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<p style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;">Retirado de [https://pt.wikipedia.org/wiki/Caso_Amarildo Wikipédia - A enciclopédia livre]</p>  
<p style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;">Retirado de [https://pt.wikipedia.org/wiki/Caso_Amarildo Wikipédia - A enciclopédia livre]</p>  
= Introdução =
= Introdução =
<p style="margin-bottom:.0001pt; text-align:justify"><span style="color:#434343">'''Amarildo Dias de Souza''' (Rio de Janeiro, 1965/1966 - Rio de Janeiro, 2013) foi um ajudante de pedreiro&nbsp;brasileiro que ficou conhecido nacionalmente por conta de seu desaparecimento, desde o dia 14 de julho de 2013, após ter sido detido por policiais militares e conduzido da porta de sua casa, na Favela da Rocinha, em direção a sede da Unidade de Polícia Pacificadora do bairro. Seu desaparecimento tornou-se símbolo de casos de abuso de autoridade e violência policial. Os principais suspeitos no desaparecimento de Amarildo eram da própria polícia. Em 2016, 12 dos 25 policiais militares denunciados pelo desaparecimento e morte de Amarildo foram condenados em primeiro grau, e no segundo grau, oito condenações foram mantidas, enquanto quatro foram absolvidos.</span></p>  
<p style="margin-bottom:.0001pt; text-align:justify"><span style="color:#434343">'''Amarildo Dias de Souza''' (Rio de Janeiro, 1965/1966 - Rio de Janeiro, 2013) foi um ajudante de pedreiro&nbsp;brasileiro que ficou conhecido nacionalmente por conta de seu desaparecimento, desde o dia 14 de julho de 2013, após ter sido detido por policiais militares e conduzido da porta de sua casa, na [https://wikifavelas.com.br/index.php?title=Rocinha Favela da Rocinha], em direção a sede da Unidade de Polícia Pacificadora do bairro. Seu desaparecimento tornou-se símbolo de casos de abuso de autoridade e violência policial. Os principais suspeitos no desaparecimento de Amarildo eram da própria polícia. Em 2016, 12 dos 25 policiais militares denunciados pelo desaparecimento e morte de Amarildo foram condenados em primeiro grau, e no segundo grau, oito condenações foram mantidas, enquanto quatro foram absolvidos.</span></p>  
= <span style="color:#434343">Biografia</span> =
= <span style="color:#434343">Biografia</span> =
<p style="margin-bottom:.0001pt; text-align:justify"><span style="color:#434343">Morador desde que nasceu na favela da Rocinha, na Zona Sul do Rio de Janeiro, Amarildo era o sétimo de 12 irmãos e filho de uma empregada doméstica e de um pescador. Analfabeto, só escrevia o próprio nome e começou a trabalhar aos 12 anos vendendo limão. Casado com a dona de casa Elizabeth Gomes da Silva, Amarildo era pai de Romeu, e dividia um barraco de um único cômodo com toda a família. Conhecido como "Boi", trabalhava como pedreiro e fazia bicos na comunidade.</span></p>  
<p style="margin-bottom:.0001pt; text-align:justify"><span style="color:#434343">Morador desde que nasceu na favela da Rocinha, na Zona Sul do Rio de Janeiro, Amarildo era o sétimo de 12 irmãos e filho de uma empregada doméstica e de um pescador. Analfabeto, só escrevia o próprio nome e começou a trabalhar aos 12 anos vendendo limão. Casado com a dona de casa Elizabeth Gomes da Silva, Amarildo era pai de Romeu, e dividia um barraco de um único cômodo com toda a família. Conhecido como "Boi", trabalhava como pedreiro e fazia bicos na comunidade.</span></p>  
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= Sobre Amarildo =
= Sobre Amarildo =
<p style="text-align: justify;">'''Autor:&nbsp;Leandro Resende.'''</p> <p style="text-align: justify;">Era um domingo, 14 de julho de 2013, quando o pedreiro Amarildo Dias de Souza, então com 43 anos, foi visto com vida pela última vez. Foi detido para “averiguação” por policiais militares da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da Rocinha, torturado e morto. Seu nome entrou para o rol dos crimes cometidos pelo Estado graças à comoção que ensejou e às disputas de sentido e narrativa travadas em torno de sua memória desde então.</p> <p style="text-align: justify;">Amarildo tinha seis filhos, era casado e conhecido na Rocinha pelos serviços que prestava aos moradores. Sua força física lhe valeu o apelido de “Boi”. Naquele domingo, passara toda a manhã fora, pescando. Por volta das 20h, foi ao bar do Júlio, perto da casa onde vivia, para comprar limão. Sequer fez o pedido: policiais da UPP, ainda no rescaldo de uma operação policial realizada naquele final de semana, o levaram e o torturaram atrás de informações sobre um suposto paiol de armas.</p> <p style="text-align: justify;">Coube a família de Amarildo a denúncia pública do sumiço. Em pouco mais de uma semana, o grito “Cadê o Amarildo” desceu a favela e ganhou as ruas, nas bocas e cartazes de milhares das pessoas que protestaram Brasil afora em 2013. Iniciadas em junho daquele ano em virtude do aumento do preço das passagens de ônibus em diversas capitais, as manifestações também incorporaram o esclarecimento do sumiço do pedreiro como uma de suas múltiplas pautas.</p> <p style="text-align: justify;">As palavras de ordem também apareceram nas vozes dos governantes, sobretudo por intermédio do ex-governador fluminense Sérgio Cabral, instado a dar respostas e, por seu projeto político, tentar impedir que o episódio maculasse a imagem das UPPs. À época, o programa gozava do prestígio de parte da sociedade como uma suposta “novidade” na forma de o Estado policiar e lidar com moradores de favela.&nbsp;</p> <p style="text-align: justify;">Os meses sem resposta para a pergunta “Cadê o Amarildo?” demonstraram que as UPPs tiveram seus problemas negligenciados por parte da opinião pública. Desde o domingo em que o pedreiro sumiu, o programa de pacificação jamais voltou a ser o mesmo.&nbsp;</p> <p style="text-align: justify;">Em outubro de 2013, vieram à tona as informações acerca da tortura a que Amarildo foi submetido dentro da base da UPP Rocinha. Em janeiro de 2016, 12 policiais foram condenados pelo crime. Em junho do mesmo ano, a família obteve na Justiça o direito a uma indenização a ser paga pelo Estado do Rio de Janeiro - o dinheiro jamais foi pago. O corpo de Amarildo nunca foi encontrado.&nbsp;</p>   
<p style="text-align: justify;">'''Autor:&nbsp;Leandro Resende.'''</p> <p style="text-align: justify;">Era um domingo, 14 de julho de 2013, quando o pedreiro Amarildo Dias de Souza, então com 43 anos, foi visto com vida pela última vez. Foi detido para “averiguação” por policiais militares da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da Rocinha, torturado e morto. Seu nome entrou para o rol dos crimes cometidos pelo Estado graças à comoção que ensejou e às disputas de sentido e narrativa travadas em torno de sua memória desde então.</p> <p style="text-align: justify;">Amarildo tinha seis filhos, era casado e conhecido na Rocinha pelos serviços que prestava aos moradores. Sua força física lhe valeu o apelido de “Boi”. Naquele domingo, passara toda a manhã fora, pescando. Por volta das 20h, foi ao bar do Júlio, perto da casa onde vivia, para comprar limão. Sequer fez o pedido: policiais da UPP, ainda no rescaldo de uma operação policial realizada naquele final de semana, o levaram e o torturaram atrás de informações sobre um suposto paiol de armas.</p> <p style="text-align: justify;">Coube a família de Amarildo a denúncia pública do sumiço. Em pouco mais de uma semana, o grito “Cadê o Amarildo” desceu a favela e ganhou as ruas, nas bocas e cartazes de milhares das pessoas que protestaram Brasil afora em 2013. Iniciadas em junho daquele ano em virtude do aumento do preço das passagens de ônibus em diversas capitais, as manifestações também incorporaram o esclarecimento do sumiço do pedreiro como uma de suas múltiplas pautas.</p> <p style="text-align: justify;">As palavras de ordem também apareceram nas vozes dos governantes, sobretudo por intermédio do ex-governador fluminense Sérgio Cabral, instado a dar respostas e, por seu projeto político, tentar impedir que o episódio maculasse a imagem das UPPs. À época, o programa gozava do prestígio de parte da sociedade como uma suposta “novidade” na forma de o Estado policiar e lidar com moradores de favela.&nbsp;</p> <p style="text-align: justify;">Os meses sem resposta para a pergunta “Cadê o Amarildo?” demonstraram que as UPPs tiveram seus problemas negligenciados por parte da opinião pública. Desde o domingo em que o pedreiro sumiu, o programa de pacificação jamais voltou a ser o mesmo.&nbsp;</p> <p style="text-align: justify;">Em outubro de 2013, vieram à tona as informações acerca da tortura a que Amarildo foi submetido dentro da base da UPP Rocinha. Em janeiro de 2016, 12 policiais foram condenados pelo crime. Em junho do mesmo ano, a família obteve na Justiça o direito a uma indenização a ser paga pelo Estado do Rio de Janeiro - o dinheiro jamais foi pago. O corpo de Amarildo nunca foi encontrado.&nbsp;</p>   
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