Literatura de Favela: mudanças entre as edições

Sem resumo de edição
Sem resumo de edição
 
(4 revisões intermediárias por 2 usuários não estão sendo mostradas)
Linha 3: Linha 3:


O verbete procura mapear a cultura de favela que se expandiu na década de 90, sondando as manifestações artísticas produzidas nas favelas. Através de obras de três autores, Carolina de Jesus, Paulo Lins e Luiz Paulo Corrêa e Castro, desenvolve o conceito de literatura de favela, identificando as tipologias recorrentes de favela-inferno e favela-idílio na produção literária que dialoga com a temática da favela.
O verbete procura mapear a cultura de favela que se expandiu na década de 90, sondando as manifestações artísticas produzidas nas favelas. Através de obras de três autores, Carolina de Jesus, Paulo Lins e Luiz Paulo Corrêa e Castro, desenvolve o conceito de literatura de favela, identificando as tipologias recorrentes de favela-inferno e favela-idílio na produção literária que dialoga com a temática da favela.
Bibliografia:
Amaral, Luiz Eduardo Franco do; Schøllhammer, Karl Erik. Vozes da favela – representações da favela em Carolina de Jesus, Paulo Lins e Luiz Paulo Corrêa e Castro. Rio de Janeiro, 2003. 110p. Dissertação de Mestrado – Departamento de Letras, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro.
 


= Carolina de Jesus e Paulo Lins =
= Carolina de Jesus e Paulo Lins =
Linha 333: Linha 327:
Claro que em relação à violência e por se tratar de uma história de bandidos, uma narrativa sobre a formação do que tem se chamado de "crime organizado", a primeira impressão é de que se trata de um caso típico de favela-inferno. Porém as passagens idílicas ocupam grande parte do primeiro capítulo, por exemplo. As memórias da infância dos personagens, o espaço quase rural da primeira fase do conjunto (de 66 até meados da década de 70) que muitas vezes se torna um cenário bucólico, as brincadeiras entre os personagens, são contrapontos que tendem à imagem da favela-idílio. Em especial a relação das crianças e dos adolescentes com a natureza que cerca o conjunto na primeira parte do livro. Há vacas, porcos, cabras, caça de passarinhos, caça de gatos, enfim, toda uma situação que denota um ambiente rural, típico da favela-idílio. Aqui introduzimos uma tabela que procura esquematizar os principais recursos discursivos utilizados na construção das tipologias estudadas:
Claro que em relação à violência e por se tratar de uma história de bandidos, uma narrativa sobre a formação do que tem se chamado de "crime organizado", a primeira impressão é de que se trata de um caso típico de favela-inferno. Porém as passagens idílicas ocupam grande parte do primeiro capítulo, por exemplo. As memórias da infância dos personagens, o espaço quase rural da primeira fase do conjunto (de 66 até meados da década de 70) que muitas vezes se torna um cenário bucólico, as brincadeiras entre os personagens, são contrapontos que tendem à imagem da favela-idílio. Em especial a relação das crianças e dos adolescentes com a natureza que cerca o conjunto na primeira parte do livro. Há vacas, porcos, cabras, caça de passarinhos, caça de gatos, enfim, toda uma situação que denota um ambiente rural, típico da favela-idílio. Aqui introduzimos uma tabela que procura esquematizar os principais recursos discursivos utilizados na construção das tipologias estudadas:


= TABELA =
[[File:Kuait.png|thumb|center|600px|Kuait.png]]


Um outro viés interessante de contraste entre as duas obras é o processo de construção física do espaço das favelas. De que maneira cada autor cria o espaço no qual se desenvolve a ação, como a favela é fisicamente representada em cada obra. Não podemos perder de vista a distância entre os dois livros. Na verdade são gêneros distintos, que estão sendo trabalhos aqui paralelamente sob o enfoque da literatura de favela. Talvez nenhum dos três autores (incluo Luiz Paulo) concordasse com essas categorias. Porém elas estão sendo úteis no desenvolvimento dessa pesquisa, e pensamos que podemos abrir novos caminhos para a pesquisa da literatura produzida na (e sobre a) favela.
Um outro viés interessante de contraste entre as duas obras é o processo de construção física do espaço das favelas. De que maneira cada autor cria o espaço no qual se desenvolve a ação, como a favela é fisicamente representada em cada obra. Não podemos perder de vista a distância entre os dois livros. Na verdade são gêneros distintos, que estão sendo trabalhos aqui paralelamente sob o enfoque da literatura de favela. Talvez nenhum dos três autores (incluo Luiz Paulo) concordasse com essas categorias. Porém elas estão sendo úteis no desenvolvimento dessa pesquisa, e pensamos que podemos abrir novos caminhos para a pesquisa da literatura produzida na (e sobre a) favela.
Linha 396: Linha 390:
A literatura de favela então seria aquela que:
A literatura de favela então seria aquela que:


#. Tematizasse a favela;  
#Tematizasse a favela;  
#Tivesse sido escrita por um autor pertencente à favela, ou que tenha tido a experiência da vida na favela;  
#Tivesse sido escrita por um autor pertencente à favela, ou que tenha tido a experiência da vida na favela;  
#Estabelecesse um diálogo com a favela.  
#Estabelecesse um diálogo com a favela.  
Linha 403: Linha 397:


Uma vez estabelecido o conceito, passemos às peças do Nós do Morro.
Uma vez estabelecido o conceito, passemos às peças do Nós do Morro.
= Bibliografia =
Amaral, Luiz Eduardo Franco do; Schøllhammer, Karl Erik. Vozes da favela – representações da favela em Carolina de Jesus, Paulo Lins e Luiz Paulo Corrêa e Castro. Rio de Janeiro, 2003. 110p. Dissertação de Mestrado – Departamento de Letras, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro.


 
 


 
 
[[Category:Temática - Cultura]][[Category:Literatura]][[Category:Literatura de favela]][[Category:Arte]]