Favelas como resistência à cidade do Capital: mudanças entre as edições

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'''Autor: Daniel Lacerda'''


As favelas não são um fenômeno novo na história, mas o seu aparecimento nunca foi tão rápido e sistemático como com o arranjo econômico das sociedades capitalistas modernas. Como um fenômeno urbano, para entender favelas precisamos entender as dinâmicas das cidades. Pelo significado da sua existência nas configurações informais, esses territórios questionam o planejamento urbano, ou como Chandhoke (1993, p. 63) as coloca, “por desafiar a ordem espacial das cidades, os habitantes dessas ‘moradias’ desafiam a própria ordem social”.
As favelas não são um fenômeno novo na história, mas o seu aparecimento nunca foi tão rápido e sistemático como com o arranjo econômico das sociedades capitalistas modernas. Como um fenômeno urbano, para entender favelas precisamos entender as dinâmicas das cidades. Pelo significado da sua existência nas configurações informais, esses territórios questionam o planejamento urbano, ou como Chandhoke (1993, p. 63) as coloca, “por desafiar a ordem espacial das cidades, os habitantes dessas ‘moradias’ desafiam a própria ordem social”.
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A explicação de como as contradições do mercado são materializadas na ordem urbana diz respeito à necessidade de urbanização para mobilizar e concentrar o produto excedente de produção. A cidade capitalista demanda uma força de trabalho concentrada, como requer o seu processo de produção, e também vai demandar uma ocupação ordenada do espaço, como requer a sua estrutura de consumo. Mas só para a mesma elite que é beneficiada pela acumulação de capital é reservada a possibilidade de aproveitar os benefícios do desenvolvimento industrial, embora respeitando as determinações ordenadas, enquanto a classe trabalhadora terá que romper essa ordem para estar localizado perto de um centro capitalista. Isso pode ser descrito como o conflito entre a cidade “pretendida” e a cidade “não pretendida” (CHANDHOKE, 1993, p. 69), o qual é ilustrado na foto abaixo.
A explicação de como as contradições do mercado são materializadas na ordem urbana diz respeito à necessidade de urbanização para mobilizar e concentrar o produto excedente de produção. A cidade capitalista demanda uma força de trabalho concentrada, como requer o seu processo de produção, e também vai demandar uma ocupação ordenada do espaço, como requer a sua estrutura de consumo. Mas só para a mesma elite que é beneficiada pela acumulação de capital é reservada a possibilidade de aproveitar os benefícios do desenvolvimento industrial, embora respeitando as determinações ordenadas, enquanto a classe trabalhadora terá que romper essa ordem para estar localizado perto de um centro capitalista. Isso pode ser descrito como o conflito entre a cidade “pretendida” e a cidade “não pretendida” (CHANDHOKE, 1993, p. 69), o qual é ilustrado na foto abaixo.


[[File:Picture 1.png|O contraste entre as favelas e a cidade formal em uma zona rica – o PPG]]
[[File:Picture 1.png|center|O contraste entre as favelas e a cidade formal em uma zona rica – o PPG]]
<p align="center" style="text-align:center">''<span lang="PT-BR" style="font-family:" times="" new="" roman",serif"="">O contraste entre as favelas e a cidade formal em uma zona rica - O PPG</span>''</p>  
<p align="center" style="text-align:center">''<span lang="PT-BR" style="font-family:">O contraste entre as favelas e a cidade formal em uma zona rica - O PPG</span>''</p>  
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Referências
Referências
<p style="text-align:justify"><span style="line-height:150%"><span lang="PT-BR" style="font-size:12.0pt"><span style="line-height:150%"><span style="font-family:" times="" new="" roman",serif"="">ABREU, Mauricio. '''A Evolução Urbana do Rio de Janeiro.'''</span></span></span><span style="font-size:12.0pt"><span style="line-height:150%"><span style="font-family:" times="" new="" roman",serif"="">3. ed. [s.l.] : IPLANRIO, 1997.</span></span></span></span></p> <p style="text-align:justify"><span style="line-height:150%"><span style="font-size:12.0pt"><span style="line-height:150%"><span style="font-family:" times="" new="" roman",serif"="">CHANDHOKE. On the social organization of urban space: Subversions and appropriations.</span></span></span>'''<span lang="PT-BR" style="font-size:12.0pt"><span style="line-height:150%"><span style="font-family:" times="" new="" roman",serif"="">Social Scientist</span></span></span>'''<span lang="PT-BR" style="font-size:12.0pt"><span style="line-height:150%"><span style="font-family:" times="" new="" roman",serif"="">, [s. l.], v. 21, n. 5–6, p. 63–73, 1993. Disponível em: <http://www.jstor.org/stable/10.2307/3517815>. Acesso em: 25 maio. 2013.</span></span></span></span></p> <p style="text-align:justify"><span style="line-height:150%"><span lang="PT-BR" style="font-size:12.0pt"><span style="line-height:150%"><span style="font-family:" times="" new="" roman",serif"="">FUNDAÇÃO JOÃO PINHEIRO. '''Déficit habitacional municipal no Brasil 2010'''.</span></span></span><span style="font-size:12.0pt"><span style="line-height:150%"><span style="font-family:" times="" new="" roman",serif"="">Belo Horizonte: Centro de Estatística e Informações, 2013.</span></span></span></span></p> <p style="text-align:justify"><span style="line-height:150%"><span style="font-size:12.0pt"><span style="line-height:150%"><span style="font-family:" times="" new="" roman",serif"="">HARVEY, David. The right to the city. '''International Journal of Urban and Regional …''', [s. l.], p. 23–40, 2003.</span></span></span><span lang="PT-BR" style="font-size:12.0pt"><span style="line-height:150%"><span style="font-family:" times="" new="" roman",serif"="">Disponível em: <http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/j.0309-1317.2003.00492.x/abstract>. Acesso em: 23 out. 2012.</span></span></span></span></p>  
<p style="text-align:justify"><span style="line-height:150%"><span lang="PT-BR" style="font-size:12.0pt"><span style="line-height:150%"><span style="font-family:">ABREU, Mauricio. '''A Evolução Urbana do Rio de Janeiro.'''</span></span></span><span style="font-size:12.0pt"><span style="line-height:150%"><span style="font-family:">3. ed. [s.l.]&nbsp;: IPLANRIO, 1997.</span></span></span></span></p> <p style="text-align:justify"><span style="line-height:150%"><span style="font-size:12.0pt"><span style="line-height:150%"><span style="font-family:">CHANDHOKE. On the social organization of urban space: Subversions and appropriations.</span></span></span>'''<span lang="PT-BR" style="font-size:12.0pt"><span style="line-height:150%"><span style="font-family:">Social Scientist</span></span></span>'''<span lang="PT-BR" style="font-size:12.0pt"><span style="line-height:150%"><span style="font-family:">, [s. l.], v. 21, n. 5–6, p. 63–73, 1993. Disponível em: <[http://www.jstor.org/stable/10.2307/3517815 http://www.jstor.org/stable/10.2307/3517815]>. Acesso em: 25 maio. 2013.</span></span></span></span></p> <p style="text-align:justify"><span style="line-height:150%"><span lang="PT-BR" style="font-size:12.0pt"><span style="line-height:150%"><span style="font-family:">FUNDAÇÃO JOÃO PINHEIRO. '''Déficit habitacional municipal no Brasil 2010'''.</span></span></span><span style="font-size:12.0pt"><span style="line-height:150%"><span style="font-family:">Belo Horizonte: Centro de Estatística e Informações, 2013.</span></span></span></span></p> <p style="text-align:justify"><span style="line-height:150%"><span style="font-size:12.0pt"><span style="line-height:150%"><span style="font-family:">HARVEY, David. The right to the city. '''International Journal of Urban and Regional …''', [s. l.], p. 23–40, 2003.</span></span></span><span lang="PT-BR" style="font-size:12.0pt"><span style="line-height:150%"><span style="font-family:">Disponível em: <[http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/j.0309-1317.2003.00492.x/abstract http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/j.0309-1317.2003.00492.x/abstract]>. Acesso em: 23 out. 2012.</span></span></span></span></p>  
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[[Category:Temática - Habitação]][[Category:Temática - Economia e Mercado]][[Category:Capitalismo]][[Category:Espaço urbano]][[Category:Direito à cidade]]