A cor da morte (resenha): mudanças entre as edições
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O estudo de cunho estatístico e criminológico problematiza, inicialmente, a precariedade | O estudo de cunho estatístico e criminológico problematiza, inicialmente, a precariedade das fontes dos dados de pesquisa sobre homicídios no Brasil. A carência do aperfeiçoamento desses dados impossibilitou a sistematização de estudos sobre a vitimização de negro durante anos no Brasil. Porém, diante dos resultados obtidos através da análise deles, consideram já ser possível afirmar que a morte tem cor de pele. | ||
A crítica perpassa toda a formação simbólica do estado brasileiro quando minimizou o racismo praticado no Brasil quando comparado ao racismo americano, considerando este o único real. Essa relação, segundo os autores, foi reforçada por parte da esquerda ao subjugar a questão racial à luta de classes, tomada por esta como a principal causa do preconceito. O racismo só viria a ser novamente pauta por força dos movimentos sociais, de identidade negra, alguns setores progressistas e, também, decorrente da necessidade de levantamento de dados para estudos. | A crítica perpassa toda a formação simbólica do estado brasileiro quando minimizou o racismo praticado no Brasil quando comparado ao racismo americano, considerando este o único real. Essa relação, segundo os autores, foi reforçada por parte da esquerda ao subjugar a questão racial à luta de classes, tomada por esta como a principal causa do preconceito. O racismo só viria a ser novamente pauta por força dos movimentos sociais, de identidade negra, alguns setores progressistas e, também, decorrente da necessidade de levantamento de dados para estudos. | ||
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O artigo "A cor da morte" foi um importante trabalho para acentuar, principalmente, o descaso com as questões raciais no Brasil. Revelando uma ineficiência e desarticulação entre os entes administrativos das esferas de poder que não se justifica diante do cenário nacional de violência. Porém, devemos compreender o recorte pretendido e a intenção dos autores para uma crítica mais produtiva. Se levarmos em conta que a única fonte de pesquisa foi o registro de óbito que, via de regra, não possui uma credibilidade e que não atribui a forma pela qual foi produzida a morte, temos um grave problema metodológico. O que nos leva a crer que as outras variáveis citadas pelos autores, por sua vez, podem modificar a "cor da morte". Basta analisar o conceito de homicídio para se ter uma gama de definições de termos jurídicos possíveis, que variam desde um acidente de trânsito até uma tortura; Ou a questão da violência de gênero, se for categorizar, por exemplo, um cadáver de homem que sofreu um homicídio por ter sido vítima de homofobia. Estas observações, caso tenham ocorrido nesse estudo, descredenciariam a violência e a variável gênero em relação aos demais grupos. Destarte, entendendo a proposta dos autores de chamar a atenção para o tema e instigar a pesquisa, principalmente para mobilizar a comunidade acadêmica na produção, creio que são dignos de nota e devida relevância. | |||
