro, muitos grupos se formaram e o break se tornou um fenômeno de dança, coreografia, teatro de vivências cênicas em vários lugares públicos, inclusive dentro de escolas.&amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;A derivação mais presente no Brasil é o funk carioca. O ritmo, tal como se desenvolveu no Rio de Janeiro, foi influenciado por um novo ritmo da Flórida, o Miami Bass, que trazia músicas mais erotizadas e batidas mais rápidas. Depois de 1989, os bailes funk começaram a “bombar” atraindo cada vez mais pessoas e daí foram lançadas músicas em português. Inicialmente as letras falavam sobre a realidade da vida nas favelas, como por exemplo o refrão do Rap do Silva do MC Bob Rum “era só mais um Silva que a estrela na brilha ele era funkeiro mais era pai de família”, mas também a implementação de recursos melódicos nas músicas, um funk mais romântico como o Rap do solitário e princesa de MC Marcinho, mais tarde o tema principal passou a ser o sexo. O funk carioca se tornou e continua sendo bastante popular em várias partes do Brasil e no exterior. Tudo isso nos anos 1990.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;O funk da metade dos anos 1990 era utilizado como forma de protesto contra as autoridades e também servia como maneira de levar para o mundo o que realmente acontecia nas favelas. Muitas músicas falavam até mesmo de abuso das forças policiais. Essa modalidade ficou conhecida como o FUNK PROIBIDÃO. Em 2000 a ênfase no funk com conotação sexual voltou com força total e estão presentes até hoje nos ritmos 150 e 170 bpm fazendo o maior sucesso nos bailes de favela.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&#039;Baile das Antigas&#039;&#039;&#039;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Os já conhecidos e tão aguardados, “Bailes das Antigas”, têm sido uma verdadeira atração nas favelas do Rio de Janeiro desde que começaram, entre 2013 e 2014. Aquela rivalidade que havia nos “bailes de corredor” ficou para trás, deu lugar ao reencontro com a cultura do Funk de maneira social, onde a união e a amizade prevalecem transformando aquele passado em memórias afetivas, motivos para se reunir, brincar e sorrir. E como não poderia ser diferente, o Complexo do Alemão já foi palco privilegiado de alguns desses encontros.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Para quem não sabe, nos “bailes de corredor” os grupos se dividiam entre “Lado A e Lado B” e se viam como rivais, brigavam muito, trocando socos e pernadas. Para fortalecer a agenda de bailes, os representantes das áreas decidiram se unir a bairros vizinhos para que o baile ficasse mais cheio e não houvesse disputa entre eles mesmos. Então, a galera que fechava do outro lado não podia frequentar o oposto ao seu. Pessoas que ‘fechavam’ com o Lado contrário sequer podiam passar e/ou frequentar aquela localidade (por exemplo: participantes do Fazenda de Inhaúma - Lado B -, não podiam frequentar algumas localidades da baixada por ser Lado A por que eram vistos como inimigo). Apesar disso, todo mundo frequentava os mesmos bailes. Daí a divisão entre “A e B”. Nessa, o corredor ficava livre. Dessa época lembra-se de muitas situações, músicas que animavam os “bondes”, agitando “o corredor”, as grandes equipes de som, os DJ’s, o passinho, enfim, tudo isso precisava ser novamente vivido por aqueles que estavam lá no início e compartilhado com a nova geração do Funk.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Os “Bailes das Antigas” são, na realidade, um espaço para reviver bons tempos e homenagear os(as) construtores(as) dessa história. Na Nova Brasília, em 2019, teve um baile especialmente para lembrar do MC Sapão que, além de produzir músicas incríveis que marcaram - “BAILES DAS ANTIGAS” RECORDA BONS MOMENTOS DO FUNK MEU NOME É FAVELA a cena do funk até hoje, era morador da localidade e faleceu em abril de 2019. A galera do AP do Itararé, como mostram as fotos, marcaram presença. A viúva do “Sapão” foi às lágrimas com o evento e com a homenagem. Esse baile foi mágico porque, teve toda essa emoção relacionada ao Sapão, mas também foi bem na final da Copa América quando o Brasil venceu o Chile e foi campeão. Então tudo estava em ritmo de festa.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;E é sempre assim nesses bailes, festa e alegria contaminam geral no salão onde, a cada som das antigas, seja na quadra da Vila Olímpica ou na Rua 2, as pessoas, com muito prazer e orgulho de serem parte daquele momento, cantam e dançam sem parar. É algo que transcende qualquer questão territorial. As(os) moradoras(es) se divertem quando rolam os bailes. É sempre um evento lindo ver a energia daquelas pessoas e viver aquele momento incrível. É um dos poucos instantes de respiro em que a felicidade dos moradores predomina por, inclusive, poder garantir o seu ‘momento de lazer’ sem ser interrompido pela violência. Favela Viva!&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Thiago Matiolli</name></author>
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		<title>Bailes Funk no Complexo do Alemão</title>
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		<updated>2020-03-01T21:40:18Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Thiago Matiolli: Criou página com &amp;#039; &amp;#039;&amp;#039;&amp;#039;ITCHO TCHO MERY É AUTOMÁTICO&amp;#039;&amp;#039;&amp;#039;  Por Ricardo De Moura&amp;amp;nbsp; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;&amp;#039;&amp;#039;“[...] (&amp;quot;o povo é inventa-línguas&amp;quot;, Maiak...&amp;#039;&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;ITCHO TCHO MERY É AUTOMÁTICO&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por [[Ricardo_De_Moura|Ricardo De Moura]]&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;“[...] (&amp;quot;o povo é inventa-línguas&amp;quot;, Maiakóvski) contra os burocratas da sensibilidade, que querem impingir ao povo, caritativamente, uma arte oficial, de &amp;quot;boa consciência&amp;quot;, ideologicamente retificada, dirigida. Mas o povo cria, o povo engenha, o povo cavila.&amp;amp;nbsp;O povo é o inventa-línguas, na malícia da mestria, no matreiro da maravilha. O visgo do improviso, tateando a travessia, azeitava o eixo do sol...&amp;amp;nbsp;O povo é o melhor artífice.&amp;amp;nbsp;[...]” (Haroldo de Campos, circulado de fulô).&#039;&#039;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Porque começamos essa conversa com a citação acima? “O povo é inventa-línguas contra os burocratas da sensibilidade...”. Para mim não há dúvida que a língua é viva. Os falantes, no nosso caso o português do Brasil, são os responsáveis por tamanha variação linguística, embora todos falem o mesmo idioma. Não há, que fique claro, certo ou errado na linguagem. O que há são variações e fenômenos linguísticos, dialetos sociais e níveis de fala, dialetos e falares regionais; gíria, jargão e linguagem popular. Mas também há preconceito linguístico que no fundo se traduz como preconceito social, já que a linguagem é também poder e ideologia, daí a tal de norma culta ao invés de norma padrão. A gramática normativa como ideologia.&amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Feito essa pequena, mas valiosa observação vamos, a título de esboço, falar do funk, especialmente de uma música que deu e dá o que falar quando o assunto é linguagem. Mas, também quando o assunto é corpo, dança, alegria, diversão. E mais adiante, em linhas gerais, uma pitada da história do funk e a seguir baile das antigas, apenas com o propósito de situar a conversa.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;O título desse texto é proposital e provocativo ao mesmo tempo, um modo de operar na e com a linguagem inventiva – aquela já dita por Heraldo de Campos na citação que abre essa conversa. It&#039;s Automatic popularmente conhecida&amp;amp;nbsp;ITCHO TCHO MERY ou algo do gênero era um som que explodia nos trenzinhos ou nos bailes de corredores na década de 1980 e hoje é relembrado nos “bailes das antigas” espalhados por algumas favelas do Rio de Janeiro. Não se trata de saudosismo nessa retomada, mesmo porque, os bailes das antigas acontecem hoje. Há algo mais por aí.&amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;É inevitável não rir quando se descobre o nome da música, já que para os que curtiam e curtem ainda esse som, na maioria das vezes, não sabem que Itcho Tcho Mery é “automático”. Isto é, It’s automatic que quer dizer é “automático”. Uma tremenda invenção da linguagem que se modifica com o falante da língua. Mesmo sabendo que a expressão Itcho Tcho Mery, a rigor, não tem semelhança com o significante que dá o nome da música It’s automatic, ela tem um sentido por ser a expressão do entendimento sonoro produzido. Para os vovós e vovôs do funk, Itcho tcho mery era e continua sendo um pancadão boladão, eu diria, pega a visão que “noix” vai brotar lá no baile das antigas no CPX porque é automático.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;It’s Automatic foi tão popularizada, que os múltiplos significantes oriundos da escuta dessa música e, consequentemente, do ato de cantá-la, tornaram-na ainda mais popular. Mas com um detalhe: na maioria dos casos pouquíssimas pessoas conhecem o título da música, ou seja, It’s Automatic é desconhecida. Vejamos alguns comentários nos posts no Youtube [https://www.youtube.com/watch?v=TfdWQcfs4yo https://www.youtube.com/watch?v=TfdWQcfs4yo] com o título freestiyle – It’s Automatic.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;• Insotomeri, inchorchomeri, não sei o que meri. Esses são os nomes que os caras diziam. Tudo menos it&#039;s automatic.&amp;amp;nbsp;&#039;&#039;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;• É tcho tcho meri.... É tcho tcho meri .... Kkkkkkkkkk.&#039;&#039;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;• Eu fico emocionado quando eu escuto essa música. Pois meu apelido é Tchotchomary, por causa dessa música. A merda que é It&#039;s automatic.&#039;&#039;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;• Grande década de 80, esse é o famoso &amp;quot;tchontchonmery&amp;quot; na época dos bailes todo mundo cantava, bons tempos.&#039;&#039;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;• It&#039;s automatic?? Prefiro: Ih cho cho Mary...&#039;&#039;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Embora os comentários sejam apenas exemplos, tais formulações nos permitem olhar para além da compreensão de um idioma, na verdade nos coloca frente à inventividade da língua, que nesse caso abarca o cômico, sobretudo, quando descobre o nome “original”. Talvez, essa questão possa ser interessante para antropologia, sociologia ou linguagem, mesmo porque tal deslocamento linguístico forja outras maneiras de sensibilidade para além do uso “correto” da linguagem e, neste caso, ganha enorme dimensão nas classes populares, forja também sociabilidades, identidades, maneiras de ver o mundo.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;É muito comum alguns usuários da língua, especialmente os mais jovens, em determinadas regiões, usarem formas de comunicação fora dos ditames da gramática normativa, por exemplo: “nóix vai no baile de bonde, tá ligado?”. Imagine se um estudante resolve escrever desse modo numa prova de vestibular. Embora a sentença possa estar clara, ele/ela, o (a) candidato(a) seria “exterminado(a)” de imediato. Isso é uma heresia gramatical, diriam os defensores da gramática. Para a dona norma vários “erros”. Sublinharemos o que ela, dona norma, consideraria fatal: o sujeito “NOIX” está no plural e o verbo VAI no singular. Imagine NOIX VAI NO BAILE... quantos “erros” numa mesma frase. A experiência com a linguagem fica submetida a forma de certo ou errado numa tentativa de aprisionar os falantes da língua. Doce ilusão, pois NÒIX VAI NO BAILE e ITCHO TCHO MERY É AUTOMÁTICO.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp; &amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&#039;Uma pitada da história do Funk&amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp;&#039;&#039;&#039;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;O funk é um estilo musical que, provavelmente, surgiu através da música negra norte-americana no final da década de 1960 – o funk se originou da Soul Music. Algumas características desse estilo musical são: ritmo sincopado, a densa linha de baixo, uma seção de metais fortes e rítmica, além de uma percussão marcante e dançante. E é nessa esteira que viria nascer o funk.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;O funk da década de 60&amp;amp;nbsp;surgiu com uma mistura entre os estilos R&amp;amp;B, jazz e soul. Nessa época, o estilo musical era considerado indecente porque a palavra “funk” tinha conotações sexuais na língua inglesa. O funk acabou aderindo essa característica tendo uma música com um ritmo lento, dançante, sexy. Na década seguinte o P-Funk – Parlaiment Funkdelic – um coletivo de funk, rock e soul era um funk mais pesado, com influência psicodélica e com a alteração mais característica do funk, foi feita por George Clinton. A década de 1980 serviu para “quebrar” o funk tradicional e transformar em vários subgêneros. Seus derivados como o rap, hip-hop e break ganhavam muita força nos Estados Unidos. No final dos anos 1980 surgiu a casa do funk que foi um fenômeno nas pistas de dança do mundo inteiro. No Brasil, em especial no Rio de Janeiro, muitos grupos se formaram e o break se tornou um fenômeno de dança, coreografia, teatro de vivências cênicas em vários lugares públicos, inclusive dentro de escolas.&amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;A derivação mais presente no Brasil é o funk carioca. O ritmo, tal como se desenvolveu no Rio de Janeiro, foi influenciado por um novo ritmo da Flórida, o Miami Bass, que trazia músicas mais erotizadas e batidas mais rápidas. Depois de 1989, os bailes funk começaram a “bombar” atraindo cada vez mais pessoas e daí foram lançadas músicas em português. Inicialmente as letras falavam sobre a realidade da vida nas favelas, como por exemplo o refrão do Rap do Silva do MC Bob Rum “era só mais um Silva que a estrela na brilha ele era funkeiro mais era pai de família”, mas também a implementação de recursos melódicos nas músicas, um funk mais romântico como o Rap do solitário e princesa de MC Marcinho, mais tarde o tema principal passou a ser o sexo. O funk carioca se tornou e continua sendo bastante popular em várias partes do Brasil e no exterior. Tudo isso nos anos 1990.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;O funk da metade dos anos 1990 era utilizado como forma de protesto contra as autoridades e também servia como maneira de levar para o mundo o que realmente acontecia nas favelas. Muitas músicas falavam até mesmo de abuso das forças policiais. Essa modalidade ficou conhecida como o FUNK PROIBIDÃO. Em 2000 a ênfase no funk com conotação sexual voltou com força total e estão presentes até hoje nos ritmos 150 e 170 bpm fazendo o maior sucesso nos bailes de favela.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&#039;Baile das Antigas&#039;&#039;&#039;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Os já conhecidos e tão aguardados, “Bailes das Antigas”, têm sido uma verdadeira atração nas favelas do Rio de Janeiro desde que começaram, entre 2013 e 2014. Aquela rivalidade que havia nos “bailes de corredor” ficou para trás, deu lugar ao reencontro com a cultura do Funk de maneira social, onde a união e a amizade prevalecem transformando aquele passado em memórias afetivas, motivos para se reunir, brincar e sorrir. E como não poderia ser diferente, o Complexo do Alemão já foi palco privilegiado de alguns desses encontros.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Para quem não sabe, nos “bailes de corredor” os grupos se dividiam entre “Lado A e Lado B” e se viam como rivais, brigavam muito, trocando socos e pernadas. Para fortalecer a agenda de bailes, os representantes das áreas decidiram se unir a bairros vizinhos para que o baile ficasse mais cheio e não houvesse disputa entre eles mesmos. Então, a galera que fechava do outro lado não podia frequentar o oposto ao seu. Pessoas que ‘fechavam’ com o Lado contrário sequer podiam passar e/ou frequentar aquela localidade (por exemplo: participantes do Fazenda de Inhaúma - Lado B -, não podiam frequentar algumas localidades da baixada por ser Lado A por que eram vistos como inimigo). Apesar disso, todo mundo frequentava os mesmos bailes. Daí a divisão entre “A e B”. Nessa, o corredor ficava livre. Dessa época lembra-se de muitas situações, músicas que animavam os “bondes”, agitando “o corredor”, as grandes equipes de som, os DJ’s, o passinho, enfim, tudo isso precisava ser novamente vivido por aqueles que estavam lá no início e compartilhado com a nova geração do Funk.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;Os “Bailes das Antigas” são, na realidade, um espaço para reviver bons tempos e homenagear os(as) construtores(as) dessa história. Na Nova Brasília, em 2019, teve um baile especialmente para lembrar do MC Sapão que, além de produzir músicas incríveis que marcaram - “BAILES DAS ANTIGAS” RECORDA BONS MOMENTOS DO FUNK MEU NOME É FAVELA a cena do funk até hoje, era morador da localidade e faleceu em abril de 2019. A galera do AP do Itararé, como mostram as fotos, marcaram presença. A viúva do “Sapão” foi às lágrimas com o evento e com a homenagem. Esse baile foi mágico porque, teve toda essa emoção relacionada ao Sapão, mas também foi bem na final da Copa América quando o Brasil venceu o Chile e foi campeão. Então tudo estava em ritmo de festa.&amp;lt;/p&amp;gt; &amp;lt;p dir=&amp;quot;ltr&amp;quot; style=&amp;quot;text-align: justify;&amp;quot;&amp;gt;E é sempre assim nesses bailes, festa e alegria contaminam geral no salão onde, a cada som das antigas, seja na quadra da Vila Olímpica ou na Rua 2, as pessoas, com muito prazer e orgulho de serem parte daquele momento, cantam e dançam sem parar. É algo que transcende qualquer questão territorial. As(os) moradoras(es) se divertem quando rolam os bailes. É sempre um evento lindo ver a energia daquelas pessoas e viver aquele momento incrível. É um dos poucos instantes de respiro em que a felicidade dos moradores predomina por, inclusive, poder garantir o seu ‘momento de lazer’ sem ser interrompido pela violência. Favela Viva!&amp;amp;nbsp;&amp;lt;/p&amp;gt; &lt;br /&gt;
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		<author><name>Thiago Matiolli</name></author>
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		<title>Pertencimento ao Complexo do Alemão</title>
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		<updated>2020-01-30T20:55:32Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Thiago Matiolli: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Autor&#039;&#039;&#039;: [https://wikifavelas.com.br/index.php?title=Usuário:Thiago_Matiolli&amp;amp;action=edit&amp;amp;redlink=1 Thiago Oliveira Lima Matiolli].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É comum entre pesquisadoras(es), sobretudo aquelas(es) que se pretendem estudar as favelas, tomar como pressuposto o fato de que as pessoas que vivem em áreas que hoje são percebidas como complexo de favelas não se vêem como moradoras de um “complexo”. Essa premissa, que não vem acompanhada de evidências empíricas rigorosas, é suficiente para que tais “especialistas” passem a afirmar que essa perspectiva espacial é algo construído pelo Estado e imposto a quem habita as áreas faveladas, numa lógica militarizada. Negligenciando, assim, em alguma medida, a agência de quem vive nesses espaços.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Todavia, a relação que é estabelecida pelas pessoas que vivem nesses espaços renomeados como “complexo de favelas” com seu lugar de moradia promove menos sua identificação (ou não) definitiva como moradoras de um “complexo”, do que a possibilidade de um pertencimento (ou não) a ele, o qual é acionado de modo bastante heterogêneo e, usualmente, estratégico. O que isso quer dizer: primeiro, que não podemos fazer afirmações generalistas e duais que afirmem ou neguem a identidade de alguém a “um complexo”; segundo, e em decorrência do primeiro, que os pertencimentos a essa nova escala espacial da cidade do Rio de Janeiro (complexo) são múltiplos, variados e imprevisíveis&amp;lt;ref&amp;gt; Para um visão mais detalhada desta questão, ver o verbete “https://wikifavelas.com.br/index.php?title=Complexos_de_Favelas”, neste dicionário. &lt;br /&gt;
&amp;lt;/ref&amp;gt;.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As pessoas vão se perceber como moradoras ou não de um complexo de maneiras diferentes. Ante a uma pergunta do tipo: “você mora no Complexo do Alemão?”, uma moradora ou morador da área pode responder que “não”. O que não implica necessariamente numa resistência em reconhecer esse novo espaço da cidade, que lhe teria sido imposto como lugar de moradia.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há, pelo menos, duas outras motivações para que essa resposta negativa tenha sido dada. A primeira, por exemplo, é se a pessoa que for indagada tivesse se mudado para essa região na década de 1980 ou antes, ela, de fato, não foi morar no Complexo do Alemão, mas em outro lugar, seja Olaria, Ramos, Inhauma ou Bonsucesso. A lei 2055 de 1993 mudou o nome do bairro onde ela mora (ou morava), e isso pode não ter-lhe sido comunicado; assim, mudou-se o nome bairro onde essa moradora ou morador vive e não lhe contaram. O que, também explicaria, porque há quem situe o lugar em que reside como “rua x, &#039;complexo do alemão&#039;, Ramos”, considerando este último como a referência formal de local de moradia.&amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A outra explicação é que, internamente ao Complexo do Alemão, há diversas localidades, de modo que o pertencimento inicial pode ser à Nova Brasília ou à Alvorada, à qual a filiação ao complexo se sobrepõe. Assim, alguém pode localizar sua moradia na Nova Brasília, no Complexo ou ainda a ambos ao mesmo tempo: “moro na Nova Brasília, no Complexo do Alemão”&amp;lt;ref&amp;gt;Ou ainda “moro na Nova Brasília, no Complexo do Alemão em Ramos”.&amp;lt;/ref&amp;gt;.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Então, para se apreender como as pessoas se identificam ou pertencem ao Complexo do Alemão é preciso entender que esse pertencimento seguirá perspectivas variáveis e estratégicas. Trata-se de mais uma escala espacial que se sobrepõe ao lugar onde se vive e pode ser acionada se necessário, isto é, uma pessoa pode se ver como moradora, ao mesmo tempo, da Nova Brasília e do Complexo do Alemão, tal como, da Zona da Leopoldina, da cidade e do estado do Rio de Janeiro; e, ainda, deste país chamado Brasil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Neste verbete, não se vai abordar a relação de moradoras e moradores com o Complexo do Alemão ao longo do século&amp;lt;ref&amp;gt;Para este aspecto ver verbete https://wikifavelas.com.br/index.php?title=Hist%C3%B3rico_fundi%C3%A1rio_do_Complexo_do_Alem%C3%A3o ou o trabalho de Couto e Rodrigues (2013).&amp;lt;/ref&amp;gt;, haja vista que essa denominação começou a ser produzida apenas na década de 1980, até que virasse bairro na década seguinte. Mas, resgatar o processo histórico de produção desse novo espaço na cidade e como ele passou a ser experimentado pelos moradores nas últimas décadas. &amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;O morro do alemão como um aglomerado de favelas.&amp;amp;nbsp;&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Talvez a primeira menção pública a um possível Complexo do Alemão possa ser resgatada de uma edição do Jornal do Brasil de 13 de Janeiro de 1980, através da transcrição de uma fala do então Secretário Municipal de Desenvolvimento Social do Município do Rio de Janeiro, Marcos Candau, ao abordar o crescimento do processo de favelização da cidade. Ao listar as favelas que mais teriam crescido nos anos anteriores, ele afirmava:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;“Se você for ao morro do Alemão, entre o Méier e Ramos, que é um aglomerado de seis favelas, vai sentir-se numa enorme cidade, com milhões de pessoas. Feita a contagem, constatou-se a existência de cerca de 122 mil habitantes. As favelas da Rocinha e Vidigal, juntamente com essas do Alemão, foram as que mais cresceram nos últimos anos e, se olharmos do alto, do helicóptero, vemos que dentro de pouco tempo Vidigal e Rocinha se juntarão, formando uma única favela”&#039;&#039; (Jornal do Brasil, 13/01/1980, pg. 19).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nesta fala, ainda que não haja o uso do termo “complexo”, já é possível notar uma identificação entre o Morro do Alemão como um espaço que congregava mais de uma favela. Na mesma edição há uma matéria intitulada:“Morro do Alemão, o que mais cresce”, na qual, a área é descrita como uma região de quase um milhão de metros quadrados distribuídos pelos bairros de Ramos, Olaria e Bonsucesso.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&amp;quot;Com 24.535 barracos e uma população de 122 mil 675 habitantes, o morro do Alemão é, na verdade, um aglomerado de favelas (Nova Brasília, Grota, Alvorada, Alemão, Alto Florestal e Itararé) que não para de crescer e já ocupa uma área de área de 973.600 m2 segundo o último levantamento de 1979&amp;quot;&#039;&#039; (Jornal do Brasil, 13/01/1980, pg. 20).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A reportagem segue trazendo alguns “personagens”: Severino dias, que fora morar lá após casar, em um “puxado” na casa n. 23 da Avenida Central&amp;lt;ref&amp;gt;“O preço do barraco na Avenida Central – ponto chique do morro, onde existe acesso para automóveis graças a rua aberta em regime de mutirão – está em torno dos Cr$ 70 mil, quantia que cai até Cr$ 20 mil nas sinuosas vielas transversais, encharcadas por despejos de esgotos e sem calçamento. O Morro do Alemão mistura os tradicionais barracos de tábuas com casa de alvenaria dotadas de algum conforto: fossas, água encanada, luz, televisão e até aparelhos de ar condicionado” (Jornal do Brasil, 13 de Janeiro de 1980, pg. 20). &amp;lt;/ref&amp;gt; e, seria, segundo o jornal, de “puxado em puxado” a forma pela qual o Alemão se expandia; Jorge da Costa, “empreiteiro do Morro do Alemão”, para quem o que não faltava ali, era trabalho; e Manoel Hermógenes, o “morador mais antigo do Morro do Alemão”, que teria chegado ao Alemão em 15 de Dezembro de 1946. Há também menção à UDAMA (Associação de Defesa e Assistência dos Moradores do Morro do Alemão) que fazia a manutenção das bombas hidráulicas que bombeavam água para o alto do morro e de duas creches, além de fornecer documentos aos “favelados”. Segundo o tesoureiro, à época, João Alexandre da Silva, o sonho da UDAMA era “ver a favela urbanizada”. Já a maior aspiração dos moradores seria a construção de galerias de esgoto.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Partindo da fala de João Alexandre, o Jornal apresenta esta caracterização do Alemão: &amp;quot;&#039;&#039;o morro em si, sem as favelas que o cercam, é delimitado pelas Ruas Joaquim de Queirós, Armando Sodré, Olaria e Estrada do Itararé e Rua Paranhos, em Ramos. O último levantamento oficial foi feito em 1972. Os dados: 18 mil moradores e 4 mil casas, número que não cessou de crescer garante o tesoureiro&#039;&#039;” (Jornal do Brasil, 13/01/1980, pg. 20).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O que as reportagens retratam é a emergência de um novo espaço na cidade, uma nova escala territorial para pensar as favelas. A caracterização transcrita acima traz uma tensão entre o morro (do Alemão) em si e esse novo espaço, que virá a ser, anos depois, o Complexo do Alemão. Mais do que o nome, são lugares com delimitação e população diferentes e, a princípio, intercambiáveis; o Morro do Alemão passa a ter simultaneamente 4 mil e 24 mil “barracos”, 18 mil e 122 mil moradores. Com o passar do tempo, e com esse complemento “complexo”, a diferenciação entre esses dois espaços vai se consolidando, e a cidade verá surgir um de seus maiores espaços favelados nas décadas seguintes. O que seria percebido dois anos depois da entrevista, com a escolha do “Morro do Alemão”, composto por seis favelas, para receber um diagnóstico da Prefeitura, financiado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), junto com o Jacarezinho, dois dos maiores espaços favelados da cidade à época.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;O Conjunto de favelas do Alemão.&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Relatório Preliminar do &#039;&#039;Projeto de Desenvolvimento Social de Favelas do Rio de Janeiro&#039;&#039; foi produzido pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social (SMDS) com recursos do BID, entre os anos de 1981 e 1983. O texto está organizado em três grandes áreas: socioeconômica, físico-urbanística e jurídica. Logo na apresentação do relatório, o programa faz menção ao objetivo de gerar propostas para cinco favelas do Município do Rio de Janeiro: Jacarezinho e o “Conjunto Favelado do Alemão”, composto por Morro do Alemão, Nova Brasília, Itararé e Joaquim de Queirós. E, ao longo de suas 800 páginas, o “Conjunto Favelado do Alemão” vai ser apresentado de formas distintas.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cada órgão contratado para realizar os levantamentos fez referência à região estudada de maneira mais ou menos regular, mas diferente um do outro; contudo, há variações na forma de apresentar o objeto “Alemão” internamente aos textos de cada um deles. Isto é, ainda que este seja um projeto de diagnóstico unificado, produzido a partir de dimensões distintas, não houve um esforço em unificar as noções utilizadas ou de se estabelecer previamente o que cada um desses órgãos deveria considerar como Complexo do Alemão, de modo que, cada área definiu-o segundo os parâmetros de suas pesquisas.&amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Isso pode ser percebido logo nos textos de apresentação de cada setor: no levantamento socioeconômico, faz-se referência ao “Conjunto do Alemão”; a área jurídica ao “Complexo do Alemão”; e o Iplanrio, responsável pelas informações físico-urbanísticas, faz menção às “favelas do Morro do Alemão”. E, quando na análise dos dados levantados, muitas outras enunciações surgem. Apenas, a título de ilustração, na caracterização físico-urbanística da área, os termos utilizados foram “Favelas do Morro do Alemão” e “área favelada do Morro do Alemão”. Nesta seção, marca-se muito a ideia do “Morro do Alemão”, conferindo-lhe uma centralidade em torno da qual, outras favelas teriam se desenvolvido. Por isso as expressões utilizadas mantêm a ideia de “morro”. Inclusive, há uma menção ao “verdadeiro morro do Alemão”&amp;lt;ref&amp;gt; “A área conhecida como o verdadeiro Morro do Alemão fica à direita da Rua Joaquim de Queirós, subindo até a crista do Morro (ver foto 2). Longitudinalmente, se estende até o largo do Graciano, onde tem início o Morro dos Mineiros (setor da Favela Morro do Alemão), que atinge a cota 160, terminando nas torres da Light” (SMDS, 1983, p. 384)&amp;lt;/ref&amp;gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A análise do relatório traz alguns dados interessantes (MATIOLLI, 2016). Primeiro, uma variação no uso da noção de “Morro do Alemão”, ora expressando todo o conjunto de favelas, ora apenas uma delas. Depois, o reconhecimento de uma nova escala territorial, o “Complexo do Alemão”, de modo que, os dados apresentados, ora dizem respeito a esta nova unidade territorial, ora às diferentes favelas que o compõem, marcando sua diferenciação interna. Essa perspectiva reconhece uma continuidade entre as favelas do Alemão, sem perder de vista a sua heterogeneidade interna.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por fim, é interessante destacar a recorrência, no levantamento jurídico da expressão “Complexo do Alemão”, uma vez que essa seção foi realizada por técnicos da própria SMDS. Assim, talvez seja possível sugerir que a consolidação do uso do “Complexo” para o Alemão, e não outra das noções utilizadas ao longo do Projeto pode ser fruto de sua cristalização nas rotinas burocráticas e administrativas dessa secretaria (MATIOLLI, 2016).&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A delimitação geográfica e da quantidade de favelas existentes no Rio de Janeiro, tal como de sua população, se colocava como um dos grandes desafios do governo municipal no início da década de 1980. Para tentar lidar com essas questões o Iplanrio assume um papel importante na produção de dados para o Município; através dele, foi produzido um Cadastro de Favelas; neste período, também foram divulgados os dados do censo de 1980, com informações referentes às favelas; e houve uma movimentação de conciliação entre os dados do IBGE e os produzidos por esse novo quadro e saber administrativo produzidos pela Prefeitura. Neste ínterim, a ideia de que há um Complexo do Alemão, ou de Complexos de favelas, se consolida ainda mais, com a diferenciação entre “favelas isoladas” e “aglomerados de favelas” (IPLANRIO, 1984)&amp;lt;ref&amp;gt;Ver o verbete https://wikifavelas.com.br/index.php?title=Complexos_de_Favelas, neste dicionário.&amp;lt;/ref&amp;gt;. &amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;A XXIX Região Administrativa - Complexo do Alemão&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Saturnino Braga foi o primeiro prefeito da cidade do Rio de Janeiro eleito diretamente depois do fim a ditadura civil-militar. Uma de suas iniciativas mais marcantes foi a criação de Regiões Administrativas nas quatro maiores áreas faveladas da cidade: Rocinha, Jacarezinho, Complexo do Alemão e Maré. E a eleição para os administradores regionais do município.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O processo de eleição para Administrador Regional da XXIX R.A. é muito significativa para se pensar o primeiro registro de organização coletiva em torno deste novo lugar da cidade: o Complexo do Alemão. Mariza Maria da Conceição do Nascimento se candidatou e foi eleita a primeira administradora regional da XXIX Região Administrativa. Moradora do Morro do Adeus, onde chegara na década de 1970, vinda da Paraíba, havia feito parte da diretoria da associação de moradores do Adeus, da qual virara presidente. Também integrou a Secretaria de Mulheres da FAFERJ (Federação das Associações de Favelas do Estado do Rio de Janeiro).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;Uma “Carta de Apoio”, assinada por representantes das associações de moradores que comporiam a área de atuação da Região Administrativa do Complexo do Alemão, foi redigida em 24 de Abril de 1986 e trazia o seguinte texto:&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;Nós abaixo assinado, lideranças e representantes da sociedade de Ramos e do Complexo do Morro do Alemão, apoiamos a candidata Mariza Maria Conceição do Nascimento chapa nº. 2, que concorreu ao pleito de administradora no dia 30 de Março de 1986.&amp;amp;nbsp;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;Tendo em vista que, a candidata está dentro dos parâmetros criteriais adotados pelo Ilmo. Senhor Vice Prefeito Jó Rezende.&amp;amp;nbsp;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;Visamos principalmente a participação atuante da mesma, junto ao governo em favor do povo.&amp;amp;nbsp;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assinam a carta representantes da Associação de Moradores do Bairro Nova Brasília, Associação de Moradores do Morro do Itararé, Associação de Moradores do Parque Alvorada e Cruzeiro, Centro Comunitário do Morro da Baiana, Centro Social Joaquim de Queiroz e União de Defesa e Assistência do Morro do Alemão. Mariza também recebeu “Declarações de Apoio” da Rotary Clube do Rio de Janeiro – Ramos e Associação Comercial e Industrial Leopoldinense.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como aponta carta, o Complexo do Alemão, quando ganha sua Região Administrativa, surge composto por sete favelas (ao menos aquelas com associação de moradores), as seis que assinam a carta mais o Morro do Adeus, representado pela própria Mariza. Este, junto com a Baiana, não são contíguos às quatro favelas que compunham, inicialmente, o espaço do Complexo do Alemão, tal como definidos nos estudos e documentos oficiais analisados anteriormente; todavia, são próximos, separados do restante do Alemão, apenas pela Estrada do Itararé, o que pode ter contribuído para sua inserção na área da nova Região Administrativa, o que viria viabilizar, inclusive, a candidatura de Mariza.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esta “Carta de Apoio” surge como o primeiro registro de uma articulação de organizações sociais em torno de uma nova escala de pertencimento.. Movimentos políticos posteriores na região do bairro, da década de 1990 em diante, como a luta pela implantação do Conselho de Saúde do Complexo do Alemão (CONSA), o Comitê de Desenvolvimento Local da Serra da Misericórdia (CDLSM) ou o mais recente o Juntos Pelo Complexo do Alemão, parecem ter tido como embrião essa carta, na qual representantes de distintas associações dialogam em prol do Complexo do Alemão.&amp;amp;nbsp; &amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Da década de 1990 pra cá&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como pode ser visto no verbete “complexos” deste dicionário, um dos desdobramos da criação dessas novas Regiões Administrativas nas grandes áreas faveladas da cidade, foi a criação dos bairros homônimos: Rocinha, Jacarezinho, Complexo do Alemão e Maré. Mas, também, a exclusão das favelas pertencentes aos espaços considerados como Complexos das obras do Programa Favela-Bairro, por serem tomadas como grandes favelas. As quais seriam contempladas, posteriormente, como Planos de Desenvolvimento Urbanísticos específicos, por conta de suas dimensões e complexidades. O PDU que foi desenvolvido para o Complexo do alemão foi base para o desenvolvimento do projeto que será financiado, no final da década de 2000, pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além disso, de modo geral, as favelas da cidade do Rio de Janeiro, bem como as periferias do país como um todo (TELLES, 2010), experimentaram o de novos ddois novos atores sociais: as ONG’s e os operadores do varejo dos entorpecentes ilícitos. O que afeta toda a cartografia política, econômica, social e cultural desses espaços.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A localização do varejo do narcotráfico nas favelas vai contribuir para uma nova chave de criminalização desses espaços na cidade, produzindo representações que caracterizavam as favelas como a grande fonte do “mal” e da insegurança para a cidade. Fenômeno, de modo algum novo, pois tal criminalização afeta as favelas desde seu surgimento na cidade, bem como atingia outras formas de moradia popular antes delas. O que pode ser visto como novidade, são os atores que alimentavam essa visão criminalizante.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por outro lado, a tematização pública do problema da favela na cidade passou a ser dominada pelas leituras da violência e insegurança, não mais na chave da reivindicação de direitos (como em período imediatamente anterior, na década de 1980 e início da de 1990). O que pode ter impactado na abertura de mais espaço e reconhecimento para a fala de autoridades policiais, que ganham também, mais espaço nos governos do estado e, em decorrência disso, associado o uso da noção de complexos apenas a uma lógica militarizada. Mas, isso é só uma hipótese.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A entrada das ONGs nas periferias toma dois caminhos, por um lado, as grandes organizações não-locais que passaram a chegar com seus projetos sociais nessas regiões (muitas vezes com financiamento internacional). E, por outro, como uma nova forma de associativismo oferecida para as/os moradoras/es das favelas. O que, no caso do Complexo do Alemão, traz mais um elemento, o espacial, na complexificação de sua cartografia política. A referência territorial dessas novas organizações pode ser construída a partir da localização no “Complexo do Alemão, diferente das associações de moradores, que estão ligadas às comunidades que o compõem..&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, por um lado, a década de 1990 e de 2000 veem a luta pela criação do CONSA (Conselho de Saúde do Complexo do Alemão), do Comitê de Desenvolvimento Local da Serra da Misericórdia (outro referencial espacial possível para as reivindicações políticas), que viria a ser a base para o Comitê de Fiscalização das obras do PAC no Complexo do Alemão, agregando diversas organizações do bairro. E mais, as novas organizações e instituições que passam a se constituir nesse período tomam como referência de pertencimento político o Complexo do Alemão. Não apenas porque isso potencializa sua voz, mas porque esse pertencimento já era possível na década de 1990.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outro exemplo, agora com relação às associações de moradores.&amp;amp;nbsp; Na época da realização das obras do PAC, foram realizadas reuniões com essas organizações para definir os limites das áreas representadas por cada uma delas. Os presidentes teriam levado as delimitações que eles reconheciam como correspondentes às suas associações. Quando foram sobrepostas ao mapa do bairro, alguns pontos chamaram a atenção dos participantes das reuniões. A área representada por algumas transcendiam os limites das delimitações do Complexo do Alemão, se estendendo por Inhaúma, por exemplo. Havia lugares que estavam num vácuo, pois não estavam contidos nos contornos delimitados por nenhuma das associações, e outros que eram situados na intersecção da ação de mais de uma delas. Esse fato também foi destacado no texto do Plano de Desenvolvimento Urbanístico do Complexo do Morro do Alemão (Prefeitura, 2006).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essas indeterminações são menos fruto da incapacidade de organização das instituições locais e mais resultado do jogo político de delimitação das fronteiras. Esse jogo diz respeito aos limites do bairro e de cada uma de suas “comunidades”, mas também às múltiplas relações de pertencimento a estes territórios nas quais moradoras e moradores estão inseridos. Essas relações são recriadas a partir da história de cada morador(a) e se localizam na vida social do lugar e podem ser acionadas estrategicamente de acordo com suas necessidades.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É nessa malha de indeterminações que se delineiam cartografias políticas diversas, marcadas por alianças e disputas entre essas novas organizações, que falam a partir do complexo do Alemão, e as associações de moradores que fala em nome de cada uma de suas 13 comunidades ou favelas, entrecruzando essas escalas possíveis, de acordo com o contexto que se colocou. Em momentos de crise, essa atuação conjunta pode até produzir uma voz uníssona entre todas essas instituições.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por exemplo, no momento da criação do movimento Juntos pelo Complexo do Alemão, em reposta aos estragos causados por conta de fortes chuvas ocorridas em Dezembro de 2013. Quando&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&amp;quot;Um&amp;amp;nbsp; grupo&amp;amp;nbsp; formado&amp;amp;nbsp; por moradores,&amp;amp;nbsp; que atuam informal&amp;amp;nbsp; ou institucionalmente no Complexo, tomou a frente das ações que socorreram as famílias: identificaram moradias em risco, &amp;amp;nbsp; improvisaram abrigos e criaram uma grande mobilização para doações aos desabrigados. Constituiu-se daí o grupo Juntos pelo Complexo do Alemão, que dialogou com entidades e atores da sociedade civil e órgãos públicos, e operou especialmente através de canais informais de trocas e da rede social, em particular do facebook. O grupo Juntos pelo Complexo do Alemão foi uma dentre outras ações desenvolvidas no enfrentamento dos impactos do temporal, tendo se convertido no movimento de maior dimensão, e que tomou a frente das negociações com várias instâncias governamentais e não governamentais&amp;quot;&#039;&#039; (Calazans, Cunha e Pinheiro, 2016, pg. 3).&amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp; &amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As chuvas tiveram efeitos localizados no interior do bairro, mas a mobilização se deu em torno do Complexo do Alemão, atraindo o apoio de algumas associações de moradores&amp;lt;ref&amp;gt; Para uma análise mais aprofundada do contexto, ver Calazans, Cunha e Pinheiro (2016) e o verbete https://wikifavelas.com.br/index.php?title=Coletivo_Juntos_pelo_Complexo_do_Alem%C3%A3o:_vou_te_exigir_o_meu_lugar, neste dicionário.&amp;lt;/ref&amp;gt;.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 2015, o Juntos pelo Complexo do Alemão foi acionado novamente, mediante o contexto de recrudescimento dos conflitos armados e violência policial nos primeiros meses do ano. Uma série de ações reivindicatórias, pedindo o fim das ações truculentas da polícia, foi realizada: passeatas, um encontro com agentes governamentais na sede da ONG Viva Rio, uma audiência pública na C.A.I.C Theófilo de Souza Pinto entre outras, de modo articulado entre os diversos atores sociais, pessoas e instituições; ONGs, coletivos e mesmo associações de moradores. Uma pauta unificada, construída a partir da discussão entre 27 instituições locais, incluindo as 13&amp;lt;ref&amp;gt;O número de favelas que compõem o Complexo do Alemão pode ser tão indefinível, quanto seus limites físicos e número de moradores. Consideraremos o número de 13 aqui, pois faz referência ao número de associações de moradores existentes. &amp;lt;/ref&amp;gt; associações de moradores, foi construída no período, com cinco prioridades: a Implantação da Universidade Federal; Habitação; Saneamento Ambiental; Parque da Serra da Misericórdia e Segurança Pública.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma aliança tão grande torna difícil manter a sua coesão por muito tempo, entretanto, em momentos pontuais e críticos, o Complexo do Alemão se torna a escala de pertencimento acionada, agregando suas diversas organizações locais, que abrem mão de suas diferenças políticas, para uma atuação conjunta. Mesmo que momentânea.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O bairro do Complexo do Alemão inicia 2010 sob a intervenção de duas grandes ações governamentais: o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e implantação das Unidades de Polícia Pacificadora (UPP’s), cuja implantação se deu após dois anos da midiatizada ocupação militar do final de 2010. Ao longo dos últimos anos, o Complexo do Alemão passou, então, a ter outras entradas nos meios de comunicação em massa:s recebeu a visita de apresentadores assistencialistas, como Luciano Huck, virou cenário de filme e novela. Ao mesmo, empresas e aparelhos governamentais, em particular o SEBRAE, descobriram no bairro, uma economia aquecida com mais de cinco mil empreendimento, de acordo com o Censo Empresarial de 2010, realizado pelo governo do estado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O que vai abrir, para espíritos empreendedores do bairro, possibilidades de negócios, a partir de seus pertencimentos ao Complexo do Alemão. Esse branding do Complexo do Alemão é apropriado localmente e alimenta uma série de novos empreendimentos locais que buscam associar novos serviços e produtos à brand (marca) Complexo do Alemão. Assim, vê-se surgir uma agência de turismo, a “Turismo no Alemão”; uma marca de roupas a “complexidade urbana” (desde 2009); e mesmo de uma cerveja própria, a “Complexo do Alemão”, que pode ser encontrada no Bistrô R&amp;amp;R. Isso, para não falar, por falta de espaço, da apropriação da brand Alemão por circuitos do terceiro setor, do empreendedorismo social e algumas celebridades.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com esses exemplos, não se quer aqui reforçar a força do empreendedorismo local ou romantizar a vida econômica local, mas apontar que o arraigamento local da ideia do Complexo do Alemão, pode gerar apropriações múltiplas, seja como uma brand (marca), que aciona, inclusive, laços afetivos com moradoras e moradores com seus produtos; seja como um elemento aglutinador de forças em momentos de crise, como vimos na seção anterior.&amp;amp;nbsp; Os efeitos locais da noção de “complexo” de favelas, a partir da experiência de pesquisa no Complexo do Alemão, são variados; os exemplos aqui trazidos não tem a menor pretensão de esgotar essas possibilidades, mas contribuem bastante para a construção e apresentação do argumento. &amp;amp;nbsp; &#039;&#039;&#039;Pertencer ao Complexo do Alemão&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Resgatando a pergunta usada como exemplo no início do verbete: “você mora ou não no Complexo do Alemão?”, podemos encerrá-lo. A resposta vai ser simples, sim ou não. Contudo, as motivações por trás dessas respostas são múltiplas, e boa parte delas, estratégica. A existência dos complexos de favelas na cidade, não tem efeitos identitários, mas se colocam como novas escalas de pertencimento à qual, suas moradoras e seus moradores poderão acionar de acordo com suas necessidades. Podem omitir, mas também podem reafirmar esse pertencimento, seja por orgulho, ou por algum interesse econômico, como vimos.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Referências&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Matiolli, Thiago Oliveira Lima. O que o Complexo do Alemão nos conta sobre a cidade do Rio de Janeiro: poder e conhecimento no Rio de Janeiro no início dos anos 80. 2016. 234f. Tese de Doutorado em Ciências. Programa de Pós-Graduação em Sociologia, Universidade de São Paulo, São Paulo.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
TELLES, Vera S. A cidade nas fronteiras do legal e ilegal. Belo Horizonte: Argumentum, 2010.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Category:Complexo do Alemão]] [[Category:História de favela]] [[Category:Memória]] [[Category:Rio de Janeiro]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Thiago Matiolli</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://homologacao2.wikifavelas.com.br/index.php?title=Pertencimento_ao_Complexo_do_Alem%C3%A3o&amp;diff=3769</id>
		<title>Pertencimento ao Complexo do Alemão</title>
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		<updated>2020-01-30T20:54:56Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Thiago Matiolli: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Autor&#039;&#039;&#039;: [https://wikifavelas.com.br/index.php?title=Usuário:Thiago_Matiolli&amp;amp;action=edit&amp;amp;redlink=1 Thiago Oliveira Lima Matiolli].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É comum entre pesquisadoras(es), sobretudo aquelas(es) que se pretendem estudar as favelas, tomar como pressuposto o fato de que as pessoas que vivem em áreas que hoje são percebidas como complexo de favelas não se vêem como moradoras de um “complexo”. Essa premissa, que não vem acompanhada de evidências empíricas rigorosas, é suficiente para que tais “especialistas” passem a afirmar que essa perspectiva espacial é algo construído pelo Estado e imposto a quem habita as áreas faveladas, numa lógica militarizada. Negligenciando, assim, em alguma medida, a agência de quem vive nesses espaços.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Todavia, a relação que é estabelecida pelas pessoas que vivem nesses espaços renomeados como “complexo de favelas” com seu lugar de moradia promove menos sua identificação (ou não) definitiva como moradoras de um “complexo”, do que a possibilidade de um pertencimento (ou não) a ele, o qual é acionado de modo bastante heterogêneo e, usualmente, estratégico. O que isso quer dizer: primeiro, que não podemos fazer afirmações generalistas e duais que afirmem ou neguem a identidade de alguém a “um complexo”; segundo, e em decorrência do primeiro, que os pertencimentos a essa nova escala espacial da cidade do Rio de Janeiro (complexo) são múltiplos, variados e imprevisíveis&amp;lt;ref&amp;gt; Para um visão mais detalhada desta questão, ver o verbete “https://wikifavelas.com.br/index.php?title=Complexos_de_Favelas”, neste dicionário. &lt;br /&gt;
&amp;lt;/ref&amp;gt;.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As pessoas vão se perceber como moradoras ou não de um complexo de maneiras diferentes. Ante a uma pergunta do tipo: “você mora no Complexo do Alemão?”, uma moradora ou morador da área pode responder que “não”. O que não implica necessariamente numa resistência em reconhecer esse novo espaço da cidade, que lhe teria sido imposto como lugar de moradia.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há, pelo menos, duas outras motivações para que essa resposta negativa tenha sido dada. A primeira, por exemplo, é se a pessoa que for indagada tivesse se mudado para essa região na década de 1980 ou antes, ela, de fato, não foi morar no Complexo do Alemão, mas em outro lugar, seja Olaria, Ramos, Inhauma ou Bonsucesso. A lei 2055 de 1993 mudou o nome do bairro onde ela mora (ou morava), e isso pode não ter-lhe sido comunicado; assim, mudou-se o nome bairro onde essa moradora ou morador vive e não lhe contaram. O que, também explicaria, porque há quem situe o lugar em que reside como “rua x, &#039;complexo do alemão&#039;, Ramos”, considerando este último como a referência formal de local de moradia.&amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A outra explicação é que, internamente ao Complexo do Alemão, há diversas localidades, de modo que o pertencimento inicial pode ser à Nova Brasília ou à Alvorada, à qual a filiação ao complexo se sobrepõe. Assim, alguém pode localizar sua moradia na Nova Brasília, no Complexo ou ainda a ambos ao mesmo tempo: “moro na Nova Brasília, no Complexo do Alemão”&amp;lt;ref&amp;gt;Ou ainda “moro na Nova Brasília, no Complexo do Alemão em Ramos”.&amp;lt;/ref&amp;gt;.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Então, para se apreender como as pessoas se identificam ou pertencem ao Complexo do Alemão é preciso entender que esse pertencimento seguirá perspectivas variáveis e estratégicas. Trata-se de mais uma escala espacial que se sobrepõe ao lugar onde se vive e pode ser acionada se necessário, isto é, uma pessoa pode se ver como moradora, ao mesmo tempo, da Nova Brasília e do Complexo do Alemão, tal como, da Zona da Leopoldina, da cidade e do estado do Rio de Janeiro; e, ainda, deste país chamado Brasil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Neste verbete, não se vai abordar a relação de moradoras e moradores com o Complexo do Alemão ao longo do século&amp;lt;ref&amp;gt;Para este aspecto ver verbete https://wikifavelas.com.br/index.php?title=Hist%C3%B3rico_fundi%C3%A1rio_do_Complexo_do_Alem%C3%A3o ou o trabalho de Couto e Rodrigues (2013).&amp;lt;/ref&amp;gt;, haja vista que essa denominação começou a ser produzida apenas na década de 1980, até que virasse bairro na década seguinte. Mas, resgatar o processo histórico de produção desse novo espaço na cidade e como ele passou a ser experimentado pelos moradores nas últimas décadas. &amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;O morro do alemão como um aglomerado de favelas.&amp;amp;nbsp;&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Talvez a primeira menção pública a um possível Complexo do Alemão possa ser resgatada de uma edição do Jornal do Brasil de 13 de Janeiro de 1980, através da transcrição de uma fala do então Secretário Municipal de Desenvolvimento Social do Município do Rio de Janeiro, Marcos Candau, ao abordar o crescimento do processo de favelização da cidade. Ao listar as favelas que mais teriam crescido nos anos anteriores, ele afirmava:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;“Se você for ao morro do Alemão, entre o Méier e Ramos, que é um aglomerado de seis favelas, vai sentir-se numa enorme cidade, com milhões de pessoas. Feita a contagem, constatou-se a existência de cerca de 122 mil habitantes. As favelas da Rocinha e Vidigal, juntamente com essas do Alemão, foram as que mais cresceram nos últimos anos e, se olharmos do alto, do helicóptero, vemos que dentro de pouco tempo Vidigal e Rocinha se juntarão, formando uma única favela”&#039;&#039; (Jornal do Brasil, 13/01/1980, pg. 19).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nesta fala, ainda que não haja o uso do termo “complexo”, já é possível notar uma identificação entre o Morro do Alemão como um espaço que congregava mais de uma favela. Na mesma edição há uma matéria intitulada:“Morro do Alemão, o que mais cresce”, na qual, a área é descrita como uma região de quase um milhão de metros quadrados distribuídos pelos bairros de Ramos, Olaria e Bonsucesso.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&amp;quot;Com 24.535 barracos e uma população de 122 mil 675 habitantes, o morro do Alemão é, na verdade, um aglomerado de favelas (Nova Brasília, Grota, Alvorada, Alemão, Alto Florestal e Itararé) que não para de crescer e já ocupa uma área de área de 973.600 m2 segundo o último levantamento de 1979&amp;quot;&#039;&#039; (Jornal do Brasil, 13/01/1980, pg. 20).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A reportagem segue trazendo alguns “personagens”: Severino dias, que fora morar lá após casar, em um “puxado” na casa n. 23 da Avenida Central&amp;lt;ref&amp;gt;“O preço do barraco na Avenida Central – ponto chique do morro, onde existe acesso para automóveis graças a rua aberta em regime de mutirão – está em torno dos Cr$ 70 mil, quantia que cai até Cr$ 20 mil nas sinuosas vielas transversais, encharcadas por despejos de esgotos e sem calçamento. O Morro do Alemão mistura os tradicionais barracos de tábuas com casa de alvenaria dotadas de algum conforto: fossas, água encanada, luz, televisão e até aparelhos de ar condicionado” (Jornal do Brasil, 13 de Janeiro de 1980, pg. 20). &amp;lt;/ref&amp;gt; e, seria, segundo o jornal, de “puxado em puxado” a forma pela qual o Alemão se expandia; Jorge da Costa, “empreiteiro do Morro do Alemão”, para quem o que não faltava ali, era trabalho; e Manoel Hermógenes, o “morador mais antigo do Morro do Alemão”, que teria chegado ao Alemão em 15 de Dezembro de 1946. Há também menção à UDAMA (Associação de Defesa e Assistência dos Moradores do Morro do Alemão) que fazia a manutenção das bombas hidráulicas que bombeavam água para o alto do morro e de duas creches, além de fornecer documentos aos “favelados”. Segundo o tesoureiro, à época, João Alexandre da Silva, o sonho da UDAMA era “ver a favela urbanizada”. Já a maior aspiração dos moradores seria a construção de galerias de esgoto.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Partindo da fala de João Alexandre, o Jornal apresenta esta caracterização do Alemão: &amp;quot;&#039;&#039;o morro em si, sem as favelas que o cercam, é delimitado pelas Ruas Joaquim de Queirós, Armando Sodré, Olaria e Estrada do Itararé e Rua Paranhos, em Ramos. O último levantamento oficial foi feito em 1972. Os dados: 18 mil moradores e 4 mil casas, número que não cessou de crescer garante o tesoureiro&#039;&#039;” (Jornal do Brasil, 13/01/1980, pg. 20).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O que as reportagens retratam é a emergência de um novo espaço na cidade, uma nova escala territorial para pensar as favelas. A caracterização transcrita acima traz uma tensão entre o morro (do Alemão) em si e esse novo espaço, que virá a ser, anos depois, o Complexo do Alemão. Mais do que o nome, são lugares com delimitação e população diferentes e, a princípio, intercambiáveis; o Morro do Alemão passa a ter simultaneamente 4 mil e 24 mil “barracos”, 18 mil e 122 mil moradores. Com o passar do tempo, e com esse complemento “complexo”, a diferenciação entre esses dois espaços vai se consolidando, e a cidade verá surgir um de seus maiores espaços favelados nas décadas seguintes. O que seria percebido dois anos depois da entrevista, com a escolha do “Morro do Alemão”, composto por seis favelas, para receber um diagnóstico da Prefeitura, financiado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), junto com o Jacarezinho, dois dos maiores espaços favelados da cidade à época.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;O Conjunto de favelas do Alemão.&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Relatório Preliminar do &#039;&#039;Projeto de Desenvolvimento Social de Favelas do Rio de Janeiro&#039;&#039; foi produzido pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social (SMDS) com recursos do BID, entre os anos de 1981 e 1983. O texto está organizado em três grandes áreas: socioeconômica, físico-urbanística e jurídica. Logo na apresentação do relatório, o programa faz menção ao objetivo de gerar propostas para cinco favelas do Município do Rio de Janeiro: Jacarezinho e o “Conjunto Favelado do Alemão”, composto por Morro do Alemão, Nova Brasília, Itararé e Joaquim de Queirós. E, ao longo de suas 800 páginas, o “Conjunto Favelado do Alemão” vai ser apresentado de formas distintas.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cada órgão contratado para realizar os levantamentos fez referência à região estudada de maneira mais ou menos regular, mas diferente um do outro; contudo, há variações na forma de apresentar o objeto “Alemão” internamente aos textos de cada um deles. Isto é, ainda que este seja um projeto de diagnóstico unificado, produzido a partir de dimensões distintas, não houve um esforço em unificar as noções utilizadas ou de se estabelecer previamente o que cada um desses órgãos deveria considerar como Complexo do Alemão, de modo que, cada área definiu-o segundo os parâmetros de suas pesquisas.&amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Isso pode ser percebido logo nos textos de apresentação de cada setor: no levantamento socioeconômico, faz-se referência ao “Conjunto do Alemão”; a área jurídica ao “Complexo do Alemão”; e o Iplanrio, responsável pelas informações físico-urbanísticas, faz menção às “favelas do Morro do Alemão”. E, quando na análise dos dados levantados, muitas outras enunciações surgem. Apenas, a título de ilustração, na caracterização físico-urbanística da área, os termos utilizados foram “Favelas do Morro do Alemão” e “área favelada do Morro do Alemão”. Nesta seção, marca-se muito a ideia do “Morro do Alemão”, conferindo-lhe uma centralidade em torno da qual, outras favelas teriam se desenvolvido. Por isso as expressões utilizadas mantêm a ideia de “morro”. Inclusive, há uma menção ao “verdadeiro morro do Alemão”&amp;lt;ref&amp;gt; “A área conhecida como o verdadeiro Morro do Alemão fica à direita da Rua Joaquim de Queirós, subindo até a crista do Morro (ver foto 2). Longitudinalmente, se estende até o largo do Graciano, onde tem início o Morro dos Mineiros (setor da Favela Morro do Alemão), que atinge a cota 160, terminando nas torres da Light” (SMDS, 1983, p. 384)&amp;lt;/ref&amp;gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A análise do relatório traz alguns dados interessantes (MATIOLLI, 2016). Primeiro, uma variação no uso da noção de “Morro do Alemão”, ora expressando todo o conjunto de favelas, ora apenas uma delas. Depois, o reconhecimento de uma nova escala territorial, o “Complexo do Alemão”, de modo que, os dados apresentados, ora dizem respeito a esta nova unidade territorial, ora às diferentes favelas que o compõem, marcando sua diferenciação interna. Essa perspectiva reconhece uma continuidade entre as favelas do Alemão, sem perder de vista a sua heterogeneidade interna.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por fim, é interessante destacar a recorrência, no levantamento jurídico da expressão “Complexo do Alemão”, uma vez que essa seção foi realizada por técnicos da própria SMDS. Assim, talvez seja possível sugerir que a consolidação do uso do “Complexo” para o Alemão, e não outra das noções utilizadas ao longo do Projeto pode ser fruto de sua cristalização nas rotinas burocráticas e administrativas dessa secretaria (MATIOLLI, 2016).&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A delimitação geográfica e da quantidade de favelas existentes no Rio de Janeiro, tal como de sua população, se colocava como um dos grandes desafios do governo municipal no início da década de 1980. Para tentar lidar com essas questões o Iplanrio assume um papel importante na produção de dados para o Município; através dele, foi produzido um Cadastro de Favelas; neste período, também foram divulgados os dados do censo de 1980, com informações referentes às favelas; e houve uma movimentação de conciliação entre os dados do IBGE e os produzidos por esse novo quadro e saber administrativo produzidos pela Prefeitura. Neste ínterim, a ideia de que há um Complexo do Alemão, ou de Complexos de favelas, se consolida ainda mais, com a diferenciação entre “favelas isoladas” e “aglomerados de favelas” (IPLANRIO, 1984)&amp;lt;ref&amp;gt;Ver o verbete https://wikifavelas.com.br/index.php?title=Complexos_de_Favelas, neste dicionário.&amp;lt;/ref&amp;gt;. &amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;A XXIX Região Administrativa - Complexo do Alemão&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Saturnino Braga foi o primeiro prefeito da cidade do Rio de Janeiro eleito diretamente depois do fim a ditadura civil-militar. Uma de suas iniciativas mais marcantes foi a criação de Regiões Administrativas nas quatro maiores áreas faveladas da cidade: Rocinha, Jacarezinho, Complexo do Alemão e Maré. E a eleição para os administradores regionais do município.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O processo de eleição para Administrador Regional da XXIX R.A. é muito significativa para se pensar o primeiro registro de organização coletiva em torno deste novo lugar da cidade: o Complexo do Alemão. Mariza Maria da Conceição do Nascimento se candidatou e foi eleita a primeira administradora regional da XXIX Região Administrativa. Moradora do Morro do Adeus, onde chegara na década de 1970, vinda da Paraíba, havia feito parte da diretoria da associação de moradores do Adeus, da qual virara presidente. Também integrou a Secretaria de Mulheres da FAFERJ (Federação das Associações de Favelas do Estado do Rio de Janeiro).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;Uma “Carta de Apoio”, assinada por representantes das associações de moradores que comporiam a área de atuação da Região Administrativa do Complexo do Alemão, foi redigida em 24 de Abril de 1986 e trazia o seguinte texto:&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;Nós abaixo assinado, lideranças e representantes da sociedade de Ramos e do Complexo do Morro do Alemão, apoiamos a candidata Mariza Maria Conceição do Nascimento chapa nº. 2, que concorreu ao pleito de administradora no dia 30 de Março de 1986.&amp;amp;nbsp;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;Tendo em vista que, a candidata está dentro dos parâmetros criteriais adotados pelo Ilmo. Senhor Vice Prefeito Jó Rezende.&amp;amp;nbsp;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;Visamos principalmente a participação atuante da mesma, junto ao governo em favor do povo.&amp;amp;nbsp;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assinam a carta representantes da Associação de Moradores do Bairro Nova Brasília, Associação de Moradores do Morro do Itararé, Associação de Moradores do Parque Alvorada e Cruzeiro, Centro Comunitário do Morro da Baiana, Centro Social Joaquim de Queiroz e União de Defesa e Assistência do Morro do Alemão. Mariza também recebeu “Declarações de Apoio” da Rotary Clube do Rio de Janeiro – Ramos e Associação Comercial e Industrial Leopoldinense.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como aponta carta, o Complexo do Alemão, quando ganha sua Região Administrativa, surge composto por sete favelas (ao menos aquelas com associação de moradores), as seis que assinam a carta mais o Morro do Adeus, representado pela própria Mariza. Este, junto com a Baiana, não são contíguos às quatro favelas que compunham, inicialmente, o espaço do Complexo do Alemão, tal como definidos nos estudos e documentos oficiais analisados anteriormente; todavia, são próximos, separados do restante do Alemão, apenas pela Estrada do Itararé, o que pode ter contribuído para sua inserção na área da nova Região Administrativa, o que viria viabilizar, inclusive, a candidatura de Mariza.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esta “Carta de Apoio” surge como o primeiro registro de uma articulação de organizações sociais em torno de uma nova escala de pertencimento.. Movimentos políticos posteriores na região do bairro, da década de 1990 em diante, como a luta pela implantação do Conselho de Saúde do Complexo do Alemão (CONSA), o Comitê de Desenvolvimento Local da Serra da Misericórdia (CDLSM) ou o mais recente o Juntos Pelo Complexo do Alemão, parecem ter tido como embrião essa carta, na qual representantes de distintas associações dialogam em prol do Complexo do Alemão.&amp;amp;nbsp; &amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;A década de 1990 em diante&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como pode ser visto no verbete “complexos” deste dicionário, um dos desdobramos da criação dessas novas Regiões Administrativas nas grandes áreas faveladas da cidade, foi a criação dos bairros homônimos: Rocinha, Jacarezinho, Complexo do Alemão e Maré. Mas, também, a exclusão das favelas pertencentes aos espaços considerados como Complexos das obras do Programa Favela-Bairro, por serem tomadas como grandes favelas. As quais seriam contempladas, posteriormente, como Planos de Desenvolvimento Urbanísticos específicos, por conta de suas dimensões e complexidades. O PDU que foi desenvolvido para o Complexo do alemão foi base para o desenvolvimento do projeto que será financiado, no final da década de 2000, pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além disso, de modo geral, as favelas da cidade do Rio de Janeiro, bem como as periferias do país como um todo (TELLES, 2010), experimentaram o de novos ddois novos atores sociais: as ONG’s e os operadores do varejo dos entorpecentes ilícitos. O que afeta toda a cartografia política, econômica, social e cultural desses espaços.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A localização do varejo do narcotráfico nas favelas vai contribuir para uma nova chave de criminalização desses espaços na cidade, produzindo representações que caracterizavam as favelas como a grande fonte do “mal” e da insegurança para a cidade. Fenômeno, de modo algum novo, pois tal criminalização afeta as favelas desde seu surgimento na cidade, bem como atingia outras formas de moradia popular antes delas. O que pode ser visto como novidade, são os atores que alimentavam essa visão criminalizante.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por outro lado, a tematização pública do problema da favela na cidade passou a ser dominada pelas leituras da violência e insegurança, não mais na chave da reivindicação de direitos (como em período imediatamente anterior, na década de 1980 e início da de 1990). O que pode ter impactado na abertura de mais espaço e reconhecimento para a fala de autoridades policiais, que ganham também, mais espaço nos governos do estado e, em decorrência disso, associado o uso da noção de complexos apenas a uma lógica militarizada. Mas, isso é só uma hipótese.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A entrada das ONGs nas periferias toma dois caminhos, por um lado, as grandes organizações não-locais que passaram a chegar com seus projetos sociais nessas regiões (muitas vezes com financiamento internacional). E, por outro, como uma nova forma de associativismo oferecida para as/os moradoras/es das favelas. O que, no caso do Complexo do Alemão, traz mais um elemento, o espacial, na complexificação de sua cartografia política. A referência territorial dessas novas organizações pode ser construída a partir da localização no “Complexo do Alemão, diferente das associações de moradores, que estão ligadas às comunidades que o compõem..&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, por um lado, a década de 1990 e de 2000 veem a luta pela criação do CONSA (Conselho de Saúde do Complexo do Alemão), do Comitê de Desenvolvimento Local da Serra da Misericórdia (outro referencial espacial possível para as reivindicações políticas), que viria a ser a base para o Comitê de Fiscalização das obras do PAC no Complexo do Alemão, agregando diversas organizações do bairro. E mais, as novas organizações e instituições que passam a se constituir nesse período tomam como referência de pertencimento político o Complexo do Alemão. Não apenas porque isso potencializa sua voz, mas porque esse pertencimento já era possível na década de 1990.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outro exemplo, agora com relação às associações de moradores.&amp;amp;nbsp; Na época da realização das obras do PAC, foram realizadas reuniões com essas organizações para definir os limites das áreas representadas por cada uma delas. Os presidentes teriam levado as delimitações que eles reconheciam como correspondentes às suas associações. Quando foram sobrepostas ao mapa do bairro, alguns pontos chamaram a atenção dos participantes das reuniões. A área representada por algumas transcendiam os limites das delimitações do Complexo do Alemão, se estendendo por Inhaúma, por exemplo. Havia lugares que estavam num vácuo, pois não estavam contidos nos contornos delimitados por nenhuma das associações, e outros que eram situados na intersecção da ação de mais de uma delas. Esse fato também foi destacado no texto do Plano de Desenvolvimento Urbanístico do Complexo do Morro do Alemão (Prefeitura, 2006).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essas indeterminações são menos fruto da incapacidade de organização das instituições locais e mais resultado do jogo político de delimitação das fronteiras. Esse jogo diz respeito aos limites do bairro e de cada uma de suas “comunidades”, mas também às múltiplas relações de pertencimento a estes territórios nas quais moradoras e moradores estão inseridos. Essas relações são recriadas a partir da história de cada morador(a) e se localizam na vida social do lugar e podem ser acionadas estrategicamente de acordo com suas necessidades.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É nessa malha de indeterminações que se delineiam cartografias políticas diversas, marcadas por alianças e disputas entre essas novas organizações, que falam a partir do complexo do Alemão, e as associações de moradores que fala em nome de cada uma de suas 13 comunidades ou favelas, entrecruzando essas escalas possíveis, de acordo com o contexto que se colocou. Em momentos de crise, essa atuação conjunta pode até produzir uma voz uníssona entre todas essas instituições.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por exemplo, no momento da criação do movimento Juntos pelo Complexo do Alemão, em reposta aos estragos causados por conta de fortes chuvas ocorridas em Dezembro de 2013. Quando&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&amp;quot;Um&amp;amp;nbsp; grupo&amp;amp;nbsp; formado&amp;amp;nbsp; por moradores,&amp;amp;nbsp; que atuam informal&amp;amp;nbsp; ou institucionalmente no Complexo, tomou a frente das ações que socorreram as famílias: identificaram moradias em risco, &amp;amp;nbsp; improvisaram abrigos e criaram uma grande mobilização para doações aos desabrigados. Constituiu-se daí o grupo Juntos pelo Complexo do Alemão, que dialogou com entidades e atores da sociedade civil e órgãos públicos, e operou especialmente através de canais informais de trocas e da rede social, em particular do facebook. O grupo Juntos pelo Complexo do Alemão foi uma dentre outras ações desenvolvidas no enfrentamento dos impactos do temporal, tendo se convertido no movimento de maior dimensão, e que tomou a frente das negociações com várias instâncias governamentais e não governamentais&amp;quot;&#039;&#039; (Calazans, Cunha e Pinheiro, 2016, pg. 3).&amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp; &amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As chuvas tiveram efeitos localizados no interior do bairro, mas a mobilização se deu em torno do Complexo do Alemão, atraindo o apoio de algumas associações de moradores&amp;lt;ref&amp;gt; Para uma análise mais aprofundada do contexto, ver Calazans, Cunha e Pinheiro (2016) e o verbete https://wikifavelas.com.br/index.php?title=Coletivo_Juntos_pelo_Complexo_do_Alem%C3%A3o:_vou_te_exigir_o_meu_lugar, neste dicionário.&amp;lt;/ref&amp;gt;.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 2015, o Juntos pelo Complexo do Alemão foi acionado novamente, mediante o contexto de recrudescimento dos conflitos armados e violência policial nos primeiros meses do ano. Uma série de ações reivindicatórias, pedindo o fim das ações truculentas da polícia, foi realizada: passeatas, um encontro com agentes governamentais na sede da ONG Viva Rio, uma audiência pública na C.A.I.C Theófilo de Souza Pinto entre outras, de modo articulado entre os diversos atores sociais, pessoas e instituições; ONGs, coletivos e mesmo associações de moradores. Uma pauta unificada, construída a partir da discussão entre 27 instituições locais, incluindo as 13&amp;lt;ref&amp;gt;O número de favelas que compõem o Complexo do Alemão pode ser tão indefinível, quanto seus limites físicos e número de moradores. Consideraremos o número de 13 aqui, pois faz referência ao número de associações de moradores existentes. &amp;lt;/ref&amp;gt; associações de moradores, foi construída no período, com cinco prioridades: a Implantação da Universidade Federal; Habitação; Saneamento Ambiental; Parque da Serra da Misericórdia e Segurança Pública.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma aliança tão grande torna difícil manter a sua coesão por muito tempo, entretanto, em momentos pontuais e críticos, o Complexo do Alemão se torna a escala de pertencimento acionada, agregando suas diversas organizações locais, que abrem mão de suas diferenças políticas, para uma atuação conjunta. Mesmo que momentânea.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O bairro do Complexo do Alemão inicia 2010 sob a intervenção de duas grandes ações governamentais: o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e implantação das Unidades de Polícia Pacificadora (UPP’s), cuja implantação se deu após dois anos da midiatizada ocupação militar do final de 2010. Ao longo dos últimos anos, o Complexo do Alemão passou, então, a ter outras entradas nos meios de comunicação em massa:s recebeu a visita de apresentadores assistencialistas, como Luciano Huck, virou cenário de filme e novela. Ao mesmo, empresas e aparelhos governamentais, em particular o SEBRAE, descobriram no bairro, uma economia aquecida com mais de cinco mil empreendimento, de acordo com o Censo Empresarial de 2010, realizado pelo governo do estado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O que vai abrir, para espíritos empreendedores do bairro, possibilidades de negócios, a partir de seus pertencimentos ao Complexo do Alemão. Esse branding do Complexo do Alemão é apropriado localmente e alimenta uma série de novos empreendimentos locais que buscam associar novos serviços e produtos à brand (marca) Complexo do Alemão. Assim, vê-se surgir uma agência de turismo, a “Turismo no Alemão”; uma marca de roupas a “complexidade urbana” (desde 2009); e mesmo de uma cerveja própria, a “Complexo do Alemão”, que pode ser encontrada no Bistrô R&amp;amp;R. Isso, para não falar, por falta de espaço, da apropriação da brand Alemão por circuitos do terceiro setor, do empreendedorismo social e algumas celebridades.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com esses exemplos, não se quer aqui reforçar a força do empreendedorismo local ou romantizar a vida econômica local, mas apontar que o arraigamento local da ideia do Complexo do Alemão, pode gerar apropriações múltiplas, seja como uma brand (marca), que aciona, inclusive, laços afetivos com moradoras e moradores com seus produtos; seja como um elemento aglutinador de forças em momentos de crise, como vimos na seção anterior.&amp;amp;nbsp; Os efeitos locais da noção de “complexo” de favelas, a partir da experiência de pesquisa no Complexo do Alemão, são variados; os exemplos aqui trazidos não tem a menor pretensão de esgotar essas possibilidades, mas contribuem bastante para a construção e apresentação do argumento. &amp;amp;nbsp; &#039;&#039;&#039;Pertencer ao Complexo do Alemão&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Resgatando a pergunta usada como exemplo no início do verbete: “você mora ou não no Complexo do Alemão?”, podemos encerrá-lo. A resposta vai ser simples, sim ou não. Contudo, as motivações por trás dessas respostas são múltiplas, e boa parte delas, estratégica. A existência dos complexos de favelas na cidade, não tem efeitos identitários, mas se colocam como novas escalas de pertencimento à qual, suas moradoras e seus moradores poderão acionar de acordo com suas necessidades. Podem omitir, mas também podem reafirmar esse pertencimento, seja por orgulho, ou por algum interesse econômico, como vimos.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Referências&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Matiolli, Thiago Oliveira Lima. O que o Complexo do Alemão nos conta sobre a cidade do Rio de Janeiro: poder e conhecimento no Rio de Janeiro no início dos anos 80. 2016. 234f. Tese de Doutorado em Ciências. Programa de Pós-Graduação em Sociologia, Universidade de São Paulo, São Paulo.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
TELLES, Vera S. A cidade nas fronteiras do legal e ilegal. Belo Horizonte: Argumentum, 2010.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Category:Complexo do Alemão]] [[Category:História de favela]] [[Category:Memória]] [[Category:Rio de Janeiro]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Thiago Matiolli</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://homologacao2.wikifavelas.com.br/index.php?title=Pertencimento_ao_Complexo_do_Alem%C3%A3o&amp;diff=3768</id>
		<title>Pertencimento ao Complexo do Alemão</title>
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		<updated>2020-01-30T20:53:57Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Thiago Matiolli: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Autor&#039;&#039;&#039;: [https://wikifavelas.com.br/index.php?title=Usuário:Thiago_Matiolli&amp;amp;action=edit&amp;amp;redlink=1 Thiago Oliveira Lima Matiolli].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É comum entre pesquisadoras(es), sobretudo aquelas(es) que se pretendem estudar as favelas, tomar como pressuposto o fato de que as pessoas que vivem em áreas que hoje são percebidas como complexo de favelas não se vêem como moradoras de um “complexo”. Essa premissa, que não vem acompanhada de evidências empíricas rigorosas, é suficiente para que tais “especialistas” passem a afirmar que essa perspectiva espacial é algo construído pelo Estado e imposto a quem habita as áreas faveladas, numa lógica militarizada. Negligenciando, assim, em alguma medida, a agência de quem vive nesses espaços.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Todavia, a relação que é estabelecida pelas pessoas que vivem nesses espaços renomeados como “complexo de favelas” com seu lugar de moradia promove menos sua identificação (ou não) definitiva como moradoras de um “complexo”, do que a possibilidade de um pertencimento (ou não) a ele, o qual é acionado de modo bastante heterogêneo e, usualmente, estratégico. O que isso quer dizer: primeiro, que não podemos fazer afirmações generalistas e duais que afirmem ou neguem a identidade de alguém a “um complexo”; segundo, e em decorrência do primeiro, que os pertencimentos a essa nova escala espacial da cidade do Rio de Janeiro (complexo) são múltiplos, variados e imprevisíveis&amp;lt;ref&amp;gt; Para um visão mais detalhada desta questão, ver o verbete “https://wikifavelas.com.br/index.php?title=Complexos_de_Favelas”, neste dicionário. &lt;br /&gt;
&amp;lt;/ref&amp;gt;.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As pessoas vão se perceber como moradoras ou não de um complexo de maneiras diferentes. Ante a uma pergunta do tipo: “você mora no Complexo do Alemão?”, uma moradora ou morador da área pode responder que “não”. O que não implica necessariamente numa resistência em reconhecer esse novo espaço da cidade, que lhe teria sido imposto como lugar de moradia.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há, pelo menos, duas outras motivações para que essa resposta negativa tenha sido dada. A primeira, por exemplo, é se a pessoa que for indagada tivesse se mudado para essa região na década de 1980 ou antes, ela, de fato, não foi morar no Complexo do Alemão, mas em outro lugar, seja Olaria, Ramos, Inhauma ou Bonsucesso. A lei 2055 de 1993 mudou o nome do bairro onde ela mora (ou morava), e isso pode não ter-lhe sido comunicado; assim, mudou-se o nome bairro onde essa moradora ou morador vive e não lhe contaram. O que, também explicaria, porque há quem situe o lugar em que reside como “rua x, &#039;complexo do alemão&#039;, Ramos”, considerando este último como a referência formal de local de moradia.&amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A outra explicação é que, internamente ao Complexo do Alemão, há diversas localidades, de modo que o pertencimento inicial pode ser à Nova Brasília ou à Alvorada, à qual a filiação ao complexo se sobrepõe. Assim, alguém pode localizar sua moradia na Nova Brasília, no Complexo ou ainda a ambos ao mesmo tempo: “moro na Nova Brasília, no Complexo do Alemão”&amp;lt;ref&amp;gt;Ou ainda “moro na Nova Brasília, no Complexo do Alemão em Ramos”.&amp;lt;/ref&amp;gt;.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Então, para se apreender como as pessoas se identificam ou pertencem ao Complexo do Alemão é preciso entender que esse pertencimento seguirá perspectivas variáveis e estratégicas. Trata-se de mais uma escala espacial que se sobrepõe ao lugar onde se vive e pode ser acionada se necessário, isto é, uma pessoa pode se ver como moradora, ao mesmo tempo, da Nova Brasília e do Complexo do Alemão, tal como, da Zona da Leopoldina, da cidade e do estado do Rio de Janeiro; e, ainda, deste país chamado Brasil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Neste verbete, não se vai abordar a relação de moradoras e moradores com o Complexo do Alemão ao longo do século&amp;lt;ref&amp;gt;Para este aspecto ver verbete https://wikifavelas.com.br/index.php?title=Hist%C3%B3rico_fundi%C3%A1rio_do_Complexo_do_Alem%C3%A3o ou o trabalho de Couto e Rodrigues (2013).&amp;lt;/ref&amp;gt;, haja vista que essa denominação começou a ser produzida apenas na década de 1980, até que virasse bairro na década seguinte. Mas, resgatar o processo histórico de produção desse novo espaço na cidade e como ele passou a ser experimentado pelos moradores nas últimas décadas. &amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;O morro do alemão como um aglomerado de favelas.&amp;amp;nbsp;&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Talvez a primeira menção pública a um possível Complexo do Alemão possa ser resgatada de uma edição do Jornal do Brasil de 13 de Janeiro de 1980, através da transcrição de uma fala do então Secretário Municipal de Desenvolvimento Social do Município do Rio de Janeiro, Marcos Candau, ao abordar o crescimento do processo de favelização da cidade. Ao listar as favelas que mais teriam crescido nos anos anteriores, ele afirmava:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;“Se você for ao morro do Alemão, entre o Méier e Ramos, que é um aglomerado de seis favelas, vai sentir-se numa enorme cidade, com milhões de pessoas. Feita a contagem, constatou-se a existência de cerca de 122 mil habitantes. As favelas da Rocinha e Vidigal, juntamente com essas do Alemão, foram as que mais cresceram nos últimos anos e, se olharmos do alto, do helicóptero, vemos que dentro de pouco tempo Vidigal e Rocinha se juntarão, formando uma única favela”&#039;&#039; (Jornal do Brasil, 13/01/1980, pg. 19).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nesta fala, ainda que não haja o uso do termo “complexo”, já é possível notar uma identificação entre o Morro do Alemão como um espaço que congregava mais de uma favela. Na mesma edição há uma matéria intitulada:“Morro do Alemão, o que mais cresce”, na qual, a área é descrita como uma região de quase um milhão de metros quadrados distribuídos pelos bairros de Ramos, Olaria e Bonsucesso.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&amp;quot;Com 24.535 barracos e uma população de 122 mil 675 habitantes, o morro do Alemão é, na verdade, um aglomerado de favelas (Nova Brasília, Grota, Alvorada, Alemão, Alto Florestal e Itararé) que não para de crescer e já ocupa uma área de área de 973.600 m2 segundo o último levantamento de 1979&amp;quot;&#039;&#039; (Jornal do Brasil, 13/01/1980, pg. 20).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A reportagem segue trazendo alguns “personagens”: Severino dias, que fora morar lá após casar, em um “puxado” na casa n. 23 da Avenida Central&amp;lt;ref&amp;gt;“O preço do barraco na Avenida Central – ponto chique do morro, onde existe acesso para automóveis graças a rua aberta em regime de mutirão – está em torno dos Cr$ 70 mil, quantia que cai até Cr$ 20 mil nas sinuosas vielas transversais, encharcadas por despejos de esgotos e sem calçamento. O Morro do Alemão mistura os tradicionais barracos de tábuas com casa de alvenaria dotadas de algum conforto: fossas, água encanada, luz, televisão e até aparelhos de ar condicionado” (Jornal do Brasil, 13 de Janeiro de 1980, pg. 20). &amp;lt;/ref&amp;gt; e, seria, segundo o jornal, de “puxado em puxado” a forma pela qual o Alemão se expandia; Jorge da Costa, “empreiteiro do Morro do Alemão”, para quem o que não faltava ali, era trabalho; e Manoel Hermógenes, o “morador mais antigo do Morro do Alemão”, que teria chegado ao Alemão em 15 de Dezembro de 1946. Há também menção à UDAMA (Associação de Defesa e Assistência dos Moradores do Morro do Alemão) que fazia a manutenção das bombas hidráulicas que bombeavam água para o alto do morro e de duas creches, além de fornecer documentos aos “favelados”. Segundo o tesoureiro, à época, João Alexandre da Silva, o sonho da UDAMA era “ver a favela urbanizada”. Já a maior aspiração dos moradores seria a construção de galerias de esgoto.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Partindo da fala de João Alexandre, o Jornal apresenta esta caracterização do Alemão: &amp;quot;&#039;&#039;o morro em si, sem as favelas que o cercam, é delimitado pelas Ruas Joaquim de Queirós, Armando Sodré, Olaria e Estrada do Itararé e Rua Paranhos, em Ramos. O último levantamento oficial foi feito em 1972. Os dados: 18 mil moradores e 4 mil casas, número que não cessou de crescer garante o tesoureiro&#039;&#039;” (Jornal do Brasil, 13/01/1980, pg. 20).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O que as reportagens retratam é a emergência de um novo espaço na cidade, uma nova escala territorial para pensar as favelas. A caracterização transcrita acima traz uma tensão entre o morro (do Alemão) em si e esse novo espaço, que virá a ser, anos depois, o Complexo do Alemão. Mais do que o nome, são lugares com delimitação e população diferentes e, a princípio, intercambiáveis; o Morro do Alemão passa a ter simultaneamente 4 mil e 24 mil “barracos”, 18 mil e 122 mil moradores. Com o passar do tempo, e com esse complemento “complexo”, a diferenciação entre esses dois espaços vai se consolidando, e a cidade verá surgir um de seus maiores espaços favelados nas décadas seguintes. O que seria percebido dois anos depois da entrevista, com a escolha do “Morro do Alemão”, composto por seis favelas, para receber um diagnóstico da Prefeitura, financiado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), junto com o Jacarezinho, dois dos maiores espaços favelados da cidade à época.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;O Conjunto de favelas do Alemão.&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Relatório Preliminar do &#039;&#039;Projeto de Desenvolvimento Social de Favelas do Rio de Janeiro&#039;&#039; foi produzido pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social (SMDS) com recursos do BID, entre os anos de 1981 e 1983. O texto está organizado em três grandes áreas: socioeconômica, físico-urbanística e jurídica. Logo na apresentação do relatório, o programa faz menção ao objetivo de gerar propostas para cinco favelas do Município do Rio de Janeiro: Jacarezinho e o “Conjunto Favelado do Alemão”, composto por Morro do Alemão, Nova Brasília, Itararé e Joaquim de Queirós. E, ao longo de suas 800 páginas, o “Conjunto Favelado do Alemão” vai ser apresentado de formas distintas.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cada órgão contratado para realizar os levantamentos fez referência à região estudada de maneira mais ou menos regular, mas diferente um do outro; contudo, há variações na forma de apresentar o objeto “Alemão” internamente aos textos de cada um deles. Isto é, ainda que este seja um projeto de diagnóstico unificado, produzido a partir de dimensões distintas, não houve um esforço em unificar as noções utilizadas ou de se estabelecer previamente o que cada um desses órgãos deveria considerar como Complexo do Alemão, de modo que, cada área definiu-o segundo os parâmetros de suas pesquisas.&amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Isso pode ser percebido logo nos textos de apresentação de cada setor: no levantamento socioeconômico, faz-se referência ao “Conjunto do Alemão”; a área jurídica ao “Complexo do Alemão”; e o Iplanrio, responsável pelas informações físico-urbanísticas, faz menção às “favelas do Morro do Alemão”. E, quando na análise dos dados levantados, muitas outras enunciações surgem. Apenas, a título de ilustração, na caracterização físico-urbanística da área, os termos utilizados foram “Favelas do Morro do Alemão” e “área favelada do Morro do Alemão”. Nesta seção, marca-se muito a ideia do “Morro do Alemão”, conferindo-lhe uma centralidade em torno da qual, outras favelas teriam se desenvolvido. Por isso as expressões utilizadas mantêm a ideia de “morro”. Inclusive, há uma menção ao “verdadeiro morro do Alemão”&amp;lt;ref&amp;gt; “A área conhecida como o verdadeiro Morro do Alemão fica à direita da Rua Joaquim de Queirós, subindo até a crista do Morro (ver foto 2). Longitudinalmente, se estende até o largo do Graciano, onde tem início o Morro dos Mineiros (setor da Favela Morro do Alemão), que atinge a cota 160, terminando nas torres da Light” (SMDS, 1983, p. 384)&amp;lt;/ref&amp;gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A análise do relatório traz alguns dados interessantes (MATIOLLI, 2016). Primeiro, uma variação no uso da noção de “Morro do Alemão”, ora expressando todo o conjunto de favelas, ora apenas uma delas. Depois, o reconhecimento de uma nova escala territorial, o “Complexo do Alemão”, de modo que, os dados apresentados, ora dizem respeito a esta nova unidade territorial, ora às diferentes favelas que o compõem, marcando sua diferenciação interna. Essa perspectiva reconhece uma continuidade entre as favelas do Alemão, sem perder de vista a sua heterogeneidade interna.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por fim, é interessante destacar a recorrência, no levantamento jurídico da expressão “Complexo do Alemão”, uma vez que essa seção foi realizada por técnicos da própria SMDS. Assim, talvez seja possível sugerir que a consolidação do uso do “Complexo” para o Alemão, e não outra das noções utilizadas ao longo do Projeto pode ser fruto de sua cristalização nas rotinas burocráticas e administrativas dessa secretaria (MATIOLLI, 2016).&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A delimitação geográfica e da quantidade de favelas existentes no Rio de Janeiro, tal como de sua população, se colocava como um dos grandes desafios do governo municipal no início da década de 1980. Para tentar lidar com essas questões o Iplanrio assume um papel importante na produção de dados para o Município; através dele, foi produzido um Cadastro de Favelas; neste período, também foram divulgados os dados do censo de 1980, com informações referentes às favelas; e houve uma movimentação de conciliação entre os dados do IBGE e os produzidos por esse novo quadro e saber administrativo produzidos pela Prefeitura. Neste ínterim, a ideia de que há um Complexo do Alemão, ou de Complexos de favelas, se consolida ainda mais, com a diferenciação entre “favelas isoladas” e “aglomerados de favelas” (IPLANRIO, 1984)&amp;lt;ref&amp;gt;Ver o verbete https://wikifavelas.com.br/index.php?title=Complexos_de_Favelas, neste dicionário.&amp;lt;/ref&amp;gt;. &amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;A XXIX Região Administrativa - Complexo do Alemão&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Saturnino Braga foi o primeiro prefeito da cidade do Rio de Janeiro eleito diretamente depois do fim a ditadura civil-militar. Uma de suas iniciativas mais marcantes foi a criação de Regiões Administrativas nas quatro maiores áreas faveladas da cidade: Rocinha, Jacarezinho, Complexo do Alemão e Maré. E a eleição para os administradores regionais do município.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O processo de eleição para Administrador Regional da XXIX R.A. é muito significativa para se pensar o primeiro registro de organização coletiva em torno deste novo lugar da cidade: o Complexo do Alemão. Mariza Maria da Conceição do Nascimento se candidatou e foi eleita a primeira administradora regional da XXIX Região Administrativa. Moradora do Morro do Adeus, onde chegara na década de 1970, vinda da Paraíba, havia feito parte da diretoria da associação de moradores do Adeus, da qual virara presidente. Também integrou a Secretaria de Mulheres da FAFERJ (Federação das Associações de Favelas do Estado do Rio de Janeiro).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;Uma “Carta de Apoio”, assinada por representantes das associações de moradores que comporiam a área de atuação da Região Administrativa do Complexo do Alemão, foi redigida em 24 de Abril de 1986 e trazia o seguinte texto:&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;Nós abaixo assinado, lideranças e representantes da sociedade de Ramos e do Complexo do Morro do Alemão, apoiamos a candidata Mariza Maria Conceição do Nascimento chapa nº. 2, que concorreu ao pleito de administradora no dia 30 de Março de 1986.&amp;amp;nbsp;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;Tendo em vista que, a candidata está dentro dos parâmetros criteriais adotados pelo Ilmo. Senhor Vice Prefeito Jó Rezende.&amp;amp;nbsp;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;Visamos principalmente a participação atuante da mesma, junto ao governo em favor do povo.&amp;amp;nbsp;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assinam a carta representantes da Associação de Moradores do Bairro Nova Brasília, Associação de Moradores do Morro do Itararé, Associação de Moradores do Parque Alvorada e Cruzeiro, Centro Comunitário do Morro da Baiana, Centro Social Joaquim de Queiroz e União de Defesa e Assistência do Morro do Alemão. Mariza também recebeu “Declarações de Apoio” da Rotary Clube do Rio de Janeiro – Ramos e Associação Comercial e Industrial Leopoldinense.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como aponta carta, o Complexo do Alemão, quando ganha sua Região Administrativa, surge composto por sete favelas (ao menos aquelas com associação de moradores), as seis que assinam a carta mais o Morro do Adeus, representado pela própria Mariza. Este, junto com a Baiana, não são contíguos às quatro favelas que compunham, inicialmente, o espaço do Complexo do Alemão, tal como definidos nos estudos e documentos oficiais analisados anteriormente; todavia, são próximos, separados do restante do Alemão, apenas pela Estrada do Itararé, o que pode ter contribuído para sua inserção na área da nova Região Administrativa, o que viria viabilizar, inclusive, a candidatura de Mariza.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esta “Carta de Apoio” surge como o primeiro registro de uma articulação de organizações sociais em torno de uma nova escala de pertencimento.. Movimentos políticos posteriores na região do bairro, da década de 1990 em diante, como a luta pela implantação do Conselho de Saúde do Complexo do Alemão (CONSA), o Comitê de Desenvolvimento Local da Serra da Misericórdia (CDLSM) ou o mais recente o Juntos Pelo Complexo do Alemão, parecem ter tido como embrião essa carta, na qual representantes de distintas associações dialogam em prol do Complexo do Alemão.&amp;amp;nbsp; &amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;A década de 1990&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como pode ser visto no verbete “complexos” deste dicionário, um dos desdobramos da criação dessas novas Regiões Administrativas nas grandes áreas faveladas da cidade, foi a criação dos bairros homônimos: Rocinha, Jacarezinho, Complexo do Alemão e Maré. Mas, também, a exclusão das favelas pertencentes aos espaços considerados como Complexos das obras do Programa Favela-Bairro, por serem tomadas como grandes favelas. As quais seriam contempladas, posteriormente, como Planos de Desenvolvimento Urbanísticos específicos, por conta de suas dimensões e complexidades. O PDU que foi desenvolvido para o Complexo do alemão foi base para o desenvolvimento do projeto que será financiado, no final da década de 2000, pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além disso, de modo geral, as favelas da cidade do Rio de Janeiro, bem como as periferias do país como um todo (TELLES, 2010), experimentaram o de novos ddois novos atores sociais: as ONG’s e os operadores do varejo dos entorpecentes ilícitos. O que afeta toda a cartografia política, econômica, social e cultural desses espaços.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A localização do varejo do narcotráfico nas favelas vai contribuir para uma nova chave de criminalização desses espaços na cidade, produzindo representações que caracterizavam as favelas como a grande fonte do “mal” e da insegurança para a cidade. Fenômeno, de modo algum novo, pois tal criminalização afeta as favelas desde seu surgimento na cidade, bem como atingia outras formas de moradia popular antes delas. O que pode ser visto como novidade, são os atores que alimentavam essa visão criminalizante.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por outro lado, a tematização pública do problema da favela na cidade passou a ser dominada pelas leituras da violência e insegurança, não mais na chave da reivindicação de direitos (como em período imediatamente anterior, na década de 1980 e início da de 1990). O que pode ter impactado na abertura de mais espaço e reconhecimento para a fala de autoridades policiais, que ganham também, mais espaço nos governos do estado e, em decorrência disso, associado o uso da noção de complexos apenas a uma lógica militarizada. Mas, isso é só uma hipótese.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A entrada das ONGs nas periferias toma dois caminhos, por um lado, as grandes organizações não-locais que passaram a chegar com seus projetos sociais nessas regiões (muitas vezes com financiamento internacional). E, por outro, como uma nova forma de associativismo oferecida para as/os moradoras/es das favelas. O que, no caso do Complexo do Alemão, traz mais um elemento, o espacial, na complexificação de sua cartografia política. A referência territorial dessas novas organizações pode ser construída a partir da localização no “Complexo do Alemão, diferente das associações de moradores, que estão ligadas às comunidades que o compõem..&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, por um lado, a década de 1990 e de 2000 veem a luta pela criação do CONSA (Conselho de Saúde do Complexo do Alemão), do Comitê de Desenvolvimento Local da Serra da Misericórdia (outro referencial espacial possível para as reivindicações políticas), que viria a ser a base para o Comitê de Fiscalização das obras do PAC no Complexo do Alemão, agregando diversas organizações do bairro. E mais, as novas organizações e instituições que passam a se constituir nesse período tomam como referência de pertencimento político o Complexo do Alemão. Não apenas porque isso potencializa sua voz, mas porque esse pertencimento já era possível na década de 1990.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outro exemplo, agora com relação às associações de moradores.&amp;amp;nbsp; Na época da realização das obras do PAC, foram realizadas reuniões com essas organizações para definir os limites das áreas representadas por cada uma delas. Os presidentes teriam levado as delimitações que eles reconheciam como correspondentes às suas associações. Quando foram sobrepostas ao mapa do bairro, alguns pontos chamaram a atenção dos participantes das reuniões. A área representada por algumas transcendiam os limites das delimitações do Complexo do Alemão, se estendendo por Inhaúma, por exemplo. Havia lugares que estavam num vácuo, pois não estavam contidos nos contornos delimitados por nenhuma das associações, e outros que eram situados na intersecção da ação de mais de uma delas. Esse fato também foi destacado no texto do Plano de Desenvolvimento Urbanístico do Complexo do Morro do Alemão (Prefeitura, 2006).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essas indeterminações são menos fruto da incapacidade de organização das instituições locais e mais resultado do jogo político de delimitação das fronteiras. Esse jogo diz respeito aos limites do bairro e de cada uma de suas “comunidades”, mas também às múltiplas relações de pertencimento a estes territórios nas quais moradoras e moradores estão inseridos. Essas relações são recriadas a partir da história de cada morador(a) e se localizam na vida social do lugar e podem ser acionadas estrategicamente de acordo com suas necessidades.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É nessa malha de indeterminações que se delineiam cartografias políticas diversas, marcadas por alianças e disputas entre essas novas organizações, que falam a partir do complexo do Alemão, e as associações de moradores que fala em nome de cada uma de suas 13 comunidades ou favelas, entrecruzando essas escalas possíveis, de acordo com o contexto que se colocou. Em momentos de crise, essa atuação conjunta pode até produzir uma voz uníssona entre todas essas instituições.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por exemplo, no momento da criação do movimento Juntos pelo Complexo do Alemão, em reposta aos estragos causados por conta de fortes chuvas ocorridas em Dezembro de 2013. Quando&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&amp;quot;Um&amp;amp;nbsp; grupo&amp;amp;nbsp; formado&amp;amp;nbsp; por moradores,&amp;amp;nbsp; que atuam informal&amp;amp;nbsp; ou institucionalmente no Complexo, tomou a frente das ações que socorreram as famílias: identificaram moradias em risco, &amp;amp;nbsp; improvisaram abrigos e criaram uma grande mobilização para doações aos desabrigados. Constituiu-se daí o grupo Juntos pelo Complexo do Alemão, que dialogou com entidades e atores da sociedade civil e órgãos públicos, e operou especialmente através de canais informais de trocas e da rede social, em particular do facebook. O grupo Juntos pelo Complexo do Alemão foi uma dentre outras ações desenvolvidas no enfrentamento dos impactos do temporal, tendo se convertido no movimento de maior dimensão, e que tomou a frente das negociações com várias instâncias governamentais e não governamentais&amp;quot;&#039;&#039; (Calazans, Cunha e Pinheiro, 2016, pg. 3).&amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp; &amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As chuvas tiveram efeitos localizados no interior do bairro, mas a mobilização se deu em torno do Complexo do Alemão, atraindo o apoio de algumas associações de moradores&amp;lt;ref&amp;gt; Para uma análise mais aprofundada do contexto, ver Calazans, Cunha e Pinheiro (2016) e o verbete https://wikifavelas.com.br/index.php?title=Coletivo_Juntos_pelo_Complexo_do_Alem%C3%A3o:_vou_te_exigir_o_meu_lugar, neste dicionário.&amp;lt;/ref&amp;gt;.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 2015, o Juntos pelo Complexo do Alemão foi acionado novamente, mediante o contexto de recrudescimento dos conflitos armados e violência policial nos primeiros meses do ano. Uma série de ações reivindicatórias, pedindo o fim das ações truculentas da polícia, foi realizada: passeatas, um encontro com agentes governamentais na sede da ONG Viva Rio, uma audiência pública na C.A.I.C Theófilo de Souza Pinto entre outras, de modo articulado entre os diversos atores sociais, pessoas e instituições; ONGs, coletivos e mesmo associações de moradores. Uma pauta unificada, construída a partir da discussão entre 27 instituições locais, incluindo as 13&amp;lt;ref&amp;gt;O número de favelas que compõem o Complexo do Alemão pode ser tão indefinível, quanto seus limites físicos e número de moradores. Consideraremos o número de 13 aqui, pois faz referência ao número de associações de moradores existentes. &amp;lt;/ref&amp;gt; associações de moradores, foi construída no período, com cinco prioridades: a Implantação da Universidade Federal; Habitação; Saneamento Ambiental; Parque da Serra da Misericórdia e Segurança Pública.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma aliança tão grande torna difícil manter a sua coesão por muito tempo, entretanto, em momentos pontuais e críticos, o Complexo do Alemão se torna a escala de pertencimento acionada, agregando suas diversas organizações locais, que abrem mão de suas diferenças políticas, para uma atuação conjunta. Mesmo que momentânea.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O bairro do Complexo do Alemão inicia 2010 sob a intervenção de duas grandes ações governamentais: o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e implantação das Unidades de Polícia Pacificadora (UPP’s), cuja implantação se deu após dois anos da midiatizada ocupação militar do final de 2010. Ao longo dos últimos anos, o Complexo do Alemão passou, então, a ter outras entradas nos meios de comunicação em massa:s recebeu a visita de apresentadores assistencialistas, como Luciano Huck, virou cenário de filme e novela. Ao mesmo, empresas e aparelhos governamentais, em particular o SEBRAE, descobriram no bairro, uma economia aquecida com mais de cinco mil empreendimento, de acordo com o Censo Empresarial de 2010, realizado pelo governo do estado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O que vai abrir, para espíritos empreendedores do bairro, possibilidades de negócios, a partir de seus pertencimentos ao Complexo do Alemão. Esse branding do Complexo do Alemão é apropriado localmente e alimenta uma série de novos empreendimentos locais que buscam associar novos serviços e produtos à brand (marca) Complexo do Alemão. Assim, vê-se surgir uma agência de turismo, a “Turismo no Alemão”; uma marca de roupas a “complexidade urbana” (desde 2009); e mesmo de uma cerveja própria, a “Complexo do Alemão”, que pode ser encontrada no Bistrô R&amp;amp;R. Isso, para não falar, por falta de espaço, da apropriação da brand Alemão por circuitos do terceiro setor, do empreendedorismo social e algumas celebridades.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com esses exemplos, não se quer aqui reforçar a força do empreendedorismo local ou romantizar a vida econômica local, mas apontar que o arraigamento local da ideia do Complexo do Alemão, pode gerar apropriações múltiplas, seja como uma brand (marca), que aciona, inclusive, laços afetivos com moradoras e moradores com seus produtos; seja como um elemento aglutinador de forças em momentos de crise, como vimos na seção anterior.&amp;amp;nbsp; Os efeitos locais da noção de “complexo” de favelas, a partir da experiência de pesquisa no Complexo do Alemão, são variados; os exemplos aqui trazidos não tem a menor pretensão de esgotar essas possibilidades, mas contribuem bastante para a construção e apresentação do argumento. &amp;amp;nbsp; &#039;&#039;&#039;Pertencer ao Complexo do Alemão&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Resgatando a pergunta usada como exemplo no início do verbete: “você mora ou não no Complexo do Alemão?”, podemos encerrá-lo. A resposta vai ser simples, sim ou não. Contudo, as motivações por trás dessas respostas são múltiplas, e boa parte delas, estratégica. A existência dos complexos de favelas na cidade, não tem efeitos identitários, mas se colocam como novas escalas de pertencimento à qual, suas moradoras e seus moradores poderão acionar de acordo com suas necessidades. Podem omitir, mas também podem reafirmar esse pertencimento, seja por orgulho, ou por algum interesse econômico, como vimos.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Referências&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Matiolli, Thiago Oliveira Lima. O que o Complexo do Alemão nos conta sobre a cidade do Rio de Janeiro: poder e conhecimento no Rio de Janeiro no início dos anos 80. 2016. 234f. Tese de Doutorado em Ciências. Programa de Pós-Graduação em Sociologia, Universidade de São Paulo, São Paulo.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
TELLES, Vera S. A cidade nas fronteiras do legal e ilegal. Belo Horizonte: Argumentum, 2010.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Category:Complexo do Alemão]] [[Category:História de favela]] [[Category:Memória]] [[Category:Rio de Janeiro]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Thiago Matiolli</name></author>
	</entry>
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		<id>https://homologacao2.wikifavelas.com.br/index.php?title=Pertencimento_ao_Complexo_do_Alem%C3%A3o&amp;diff=3767</id>
		<title>Pertencimento ao Complexo do Alemão</title>
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		<updated>2020-01-30T20:44:47Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Thiago Matiolli: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Autor&#039;&#039;&#039;: [https://wikifavelas.com.br/index.php?title=Usuário:Thiago_Matiolli&amp;amp;action=edit&amp;amp;redlink=1 Thiago Oliveira Lima Matiolli].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É comum entre pesquisadoras(es), sobretudo aquelas(es) que se pretendem estudar as favelas, tomar como pressuposto o fato de que as pessoas que vivem em áreas que hoje são percebidas como complexo de favelas não se vêem como moradoras de um “complexo”. Essa premissa, que não vem acompanhada de evidências empíricas rigorosas, é suficiente para que tais “especialistas” passem a afirmar que essa perspectiva espacial é algo construído pelo Estado e imposto a quem habita as áreas faveladas, numa lógica militarizada. Negligenciando, assim, em alguma medida, a agência de quem vive nesses espaços.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Todavia, a relação que é estabelecida pelas pessoas que vivem nesses espaços renomeados como “complexo de favelas” com seu lugar de moradia promove menos sua identificação (ou não) definitiva como moradoras de um “complexo”, do que a possibilidade de um pertencimento (ou não) a ele, o qual é acionado de modo bastante heterogêneo e, usualmente, estratégico. O que isso quer dizer: primeiro, que não podemos fazer afirmações generalistas e duais que afirmem ou neguem a identidade de alguém a “um complexo”; segundo, e em decorrência do primeiro, que os pertencimentos a essa nova escala espacial da cidade do Rio de Janeiro (complexo) são múltiplos, variados e imprevisíveis&amp;lt;ref&amp;gt; Para um visão mais detalhada desta questão, ver o verbete “https://wikifavelas.com.br/index.php?title=Complexos_de_Favelas”, neste dicionário. &lt;br /&gt;
&amp;lt;/ref&amp;gt;.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As pessoas vão se perceber como moradoras ou não de um complexo de maneiras diferentes. Ante a uma pergunta do tipo: “você mora no Complexo do Alemão?”, uma moradora ou morador da área pode responder que “não”. O que não implica necessariamente numa resistência em reconhecer esse novo espaço da cidade, que lhe teria sido imposto como lugar de moradia.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há, pelo menos, duas outras motivações para que essa resposta negativa tenha sido dada. A primeira, por exemplo, é se a pessoa que for indagada tivesse se mudado para essa região na década de 1980 ou antes, ela, de fato, não foi morar no Complexo do Alemão, mas em outro lugar, seja Olaria, Ramos, Inhauma ou Bonsucesso. A lei 2055 de 1993 mudou o nome do bairro onde ela mora (ou morava), e isso pode não ter-lhe sido comunicado; assim, mudou-se o nome bairro onde essa moradora ou morador vive e não lhe contaram. O que, também explicaria, porque há quem situe o lugar em que reside como “rua x, &#039;complexo do alemão&#039;, Ramos”, considerando este último como a referência formal de local de moradia.&amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A outra explicação é que, internamente ao Complexo do Alemão, há diversas localidades, de modo que o pertencimento inicial pode ser à Nova Brasília ou à Alvorada, à qual a filiação ao complexo se sobrepõe. Assim, alguém pode localizar sua moradia na Nova Brasília, no Complexo ou ainda a ambos ao mesmo tempo: “moro na Nova Brasília, no Complexo do Alemão”.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Então, para se apreender como as pessoas se identificam ou pertencem ao Complexo do Alemão é preciso entender que esse pertencimento seguirá perspectivas variáveis e estratégicas. Trata-se de mais uma escala espacial que se sobrepõe ao lugar onde se vive e pode ser acionada se necessário, isto é, uma pessoa pode se ver como moradora, ao mesmo tempo, da Nova Brasília e do Complexo do Alemão, tal como, da Zona da Leopoldina, da cidade e do estado do Rio de Janeiro; e, ainda, deste país chamado Brasil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Neste verbete, não se vai abordar a relação de moradoras e moradores com o Complexo do Alemão ao longo do século, haja vista que essa denominação começou a ser produzida apenas na década de 1980, até que virasse bairro na década seguinte. Mas, resgatar o processo histórico de produção desse novo espaço na cidade e como ele passou a ser experimentado pelos moradores nas últimas décadas. &amp;amp;nbsp; &#039;&#039;&#039;O morro do alemão como um aglomerado de favelas.&amp;amp;nbsp;&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Talvez a primeira menção pública a um possível Complexo do Alemão possa ser resgatada de uma edição do Jornal do Brasil de 13 de Janeiro de 1980, através da transcrição de uma fala do então Secretário Municipal de Desenvolvimento Social do Município do Rio de Janeiro, Marcos Candau, ao abordar o crescimento do processo de favelização da cidade. Ao listar as favelas que mais teriam crescido nos anos anteriores, ele afirmava:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;“Se você for ao morro do Alemão, entre o Méier e Ramos, que é um aglomerado de seis favelas, vai sentir-se numa enorme cidade, com milhões de pessoas. Feita a contagem, constatou-se a existência de cerca de 122 mil habitantes. As favelas da Rocinha e Vidigal, juntamente com essas do Alemão, foram as que mais cresceram nos últimos anos e, se olharmos do alto, do helicóptero, vemos que dentro de pouco tempo Vidigal e Rocinha se juntarão, formando uma única favela”&#039;&#039; (Jornal do Brasil, 13/01/1980, pg. 19).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nesta fala, ainda que não haja o uso do termo “complexo”, já é possível notar uma identificação entre o Morro do Alemão como um espaço que congregava mais de uma favela. Na mesma edição há uma matéria intitulada:“Morro do Alemão, o que mais cresce”, na qual, a área é descrita como uma região de quase um milhão de metros quadrados distribuídos pelos bairros de Ramos, Olaria e Bonsucesso.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&amp;quot;Com 24.535 barracos e uma população de 122 mil 675 habitantes, o morro do Alemão é, na verdade, um aglomerado de favelas (Nova Brasília, Grota, Alvorada, Alemão, Alto Florestal e Itararé) que não para de crescer e já ocupa uma área de área de 973.600 m2 segundo o último levantamento de 1979&amp;quot;&#039;&#039; (Jornal do Brasil, 13/01/1980, pg. 20).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A reportagem segue trazendo alguns “personagens”: Severino dias, que fora morar lá após casar, em um “puxado” na casa n. 23 da Avenida Central e, seria, segundo o jornal, de “puxado em puxado” a forma pela qual o Alemão se expandia; Jorge da Costa, “empreiteiro do Morro do Alemão”, para quem o que não faltava ali, era trabalho; e Manoel Hermógenes, o “morador mais antigo do Morro do Alemão”, que teria chegado ao Alemão em 15 de Dezembro de 1946. Há também menção à UDAMA (Associação de Defesa e Assistência dos Moradores do Morro do Alemão) que fazia a manutenção das bombas hidráulicas que bombeavam água para o alto do morro e de duas creches, além de fornecer documentos aos “favelados”. Segundo o tesoureiro, à época, João Alexandre da Silva, o sonho da UDAMA era “ver a favela urbanizada”. Já a maior aspiração dos moradores seria a construção de galerias de esgoto.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Partindo da fala de João Alexandre, o Jornal apresenta esta caracterização do Alemão: &amp;quot;&#039;&#039;o morro em si, sem as favelas que o cercam, é delimitado pelas Ruas Joaquim de Queirós, Armando Sodré, Olaria e Estrada do Itararé e Rua Paranhos, em Ramos. O último levantamento oficial foi feito em 1972. Os dados: 18 mil moradores e 4 mil casas, número que não cessou de crescer garante o tesoureiro&#039;&#039;” (Jornal do Brasil, 13/01/1980, pg. 20).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O que as reportagens retratam é a emergência de um novo espaço na cidade, uma nova escala territorial para pensar as favelas. A caracterização transcrita acima traz uma tensão entre o morro (do Alemão) em si e esse novo espaço, que virá a ser, anos depois, o Complexo do Alemão. Mais do que o nome, são lugares com delimitação e população diferentes e, a princípio, intercambiáveis; o Morro do Alemão passa a ter simultaneamente 4 mil e 24 mil “barracos”, 18 mil e 122 mil moradores. Com o passar do tempo, e com esse complemento “complexo”, a diferenciação entre esses dois espaços vai se consolidando, e a cidade verá surgir um de seus maiores espaços favelados nas décadas seguintes. O que seria percebido dois anos depois da entrevista, com a escolha do “Morro do Alemão”, composto por seis favelas, para receber um diagnóstico da Prefeitura, financiado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), junto com o Jacarezinho, dois dos maiores espaços favelados da cidade à época.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;O Conjunto de favelas do Alemão.&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Relatório Preliminar do &#039;&#039;Projeto de Desenvolvimento Social de Favelas do Rio de Janeiro&#039;&#039; foi produzido pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social (SMDS) com recursos do BID, entre os anos de 1981 e 1983. O texto está organizado em três grandes áreas: socioeconômica, físico-urbanística e jurídica. Logo na apresentação do relatório, o programa faz menção ao objetivo de gerar propostas para cinco favelas do Município do Rio de Janeiro: Jacarezinho e o “Conjunto Favelado do Alemão”, composto por Morro do Alemão, Nova Brasília, Itararé e Joaquim de Queirós. E, ao longo de suas 800 páginas, o “Conjunto Favelado do Alemão” vai ser apresentado de formas distintas.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cada órgão contratado para realizar os levantamentos fez referência à região estudada de maneira mais ou menos regular, mas diferente um do outro; contudo, há variações na forma de apresentar o objeto “Alemão” internamente aos textos de cada um deles. Isto é, ainda que este seja um projeto de diagnóstico unificado, produzido a partir de dimensões distintas, não houve um esforço em unificar as noções utilizadas ou de se estabelecer previamente o que cada um desses órgãos deveria considerar como Complexo do Alemão, de modo que, cada área definiu-o segundo os parâmetros de suas pesquisas.&amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Isso pode ser percebido logo nos textos de apresentação de cada setor: no levantamento socioeconômico, faz-se referência ao “Conjunto do Alemão”; a área jurídica ao “Complexo do Alemão”; e o Iplanrio, responsável pelas informações físico-urbanísticas, faz menção às “favelas do Morro do Alemão”. E, quando na análise dos dados levantados, muitas outras enunciações surgem. Apenas, a título de ilustração, na caracterização físico-urbanística da área, os termos utilizados foram “Favelas do Morro do Alemão” e “área favelada do Morro do Alemão”. Nesta seção, marca-se muito a ideia do “Morro do Alemão”, conferindo-lhe uma centralidade em torno da qual, outras favelas teriam se desenvolvido. Por isso as expressões utilizadas mantêm a ideia de “morro”. Inclusive, há uma menção ao “verdadeiro morro do Alemão”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A análise do relatório traz alguns dados interessantes (MATIOLLI, 2016). Primeiro, uma variação no uso da noção de “Morro do Alemão”, ora expressando todo o conjunto de favelas, ora apenas uma delas. Depois, o reconhecimento de uma nova escala territorial, o “Complexo do Alemão”, de modo que, os dados apresentados, ora dizem respeito a esta nova unidade territorial, ora às diferentes favelas que o compõem, marcando sua diferenciação interna. Essa perspectiva reconhece uma continuidade entre as favelas do Alemão, sem perder de vista a sua heterogeneidade interna.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por fim, é interessante destacar a recorrência, no levantamento jurídico da expressão “Complexo do Alemão”, uma vez que essa seção foi realizada por técnicos da própria SMDS. Assim, talvez seja possível sugerir que a consolidação do uso do “Complexo” para o Alemão, e não outra das noções utilizadas ao longo do Projeto pode ser fruto de sua cristalização nas rotinas burocráticas e administrativas dessa secretaria (MATIOLLI, 2016).&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A delimitação geográfica e da quantidade de favelas existentes no Rio de Janeiro, tal como de sua população, se colocava como um dos grandes desafios do governo municipal no início da década de 1980. Para tentar lidar com essas questões o Iplanrio assume um papel importante na produção de dados para o Município; através dele, foi produzido um Cadastro de Favelas; neste período, também foram divulgados os dados do censo de 1980, com informações referentes às favelas; e houve uma movimentação de conciliação entre os dados do IBGE e os produzidos por esse novo quadro e saber administrativo produzidos pela Prefeitura. Neste ínterim, a ideia de que há um Complexo do Alemão, ou de Complexos de favelas, se consolida ainda mais, com a diferenciação entre “favelas isoladas” e “aglomerados de favelas” (IPLANRIO, 1984). &amp;amp;nbsp; &#039;&#039;&#039;A XXIX Região Administrativa - Complexo do Alemão&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Saturnino Braga foi o primeiro prefeito da cidade do Rio de Janeiro eleito diretamente depois do fim a ditadura civil-militar. Uma de suas iniciativas mais marcantes foi a criação de Regiões Administrativas nas quatro maiores áreas faveladas da cidade: Rocinha, Jacarezinho, Complexo do Alemão e Maré. E a eleição para os administradores regionais do município.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O processo de eleição para Administrador Regional da XXIX R.A. é muito significativa para se pensar o primeiro registro de organização coletiva em torno deste novo lugar da cidade: o Complexo do Alemão. Mariza Maria da Conceição do Nascimento se candidatou e foi eleita a primeira administradora regional da XXIX Região Administrativa. Moradora do Morro do Adeus, onde chegara na década de 1970, vinda da Paraíba, havia feito parte da diretoria da associação de moradores do Adeus, da qual virara presidente. Também integrou a Secretaria de Mulheres da FAFERJ (Federação das Associações de Favelas do Estado do Rio de Janeiro).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;Uma “Carta de Apoio”, assinada por representantes das associações de moradores que comporiam a área de atuação da Região Administrativa do Complexo do Alemão, foi redigida em 24 de Abril de 1986 e trazia o seguinte texto:&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;Nós abaixo assinado, lideranças e representantes da sociedade de Ramos e do Complexo do Morro do Alemão, apoiamos a candidata Mariza Maria Conceição do Nascimento chapa nº. 2, que concorreu ao pleito de administradora no dia 30 de Março de 1986.&amp;amp;nbsp;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;Tendo em vista que, a candidata está dentro dos parâmetros criteriais adotados pelo Ilmo. Senhor Vice Prefeito Jó Rezende.&amp;amp;nbsp;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;Visamos principalmente a participação atuante da mesma, junto ao governo em favor do povo.&amp;amp;nbsp;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assinam a carta representantes da Associação de Moradores do Bairro Nova Brasília, Associação de Moradores do Morro do Itararé, Associação de Moradores do Parque Alvorada e Cruzeiro, Centro Comunitário do Morro da Baiana, Centro Social Joaquim de Queiroz e União de Defesa e Assistência do Morro do Alemão. Mariza também recebeu “Declarações de Apoio” da Rotary Clube do Rio de Janeiro – Ramos e Associação Comercial e Industrial Leopoldinense.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como aponta carta, o Complexo do Alemão, quando ganha sua Região Administrativa, surge composto por sete favelas (ao menos aquelas com associação de moradores), as seis que assinam a carta mais o Morro do Adeus, representado pela própria Mariza. Este, junto com a Baiana, não são contíguos às quatro favelas que compunham, inicialmente, o espaço do Complexo do Alemão, tal como definidos nos estudos e documentos oficiais analisados anteriormente; todavia, são próximos, separados do restante do Alemão, apenas pela Estrada do Itararé, o que pode ter contribuído para sua inserção na área da nova Região Administrativa, o que viria viabilizar, inclusive, a candidatura de Mariza.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esta “Carta de Apoio” surge como o primeiro registro de uma articulação de organizações sociais em torno de uma nova escala de pertencimento.. Movimentos políticos posteriores na região do bairro, da década de 1990 em diante, como a luta pela implantação do Conselho de Saúde do Complexo do Alemão (CONSA), o Comitê de Desenvolvimento Local da Serra da Misericórdia (CDLSM) ou o mais recente o Juntos Pelo Complexo do Alemão, parecem ter tido como embrião essa carta, na qual representantes de distintas associações dialogam em prol do Complexo do Alemão.&amp;amp;nbsp; &amp;amp;nbsp; &#039;&#039;&#039;A década de 1990&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como pode ser visto no verbete “complexos” deste dicionário, um dos desdobramos da criação dessas novas Regiões Administrativas nas grandes áreas faveladas da cidade, foi a criação dos bairros homônimos: Rocinha, Jacarezinho, Complexo do Alemão e Maré. Mas, também, a exclusão das favelas pertencentes aos espaços considerados como Complexos das obras do Programa Favela-Bairro, por serem tomadas como grandes favelas. As quais seriam contempladas, posteriormente, como Planos de Desenvolvimento Urbanísticos específicos, por conta de suas dimensões e complexidades. O PDU que foi desenvolvido para o Complexo do alemão foi base para o desenvolvimento do projeto que será financiado, no final da década de 2000, pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além disso, de modo geral, as favelas da cidade do Rio de Janeiro, bem como as periferias do país como um todo (TELLES, 2010), experimentaram o de novos ddois novos atores sociais: as ONG’s e os operadores do varejo dos entorpecentes ilícitos. O que afeta toda a cartografia política, econômica, social e cultural desses espaços.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A localização do varejo do narcotráfico nas favelas vai contribuir para uma nova chave de criminalização desses espaços na cidade, produzindo representações que caracterizavam as favelas como a grande fonte do “mal” e da insegurança para a cidade. Fenômeno, de modo algum novo, pois tal criminalização afeta as favelas desde seu surgimento na cidade, bem como atingia outras formas de moradia popular antes delas. O que pode ser visto como novidade, são os atores que alimentavam essa visão criminalizante.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por outro lado, a tematização pública do problema da favela na cidade passou a ser dominada pelas leituras da violência e insegurança, não mais na chave da reivindicação de direitos (como em período imediatamente anterior, na década de 1980 e início da de 1990). O que pode ter impactado na abertura de mais espaço e reconhecimento para a fala de autoridades policiais, que ganham também, mais espaço nos governos do estado e, em decorrência disso, associado o uso da noção de complexos apenas a uma lógica militarizada. Mas, isso é só uma hipótese.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A entrada das ONGs nas periferias toma dois caminhos, por um lado, as grandes organizações não-locais que passaram a chegar com seus projetos sociais nessas regiões (muitas vezes com financiamento internacional). E, por outro, como uma nova forma de associativismo oferecida para as/os moradoras/es das favelas. O que, no caso do Complexo do Alemão, traz mais um elemento, o espacial, na complexificação de sua cartografia política. A referência territorial dessas novas organizações pode ser construída a partir da localização no “Complexo do Alemão, diferente das associações de moradores, que estão ligadas às comunidades que o compõem..&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, por um lado, a década de 1990 e de 2000 veem a luta pela criação do CONSA (Conselho de Saúde do Complexo do Alemão), do Comitê de Desenvolvimento Local da Serra da Misericórdia (outro referencial espacial possível para as reivindicações políticas), que viria a ser a base para o Comitê de Fiscalização das obras do PAC no Complexo do Alemão, agregando diversas organizações do bairro. E mais, as novas organizações e instituições que passam a se constituir nesse período tomam como referência de pertencimento político o Complexo do Alemão. Não apenas porque isso potencializa sua voz, mas porque esse pertencimento já era possível na década de 1990.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outro exemplo, agora com relação às associações de moradores.&amp;amp;nbsp; Na época da realização das obras do PAC, foram realizadas reuniões com essas organizações para definir os limites das áreas representadas por cada uma delas. Os presidentes teriam levado as delimitações que eles reconheciam como correspondentes às suas associações. Quando foram sobrepostas ao mapa do bairro, alguns pontos chamaram a atenção dos participantes das reuniões. A área representada por algumas transcendiam os limites das delimitações do Complexo do Alemão, se estendendo por Inhaúma, por exemplo. Havia lugares que estavam num vácuo, pois não estavam contidos nos contornos delimitados por nenhuma das associações, e outros que eram situados na intersecção da ação de mais de uma delas. Esse fato também foi destacado no texto do Plano de Desenvolvimento Urbanístico do Complexo do Morro do Alemão (Prefeitura, 2006).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essas indeterminações são menos fruto da incapacidade de organização das instituições locais e mais resultado do jogo político de delimitação das fronteiras. Esse jogo diz respeito aos limites do bairro e de cada uma de suas “comunidades”, mas também às múltiplas relações de pertencimento a estes territórios nas quais moradoras e moradores estão inseridos. Essas relações são recriadas a partir da história de cada morador(a) e se localizam na vida social do lugar e podem ser acionadas estrategicamente de acordo com suas necessidades.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É nessa malha de indeterminações que se delineiam cartografias políticas diversas, marcadas por alianças e disputas entre essas novas organizações, que falam a partir do complexo do Alemão, e as associações de moradores que fala em nome de cada uma de suas 13 comunidades ou favelas, entrecruzando essas escalas possíveis, de acordo com o contexto que se colocou. Em momentos de crise, essa atuação conjunta pode até produzir uma voz uníssona entre todas essas instituições.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por exemplo, no momento da criação do movimento Juntos pelo Complexo do Alemão, em reposta aos estragos causados por conta de fortes chuvas ocorridas em Dezembro de 2013. Quando&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&amp;quot;Um&amp;amp;nbsp; grupo&amp;amp;nbsp; formado&amp;amp;nbsp; por moradores,&amp;amp;nbsp; que atuam informal&amp;amp;nbsp; ou institucionalmente no Complexo, tomou a frente das ações que socorreram as famílias: identificaram moradias em risco, &amp;amp;nbsp; improvisaram abrigos e criaram uma grande mobilização para doações aos desabrigados. Constituiu-se daí o grupo Juntos pelo Complexo do Alemão, que dialogou com entidades e atores da sociedade civil e órgãos públicos, e operou especialmente através de canais informais de trocas e da rede social, em particular do facebook. O grupo Juntos pelo Complexo do Alemão foi uma dentre outras ações desenvolvidas no enfrentamento dos impactos do temporal, tendo se convertido no movimento de maior dimensão, e que tomou a frente das negociações com várias instâncias governamentais e não governamentais&amp;quot;&#039;&#039; (Calazans, Cunha e Pinheiro, 2016, pg. 3).&amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp; &amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As chuvas tiveram efeitos localizados no interior do bairro, mas a mobilização se deu em torno do Complexo do Alemão, atraindo o apoio de algumas associações de moradores.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 2015, o Juntos pelo Complexo do Alemão foi acionado novamente, mediante o contexto de recrudescimento dos conflitos armados e violência policial nos primeiros meses do ano. Uma série de ações reivindicatórias, pedindo o fim das ações truculentas da polícia, foi realizada: passeatas, um encontro com agentes governamentais na sede da ONG Viva Rio, uma audiência pública na C.A.I.C Theófilo de Souza Pinto entre outras, de modo articulado entre os diversos atores sociais, pessoas e instituições; ONGs, coletivos e mesmo associações de moradores. Uma pauta unificada, construída a partir da discussão entre 27 instituições locais, incluindo as 13 associações de moradores, foi construída no período, com cinco prioridades: a Implantação da Universidade Federal; Habitação; Saneamento Ambiental; Parque da Serra da Misericórdia e Segurança Pública.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma aliança tão grande torna difícil manter a sua coesão por muito tempo, entretanto, em momentos pontuais e críticos, o Complexo do Alemão se torna a escala de pertencimento acionada, agregando suas diversas organizações locais, que abrem mão de suas diferenças políticas, para uma atuação conjunta. Mesmo que momentânea.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O bairro do Complexo do Alemão inicia 2010 sob a intervenção de duas grandes ações governamentais: o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e implantação das Unidades de Polícia Pacificadora (UPP’s), cuja implantação se deu após dois anos da midiatizada ocupação militar do final de 2010. Ao longo dos últimos anos, o Complexo do Alemão passou, então, a ter outras entradas nos meios de comunicação em massa:s recebeu a visita de apresentadores assistencialistas, como Luciano Huck, virou cenário de filme e novela. Ao mesmo, empresas e aparelhos governamentais, em particular o SEBRAE, descobriram no bairro, uma economia aquecida com mais de cinco mil empreendimento, de acordo com o Censo Empresarial de 2010, realizado pelo governo do estado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O que vai abrir, para espíritos empreendedores do bairro, possibilidades de negócios, a partir de seus pertencimentos ao Complexo do Alemão. Esse branding do Complexo do Alemão é apropriado localmente e alimenta uma série de novos empreendimentos locais que buscam associar novos serviços e produtos à brand (marca) Complexo do Alemão. Assim, vê-se surgir uma agência de turismo, a “Turismo no Alemão”; uma marca de roupas a “complexidade urbana” (desde 2009); e mesmo de uma cerveja própria, a “Complexo do Alemão”, que pode ser encontrada no Bistrô R&amp;amp;R. Isso, para não falar, por falta de espaço, da apropriação da brand Alemão por circuitos do terceiro setor, do empreendedorismo social e algumas celebridades.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com esses exemplos, não se quer aqui reforçar a força do empreendedorismo local ou romantizar a vida econômica local, mas apontar que o arraigamento local da ideia do Complexo do Alemão, pode gerar apropriações múltiplas, seja como uma brand (marca), que aciona, inclusive, laços afetivos com moradoras e moradores com seus produtos; seja como um elemento aglutinador de forças em momentos de crise, como vimos na seção anterior.&amp;amp;nbsp; Os efeitos locais da noção de “complexo” de favelas, a partir da experiência de pesquisa no Complexo do Alemão, são variados; os exemplos aqui trazidos não tem a menor pretensão de esgotar essas possibilidades, mas contribuem bastante para a construção e apresentação do argumento. &amp;amp;nbsp; &#039;&#039;&#039;Pertencer ao Complexo do Alemão&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Resgatando a pergunta usada como exemplo no início do verbete: “você mora ou não no Complexo do Alemão?”, podemos encerrá-lo. A resposta vai ser simples, sim ou não. Contudo, as motivações por trás dessas respostas são múltiplas, e boa parte delas, estratégica. A existência dos complexos de favelas na cidade, não tem efeitos identitários, mas se colocam como novas escalas de pertencimento à qual, suas moradoras e seus moradores poderão acionar de acordo com suas necessidades. Podem omitir, mas também podem reafirmar esse pertencimento, seja por orgulho, ou por algum interesse econômico, como vimos.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Referências&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Matiolli, Thiago Oliveira Lima. O que o Complexo do Alemão nos conta sobre a cidade do Rio de Janeiro: poder e conhecimento no Rio de Janeiro no início dos anos 80. 2016. 234f. Tese de Doutorado em Ciências. Programa de Pós-Graduação em Sociologia, Universidade de São Paulo, São Paulo.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
TELLES, Vera S. A cidade nas fronteiras do legal e ilegal. Belo Horizonte: Argumentum, 2010.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Category:Complexo do Alemão]] [[Category:História de favela]] [[Category:Memória]] [[Category:Rio de Janeiro]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Thiago Matiolli</name></author>
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		<id>https://homologacao2.wikifavelas.com.br/index.php?title=Pertencimento_ao_Complexo_do_Alem%C3%A3o&amp;diff=3766</id>
		<title>Pertencimento ao Complexo do Alemão</title>
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		<updated>2020-01-30T20:43:25Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Thiago Matiolli: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Autor&#039;&#039;&#039;: [https://wikifavelas.com.br/index.php?title=Usuário:Thiago_Matiolli&amp;amp;action=edit&amp;amp;redlink=1 Thiago Oliveira Lima Matiolli].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Resumo&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É comum entre pesquisadoras(es), sobretudo aquelas(es) que se pretendem estudar as favelas, tomar como pressuposto o fato de que as pessoas que vivem em áreas que hoje são percebidas como complexo de favelas não se vêem como moradoras de um “complexo”. Essa premissa, que não vem acompanhada de evidências empíricas rigorosas, é suficiente para que tais “especialistas” passem a afirmar que essa perspectiva espacial é algo construído pelo Estado e imposto a quem habita as áreas faveladas, numa lógica militarizada. Negligenciando, assim, em alguma medida, a agência de quem vive nesses espaços.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Todavia, a relação que é estabelecida pelas pessoas que vivem nesses espaços renomeados como “complexo de favelas” com seu lugar de moradia promove menos sua identificação (ou não) definitiva como moradoras de um “complexo”, do que a possibilidade de um pertencimento (ou não) a ele, o qual é acionado de modo bastante heterogêneo e, usualmente, estratégico. O que isso quer dizer: primeiro, que não podemos fazer afirmações generalistas e duais que afirmem ou neguem a identidade de alguém a “um complexo”; segundo, e em decorrência do primeiro, que os pertencimentos a essa nova escala espacial da cidade do Rio de Janeiro (complexo) são múltiplos, variados e imprevisíveis.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As pessoas vão se perceber como moradoras ou não de um complexo de maneiras diferentes. Ante a uma pergunta do tipo: “você mora no Complexo do Alemão?”, uma moradora ou morador da área pode responder que “não”. O que não implica necessariamente numa resistência em reconhecer esse novo espaço da cidade, que lhe teria sido imposto como lugar de moradia.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há, pelo menos, duas outras motivações para que essa resposta negativa tenha sido dada. A primeira, por exemplo, é se a pessoa que for indagada tivesse se mudado para essa região na década de 1980 ou antes, ela, de fato, não foi morar no Complexo do Alemão, mas em outro lugar, seja Olaria, Ramos, Inhauma ou Bonsucesso. A lei 2055 de 1993 mudou o nome do bairro onde ela mora (ou morava), e isso pode não ter-lhe sido comunicado; assim, mudou-se o nome bairro onde essa moradora ou morador vive e não lhe contaram. O que, também explicaria, porque há quem situe o lugar em que reside como “rua x, &#039;complexo do alemão&#039;, Ramos”, considerando este último como a referência formal de local de moradia.&amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A outra explicação é que, internamente ao Complexo do Alemão, há diversas localidades, de modo que o pertencimento inicial pode ser à Nova Brasília ou à Alvorada, à qual a filiação ao complexo se sobrepõe. Assim, alguém pode localizar sua moradia na Nova Brasília, no Complexo ou ainda a ambos ao mesmo tempo: “moro na Nova Brasília, no Complexo do Alemão”.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Então, para se apreender como as pessoas se identificam ou pertencem ao Complexo do Alemão é preciso entender que esse pertencimento seguirá perspectivas variáveis e estratégicas. Trata-se de mais uma escala espacial que se sobrepõe ao lugar onde se vive e pode ser acionada se necessário, isto é, uma pessoa pode se ver como moradora, ao mesmo tempo, da Nova Brasília e do Complexo do Alemão, tal como, da Zona da Leopoldina, da cidade e do estado do Rio de Janeiro; e, ainda, deste país chamado Brasil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Neste verbete, não se vai abordar a relação de moradoras e moradores com o Complexo do Alemão ao longo do século, haja vista que essa denominação começou a ser produzida apenas na década de 1980, até que virasse bairro na década seguinte. Mas, resgatar o processo histórico de produção desse novo espaço na cidade e como ele passou a ser experimentado pelos moradores nas últimas décadas.&lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp; &lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;O morro do alemão como um aglomerado de favelas.&amp;amp;nbsp;&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Talvez a primeira menção pública a um possível Complexo do Alemão possa ser resgatada de uma edição do Jornal do Brasil de 13 de Janeiro de 1980, através da transcrição de uma fala do então Secretário Municipal de Desenvolvimento Social do Município do Rio de Janeiro, Marcos Candau, ao abordar o crescimento do processo de favelização da cidade. Ao listar as favelas que mais teriam crescido nos anos anteriores, ele afirmava:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;“Se você for ao morro do Alemão, entre o Méier e Ramos, que é um aglomerado de seis favelas, vai sentir-se numa enorme cidade, com milhões de pessoas. Feita a contagem, constatou-se a existência de cerca de 122 mil habitantes. As favelas da Rocinha e Vidigal, juntamente com essas do Alemão, foram as que mais cresceram nos últimos anos e, se olharmos do alto, do helicóptero, vemos que dentro de pouco tempo Vidigal e Rocinha se juntarão, formando uma única favela”&#039;&#039; (Jornal do Brasil, 13/01/1980, pg. 19).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nesta fala, ainda que não haja o uso do termo “complexo”, já é possível notar uma identificação entre o Morro do Alemão como um espaço que congregava mais de uma favela. Na mesma edição há uma matéria intitulada:“Morro do Alemão, o que mais cresce”, na qual, a área é descrita como uma região de quase um milhão de metros quadrados distribuídos pelos bairros de Ramos, Olaria e Bonsucesso.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&amp;quot;Com 24.535 barracos e uma população de 122 mil 675 habitantes, o morro do Alemão é, na verdade, um aglomerado de favelas (Nova Brasília, Grota, Alvorada, Alemão, Alto Florestal e Itararé) que não para de crescer e já ocupa uma área de área de 973.600 m2 segundo o último levantamento de 1979&amp;quot;&#039;&#039; (Jornal do Brasil, 13/01/1980, pg. 20).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A reportagem segue trazendo alguns “personagens”: Severino dias, que fora morar lá após casar, em um “puxado” na casa n. 23 da Avenida Central e, seria, segundo o jornal, de “puxado em puxado” a forma pela qual o Alemão se expandia; Jorge da Costa, “empreiteiro do Morro do Alemão”, para quem o que não faltava ali, era trabalho; e Manoel Hermógenes, o “morador mais antigo do Morro do Alemão”, que teria chegado ao Alemão em 15 de Dezembro de 1946. Há também menção à UDAMA (Associação de Defesa e Assistência dos Moradores do Morro do Alemão) que fazia a manutenção das bombas hidráulicas que bombeavam água para o alto do morro e de duas creches, além de fornecer documentos aos “favelados”. Segundo o tesoureiro, à época, João Alexandre da Silva, o sonho da UDAMA era “ver a favela urbanizada”. Já a maior aspiração dos moradores seria a construção de galerias de esgoto.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Partindo da fala de João Alexandre, o Jornal apresenta esta caracterização do Alemão: &amp;quot;&#039;&#039;o morro em si, sem as favelas que o cercam, é delimitado pelas Ruas Joaquim de Queirós, Armando Sodré, Olaria e Estrada do Itararé e Rua Paranhos, em Ramos. O último levantamento oficial foi feito em 1972. Os dados: 18 mil moradores e 4 mil casas, número que não cessou de crescer garante o tesoureiro&#039;&#039;” (Jornal do Brasil, 13/01/1980, pg. 20).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O que as reportagens retratam é a emergência de um novo espaço na cidade, uma nova escala territorial para pensar as favelas. A caracterização transcrita acima traz uma tensão entre o morro (do Alemão) em si e esse novo espaço, que virá a ser, anos depois, o Complexo do Alemão. Mais do que o nome, são lugares com delimitação e população diferentes e, a princípio, intercambiáveis; o Morro do Alemão passa a ter simultaneamente 4 mil e 24 mil “barracos”, 18 mil e 122 mil moradores. Com o passar do tempo, e com esse complemento “complexo”, a diferenciação entre esses dois espaços vai se consolidando, e a cidade verá surgir um de seus maiores espaços favelados nas décadas seguintes. O que seria percebido dois anos depois da entrevista, com a escolha do “Morro do Alemão”, composto por seis favelas, para receber um diagnóstico da Prefeitura, financiado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), junto com o Jacarezinho, dois dos maiores espaços favelados da cidade à época.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;O Conjunto de favelas do Alemão.&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Relatório Preliminar do &#039;&#039;Projeto de Desenvolvimento Social de Favelas do Rio de Janeiro&#039;&#039; foi produzido pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social (SMDS) com recursos do BID, entre os anos de 1981 e 1983. O texto está organizado em três grandes áreas: socioeconômica, físico-urbanística e jurídica. Logo na apresentação do relatório, o programa faz menção ao objetivo de gerar propostas para cinco favelas do Município do Rio de Janeiro: Jacarezinho e o “Conjunto Favelado do Alemão”, composto por Morro do Alemão, Nova Brasília, Itararé e Joaquim de Queirós. E, ao longo de suas 800 páginas, o “Conjunto Favelado do Alemão” vai ser apresentado de formas distintas.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cada órgão contratado para realizar os levantamentos fez referência à região estudada de maneira mais ou menos regular, mas diferente um do outro; contudo, há variações na forma de apresentar o objeto “Alemão” internamente aos textos de cada um deles. Isto é, ainda que este seja um projeto de diagnóstico unificado, produzido a partir de dimensões distintas, não houve um esforço em unificar as noções utilizadas ou de se estabelecer previamente o que cada um desses órgãos deveria considerar como Complexo do Alemão, de modo que, cada área definiu-o segundo os parâmetros de suas pesquisas.&amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Isso pode ser percebido logo nos textos de apresentação de cada setor: no levantamento socioeconômico, faz-se referência ao “Conjunto do Alemão”; a área jurídica ao “Complexo do Alemão”; e o Iplanrio, responsável pelas informações físico-urbanísticas, faz menção às “favelas do Morro do Alemão”. E, quando na análise dos dados levantados, muitas outras enunciações surgem. Apenas, a título de ilustração, na caracterização físico-urbanística da área, os termos utilizados foram “Favelas do Morro do Alemão” e “área favelada do Morro do Alemão”. Nesta seção, marca-se muito a ideia do “Morro do Alemão”, conferindo-lhe uma centralidade em torno da qual, outras favelas teriam se desenvolvido. Por isso as expressões utilizadas mantêm a ideia de “morro”. Inclusive, há uma menção ao “verdadeiro morro do Alemão”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A análise do relatório traz alguns dados interessantes (MATIOLLI, 2016). Primeiro, uma variação no uso da noção de “Morro do Alemão”, ora expressando todo o conjunto de favelas, ora apenas uma delas. Depois, o reconhecimento de uma nova escala territorial, o “Complexo do Alemão”, de modo que, os dados apresentados, ora dizem respeito a esta nova unidade territorial, ora às diferentes favelas que o compõem, marcando sua diferenciação interna. Essa perspectiva reconhece uma continuidade entre as favelas do Alemão, sem perder de vista a sua heterogeneidade interna.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por fim, é interessante destacar a recorrência, no levantamento jurídico da expressão “Complexo do Alemão”, uma vez que essa seção foi realizada por técnicos da própria SMDS. Assim, talvez seja possível sugerir que a consolidação do uso do “Complexo” para o Alemão, e não outra das noções utilizadas ao longo do Projeto pode ser fruto de sua cristalização nas rotinas burocráticas e administrativas dessa secretaria (MATIOLLI, 2016).&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A delimitação geográfica e da quantidade de favelas existentes no Rio de Janeiro, tal como de sua população, se colocava como um dos grandes desafios do governo municipal no início da década de 1980. Para tentar lidar com essas questões o Iplanrio assume um papel importante na produção de dados para o Município; através dele, foi produzido um Cadastro de Favelas; neste período, também foram divulgados os dados do censo de 1980, com informações referentes às favelas; e houve uma movimentação de conciliação entre os dados do IBGE e os produzidos por esse novo quadro e saber administrativo produzidos pela Prefeitura. Neste ínterim, a ideia de que há um Complexo do Alemão, ou de Complexos de favelas, se consolida ainda mais, com a diferenciação entre “favelas isoladas” e “aglomerados de favelas” (IPLANRIO, 1984).&lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp; &lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;A XXIX Região Administrativa - Complexo do Alemão&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Saturnino Braga foi o primeiro prefeito da cidade do Rio de Janeiro eleito diretamente depois do fim a ditadura civil-militar. Uma de suas iniciativas mais marcantes foi a criação de Regiões Administrativas nas quatro maiores áreas faveladas da cidade: Rocinha, Jacarezinho, Complexo do Alemão e Maré. E a eleição para os administradores regionais do município.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O processo de eleição para Administrador Regional da XXIX R.A. é muito significativa para se pensar o primeiro registro de organização coletiva em torno deste novo lugar da cidade: o Complexo do Alemão. Mariza Maria da Conceição do Nascimento se candidatou e foi eleita a primeira administradora regional da XXIX Região Administrativa. Moradora do Morro do Adeus, onde chegara na década de 1970, vinda da Paraíba, havia feito parte da diretoria da associação de moradores do Adeus, da qual virara presidente. Também integrou a Secretaria de Mulheres da FAFERJ (Federação das Associações de Favelas do Estado do Rio de Janeiro).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;Uma “Carta de Apoio”, assinada por representantes das associações de moradores que comporiam a área de atuação da Região Administrativa do Complexo do Alemão, foi redigida em 24 de Abril de 1986 e trazia o seguinte texto:&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;Nós abaixo assinado, lideranças e representantes da sociedade de Ramos e do Complexo do Morro do Alemão, apoiamos a candidata Mariza Maria Conceição do Nascimento chapa nº. 2, que concorreu ao pleito de administradora no dia 30 de Março de 1986.&amp;amp;nbsp;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;Tendo em vista que, a candidata está dentro dos parâmetros criteriais adotados pelo Ilmo. Senhor Vice Prefeito Jó Rezende.&amp;amp;nbsp;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;Visamos principalmente a participação atuante da mesma, junto ao governo em favor do povo.&amp;amp;nbsp;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assinam a carta representantes da Associação de Moradores do Bairro Nova Brasília, Associação de Moradores do Morro do Itararé, Associação de Moradores do Parque Alvorada e Cruzeiro, Centro Comunitário do Morro da Baiana, Centro Social Joaquim de Queiroz e União de Defesa e Assistência do Morro do Alemão. Mariza também recebeu “Declarações de Apoio” da Rotary Clube do Rio de Janeiro – Ramos e Associação Comercial e Industrial Leopoldinense.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como aponta carta, o Complexo do Alemão, quando ganha sua Região Administrativa, surge composto por sete favelas (ao menos aquelas com associação de moradores), as seis que assinam a carta mais o Morro do Adeus, representado pela própria Mariza. Este, junto com a Baiana, não são contíguos às quatro favelas que compunham, inicialmente, o espaço do Complexo do Alemão, tal como definidos nos estudos e documentos oficiais analisados anteriormente; todavia, são próximos, separados do restante do Alemão, apenas pela Estrada do Itararé, o que pode ter contribuído para sua inserção na área da nova Região Administrativa, o que viria viabilizar, inclusive, a candidatura de Mariza.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esta “Carta de Apoio” surge como o primeiro registro de uma articulação de organizações sociais em torno de uma nova escala de pertencimento.. Movimentos políticos posteriores na região do bairro, da década de 1990 em diante, como a luta pela implantação do Conselho de Saúde do Complexo do Alemão (CONSA), o Comitê de Desenvolvimento Local da Serra da Misericórdia (CDLSM) ou o mais recente o Juntos Pelo Complexo do Alemão, parecem ter tido como embrião essa carta, na qual representantes de distintas associações dialogam em prol do Complexo do Alemão.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp; &lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;A década de 1990&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como pode ser visto no verbete “complexos” deste dicionário, um dos desdobramos da criação dessas novas Regiões Administrativas nas grandes áreas faveladas da cidade, foi a criação dos bairros homônimos: Rocinha, Jacarezinho, Complexo do Alemão e Maré. Mas, também, a exclusão das favelas pertencentes aos espaços considerados como Complexos das obras do Programa Favela-Bairro, por serem tomadas como grandes favelas. As quais seriam contempladas, posteriormente, como Planos de Desenvolvimento Urbanísticos específicos, por conta de suas dimensões e complexidades. O PDU que foi desenvolvido para o Complexo do alemão foi base para o desenvolvimento do projeto que será financiado, no final da década de 2000, pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além disso, de modo geral, as favelas da cidade do Rio de Janeiro, bem como as periferias do país como um todo (TELLES, 2010), experimentaram o de novos ddois novos atores sociais: as ONG’s e os operadores do varejo dos entorpecentes ilícitos. O que afeta toda a cartografia política, econômica, social e cultural desses espaços.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A localização do varejo do narcotráfico nas favelas vai contribuir para uma nova chave de criminalização desses espaços na cidade, produzindo representações que caracterizavam as favelas como a grande fonte do “mal” e da insegurança para a cidade. Fenômeno, de modo algum novo, pois tal criminalização afeta as favelas desde seu surgimento na cidade, bem como atingia outras formas de moradia popular antes delas. O que pode ser visto como novidade, são os atores que alimentavam essa visão criminalizante.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por outro lado, a tematização pública do problema da favela na cidade passou a ser dominada pelas leituras da violência e insegurança, não mais na chave da reivindicação de direitos (como em período imediatamente anterior, na década de 1980 e início da de 1990). O que pode ter impactado na abertura de mais espaço e reconhecimento para a fala de autoridades policiais, que ganham também, mais espaço nos governos do estado e, em decorrência disso, associado o uso da noção de complexos apenas a uma lógica militarizada. Mas, isso é só uma hipótese.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A entrada das ONGs nas periferias toma dois caminhos, por um lado, as grandes organizações não-locais que passaram a chegar com seus projetos sociais nessas regiões (muitas vezes com financiamento internacional). E, por outro, como uma nova forma de associativismo oferecida para as/os moradoras/es das favelas. O que, no caso do Complexo do Alemão, traz mais um elemento, o espacial, na complexificação de sua cartografia política. A referência territorial dessas novas organizações pode ser construída a partir da localização no “Complexo do Alemão, diferente das associações de moradores, que estão ligadas às comunidades que o compõem..&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, por um lado, a década de 1990 e de 2000 veem a luta pela criação do CONSA (Conselho de Saúde do Complexo do Alemão), do Comitê de Desenvolvimento Local da Serra da Misericórdia (outro referencial espacial possível para as reivindicações políticas), que viria a ser a base para o Comitê de Fiscalização das obras do PAC no Complexo do Alemão, agregando diversas organizações do bairro. E mais, as novas organizações e instituições que passam a se constituir nesse período tomam como referência de pertencimento político o Complexo do Alemão. Não apenas porque isso potencializa sua voz, mas porque esse pertencimento já era possível na década de 1990.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outro exemplo, agora com relação às associações de moradores.&amp;amp;nbsp; Na época da realização das obras do PAC, foram realizadas reuniões com essas organizações para definir os limites das áreas representadas por cada uma delas. Os presidentes teriam levado as delimitações que eles reconheciam como correspondentes às suas associações. Quando foram sobrepostas ao mapa do bairro, alguns pontos chamaram a atenção dos participantes das reuniões. A área representada por algumas transcendiam os limites das delimitações do Complexo do Alemão, se estendendo por Inhaúma, por exemplo. Havia lugares que estavam num vácuo, pois não estavam contidos nos contornos delimitados por nenhuma das associações, e outros que eram situados na intersecção da ação de mais de uma delas. Esse fato também foi destacado no texto do Plano de Desenvolvimento Urbanístico do Complexo do Morro do Alemão (Prefeitura, 2006).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essas indeterminações são menos fruto da incapacidade de organização das instituições locais e mais resultado do jogo político de delimitação das fronteiras. Esse jogo diz respeito aos limites do bairro e de cada uma de suas “comunidades”, mas também às múltiplas relações de pertencimento a estes territórios nas quais moradoras e moradores estão inseridos. Essas relações são recriadas a partir da história de cada morador(a) e se localizam na vida social do lugar e podem ser acionadas estrategicamente de acordo com suas necessidades.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É nessa malha de indeterminações que se delineiam cartografias políticas diversas, marcadas por alianças e disputas entre essas novas organizações, que falam a partir do complexo do Alemão, e as associações de moradores que fala em nome de cada uma de suas 13 comunidades ou favelas, entrecruzando essas escalas possíveis, de acordo com o contexto que se colocou. Em momentos de crise, essa atuação conjunta pode até produzir uma voz uníssona entre todas essas instituições.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por exemplo, no momento da criação do movimento Juntos pelo Complexo do Alemão, em reposta aos estragos causados por conta de fortes chuvas ocorridas em Dezembro de 2013. Quando&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&amp;quot;Um&amp;amp;nbsp; grupo&amp;amp;nbsp; formado&amp;amp;nbsp; por moradores,&amp;amp;nbsp; que atuam informal&amp;amp;nbsp; ou institucionalmente no Complexo, tomou a frente das ações que socorreram as famílias: identificaram moradias em risco, &amp;amp;nbsp; improvisaram abrigos e criaram uma grande mobilização para doações aos desabrigados. Constituiu-se daí o grupo Juntos pelo Complexo do Alemão, que dialogou com entidades e atores da sociedade civil e órgãos públicos, e operou especialmente através de canais informais de trocas e da rede social, em particular do facebook. O grupo Juntos pelo Complexo do Alemão foi uma dentre outras ações desenvolvidas no enfrentamento dos impactos do temporal, tendo se convertido no movimento de maior dimensão, e que tomou a frente das negociações com várias instâncias governamentais e não governamentais&amp;quot;&#039;&#039; (Calazans, Cunha e Pinheiro, 2016, pg. 3).&amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp; &amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As chuvas tiveram efeitos localizados no interior do bairro, mas a mobilização se deu em torno do Complexo do Alemão, atraindo o apoio de algumas associações de moradores.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 2015, o Juntos pelo Complexo do Alemão foi acionado novamente, mediante o contexto de recrudescimento dos conflitos armados e violência policial nos primeiros meses do ano. Uma série de ações reivindicatórias, pedindo o fim das ações truculentas da polícia, foi realizada: passeatas, um encontro com agentes governamentais na sede da ONG Viva Rio, uma audiência pública na C.A.I.C Theófilo de Souza Pinto entre outras, de modo articulado entre os diversos atores sociais, pessoas e instituições; ONGs, coletivos e mesmo associações de moradores. Uma pauta unificada, construída a partir da discussão entre 27 instituições locais, incluindo as 13 associações de moradores, foi construída no período, com cinco prioridades: a Implantação da Universidade Federal; Habitação; Saneamento Ambiental; Parque da Serra da Misericórdia e Segurança Pública.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma aliança tão grande torna difícil manter a sua coesão por muito tempo, entretanto, em momentos pontuais e críticos, o Complexo do Alemão se torna a escala de pertencimento acionada, agregando suas diversas organizações locais, que abrem mão de suas diferenças políticas, para uma atuação conjunta. Mesmo que momentânea.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O bairro do Complexo do Alemão inicia 2010 sob a intervenção de duas grandes ações governamentais: o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e implantação das Unidades de Polícia Pacificadora (UPP’s), cuja implantação se deu após dois anos da midiatizada ocupação militar do final de 2010. Ao longo dos últimos anos, o Complexo do Alemão passou, então, a ter outras entradas nos meios de comunicação em massa:s recebeu a visita de apresentadores assistencialistas, como Luciano Huck, virou cenário de filme e novela. Ao mesmo, empresas e aparelhos governamentais, em particular o SEBRAE, descobriram no bairro, uma economia aquecida com mais de cinco mil empreendimento, de acordo com o Censo Empresarial de 2010, realizado pelo governo do estado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O que vai abrir, para espíritos empreendedores do bairro, possibilidades de negócios, a partir de seus pertencimentos ao Complexo do Alemão. Esse branding do Complexo do Alemão é apropriado localmente e alimenta uma série de novos empreendimentos locais que buscam associar novos serviços e produtos à brand (marca) Complexo do Alemão. Assim, vê-se surgir uma agência de turismo, a “Turismo no Alemão”; uma marca de roupas a “complexidade urbana” (desde 2009); e mesmo de uma cerveja própria, a “Complexo do Alemão”, que pode ser encontrada no Bistrô R&amp;amp;R. Isso, para não falar, por falta de espaço, da apropriação da brand Alemão por circuitos do terceiro setor, do empreendedorismo social e algumas celebridades.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com esses exemplos, não se quer aqui reforçar a força do empreendedorismo local ou romantizar a vida econômica local, mas apontar que o arraigamento local da ideia do Complexo do Alemão, pode gerar apropriações múltiplas, seja como uma brand (marca), que aciona, inclusive, laços afetivos com moradoras e moradores com seus produtos; seja como um elemento aglutinador de forças em momentos de crise, como vimos na seção anterior.&amp;amp;nbsp; Os efeitos locais da noção de “complexo” de favelas, a partir da experiência de pesquisa no Complexo do Alemão, são variados; os exemplos aqui trazidos não tem a menor pretensão de esgotar essas possibilidades, mas contribuem bastante para a construção e apresentação do argumento.&lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp; &lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Pertencer ao Complexo do Alemão&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Resgatando a pergunta usada como exemplo no início do verbete: “você mora ou não no Complexo do Alemão?”, podemos encerrá-lo. A resposta vai ser simples, sim ou não. Contudo, as motivações por trás dessas respostas são múltiplas, e boa parte delas, estratégica. A existência dos complexos de favelas na cidade, não tem efeitos identitários, mas se colocam como novas escalas de pertencimento à qual, suas moradoras e seus moradores poderão acionar de acordo com suas necessidades. Podem omitir, mas também podem reafirmar esse pertencimento, seja por orgulho, ou por algum interesse econômico, como vimos.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Referências&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Matiolli, Thiago Oliveira Lima. O que o Complexo do Alemão nos conta sobre a cidade do Rio de Janeiro: poder e conhecimento no Rio de Janeiro no início dos anos 80. 2016. 234f. Tese de Doutorado em Ciências. Programa de Pós-Graduação em Sociologia, Universidade de São Paulo, São Paulo.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
TELLES, Vera S. A cidade nas fronteiras do legal e ilegal. Belo Horizonte: Argumentum, 2010.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Category:Complexo do Alemão]][[Category:História de favela]][[Category:Memória]][[Category:Rio de Janeiro]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Thiago Matiolli</name></author>
	</entry>
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		<id>https://homologacao2.wikifavelas.com.br/index.php?title=Hist%C3%B3rico_fundi%C3%A1rio_do_Complexo_do_Alem%C3%A3o&amp;diff=3765</id>
		<title>Histórico fundiário do Complexo do Alemão</title>
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		<updated>2020-01-30T20:32:17Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Thiago Matiolli: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Autora: Rute Imanishi Rodrigues&amp;lt;ref&amp;gt;Doutora em economia e pesquisadora do Ipea&amp;lt;/ref&amp;gt;&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Introdução&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Complexo do Alemão situa-se em uma porção da Serra da Misericórida e tem suas origens no início do século XX, quando a zona da Leopoldina começou a ser urbanizada e núcleos iniciais de casebres começaram a surgir na região (Silva, 2005). A partir dos anos 1950, passaram a ocorrer movimentos de ocupação que se consolidaram com a chegada de serviços urbanos básicos, nos anos 1960. Posteriormente, a partir do final dos anos 1970, novas ocupações ou loteamentos clandestinos estenderam o povomento dos morros daquela secção da Serra da Misericória para o lado oeste. No inicio dos anos 1990, as favelas da região passaram a fazer parte da região admistrativa e bairro do Complexo do Alemão, pasando de cerca de 8 mil habitantes em 1960 para 58 mil em 2010.&amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;1. Período de transição do rural para o urbano: 1920~1950&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A região onde se situa o Complexo do Alemão era ocupada por fazendas até o início do século XX, quando algumas glebas destas propriedades começaram a ser loteadas (subdivididas) como terrenos urbanos.&amp;amp;nbsp; Do lado de Olaria, um loteamento aberto entre os anos 1910-1920, deu origen ao atual Morro do Alemão. Do lado de Inhaúma, um loteamento anterior a 1930 já havia aberto a Rua Canitar e ruas que hoje dão acesso à favela Fazendinha.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Até então, haviam casas esparsas, algumas de pau-a-pique, em outros acessos para o Complexo, como as ruas Joaquim de Queiróz (então ‘Caminho do Capitão’), e a Rua Antônio Austregésilo (então Travessa Campos da Paz), que cortavam as fazendas da região, segundo informações das escrituras de terras.&amp;amp;nbsp; A planta cadastral da cidade, de 1922, revela que a Serra da Misericórdia, até aquele momento, era coberta por mata rala ou densa, e havia alguns pomares cultivados em suas encostas e vales.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Embora a maior parte das fazendas originais do Complexo tenha sido loteada até meados dos anos 1950, sobretudo nas partes baixas daquela secção da Serra da Misericórdia, determinadas áreas no interior do Complexo permaneceram rurais e continuaram ocupadas por alguns arrendatários ou posseiros.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Estudos aprofundados sobre o histórico das propriedades da área, cartografias e fotografías aéreas, complementadas por pesquisas de campo, indicam que o espalhamento da ocupação da região e a formação das favelas ocorreu a partir desses núcleos iniciais de povoamento, nas fazendas ou nos loteamentos, configurando a transição entre um tipo de ocupação rural para o tipo urbano. Tal espalhamento se deu em determinados momentos de forma lenta, e em outros de forma abrupta.&amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;Histórico Fundiário&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na parte leste do Complexo haviam duas propriedades, uma de Joaquim Leandro da Motta e a outra da família Correia da Veiga (fazenda Camarinha), cujas plantas foram registradas na prefeitura entre 1910 e 1940.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;Joaquim Leandro da Motta&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Joaquim Leandro da Motta (ou ‘Quincas Leandro’) foi um personagem conhecido da história de Ramos, Olaria e Penha, no início do século XX. Atuou inicialmente no comércio de carnes, havia sido chefe do frigorifico da cidade e posteriormente tornou-se sócio do matadouro da Penha (Fraiha, 2004).&amp;amp;nbsp; Com o dinheiro acumulado, passou a atuar no mercado de imóveis, comprando terrenos para lotear e vender, sobretudo na zona da Leopoldina, mas também na Baixada Fluminense.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As terras de Joaquim Leandro da Motta no atual Complexo do Alemão compreendiam uma área de aproximadamente 87 hectares e incluíam desde algumas quadras do entorno da Serra, no Bairro de Olaria, assim como a maior parte da atual favela do Morro do Alemão (parte alta), e cerca de metade da favela Joaquim de Queiróz (parte interior). A planta desta mesma propriedade de 1945 (PLT 214113859), mostra o loteamento das terras de Leandro da Motta no entorno do Complexo, delimitando a “Vila Motta” (bairro de Olaria), e uma área vendida a Leonard Kaczmarkiewicz (polonês, apelidado de “Alemão”). Já o interior da fazenda permaneceu registrada como propriedade dos herdeiros de Joaquim Leandro.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Leandro da Motta arrendava as terras que possuía na área que hoje compreende o Complexo do Alemão, como pequenas chácaras ou terrenos onde eram cultivadas hortas/pomares.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;Família Correia da Veiga&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A fazenda de Joaquim Leandro da Motta confrontava com a fazenda “Camarinha”, de propriedade de Martinho José Correia da Veiga, que também era arrendada no início do século XX. Esta fazenda ocupava uma área de cerca de 70 hectares onde hoje situa-se a favela Nova Brasília, a favela do Itararé, cerca de metade da Favela Joaquim de Queiróz (entrando pela Avenida Itararé), além da subida do Morro do Alemão (avenida Central). A fazenda estava arrendada até o início do século, com contrato no ofício de notas, e há descrições de ‘cachoeiras e senzala’ que compunham a propriedade (AN).&amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A família Correia da Veiga era dona de diversas propriedades na cidade, tanto na área urbana quanto áreas rurais. Os Correia da Veiga faziam parte da irmandade Nossa Senhora das Neves, em Santa Tereza, onde tinham propriedades, além de imóveis no centro, Engenho novo entre otras áreas. A fazenda Camarinha, no atual Complexo do Alemão, era dividida entre 9 herdeiros desta familia desde a década de 1930.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De acordo com relatos de moradores antigos, alguns dos proprietários da antiga fazenda Camarinha cobravam ‘aluguel de chão’ em suas propriedades pelo menos até o final da década de 1960.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;Loteamento no Morro do Alemão&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nas terras vendidas por Joaquim Leandro da Motta a Leonard Kaczmarkiewicz iniciou-se o loteamento que deu origem ao nome ‘Morro do Alemão’. Leonard Kaczmarkiewicz foi um imigrante polonês que - segundo depoimento de seu neto Leonardo - chegou ao Brasil no início do século ‘para conhecer o país’, visitou o lugar então chamado ‘Morro da Misericórdia’ e ‘achou muito bonito, uma maravilha’. Kacsmarkiecz retornou alguns anos mais tarde, quando comprou alguns terrenos e abriu ruas iniciando um loteamento.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Parte do loteamento do ‘Alemão’ ficava na Travessa Santa Terezinha, Travessa Leonardo, e Rua Armando Sodré, de acordo com a planta onde constam 142 lotes de terrenos em uma área de cerca de 47 mil m2. O loteamento do ‘Alemão’ estendia-se até a travessa Laurinda.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ali o polonês, que passou a ser chamado de “Alemão”, iniciou um empreendimento de aluguel de terrenos, porém diferentemente dos proprietários das fazendas do entorno, fez um loteamento urbano, e passou a alugar terrenos onde os inquilinos construíam sua própria casa, muitas veces com material improvisado ou de pau-a-pique.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A ocupação do Morro do Alemão é atestada pelos dados do censo de 1920. As seguintes ruas que sobem para o Morro do Alemão já existiam naquela data: Travessa Laurinda com 18 térreos, Rua Conselheiro Ribas com 10 térreos, e Rua Armando Sodré com 11 térreos e 1 sobrado. No levantamento realizado por Silva (2005), contavam-se 40 ‘casebres’ na travessa Laurinda em 1933.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Morro do Alemão passou a ser reconhecido com este nome em notícias de jornais já nos anos 1940. De acordo com relatos de moradores antigos do Morro, a formação da favela ocorreu no inicio da década de 1950.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;Os terrenos do IAPC e a ocupação de Nova Brasília&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1941, 3/8 da Fazenda Camarinha (257130 m2) foram vendidos por três herdeiros de Martinho Correio da Veiga ao Instituto de Aposentadorias e Pensões dos Comerciários - IAPC. Estes lotes correspondiam aos limites superiores da fazenda - onde confrontavam com as terras de Joaquim Leandro da Motta, além de parte da área que hoje corresponde á favela de Nova Brasília, e parte da favela Joaquim de Queiróz, e do Morro do Alemão.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A venda de parte da fazenda Camarinha ao IAPC relaciona-se com o processo de ocupação das favelas Morro do Alemão, Grota e Nova Brasília. De acordo com relatos de moradores antigos, na década de 1940 alguns moradores instalaram-se na área com o “consentimento” de funcionários do IAPC que ‘tomavam conta’ do terreno. Alguns destes moradores vieram de favelas que estavam sendo removidas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A utilização de terrenos dos Institutos de Aposentadorias e Pensões para reassentar pessoas removidas de favelas foi uma prática recorrente, no Rio de Janeiro, entre as décadas de 1940 até meados da década de 1960. Os institutos (IAPs), que eram os principais responsáveis pela política de habitação do governo federal até 1964, participaram indiretamente das políticas governamentais para as favelas, através da cessão de terrenos, seja para a construção de conjuntos habitacionais, seja para a criação de assentamentos também chamados de “núcleos habitacionais de tipo mínimo” (Rodrigues, 2014).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;2. As primeiras “ocupações”: 1950 ~ 1975&amp;amp;nbsp;&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na década de 1950 ocorreram movimentos populares de ocupação que originaram as primeiras favelas do atual “Complexo do Alemão”, a saber: Morro do Alemão, Grota, e Nova Brasília (IPEA, 2010) (IPEA, 2013) (Couto e Rodrigues, 2015).&amp;amp;nbsp; No caso dos terrenos do IAPC na área hoje ocupada pela favela de Nova Brasília, o povoamento “consentido”, ainda que rarefeito, propiciou as condições para que se criasse um movimento popular de ocupação em meados da década de 1950 (Couto e Rodrigues, 2015). Já no Morro do Alemão, a iniciativa da ocupação veio de moradores que eram inquilinos de um loteamento privado, pertencente ao polonês Leonard Kacsmarkiev, que a partir de 1952/53 começaram a construir no alto do morro, “fora da área permitida”, onde também se situava uma gleba de terra de propriedade do IAPC, em meio a outras de propriedade privada (Quintino, 2015).&amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Durante alguns anos os moradores resistiram às ações da polícia (guarda municipal) que vinham de dia derrubar os barracos construídos durante a noite e, paulatinamente, foram ampliando as construções no local. Em 1953/1954, a ocupação já tinha tomado toda a parte alta do Morro do Alemão e, em 1957 a ocupação de Nova Brasília já era visível a partir da Avenida Itaoca, quando foi registrada pela imprensa.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O censo demográfico de 1960, apurado pelo IBGE, registrou pela primeira vez a população das favelas Morro do Alemão (3433 pessoas) e Nova Brasília (4333 pessoas). O censo não individualizou, entretanto, a favela da Grota, mas pode-se inferir que sua população estivesse contada como parte da população do Morro do Alemão, pois a Grota se desenvolve no vale deste Morro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Neste processo de resistência e ocupação, tanto em Nova Brasília quanto no Morro do Alemão, surgiram lideranças entre os moradores que passaram a se organizar para criar associações, a exemplo de outras favelas da cidade onde estas já haviam sido criadas. No Morro do Alemão, o principal líder da ocupação afirmou que naquela época era filiado ao Partido Comunista (PCB), e que frequentava o Morro do Borel, onde surgiu a União dos Trabalhadores Favelados, em 1952.&amp;amp;nbsp; Em 1956, os líderes da invasão já haviam criado a União para a Defesa e Assistência dos Moradores do Alemão (UDAMA).&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A “Associação de Moradores do Bairro de Nova Brasília” foi constituída em 1961 e fez parte da leva de associações fomentadas durante a gestão de Arthur Rios. Embora o grupo diretor da associação fossem as lideranças da favela, os estatutos foram redigidos pela Fundação Leão XIII - de acordo com o primeiro presidente da associação - e indicam que a associação reivindicaria recursos financeiros junto às autoridades públicas para a urbanização da favela, e pleitearia ser reconhecida como &#039;&#039;“órgão de utilidade pública (...) dando à associação as prerrogativas de órgão único e controlador”&#039;&#039; do referido bairro.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Neste mesmo ano a associação assinou um acordo com a Coordenação de Serviços Sociais, se comprometendo a atuar em parceria com tal agencia governamental para obras de melhorias na favela e, ao mesmo tempo, controlar o processo de ocupação do território impedindo a construção de novos barracos. Por outro lado, a associação se comprometia a ‘ajudar’ na ‘localização de pessoas removidas de outras favelas’. Este contrato era idêntico ao utilizado pelo Serfha nos anos anteriores em áreas como Vigário Geral (Leeds &amp;amp; Leeds, 1978), que foi transformado em uma área de reassentamento de pessoas removidas pelo governo de outras favelas da cidade (Araújo e Salles, 2008). O contrato pode ser lido como um arranjo no qual o governo reconhecia a existência da favela e se comprometia a realizar nela melhorias urbanas, mas transferia para a associação de moradores a responsabilidade pelas obras e o controle do processo de ocupação do território.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No caso das favelas da Grota e Morro do Alemão, o processo de ocupação das encostas dos morros foi, em grande medida, dirigida pelas associações através da venda de ‘cavas de terra’ para recém-chegados, cobrando-se uma taxa de valores módicos dos beneficiados (Couto e Rodrigues, 2015). A ‘cava de terra’ era formada por um platô que resultava da “cava” da encosta do morro. Contam os relatos que este movimento de ‘venda de cavas de terras’ acabou por ocupar toda a encosta interna do Morro do Alemão em direção à favela da Grota, e daí subindo para o morro da Alvorada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ao mesmo tempo, este ‘controle’ do processo de ocupação pelas associações de moradores não era total, pois em diversas áreas outros grupos comandaram o processo, seja porque já tinham se apropriado de grandes pedaços de terra, seja porque estas ainda estavam sob o controle de proprietários ou grileiros de terras. Além disso, nem sempre os diretores das associações conseguiam impor regras de construção e localização aos moradores, o que geralmente acarretava conflitos (Couto e Rodrigues, 2015).&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Neste primeiro momento de forte expansão horizontal das favelas, os proprietários de terras devolutas no entorno apressaram-se a vender tudo o que ainda não estava ocupado, o que foi feito, na maioria dos casos, para empresas industriais que ali se instalaram. Várias indústrias foram construídas, inclusive, em terrenos que já eram parcialmente ocupados por favelas nas partes altas, e tiveram que negociar e, muitas vezes, brigar judicialmente pela posse dos terrenos, como no caso da indústria Tuffy Habbib (Perlman, 1977).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cabe observar que a desapropriação de terrenos pelo governo foi uma prática recorrente, pelo menos desde os anos 1970, para arrefecer conflitos fundiários na região. A favela do Itararé, por exemplo, surgiu a partir da remoção dos moradores do terreno situado á beira da Estrada do itararé, para o alto do morro, por ocasião da venda do terreno a terceiros pelos proprietários. No alto do Morro do Itararé, os moradores enfrentaram pessoas que identificaram como ‘grileiros’ – a serviço de uma pessoa conhecida por ‘capitão’ – que cobrava aluguel de terrenos, e era temido pelos moradores. Esta briga terminou com uma ‘revolta’ dos moradores e com a expulsão do suposto ‘capitão’ da área. Logo em seguida, em 1970, o governo do Estado da Guanabara desapropriou o terreno para fins de interesse social (IPEA, 2013). Os líderes da ‘revolta’ não formaram imediatamente uma associação de moradores, mas sim uma empresa privada para gerir um reservatório de água construído para atender a comunidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A população das favelas do Morro do Alemão (que incluía a Grota) e Nova Brasília, de acordo com os dados dos censos demográficos, saltou de cerca de 8 mil para cerca de 30 mil, entre 1960 e 1970. O aumento populacional de quase três vezes, por outro lado, pressionou fortemente a infraestrutura instalada, que era mínima (bicas de água e comissões de luz) e incompleta (sem esgotamento sanitário), acarretando filas intermináveis nas bicas de água construídas na favela, e ao colapso dos sistemas de água e luz instalados.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pelo menos até 1975, a extensão territorial das favelas da região tinha como limite a “faixa da Light”, que separava as favelas de uma antiga fazenda que até aquele momento não fora invadida ou loteada. Em parte desta fazenda, em meados da década de 1970, surgiu um vazadouro de lixo, chamado de “Inferno Verde”, onde a rede de supermercados (hoje extinta) “Casas da Banha” despejava resíduos de sua rede comercial, além de outras indústrias do entorno. No entorno do Inferno Verde desenvolveu-se uma comunidade formada por catadores de lixo.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entre 1970 e 1980, a população das favelas do Morro do Alemão e de Nova Brasília, segundo os dados do censo do IBGE, passou de cerca de 30 mil para 33 mil pessoas, um crescimento bem menor que o observado na década anterior. Este ritmo menor de crescimento pode ser explicado, em parte, pelas dificuldades de expansão das redes de água e energia nas favelas, assim como a inospitalidade dos terrenos no entorno (área da Fazendinha / Inferno Verde) ainda desocupados, que haviam se transformado em lixões.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;3.&amp;amp;nbsp; 1979 ~ 1995: Novas Ocupações&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um segundo momento de crescimento das favelas da região ocorreu no período que vai do final da década de 1970 até meados da década de 1990. Este período também teve início com um movimento popular de ocupação de terrenos no entorno das favelas já estabelecidas na região, mas agora dentro de um novo contexto político, marcado pela abertura do regime militar então vigente, e que tinha como elementos aglutinadores a recém criada Pastoral das Favelas e a Faferj (Santos, 2009). A consolidação destas novas ocupações contou com apoio fundamental do governo do Estado e da Prefeitura, em meados dos anos 1980, quando as associações de moradores permaneceram como instituições centrais para viabilizar a atuação estatal nas favelas.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O segundo momento de expansão horizontal das favelas da região teve início com a ocupação do Morro da Baiana.&amp;amp;nbsp; Com efeito, o Morro da Baiana foi ocupado entre 1979 e 1980, em um movimento formado principalmente por moradores do Morro do Alemão, com o apoio da Faferj, e da Pastoral de Favelas. A ocupação do morro foi chancelada pela prefeitura, durante a administração do prefeito Júlio Coutinho (PMDB; 1980-1983), através de um ato de desapropriação dos terrenos ocupados pela favela, em 1980, e a construção de um reservatório de água em 1982. Segundo os dados do IBGE, o Morro da Baiana tinha uma população de cerca de 500 habitantes em 1980, e passou a ter cerca de 2100 em 1991.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os processos de ocupação de novas áreas, embora tenham tido início em 1979, antes do governo Brizola (março de 1983), acentuaram-se com a expectativa da chegada do novo governo. Essas novas ocupações suplantaram o limite das favelas ao leste, que era dado pela ‘faixa da light’, estendendo-o para o Morro das Palmeiras.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por volta de 1982/1983, o Morro das Palmeiras foi ocupado através de um movimento organizado por moradores de bairros do entorno, também com o apoio da Faferj. Neste caso, a mobilização social contava com lideranças da favela do Rato Molhado, no Engenho da Rainha, que passava por processo de remoção. Estas lideranças mobilizaram trabalhadores que tinham dificuldades para pagar seus aluguéis, para aderirem à ocupação. Segundo o primeiro presidente da associação de moradores do Morro das Palmeiras, o movimento de ocupação do morro teve que enfrentar&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;à força e “expulsar os grileiros” que ocupavam o terreno, e trabalhavam para uma firma mineradora. A associação, então, realizou obras por conta própria para a abertura de ruas, e para ‘puxar’ a água da rede, através de uma ligação clandestina. Segundo um dos líderes desta ocupação, havia a expectativa de que o governo recém-eleito para a administração do Estado, na chapa Leonel Brizola / Darcy Ribeiro, apoiasse a consolidação da nova ocupação e atendesse ás reivindicações da comunidade por serviços de água e luz.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Também por volta de 1983,&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
ocorreu um processo de “loteamento clandestino” na atual favela da Fazendinha. Esta favela já contava com uma associação de moradores desde 1971, a Associação de Moradores do Parque Alvorada e Cruzeiro. Apesar da venda de lotes nesta área ter ocorrido desde meados dos anos 1970, as vendas intensificaram-se na década de 1980. No caso da Fazendinha, a venda de “lotes” foi realizada pela associação de moradores com a apresentação de “documentos” onde o suposto proprietário do terreno, representado por um advogado, cedia à associação o direito de vender os lotes de terra para pessoas cadastradas na associação e que fossem “comprovadamente carentes” (IPEA, 2013). Este tipo de loteamento clandestino é reconhecido como uma prática comum atualmente na zona oeste da cidade, que pode ser chamado de “favela-loteamento” (Lago, 2003). Em dezembro de 1986, um terreno contíguo à favela, pertencente à indústria gráfica Daru, foi desapropriado pelo governo do Estado, e incorporado à favela Fazendinha (IPEA, 2013). A Vila Matinha também foi ocupada no final da década de 1980 em um movimento liderado por moradores do Morro dos Mineiros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1986 foi criada a Região Administrativa do Complexo do Alemão que, em 1993, seria delimitada como uma área abrangendo doze favelas, de acordo com o IBGE. Entre 1980 e 1991, a população residente em favelas no agora “Complexo do Alemão” passou de cerca de 33 mil para cerca de 52 mil pessoas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A expansão horizontal das favelas praticamente se esgotou em meados dos anos 1990, acompanhando o declínio dos investimentos governamentais em obras de urbanização, a redução das áreas devolutas no entorno, assim como o recrudescimento dos conflitos armados, seja entre grupos de traficantes, seja em intervenções policiais violentas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entre 1991 e 2000, a população das favelas do Complexo do Alemão passou de cerca de 52 mil para cerca de 56 mil habitantes, segundo dados do IBGE. Esse aumento ocorreu justamente nas áreas de ocupação mais recente, onde ainda havia espaço para a expansão horizontal das favelas, principalmente na favela Fazendinha (que passou de 3,5 para 7 mil habitantes). Em 2010, a população nas favelas do Complexo do Alemão chegou a 58 mil habitantes (IBGE).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;page-break-after:avoid&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span lang=&amp;quot;ES&amp;quot; style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot;&amp;gt;Tabela&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;span lang=&amp;quot;ES&amp;quot; style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot;&amp;gt;1&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;span lang=&amp;quot;ES&amp;quot; style=&amp;quot;font-size:12.0pt&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:150%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:&amp;quot;&amp;gt;. Evolução da População das Favelas do Complexo do Alemão, de acordo com os Censos de 1960 a 2010&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[File:Evolução da População das Favelas do Complexo do Alemão, de acordo com os Censos de 1960 a 2010.png|RTENOTITLE]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;Mapa 1. Favelas do Complexo do Alemão, 2010.&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[File:Favelas do Comlexo do Alemão, 2010..jpg|RTENOTITLE]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Referências&#039;&#039;&#039;&amp;lt;br/&amp;gt; Araújo, M., e Salles, E. (2008). História e Memória de Vigário Geral. Rio deJaneiro: Aeroplano.&amp;lt;br/&amp;gt; Couto, P. A., e Rodrigues, R. I. (2015). A gramática da moradia no Complexo do Alemão: história, documentos e narrativas. Texto para Discussão. IPEA.&amp;lt;br/&amp;gt; Freire, A., e Oliveira, L. L. (2002). Capítulos da merória do urbanismo carioca: depoimentos ao CPDOC/FGV. Rio de Janeiro: Folha Seca.&amp;lt;br/&amp;gt; Freire, A., e Oliveira, L. L. (2008). Novas memórias do urbanismo carioca. Rio de Janeiro: Editora FGV.&amp;lt;br/&amp;gt; Gonçalves, R. S. (2013). Favelas do Rio de Janeiro: História e Direito. Rio de Janeiro: Pallas Editora.&amp;lt;br/&amp;gt; IBASE. (2006). Histórias de favelas da Grande Tijuca contadas por quem faz parte delas&amp;amp;nbsp;: /Projeto Condutores (as) de Memória. Rio de Janeiro: IBASE.&amp;lt;br/&amp;gt; IPEA. (2010). Complexo do Alemão, Cidade em Construção. Video Documentário. IPEA.&amp;lt;br/&amp;gt; IPEA. (2011). Intervenção sócio-urbanística do Complexo do Alemão - Programa de Aceleração do Crescimento - PAC Relatório Final. Brasília: mimeo.&amp;lt;br/&amp;gt; IPEA. (2013). História das Favelas do Complexo do Morro do Alemão. Relatório Final de Pesquisa. IPEA/Faperj. Rio de Janeiro: mimeo.&amp;lt;br/&amp;gt; Lago, L. C. (2003). Favela-loteamento: reconceituando os termos da ilegalidade e da segregação urbana. X ANPUR. Belo Horizonte.&amp;lt;br/&amp;gt; Perlman, J. (1977). O mito da marginalidade: Favelas e política no Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Paz e Terra.&amp;lt;br/&amp;gt; Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro.Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social. (1983). Projeto de Desenvolvimento Social de Favelas do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro.&amp;lt;br/&amp;gt; Quintino, E. (março de 2015). Entrevista com Eurico Quintino. (R. I. Rodrigues, &amp;amp; A. B. Pinheiro, Entrevistadores)&amp;lt;br/&amp;gt; Rodrigues, R. I. (2014). Os parques proletários e os subúrbios do Rio de Janeiro: aspectos da política governamental para as favelas entre as décadas de 1930 a 1960. Texto para Discussão. IPEA.&amp;lt;br/&amp;gt; Rodrigues, R. I. (2016). Uma construção Complexa: necessidades básicas, movimentos sociais, governo e mercado. In Vida Social e Política nas Favelas, pesquisas de campo no Complexo do Alemão. (org.) Rodrigues, R. I. IPEA.&amp;lt;br/&amp;gt; Santos, E. F. (2009). E por falar em FAFERJ... Federação das Associações de Favelas do Estado do Rio de Janeiro (1963 – 1993) - memória e história oral . dissertação de mestrado - Unirio. Rio de Janeiro, RJ.&amp;lt;br/&amp;gt; Silva, M. P. (2005). Favelas Cariocas: 1930 a 1964. Rio de Janeiro: Contraponto.&amp;lt;br/&amp;gt; Silva, M. P., e Oliveira, I. E. (1986). Eletrificação de favelas. Revista de Administração Municipal, 6-17.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Thiago Matiolli</name></author>
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&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Autora: Rute Imanishi Rodrigues&amp;lt;ref&amp;gt;Doutora em economia e pesquisadora do Ipea&amp;lt;/ref&amp;gt;&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Introdução&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Complexo do Alemão situa-se em uma porção da Serra da Misericórida e tem suas origens no início do século XX, quando a zona da Leopoldina começou a ser urbanizada e núcleos iniciais de casebres começaram a surgir na região (Silva, 2005). A partir dos anos 1950, passaram a ocorrer movimentos de ocupação que se consolidaram com a chegada de serviços urbanos básicos, nos anos 1960. Posteriormente, a partir do final dos anos 1970, novas ocupações ou loteamentos clandestinos estenderam o povomento dos morros daquela secção da Serra da Misericória para o lado oeste. No inicio dos anos 1990, as favelas da região passaram a fazer parte da região admistrativa e bairro do Complexo do Alemão, pasando de cerca de 8 mil habitantes em 1960 para 58 mil em 2010.&amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;1. Período de transição do rural para o urbano: 1920~1950&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A região onde se situa o Complexo do Alemão era ocupada por fazendas até o início do século XX, quando algumas glebas destas propriedades começaram a ser loteadas (subdivididas) como terrenos urbanos.&amp;amp;nbsp; Do lado de Olaria, um loteamento aberto entre os anos 1910-1920, deu origen ao atual Morro do Alemão. Do lado de Inhaúma, um loteamento anterior a 1930 já havia aberto a Rua Canitar e ruas que hoje dão acesso à favela Fazendinha.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Até então, haviam casas esparsas, algumas de pau-a-pique, em outros acessos para o Complexo, como as ruas Joaquim de Queiróz (então ‘Caminho do Capitão’), e a Rua Antônio Austregésilo (então Travessa Campos da Paz), que cortavam as fazendas da região, segundo informações das escrituras de terras.&amp;amp;nbsp; A planta cadastral da cidade, de 1922, revela que a Serra da Misericórdia, até aquele momento, era coberta por mata rala ou densa, e havia alguns pomares cultivados em suas encostas e vales.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Embora a maior parte das fazendas originais do Complexo tenha sido loteada até meados dos anos 1950, sobretudo nas partes baixas daquela secção da Serra da Misericórdia, determinadas áreas no interior do Complexo permaneceram rurais e continuaram ocupadas por alguns arrendatários ou posseiros.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Estudos aprofundados sobre o histórico das propriedades da área, cartografias e fotografías aéreas, complementadas por pesquisas de campo, indicam que o espalhamento da ocupação da região e a formação das favelas ocorreu a partir desses núcleos iniciais de povoamento, nas fazendas ou nos loteamentos, configurando a transição entre um tipo de ocupação rural para o tipo urbano. Tal espalhamento se deu em determinados momentos de forma lenta, e em outros de forma abrupta.&amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;Histórico Fundiário&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na parte leste do Complexo haviam duas propriedades, uma de Joaquim Leandro da Motta e a outra da família Correia da Veiga (fazenda Camarinha), cujas plantas foram registradas na prefeitura entre 1910 e 1940.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;Joaquim Leandro da Motta&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Joaquim Leandro da Motta (ou ‘Quincas Leandro’) foi um personagem conhecido da história de Ramos, Olaria e Penha, no início do século XX. Atuou inicialmente no comércio de carnes, havia sido chefe do frigorifico da cidade e posteriormente tornou-se sócio do matadouro da Penha (Fraiha, 2004).&amp;amp;nbsp; Com o dinheiro acumulado, passou a atuar no mercado de imóveis, comprando terrenos para lotear e vender, sobretudo na zona da Leopoldina, mas também na Baixada Fluminense.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As terras de Joaquim Leandro da Motta no atual Complexo do Alemão compreendiam uma área de aproximadamente 87 hectares e incluíam desde algumas quadras do entorno da Serra, no Bairro de Olaria, assim como a maior parte da atual favela do Morro do Alemão (parte alta), e cerca de metade da favela Joaquim de Queiróz (parte interior). A planta desta mesma propriedade de 1945 (PLT 214113859), mostra o loteamento das terras de Leandro da Motta no entorno do Complexo, delimitando a “Vila Motta” (bairro de Olaria), e uma área vendida a Leonard Kaczmarkiewicz (polonês, apelidado de “Alemão”). Já o interior da fazenda permaneceu registrada como propriedade dos herdeiros de Joaquim Leandro.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Leandro da Motta arrendava as terras que possuía na área que hoje compreende o Complexo do Alemão, como pequenas chácaras ou terrenos onde eram cultivadas hortas/pomares.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;Família Correia da Veiga&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A fazenda de Joaquim Leandro da Motta confrontava com a fazenda “Camarinha”, de propriedade de Martinho José Correia da Veiga, que também era arrendada no início do século XX. Esta fazenda ocupava uma área de cerca de 70 hectares onde hoje situa-se a favela Nova Brasília, a favela do Itararé, cerca de metade da Favela Joaquim de Queiróz (entrando pela Avenida Itararé), além da subida do Morro do Alemão (avenida Central). A fazenda estava arrendada até o início do século, com contrato no ofício de notas, e há descrições de ‘cachoeiras e senzala’ que compunham a propriedade (AN).&amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A família Correia da Veiga era dona de diversas propriedades na cidade, tanto na área urbana quanto áreas rurais. Os Correia da Veiga faziam parte da irmandade Nossa Senhora das Neves, em Santa Tereza, onde tinham propriedades, além de imóveis no centro, Engenho novo entre otras áreas. A fazenda Camarinha, no atual Complexo do Alemão, era dividida entre 9 herdeiros desta familia desde a década de 1930.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De acordo com relatos de moradores antigos, alguns dos proprietários da antiga fazenda Camarinha cobravam ‘aluguel de chão’ em suas propriedades pelo menos até o final da década de 1960.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;Loteamento no Morro do Alemão&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nas terras vendidas por Joaquim Leandro da Motta a Leonard Kaczmarkiewicz iniciou-se o loteamento que deu origem ao nome ‘Morro do Alemão’. Leonard Kaczmarkiewicz foi um imigrante polonês que - segundo depoimento de seu neto Leonardo - chegou ao Brasil no início do século ‘para conhecer o país’, visitou o lugar então chamado ‘Morro da Misericórdia’ e ‘achou muito bonito, uma maravilha’. Kacsmarkiecz retornou alguns anos mais tarde, quando comprou alguns terrenos e abriu ruas iniciando um loteamento.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Parte do loteamento do ‘Alemão’ ficava na Travessa Santa Terezinha, Travessa Leonardo, e Rua Armando Sodré, de acordo com a planta onde constam 142 lotes de terrenos em uma área de cerca de 47 mil m2. O loteamento do ‘Alemão’ estendia-se até a travessa Laurinda.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ali o polonês, que passou a ser chamado de “Alemão”, iniciou um empreendimento de aluguel de terrenos, porém diferentemente dos proprietários das fazendas do entorno, fez um loteamento urbano, e passou a alugar terrenos onde os inquilinos construíam sua própria casa, muitas veces com material improvisado ou de pau-a-pique.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A ocupação do Morro do Alemão é atestada pelos dados do censo de 1920. As seguintes ruas que sobem para o Morro do Alemão já existiam naquela data: Travessa Laurinda com 18 térreos, Rua Conselheiro Ribas com 10 térreos, e Rua Armando Sodré com 11 térreos e 1 sobrado. No levantamento realizado por Silva (2005), contavam-se 40 ‘casebres’ na travessa Laurinda em 1933.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Morro do Alemão passou a ser reconhecido com este nome em notícias de jornais já nos anos 1940. De acordo com relatos de moradores antigos do Morro, a formação da favela ocorreu no inicio da década de 1950.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;Os terrenos do IAPC e a ocupação de Nova Brasília&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1941, 3/8 da Fazenda Camarinha (257130 m2) foram vendidos por três herdeiros de Martinho Correio da Veiga ao Instituto de Aposentadorias e Pensões dos Comerciários - IAPC. Estes lotes correspondiam aos limites superiores da fazenda - onde confrontavam com as terras de Joaquim Leandro da Motta, além de parte da área que hoje corresponde á favela de Nova Brasília, e parte da favela Joaquim de Queiróz, e do Morro do Alemão.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A venda de parte da fazenda Camarinha ao IAPC relaciona-se com o processo de ocupação das favelas Morro do Alemão, Grota e Nova Brasília. De acordo com relatos de moradores antigos, na década de 1940 alguns moradores instalaram-se na área com o “consentimento” de funcionários do IAPC que ‘tomavam conta’ do terreno. Alguns destes moradores vieram de favelas que estavam sendo removidas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A utilização de terrenos dos Institutos de Aposentadorias e Pensões para reassentar pessoas removidas de favelas foi uma prática recorrente, no Rio de Janeiro, entre as décadas de 1940 até meados da década de 1960. Os institutos (IAPs), que eram os principais responsáveis pela política de habitação do governo federal até 1964, participaram indiretamente das políticas governamentais para as favelas, através da cessão de terrenos, seja para a construção de conjuntos habitacionais, seja para a criação de assentamentos também chamados de “núcleos habitacionais de tipo mínimo” (Rodrigues, 2014).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;2. As primeiras “ocupações”: 1950 ~ 1975&amp;amp;nbsp;&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na década de 1950 ocorreram movimentos populares de ocupação que originaram as primeiras favelas do atual “Complexo do Alemão”, a saber: Morro do Alemão, Grota, e Nova Brasília (IPEA, 2010) (IPEA, 2013) (Couto e Rodrigues, 2015).&amp;amp;nbsp; No caso dos terrenos do IAPC na área hoje ocupada pela favela de Nova Brasília, o povoamento “consentido”, ainda que rarefeito, propiciou as condições para que se criasse um movimento popular de ocupação em meados da década de 1950 (Couto e Rodrigues, 2015). Já no Morro do Alemão, a iniciativa da ocupação veio de moradores que eram inquilinos de um loteamento privado, pertencente ao polonês Leonard Kacsmarkiev, que a partir de 1952/53 começaram a construir no alto do morro, “fora da área permitida”, onde também se situava uma gleba de terra de propriedade do IAPC, em meio a outras de propriedade privada (Quintino, 2015).&amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Durante alguns anos os moradores resistiram às ações da polícia (guarda municipal) que vinham de dia derrubar os barracos construídos durante a noite e, paulatinamente, foram ampliando as construções no local. Em 1953/1954, a ocupação já tinha tomado toda a parte alta do Morro do Alemão e, em 1957 a ocupação de Nova Brasília já era visível a partir da Avenida Itaoca, quando foi registrada pela imprensa.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O censo demográfico de 1960, apurado pelo IBGE, registrou pela primeira vez a população das favelas Morro do Alemão (3433 pessoas) e Nova Brasília (4333 pessoas). O censo não individualizou, entretanto, a favela da Grota, mas pode-se inferir que sua população estivesse contada como parte da população do Morro do Alemão, pois a Grota se desenvolve no vale deste Morro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Neste processo de resistência e ocupação, tanto em Nova Brasília quanto no Morro do Alemão, surgiram lideranças entre os moradores que passaram a se organizar para criar associações, a exemplo de outras favelas da cidade onde estas já haviam sido criadas. No Morro do Alemão, o principal líder da ocupação afirmou que naquela época era filiado ao Partido Comunista (PCB), e que frequentava o Morro do Borel, onde surgiu a União dos Trabalhadores Favelados, em 1952.&amp;amp;nbsp; Em 1956, os líderes da invasão já haviam criado a União para a Defesa e Assistência dos Moradores do Alemão (UDAMA).&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A “Associação de Moradores do Bairro de Nova Brasília” foi constituída em 1961 e fez parte da leva de associações fomentadas durante a gestão de Arthur Rios. Embora o grupo diretor da associação fossem as lideranças da favela, os estatutos foram redigidos pela Fundação Leão XIII - de acordo com o primeiro presidente da associação - e indicam que a associação reivindicaria recursos financeiros junto às autoridades públicas para a urbanização da favela, e pleitearia ser reconhecida como &#039;&#039;“órgão de utilidade pública (...) dando à associação as prerrogativas de órgão único e controlador”&#039;&#039; do referido bairro.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Neste mesmo ano a associação assinou um acordo com a Coordenação de Serviços Sociais, se comprometendo a atuar em parceria com tal agencia governamental para obras de melhorias na favela e, ao mesmo tempo, controlar o processo de ocupação do território impedindo a construção de novos barracos. Por outro lado, a associação se comprometia a ‘ajudar’ na ‘localização de pessoas removidas de outras favelas’. Este contrato era idêntico ao utilizado pelo Serfha nos anos anteriores em áreas como Vigário Geral (Leeds &amp;amp; Leeds, 1978), que foi transformado em uma área de reassentamento de pessoas removidas pelo governo de outras favelas da cidade (Araújo e Salles, 2008). O contrato pode ser lido como um arranjo no qual o governo reconhecia a existência da favela e se comprometia a realizar nela melhorias urbanas, mas transferia para a associação de moradores a responsabilidade pelas obras e o controle do processo de ocupação do território.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No caso das favelas da Grota e Morro do Alemão, o processo de ocupação das encostas dos morros foi, em grande medida, dirigida pelas associações através da venda de ‘cavas de terra’ para recém-chegados, cobrando-se uma taxa de valores módicos dos beneficiados (Couto e Rodrigues, 2015). A ‘cava de terra’ era formada por um platô que resultava da “cava” da encosta do morro. Contam os relatos que este movimento de ‘venda de cavas de terras’ acabou por ocupar toda a encosta interna do Morro do Alemão em direção à favela da Grota, e daí subindo para o morro da Alvorada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ao mesmo tempo, este ‘controle’ do processo de ocupação pelas associações de moradores não era total, pois em diversas áreas outros grupos comandaram o processo, seja porque já tinham se apropriado de grandes pedaços de terra, seja porque estas ainda estavam sob o controle de proprietários ou grileiros de terras. Além disso, nem sempre os diretores das associações conseguiam impor regras de construção e localização aos moradores, o que geralmente acarretava conflitos (Couto e Rodrigues, 2015).&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Neste primeiro momento de forte expansão horizontal das favelas, os proprietários de terras devolutas no entorno apressaram-se a vender tudo o que ainda não estava ocupado, o que foi feito, na maioria dos casos, para empresas industriais que ali se instalaram. Várias indústrias foram construídas, inclusive, em terrenos que já eram parcialmente ocupados por favelas nas partes altas, e tiveram que negociar e, muitas vezes, brigar judicialmente pela posse dos terrenos, como no caso da indústria Tuffy Habbib (Perlman, 1977).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cabe observar que a desapropriação de terrenos pelo governo foi uma prática recorrente, pelo menos desde os anos 1970, para arrefecer conflitos fundiários na região. A favela do Itararé, por exemplo, surgiu a partir da remoção dos moradores do terreno situado á beira da Estrada do itararé, para o alto do morro, por ocasião da venda do terreno a terceiros pelos proprietários. No alto do Morro do Itararé, os moradores enfrentaram pessoas que identificaram como ‘grileiros’ – a serviço de uma pessoa conhecida por ‘capitão’ – que cobrava aluguel de terrenos, e era temido pelos moradores. Esta briga terminou com uma ‘revolta’ dos moradores e com a expulsão do suposto ‘capitão’ da área. Logo em seguida, em 1970, o governo do Estado da Guanabara desapropriou o terreno para fins de interesse social (IPEA, 2013). Os líderes da ‘revolta’ não formaram imediatamente uma associação de moradores, mas sim uma empresa privada para gerir um reservatório de água construído para atender a comunidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A população das favelas do Morro do Alemão (que incluía a Grota) e Nova Brasília, de acordo com os dados dos censos demográficos, saltou de cerca de 8 mil para cerca de 30 mil, entre 1960 e 1970. O aumento populacional de quase três vezes, por outro lado, pressionou fortemente a infraestrutura instalada, que era mínima (bicas de água e comissões de luz) e incompleta (sem esgotamento sanitário), acarretando filas intermináveis nas bicas de água construídas na favela, e ao colapso dos sistemas de água e luz instalados.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pelo menos até 1975, a extensão territorial das favelas da região tinha como limite a “faixa da Light”, que separava as favelas de uma antiga fazenda que até aquele momento não fora invadida ou loteada. Em parte desta fazenda, em meados da década de 1970, surgiu um vazadouro de lixo, chamado de “Inferno Verde”, onde a rede de supermercados (hoje extinta) “Casas da Banha” despejava resíduos de sua rede comercial, além de outras indústrias do entorno. No entorno do Inferno Verde desenvolveu-se uma comunidade formada por catadores de lixo.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entre 1970 e 1980, a população das favelas do Morro do Alemão e de Nova Brasília, segundo os dados do censo do IBGE, passou de cerca de 30 mil para 33 mil pessoas, um crescimento bem menor que o observado na década anterior. Este ritmo menor de crescimento pode ser explicado, em parte, pelas dificuldades de expansão das redes de água e energia nas favelas, assim como a inospitalidade dos terrenos no entorno (área da Fazendinha / Inferno Verde) ainda desocupados, que haviam se transformado em lixões.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;3.&amp;amp;nbsp; 1979 ~ 1995: Novas Ocupações&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um segundo momento de crescimento das favelas da região ocorreu no período que vai do final da década de 1970 até meados da década de 1990. Este período também teve início com um movimento popular de ocupação de terrenos no entorno das favelas já estabelecidas na região, mas agora dentro de um novo contexto político, marcado pela abertura do regime militar então vigente, e que tinha como elementos aglutinadores a recém criada Pastoral das Favelas e a Faferj (Santos, 2009). A consolidação destas novas ocupações contou com apoio fundamental do governo do Estado e da Prefeitura, em meados dos anos 1980, quando as associações de moradores permaneceram como instituições centrais para viabilizar a atuação estatal nas favelas.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O segundo momento de expansão horizontal das favelas da região teve início com a ocupação do Morro da Baiana.&amp;amp;nbsp; Com efeito, o Morro da Baiana foi ocupado entre 1979 e 1980, em um movimento formado principalmente por moradores do Morro do Alemão, com o apoio da Faferj, e da Pastoral de Favelas. A ocupação do morro foi chancelada pela prefeitura, durante a administração do prefeito Júlio Coutinho (PMDB; 1980-1983), através de um ato de desapropriação dos terrenos ocupados pela favela, em 1980, e a construção de um reservatório de água em 1982. Segundo os dados do IBGE, o Morro da Baiana tinha uma população de cerca de 500 habitantes em 1980, e passou a ter cerca de 2100 em 1991.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os processos de ocupação de novas áreas, embora tenham tido início em 1979, antes do governo Brizola (março de 1983), acentuaram-se com a expectativa da chegada do novo governo. Essas novas ocupações suplantaram o limite das favelas ao leste, que era dado pela ‘faixa da light’, estendendo-o para o Morro das Palmeiras.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por volta de 1982/1983, o Morro das Palmeiras foi ocupado através de um movimento organizado por moradores de bairros do entorno, também com o apoio da Faferj. Neste caso, a mobilização social contava com lideranças da favela do Rato Molhado, no Engenho da Rainha, que passava por processo de remoção. Estas lideranças mobilizaram trabalhadores que tinham dificuldades para pagar seus aluguéis, para aderirem à ocupação. Segundo o primeiro presidente da associação de moradores do Morro das Palmeiras, o movimento de ocupação do morro teve que enfrentar&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;à força e “expulsar os grileiros” que ocupavam o terreno, e trabalhavam para uma firma mineradora. A associação, então, realizou obras por conta própria para a abertura de ruas, e para ‘puxar’ a água da rede, através de uma ligação clandestina. Segundo um dos líderes desta ocupação, havia a expectativa de que o governo recém-eleito para a administração do Estado, na chapa Leonel Brizola / Darcy Ribeiro, apoiasse a consolidação da nova ocupação e atendesse ás reivindicações da comunidade por serviços de água e luz.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Também por volta de 1983,&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
ocorreu um processo de “loteamento clandestino” na atual favela da Fazendinha. Esta favela já contava com uma associação de moradores desde 1971, a Associação de Moradores do Parque Alvorada e Cruzeiro. Apesar da venda de lotes nesta área ter ocorrido desde meados dos anos 1970, as vendas intensificaram-se na década de 1980. No caso da Fazendinha, a venda de “lotes” foi realizada pela associação de moradores com a apresentação de “documentos” onde o suposto proprietário do terreno, representado por um advogado, cedia à associação o direito de vender os lotes de terra para pessoas cadastradas na associação e que fossem “comprovadamente carentes” (IPEA, 2013). Este tipo de loteamento clandestino é reconhecido como uma prática comum atualmente na zona oeste da cidade, que pode ser chamado de “favela-loteamento” (Lago, 2003). Em dezembro de 1986, um terreno contíguo à favela, pertencente à indústria gráfica Daru, foi desapropriado pelo governo do Estado, e incorporado à favela Fazendinha (IPEA, 2013). A Vila Matinha também foi ocupada no final da década de 1980 em um movimento liderado por moradores do Morro dos Mineiros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1986 foi criada a Região Administrativa do Complexo do Alemão que, em 1993, seria delimitada como uma área abrangendo doze favelas, de acordo com o IBGE. Entre 1980 e 1991, a população residente em favelas no agora “Complexo do Alemão” passou de cerca de 33 mil para cerca de 52 mil pessoas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A expansão horizontal das favelas praticamente se esgotou em meados dos anos 1990, acompanhando o declínio dos investimentos governamentais em obras de urbanização, a redução das áreas devolutas no entorno, assim como o recrudescimento dos conflitos armados, seja entre grupos de traficantes, seja em intervenções policiais violentas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entre 1991 e 2000, a população das favelas do Complexo do Alemão passou de cerca de 52 mil para cerca de 56 mil habitantes, segundo dados do IBGE. Esse aumento ocorreu justamente nas áreas de ocupação mais recente, onde ainda havia espaço para a expansão horizontal das favelas, principalmente na favela Fazendinha (que passou de 3,5 para 7 mil habitantes). Em 2010, a população nas favelas do Complexo do Alemão chegou a 58 mil habitantes (IBGE).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Referências&#039;&#039;&#039;&amp;lt;br/&amp;gt; Araújo, M., e Salles, E. (2008). História e Memória de Vigário Geral. Rio deJaneiro: Aeroplano.&amp;lt;br/&amp;gt; Couto, P. A., e Rodrigues, R. I. (2015). A gramática da moradia no Complexo do Alemão: história, documentos e narrativas. Texto para Discussão. IPEA.&amp;lt;br/&amp;gt; Freire, A., e Oliveira, L. L. (2002). Capítulos da merória do urbanismo carioca: depoimentos ao CPDOC/FGV. Rio de Janeiro: Folha Seca.&amp;lt;br/&amp;gt; Freire, A., e Oliveira, L. L. (2008). Novas memórias do urbanismo carioca. Rio de Janeiro: Editora FGV.&amp;lt;br/&amp;gt; Gonçalves, R. S. (2013). Favelas do Rio de Janeiro: História e Direito. Rio de Janeiro: Pallas Editora.&amp;lt;br/&amp;gt; IBASE. (2006). Histórias de favelas da Grande Tijuca contadas por quem faz parte delas&amp;amp;nbsp;: /Projeto Condutores (as) de Memória. Rio de Janeiro: IBASE.&amp;lt;br/&amp;gt; IPEA. (2010). Complexo do Alemão, Cidade em Construção. Video Documentário. IPEA.&amp;lt;br/&amp;gt; IPEA. (2011). Intervenção sócio-urbanística do Complexo do Alemão - Programa de Aceleração do Crescimento - PAC Relatório Final. Brasília: mimeo.&amp;lt;br/&amp;gt; IPEA. (2013). História das Favelas do Complexo do Morro do Alemão. Relatório Final de Pesquisa. IPEA/Faperj. Rio de Janeiro: mimeo.&amp;lt;br/&amp;gt; Lago, L. C. (2003). Favela-loteamento: reconceituando os termos da ilegalidade e da segregação urbana. X ANPUR. Belo Horizonte.&amp;lt;br/&amp;gt; Perlman, J. (1977). O mito da marginalidade: Favelas e política no Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Paz e Terra.&amp;lt;br/&amp;gt; Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro.Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social. (1983). Projeto de Desenvolvimento Social de Favelas do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro.&amp;lt;br/&amp;gt; Quintino, E. (março de 2015). Entrevista com Eurico Quintino. (R. I. Rodrigues, &amp;amp; A. B. Pinheiro, Entrevistadores)&amp;lt;br/&amp;gt; Rodrigues, R. I. (2014). Os parques proletários e os subúrbios do Rio de Janeiro: aspectos da política governamental para as favelas entre as décadas de 1930 a 1960. Texto para Discussão. IPEA.&amp;lt;br/&amp;gt; Rodrigues, R. I. (2016). Uma construção Complexa: necessidades básicas, movimentos sociais, governo e mercado. In Vida Social e Política nas Favelas, pesquisas de campo no Complexo do Alemão. (org.) Rodrigues, R. I. IPEA.&amp;lt;br/&amp;gt; Santos, E. F. (2009). E por falar em FAFERJ... Federação das Associações de Favelas do Estado do Rio de Janeiro (1963 – 1993) - memória e história oral . dissertação de mestrado - Unirio. Rio de Janeiro, RJ.&amp;lt;br/&amp;gt; Silva, M. P. (2005). Favelas Cariocas: 1930 a 1964. Rio de Janeiro: Contraponto.&amp;lt;br/&amp;gt; Silva, M. P., e Oliveira, I. E. (1986). Eletrificação de favelas. Revista de Administração Municipal, 6-17.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Thiago Matiolli</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://homologacao2.wikifavelas.com.br/index.php?title=Complexos_de_Favelas&amp;diff=3760</id>
		<title>Complexos de Favelas</title>
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		<updated>2020-01-30T19:54:39Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Thiago Matiolli: Thiago Matiolli moveu Complexo para Complexos de Favelas: Este novo título é mais completo com relação ao conteúdo do verbete, que o anterior. &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&lt;br /&gt;
Autor:&amp;amp;nbsp;[[Usuário:Thiago_Matiolli|Thiago Matiolli]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;De uns tempos para cá, o uso da noção de “comple&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;xo” para se tratar de algumas favelas da cidade do Rio de Janeiro - e mesmo de outro municípios próximos, como os da Baixada Fluminense - se tornou comum. Apenas para citar alguns deles: Complexo do Alemão, da Maré, da Penha, de Manguinhos, de Acari, da Pedreira, do Chapadão e por aí vai. Está presente no vocabulário de acadêmicos, agentes públicos, atores políticos, jornalistas e de cariocas em geral. Em alguma medida, ela acabou se somando a certas discussões, mais ou menos formais, sobre a nomeação de certos espaços da cidade: favelas, comunidades ou, de algum tempo pra cá, complexos de favelas (entre outras possibilidades)?&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É neste contexto que este verbete está inserido. Seu objetivo não é apresentar uma explicação última para este termo ou definição correta para se nomear certas favelas da cidade. Quer dizer, não se busca nestas páginas determinar que o termo “complexo” só pode ser usado nas situações específicas que descreveremos ou ainda que tal ou qual favela deva ser vista apenas como um “complexo”, e não de outras formas.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O que esperamos, ao fim do texto, é deixar claro como esta noção surgiu e se desenvolveu ao longo do tempo, especialmente na década de 1980, e destacar o que vemos como suas características mais interessante, ao menos do ponto de vista sociológico: em primeiro lugar, trata-se de uma nova escala espacial na cidade que se soma com aquelas já existentes, sem apagá-las, mas que torna o espaço urbano mais rico e complexo - sem trocadilhos; em segundo lugar, a forma como se nomeia os espaços como “complexos” varia de acordo com os interesses e pertencimentos envolvidos, de modo que, se certa favela é vista como “complexo” ou não por pessoas (ou instituições) diferentes, isso não significa que uma estará mais certa que a outra, mas que os sentidos conferidos à noção e à relação com lugar são diferentes.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Então, o objetivo do texto é contribuir para as discussões citadas acima, sem pretensões de conduzir o debate para um caminho que seria mais “correto”. Porém, se não pretendemos determinar nada, podemos, pelo menos, destacar algumas coisas que devem ser evitadas. E a principal delas é a criação de uma divisão simplista entre um Estado malvado, de um lado, e os moradores de favelas, do outro, na qual o primeiro teria desenvolvido a noção de “complexo” para aprimorar o controle militarizado da vida dessas populações, que não se identificam com este novo lugar. Não se vai negar que o aparelhos de governo aperfeiçoam constantemente tecnologias de controle social sobre as pessoas, o que se quer dizer é que a relação do desenvolvimento de uma nova escala espacial na cidade com essas técnicas de controle pode não ser tão simples e imediata assim.&amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Vejamos, brevemente e a título de ilustração, o trabalho de Marcos Alvito (2003) fruto de sua tese de doutorado defendida no fim da década de 1990, quando, como afirma o autor, o uso do termo “complexo”, já era amplamente utilizado. A partir de sua experiência, ele sugere que o termo seria um desdobramento da ideia de “complexo penitenciário”. O que coloca sua origem no seio do aparelho repressivo-policial do Estado e de uma lógica militarizada, o que permitiria, por exemplo, pensar como território único, um conjunto de favelas interligadas, como no caso do “&#039;Complexo de Acari&#039;, englobando um conjunto de 10 favelas (próximas, mas não contíguas) que estariam sob o controle de um único traficante” (Alvito, 2003, pg. 53). Esta possibilidade de explicação para a emergência da ideia de “complexo”, ainda que tenha se mostrado insatisfatória, em nada desmerece a análise, tendo em vista as informações disponíveis na época. E, diga-se de passagem, essa sugestão vigorou por muitos anos.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Porém, em seguida, ele trata do “famigerado” Complexo de Acari, “conceito vindo de fora e que não serve, de forma alguma, para a construção de uma identidade. Jamais ouvi alguém dizer que morava no Complexo de Acari” (Alvito, 2003, pg. 54). Aqui, nota-se, de modo mais claro, a reprodução da divisão simplista apontada acima e isso o impede de compreender seja os efeitos concretos da ideia de “complexo”, seja os processos de formação de identidade. O fato dele não ter encontrado uma única pessoa que se identificasse com o “Complexo de Acari” não implica que ninguém o fizesse; e, o fato de que lá ninguém se reconhecia como morador do “Complexo de Acari” não significa que, noutros lugares, a mesma coisa acontecesse. Até porque os processos de formação dos “complexos de favela” se territorializam de modo e em temporalidades diferentes&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Isto posto, e evitando fazer denúncia fundadas numa dicotomia imaginária, nas próximas seções, vamos fazer uma análise socio-histórica da noção de “complexo”, não para resolver de vez essa questão, mas para trazer contribuições para o debate.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Como urbanizar?&amp;amp;nbsp;&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A virada da década de 1970 para a de 1980 já é reconhecida como período no qual a solução governamental para o problema das favelas no Rio de Janeiro passou a ser sua urbanização, preterindo as remoções. Essa história está muito bem documentada em diversos trabalhos, como pode ser visto, entre outros, em Valla (1986), Burgos (1998), Machado da Silva (2002), Valladares (2005) e Gonçalves (2013). Mas, pouco se estudou um efeito mais sutil dessa mudança de diretriz, qual seja, a questão que se colocou para os órgãos do governo municipal: como urbanizar? Em torno desta pergunta vão se articular três aspectos da política urbana carioca no início dos anos 1980: a formação de um novo quadro técnico e a produção massiva de conhecimento sobre as favelas; o desenvolvimento de uma nova forma de entender esses espaços, como aglomerados (conurbações de favelas); e a incidência da ação das agências multilaterais no surgimento de uma nova etapa do problema da favela. Aqui trataremos apenas do segundo aspecto, pois é desta perspectiva que a noção de “complexo” aplicada a determinadas favelas vai ser desenvolvida.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As intervenções de urbanização, sobretudo as de saneamento, deveriam considerar a homogeneidade territorial de favelas distintas; isto é, as ações em uma localidade teriam impacto sobre outras, por conta de características geográficas em comum entre elas. Isto é, favelas vizinhas umas às outras, que tinham sua história própria, mas compartilhavam as mesmas características geográficas seriam objetos da mesma intervenção de urbanização. Buscando soluções para esta configuração, os técnicos da Prefeitura responsáveis por pensar as intervenções de urbanização, desenvolveram, inicialmente, a concepção de conurbação de favelas, seguida pela de “aglomerados”, de modo a dar conta dessa dupla dimensão socioespacial: heterogeneidade social e homogeneidade topográfica. Com o passar do tempo a ideia vai de “aglomerado” vai sendo intercalada com a de “conjunto de favelas” e, finalmente, substituída pela de “complexo”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Trata-se, efetivamente, da produção de uma nova escala espacial no município do Rio de Janeiro que se soma a outras já existentes como as de bairro ou de favela. E não é uma simples questão conceitual, pois ela terá efeitos práticos na gestão urbana carioca. A principal delas é uma alteração na hierarquia das favelas na cidade, através da produção de novos espaços na cidade como os Complexos do Alemão e da Maré. Como pode ser visto nas tabelas abaixo, apresentadas no documento “Contribuição dos dados de população das favelas do Município do Rio de Janeiro” (1984), produzido pelo IPLANRIO.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Tabela 1 – “10 Favelas mais populosas do Município do Rio De Janeiro – 1980”&#039;&#039;&#039;&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{| border=&amp;quot;1&amp;quot; cellpadding=&amp;quot;1&amp;quot; cellspacing=&amp;quot;1&amp;quot; style=&amp;quot;width: 500px;&amp;quot;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | Ordem&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 295px; text-align: center;&amp;quot; | Nome&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | R.A&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 88px; text-align: center;&amp;quot; | População&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | 1º&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 295px;&amp;quot; | Rocinha&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | VI&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 88px; text-align: right;&amp;quot; | 32.996&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | 2º&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 295px;&amp;quot; | Jacarezinho&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | XII&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 88px; text-align: right;&amp;quot; | 31.405&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | 3º&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 295px;&amp;quot; | Nova Brasília&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | XII&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 88px; text-align: right;&amp;quot; | 19.909&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | 4º&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 295px;&amp;quot; | Vila do Vintém&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | XVII&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 88px; text-align: right;&amp;quot; | 15.877&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | 5º&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 295px;&amp;quot; | Gleba I da antiga Fazenda Botafogo&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | XXII&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 88px; text-align: right;&amp;quot; | 14.721&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | 6º&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 295px;&amp;quot; | Fazenda Coqueiro&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | XVII&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 88px; text-align: right;&amp;quot; | 14.115&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | 7º&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 295px;&amp;quot; | Maré&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | X&lt;br /&gt;
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|-&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | 8º&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 295px;&amp;quot; | Parque União&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | X&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 88px; text-align: right;&amp;quot; | 13.945&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | 9º&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 295px;&amp;quot; | Vila Proletária da Penha&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | XI&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 88px; text-align: right;&amp;quot; | 13.564&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | 10º&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 295px;&amp;quot; | Nova Holanda&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | X&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 88px; text-align: right;&amp;quot; | 13.115&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:x-small;&amp;quot;&amp;gt;Fonte: IPLANRIO, Contribuição dos dados de população das favelas do Município do Rio de Janeiro (1984) &amp;amp;nbsp;&amp;lt;/span&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E, na página 8, esta outra:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Tabela 2 – “10 Favelas ou Aglomerados de Favelas mais Populosas do Município do Rio de Janeiro – 1980”&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{| border=&amp;quot;1&amp;quot; cellpadding=&amp;quot;1&amp;quot; cellspacing=&amp;quot;1&amp;quot; style=&amp;quot;width: 507px;&amp;quot;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | Ordem&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 301px; text-align: center;&amp;quot; | Nome&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | R.A&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 91px; text-align: center;&amp;quot; | População&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | 1º&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 301px;&amp;quot; | Baixa do Sapateiro, Maré, Nova Holanda, Parque Rubens Vaz, Parque União e Timbau&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | X&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 91px; text-align: right;&amp;quot; | 65.001&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | 2º&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 301px;&amp;quot; | Itararé, Joaquim de Queirós, Morro do Alemão e Nova Brasília&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | X-XII&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 91px; text-align: right;&amp;quot; | 37.040&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | 3º&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 301px;&amp;quot; | Rocinha&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | VI&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 91px; text-align: right;&amp;quot; | 32.996&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | 4º&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 301px;&amp;quot; | Jacarezinho&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | XII&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 91px; text-align: right;&amp;quot; | 31.405&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | 5º&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 301px;&amp;quot; | Morro do Cariri, Vila Cruzeiro e Vila Proletária da Penha&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | X-XI&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 91px; text-align: right;&amp;quot; | 26.879&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | 6º&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 301px;&amp;quot; | Morro Azevedo Lima, Morro São Carlos, Morro do Catumbi, Morro Santos Rodrigues e Rato&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | III&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 91px; text-align: right;&amp;quot; | 20.354&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | 7º&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 301px;&amp;quot; | Parque Jardim Beira Mar, Parque Proletário de Vigário Geral e Te contei&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | XI&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 91px; text-align: right;&amp;quot; | 18.364&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | 8º&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 301px;&amp;quot; | Almirante Tamandaré, Gleba I da antiga Fazenda Botafogo e Parque Bela Vista&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | XXII&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 91px; text-align: right;&amp;quot; | 17.334&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | 9º&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 301px;&amp;quot; | Vila do Vintém&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | XVII&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 91px; text-align: right;&amp;quot; | 15.877&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | 10º&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 301px;&amp;quot; | Parque Acari, Vila Esperança e Vila Rica de Irajá&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | XII&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 91px; text-align: right;&amp;quot; | 15.038&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:x-small;&amp;quot;&amp;gt;Fonte: IPLANRIO, Contribuição dos dados de população das favelas do Município do Rio de Janeiro (1984)&amp;lt;/span&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É possível ver, a partir destas tabelas, uma mudança na hierarquia das maiores favelas da cidade do Rio de Janeiro, com a consideração dos complexos ou “aglomerados de favelas”. Não se trata de mera manipulação de dados, mas sim do efeito de um processo minucioso de análise e produção de informações que subsidiassem as ações de urbanização de favelas na cidade. E, como foi dito, também não se trata de simples questão conceitual, pois isso impacta diretamente a tomada de decisões do governo municipal carioca. Consideradas de modo isoladas, as quatro maiores favelas do Rio de janeiro seriam: Rocinha, Jacarezinho, Nova Brasília e Vila do Vintém (tabela 1); considerando os ”complexos”, esse ranking muda e temos como maiores espaços favelados do município: Complexo da Maré, do Alemão, Rocinha e Jacarezinho. Vejamos como isso impacta o tratamento do problema da favela na cidade do Rio de Janeiro em três momentos.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O primeiro deles está situado nos primeiros anos da década de 1980. Período marcado, no governo municipal, pelo desenvolvimento do Cadastro de Favelas (IPLANRIO, 1983). Publicado em 1983, os trabalhos de pesquisa para sua construção começaram em 1980/81 e as informações produzidas neste processo alimentaram uma séries de ações governamentais dos três níveis de governo: municipal, estadual e federal. É no seio dos estudos para construção do Cadastro de Favelas que a noção de aglomerados e complexos de favelas se consolida.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No período de 1980-1983, uma série de ações de urbanização de favelas, dos diversos níveis de governo, são realizadas, como o processo de eletrificação de favelas pela Light e o Proface/CEDAE, cujo objetivo era levar água de modo sistemático e estruturado para as favelas da cidade. O que esses programas têm em comum é o fato de serem setoriais, isto é, referem-se a um tipo de serviço público específico (luz e água, respectivamente), a ser implantado em um&amp;amp;nbsp; grande número de favelas. Mas, há outro tipo de ações concentrados em uma única favela ou conjunto de favelas, como o projeto Mutirão/UNESCO, o Projeto Rio&amp;lt;ref&amp;gt;Muito já foi produzido sobre o Projeto Rio ao longo dos anos desde sua realização, abordando diversos aspectos, desde a mobilização social desenvolvida no momento de sua implantação até aspectos técnicos do Projeto. A título de aproximação inicial, sugerimos como material de consulta sobre o Projeto Rio, as matérias produzidas pelo Rio on Watch, disponíveis no link: https://rioonwatch.org.br/?p=26789&amp;lt;/ref&amp;gt;&amp;amp;nbsp;e o Projeto de Desenvolvimento Social de Favelas do Rio de Janeiro&amp;lt;ref&amp;gt;Sobre o Projeto de Desenvolvimento Social de Favelas do Rio de Janeiro, ver, neste dicionário, o verbete “Pertencimento ao Complexo do Alemão”. &amp;lt;/ref&amp;gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O projeto Mutirão foi uma ação realizada através de uma parceria entre a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social (SMDS) e a UNESCO, realizada na Rocinha e que visava a realização de ações de urbanização na área em regime de ajuda mútua; o Projeto Rio, foi uma grande intervenção na produção de infraestrutura urbana e moradias, levada a cabo pelo Governo Federal na área atualmente conhecida como Complexo do Maré; já o Projeto de Desenvolvimento Social de Favelas do Rio de Janeiro é um grande diagnóstico elaborado pela SMDS, com financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), sobre as favelas do Jacarezinho e do Complexo do Alemão. É possível ver que a realização das quatro maiores intervenções concentradas em uma favela ou conjunto de favelas na cidade do Rio de Janeiro no início dos anos 1980 se baseou em uma nova hierarquia urbana, impactada pelo desenvolvimento da noção de aglomerado ou complexo de favelas.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O segundo momento inicia-se no ano de 1986, sob a gestão do prefeito Saturnino Braga, com a criação das primeiras Regiões Administrativas sediadas em favelas. Braga foi eleito para um mandato de três anos, compreendido entre 1986 e 1988, na primeira eleição direta para prefeito após duas décadas de ditadura civil militar. Ele inicia sua gestão pelo PDT e a termina, após o rompimento com o partido do governador Leonel Brizola, filiado ao PSB. Umas das principais características do governo de Saturnino foi seu esforço de descentralização administrativa no município, através de seus Conselhos Governo-Comunidade (CGC). Não uma iniciativa simplesmente burocrática, mas um esforço político de fortalecimento das bases, conferindo aos CGC’s alguma autonomia política para se organizarem, mas também para decidir a melhor aplicação dos recursos e serviços públicos em suas localidades. O que, por sua vez vai implicar na criação de uma nova arena local de disputa política e controle social (Burgos, 1992; Braga, 1989).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O objetivo da gestão de Saturnino era transformar as RAs em Conselhos Governo-Comunidade: uma instância local de interlocução entre os órgãos setoriais de governo e representantes comunitários, bem como ser um instrumento de organização e composição de bases partidárias locais. Na concepção do governo municipal, esperava-se que os administradores regionais atuassem coordenando as ações do poder público nas áreas sob sua atuação articulando-as com as demandas populares, agindo como uma espécie de gerente local. Conjugada com essa desconcentração administrativa, a Prefeitura buscava promover uma descentralização orçamentária, a partir da qual certas intervenções fossem decididas, inclusive na dotação de recursos, nas arenas das RAs/Conselhos.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A proposta enfrentou uma série de desafios, de modo que sua implantação foi parcial e alguns desses pressupostos apresentados, sobretudo a descentralização econômica, não foram alcançados. As dificuldades financeiras da Prefeitura se refletiam nas limitações postas à aplicação das decisões tomadas na esfera dos Conselhos, com relação a obras ou prestação de serviços. As resistências políticas também não foram pequenas.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Contudo, em que pese a não realização plena do projeto de Saturnino, nos interessa que nesse processo foram criadas novas Regiões Administrativas, nas quatro maiores favelas do município: Rocinha (XXVII R.A.), Jacarezinho (XXVIII R.A.), Complexo do Alemão (XXIX) e Maré (XXX). Note-se, em primeiro lugar, que a XXIX R.A. tem como jurisdição o Complexo do Alemão, nome oficial do Bairro, com o “complexo” e tudo; em segundo lugar, que os lugares escolhidos só podiam ser pensados como as maiores favelas da cidade, por conta da concepção dos aglomerados de favelas, como visualizado na Tabela 2. Se o parâmetro fosse apenas as favelas “isoladas”, seriam criadas as da Rocinha e Jacarezinho, junto com Nova Brasília e Vila do Vintém (Tabela 1).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O terceiro momento nos remete à década de 1990. Com a transformação dessas áreas compreendidas pelas novas Regiões Administrativas em bairros e com o programa Favela-Bairro. Com relação a criação dos bairros, com relação ao Complexo do Alemão e à Maré, recomendamos a leitura dos verbetes “Pertencimento ao Complexo do Alemão” e o “Bairro da Maré”, neste dicionário. Aqui, trataremos apenas do programa Favela-Bairro.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como foi destacado por Burgos (1998), desde a experiência da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social, ficou evidente, para os órgãos municipais, que ações pontuais não resolveriam os problemas de urbanização de favelas e, por outro lado, ao longo de toda a década de 1980 teria se acumulado, nos quadros da Prefeitura, conhecimentos e experiências que se mostraram fundamentais para a construção&amp;amp;nbsp; do projeto Favela-Bairro. Neste sentido, gostaríamos de destacar dois pontos. Primeiro, a continuidade da percepção de que favelas contíguas entre si deveriam ser pensadas como uma unidade. Na nota 36 do texto de Burgos (1998), o autor reproduz o seguinte texto, fruto de um documento da Prefeitura:&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;Outra advertência a se feita é que as favelas “conurbadas” foram tratadas como um conjunto único e nunca isoladamente, já que se considerou que tais favelas “formam uma única realidade geoambiental, não obstante mantenham identidades socioculturais próprias” (PMRJ, 1995:5 Apud Burgos, idem, pg. 58).&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E o autor segue:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;Em alguns casos, como se pode observar na lista de 16 favelas selecionadas, duas ou mais são consideradas parte de um único complexo. Eis a lista: Parque Royal; Canal das Tachas/Vila Amizade; Grotão; Serrinha; Ladeira dos Funcionário/Parque São Sebastião; Caminho do Job; Escondidinho; Morro da Fé; Vila Cândido/Guararapes/Cerro-Corá; Chácara Del Castilho; Mata Machado; Morro dos Prazeres; morro União; Três Pontes; Fernão Cardim; e Andaraí&amp;quot; (BURGOS, 1998, pg. 58).&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se houve “experiência” acumulada nos quadros técnicos da Prefeitura ao longo da década de 1980, cabe destacar a consolidação de um entendimento das favelas como aglomerados e sua percepção como complexos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O segundo ponto trata dos critérios de seleção das áreas que iriam receber intervenções do Favela-Bairro. O primeiro deles foi de que seriam selecionadas para o Programa apenas aquelas definidas como de porte médio, isto é, compostas por 500 a 2.500 domicílios e habitadas por entrre 2.000 e 10.000 habitantes. Trabalhar com as maiores (que seriam 15) seria muito custoso e a dispersão das pequenas favelas, implicaria em menor otimização dos recursos (Burgos, 1998).&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nesse processo de classificação das favelas, o critério dos aglomerados ou complexos de favelas transformou pequenas favelas em médias ou grandes, incluindo-as no programa ou excluindo-as do critério de porte médio. Como foi o caso do Complexo do Alemão. Não entramos nos dados produzidos para classificação das áreas aptas para receber ou não o Favela-Bairro, mas tendo em vista os números do documento Contribuição dos dados (1984) e a justificativa para criação das quatro novas Regiões Administrativas no governo Saturnino, podemos concluir que o fato de nenhuma das favelas que compunham o Complexo do Alemão receberam intervenções do Favela-Bairro por constituírem uma unidade só, conurbada e considerada de grande porte.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esse três momentos históricos ilustram como foi desenvolvida e consolidada, no seio de um quadro técnico da Prefeitura, a noção de “complexo” de favela. Não explicam, necessariamente, como o seu uso se ampliou e foi apropriado por outros atores políticos urbanos como os jornalistas, outros agentes públicos e mesmo entre as/os cariocas de maneira geral; tampouco, dão conta dos novos sentidos que lhe são atribuídos aos longos dos últimos anos, como uma possível lógica militarizada por trás de sua operação. Mas, não é por isso que esta análise histórica deixa de contribuir para uma compreensão do presente. Como veremos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Novas escalas urbanas&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O resgate histórico feito nas páginas acima, ainda que não avance para além do início da década de 1990, traz contribuições para pensarmos o presente, sobretudo, quando analisamos a mudança na hierarquia urbana que ela produziu e, por consequência, na escolha de áreas que receberão recursos, serviços e programas. Isso mostra que o surgimento dos “complexos” de favelas, no seio da gestão urbana municipal, promoveu a produção de uma nova escala urbana de pertencimento e de realização de políticas públicas (Matiolli, 2016).&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Neste verbete, a dimensão da elaboração de políticas públicas ficou mais evidente, quando vimos os projetos de urbanização do início da década de 1980, a criação das Regiões Administrativas em 1986 e o programa Favela-Bairro. Em todos estes casos, tratou-se de decisões baseadas na produção desses novos espaços na cidade, os complexos ou aglomerados de favelas. Essa percepção não implica no reconhecimento da heterogeneidade interna de uma grande favela, como as diversas áreas que existem no interior da Rocinha ou do Jacarezinho, por exemplo, com suas peculiaridades; mas, em conceber pequenas favelas, com suas trajetórias próprias, como se fossem uma unidade territorial nova. Uma das vantagens de pensar nos complexos como novas escalas de pertencimento e realização de políticas públicas é que nos permite fugir da dicotomia imaginária identificada no início do verbete. De duas maneiras.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Primeiro, enquanto escala de realização de políticas públicas, é possível perceber que o Estado não age de modo unitário, isto é, o fato de um órgão público reconhecer tal área como complexo não significa que outros trabalharão com a mesma definição. Não há uma determinação geral e unificada de que áreas são complexas e quais não são. Como exemplo, basta ver os diferentes mapas de atuação que circulam entre os órgãos de saúde, os de segurança ou ainda os correios, não necessariamente os lugares são nomeados da mesma forma. Há uma infinidade de definições.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bem como são múltiplas as definições do Complexo do Alemão, se você pergunta a uma moradora ou morador onde começa e termina o bairro. Há quem diga , por exemplo, que o Morro do Adeus faz parte e outras que o excluem se sua percepção do Alemão; há quem o associe ao Complexo da Penha; e por aí vai. Assim, enquanto nova escala de pertencimento, as pessoas que ali vivem podem ter mais uma referência de lugar para evocar, se lhe for estratégico; em outras palavras, não é que as/os moradoras/es não se identifiquem com o “complexo”, e sim que vão acionar seu pertencimento a ele de acordo com as circunstâncias.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quando vemos a organização política no Complexo do Alemão nos últimos anos, é possível ver que as associações de moradores criadas na região que veio a ganhar esse nome se referenciam a suas localidades como a Nova Brasília, o Morro do Alemão, a Baiana, Grota entre outras. Diferentemente das novas organizações sociais que vão surgir no fim da década de 1990, com as ONG’s, inicialmente, e, mais recentemente, os coletivos, que vão ter como referência local, o Complexo do Alemão. O que cria uma intricada cartografia política que vai gerar as mais diversas alianças, como, por exemplo, no caso do Juntos pelo Complexo do Alemão&amp;lt;ref&amp;gt;Para versões mais detalhadas desse exemplo, ver, neste dicionário, os verbetes: “pertencimento ao Complexo do Alemão”; “As associações de moradores do Complexo do Alemão” e “Juntos pelo Complexo do Alemão”.&amp;lt;/ref&amp;gt;.&amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para além da dimensão da ação coletiva, do ponto de vista individual, é possível ver como as pessoas também podem acionar positivamente o Complexo do Alemão em suas iniciativas. Ao longo dos anos mais recentes, é possível ver empreendimentos locais que viram, na existência do “Complexo” uma marca que acionaram em seus negócios, como no caso da agência de turismo “Turismo no Alemão”, a marca de roupas “Complexidade urbana” e mesmo a cerveja “Complexo do Alemão”.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A existência do Complexo do Alemão como lugar de moradia na cidade não só não é, necessariamente, negada por seus moradores, como é acionada em diversos momentos, situações, segundo as visões estratégicas de seus moradores e organizações sociais. Evidentemente que, a vivência&amp;amp;nbsp; e pertencimentos aos complexos vão variar de lugar para lugar, e nem todas reproduzirão essa relação existente no Alemão. O que é mais uma vantagem da perspectiva dos “complexos” de favela como escala espacial urbana, pois abre um leque de possibilidades não vislumbradas nesse texto.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como foi dito no início, não foi o objetivo deste texto oferecer uma explicação final e definitiva para a noção de “complexo” de favelas, mas contribuir para o debate a partir de um trabalho de análise e resgate histórico da produção dessa nova escala espacial na cidade. E assim, como esperamos ter ficado claro, não acabamos com a conversa, pelo contrário, apenas abrimos alguns horizontes de reflexão, que consideram desde as diversas vivências, trajetórias e pertencimentos aos complexos de favelas até investigações e críticas sobre os usos dessas escalas por atores políticos como a imprensa e outros órgãos públicos, como os de segurança; mas, sempre, desviando de certas limitações consolidadas no imaginários sobre as favelas do Rio de Janeiro. .&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICAS&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
ALVITO, Marcos . As Cores de Acari. 1. ed. Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas, 2003. v. 1. 300p&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
BRAGA, Roberto Saturnino. Governo Comunidade: Socialismo no Rio. Rio de Janeiro, Ed. Paz e Terra, 1989.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
BURGOS, Marcelo. A falência da Prefeitura do Rio de Janeiro: 1988. Dissertação apresentada para obtenção do grau de Mestre em Planejamento Econômico e Políticas Públicas, Instituto de Economia Industrial da Universidade Federal do Rio de Janeiro, 1992.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
__________. (1998) Dos Parques Proletários ao Favela-Bairro: as políticas públicas nas favelas do Rio de Janeiro. In.: ZALUAR, A. E ALVITO, M. (Org.). Um Século de Favela. Rio de Janeiro, Ed. FGV, pp. 25-58.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
IPLANRIO – Instituto de Planejamento Municipal. Cadastro de Favelas, 2ª edição, Rio de Janeiro, 1983.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
_________. (1983) Projeto de Desenvolvimento Social de Favelas do Rio de Janeiro, Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social, Versão Preliminar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
_________. (1984) Contribuição dos dados de população das favelas do Município do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
MACHADO DA SILVA, Luiz Antonio. A continuidade do “problema da favela”. In: Oliveira, Lúcia Lippi (org). Cidade: Histórias e Desafios. Rio de Janeiro: Ed. Fundação Getúlio Vargas, 2002. p. 220 – 237.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
MATIOLLI, Thiago Oliveira Lima. Matiolli. O que o Complexo do Alemão nos conta sobre a cidade do Rio de Janeiro: poder e conhecimento no Rio de Janeiro no início dos anos 80. 2016. 234f. Tese de Doutorado em Ciências. Programa de Pós-Graduação em Sociologia, Universidade de São Paulo, São Paulo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
_________.Notas sobre o surgimento do bairro do Complexo do Alemão. In.: RODRIGUES, Rute Imanishi. Vida Social e Política nas Favelas: pesquisas de campo no Complexo do Alemão. Brasília: IPEA, 2016.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
VALLA, Victor V. (org). Educação e Favela: políticas para as favelas do Rio de Janeiro, 1940-1985. Rio de Janeiro: Vozes, 1986.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
VALLADARES, Licia do Prado. A invenção da favela: do mito de origem à favela.com. Rio de Janeiro: editora FGV, 2005. na próxima seção.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Thiago Matiolli</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://homologacao2.wikifavelas.com.br/index.php?title=Economia_Cotidiana&amp;diff=3759</id>
		<title>Economia Cotidiana</title>
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		<updated>2020-01-30T19:53:29Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Thiago Matiolli: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Autora: Eugenia Motta&#039;&#039;&#039;&amp;lt;ref&amp;gt;Eugênia Motta é professora do Programa de Pós-graduação em Sociologia do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro e bolsista de pós-doutorado PNPD Capes. É pesquisadora do Núcleo de Pesquisas em Cultura e Economia (NuCEC), uma das coordenadoras do Grupo CASA – Estudos Sociais sobre moradia e Cidade, consultora e conselheira do Instituto Raízes em Movimento e diretora do Instituto de Economia Real.&amp;lt;/ref&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Economia cotidiana (Motta 2016) é um termo que pretende dar conta de práticas econômicas reais a partir de seu vínculo com outras dimensões da vida social, especialmente as relações familiares e os espaços materiais. A ideia foi desenvolvida com base em pesquisa feita em uma favela carioca e pretende descrever o que ocorre nesses lugares, mas, como ficará claro a seguir, não se aplica somente a eles. É, portanto, uma ideia que nasce a partir da favela, para, de lá, oferecer uma visão sobre a economia que revela a centralidade das relações familiares, a relação com as casas e o papel das mulheres. &amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Definindo economia &amp;amp;nbsp;&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como definir economia quando o que queremos é compreender a vida nas favelas, valorizar a experiências dos seus moradores e oferecer bases para ações que melhorem suas vidas? Não existe consenso entre especialistas e estudiosos sobre o que seja economia. Para alguns é uma esfera da vida social com formas de agir específicas e diferentes daquelas presentes em outras, como, por exemplo, a nossos relacionamentos íntimos. Para outros, é o conjunto de empresas e instituições privadas e públicas que produzem e gerem a riqueza de um país. Cada diferente concepção carrega com ela uma série de ideias sobre a sociedade, sobre a natureza humana, sobre como funcionam ou deveriam funcionar as relações entre os cidadãos e os estados, por exemplo. Os diferentes pontos de vista não são neutros e definem, indiretamente, quais são as formas legítimas, corretas, aceitáveis de se lidar com a propriedade, o dinheiro, o trabalho.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas o que isso tem a ver com as favelas? Como territórios historicamente marginalizados as favelas tiveram sua economia ocultada ou mesmo criminalizada por meio de&amp;amp;nbsp; definições que excluem ou condenam aquilo que os moradores fazem no que diz respeito, por exemplo, à gestão dos seus negócios. Para trazer uma nova perspectiva sobre esses lugares é preciso trazer à tona sua economia real, de forma que se possa, por um lado, aprender com e sobre as práticas de seus moradores e, por outro, construir bases para intervenções, sejam elas públicas ou não, mais interessantes e afinadas com as aspirações das pessoas.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há três ideias correntes sobre a economia das favelas. A primeira delas está baseada na ideia de “informalidade”. A ideia de economia informal foi levantada na década de 1970 para chamar atenção justamente para formas de se trabalhar e ganhar dinheiro que não passavam por contratos escritos e grandes empresas. Dois trabalhos seminais, o do inglês Keith Hart sobre Gana (1973) e a dissertação de mestrado de Luiz Antônio Machado sobre o mercado de trabalho no Brasil (2018 [1971]), mostram que, uma parte importante da economia, tida como marginal, residual ou ignorada completamente, era a base sobre a qual as classes populares ganhavam a vida&amp;lt;ref&amp;gt;Ver verbete Informalidade, neste dicionário.&amp;lt;/ref&amp;gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O conceito de informalidade foi sendo incorporado às políticas públicas, modificado, e hoje tem um lugar de destaque na ação estatal de governos ao redor do mundo. Em geral o objetivo é a “formalização”, que significa o registro perante órgãos de gestão e os deveres e direitos correspondentes a isso, como o pagamento de impostos ou a proteção pela previdência social, por exemplo.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ao longo das décadas o uso da ideia de informalidade levou a visão dicotômica e hierárquica da economia: de um lado negócios e pessoas submetidos à regulação estatal e, de outro, aqueles agentes que atuam fora desse sistema. Os primeiros, vistos e tratados como mais legítimos e os segundos, na melhor das hipóteses, como possíveis objetos de ajuda para que se igualem aos outros. Essa noção de circuitos apartados emprestou para a compreensão da relação da favela com a cidade a ideia dicotômica de “cidade formal” / “cidade informal”, por exemplo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Examinando de perto os negócios na cidade vários pesquisadores chegaram à conclusão de que atividades e atores sociais considerados formais e informais estão integrados, atuando de forma coordenada nos mercados. Além disso, dificilmente existem, por exemplo, negócios que não se sirvam de mecanismos e espaços regulados e outros, não por agências estatais. Em resumo, não existe nem mercado, nem negócio, nem lugar na cidade em que formalidade e informalidade não se misturem e se complementem. Assim, voltando ao nosso tema, usar o termo “economia informal” para descrever a economia da e na favela é, no mínimo, reducionista.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A segunda ideia muito difundida é da associação da favela à economia ilegal ligada ao comércio no varejo de drogas proibidas. Essa é uma representação, não apenas reducionista, mas evidentemente criminalizante desses espaços. Embora esse tipo de comércio esteja presente em algumas favelas, esse mercado ultrapassa suas fronteiras, é claro. Além disso, está muito longe de sustentar a vida de parte grande de moradores.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A terceira ideia se apresenta como positiva e ter a ver com a valorização do chamado “empreendedorismo”, ou seja, a suposta capacidade dos moradores das favelas de desenvolverem atividades baseadas na sua vontade e disposição de trabalho independente em um mercado pretensamente aberto, que oferece sucesso a quem tem suficiente força de vontade. Ao lado dessa ideia existe um discurso que valoriza o mérito próprio como requisito quase que único de êxito, que mascara as desigualdades estruturais e as crises conjunturais como barreiras difíceis de serem transpostas.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cada uma dessas visões comuns sobre a economia na favela tem seu lastro na realidade e pode estar na base de boas intenções e boas propostas. Não é o caso, evidentemente, de achar que se devem desprezar as iniciativas, projetos e concepções que utilizem esses conceitos, mas de buscar novas possibilidades compreensivas que superem suas limitações.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;Para tornar visíveis as práticas, conhecimentos, estratégias e atores econômicos da favela é preciso abrir mão dessas visões dicotômicas e observar a economia real desses lugares, que são integrados à cidade, parte de circuitos amplos de mercados (internacionais, inclusive) e espaços de produção, comércio e trabalho de grande parte dos moradores das cidades. Não se trata, com isso, de defender que a economia das e nas favelas seja melhor, pior, mais ou menos solidária ou que promova mais ou menos exploração, por exemplo. Entre a criminalização e a romantização, ficamos com a realidade, com seus vícios e suas virtudes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Consideramos como economia e econômicos, portanto, o conjunto de práticas, ideias e atores sociais envolvidos nas atividades de provimento dos recursos necessários à manutenção da vida e do bem estar das pessoas. Simples. Mas cheio de consequências importantes.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Economia da casa x economia doméstica &amp;amp;nbsp;&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há muito se reconhece em várias disciplinas, que existe economia dentro das casas. Aliás, a própria palavra tem origem no termo grego que significa “administração da casa”. Desde sua origem grega a ideia de economia se transformou muito e foi preciso que pensadores chamassem de volta a atenção para a importância dos espaços domésticos na compreensão da economia.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A atenção para esse tema se baseou fortemente na comparação entre o que acontecia no âmbito familiar com o que acontecia no chamado “mercado”. A distinção marxista entre “produção” e “reprodução”, por exemplo, marca a diferença entre formas de organizar a economia. Karl Polanyi reconheceu a domesticidade como um dos princípios da economia (1957) e o economista Gary Becker, que ganhou o prêmio Nobel da área em 1992, trabalhou com aspectos da vida doméstica (por exemplo, 1991). Em linhas teóricas distintas, a dicotomia entre mercado e espaço doméstico foi enfatizada ou problematizada. O que parecia consensual é que essa distinção existe.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma economia da casa se propõe a questionar a dicotomia mercado x espaço doméstico, enfatizando não distinções e aproximações de princípios econômicos, mas as conexões reais e práticas entre pessoas, que passam pela casa como espaço material e simbólico. Isso significa observar a economia por meio das pessoas e daquilo que elas transformam e põe em movimento e não por meio de conceitos abstratos.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Isso implica considerar a casa não apenas como um lugar material (uma edificação), mas como tendo também significados importantes no que diz respeito ao que as pessoas reconhecem, por exemplo, como relações próximas ou distantes. Um exemplo dessa existência que podemos chamar de “simbólica” da casa são expressões conhecidas de todos nós: “você é de casa”, que significa que a pessoa é estimada, pode se sentir à vontade; “quem casa quer casa”, que significa que um casal almeja sempre um espaço de autonomia para si.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quando se dintingue, portanto, o que se chama de “economia doméstica” da proposta de se pensar a economia da casa (o melhor seria até “a economia a partir da casa”, mas ficaria muito longo) é se considerar as relações reais e práticas e pensar também a multidimensionalidade da casa. A economia da casa é o que aparece quando aplicamos à realidade da favela a definição de economia que aparece mais acima. &amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Economia, família e moralidade &amp;amp;nbsp;&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A socióloga Viviana Zelizer, importante referência no estudo da economia na esfera das relações íntimas, formulou uma ideia muito interessante. Ela mostrou que em geral enxergamos a economia, o dinheiro e os mercados como um universo que é, e deve ser, separado das relações de amor e intimidade. O termo que ela usa para descrever isso é o de “mundo hostis” (2005).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essa ideia se expande para além do nossa compreensão e moralidade cotidiana em relação ao dinheiro e se apresenta também como parte de verdadeiras teorias econômicas. Parte dos teóricos da disciplina Economia e de outras ciências humanas acreditou (e muitos ainda acreditam) que, no que diz respeito aos bens materiais, os seres humanos agem de maneira racional, procurando obter o maior ganho possível numa dada situação. Claro que essa é uma simplificação enorme, mas há uma forte presença desse racionalismo utilitário em muitas teorias políticas e sociais e também nas nossas cabeças.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O que se percebe quando olhamos de perto para as relações de afeto e intimidade e, especialmente para aquelas de maior proximidade, que são as familiares, algumas coisas importantes ficam claras. A primeira delas é que a economia (na forma espacialmente de circulação de dinheiro) está intrinsecamente ligada à construção e manutenção dos laços entre as pessoas. Maridos e esposas trocam presentes, conversam sobre como dividir as despesas. Pais dão mesadas aos filhos, ajudam a realizar compras entre tantas outras formas de ajudar, presentear, mostrar consideração que conhecemos, exercemos e fazem parte da forma como reconhecemos e demonstramos amor e respeito.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A segunda coisa importante é que, longe de uma racionalidade calculadora, nos orientamos na prática, por moralidades, ou seja, por ideias sobre o que é o certo o errado, o bem e o mal. É fácil perceber isso quando nos lembramos de expressões comuns como “dinheiro sujo”, por exemplo. Você aceitaria dinheiro que foi roubado de alguém como presente? E diante de um grande negócio, que pode render muito no futuro? Você deixaria de comprar comida para dar a um parente em necessidade para fazer esse investimento? Independente da resposta que cada um daria, o próprio fato de que essas são perguntas que consideramos como dilemas mostra que, evidentemente fazemos cálculos, desejamos ganhos, mas isso está misturado a concepções sobre honra, justiça, obrigação.&amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E o que isso tem a ver com a economia na favela? Reconhecer que valores, concepções de mundo, afetos, fazem parte das práticas econômicas, dá um sentido diferente a como se enxerga a economia em qualquer lugar. Especificamente sobre as favelas, associadas historicamente à pobreza, isso permite criticar duas coisas importantes. De um lado, a ideia de uma economia caótica e sem princípios, porque praticada por pessoas irracionais que “não sabem” administrar suas vidas econômicas ou, por outro lado, pessoas guiadas pela necessidade e ganho imediato produzindo uma economia predatória. Reconhecer a relação entre as moralidades, as relações e as concepções de mundo e as práticas econômicas significa reconhecer que existem princípios e sentidos nas formas como as pessoas fazem as coisas, independente da quantidade de dinheiro que elas possuam. &amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Economia e gênero &amp;amp;nbsp;&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As práticas econômicas reais e cotidianas na favela mostram a centralidade das mulheres na gestão do dinheiro das famílias, no planejamento de curto e longo prazo. Permitir que as mulheres, suas habilidades e suas atividades, sejam visíveis é uma das coisas que uma visão da economia cotidiana permite.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os homens estão mais presentes à frente de negócios, na direção de empresas, na tomada de decisão sobre políticas públicas. Uma percepção de que a economia se resume aos espaços formais e reconhecidos como exclusivamente “de mercado” dá a impressão de que economia “é coisa de homem”. Mas, vista a partir da favela e de suas casas, a economia é feminina.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dentro das casas, em geral são as mulheres que controlam os gastos do dinheiro. Cuidam de fazer as costas e calcular o que se pode gastar com o quê, preveem e planejam gastos maiores, poupando e fazendo as adaptações necessárias. Nas famílias em que a alimentação representa grande parte dos gastos, escolher o que e onde comprar são decisões estratégicas que precisam ser combinadas com a disponibilidade de tempo para cozinhar ou capacidade de armazenar comida, por exemplo. Esses são cálculos complexos e estratégicos, fundamentais para entender como as pessoas organizam a vida.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Atividades mais associadas ao trabalho feminino doméstico e de cuidado com a família, como cuidar das crianças, cozinhar, costurar e fazer faxina, podem ser (e comumente são) revertidos em fontes de renda temporárias ou permanentes, ajudando a manutenção das casas. Esse mesmo tipo de atividade pode participar de maneira importante nas estratégias econômicas familiares mesmo quando não se fazem em troca direta de dinheiro. Um bom exemplo é o cuidado dos filhos de parentes e amigas, que permite às mães trabalharem fora de casa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A transformação das próprias casas em espaços de negócios também são práticas importantes para entender a economia da favela. Oferecimento de serviços ligados à beleza (cabeleireiro e manicure), a venda de produtos em domicílio, por exemplo, podem ser feitos com pouco investimento e dentro do próprio espaço doméstico, permitindo às mulheres intercalar os cuidados da casa com comércio.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A economia cotidiana torna visível a centralidade das mulheres na economia, os cálculos complexos que elas fazem, sua importância em garantir a continuidade da vida por meio do desenvolvimento de estratégias que conjugam demandas imediatas (haver comida para cada refeição) e planos de longo prazo (comprar uma casa, garantir a educação dos filhos).&amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp; &amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Especificidades das favelas &amp;amp;nbsp;&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ao olhar para a economia da favela por meio da noção de economia cotidiana o que fica claro é que não distinção fundamental entre as práticas econômicas da e na favela e qualquer outro lugar. Ou melhor. Não existem princípios, sentidos exclusivos. Também não existe separação entre os mercados e atividades nas favelas do resto da cidade ou do mundo. Em termos fundamentais, a economia da favela é a economia. Ponto. Um conjunto de atividades humanas, sociais, integradas a todas as outras.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas então, por que vem da observação da favela essa ideia de economia cotidiana? E, se não há uma “economia favelada”, ou coisa que o valha, porque chamar atenção para economia nesse espaço?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Existem algumas características, especialmente ligadas às formas de organizar o espaço, transformá-lo e usá-lo que conferem às favelas um caráter relativamente específico. Relativamente, porque, como muitos autores chamam atenção, não existe nenhuma definição objetiva e neutra que dê conta de caracterizar aquilo que (todas ou quase todas) as pessoas compreendem por favela. Esse é um termo em disputa, que transforma no tempo. Apontar as supostas especificidades de maneira peremptória seria entrar nesse debate, que não é objeto deste texto. Mas vamos a uma proposição provisória.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A liberdade construtiva, ou seja, a relativa facilidade de se construir e transformar edificações e espaços de circulação, participam de uma configuração da vida que permite algumas coisas. A transformação de espaços das casas em espaços de negócios, a multiplicação das casas por meio de expansões e divisões, por exemplo, dão características importantes ao mercado imobiliário nas favelas e oferecerem possibilidades para atividades econômicas. A alta densidade de ocupação também promove uma proximidade entre as pessoas que facilita certas transações e arranjos que conformas as condições para o desenvolvimento de atividades econômicas.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A liberdade construtiva e a densidade são condições presentes nas favelas que oferecem restrições e possibilidades, que configuram a economia de maneira tal que a relação entre as práticas econômicas e as casas se apresenta de forma acentuada. Ou seja, não é que essas relações sejam específicas da favela, mas as especificidades da favela dão a elas maior destaque e importância.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Referências&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
BECKER, Gary. (1991) [1981]. A treatise on the family. Cambridge, Massachusetts: Harvard University Press. ISBN 9780674906983.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
HART, Keith. (1973). Informal income opportunities and urban employment in Ghana. Journal of Modern African Studies, 11/1, p. 61-89.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
MACHADO DA SILVA, Luiz Antonio. (2018). Mercados metropolitanos de trabalho manual e marginalidade. In: O mundo popular: trabalho e condições de vida. Org. Mariana Cavalcanti, Eugênia Motta &amp;amp; Marcella Araujo. Rio de Janeiro: Papéis Selvagens.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
MOTTA, Eugênia. (2014). Houses and economy in the favela. Vibrant – Virtual Brazilian Anthropology, v. 11, n. 1. Brasília, ABA.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
MOTTA, Eugênia. (2016). Casas e economia cotidiana. In: RODRIGUES, Rute (org.) Vida social e política nas favelas: pesquisas de campo no Complexo do Alemão. Rio de Janeiro: Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada - IPEA, 2016, p. 197-214.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
POLANYI, Karl. (1957). Aristotle discovers the economy. In&amp;amp;nbsp; POLANYI, Karl et al. (Eds.). Trade and Market in the Early Empires. New York: The Free Press.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
RABOSSI, Fernando. (2019). Los Caminos de la Informalidad. Sociol. Antropol.,&amp;amp;nbsp; Rio de Janeiro , v. 9, n. 3, p. 797-818.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
ZELIZER, Viviana. (2005). The purchase of intimacy. Princeton, N.J.: Princeton University Press.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Category:Economia]] [[Category:Trabalhadores Favelados]] [[Category:Trabalho]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Thiago Matiolli</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://homologacao2.wikifavelas.com.br/index.php?title=Complexos_de_Favelas&amp;diff=3513</id>
		<title>Complexos de Favelas</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://homologacao2.wikifavelas.com.br/index.php?title=Complexos_de_Favelas&amp;diff=3513"/>
		<updated>2020-01-24T17:53:08Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Thiago Matiolli: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&lt;br /&gt;
Autor:&amp;amp;nbsp;[[Usuário:Thiago_Matiolli|Thiago Matiolli]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;De uns tempos para cá, o uso da noção de “comple&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;xo” para se tratar de algumas favelas da cidade do Rio de Janeiro - e mesmo de outro municípios próximos, como os da Baixada Fluminense - se tornou comum. Apenas para citar alguns deles: Complexo do Alemão, da Maré, da Penha, de Manguinhos, de Acari, da Pedreira, do Chapadão e por aí vai. Está presente no vocabulário de acadêmicos, agentes públicos, atores políticos, jornalistas e de cariocas em geral. Em alguma medida, ela acabou se somando a certas discussões, mais ou menos formais, sobre a nomeação de certos espaços da cidade: favelas, comunidades ou, de algum tempo pra cá, complexos de favelas (entre outras possibilidades)?&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É neste contexto que este verbete está inserido. Seu objetivo não é apresentar uma explicação última para este termo ou definição correta para se nomear certas favelas da cidade. Quer dizer, não se busca nestas páginas determinar que o termo “complexo” só pode ser usado nas situações específicas que descreveremos ou ainda que tal ou qual favela deva ser vista apenas como um “complexo”, e não de outras formas.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O que esperamos, ao fim do texto, é deixar claro como esta noção surgiu e se desenvolveu ao longo do tempo, especialmente na década de 1980, e destacar o que vemos como suas características mais interessante, ao menos do ponto de vista sociológico: em primeiro lugar, trata-se de uma nova escala espacial na cidade que se soma com aquelas já existentes, sem apagá-las, mas que torna o espaço urbano mais rico e complexo - sem trocadilhos; em segundo lugar, a forma como se nomeia os espaços como “complexos” varia de acordo com os interesses e pertencimentos envolvidos, de modo que, se certa favela é vista como “complexo” ou não por pessoas (ou instituições) diferentes, isso não significa que uma estará mais certa que a outra, mas que os sentidos conferidos à noção e à relação com lugar são diferentes.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Então, o objetivo do texto é contribuir para as discussões citadas acima, sem pretensões de conduzir o debate para um caminho que seria mais “correto”. Porém, se não pretendemos determinar nada, podemos, pelo menos, destacar algumas coisas que devem ser evitadas. E a principal delas é a criação de uma divisão simplista entre um Estado malvado, de um lado, e os moradores de favelas, do outro, na qual o primeiro teria desenvolvido a noção de “complexo” para aprimorar o controle militarizado da vida dessas populações, que não se identificam com este novo lugar. Não se vai negar que o aparelhos de governo aperfeiçoam constantemente tecnologias de controle social sobre as pessoas, o que se quer dizer é que a relação do desenvolvimento de uma nova escala espacial na cidade com essas técnicas de controle pode não ser tão simples e imediata assim.&amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Vejamos, brevemente e a título de ilustração, o trabalho de Marcos Alvito (2003) fruto de sua tese de doutorado defendida no fim da década de 1990, quando, como afirma o autor, o uso do termo “complexo”, já era amplamente utilizado. A partir de sua experiência, ele sugere que o termo seria um desdobramento da ideia de “complexo penitenciário”. O que coloca sua origem no seio do aparelho repressivo-policial do Estado e de uma lógica militarizada, o que permitiria, por exemplo, pensar como território único, um conjunto de favelas interligadas, como no caso do “&#039;Complexo de Acari&#039;, englobando um conjunto de 10 favelas (próximas, mas não contíguas) que estariam sob o controle de um único traficante” (Alvito, 2003, pg. 53). Esta possibilidade de explicação para a emergência da ideia de “complexo”, ainda que tenha se mostrado insatisfatória, em nada desmerece a análise, tendo em vista as informações disponíveis na época. E, diga-se de passagem, essa sugestão vigorou por muitos anos.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Porém, em seguida, ele trata do “famigerado” Complexo de Acari, “conceito vindo de fora e que não serve, de forma alguma, para a construção de uma identidade. Jamais ouvi alguém dizer que morava no Complexo de Acari” (Alvito, 2003, pg. 54). Aqui, nota-se, de modo mais claro, a reprodução da divisão simplista apontada acima e isso o impede de compreender seja os efeitos concretos da ideia de “complexo”, seja os processos de formação de identidade. O fato dele não ter encontrado uma única pessoa que se identificasse com o “Complexo de Acari” não implica que ninguém o fizesse; e, o fato de que lá ninguém se reconhecia como morador do “Complexo de Acari” não significa que, noutros lugares, a mesma coisa acontecesse. Até porque os processos de formação dos “complexos de favela” se territorializam de modo e em temporalidades diferentes&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Isto posto, e evitando fazer denúncia fundadas numa dicotomia imaginária, nas próximas seções, vamos fazer uma análise socio-histórica da noção de “complexo”, não para resolver de vez essa questão, mas para trazer contribuições para o debate.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Como urbanizar?&amp;amp;nbsp;&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A virada da década de 1970 para a de 1980 já é reconhecida como período no qual a solução governamental para o problema das favelas no Rio de Janeiro passou a ser sua urbanização, preterindo as remoções. Essa história está muito bem documentada em diversos trabalhos, como pode ser visto, entre outros, em Valla (1986), Burgos (1998), Machado da Silva (2002), Valladares (2005) e Gonçalves (2013). Mas, pouco se estudou um efeito mais sutil dessa mudança de diretriz, qual seja, a questão que se colocou para os órgãos do governo municipal: como urbanizar? Em torno desta pergunta vão se articular três aspectos da política urbana carioca no início dos anos 1980: a formação de um novo quadro técnico e a produção massiva de conhecimento sobre as favelas; o desenvolvimento de uma nova forma de entender esses espaços, como aglomerados (conurbações de favelas); e a incidência da ação das agências multilaterais no surgimento de uma nova etapa do problema da favela. Aqui trataremos apenas do segundo aspecto, pois é desta perspectiva que a noção de “complexo” aplicada a determinadas favelas vai ser desenvolvida.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As intervenções de urbanização, sobretudo as de saneamento, deveriam considerar a homogeneidade territorial de favelas distintas; isto é, as ações em uma localidade teriam impacto sobre outras, por conta de características geográficas em comum entre elas. Isto é, favelas vizinhas umas às outras, que tinham sua história própria, mas compartilhavam as mesmas características geográficas seriam objetos da mesma intervenção de urbanização. Buscando soluções para esta configuração, os técnicos da Prefeitura responsáveis por pensar as intervenções de urbanização, desenvolveram, inicialmente, a concepção de conurbação de favelas, seguida pela de “aglomerados”, de modo a dar conta dessa dupla dimensão socioespacial: heterogeneidade social e homogeneidade topográfica. Com o passar do tempo a ideia vai de “aglomerado” vai sendo intercalada com a de “conjunto de favelas” e, finalmente, substituída pela de “complexo”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Trata-se, efetivamente, da produção de uma nova escala espacial no município do Rio de Janeiro que se soma a outras já existentes como as de bairro ou de favela. E não é uma simples questão conceitual, pois ela terá efeitos práticos na gestão urbana carioca. A principal delas é uma alteração na hierarquia das favelas na cidade, através da produção de novos espaços na cidade como os Complexos do Alemão e da Maré. Como pode ser visto nas tabelas abaixo, apresentadas no documento “Contribuição dos dados de população das favelas do Município do Rio de Janeiro” (1984), produzido pelo IPLANRIO.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Tabela 1 – “10 Favelas mais populosas do Município do Rio De Janeiro – 1980”&#039;&#039;&#039;&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{| border=&amp;quot;1&amp;quot; cellpadding=&amp;quot;1&amp;quot; cellspacing=&amp;quot;1&amp;quot; style=&amp;quot;width: 500px;&amp;quot;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | Ordem&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 295px; text-align: center;&amp;quot; | Nome&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | R.A&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 88px; text-align: center;&amp;quot; | População&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | 1º&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 295px;&amp;quot; | Rocinha&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | VI&lt;br /&gt;
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|-&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | 2º&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 295px;&amp;quot; | Jacarezinho&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | XII&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 88px; text-align: right;&amp;quot; | 31.405&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | 3º&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 295px;&amp;quot; | Nova Brasília&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | XII&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 88px; text-align: right;&amp;quot; | 19.909&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | 4º&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 295px;&amp;quot; | Vila do Vintém&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | XVII&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 88px; text-align: right;&amp;quot; | 15.877&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | 5º&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 295px;&amp;quot; | Gleba I da antiga Fazenda Botafogo&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | XXII&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 88px; text-align: right;&amp;quot; | 14.721&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | 6º&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 295px;&amp;quot; | Fazenda Coqueiro&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | XVII&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 88px; text-align: right;&amp;quot; | 14.115&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | 7º&lt;br /&gt;
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| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | X&lt;br /&gt;
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|-&lt;br /&gt;
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| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | X&lt;br /&gt;
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|-&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | 9º&lt;br /&gt;
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| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | XI&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 88px; text-align: right;&amp;quot; | 13.564&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | 10º&lt;br /&gt;
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| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | X&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 88px; text-align: right;&amp;quot; | 13.115&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:x-small;&amp;quot;&amp;gt;Fonte: IPLANRIO, Contribuição dos dados de população das favelas do Município do Rio de Janeiro (1984) &amp;amp;nbsp;&amp;lt;/span&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E, na página 8, esta outra:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Tabela 2 – “10 Favelas ou Aglomerados de Favelas mais Populosas do Município do Rio de Janeiro – 1980”&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{| border=&amp;quot;1&amp;quot; cellpadding=&amp;quot;1&amp;quot; cellspacing=&amp;quot;1&amp;quot; style=&amp;quot;width: 507px;&amp;quot;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
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|-&lt;br /&gt;
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| style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | X&lt;br /&gt;
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|-&lt;br /&gt;
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|-&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | 3º&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 301px;&amp;quot; | Rocinha&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | VI&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 91px; text-align: right;&amp;quot; | 32.996&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | 4º&lt;br /&gt;
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| style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | XII&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 91px; text-align: right;&amp;quot; | 31.405&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
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| style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | X-XI&lt;br /&gt;
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|-&lt;br /&gt;
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| style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | III&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 91px; text-align: right;&amp;quot; | 20.354&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
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| style=&amp;quot;width: 301px;&amp;quot; | Parque Jardim Beira Mar, Parque Proletário de Vigário Geral e Te contei&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | XI&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 91px; text-align: right;&amp;quot; | 18.364&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
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| style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | XXII&lt;br /&gt;
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|-&lt;br /&gt;
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| style=&amp;quot;width: 91px; text-align: right;&amp;quot; | 15.877&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | 10º&lt;br /&gt;
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| style=&amp;quot;width: 91px; text-align: right;&amp;quot; | 15.038&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:x-small;&amp;quot;&amp;gt;Fonte: IPLANRIO, Contribuição dos dados de população das favelas do Município do Rio de Janeiro (1984)&amp;lt;/span&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É possível ver, a partir destas tabelas, uma mudança na hierarquia das maiores favelas da cidade do Rio de Janeiro, com a consideração dos complexos ou “aglomerados de favelas”. Não se trata de mera manipulação de dados, mas sim do efeito de um processo minucioso de análise e produção de informações que subsidiassem as ações de urbanização de favelas na cidade. E, como foi dito, também não se trata de simples questão conceitual, pois isso impacta diretamente a tomada de decisões do governo municipal carioca. Consideradas de modo isoladas, as quatro maiores favelas do Rio de janeiro seriam: Rocinha, Jacarezinho, Nova Brasília e Vila do Vintém (tabela 1); considerando os ”complexos”, esse ranking muda e temos como maiores espaços favelados do município: Complexo da Maré, do Alemão, Rocinha e Jacarezinho. Vejamos como isso impacta o tratamento do problema da favela na cidade do Rio de Janeiro em três momentos.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O primeiro deles está situado nos primeiros anos da década de 1980. Período marcado, no governo municipal, pelo desenvolvimento do Cadastro de Favelas (IPLANRIO, 1983). Publicado em 1983, os trabalhos de pesquisa para sua construção começaram em 1980/81 e as informações produzidas neste processo alimentaram uma séries de ações governamentais dos três níveis de governo: municipal, estadual e federal. É no seio dos estudos para construção do Cadastro de Favelas que a noção de aglomerados e complexos de favelas se consolida.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No período de 1980-1983, uma série de ações de urbanização de favelas, dos diversos níveis de governo, são realizadas, como o processo de eletrificação de favelas pela Light e o Proface/CEDAE, cujo objetivo era levar água de modo sistemático e estruturado para as favelas da cidade. O que esses programas têm em comum é o fato de serem setoriais, isto é, referem-se a um tipo de serviço público específico (luz e água, respectivamente), a ser implantado em um&amp;amp;nbsp; grande número de favelas. Mas, há outro tipo de ações concentrados em uma única favela ou conjunto de favelas, como o projeto Mutirão/UNESCO, o Projeto Rio&amp;lt;ref&amp;gt;Muito já foi produzido sobre o Projeto Rio ao longo dos anos desde sua realização, abordando diversos aspectos, desde a mobilização social desenvolvida no momento de sua implantação até aspectos técnicos do Projeto. A título de aproximação inicial, sugerimos como material de consulta sobre o Projeto Rio, as matérias produzidas pelo Rio on Watch, disponíveis no link: https://rioonwatch.org.br/?p=26789&amp;lt;/ref&amp;gt;&amp;amp;nbsp;e o Projeto de Desenvolvimento Social de Favelas do Rio de Janeiro&amp;lt;ref&amp;gt;Sobre o Projeto de Desenvolvimento Social de Favelas do Rio de Janeiro, ver, neste dicionário, o verbete “Pertencimento ao Complexo do Alemão”. &amp;lt;/ref&amp;gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O projeto Mutirão foi uma ação realizada através de uma parceria entre a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social (SMDS) e a UNESCO, realizada na Rocinha e que visava a realização de ações de urbanização na área em regime de ajuda mútua; o Projeto Rio, foi uma grande intervenção na produção de infraestrutura urbana e moradias, levada a cabo pelo Governo Federal na área atualmente conhecida como Complexo do Maré; já o Projeto de Desenvolvimento Social de Favelas do Rio de Janeiro é um grande diagnóstico elaborado pela SMDS, com financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), sobre as favelas do Jacarezinho e do Complexo do Alemão. É possível ver que a realização das quatro maiores intervenções concentradas em uma favela ou conjunto de favelas na cidade do Rio de Janeiro no início dos anos 1980 se baseou em uma nova hierarquia urbana, impactada pelo desenvolvimento da noção de aglomerado ou complexo de favelas.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O segundo momento inicia-se no ano de 1986, sob a gestão do prefeito Saturnino Braga, com a criação das primeiras Regiões Administrativas sediadas em favelas. Braga foi eleito para um mandato de três anos, compreendido entre 1986 e 1988, na primeira eleição direta para prefeito após duas décadas de ditadura civil militar. Ele inicia sua gestão pelo PDT e a termina, após o rompimento com o partido do governador Leonel Brizola, filiado ao PSB. Umas das principais características do governo de Saturnino foi seu esforço de descentralização administrativa no município, através de seus Conselhos Governo-Comunidade (CGC). Não uma iniciativa simplesmente burocrática, mas um esforço político de fortalecimento das bases, conferindo aos CGC’s alguma autonomia política para se organizarem, mas também para decidir a melhor aplicação dos recursos e serviços públicos em suas localidades. O que, por sua vez vai implicar na criação de uma nova arena local de disputa política e controle social (Burgos, 1992; Braga, 1989).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O objetivo da gestão de Saturnino era transformar as RAs em Conselhos Governo-Comunidade: uma instância local de interlocução entre os órgãos setoriais de governo e representantes comunitários, bem como ser um instrumento de organização e composição de bases partidárias locais. Na concepção do governo municipal, esperava-se que os administradores regionais atuassem coordenando as ações do poder público nas áreas sob sua atuação articulando-as com as demandas populares, agindo como uma espécie de gerente local. Conjugada com essa desconcentração administrativa, a Prefeitura buscava promover uma descentralização orçamentária, a partir da qual certas intervenções fossem decididas, inclusive na dotação de recursos, nas arenas das RAs/Conselhos.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A proposta enfrentou uma série de desafios, de modo que sua implantação foi parcial e alguns desses pressupostos apresentados, sobretudo a descentralização econômica, não foram alcançados. As dificuldades financeiras da Prefeitura se refletiam nas limitações postas à aplicação das decisões tomadas na esfera dos Conselhos, com relação a obras ou prestação de serviços. As resistências políticas também não foram pequenas.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Contudo, em que pese a não realização plena do projeto de Saturnino, nos interessa que nesse processo foram criadas novas Regiões Administrativas, nas quatro maiores favelas do município: Rocinha (XXVII R.A.), Jacarezinho (XXVIII R.A.), Complexo do Alemão (XXIX) e Maré (XXX). Note-se, em primeiro lugar, que a XXIX R.A. tem como jurisdição o Complexo do Alemão, nome oficial do Bairro, com o “complexo” e tudo; em segundo lugar, que os lugares escolhidos só podiam ser pensados como as maiores favelas da cidade, por conta da concepção dos aglomerados de favelas, como visualizado na Tabela 2. Se o parâmetro fosse apenas as favelas “isoladas”, seriam criadas as da Rocinha e Jacarezinho, junto com Nova Brasília e Vila do Vintém (Tabela 1).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O terceiro momento nos remete à década de 1990. Com a transformação dessas áreas compreendidas pelas novas Regiões Administrativas em bairros e com o programa Favela-Bairro. Com relação a criação dos bairros, com relação ao Complexo do Alemão e à Maré, recomendamos a leitura dos verbetes “Pertencimento ao Complexo do Alemão” e o “Bairro da Maré”, neste dicionário. Aqui, trataremos apenas do programa Favela-Bairro.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como foi destacado por Burgos (1998), desde a experiência da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social, ficou evidente, para os órgãos municipais, que ações pontuais não resolveriam os problemas de urbanização de favelas e, por outro lado, ao longo de toda a década de 1980 teria se acumulado, nos quadros da Prefeitura, conhecimentos e experiências que se mostraram fundamentais para a construção&amp;amp;nbsp; do projeto Favela-Bairro. Neste sentido, gostaríamos de destacar dois pontos. Primeiro, a continuidade da percepção de que favelas contíguas entre si deveriam ser pensadas como uma unidade. Na nota 36 do texto de Burgos (1998), o autor reproduz o seguinte texto, fruto de um documento da Prefeitura:&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;Outra advertência a se feita é que as favelas “conurbadas” foram tratadas como um conjunto único e nunca isoladamente, já que se considerou que tais favelas “formam uma única realidade geoambiental, não obstante mantenham identidades socioculturais próprias” (PMRJ, 1995:5 Apud Burgos, idem, pg. 58).&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E o autor segue:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;Em alguns casos, como se pode observar na lista de 16 favelas selecionadas, duas ou mais são consideradas parte de um único complexo. Eis a lista: Parque Royal; Canal das Tachas/Vila Amizade; Grotão; Serrinha; Ladeira dos Funcionário/Parque São Sebastião; Caminho do Job; Escondidinho; Morro da Fé; Vila Cândido/Guararapes/Cerro-Corá; Chácara Del Castilho; Mata Machado; Morro dos Prazeres; morro União; Três Pontes; Fernão Cardim; e Andaraí&amp;quot; (BURGOS, 1998, pg. 58).&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se houve “experiência” acumulada nos quadros técnicos da Prefeitura ao longo da década de 1980, cabe destacar a consolidação de um entendimento das favelas como aglomerados e sua percepção como complexos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O segundo ponto trata dos critérios de seleção das áreas que iriam receber intervenções do Favela-Bairro. O primeiro deles foi de que seriam selecionadas para o Programa apenas aquelas definidas como de porte médio, isto é, compostas por 500 a 2.500 domicílios e habitadas por entrre 2.000 e 10.000 habitantes. Trabalhar com as maiores (que seriam 15) seria muito custoso e a dispersão das pequenas favelas, implicaria em menor otimização dos recursos (Burgos, 1998).&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nesse processo de classificação das favelas, o critério dos aglomerados ou complexos de favelas transformou pequenas favelas em médias ou grandes, incluindo-as no programa ou excluindo-as do critério de porte médio. Como foi o caso do Complexo do Alemão. Não entramos nos dados produzidos para classificação das áreas aptas para receber ou não o Favela-Bairro, mas tendo em vista os números do documento Contribuição dos dados (1984) e a justificativa para criação das quatro novas Regiões Administrativas no governo Saturnino, podemos concluir que o fato de nenhuma das favelas que compunham o Complexo do Alemão receberam intervenções do Favela-Bairro por constituírem uma unidade só, conurbada e considerada de grande porte.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esse três momentos históricos ilustram como foi desenvolvida e consolidada, no seio de um quadro técnico da Prefeitura, a noção de “complexo” de favela. Não explicam, necessariamente, como o seu uso se ampliou e foi apropriado por outros atores políticos urbanos como os jornalistas, outros agentes públicos e mesmo entre as/os cariocas de maneira geral; tampouco, dão conta dos novos sentidos que lhe são atribuídos aos longos dos últimos anos, como uma possível lógica militarizada por trás de sua operação. Mas, não é por isso que esta análise histórica deixa de contribuir para uma compreensão do presente. Como veremos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Novas escalas urbanas&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O resgate histórico feito nas páginas acima, ainda que não avance para além do início da década de 1990, traz contribuições para pensarmos o presente, sobretudo, quando analisamos a mudança na hierarquia urbana que ela produziu e, por consequência, na escolha de áreas que receberão recursos, serviços e programas. Isso mostra que o surgimento dos “complexos” de favelas, no seio da gestão urbana municipal, promoveu a produção de uma nova escala urbana de pertencimento e de realização de políticas públicas (Matiolli, 2016).&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Neste verbete, a dimensão da elaboração de políticas públicas ficou mais evidente, quando vimos os projetos de urbanização do início da década de 1980, a criação das Regiões Administrativas em 1986 e o programa Favela-Bairro. Em todos estes casos, tratou-se de decisões baseadas na produção desses novos espaços na cidade, os complexos ou aglomerados de favelas. Essa percepção não implica no reconhecimento da heterogeneidade interna de uma grande favela, como as diversas áreas que existem no interior da Rocinha ou do Jacarezinho, por exemplo, com suas peculiaridades; mas, em conceber pequenas favelas, com suas trajetórias próprias, como se fossem uma unidade territorial nova. Uma das vantagens de pensar nos complexos como novas escalas de pertencimento e realização de políticas públicas é que nos permite fugir da dicotomia imaginária identificada no início do verbete. De duas maneiras.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Primeiro, enquanto escala de realização de políticas públicas, é possível perceber que o Estado não age de modo unitário, isto é, o fato de um órgão público reconhecer tal área como complexo não significa que outros trabalharão com a mesma definição. Não há uma determinação geral e unificada de que áreas são complexas e quais não são. Como exemplo, basta ver os diferentes mapas de atuação que circulam entre os órgãos de saúde, os de segurança ou ainda os correios, não necessariamente os lugares são nomeados da mesma forma. Há uma infinidade de definições.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bem como são múltiplas as definições do Complexo do Alemão, se você pergunta a uma moradora ou morador onde começa e termina o bairro. Há quem diga , por exemplo, que o Morro do Adeus faz parte e outras que o excluem se sua percepção do Alemão; há quem o associe ao Complexo da Penha; e por aí vai. Assim, enquanto nova escala de pertencimento, as pessoas que ali vivem podem ter mais uma referência de lugar para evocar, se lhe for estratégico; em outras palavras, não é que as/os moradoras/es não se identifiquem com o “complexo”, e sim que vão acionar seu pertencimento a ele de acordo com as circunstâncias.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quando vemos a organização política no Complexo do Alemão nos últimos anos, é possível ver que as associações de moradores criadas na região que veio a ganhar esse nome se referenciam a suas localidades como a Nova Brasília, o Morro do Alemão, a Baiana, Grota entre outras. Diferentemente das novas organizações sociais que vão surgir no fim da década de 1990, com as ONG’s, inicialmente, e, mais recentemente, os coletivos, que vão ter como referência local, o Complexo do Alemão. O que cria uma intricada cartografia política que vai gerar as mais diversas alianças, como, por exemplo, no caso do Juntos pelo Complexo do Alemão&amp;lt;ref&amp;gt;Para versões mais detalhadas desse exemplo, ver, neste dicionário, os verbetes: “pertencimento ao Complexo do Alemão”; “As associações de moradores do Complexo do Alemão” e “Juntos pelo Complexo do Alemão”.&amp;lt;/ref&amp;gt;.&amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para além da dimensão da ação coletiva, do ponto de vista individual, é possível ver como as pessoas também podem acionar positivamente o Complexo do Alemão em suas iniciativas. Ao longo dos anos mais recentes, é possível ver empreendimentos locais que viram, na existência do “Complexo” uma marca que acionaram em seus negócios, como no caso da agência de turismo “Turismo no Alemão”, a marca de roupas “Complexidade urbana” e mesmo a cerveja “Complexo do Alemão”.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A existência do Complexo do Alemão como lugar de moradia na cidade não só não é, necessariamente, negada por seus moradores, como é acionada em diversos momentos, situações, segundo as visões estratégicas de seus moradores e organizações sociais. Evidentemente que, a vivência&amp;amp;nbsp; e pertencimentos aos complexos vão variar de lugar para lugar, e nem todas reproduzirão essa relação existente no Alemão. O que é mais uma vantagem da perspectiva dos “complexos” de favela como escala espacial urbana, pois abre um leque de possibilidades não vislumbradas nesse texto.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como foi dito no início, não foi o objetivo deste texto oferecer uma explicação final e definitiva para a noção de “complexo” de favelas, mas contribuir para o debate a partir de um trabalho de análise e resgate histórico da produção dessa nova escala espacial na cidade. E assim, como esperamos ter ficado claro, não acabamos com a conversa, pelo contrário, apenas abrimos alguns horizontes de reflexão, que consideram desde as diversas vivências, trajetórias e pertencimentos aos complexos de favelas até investigações e críticas sobre os usos dessas escalas por atores políticos como a imprensa e outros órgãos públicos, como os de segurança; mas, sempre, desviando de certas limitações consolidadas no imaginários sobre as favelas do Rio de Janeiro. .&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICAS&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
ALVITO, Marcos . As Cores de Acari. 1. ed. Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas, 2003. v. 1. 300p&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
BRAGA, Roberto Saturnino. Governo Comunidade: Socialismo no Rio. Rio de Janeiro, Ed. Paz e Terra, 1989.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
BURGOS, Marcelo. A falência da Prefeitura do Rio de Janeiro: 1988. Dissertação apresentada para obtenção do grau de Mestre em Planejamento Econômico e Políticas Públicas, Instituto de Economia Industrial da Universidade Federal do Rio de Janeiro, 1992.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
__________. (1998) Dos Parques Proletários ao Favela-Bairro: as políticas públicas nas favelas do Rio de Janeiro. In.: ZALUAR, A. E ALVITO, M. (Org.). Um Século de Favela. Rio de Janeiro, Ed. FGV, pp. 25-58.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
IPLANRIO – Instituto de Planejamento Municipal. Cadastro de Favelas, 2ª edição, Rio de Janeiro, 1983.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
_________. (1983) Projeto de Desenvolvimento Social de Favelas do Rio de Janeiro, Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social, Versão Preliminar.&lt;br /&gt;
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MACHADO DA SILVA, Luiz Antonio. A continuidade do “problema da favela”. In: Oliveira, Lúcia Lippi (org). Cidade: Histórias e Desafios. Rio de Janeiro: Ed. Fundação Getúlio Vargas, 2002. p. 220 – 237.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
MATIOLLI, Thiago Oliveira Lima. Matiolli. O que o Complexo do Alemão nos conta sobre a cidade do Rio de Janeiro: poder e conhecimento no Rio de Janeiro no início dos anos 80. 2016. 234f. Tese de Doutorado em Ciências. Programa de Pós-Graduação em Sociologia, Universidade de São Paulo, São Paulo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
_________.Notas sobre o surgimento do bairro do Complexo do Alemão. In.: RODRIGUES, Rute Imanishi. Vida Social e Política nas Favelas: pesquisas de campo no Complexo do Alemão. Brasília: IPEA, 2016.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
VALLA, Victor V. (org). Educação e Favela: políticas para as favelas do Rio de Janeiro, 1940-1985. Rio de Janeiro: Vozes, 1986.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
VALLADARES, Licia do Prado. A invenção da favela: do mito de origem à favela.com. Rio de Janeiro: editora FGV, 2005. na próxima seção.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Thiago Matiolli</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://homologacao2.wikifavelas.com.br/index.php?title=Complexos_de_Favelas&amp;diff=3512</id>
		<title>Complexos de Favelas</title>
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		<updated>2020-01-24T17:51:40Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Thiago Matiolli: Desfeita a edição 3511 de Thiago Matiolli (Discussão)&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&lt;br /&gt;
Autor:&amp;amp;nbsp;[[Thiago_Matiolli|Thiago Matiolli]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;De uns tempos para cá, o uso da noção de “comple&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;xo” para se tratar de algumas favelas da cidade do Rio de Janeiro - e mesmo de outro municípios próximos, como os da Baixada Fluminense - se tornou comum. Apenas para citar alguns deles: Complexo do Alemão, da Maré, da Penha, de Manguinhos, de Acari, da Pedreira, do Chapadão e por aí vai. Está presente no vocabulário de acadêmicos, agentes públicos, atores políticos, jornalistas e de cariocas em geral. Em alguma medida, ela acabou se somando a certas discussões, mais ou menos formais, sobre a nomeação de certos espaços da cidade: favelas, comunidades ou, de algum tempo pra cá, complexos de favelas (entre outras possibilidades)?&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É neste contexto que este verbete está inserido. Seu objetivo não é apresentar uma explicação última para este termo ou definição correta para se nomear certas favelas da cidade. Quer dizer, não se busca nestas páginas determinar que o termo “complexo” só pode ser usado nas situações específicas que descreveremos ou ainda que tal ou qual favela deva ser vista apenas como um “complexo”, e não de outras formas.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O que esperamos, ao fim do texto, é deixar claro como esta noção surgiu e se desenvolveu ao longo do tempo, especialmente na década de 1980, e destacar o que vemos como suas características mais interessante, ao menos do ponto de vista sociológico: em primeiro lugar, trata-se de uma nova escala espacial na cidade que se soma com aquelas já existentes, sem apagá-las, mas que torna o espaço urbano mais rico e complexo - sem trocadilhos; em segundo lugar, a forma como se nomeia os espaços como “complexos” varia de acordo com os interesses e pertencimentos envolvidos, de modo que, se certa favela é vista como “complexo” ou não por pessoas (ou instituições) diferentes, isso não significa que uma estará mais certa que a outra, mas que os sentidos conferidos à noção e à relação com lugar são diferentes.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Então, o objetivo do texto é contribuir para as discussões citadas acima, sem pretensões de conduzir o debate para um caminho que seria mais “correto”. Porém, se não pretendemos determinar nada, podemos, pelo menos, destacar algumas coisas que devem ser evitadas. E a principal delas é a criação de uma divisão simplista entre um Estado malvado, de um lado, e os moradores de favelas, do outro, na qual o primeiro teria desenvolvido a noção de “complexo” para aprimorar o controle militarizado da vida dessas populações, que não se identificam com este novo lugar. Não se vai negar que o aparelhos de governo aperfeiçoam constantemente tecnologias de controle social sobre as pessoas, o que se quer dizer é que a relação do desenvolvimento de uma nova escala espacial na cidade com essas técnicas de controle pode não ser tão simples e imediata assim.&amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Vejamos, brevemente e a título de ilustração, o trabalho de Marcos Alvito (2003) fruto de sua tese de doutorado defendida no fim da década de 1990, quando, como afirma o autor, o uso do termo “complexo”, já era amplamente utilizado. A partir de sua experiência, ele sugere que o termo seria um desdobramento da ideia de “complexo penitenciário”. O que coloca sua origem no seio do aparelho repressivo-policial do Estado e de uma lógica militarizada, o que permitiria, por exemplo, pensar como território único, um conjunto de favelas interligadas, como no caso do “&#039;Complexo de Acari&#039;, englobando um conjunto de 10 favelas (próximas, mas não contíguas) que estariam sob o controle de um único traficante” (Alvito, 2003, pg. 53). Esta possibilidade de explicação para a emergência da ideia de “complexo”, ainda que tenha se mostrado insatisfatória, em nada desmerece a análise, tendo em vista as informações disponíveis na época. E, diga-se de passagem, essa sugestão vigorou por muitos anos.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Porém, em seguida, ele trata do “famigerado” Complexo de Acari, “conceito vindo de fora e que não serve, de forma alguma, para a construção de uma identidade. Jamais ouvi alguém dizer que morava no Complexo de Acari” (Alvito, 2003, pg. 54). Aqui, nota-se, de modo mais claro, a reprodução da divisão simplista apontada acima e isso o impede de compreender seja os efeitos concretos da ideia de “complexo”, seja os processos de formação de identidade. O fato dele não ter encontrado uma única pessoa que se identificasse com o “Complexo de Acari” não implica que ninguém o fizesse; e, o fato de que lá ninguém se reconhecia como morador do “Complexo de Acari” não significa que, noutros lugares, a mesma coisa acontecesse. Até porque os processos de formação dos “complexos de favela” se territorializam de modo e em temporalidades diferentes&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Isto posto, e evitando fazer denúncia fundadas numa dicotomia imaginária, nas próximas seções, vamos fazer uma análise socio-histórica da noção de “complexo”, não para resolver de vez essa questão, mas para trazer contribuições para o debate.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Como urbanizar?&amp;amp;nbsp;&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A virada da década de 1970 para a de 1980 já é reconhecida como período no qual a solução governamental para o problema das favelas no Rio de Janeiro passou a ser sua urbanização, preterindo as remoções. Essa história está muito bem documentada em diversos trabalhos, como pode ser visto, entre outros, em Valla (1986), Burgos (1998), Machado da Silva (2002), Valladares (2005) e Gonçalves (2013). Mas, pouco se estudou um efeito mais sutil dessa mudança de diretriz, qual seja, a questão que se colocou para os órgãos do governo municipal: como urbanizar? Em torno desta pergunta vão se articular três aspectos da política urbana carioca no início dos anos 1980: a formação de um novo quadro técnico e a produção massiva de conhecimento sobre as favelas; o desenvolvimento de uma nova forma de entender esses espaços, como aglomerados (conurbações de favelas); e a incidência da ação das agências multilaterais no surgimento de uma nova etapa do problema da favela. Aqui trataremos apenas do segundo aspecto, pois é desta perspectiva que a noção de “complexo” aplicada a determinadas favelas vai ser desenvolvida.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As intervenções de urbanização, sobretudo as de saneamento, deveriam considerar a homogeneidade territorial de favelas distintas; isto é, as ações em uma localidade teriam impacto sobre outras, por conta de características geográficas em comum entre elas. Isto é, favelas vizinhas umas às outras, que tinham sua história própria, mas compartilhavam as mesmas características geográficas seriam objetos da mesma intervenção de urbanização. Buscando soluções para esta configuração, os técnicos da Prefeitura responsáveis por pensar as intervenções de urbanização, desenvolveram, inicialmente, a concepção de conurbação de favelas, seguida pela de “aglomerados”, de modo a dar conta dessa dupla dimensão socioespacial: heterogeneidade social e homogeneidade topográfica. Com o passar do tempo a ideia vai de “aglomerado” vai sendo intercalada com a de “conjunto de favelas” e, finalmente, substituída pela de “complexo”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Trata-se, efetivamente, da produção de uma nova escala espacial no município do Rio de Janeiro que se soma a outras já existentes como as de bairro ou de favela. E não é uma simples questão conceitual, pois ela terá efeitos práticos na gestão urbana carioca. A principal delas é uma alteração na hierarquia das favelas na cidade, através da produção de novos espaços na cidade como os Complexos do Alemão e da Maré. Como pode ser visto nas tabelas abaixo, apresentadas no documento “Contribuição dos dados de população das favelas do Município do Rio de Janeiro” (1984), produzido pelo IPLANRIO.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Tabela 1 – “10 Favelas mais populosas do Município do Rio De Janeiro – 1980”&#039;&#039;&#039;&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{| border=&amp;quot;1&amp;quot; cellpadding=&amp;quot;1&amp;quot; cellspacing=&amp;quot;1&amp;quot; style=&amp;quot;width: 500px;&amp;quot;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | Ordem&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 295px; text-align: center;&amp;quot; | Nome&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | R.A&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 88px; text-align: center;&amp;quot; | População&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | 1º&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 295px;&amp;quot; | Rocinha&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | VI&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 88px; text-align: right;&amp;quot; | 32.996&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | 2º&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 295px;&amp;quot; | Jacarezinho&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | XII&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 88px; text-align: right;&amp;quot; | 31.405&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | 3º&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 295px;&amp;quot; | Nova Brasília&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | XII&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 88px; text-align: right;&amp;quot; | 19.909&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | 4º&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 295px;&amp;quot; | Vila do Vintém&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | XVII&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 88px; text-align: right;&amp;quot; | 15.877&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | 5º&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 295px;&amp;quot; | Gleba I da antiga Fazenda Botafogo&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | XXII&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 88px; text-align: right;&amp;quot; | 14.721&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | 6º&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 295px;&amp;quot; | Fazenda Coqueiro&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | XVII&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 88px; text-align: right;&amp;quot; | 14.115&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | 7º&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 295px;&amp;quot; | Maré&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | X&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 88px; text-align: right;&amp;quot; | 14.046&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | 8º&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 295px;&amp;quot; | Parque União&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | X&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 88px; text-align: right;&amp;quot; | 13.945&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | 9º&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 295px;&amp;quot; | Vila Proletária da Penha&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | XI&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 88px; text-align: right;&amp;quot; | 13.564&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | 10º&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 295px;&amp;quot; | Nova Holanda&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | X&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 88px; text-align: right;&amp;quot; | 13.115&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:x-small;&amp;quot;&amp;gt;Fonte: IPLANRIO, Contribuição dos dados de população das favelas do Município do Rio de Janeiro (1984) &amp;amp;nbsp;&amp;lt;/span&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E, na página 8, esta outra:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Tabela 2 – “10 Favelas ou Aglomerados de Favelas mais Populosas do Município do Rio de Janeiro – 1980”&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{| border=&amp;quot;1&amp;quot; cellpadding=&amp;quot;1&amp;quot; cellspacing=&amp;quot;1&amp;quot; style=&amp;quot;width: 507px;&amp;quot;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | Ordem&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 301px; text-align: center;&amp;quot; | Nome&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | R.A&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 91px; text-align: center;&amp;quot; | População&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | 1º&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 301px;&amp;quot; | Baixa do Sapateiro, Maré, Nova Holanda, Parque Rubens Vaz, Parque União e Timbau&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | X&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 91px; text-align: right;&amp;quot; | 65.001&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | 2º&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 301px;&amp;quot; | Itararé, Joaquim de Queirós, Morro do Alemão e Nova Brasília&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | X-XII&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 91px; text-align: right;&amp;quot; | 37.040&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | 3º&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 301px;&amp;quot; | Rocinha&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | VI&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 91px; text-align: right;&amp;quot; | 32.996&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | 4º&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 301px;&amp;quot; | Jacarezinho&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | XII&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 91px; text-align: right;&amp;quot; | 31.405&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | 5º&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 301px;&amp;quot; | Morro do Cariri, Vila Cruzeiro e Vila Proletária da Penha&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | X-XI&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 91px; text-align: right;&amp;quot; | 26.879&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | 6º&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 301px;&amp;quot; | Morro Azevedo Lima, Morro São Carlos, Morro do Catumbi, Morro Santos Rodrigues e Rato&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | III&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 91px; text-align: right;&amp;quot; | 20.354&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | 7º&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 301px;&amp;quot; | Parque Jardim Beira Mar, Parque Proletário de Vigário Geral e Te contei&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | XI&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 91px; text-align: right;&amp;quot; | 18.364&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | 8º&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 301px;&amp;quot; | Almirante Tamandaré, Gleba I da antiga Fazenda Botafogo e Parque Bela Vista&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | XXII&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 91px; text-align: right;&amp;quot; | 17.334&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | 9º&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 301px;&amp;quot; | Vila do Vintém&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | XVII&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 91px; text-align: right;&amp;quot; | 15.877&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | 10º&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 301px;&amp;quot; | Parque Acari, Vila Esperança e Vila Rica de Irajá&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | XII&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 91px; text-align: right;&amp;quot; | 15.038&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:x-small;&amp;quot;&amp;gt;Fonte: IPLANRIO, Contribuição dos dados de população das favelas do Município do Rio de Janeiro (1984)&amp;lt;/span&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É possível ver, a partir destas tabelas, uma mudança na hierarquia das maiores favelas da cidade do Rio de Janeiro, com a consideração dos complexos ou “aglomerados de favelas”. Não se trata de mera manipulação de dados, mas sim do efeito de um processo minucioso de análise e produção de informações que subsidiassem as ações de urbanização de favelas na cidade. E, como foi dito, também não se trata de simples questão conceitual, pois isso impacta diretamente a tomada de decisões do governo municipal carioca. Consideradas de modo isoladas, as quatro maiores favelas do Rio de janeiro seriam: Rocinha, Jacarezinho, Nova Brasília e Vila do Vintém (tabela 1); considerando os ”complexos”, esse ranking muda e temos como maiores espaços favelados do município: Complexo da Maré, do Alemão, Rocinha e Jacarezinho. Vejamos como isso impacta o tratamento do problema da favela na cidade do Rio de Janeiro em três momentos.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O primeiro deles está situado nos primeiros anos da década de 1980. Período marcado, no governo municipal, pelo desenvolvimento do Cadastro de Favelas (IPLANRIO, 1983). Publicado em 1983, os trabalhos de pesquisa para sua construção começaram em 1980/81 e as informações produzidas neste processo alimentaram uma séries de ações governamentais dos três níveis de governo: municipal, estadual e federal. É no seio dos estudos para construção do Cadastro de Favelas que a noção de aglomerados e complexos de favelas se consolida.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No período de 1980-1983, uma série de ações de urbanização de favelas, dos diversos níveis de governo, são realizadas, como o processo de eletrificação de favelas pela Light e o Proface/CEDAE, cujo objetivo era levar água de modo sistemático e estruturado para as favelas da cidade. O que esses programas têm em comum é o fato de serem setoriais, isto é, referem-se a um tipo de serviço público específico (luz e água, respectivamente), a ser implantado em um&amp;amp;nbsp; grande número de favelas. Mas, há outro tipo de ações concentrados em uma única favela ou conjunto de favelas, como o projeto Mutirão/UNESCO, o Projeto Rio&amp;lt;ref&amp;gt;Muito já foi produzido sobre o Projeto Rio ao longo dos anos desde sua realização, abordando diversos aspectos, desde a mobilização social desenvolvida no momento de sua implantação até aspectos técnicos do Projeto. A título de aproximação inicial, sugerimos como material de consulta sobre o Projeto Rio, as matérias produzidas pelo Rio on Watch, disponíveis no link: https://rioonwatch.org.br/?p=26789&amp;lt;/ref&amp;gt;&amp;amp;nbsp;e o Projeto de Desenvolvimento Social de Favelas do Rio de Janeiro&amp;lt;ref&amp;gt;Sobre o Projeto de Desenvolvimento Social de Favelas do Rio de Janeiro, ver, neste dicionário, o verbete “Pertencimento ao Complexo do Alemão”. &amp;lt;/ref&amp;gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O projeto Mutirão foi uma ação realizada através de uma parceria entre a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social (SMDS) e a UNESCO, realizada na Rocinha e que visava a realização de ações de urbanização na área em regime de ajuda mútua; o Projeto Rio, foi uma grande intervenção na produção de infraestrutura urbana e moradias, levada a cabo pelo Governo Federal na área atualmente conhecida como Complexo do Maré; já o Projeto de Desenvolvimento Social de Favelas do Rio de Janeiro é um grande diagnóstico elaborado pela SMDS, com financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), sobre as favelas do Jacarezinho e do Complexo do Alemão. É possível ver que a realização das quatro maiores intervenções concentradas em uma favela ou conjunto de favelas na cidade do Rio de Janeiro no início dos anos 1980 se baseou em uma nova hierarquia urbana, impactada pelo desenvolvimento da noção de aglomerado ou complexo de favelas.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O segundo momento inicia-se no ano de 1986, sob a gestão do prefeito Saturnino Braga, com a criação das primeiras Regiões Administrativas sediadas em favelas. Braga foi eleito para um mandato de três anos, compreendido entre 1986 e 1988, na primeira eleição direta para prefeito após duas décadas de ditadura civil militar. Ele inicia sua gestão pelo PDT e a termina, após o rompimento com o partido do governador Leonel Brizola, filiado ao PSB. Umas das principais características do governo de Saturnino foi seu esforço de descentralização administrativa no município, através de seus Conselhos Governo-Comunidade (CGC). Não uma iniciativa simplesmente burocrática, mas um esforço político de fortalecimento das bases, conferindo aos CGC’s alguma autonomia política para se organizarem, mas também para decidir a melhor aplicação dos recursos e serviços públicos em suas localidades. O que, por sua vez vai implicar na criação de uma nova arena local de disputa política e controle social (Burgos, 1992; Braga, 1989).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O objetivo da gestão de Saturnino era transformar as RAs em Conselhos Governo-Comunidade: uma instância local de interlocução entre os órgãos setoriais de governo e representantes comunitários, bem como ser um instrumento de organização e composição de bases partidárias locais. Na concepção do governo municipal, esperava-se que os administradores regionais atuassem coordenando as ações do poder público nas áreas sob sua atuação articulando-as com as demandas populares, agindo como uma espécie de gerente local. Conjugada com essa desconcentração administrativa, a Prefeitura buscava promover uma descentralização orçamentária, a partir da qual certas intervenções fossem decididas, inclusive na dotação de recursos, nas arenas das RAs/Conselhos.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A proposta enfrentou uma série de desafios, de modo que sua implantação foi parcial e alguns desses pressupostos apresentados, sobretudo a descentralização econômica, não foram alcançados. As dificuldades financeiras da Prefeitura se refletiam nas limitações postas à aplicação das decisões tomadas na esfera dos Conselhos, com relação a obras ou prestação de serviços. As resistências políticas também não foram pequenas.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Contudo, em que pese a não realização plena do projeto de Saturnino, nos interessa que nesse processo foram criadas novas Regiões Administrativas, nas quatro maiores favelas do município: Rocinha (XXVII R.A.), Jacarezinho (XXVIII R.A.), Complexo do Alemão (XXIX) e Maré (XXX). Note-se, em primeiro lugar, que a XXIX R.A. tem como jurisdição o Complexo do Alemão, nome oficial do Bairro, com o “complexo” e tudo; em segundo lugar, que os lugares escolhidos só podiam ser pensados como as maiores favelas da cidade, por conta da concepção dos aglomerados de favelas, como visualizado na Tabela 2. Se o parâmetro fosse apenas as favelas “isoladas”, seriam criadas as da Rocinha e Jacarezinho, junto com Nova Brasília e Vila do Vintém (Tabela 1).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O terceiro momento nos remete à década de 1990. Com a transformação dessas áreas compreendidas pelas novas Regiões Administrativas em bairros e com o programa Favela-Bairro. Com relação a criação dos bairros, com relação ao Complexo do Alemão e à Maré, recomendamos a leitura dos verbetes “Pertencimento ao Complexo do Alemão” e o “Bairro da Maré”, neste dicionário. Aqui, trataremos apenas do programa Favela-Bairro.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como foi destacado por Burgos (1998), desde a experiência da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social, ficou evidente, para os órgãos municipais, que ações pontuais não resolveriam os problemas de urbanização de favelas e, por outro lado, ao longo de toda a década de 1980 teria se acumulado, nos quadros da Prefeitura, conhecimentos e experiências que se mostraram fundamentais para a construção&amp;amp;nbsp; do projeto Favela-Bairro. Neste sentido, gostaríamos de destacar dois pontos. Primeiro, a continuidade da percepção de que favelas contíguas entre si deveriam ser pensadas como uma unidade. Na nota 36 do texto de Burgos (1998), o autor reproduz o seguinte texto, fruto de um documento da Prefeitura:&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;Outra advertência a se feita é que as favelas “conurbadas” foram tratadas como um conjunto único e nunca isoladamente, já que se considerou que tais favelas “formam uma única realidade geoambiental, não obstante mantenham identidades socioculturais próprias” (PMRJ, 1995:5 Apud Burgos, idem, pg. 58).&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E o autor segue:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;Em alguns casos, como se pode observar na lista de 16 favelas selecionadas, duas ou mais são consideradas parte de um único complexo. Eis a lista: Parque Royal; Canal das Tachas/Vila Amizade; Grotão; Serrinha; Ladeira dos Funcionário/Parque São Sebastião; Caminho do Job; Escondidinho; Morro da Fé; Vila Cândido/Guararapes/Cerro-Corá; Chácara Del Castilho; Mata Machado; Morro dos Prazeres; morro União; Três Pontes; Fernão Cardim; e Andaraí&amp;quot; (BURGOS, 1998, pg. 58).&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se houve “experiência” acumulada nos quadros técnicos da Prefeitura ao longo da década de 1980, cabe destacar a consolidação de um entendimento das favelas como aglomerados e sua percepção como complexos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O segundo ponto trata dos critérios de seleção das áreas que iriam receber intervenções do Favela-Bairro. O primeiro deles foi de que seriam selecionadas para o Programa apenas aquelas definidas como de porte médio, isto é, compostas por 500 a 2.500 domicílios e habitadas por entrre 2.000 e 10.000 habitantes. Trabalhar com as maiores (que seriam 15) seria muito custoso e a dispersão das pequenas favelas, implicaria em menor otimização dos recursos (Burgos, 1998).&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nesse processo de classificação das favelas, o critério dos aglomerados ou complexos de favelas transformou pequenas favelas em médias ou grandes, incluindo-as no programa ou excluindo-as do critério de porte médio. Como foi o caso do Complexo do Alemão. Não entramos nos dados produzidos para classificação das áreas aptas para receber ou não o Favela-Bairro, mas tendo em vista os números do documento Contribuição dos dados (1984) e a justificativa para criação das quatro novas Regiões Administrativas no governo Saturnino, podemos concluir que o fato de nenhuma das favelas que compunham o Complexo do Alemão receberam intervenções do Favela-Bairro por constituírem uma unidade só, conurbada e considerada de grande porte.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esse três momentos históricos ilustram como foi desenvolvida e consolidada, no seio de um quadro técnico da Prefeitura, a noção de “complexo” de favela. Não explicam, necessariamente, como o seu uso se ampliou e foi apropriado por outros atores políticos urbanos como os jornalistas, outros agentes públicos e mesmo entre as/os cariocas de maneira geral; tampouco, dão conta dos novos sentidos que lhe são atribuídos aos longos dos últimos anos, como uma possível lógica militarizada por trás de sua operação. Mas, não é por isso que esta análise histórica deixa de contribuir para uma compreensão do presente. Como veremos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Novas escalas urbanas&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O resgate histórico feito nas páginas acima, ainda que não avance para além do início da década de 1990, traz contribuições para pensarmos o presente, sobretudo, quando analisamos a mudança na hierarquia urbana que ela produziu e, por consequência, na escolha de áreas que receberão recursos, serviços e programas. Isso mostra que o surgimento dos “complexos” de favelas, no seio da gestão urbana municipal, promoveu a produção de uma nova escala urbana de pertencimento e de realização de políticas públicas (Matiolli, 2016).&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Neste verbete, a dimensão da elaboração de políticas públicas ficou mais evidente, quando vimos os projetos de urbanização do início da década de 1980, a criação das Regiões Administrativas em 1986 e o programa Favela-Bairro. Em todos estes casos, tratou-se de decisões baseadas na produção desses novos espaços na cidade, os complexos ou aglomerados de favelas. Essa percepção não implica no reconhecimento da heterogeneidade interna de uma grande favela, como as diversas áreas que existem no interior da Rocinha ou do Jacarezinho, por exemplo, com suas peculiaridades; mas, em conceber pequenas favelas, com suas trajetórias próprias, como se fossem uma unidade territorial nova. Uma das vantagens de pensar nos complexos como novas escalas de pertencimento e realização de políticas públicas é que nos permite fugir da dicotomia imaginária identificada no início do verbete. De duas maneiras.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Primeiro, enquanto escala de realização de políticas públicas, é possível perceber que o Estado não age de modo unitário, isto é, o fato de um órgão público reconhecer tal área como complexo não significa que outros trabalharão com a mesma definição. Não há uma determinação geral e unificada de que áreas são complexas e quais não são. Como exemplo, basta ver os diferentes mapas de atuação que circulam entre os órgãos de saúde, os de segurança ou ainda os correios, não necessariamente os lugares são nomeados da mesma forma. Há uma infinidade de definições.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bem como são múltiplas as definições do Complexo do Alemão, se você pergunta a uma moradora ou morador onde começa e termina o bairro. Há quem diga , por exemplo, que o Morro do Adeus faz parte e outras que o excluem se sua percepção do Alemão; há quem o associe ao Complexo da Penha; e por aí vai. Assim, enquanto nova escala de pertencimento, as pessoas que ali vivem podem ter mais uma referência de lugar para evocar, se lhe for estratégico; em outras palavras, não é que as/os moradoras/es não se identifiquem com o “complexo”, e sim que vão acionar seu pertencimento a ele de acordo com as circunstâncias.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quando vemos a organização política no Complexo do Alemão nos últimos anos, é possível ver que as associações de moradores criadas na região que veio a ganhar esse nome se referenciam a suas localidades como a Nova Brasília, o Morro do Alemão, a Baiana, Grota entre outras. Diferentemente das novas organizações sociais que vão surgir no fim da década de 1990, com as ONG’s, inicialmente, e, mais recentemente, os coletivos, que vão ter como referência local, o Complexo do Alemão. O que cria uma intricada cartografia política que vai gerar as mais diversas alianças, como, por exemplo, no caso do Juntos pelo Complexo do Alemão&amp;lt;ref&amp;gt;Para versões mais detalhadas desse exemplo, ver, neste dicionário, os verbetes: “pertencimento ao Complexo do Alemão”; “As associações de moradores do Complexo do Alemão” e “Juntos pelo Complexo do Alemão”.&amp;lt;/ref&amp;gt;.&amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para além da dimensão da ação coletiva, do ponto de vista individual, é possível ver como as pessoas também podem acionar positivamente o Complexo do Alemão em suas iniciativas. Ao longo dos anos mais recentes, é possível ver empreendimentos locais que viram, na existência do “Complexo” uma marca que acionaram em seus negócios, como no caso da agência de turismo “Turismo no Alemão”, a marca de roupas “Complexidade urbana” e mesmo a cerveja “Complexo do Alemão”.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A existência do Complexo do Alemão como lugar de moradia na cidade não só não é, necessariamente, negada por seus moradores, como é acionada em diversos momentos, situações, segundo as visões estratégicas de seus moradores e organizações sociais. Evidentemente que, a vivência&amp;amp;nbsp; e pertencimentos aos complexos vão variar de lugar para lugar, e nem todas reproduzirão essa relação existente no Alemão. O que é mais uma vantagem da perspectiva dos “complexos” de favela como escala espacial urbana, pois abre um leque de possibilidades não vislumbradas nesse texto.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como foi dito no início, não foi o objetivo deste texto oferecer uma explicação final e definitiva para a noção de “complexo” de favelas, mas contribuir para o debate a partir de um trabalho de análise e resgate histórico da produção dessa nova escala espacial na cidade. E assim, como esperamos ter ficado claro, não acabamos com a conversa, pelo contrário, apenas abrimos alguns horizontes de reflexão, que consideram desde as diversas vivências, trajetórias e pertencimentos aos complexos de favelas até investigações e críticas sobre os usos dessas escalas por atores políticos como a imprensa e outros órgãos públicos, como os de segurança; mas, sempre, desviando de certas limitações consolidadas no imaginários sobre as favelas do Rio de Janeiro. .&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICAS&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Thiago Matiolli</name></author>
	</entry>
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		<title>Complexos de Favelas</title>
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		<updated>2020-01-24T17:50:32Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Thiago Matiolli: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&lt;br /&gt;
Autor:&amp;amp;nbsp;[[Usuário:Thiago_Matiolli]] &amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;De uns tempos para cá, o uso da noção de “comple&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;xo” para se tratar de algumas favelas da cidade do Rio de Janeiro - e mesmo de outro municípios próximos, como os da Baixada Fluminense - se tornou comum. Apenas para citar alguns deles: Complexo do Alemão, da Maré, da Penha, de Manguinhos, de Acari, da Pedreira, do Chapadão e por aí vai. Está presente no vocabulário de acadêmicos, agentes públicos, atores políticos, jornalistas e de cariocas em geral. Em alguma medida, ela acabou se somando a certas discussões, mais ou menos formais, sobre a nomeação de certos espaços da cidade: favelas, comunidades ou, de algum tempo pra cá, complexos de favelas (entre outras possibilidades)?&amp;amp;nbsp; É neste contexto que este verbete está inserido. Seu objetivo não é apresentar uma explicação última para este termo ou definição correta para se nomear certas favelas da cidade. Quer dizer, não se busca nestas páginas determinar que o termo “complexo” só pode ser usado nas situações específicas que descreveremos ou ainda que tal ou qual favela deva ser vista apenas como um “complexo”, e não de outras formas.&amp;amp;nbsp; O que esperamos, ao fim do texto, é deixar claro como esta noção surgiu e se desenvolveu ao longo do tempo, especialmente na década de 1980, e destacar o que vemos como suas características mais interessante, ao menos do ponto de vista sociológico: em primeiro lugar, trata-se de uma nova escala espacial na cidade que se soma com aquelas já existentes, sem apagá-las, mas que torna o espaço urbano mais rico e complexo - sem trocadilhos; em segundo lugar, a forma como se nomeia os espaços como “complexos” varia de acordo com os interesses e pertencimentos envolvidos, de modo que, se certa favela é vista como “complexo” ou não por pessoas (ou instituições) diferentes, isso não significa que uma estará mais certa que a outra, mas que os sentidos conferidos à noção e à relação com lugar são diferentes.&amp;amp;nbsp; Então, o objetivo do texto é contribuir para as discussões citadas acima, sem pretensões de conduzir o debate para um caminho que seria mais “correto”. Porém, se não pretendemos determinar nada, podemos, pelo menos, destacar algumas coisas que devem ser evitadas. E a principal delas é a criação de uma divisão simplista entre um Estado malvado, de um lado, e os moradores de favelas, do outro, na qual o primeiro teria desenvolvido a noção de “complexo” para aprimorar o controle militarizado da vida dessas populações, que não se identificam com este novo lugar. Não se vai negar que o aparelhos de governo aperfeiçoam constantemente tecnologias de controle social sobre as pessoas, o que se quer dizer é que a relação do desenvolvimento de uma nova escala espacial na cidade com essas técnicas de controle pode não ser tão simples e imediata assim.&amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp; Vejamos, brevemente e a título de ilustração, o trabalho de Marcos Alvito (2003) fruto de sua tese de doutorado defendida no fim da década de 1990, quando, como afirma o autor, o uso do termo “complexo”, já era amplamente utilizado. A partir de sua experiência, ele sugere que o termo seria um desdobramento da ideia de “complexo penitenciário”. O que coloca sua origem no seio do aparelho repressivo-policial do Estado e de uma lógica militarizada, o que permitiria, por exemplo, pensar como território único, um conjunto de favelas interligadas, como no caso do “&#039;Complexo de Acari&#039;, englobando um conjunto de 10 favelas (próximas, mas não contíguas) que estariam sob o controle de um único traficante” (Alvito, 2003, pg. 53). Esta possibilidade de explicação para a emergência da ideia de “complexo”, ainda que tenha se mostrado insatisfatória, em nada desmerece a análise, tendo em vista as informações disponíveis na época. E, diga-se de passagem, essa sugestão vigorou por muitos anos.&amp;amp;nbsp; Porém, em seguida, ele trata do “famigerado” Complexo de Acari, “conceito vindo de fora e que não serve, de forma alguma, para a construção de uma identidade. Jamais ouvi alguém dizer que morava no Complexo de Acari” (Alvito, 2003, pg. 54). Aqui, nota-se, de modo mais claro, a reprodução da divisão simplista apontada acima e isso o impede de compreender seja os efeitos concretos da ideia de “complexo”, seja os processos de formação de identidade. O fato dele não ter encontrado uma única pessoa que se identificasse com o “Complexo de Acari” não implica que ninguém o fizesse; e, o fato de que lá ninguém se reconhecia como morador do “Complexo de Acari” não significa que, noutros lugares, a mesma coisa acontecesse. Até porque os processos de formação dos “complexos de favela” se territorializam de modo e em temporalidades diferentes Isto posto, e evitando fazer denúncia fundadas numa dicotomia imaginária, nas próximas seções, vamos fazer uma análise socio-histórica da noção de “complexo”, não para resolver de vez essa questão, mas para trazer contribuições para o debate.&amp;amp;nbsp; &#039;&#039;&#039;Como urbanizar?&amp;amp;nbsp;&#039;&#039;&#039; A virada da década de 1970 para a de 1980 já é reconhecida como período no qual a solução governamental para o problema das favelas no Rio de Janeiro passou a ser sua urbanização, preterindo as remoções. Essa história está muito bem documentada em diversos trabalhos, como pode ser visto, entre outros, em Valla (1986), Burgos (1998), Machado da Silva (2002), Valladares (2005) e Gonçalves (2013). Mas, pouco se estudou um efeito mais sutil dessa mudança de diretriz, qual seja, a questão que se colocou para os órgãos do governo municipal: como urbanizar? Em torno desta pergunta vão se articular três aspectos da política urbana carioca no início dos anos 1980: a formação de um novo quadro técnico e a produção massiva de conhecimento sobre as favelas; o desenvolvimento de uma nova forma de entender esses espaços, como aglomerados (conurbações de favelas); e a incidência da ação das agências multilaterais no surgimento de uma nova etapa do problema da favela. Aqui trataremos apenas do segundo aspecto, pois é desta perspectiva que a noção de “complexo” aplicada a determinadas favelas vai ser desenvolvida.&amp;amp;nbsp; As intervenções de urbanização, sobretudo as de saneamento, deveriam considerar a homogeneidade territorial de favelas distintas; isto é, as ações em uma localidade teriam impacto sobre outras, por conta de características geográficas em comum entre elas. Isto é, favelas vizinhas umas às outras, que tinham sua história própria, mas compartilhavam as mesmas características geográficas seriam objetos da mesma intervenção de urbanização. Buscando soluções para esta configuração, os técnicos da Prefeitura responsáveis por pensar as intervenções de urbanização, desenvolveram, inicialmente, a concepção de conurbação de favelas, seguida pela de “aglomerados”, de modo a dar conta dessa dupla dimensão socioespacial: heterogeneidade social e homogeneidade topográfica. Com o passar do tempo a ideia vai de “aglomerado” vai sendo intercalada com a de “conjunto de favelas” e, finalmente, substituída pela de “complexo”. Trata-se, efetivamente, da produção de uma nova escala espacial no município do Rio de Janeiro que se soma a outras já existentes como as de bairro ou de favela. E não é uma simples questão conceitual, pois ela terá efeitos práticos na gestão urbana carioca. A principal delas é uma alteração na hierarquia das favelas na cidade, através da produção de novos espaços na cidade como os Complexos do Alemão e da Maré. Como pode ser visto nas tabelas abaixo, apresentadas no documento “Contribuição dos dados de população das favelas do Município do Rio de Janeiro” (1984), produzido pelo IPLANRIO. &#039;&#039;&#039;Tabela 1 – “10 Favelas mais populosas do Município do Rio De Janeiro – 1980”&#039;&#039;&#039;&amp;amp;nbsp; {| border=&amp;quot;1&amp;quot; cellpadding=&amp;quot;1&amp;quot; cellspacing=&amp;quot;1&amp;quot; style=&amp;quot;width: 500px;&amp;quot; |- | style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | Ordem | style=&amp;quot;width: 295px; text-align: center;&amp;quot; | Nome | style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | R.A | style=&amp;quot;width: 88px; text-align: center;&amp;quot; | População |- | style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | 1º | style=&amp;quot;width: 295px;&amp;quot; | Rocinha | style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | VI | style=&amp;quot;width: 88px; text-align: right;&amp;quot; | 32.996 |- | style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | 2º | style=&amp;quot;width: 295px;&amp;quot; | Jacarezinho | style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | XII | style=&amp;quot;width: 88px; text-align: right;&amp;quot; | 31.405 |- | style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | 3º | style=&amp;quot;width: 295px;&amp;quot; | Nova Brasília | style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | XII | style=&amp;quot;width: 88px; text-align: right;&amp;quot; | 19.909 |- | style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | 4º | style=&amp;quot;width: 295px;&amp;quot; | Vila do Vintém | style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | XVII | style=&amp;quot;width: 88px; text-align: right;&amp;quot; | 15.877 |- | style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | 5º | style=&amp;quot;width: 295px;&amp;quot; | Gleba I da antiga Fazenda Botafogo | style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | XXII | style=&amp;quot;width: 88px; text-align: right;&amp;quot; | 14.721 |- | style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | 6º | style=&amp;quot;width: 295px;&amp;quot; | Fazenda Coqueiro | style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | XVII | style=&amp;quot;width: 88px; text-align: right;&amp;quot; | 14.115 |- | style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | 7º | style=&amp;quot;width: 295px;&amp;quot; | Maré | style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | X | style=&amp;quot;width: 88px; text-align: right;&amp;quot; | 14.046 |- | style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | 8º | style=&amp;quot;width: 295px;&amp;quot; | Parque União | style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | X | style=&amp;quot;width: 88px; text-align: right;&amp;quot; | 13.945 |- | style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | 9º | style=&amp;quot;width: 295px;&amp;quot; | Vila Proletária da Penha | style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | XI | style=&amp;quot;width: 88px; text-align: right;&amp;quot; | 13.564 |- | style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | 10º | style=&amp;quot;width: 295px;&amp;quot; | Nova Holanda | style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | X | style=&amp;quot;width: 88px; text-align: right;&amp;quot; | 13.115 |} &amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:x-small;&amp;quot;&amp;gt;Fonte: IPLANRIO, Contribuição dos dados de população das favelas do Município do Rio de Janeiro (1984) &amp;amp;nbsp;&amp;lt;/span&amp;gt; &amp;amp;nbsp; E, na página 8, esta outra: &#039;&#039;&#039;Tabela 2 – “10 Favelas ou Aglomerados de Favelas mais Populosas do Município do Rio de Janeiro – 1980”&#039;&#039;&#039; {| border=&amp;quot;1&amp;quot; cellpadding=&amp;quot;1&amp;quot; cellspacing=&amp;quot;1&amp;quot; style=&amp;quot;width: 507px;&amp;quot; |- | style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | Ordem | style=&amp;quot;width: 301px; text-align: center;&amp;quot; | Nome | style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | R.A | style=&amp;quot;width: 91px; text-align: center;&amp;quot; | População |- | style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | 1º | style=&amp;quot;width: 301px;&amp;quot; | Baixa do Sapateiro, Maré, Nova Holanda, Parque Rubens Vaz, Parque União e Timbau | style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | X | style=&amp;quot;width: 91px; text-align: right;&amp;quot; | 65.001 |- | style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | 2º | style=&amp;quot;width: 301px;&amp;quot; | Itararé, Joaquim de Queirós, Morro do Alemão e Nova Brasília | style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | X-XII | style=&amp;quot;width: 91px; text-align: right;&amp;quot; | 37.040 |- | style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | 3º | style=&amp;quot;width: 301px;&amp;quot; | Rocinha | style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | VI | style=&amp;quot;width: 91px; text-align: right;&amp;quot; | 32.996 |- | style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | 4º | style=&amp;quot;width: 301px;&amp;quot; | Jacarezinho | style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | XII | style=&amp;quot;width: 91px; text-align: right;&amp;quot; | 31.405 |- | style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | 5º | style=&amp;quot;width: 301px;&amp;quot; | Morro do Cariri, Vila Cruzeiro e Vila Proletária da Penha | style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | X-XI | style=&amp;quot;width: 91px; text-align: right;&amp;quot; | 26.879 |- | style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | 6º | style=&amp;quot;width: 301px;&amp;quot; | Morro Azevedo Lima, Morro São Carlos, Morro do Catumbi, Morro Santos Rodrigues e Rato | style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | III | style=&amp;quot;width: 91px; text-align: right;&amp;quot; | 20.354 |- | style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | 7º | style=&amp;quot;width: 301px;&amp;quot; | Parque Jardim Beira Mar, Parque Proletário de Vigário Geral e Te contei | style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | XI | style=&amp;quot;width: 91px; text-align: right;&amp;quot; | 18.364 |- | style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | 8º | style=&amp;quot;width: 301px;&amp;quot; | Almirante Tamandaré, Gleba I da antiga Fazenda Botafogo e Parque Bela Vista | style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | XXII | style=&amp;quot;width: 91px; text-align: right;&amp;quot; | 17.334 |- | style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | 9º | style=&amp;quot;width: 301px;&amp;quot; | Vila do Vintém | style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | XVII | style=&amp;quot;width: 91px; text-align: right;&amp;quot; | 15.877 |- | style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | 10º | style=&amp;quot;width: 301px;&amp;quot; | Parque Acari, Vila Esperança e Vila Rica de Irajá | style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | XII | style=&amp;quot;width: 91px; text-align: right;&amp;quot; | 15.038 |} &amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:x-small;&amp;quot;&amp;gt;Fonte: IPLANRIO, Contribuição dos dados de população das favelas do Município do Rio de Janeiro (1984)&amp;lt;/span&amp;gt; É possível ver, a partir destas tabelas, uma mudança na hierarquia das maiores favelas da cidade do Rio de Janeiro, com a consideração dos complexos ou “aglomerados de favelas”. Não se trata de mera manipulação de dados, mas sim do efeito de um processo minucioso de análise e produção de informações que subsidiassem as ações de urbanização de favelas na cidade. E, como foi dito, também não se trata de simples questão conceitual, pois isso impacta diretamente a tomada de decisões do governo municipal carioca. Consideradas de modo isoladas, as quatro maiores favelas do Rio de janeiro seriam: Rocinha, Jacarezinho, Nova Brasília e Vila do Vintém (tabela 1); considerando os ”complexos”, esse ranking muda e temos como maiores espaços favelados do município: Complexo da Maré, do Alemão, Rocinha e Jacarezinho. Vejamos como isso impacta o tratamento do problema da favela na cidade do Rio de Janeiro em três momentos.&amp;amp;nbsp; O primeiro deles está situado nos primeiros anos da década de 1980. Período marcado, no governo municipal, pelo desenvolvimento do Cadastro de Favelas (IPLANRIO, 1983). Publicado em 1983, os trabalhos de pesquisa para sua construção começaram em 1980/81 e as informações produzidas neste processo alimentaram uma séries de ações governamentais dos três níveis de governo: municipal, estadual e federal. É no seio dos estudos para construção do Cadastro de Favelas que a noção de aglomerados e complexos de favelas se consolida.&amp;amp;nbsp; No período de 1980-1983, uma série de ações de urbanização de favelas, dos diversos níveis de governo, são realizadas, como o processo de eletrificação de favelas pela Light e o Proface/CEDAE, cujo objetivo era levar água de modo sistemático e estruturado para as favelas da cidade. O que esses programas têm em comum é o fato de serem setoriais, isto é, referem-se a um tipo de serviço público específico (luz e água, respectivamente), a ser implantado em um&amp;amp;nbsp; grande número de favelas. Mas, há outro tipo de ações concentrados em uma única favela ou conjunto de favelas, como o projeto Mutirão/UNESCO, o Projeto Rio&amp;lt;ref id=&amp;quot;cite_ref-1&amp;quot; title=&amp;quot;&amp;quot;&amp;gt;[1]&amp;lt;/ref&amp;gt;&amp;amp;nbsp;e o Projeto de Desenvolvimento Social de Favelas do Rio de Janeiro&amp;lt;ref id=&amp;quot;cite_ref-2&amp;quot; title=&amp;quot;&amp;quot;&amp;gt;[2]&amp;lt;/ref&amp;gt;. O projeto Mutirão foi uma ação realizada através de uma parceria entre a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social (SMDS) e a UNESCO, realizada na Rocinha e que visava a realização de ações de urbanização na área em regime de ajuda mútua; o Projeto Rio, foi uma grande intervenção na produção de infraestrutura urbana e moradias, levada a cabo pelo Governo Federal na área atualmente conhecida como Complexo do Maré; já o Projeto de Desenvolvimento Social de Favelas do Rio de Janeiro é um grande diagnóstico elaborado pela SMDS, com financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), sobre as favelas do Jacarezinho e do Complexo do Alemão. É possível ver que a realização das quatro maiores intervenções concentradas em uma favela ou conjunto de favelas na cidade do Rio de Janeiro no início dos anos 1980 se baseou em uma nova hierarquia urbana, impactada pelo desenvolvimento da noção de aglomerado ou complexo de favelas.&amp;amp;nbsp; O segundo momento inicia-se no ano de 1986, sob a gestão do prefeito Saturnino Braga, com a criação das primeiras Regiões Administrativas sediadas em favelas. Braga foi eleito para um mandato de três anos, compreendido entre 1986 e 1988, na primeira eleição direta para prefeito após duas décadas de ditadura civil militar. Ele inicia sua gestão pelo PDT e a termina, após o rompimento com o partido do governador Leonel Brizola, filiado ao PSB. Umas das principais características do governo de Saturnino foi seu esforço de descentralização administrativa no município, através de seus Conselhos Governo-Comunidade (CGC). Não uma iniciativa simplesmente burocrática, mas um esforço político de fortalecimento das bases, conferindo aos CGC’s alguma autonomia política para se organizarem, mas também para decidir a melhor aplicação dos recursos e serviços públicos em suas localidades. O que, por sua vez vai implicar na criação de uma nova arena local de disputa política e controle social (Burgos, 1992; Braga, 1989). O objetivo da gestão de Saturnino era transformar as RAs em Conselhos Governo-Comunidade: uma instância local de interlocução entre os órgãos setoriais de governo e representantes comunitários, bem como ser um instrumento de organização e composição de bases partidárias locais. Na concepção do governo municipal, esperava-se que os administradores regionais atuassem coordenando as ações do poder público nas áreas sob sua atuação articulando-as com as demandas populares, agindo como uma espécie de gerente local. Conjugada com essa desconcentração administrativa, a Prefeitura buscava promover uma descentralização orçamentária, a partir da qual certas intervenções fossem decididas, inclusive na dotação de recursos, nas arenas das RAs/Conselhos.&amp;amp;nbsp; A proposta enfrentou uma série de desafios, de modo que sua implantação foi parcial e alguns desses pressupostos apresentados, sobretudo a descentralização econômica, não foram alcançados. As dificuldades financeiras da Prefeitura se refletiam nas limitações postas à aplicação das decisões tomadas na esfera dos Conselhos, com relação a obras ou prestação de serviços. As resistências políticas também não foram pequenas.&amp;amp;nbsp; Contudo, em que pese a não realização plena do projeto de Saturnino, nos interessa que nesse processo foram criadas novas Regiões Administrativas, nas quatro maiores favelas do município: Rocinha (XXVII R.A.), Jacarezinho (XXVIII R.A.), Complexo do Alemão (XXIX) e Maré (XXX). Note-se, em primeiro lugar, que a XXIX R.A. tem como jurisdição o Complexo do Alemão, nome oficial do Bairro, com o “complexo” e tudo; em segundo lugar, que os lugares escolhidos só podiam ser pensados como as maiores favelas da cidade, por conta da concepção dos aglomerados de favelas, como visualizado na Tabela 2. Se o parâmetro fosse apenas as favelas “isoladas”, seriam criadas as da Rocinha e Jacarezinho, junto com Nova Brasília e Vila do Vintém (Tabela 1). O terceiro momento nos remete à década de 1990. Com a transformação dessas áreas compreendidas pelas novas Regiões Administrativas em bairros e com o programa Favela-Bairro. Com relação a criação dos bairros, com relação ao Complexo do Alemão e à Maré, recomendamos a leitura dos verbetes “Pertencimento ao Complexo do Alemão” e o “Bairro da Maré”, neste dicionário. Aqui, trataremos apenas do programa Favela-Bairro.&amp;amp;nbsp; Como foi destacado por Burgos (1998), desde a experiência da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social, ficou evidente, para os órgãos municipais, que ações pontuais não resolveriam os problemas de urbanização de favelas e, por outro lado, ao longo de toda a década de 1980 teria se acumulado, nos quadros da Prefeitura, conhecimentos e experiências que se mostraram fundamentais para a construção&amp;amp;nbsp; do projeto Favela-Bairro. Neste sentido, gostaríamos de destacar dois pontos. Primeiro, a continuidade da percepção de que favelas contíguas entre si deveriam ser pensadas como uma unidade. Na nota 36 do texto de Burgos (1998), o autor reproduz o seguinte texto, fruto de um documento da Prefeitura:&amp;amp;nbsp; &amp;quot;Outra advertência a se feita é que as favelas “conurbadas” foram tratadas como um conjunto único e nunca isoladamente, já que se considerou que tais favelas “formam uma única realidade geoambiental, não obstante mantenham identidades socioculturais próprias” (PMRJ, 1995:5 Apud Burgos, idem, pg. 58).&amp;amp;nbsp; E o autor segue: &amp;quot;Em alguns casos, como se pode observar na lista de 16 favelas selecionadas, duas ou mais são consideradas parte de um único complexo. Eis a lista: Parque Royal; Canal das Tachas/Vila Amizade; Grotão; Serrinha; Ladeira dos Funcionário/Parque São Sebastião; Caminho do Job; Escondidinho; Morro da Fé; Vila Cândido/Guararapes/Cerro-Corá; Chácara Del Castilho; Mata Machado; Morro dos Prazeres; morro União; Três Pontes; Fernão Cardim; e Andaraí&amp;quot; (BURGOS, 1998, pg. 58).&amp;amp;nbsp; Se houve “experiência” acumulada nos quadros técnicos da Prefeitura ao longo da década de 1980, cabe destacar a consolidação de um entendimento das favelas como aglomerados e sua percepção como complexos. O segundo ponto trata dos critérios de seleção das áreas que iriam receber intervenções do Favela-Bairro. O primeiro deles foi de que seriam selecionadas para o Programa apenas aquelas definidas como de porte médio, isto é, compostas por 500 a 2.500 domicílios e habitadas por entrre 2.000 e 10.000 habitantes. Trabalhar com as maiores (que seriam 15) seria muito custoso e a dispersão das pequenas favelas, implicaria em menor otimização dos recursos (Burgos, 1998).&amp;amp;nbsp; Nesse processo de classificação das favelas, o critério dos aglomerados ou complexos de favelas transformou pequenas favelas em médias ou grandes, incluindo-as no programa ou excluindo-as do critério de porte médio. Como foi o caso do Complexo do Alemão. Não entramos nos dados produzidos para classificação das áreas aptas para receber ou não o Favela-Bairro, mas tendo em vista os números do documento Contribuição dos dados (1984) e a justificativa para criação das quatro novas Regiões Administrativas no governo Saturnino, podemos concluir que o fato de nenhuma das favelas que compunham o Complexo do Alemão receberam intervenções do Favela-Bairro por constituírem uma unidade só, conurbada e considerada de grande porte.&amp;amp;nbsp; Esse três momentos históricos ilustram como foi desenvolvida e consolidada, no seio de um quadro técnico da Prefeitura, a noção de “complexo” de favela. Não explicam, necessariamente, como o seu uso se ampliou e foi apropriado por outros atores políticos urbanos como os jornalistas, outros agentes públicos e mesmo entre as/os cariocas de maneira geral; tampouco, dão conta dos novos sentidos que lhe são atribuídos aos longos dos últimos anos, como uma possível lógica militarizada por trás de sua operação. Mas, não é por isso que esta análise histórica deixa de contribuir para uma compreensão do presente. Como veremos. &#039;&#039;&#039;Novas escalas urbanas&#039;&#039;&#039; O resgate histórico feito nas páginas acima, ainda que não avance para além do início da década de 1990, traz contribuições para pensarmos o presente, sobretudo, quando analisamos a mudança na hierarquia urbana que ela produziu e, por consequência, na escolha de áreas que receberão recursos, serviços e programas. Isso mostra que o surgimento dos “complexos” de favelas, no seio da gestão urbana municipal, promoveu a produção de uma nova escala urbana de pertencimento e de realização de políticas públicas (Matiolli, 2016).&amp;amp;nbsp; Neste verbete, a dimensão da elaboração de políticas públicas ficou mais evidente, quando vimos os projetos de urbanização do início da década de 1980, a criação das Regiões Administrativas em 1986 e o programa Favela-Bairro. Em todos estes casos, tratou-se de decisões baseadas na produção desses novos espaços na cidade, os complexos ou aglomerados de favelas. Essa percepção não implica no reconhecimento da heterogeneidade interna de uma grande favela, como as diversas áreas que existem no interior da Rocinha ou do Jacarezinho, por exemplo, com suas peculiaridades; mas, em conceber pequenas favelas, com suas trajetórias próprias, como se fossem uma unidade territorial nova. Uma das vantagens de pensar nos complexos como novas escalas de pertencimento e realização de políticas públicas é que nos permite fugir da dicotomia imaginária identificada no início do verbete. De duas maneiras.&amp;amp;nbsp; Primeiro, enquanto escala de realização de políticas públicas, é possível perceber que o Estado não age de modo unitário, isto é, o fato de um órgão público reconhecer tal área como complexo não significa que outros trabalharão com a mesma definição. Não há uma determinação geral e unificada de que áreas são complexas e quais não são. Como exemplo, basta ver os diferentes mapas de atuação que circulam entre os órgãos de saúde, os de segurança ou ainda os correios, não necessariamente os lugares são nomeados da mesma forma. Há uma infinidade de definições.&amp;amp;nbsp; Bem como são múltiplas as definições do Complexo do Alemão, se você pergunta a uma moradora ou morador onde começa e termina o bairro. Há quem diga , por exemplo, que o Morro do Adeus faz parte e outras que o excluem se sua percepção do Alemão; há quem o associe ao Complexo da Penha; e por aí vai. Assim, enquanto nova escala de pertencimento, as pessoas que ali vivem podem ter mais uma referência de lugar para evocar, se lhe for estratégico; em outras palavras, não é que as/os moradoras/es não se identifiquem com o “complexo”, e sim que vão acionar seu pertencimento a ele de acordo com as circunstâncias.&amp;amp;nbsp; Quando vemos a organização política no Complexo do Alemão nos últimos anos, é possível ver que as associações de moradores criadas na região que veio a ganhar esse nome se referenciam a suas localidades como a Nova Brasília, o Morro do Alemão, a Baiana, Grota entre outras. Diferentemente das novas organizações sociais que vão surgir no fim da década de 1990, com as ONG’s, inicialmente, e, mais recentemente, os coletivos, que vão ter como referência local, o Complexo do Alemão. O que cria uma intricada cartografia política que vai gerar as mais diversas alianças, como, por exemplo, no caso do Juntos pelo Complexo do Alemão&amp;lt;ref id=&amp;quot;cite_ref-3&amp;quot; title=&amp;quot;&amp;quot;&amp;gt;[3]&amp;lt;/ref&amp;gt;.&amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp; Para além da dimensão da ação coletiva, do ponto de vista individual, é possível ver como as pessoas também podem acionar positivamente o Complexo do Alemão em suas iniciativas. Ao longo dos anos mais recentes, é possível ver empreendimentos locais que viram, na existência do “Complexo” uma marca que acionaram em seus negócios, como no caso da agência de turismo “Turismo no Alemão”, a marca de roupas “Complexidade urbana” e mesmo a cerveja “Complexo do Alemão”.&amp;amp;nbsp; A existência do Complexo do Alemão como lugar de moradia na cidade não só não é, necessariamente, negada por seus moradores, como é acionada em diversos momentos, situações, segundo as visões estratégicas de seus moradores e organizações sociais. Evidentemente que, a vivência&amp;amp;nbsp; e pertencimentos aos complexos vão variar de lugar para lugar, e nem todas reproduzirão essa relação existente no Alemão. O que é mais uma vantagem da perspectiva dos “complexos” de favela como escala espacial urbana, pois abre um leque de possibilidades não vislumbradas nesse texto.&amp;amp;nbsp; Como foi dito no início, não foi o objetivo deste texto oferecer uma explicação final e definitiva para a noção de “complexo” de favelas, mas contribuir para o debate a partir de um trabalho de análise e resgate histórico da produção dessa nova escala espacial na cidade. E assim, como esperamos ter ficado claro, não acabamos com a conversa, pelo contrário, apenas abrimos alguns horizontes de reflexão, que consideram desde as diversas vivências, trajetórias e pertencimentos aos complexos de favelas até investigações e críticas sobre os usos dessas escalas por atores políticos como a imprensa e outros órgãos públicos, como os de segurança; mas, sempre, desviando de certas limitações consolidadas no imaginários sobre as favelas do Rio de Janeiro. .&amp;amp;nbsp; &amp;amp;nbsp; &#039;&#039;&#039;REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICAS&#039;&#039;&#039; ALVITO, Marcos . As Cores de Acari. 1. ed. Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas, 2003. v. 1. 300p&amp;amp;nbsp; BRAGA, Roberto Saturnino. Governo Comunidade: Socialismo no Rio. Rio de Janeiro, Ed. Paz e Terra, 1989. BURGOS, Marcelo. A falência da Prefeitura do Rio de Janeiro: 1988. Dissertação apresentada para obtenção do grau de Mestre em Planejamento Econômico e Políticas Públicas, Instituto de Economia Industrial da Universidade Federal do Rio de Janeiro, 1992.&amp;amp;nbsp; __________. (1998) Dos Parques Proletários ao Favela-Bairro: as políticas públicas nas favelas do Rio de Janeiro. In.: ZALUAR, A. E ALVITO, M. (Org.). Um Século de Favela. Rio de Janeiro, Ed. FGV, pp. 25-58. IPLANRIO – Instituto de Planejamento Municipal. Cadastro de Favelas, 2ª edição, Rio de Janeiro, 1983.&amp;amp;nbsp; _________. (1983) Projeto de Desenvolvimento Social de Favelas do Rio de Janeiro, Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social, Versão Preliminar. _________. (1984) Contribuição dos dados de população das favelas do Município do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro. MACHADO DA SILVA, Luiz Antonio. A continuidade do “problema da favela”. In: Oliveira, Lúcia Lippi (org). Cidade: Histórias e Desafios. Rio de Janeiro: Ed. Fundação Getúlio Vargas, 2002. p. 220 – 237.&amp;amp;nbsp; MATIOLLI, Thiago Oliveira Lima. Matiolli. O que o Complexo do Alemão nos conta sobre a cidade do Rio de Janeiro: poder e conhecimento no Rio de Janeiro no início dos anos 80. 2016. 234f. Tese de Doutorado em Ciências. Programa de Pós-Graduação em Sociologia, Universidade de São Paulo, São Paulo. _________.Notas sobre o surgimento do bairro do Complexo do Alemão. In.: RODRIGUES, Rute Imanishi. Vida Social e Política nas Favelas: pesquisas de campo no Complexo do Alemão. Brasília: IPEA, 2016.&amp;amp;nbsp; VALLA, Victor V. (org). Educação e Favela: políticas para as favelas do Rio de Janeiro, 1940-1985. Rio de Janeiro: Vozes, 1986.&amp;amp;nbsp; VALLADARES, Licia do Prado. A invenção da favela: do mito de origem à favela.com. Rio de Janeiro: editora FGV, 2005. na próxima seção. &amp;amp;nbsp;&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Thiago Matiolli</name></author>
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		<title>Complexos de Favelas</title>
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		<updated>2020-01-24T17:47:03Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Thiago Matiolli: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&lt;br /&gt;
Autor:&amp;amp;nbsp;[[Thiago_Matiolli|Thiago Matiolli]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:small;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;line-height:1.7999999999999998&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-family:Arial&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-numeric:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;font-variant-east-asian:normal&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;vertical-align:baseline&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;span style=&amp;quot;white-space:pre-wrap&amp;quot;&amp;gt;De uns tempos para cá, o uso da noção de “comple&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/span&amp;gt;xo” para se tratar de algumas favelas da cidade do Rio de Janeiro - e mesmo de outro municípios próximos, como os da Baixada Fluminense - se tornou comum. Apenas para citar alguns deles: Complexo do Alemão, da Maré, da Penha, de Manguinhos, de Acari, da Pedreira, do Chapadão e por aí vai. Está presente no vocabulário de acadêmicos, agentes públicos, atores políticos, jornalistas e de cariocas em geral. Em alguma medida, ela acabou se somando a certas discussões, mais ou menos formais, sobre a nomeação de certos espaços da cidade: favelas, comunidades ou, de algum tempo pra cá, complexos de favelas (entre outras possibilidades)?&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É neste contexto que este verbete está inserido. Seu objetivo não é apresentar uma explicação última para este termo ou definição correta para se nomear certas favelas da cidade. Quer dizer, não se busca nestas páginas determinar que o termo “complexo” só pode ser usado nas situações específicas que descreveremos ou ainda que tal ou qual favela deva ser vista apenas como um “complexo”, e não de outras formas.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O que esperamos, ao fim do texto, é deixar claro como esta noção surgiu e se desenvolveu ao longo do tempo, especialmente na década de 1980, e destacar o que vemos como suas características mais interessante, ao menos do ponto de vista sociológico: em primeiro lugar, trata-se de uma nova escala espacial na cidade que se soma com aquelas já existentes, sem apagá-las, mas que torna o espaço urbano mais rico e complexo - sem trocadilhos; em segundo lugar, a forma como se nomeia os espaços como “complexos” varia de acordo com os interesses e pertencimentos envolvidos, de modo que, se certa favela é vista como “complexo” ou não por pessoas (ou instituições) diferentes, isso não significa que uma estará mais certa que a outra, mas que os sentidos conferidos à noção e à relação com lugar são diferentes.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Então, o objetivo do texto é contribuir para as discussões citadas acima, sem pretensões de conduzir o debate para um caminho que seria mais “correto”. Porém, se não pretendemos determinar nada, podemos, pelo menos, destacar algumas coisas que devem ser evitadas. E a principal delas é a criação de uma divisão simplista entre um Estado malvado, de um lado, e os moradores de favelas, do outro, na qual o primeiro teria desenvolvido a noção de “complexo” para aprimorar o controle militarizado da vida dessas populações, que não se identificam com este novo lugar. Não se vai negar que o aparelhos de governo aperfeiçoam constantemente tecnologias de controle social sobre as pessoas, o que se quer dizer é que a relação do desenvolvimento de uma nova escala espacial na cidade com essas técnicas de controle pode não ser tão simples e imediata assim.&amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Vejamos, brevemente e a título de ilustração, o trabalho de Marcos Alvito (2003) fruto de sua tese de doutorado defendida no fim da década de 1990, quando, como afirma o autor, o uso do termo “complexo”, já era amplamente utilizado. A partir de sua experiência, ele sugere que o termo seria um desdobramento da ideia de “complexo penitenciário”. O que coloca sua origem no seio do aparelho repressivo-policial do Estado e de uma lógica militarizada, o que permitiria, por exemplo, pensar como território único, um conjunto de favelas interligadas, como no caso do “&#039;Complexo de Acari&#039;, englobando um conjunto de 10 favelas (próximas, mas não contíguas) que estariam sob o controle de um único traficante” (Alvito, 2003, pg. 53). Esta possibilidade de explicação para a emergência da ideia de “complexo”, ainda que tenha se mostrado insatisfatória, em nada desmerece a análise, tendo em vista as informações disponíveis na época. E, diga-se de passagem, essa sugestão vigorou por muitos anos.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Porém, em seguida, ele trata do “famigerado” Complexo de Acari, “conceito vindo de fora e que não serve, de forma alguma, para a construção de uma identidade. Jamais ouvi alguém dizer que morava no Complexo de Acari” (Alvito, 2003, pg. 54). Aqui, nota-se, de modo mais claro, a reprodução da divisão simplista apontada acima e isso o impede de compreender seja os efeitos concretos da ideia de “complexo”, seja os processos de formação de identidade. O fato dele não ter encontrado uma única pessoa que se identificasse com o “Complexo de Acari” não implica que ninguém o fizesse; e, o fato de que lá ninguém se reconhecia como morador do “Complexo de Acari” não significa que, noutros lugares, a mesma coisa acontecesse. Até porque os processos de formação dos “complexos de favela” se territorializam de modo e em temporalidades diferentes&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Isto posto, e evitando fazer denúncia fundadas numa dicotomia imaginária, nas próximas seções, vamos fazer uma análise socio-histórica da noção de “complexo”, não para resolver de vez essa questão, mas para trazer contribuições para o debate.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Como urbanizar?&amp;amp;nbsp;&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A virada da década de 1970 para a de 1980 já é reconhecida como período no qual a solução governamental para o problema das favelas no Rio de Janeiro passou a ser sua urbanização, preterindo as remoções. Essa história está muito bem documentada em diversos trabalhos, como pode ser visto, entre outros, em Valla (1986), Burgos (1998), Machado da Silva (2002), Valladares (2005) e Gonçalves (2013). Mas, pouco se estudou um efeito mais sutil dessa mudança de diretriz, qual seja, a questão que se colocou para os órgãos do governo municipal: como urbanizar? Em torno desta pergunta vão se articular três aspectos da política urbana carioca no início dos anos 1980: a formação de um novo quadro técnico e a produção massiva de conhecimento sobre as favelas; o desenvolvimento de uma nova forma de entender esses espaços, como aglomerados (conurbações de favelas); e a incidência da ação das agências multilaterais no surgimento de uma nova etapa do problema da favela. Aqui trataremos apenas do segundo aspecto, pois é desta perspectiva que a noção de “complexo” aplicada a determinadas favelas vai ser desenvolvida.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As intervenções de urbanização, sobretudo as de saneamento, deveriam considerar a homogeneidade territorial de favelas distintas; isto é, as ações em uma localidade teriam impacto sobre outras, por conta de características geográficas em comum entre elas. Isto é, favelas vizinhas umas às outras, que tinham sua história própria, mas compartilhavam as mesmas características geográficas seriam objetos da mesma intervenção de urbanização. Buscando soluções para esta configuração, os técnicos da Prefeitura responsáveis por pensar as intervenções de urbanização, desenvolveram, inicialmente, a concepção de conurbação de favelas, seguida pela de “aglomerados”, de modo a dar conta dessa dupla dimensão socioespacial: heterogeneidade social e homogeneidade topográfica. Com o passar do tempo a ideia vai de “aglomerado” vai sendo intercalada com a de “conjunto de favelas” e, finalmente, substituída pela de “complexo”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Trata-se, efetivamente, da produção de uma nova escala espacial no município do Rio de Janeiro que se soma a outras já existentes como as de bairro ou de favela. E não é uma simples questão conceitual, pois ela terá efeitos práticos na gestão urbana carioca. A principal delas é uma alteração na hierarquia das favelas na cidade, através da produção de novos espaços na cidade como os Complexos do Alemão e da Maré. Como pode ser visto nas tabelas abaixo, apresentadas no documento “Contribuição dos dados de população das favelas do Município do Rio de Janeiro” (1984), produzido pelo IPLANRIO.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Tabela 1 – “10 Favelas mais populosas do Município do Rio De Janeiro – 1980”&#039;&#039;&#039;&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{| border=&amp;quot;1&amp;quot; cellpadding=&amp;quot;1&amp;quot; cellspacing=&amp;quot;1&amp;quot; style=&amp;quot;width: 500px;&amp;quot;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | Ordem&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 295px; text-align: center;&amp;quot; | Nome&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | R.A&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 88px; text-align: center;&amp;quot; | População&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | 1º&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 295px;&amp;quot; | Rocinha&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | VI&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 88px; text-align: right;&amp;quot; | 32.996&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | 2º&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 295px;&amp;quot; | Jacarezinho&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | XII&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 88px; text-align: right;&amp;quot; | 31.405&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | 3º&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 295px;&amp;quot; | Nova Brasília&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | XII&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 88px; text-align: right;&amp;quot; | 19.909&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | 4º&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 295px;&amp;quot; | Vila do Vintém&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | XVII&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 88px; text-align: right;&amp;quot; | 15.877&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | 5º&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 295px;&amp;quot; | Gleba I da antiga Fazenda Botafogo&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | XXII&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 88px; text-align: right;&amp;quot; | 14.721&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | 6º&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 295px;&amp;quot; | Fazenda Coqueiro&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | XVII&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 88px; text-align: right;&amp;quot; | 14.115&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | 7º&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 295px;&amp;quot; | Maré&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | X&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 88px; text-align: right;&amp;quot; | 14.046&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | 8º&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 295px;&amp;quot; | Parque União&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | X&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 88px; text-align: right;&amp;quot; | 13.945&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | 9º&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 295px;&amp;quot; | Vila Proletária da Penha&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | XI&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 88px; text-align: right;&amp;quot; | 13.564&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | 10º&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 295px;&amp;quot; | Nova Holanda&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 47px; text-align: center;&amp;quot; | X&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 88px; text-align: right;&amp;quot; | 13.115&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:x-small;&amp;quot;&amp;gt;Fonte: IPLANRIO, Contribuição dos dados de população das favelas do Município do Rio de Janeiro (1984) &amp;amp;nbsp;&amp;lt;/span&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E, na página 8, esta outra:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Tabela 2 – “10 Favelas ou Aglomerados de Favelas mais Populosas do Município do Rio de Janeiro – 1980”&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{| border=&amp;quot;1&amp;quot; cellpadding=&amp;quot;1&amp;quot; cellspacing=&amp;quot;1&amp;quot; style=&amp;quot;width: 507px;&amp;quot;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | Ordem&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 301px; text-align: center;&amp;quot; | Nome&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | R.A&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 91px; text-align: center;&amp;quot; | População&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | 1º&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 301px;&amp;quot; | Baixa do Sapateiro, Maré, Nova Holanda, Parque Rubens Vaz, Parque União e Timbau&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | X&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 91px; text-align: right;&amp;quot; | 65.001&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | 2º&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 301px;&amp;quot; | Itararé, Joaquim de Queirós, Morro do Alemão e Nova Brasília&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | X-XII&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 91px; text-align: right;&amp;quot; | 37.040&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | 3º&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 301px;&amp;quot; | Rocinha&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | VI&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 91px; text-align: right;&amp;quot; | 32.996&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | 4º&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 301px;&amp;quot; | Jacarezinho&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | XII&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 91px; text-align: right;&amp;quot; | 31.405&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | 5º&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 301px;&amp;quot; | Morro do Cariri, Vila Cruzeiro e Vila Proletária da Penha&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | X-XI&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 91px; text-align: right;&amp;quot; | 26.879&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | 6º&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 301px;&amp;quot; | Morro Azevedo Lima, Morro São Carlos, Morro do Catumbi, Morro Santos Rodrigues e Rato&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | III&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 91px; text-align: right;&amp;quot; | 20.354&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | 7º&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 301px;&amp;quot; | Parque Jardim Beira Mar, Parque Proletário de Vigário Geral e Te contei&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | XI&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 91px; text-align: right;&amp;quot; | 18.364&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | 8º&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 301px;&amp;quot; | Almirante Tamandaré, Gleba I da antiga Fazenda Botafogo e Parque Bela Vista&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | XXII&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 91px; text-align: right;&amp;quot; | 17.334&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | 9º&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 301px;&amp;quot; | Vila do Vintém&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | XVII&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 91px; text-align: right;&amp;quot; | 15.877&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | 10º&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 301px;&amp;quot; | Parque Acari, Vila Esperança e Vila Rica de Irajá&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 46px; text-align: center;&amp;quot; | XII&lt;br /&gt;
| style=&amp;quot;width: 91px; text-align: right;&amp;quot; | 15.038&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;span style=&amp;quot;font-size:x-small;&amp;quot;&amp;gt;Fonte: IPLANRIO, Contribuição dos dados de população das favelas do Município do Rio de Janeiro (1984)&amp;lt;/span&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É possível ver, a partir destas tabelas, uma mudança na hierarquia das maiores favelas da cidade do Rio de Janeiro, com a consideração dos complexos ou “aglomerados de favelas”. Não se trata de mera manipulação de dados, mas sim do efeito de um processo minucioso de análise e produção de informações que subsidiassem as ações de urbanização de favelas na cidade. E, como foi dito, também não se trata de simples questão conceitual, pois isso impacta diretamente a tomada de decisões do governo municipal carioca. Consideradas de modo isoladas, as quatro maiores favelas do Rio de janeiro seriam: Rocinha, Jacarezinho, Nova Brasília e Vila do Vintém (tabela 1); considerando os ”complexos”, esse ranking muda e temos como maiores espaços favelados do município: Complexo da Maré, do Alemão, Rocinha e Jacarezinho. Vejamos como isso impacta o tratamento do problema da favela na cidade do Rio de Janeiro em três momentos.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O primeiro deles está situado nos primeiros anos da década de 1980. Período marcado, no governo municipal, pelo desenvolvimento do Cadastro de Favelas (IPLANRIO, 1983). Publicado em 1983, os trabalhos de pesquisa para sua construção começaram em 1980/81 e as informações produzidas neste processo alimentaram uma séries de ações governamentais dos três níveis de governo: municipal, estadual e federal. É no seio dos estudos para construção do Cadastro de Favelas que a noção de aglomerados e complexos de favelas se consolida.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No período de 1980-1983, uma série de ações de urbanização de favelas, dos diversos níveis de governo, são realizadas, como o processo de eletrificação de favelas pela Light e o Proface/CEDAE, cujo objetivo era levar água de modo sistemático e estruturado para as favelas da cidade. O que esses programas têm em comum é o fato de serem setoriais, isto é, referem-se a um tipo de serviço público específico (luz e água, respectivamente), a ser implantado em um&amp;amp;nbsp; grande número de favelas. Mas, há outro tipo de ações concentrados em uma única favela ou conjunto de favelas, como o projeto Mutirão/UNESCO, o Projeto Rio&amp;lt;ref&amp;gt;Muito já foi produzido sobre o Projeto Rio ao longo dos anos desde sua realização, abordando diversos aspectos, desde a mobilização social desenvolvida no momento de sua implantação até aspectos técnicos do Projeto. A título de aproximação inicial, sugerimos como material de consulta sobre o Projeto Rio, as matérias produzidas pelo Rio on Watch, disponíveis no link: https://rioonwatch.org.br/?p=26789&amp;lt;/ref&amp;gt;&amp;amp;nbsp;e o Projeto de Desenvolvimento Social de Favelas do Rio de Janeiro&amp;lt;ref&amp;gt;Sobre o Projeto de Desenvolvimento Social de Favelas do Rio de Janeiro, ver, neste dicionário, o verbete “Pertencimento ao Complexo do Alemão”. &amp;lt;/ref&amp;gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O projeto Mutirão foi uma ação realizada através de uma parceria entre a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social (SMDS) e a UNESCO, realizada na Rocinha e que visava a realização de ações de urbanização na área em regime de ajuda mútua; o Projeto Rio, foi uma grande intervenção na produção de infraestrutura urbana e moradias, levada a cabo pelo Governo Federal na área atualmente conhecida como Complexo do Maré; já o Projeto de Desenvolvimento Social de Favelas do Rio de Janeiro é um grande diagnóstico elaborado pela SMDS, com financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), sobre as favelas do Jacarezinho e do Complexo do Alemão. É possível ver que a realização das quatro maiores intervenções concentradas em uma favela ou conjunto de favelas na cidade do Rio de Janeiro no início dos anos 1980 se baseou em uma nova hierarquia urbana, impactada pelo desenvolvimento da noção de aglomerado ou complexo de favelas.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O segundo momento inicia-se no ano de 1986, sob a gestão do prefeito Saturnino Braga, com a criação das primeiras Regiões Administrativas sediadas em favelas. Braga foi eleito para um mandato de três anos, compreendido entre 1986 e 1988, na primeira eleição direta para prefeito após duas décadas de ditadura civil militar. Ele inicia sua gestão pelo PDT e a termina, após o rompimento com o partido do governador Leonel Brizola, filiado ao PSB. Umas das principais características do governo de Saturnino foi seu esforço de descentralização administrativa no município, através de seus Conselhos Governo-Comunidade (CGC). Não uma iniciativa simplesmente burocrática, mas um esforço político de fortalecimento das bases, conferindo aos CGC’s alguma autonomia política para se organizarem, mas também para decidir a melhor aplicação dos recursos e serviços públicos em suas localidades. O que, por sua vez vai implicar na criação de uma nova arena local de disputa política e controle social (Burgos, 1992; Braga, 1989).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O objetivo da gestão de Saturnino era transformar as RAs em Conselhos Governo-Comunidade: uma instância local de interlocução entre os órgãos setoriais de governo e representantes comunitários, bem como ser um instrumento de organização e composição de bases partidárias locais. Na concepção do governo municipal, esperava-se que os administradores regionais atuassem coordenando as ações do poder público nas áreas sob sua atuação articulando-as com as demandas populares, agindo como uma espécie de gerente local. Conjugada com essa desconcentração administrativa, a Prefeitura buscava promover uma descentralização orçamentária, a partir da qual certas intervenções fossem decididas, inclusive na dotação de recursos, nas arenas das RAs/Conselhos.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A proposta enfrentou uma série de desafios, de modo que sua implantação foi parcial e alguns desses pressupostos apresentados, sobretudo a descentralização econômica, não foram alcançados. As dificuldades financeiras da Prefeitura se refletiam nas limitações postas à aplicação das decisões tomadas na esfera dos Conselhos, com relação a obras ou prestação de serviços. As resistências políticas também não foram pequenas.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Contudo, em que pese a não realização plena do projeto de Saturnino, nos interessa que nesse processo foram criadas novas Regiões Administrativas, nas quatro maiores favelas do município: Rocinha (XXVII R.A.), Jacarezinho (XXVIII R.A.), Complexo do Alemão (XXIX) e Maré (XXX). Note-se, em primeiro lugar, que a XXIX R.A. tem como jurisdição o Complexo do Alemão, nome oficial do Bairro, com o “complexo” e tudo; em segundo lugar, que os lugares escolhidos só podiam ser pensados como as maiores favelas da cidade, por conta da concepção dos aglomerados de favelas, como visualizado na Tabela 2. Se o parâmetro fosse apenas as favelas “isoladas”, seriam criadas as da Rocinha e Jacarezinho, junto com Nova Brasília e Vila do Vintém (Tabela 1).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O terceiro momento nos remete à década de 1990. Com a transformação dessas áreas compreendidas pelas novas Regiões Administrativas em bairros e com o programa Favela-Bairro. Com relação a criação dos bairros, com relação ao Complexo do Alemão e à Maré, recomendamos a leitura dos verbetes “Pertencimento ao Complexo do Alemão” e o “Bairro da Maré”, neste dicionário. Aqui, trataremos apenas do programa Favela-Bairro.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como foi destacado por Burgos (1998), desde a experiência da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social, ficou evidente, para os órgãos municipais, que ações pontuais não resolveriam os problemas de urbanização de favelas e, por outro lado, ao longo de toda a década de 1980 teria se acumulado, nos quadros da Prefeitura, conhecimentos e experiências que se mostraram fundamentais para a construção&amp;amp;nbsp; do projeto Favela-Bairro. Neste sentido, gostaríamos de destacar dois pontos. Primeiro, a continuidade da percepção de que favelas contíguas entre si deveriam ser pensadas como uma unidade. Na nota 36 do texto de Burgos (1998), o autor reproduz o seguinte texto, fruto de um documento da Prefeitura:&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;Outra advertência a se feita é que as favelas “conurbadas” foram tratadas como um conjunto único e nunca isoladamente, já que se considerou que tais favelas “formam uma única realidade geoambiental, não obstante mantenham identidades socioculturais próprias” (PMRJ, 1995:5 Apud Burgos, idem, pg. 58).&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E o autor segue:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;Em alguns casos, como se pode observar na lista de 16 favelas selecionadas, duas ou mais são consideradas parte de um único complexo. Eis a lista: Parque Royal; Canal das Tachas/Vila Amizade; Grotão; Serrinha; Ladeira dos Funcionário/Parque São Sebastião; Caminho do Job; Escondidinho; Morro da Fé; Vila Cândido/Guararapes/Cerro-Corá; Chácara Del Castilho; Mata Machado; Morro dos Prazeres; morro União; Três Pontes; Fernão Cardim; e Andaraí&amp;quot; (BURGOS, 1998, pg. 58).&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se houve “experiência” acumulada nos quadros técnicos da Prefeitura ao longo da década de 1980, cabe destacar a consolidação de um entendimento das favelas como aglomerados e sua percepção como complexos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O segundo ponto trata dos critérios de seleção das áreas que iriam receber intervenções do Favela-Bairro. O primeiro deles foi de que seriam selecionadas para o Programa apenas aquelas definidas como de porte médio, isto é, compostas por 500 a 2.500 domicílios e habitadas por entrre 2.000 e 10.000 habitantes. Trabalhar com as maiores (que seriam 15) seria muito custoso e a dispersão das pequenas favelas, implicaria em menor otimização dos recursos (Burgos, 1998).&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nesse processo de classificação das favelas, o critério dos aglomerados ou complexos de favelas transformou pequenas favelas em médias ou grandes, incluindo-as no programa ou excluindo-as do critério de porte médio. Como foi o caso do Complexo do Alemão. Não entramos nos dados produzidos para classificação das áreas aptas para receber ou não o Favela-Bairro, mas tendo em vista os números do documento Contribuição dos dados (1984) e a justificativa para criação das quatro novas Regiões Administrativas no governo Saturnino, podemos concluir que o fato de nenhuma das favelas que compunham o Complexo do Alemão receberam intervenções do Favela-Bairro por constituírem uma unidade só, conurbada e considerada de grande porte.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esse três momentos históricos ilustram como foi desenvolvida e consolidada, no seio de um quadro técnico da Prefeitura, a noção de “complexo” de favela. Não explicam, necessariamente, como o seu uso se ampliou e foi apropriado por outros atores políticos urbanos como os jornalistas, outros agentes públicos e mesmo entre as/os cariocas de maneira geral; tampouco, dão conta dos novos sentidos que lhe são atribuídos aos longos dos últimos anos, como uma possível lógica militarizada por trás de sua operação. Mas, não é por isso que esta análise histórica deixa de contribuir para uma compreensão do presente. Como veremos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Novas escalas urbanas&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O resgate histórico feito nas páginas acima, ainda que não avance para além do início da década de 1990, traz contribuições para pensarmos o presente, sobretudo, quando analisamos a mudança na hierarquia urbana que ela produziu e, por consequência, na escolha de áreas que receberão recursos, serviços e programas. Isso mostra que o surgimento dos “complexos” de favelas, no seio da gestão urbana municipal, promoveu a produção de uma nova escala urbana de pertencimento e de realização de políticas públicas (Matiolli, 2016).&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Neste verbete, a dimensão da elaboração de políticas públicas ficou mais evidente, quando vimos os projetos de urbanização do início da década de 1980, a criação das Regiões Administrativas em 1986 e o programa Favela-Bairro. Em todos estes casos, tratou-se de decisões baseadas na produção desses novos espaços na cidade, os complexos ou aglomerados de favelas. Essa percepção não implica no reconhecimento da heterogeneidade interna de uma grande favela, como as diversas áreas que existem no interior da Rocinha ou do Jacarezinho, por exemplo, com suas peculiaridades; mas, em conceber pequenas favelas, com suas trajetórias próprias, como se fossem uma unidade territorial nova. Uma das vantagens de pensar nos complexos como novas escalas de pertencimento e realização de políticas públicas é que nos permite fugir da dicotomia imaginária identificada no início do verbete. De duas maneiras.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Primeiro, enquanto escala de realização de políticas públicas, é possível perceber que o Estado não age de modo unitário, isto é, o fato de um órgão público reconhecer tal área como complexo não significa que outros trabalharão com a mesma definição. Não há uma determinação geral e unificada de que áreas são complexas e quais não são. Como exemplo, basta ver os diferentes mapas de atuação que circulam entre os órgãos de saúde, os de segurança ou ainda os correios, não necessariamente os lugares são nomeados da mesma forma. Há uma infinidade de definições.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bem como são múltiplas as definições do Complexo do Alemão, se você pergunta a uma moradora ou morador onde começa e termina o bairro. Há quem diga , por exemplo, que o Morro do Adeus faz parte e outras que o excluem se sua percepção do Alemão; há quem o associe ao Complexo da Penha; e por aí vai. Assim, enquanto nova escala de pertencimento, as pessoas que ali vivem podem ter mais uma referência de lugar para evocar, se lhe for estratégico; em outras palavras, não é que as/os moradoras/es não se identifiquem com o “complexo”, e sim que vão acionar seu pertencimento a ele de acordo com as circunstâncias.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quando vemos a organização política no Complexo do Alemão nos últimos anos, é possível ver que as associações de moradores criadas na região que veio a ganhar esse nome se referenciam a suas localidades como a Nova Brasília, o Morro do Alemão, a Baiana, Grota entre outras. Diferentemente das novas organizações sociais que vão surgir no fim da década de 1990, com as ONG’s, inicialmente, e, mais recentemente, os coletivos, que vão ter como referência local, o Complexo do Alemão. O que cria uma intricada cartografia política que vai gerar as mais diversas alianças, como, por exemplo, no caso do Juntos pelo Complexo do Alemão&amp;lt;ref&amp;gt;Para versões mais detalhadas desse exemplo, ver, neste dicionário, os verbetes: “pertencimento ao Complexo do Alemão”; “As associações de moradores do Complexo do Alemão” e “Juntos pelo Complexo do Alemão”.&amp;lt;/ref&amp;gt;.&amp;amp;nbsp;&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para além da dimensão da ação coletiva, do ponto de vista individual, é possível ver como as pessoas também podem acionar positivamente o Complexo do Alemão em suas iniciativas. Ao longo dos anos mais recentes, é possível ver empreendimentos locais que viram, na existência do “Complexo” uma marca que acionaram em seus negócios, como no caso da agência de turismo “Turismo no Alemão”, a marca de roupas “Complexidade urbana” e mesmo a cerveja “Complexo do Alemão”.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A existência do Complexo do Alemão como lugar de moradia na cidade não só não é, necessariamente, negada por seus moradores, como é acionada em diversos momentos, situações, segundo as visões estratégicas de seus moradores e organizações sociais. Evidentemente que, a vivência&amp;amp;nbsp; e pertencimentos aos complexos vão variar de lugar para lugar, e nem todas reproduzirão essa relação existente no Alemão. O que é mais uma vantagem da perspectiva dos “complexos” de favela como escala espacial urbana, pois abre um leque de possibilidades não vislumbradas nesse texto.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como foi dito no início, não foi o objetivo deste texto oferecer uma explicação final e definitiva para a noção de “complexo” de favelas, mas contribuir para o debate a partir de um trabalho de análise e resgate histórico da produção dessa nova escala espacial na cidade. E assim, como esperamos ter ficado claro, não acabamos com a conversa, pelo contrário, apenas abrimos alguns horizontes de reflexão, que consideram desde as diversas vivências, trajetórias e pertencimentos aos complexos de favelas até investigações e críticas sobre os usos dessas escalas por atores políticos como a imprensa e outros órgãos públicos, como os de segurança; mas, sempre, desviando de certas limitações consolidadas no imaginários sobre as favelas do Rio de Janeiro. .&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICAS&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
ALVITO, Marcos . As Cores de Acari. 1. ed. Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas, 2003. v. 1. 300p&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
BRAGA, Roberto Saturnino. Governo Comunidade: Socialismo no Rio. Rio de Janeiro, Ed. Paz e Terra, 1989.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
BURGOS, Marcelo. A falência da Prefeitura do Rio de Janeiro: 1988. Dissertação apresentada para obtenção do grau de Mestre em Planejamento Econômico e Políticas Públicas, Instituto de Economia Industrial da Universidade Federal do Rio de Janeiro, 1992.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
__________. (1998) Dos Parques Proletários ao Favela-Bairro: as políticas públicas nas favelas do Rio de Janeiro. In.: ZALUAR, A. E ALVITO, M. (Org.). Um Século de Favela. Rio de Janeiro, Ed. FGV, pp. 25-58.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
IPLANRIO – Instituto de Planejamento Municipal. Cadastro de Favelas, 2ª edição, Rio de Janeiro, 1983.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
_________. (1983) Projeto de Desenvolvimento Social de Favelas do Rio de Janeiro, Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social, Versão Preliminar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
_________. (1984) Contribuição dos dados de população das favelas do Município do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
MACHADO DA SILVA, Luiz Antonio. A continuidade do “problema da favela”. In: Oliveira, Lúcia Lippi (org). Cidade: Histórias e Desafios. Rio de Janeiro: Ed. Fundação Getúlio Vargas, 2002. p. 220 – 237.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
MATIOLLI, Thiago Oliveira Lima. Matiolli. O que o Complexo do Alemão nos conta sobre a cidade do Rio de Janeiro: poder e conhecimento no Rio de Janeiro no início dos anos 80. 2016. 234f. Tese de Doutorado em Ciências. Programa de Pós-Graduação em Sociologia, Universidade de São Paulo, São Paulo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
_________.Notas sobre o surgimento do bairro do Complexo do Alemão. In.: RODRIGUES, Rute Imanishi. Vida Social e Política nas Favelas: pesquisas de campo no Complexo do Alemão. Brasília: IPEA, 2016.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
VALLA, Victor V. (org). Educação e Favela: políticas para as favelas do Rio de Janeiro, 1940-1985. Rio de Janeiro: Vozes, 1986.&amp;amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
VALLADARES, Licia do Prado. A invenção da favela: do mito de origem à favela.com. Rio de Janeiro: editora FGV, 2005. na próxima seção.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;amp;nbsp;&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Thiago Matiolli</name></author>
	</entry>
</feed>