Rádio Grande Tijuca: mudanças entre as edições
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<p style="text-align:justify"><span style="line-height:150%"><span style="line-height:150%">De acordo com Miramar, a rádio nunca teve problemas com a repressão. “Quando chegou a pacificação eu levei um susto danado. Agora minha rádio dança, pensei. Ainda mais quando o comandante do 1º Batalhão do Borel me chamou e perguntou “você tem uma rádio comunitária?”. Respondi que sim e ele disse que queria conversar comigo. Minhas pernas tremeram. Mas ele disse que queria ajudar a regulamentar. Mas também não resolveu. Eles não atrapalham em nada”.</span></span></p> <p style="text-align:justify"><span style="line-height:150%"><span style="line-height:150%">Miramar explica, porém, que há necessidade de ter cuidado com o que se fala na rádio ecautela para emitir certas notícias. “Temos que ir devagar no que a gente fala, porque pode mexer com alguém e esse alguém nos prejudicar”.</span></span></p> <p style="text-align:justify"><span style="line-height:150%"><span style="line-height:150%">Mônica Francisco, cientista social que foi da Rádio Comunitária do Borel (RCB) também dedicou um tempo da sua vida à Rádio Grande Tijuca.</span></span></p> <p style="text-align:justify"><span style="line-height:150%"><span style="line-height:150%">“A proposta da rádio era agregar o maior número possível de tijucanos da favela e do asfalto. Naquele momento a Tijuca sofria com uma guerra entre facções rivais. Eram tiroteios incessantes praticamente todas as noites. Essa guerra impedia que uma rádio de uma determinada favela divulgasse ações de outra favela. E esse se torna um assunto proibido”, recorda Mônica.</span></span></p> <p style="text-align:justify"><span style="line-height:150%"><span style="line-height:150%">A Rádio Grande Tijuca se tornou um espaço de encontro entre moradores, artistas tijucanos e músicos. A variada programação começava às 8 horas da manhã. Havia na grade vários programas. Mônica Francisco fazia o “Fala Comunidade”, às 17 horas, entre outros. Tinha entrevistados e uma vez por mês era entrevistado o comandante do Batalhão da Polícia Militar da área e o subprefeito.</span></span></p> <p style="text-align:justify"><span style="line-height:150%"><span style="line-height:150%">Depois a Rádio comprou uma chave híbrida que possibilitava receber e fazer telefonemas para fazer entrevistas por telefone. Daí foi um passo para a rede de rádios do Viva Rio. Precisava-se tratar da formalização das rádios comunitárias.</span></span></p> <p style="text-align:justify"><span style="line-height:150%"><span style="line-height:150%">Durante cinco anos Mônica foi militante da Comunicação Popular na Tijuca. Chegou a ser diretora da Federação das Associações de Rádios Comunitárias do Rio de Janeiro (Farc-RJ), de 2003 a 2005.</span></span></p> | <p style="text-align:justify"><span style="line-height:150%"><span style="line-height:150%">De acordo com Miramar, a rádio nunca teve problemas com a repressão. “Quando chegou a pacificação eu levei um susto danado. Agora minha rádio dança, pensei. Ainda mais quando o comandante do 1º Batalhão do Borel me chamou e perguntou “você tem uma rádio comunitária?”. Respondi que sim e ele disse que queria conversar comigo. Minhas pernas tremeram. Mas ele disse que queria ajudar a regulamentar. Mas também não resolveu. Eles não atrapalham em nada”.</span></span></p> <p style="text-align:justify"><span style="line-height:150%"><span style="line-height:150%">Miramar explica, porém, que há necessidade de ter cuidado com o que se fala na rádio ecautela para emitir certas notícias. “Temos que ir devagar no que a gente fala, porque pode mexer com alguém e esse alguém nos prejudicar”.</span></span></p> <p style="text-align:justify"><span style="line-height:150%"><span style="line-height:150%">Mônica Francisco, cientista social que foi da Rádio Comunitária do Borel (RCB) também dedicou um tempo da sua vida à Rádio Grande Tijuca.</span></span></p> <p style="text-align:justify"><span style="line-height:150%"><span style="line-height:150%">“A proposta da rádio era agregar o maior número possível de tijucanos da favela e do asfalto. Naquele momento a Tijuca sofria com uma guerra entre facções rivais. Eram tiroteios incessantes praticamente todas as noites. Essa guerra impedia que uma rádio de uma determinada favela divulgasse ações de outra favela. E esse se torna um assunto proibido”, recorda Mônica.</span></span></p> <p style="text-align:justify"><span style="line-height:150%"><span style="line-height:150%">A Rádio Grande Tijuca se tornou um espaço de encontro entre moradores, artistas tijucanos e músicos. A variada programação começava às 8 horas da manhã. Havia na grade vários programas. Mônica Francisco fazia o “Fala Comunidade”, às 17 horas, entre outros. Tinha entrevistados e uma vez por mês era entrevistado o comandante do Batalhão da Polícia Militar da área e o subprefeito.</span></span></p> <p style="text-align:justify"><span style="line-height:150%"><span style="line-height:150%">Depois a Rádio comprou uma chave híbrida que possibilitava receber e fazer telefonemas para fazer entrevistas por telefone. Daí foi um passo para a rede de rádios do Viva Rio. Precisava-se tratar da formalização das rádios comunitárias.</span></span></p> <p style="text-align:justify"><span style="line-height:150%"><span style="line-height:150%">Durante cinco anos Mônica foi militante da Comunicação Popular na Tijuca. Chegou a ser diretora da Federação das Associações de Rádios Comunitárias do Rio de Janeiro (Farc-RJ), de 2003 a 2005.</span></span></p> | ||
<span style="line-height:115%">Para Mônica, a Comunicação Popular é a saída para as lutas populares desde que não seja mero reprodutor da mídia oficial, dos jornais ou programas de outras rádios jornalísticas de emissoras oficiais. “Quando damos uma notícia, fazemos comentários, produzimos reflexão. A Comunicação Popular dá a possibilidade de você ver o outro lado. Porque quando você tem uma voz única fica muito difícil formar uma opinião que seja no mínimo coerente. A Comunicação Popular tem esse papel de saída: no jeito, na linguagem, na forma de comunicação. Não é à toa que você tem na Europa uma estrutura de rede de rádios comunitárias que são imprescindíveis para a vida de uma cidade. No interior do país, a rádio comunitária e Comunicação Popular é que fazem acontecer porque se não as notícias não chegariam. A comunicação de cunho popular, as rádios comunitárias, as mídias comunitárias possibilitam outro olhar sobre tudo. Possibilitam que o popular tenha acesso e produza informação. Isso é fantástico”.</span> | <span style="line-height:115%">Para Mônica, a Comunicação Popular é a saída para as lutas populares desde que não seja mero reprodutor da mídia oficial, dos jornais ou programas de outras rádios jornalísticas de emissoras oficiais. “Quando damos uma notícia, fazemos comentários, produzimos reflexão. A Comunicação Popular dá a possibilidade de você ver o outro lado. Porque quando você tem uma voz única fica muito difícil formar uma opinião que seja no mínimo coerente. A Comunicação Popular tem esse papel de saída: no jeito, na linguagem, na forma de comunicação. Não é à toa que você tem na Europa uma estrutura de rede de rádios comunitárias que são imprescindíveis para a vida de uma cidade. No interior do país, a rádio comunitária e Comunicação Popular é que fazem acontecer porque se não as notícias não chegariam. A comunicação de cunho popular, as rádios comunitárias, as mídias comunitárias possibilitam outro olhar sobre tudo. Possibilitam que o popular tenha acesso e produza informação. Isso é fantástico”.</span> | ||
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