Conceição Ferreira da Silva: mudanças entre as edições
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Conceição gostava muito, “gostava não, eu gosto ainda, estou viva!” de dançar e ir à gafieira, onde, com seus parceiros, se divertia ao som do bolero, tango, salsa e samba. Curtia bailes em Vila Isabel, Salgueiro, Lapa e adorava a gafieira na Rua da Santana, à qual ia com suas amigas da Barata Ribeiro, onde trabalhava e voltava quatro da manhã de ônibus ou nos bondes que as deixavam no canto do Leme. Dançava de tudo e sempre tinha um par a sua espera. | Conceição gostava muito, “gostava não, eu gosto ainda, estou viva!” de dançar e ir à gafieira, onde, com seus parceiros, se divertia ao som do bolero, tango, salsa e samba. Curtia bailes em Vila Isabel, Salgueiro, Lapa e adorava a gafieira na Rua da Santana, à qual ia com suas amigas da Barata Ribeiro, onde trabalhava e voltava quatro da manhã de ônibus ou nos bondes que as deixavam no canto do Leme. Dançava de tudo e sempre tinha um par a sua espera. | ||
As festas na casa de sua mãe eram frequentes, principalmente no Carnaval. O pessoal todo se arrumava para desfilar nas escolas de samba: “a gente se arrumava, fazia as baianas todas para ir para a escola de samba, e a festa era tudo na casa da minha mãe”. Ela e os irmãos, todos fantasiados, iam muito à Ipanema brincar nessa época. Seus irmãos são fundadores do Aventureiros do Leme: um era baliza e outro colaborava na bateria, enquanto suas irmãs e ela saíam todas de baiana no bloco. | |||
Desde sua chegada ao morro até os dias de hoje, muitas pessoas que ajudaram na construção da comunidade já morreram. Existia muitos mineiros residindo no local no momento em que chegou, e restaram-lhe apenas algumas em sua memória, como a Elza, Beni e Aparecida, que, apesar de estarem doentes atualmente, são pessoas muito queridas dela. | |||
Gostava muito do Presidente Getúlio Vargas, que ajudou muito a comunidade há anos, principalmente nas vésperas do Natal, pois, quando os moradores iam ao palácio, voltavam com muitas roupas e comidas que lhes eram doadas. Sua irmã, dona Marcela, trabalhou como cozinheira para ele no Palácio da República e em sua casa; dona Conceição teve a oportunidade de conhecê-lo pessoalmente e considerava-o uma pessoa muito boa. | |||
Sempre foi uma mulher que gostava muito de trabalhar. Se tivesse condições, trabalharia até hoje. Sempre que trabalhava nas casas das senhoras, fazia de tudo, “adorava ficar trepada nas janelas nesses apartamentos aí”, mas agora não é mais possível devido à sua saúde. | |||
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''' | '''Até o dia da entrevista, dona Conceição já estava há um ano mais ou menos sem sair da comunidade e nos contou sua crendice em Jesus, apesar de não se envolver. É espírita e uma das “rezadeiras” do morro, e expôs-nos sua fé em Nossa Senhora das Graças, que lhe agrada junto com Nossa Senhora da Conceição.''' | ||
''' | '''Eis o retrato de uma guerreira, de uma história de lutas e desafios, que nos deixou um pouco de sua memória. Esperamos que tenha realizado a sua vontade de reencontrar-se com seus familiares onde está agora. Dona Conceição faleceu no dia 3 de junho de 2004.''' | ||
